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História

Zona Cerealista do mundo inteiro

História de: João Luiz Correa Lima
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

Em sua curta entrevista, João Luiz Correa Lima nos conta a respeito principalmente do funcionamento e da história das feiras internacionais de produtos alimentícios. Destaca a centralidade das feiras na França, Alemanha e no Oriente Média. Em seguida, fala da mudança de seu mercado consumidor dos Estados Unidos para Dubai. Conta também de suas raízes italianas e de seu início na Zona Cerealista.

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História completa

Ter conhecimento no comércio é tudo. Você tem que ter o conhecimento para poder negociar. Mas não é o conhecimento apenas, você tem que saber dos compradores, dos vendedores, tem que ter o conhecimento de tudo. Ajuda bastante você ter um conhecimento geral do mercado no mundo. As feiras internacionais são feiras muito grandes que se realizam na França, na Alemanha, anualmente, elas se realizam na França, na Alemanha e em Dubai. Hoje em dia, o melhor mercado pra gente é Dubai, são os clientes do mundo árabe, nós deixamos de vender para os Estados Unidos, nós deixamos de vender para a Europa, hoje, praticamente, o nosso comprador e o mercado árabe. Nós vendemos café, pimenta, cravo da índia, nós vendemos gergelim, nós vendemos feijão, pipoca, tudo o que o Brasil produz, a gente vende. E se tiver que vender mais coisas também que o Brasil venha a produzir a mais do que a necessidade daqui, a gente vende. Nenhum comerciante daqui vai às feiras. Hoje em dia, um ou outro vai para participar, mas nós íamos sempre com estande, nós montamos um estande nas feiras desde aquela época, nos anos 70, nós montávamos estande, quando tinha que pagar; hoje em dia, o governo ajuda com uma parte, colabora com uma parte dos custos, mas nós chegamos a fazer muitas e muitas feiras que nós bancávamos sozinhos e toda feira que nós bancávamos, sempre tinha um retorno, sempre se achava um comprador diferente que pagava a feira. Todas as feiras nos últimos 40 anos, que a gente fez, em todas elas, nós tivemos retorno, nunca nós tivemos de uma feira que nós tivemos que bancar do nosso bolso Para quem não viu, numa feira, você expõe os seus produtos que você tem para vender para todos os compradores do mundo, todo mundo costuma frequentar as feiras. Os compradores, principalmente. Como uma feira daqui que você expõe os produtos para os supermercados comprarem. Lá, você expõe para o mundo, em vez de você expor aqui, você expõe para o mundo. Atualmente, a APEX tem ajudado bastante, hoje em dia são mais estandes, quando nós íamos, éramos nós, Bauducco, um ou outro pequeno que ia, e só. Hoje, a APEX já proporciona isso para muita gente, para quem quiser participar é só ir na APEX que ela dá um incentivo para participar. A primeira feira que eu fui foi na França, nós fomos até só ver, foi a minha irmã que foi nessa feira só para ver e no ano seguinte, nós já começamos a fazer isso, foi nos idos de 1976, 77, por aí. Na próxima, nós já estávamos presentes, e sempre vai estar, dois ou três colaboradores lá, a empresa sempre vai estar presente na feira.

O nosso mercado principal era os Estados Unidos, com a pimenta, nós temos um armazém de pimenta em Castanhal no Brasil, que nós exportamos por lá e foi uma grande surpresa a hora que a gente chega na feira, vê um saco da nossa pimenta numa firma americana, a maior firma americana do mundo que expunha as especiarias para vender para oi mundo, tinha um saco de pimenta lá que era nosso. Nós éramos o exportador, então, foi uma grande surpresa. Foi uma alegria. Aquela então, que era a maior empresa americana que trabalha com esse produto.

As mais antigas são um ano na França, que é a SIAL e outro ano na Alemanha, que é a Anuga. Essas são as feiras que existem já há muito, muito tempo e são as principais feiras do mundo. Depois mudou com o advento do Oriente Médio, pois Cingapura era também o nosso grande comprador, depois, com o advento de Dubai, passou a ser Dubai o grande comprador e Cingapura diminuiu as compras, os negócios. Hoje é Dubai que comanda o mercado de todo Oriente, então, começou a feira de Dubai de uns dez anos pra cá. Hoje, pra nós, a melhor feira é lá, porque lá nós temos todos os compradores. Nós deixamos de fornecer para os Estados Unidos e para a Europa.

Para os Estados unidos, nós vendíamos… nós chegamos a ter uma firma de mármore nos Estados unidos, nós tínhamos uma marmoraria aqui, uma firma de mármore nos Estados unidos, com nossa gente lá, nós vendíamos pimenta para os Estados Unidos, fizemos várias parcerias com a Mccormick, num dos nossos armazéns do norte, para ela preparar a pimenta dela para exportar, e nós exportávamos também para ela. A Mccormick é a maior mundial de especiarias. Além da pimenta, eu exportava cravo da índia para os Estados Unidos, cheguei a exportar pipoca para os Estados Unidos também, café torrado, fizemos várias exportações de café torrado para lá. Chegamos a ter uma cafeteria na China também, abrimos um mercado com a China para café, nós tentamos, mas não deu certo. Nós arriscamos em diversas frentes de negócios, nós arriscamos.

É que aqui tem sucessão, vai renovando, né, então, eu tenho as minhas ideias, mas hoje em dia tem o meu sócio que tem outras ideias, que é filho do meu sócio que já faleceu e tem os meus filhos que têm outras ideias, então, todo mundo se junta, muitas vezes, é a ideia de um, a ideia de outro… então, eu acho que o que faz isso acontecer é mais a renovação que existe. A renovação que vai buscando novos desafios. Eu acho isso importante, importantíssimo, você não pode parar… o mundo todo dia muda, a gente não acompanha mais a evolução do mundo, a mudança é de idade, a gente já não acompanha, a gente acompanhava quando tinha 30 anos, hoje em dia, já é mais difícil. Difícil pegar um avião pra ir pra cá, ir pra lá, mas naquela época, toda hora, tinha alguém na Europa, alguém nos Estados Unidos, alguém no Oriente. Sempre nós fomos de viajar muito, de buscar muito, por isso todo o nosso conhecimento dos clientes de fora. Porque o nosso grande patrimônio hoje é o nosso conhecimento dos clientes, nós temos conhecimento do que nós trabalhamos, então, nós temos conhecimento dos clientes do mundo todo, praticamente, nós sabemos onde colocar mercadoria no mundo. Você pode me dar, falar: “Você tem que vender palito de fosforo”, nós temos o comprador para palito de fósforo. Foram novas experiências que nós fizemos. Nos carros, nós trazíamos os carros importados, então, nós fomos mantendo um certo conhecimento de mercado com os outros concorrentes que não eram importadores, que eram só revendedores de carros. Daí, veio uma oportunidade de nós montarmos uma marca aqui, depois a segunda marca, depois a terceira marca e assim, nós abrimos 11 concessionárias. Talvez, se nós tivéssemos aberto 11 supermercados, teria muito mais negócio do que abrir a concessionaria, e hoje, fatalmente, nós já teríamos vendido para o Pão de Açúcar, que ele compra tudo.

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