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História

Zappa's, entre lanches e pizzas

História de: Taísa Lemos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/07/2021

Sinopse

Origens familiares dos avós e memórias dos irmãos. Lazer e diversão em São José do Rio Preto. “Zappa’s”. Dificuldades e desafios. Funcionários e fabricação de produtos. Pandemia. Perfil dos clientes e inovações. Filhos e futuro dos negócios.

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História completa

          Meu nome completo é Taísa Terezinha de Pádua Lemos. Nasci em Rio Preto, em 30 de setembro de 1967. Meu pai era Gil Brígido Lemos, e a minha mãe é Joana Silveira de Pádua Lemos. Ela tem 96 anos hoje. Eu sou a décima filha, então os meus avós já eram bem mais velhos e faleceram cedo pra mim. Foi meu pai que veio pra cá, pois minha família é mineira, de Passos, e meu pai veio por conta de fazenda - era fazendeiro.

          Na época em que eu nasci, a gente já estava numa casa que era na esquina do grande colégio de Rio Preto, que é o Colégio Santo André. Meu pai pensou estrategicamente, pra gente ir a pé, pois era bem próximo do centro. Eu morei ali até os meus 14 anos. Uma rua muito gostosa, porque era muito próxima do clube, próxima do centro e onde tudo acontecia. Era a uma quadra da principal avenida da época, que é a Avenida Alberto Andaló, onde tudo acontecia também.

          Rio Preto da minha infância era uma cidade em que a gente podia sair com dez anos de idade pra tudo quanto era lugar, a pé. A gente andava em turma. Eu saía do colégio, parava na minha casa, comia, tinha que fazer uma tarefa... e rua. Eu ia jogar vôlei, ficava muito tempo no colégio e no clube, onde era todo mundo conhecido, e na casa dos amigos também. A minha casa, da mesma forma, era muito movimentada, porque a gente tinha aquela coisa do lanche da tarde, a mesa não parava - não tinha momento em que não tivesse nada em cima. E os vizinhos se aglomeravam ali, até porque era um bando de mulheres, né? Sete mulheres, as minhas irmãs muito bonitas. Então era um lugar que todo mundo queria ir, mesmo. Tive uma infância muito feliz. Eu e meus irmãos éramos muito unidos. E meu pai ia pra fazenda - era uma hora e meia que a gente levava pra lá. Ele ia na segunda-feira, voltava quinta-feira ou sexta-feira, e a minha mãe ficava com os filhos.

          Mesmo com aquela criação tradicional que eu tive, aos 14 anos eu comecei a trabalhar. Eu vendi Avon, vendi joia, vendi tudo o que caía na minha mão, até comida. Mas só depois que eu vi que tinha realmente esse engajamento para o comércio - antes eu não enxergava esse potencial em mim. Aí eu me casei em 1991 e fui pra São Paulo, fiz Tradutora e Intérprete. Dei aula, mas vi que não era isso pra mim. Mas eu me casei com um cara que é porreta em empreendimentos, que aos 19 anos já tinha uma pizzaria que tinha estourado lá em Catanduva. E aí ele quis montar outra pizzaria em Rio Preto, e eu era daqui, muito bem relacionada, conhecia muita gente, então a pizzaria aqui foi um sucesso também, bombou - foi um marco em Rio Preto.

          E aí ele foi a uma feira em São Paulo e comprou o equipamento de panificação, mas deixou guardado. Anos depois, ele chamou o Gelson, que hoje é meu sócio aqui nas padarias e primo dele, pra vir pra Rio Preto. E a gente montou a primeira padaria aqui, onde eu estou agora. Fizemos um bem bolado lá e começamos a trabalhar, os quatro: o meu ex-marido, que é o Osvaldo, o Gelson e a Aninha, que são meus sócios hoje. Essa padaria também foi um grande sucesso desde o início, com esse trabalho de nós quatro. O nome Zappas’s vem do sobrenome do Osvaldo e do Gelson, é italiano: Zapaterra.

          Depois que eu me separei, o Osvaldo ficou com os restaurantes, e eu com a padaria. Aí continuamos, com o Gelson na sociedade. Hoje nós temos quatro padarias em Rio Preto e duas lanchonetes. Pensamos em expandir mais, até em franquia, mas este é um ramos muito difícil de fazer franquia, porque são mais de mil itens de produção própria. Então, não é muito fácil essa padronização pra franquiar. A ideia é um formato menor, aí a gente pode pensar, mas ainda não tivemos coragem de trabalhar com isso. E nós também somos meio bairristas, eu e o Gelson, (risos) Aqui neste escritório desse tamanho, ele senta ali e eu aqui, e a gente vai tomando as decisões. Temos um escritório maior numa segunda unidade, onde a gente faz a reunião de gerência, mas temos amor por esta unidade aqui, que foi a primeira.

          Começou tudo aqui, na Avenida Bady Bassit, que hoje é a principal de Rio Preto. Então, a escolha desse ponto também foi fundamental, porque a gente sabia que tinha que ser uma casa de esquina e de frente, numa avenida de alto fluxo. Essa é a avenida de saída pra Mirassol, que é a cidade mais próxima daqui - a gente tem uma troca muito grande, Mirassol e Rio Preto. E outras cidades também, várias outras cidades, porque Rio Preto é um grande centro regional, tanto médico, como comercial. É muito difícil quem vem a Rio Preto e não passa por essa avenida.  

          A gente queria uma padaria mais diversificada, prezava muito o pão francês. O nosso maior concorrente hoje é um amigo nosso, o “Rei do Pão de Queijo”, mas sabíamos que ele tinha um produto específico, então fomos buscar algumas coisas diferentes. A gente trouxe uma coisa que brasileiro gosta muito, que é recheio: Croissants recheados, lanches, o lanchinho no roll - pois na época a moda era a famosa baguete de metro, e a gente queria mostrar uma outra cara, então fizemos o lanchinho no roll. Muitos salgados e, principalmente, a questão de qualidade mesmo. A gente sempre primou pela nossa matéria-prima ser de boa qualidade, testava tudo antes.

          No início a gente só atendia balcão, mas depois a gente passou a abrir os espaços para mesas, com a área de café da manhã, almoço. Mas ainda penso que o balcão que é bacana pra padaria. E tem toda a parte do ambiente, da arquitetura das nossas lojas também. Na inauguração, eu lembro da conversa com o arquiteto, que foi extremamente ousado: “A gente quer chamar atenção?” E nós pintamos a padaria de verde-limão. Verde-limão mesmo. (risos) Numa esquina, na Avenida Bady Bassit, foi uma coisa que realmente ficou inusitado. Nós trabalhamos muito a marca, sabíamos da importância da marca, mas hoje a gente tem algumas alterações na nossa logo, foi suavizando um pouco, que era uma coisa muito rígida. Tivemos essa assessoria, que foi importante no início pra dar essa personalidade pra padaria - realmente eu acho que foi bem bacana.

          Depois, em 2005, nós fomos procurados por um grande empresário que tinha um comércio aqui, uma loja de conveniência. O J. Hawilla nos procurou - foi uma honra até ter sido procurada por ele - e falou: “Olha, eu queria que esse comércio fosse de vocês”. E nos ofereceu de uma forma que a gente não tinha como recusar. Nós não pagamos um centavo, só assumimos uma dívida dele e pegamos uma segunda unidade numa localização estratégica, porque fica em frente ao Rio Preto Shopping, que foi o primeiro grande shopping de Rio Preto. E logo em seguida, em 2009, a mesma proposta num outro ponto estratégico: a terceira grande padaria, que foi a do Damha, na região onde tem vários novos condomínios de casas, com um poder aquisito alto, né? Assim como a da zona sul, que é a da Anísio Haddad. Já em 2012, vem a oportunidade de abrir um novo conceito, um formato menor, dentro da Havan. E também foi uma loja muito bacana. Aí, em 2015, nós fomos procurados por um outro empresário, da “Encalso”, que nos ofereceu pra gente comprar quatro lotes de um “mol”. Hoje essa loja abastece a última unidade que nós inauguramos no ano passado: a loja do “Muffato”,  que veio no mesmo formato da loja da Havan. E pra agora, nós temos um projeto muito lindo: vamos inaugurar, provavelmente este ano, a unidade Zappa’s Casarão. A gente foi de novo procurado por um grande empresário, o Rogério Melzi, dono de uma mansão ali no centro da cidade, bem próximo do Mercadão Municipal. Vai ser nosso próximo passo.

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