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Voluntária "Galáttica"

História de: Maria Aparecida de Barros Forini
Autor:
Publicado em: 15/03/2016

Sinopse

Maria Forini conta neste depoimento como foi a infância entre Campo Limpo Paulista (SP) e Americana (SP). De Americana, inclusive, Maria conta um pouco de história da cidade. Foi lá que, durante seu período escolar participou do processo de seleção do AFS mas seu pai não a deixou viajar. Mas aquela pulguinha ficou atrás de sua orelha e depois de um tempo, quando Maria já era casada e tinha seu primeiro filho, voltou a ter contato com o AFS. Maria e seu marido receberam um adolescente norte-americano e a partir daí ela não parou mais de exercer atividades e funções como voluntária do comitê de Americana. Maria fez carreira como voluntária e, quando chegou o momento, mandou sus dois filhos para o programa de intercâmbio. Por conta de sua atuação apaixonada e dedicada, Maria recebeu diversos prêmios em reconhecimento a sua atuação e um deles é a maior homenagem que o AFS Internacional presta a seus voluntários – o Galatti. Maria conta como foi receber a notícia e também o significado desse prêmio e da atuação do AFS.

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História completa

Eu  nunca tinha ouvido falar que existia isso [intercâmbios]. De repente, estou no segundo ano de científico, pedem licença acho que duas pessoas diferentes, não eram da cidade e falam: “Nós somos representantes do American Field Service”, e o American Field Service vai começar em Americana a oferecer bolsa de estudo aos melhores alunos do colégio”. Era o único colégio estadual e tinha o colégio das irmãs, mais nada. Nas irmãs, eles não foram porque quem pagava não tinha bolsa. E os que vão fazer a primeira peneirada vão ser os professores, naquele tempo, não chamava coordendor pedagógico, o seu Marcelo e a dona Aparecida, que era a diretora. Eu recebi que eu fui classificada pra ir da minha classe. Chamaram meu pai na escola pra explicar tudo como era e meu pai falou: “Não, ninguém dá nada de graça pra ninguém. Levar uma filha com essa idade, 16 pra 17 anos, pros Estados Unidos pra morar um ano? Não é pra estudar”. Aí ele chegou em casa e falou: “A gente precisa tomar muito cuidado porque no mundo a gente tem grátis”, e a gente não tinha informação. Foi o que ele falou, você não tem internet, o jornal era difícil, você entende? Não tinha como buscar [as informações]. E eu acho também que meu pai não quis ir buscar informação.

Eu fui trabalhando vários anos como [voluntária da] base, até que chegou a hora do meu filho ir. Quando meu filho foi, o AFS estava muito ruim em Americana. E eu já estava preocupada com isso porque eram só jovens tomando conta, não estavam fazendo as coisas direito, você entende? E são 20 anos que eu estou como presidente do comitê.

Durante cinco anos seguidos, o meu comitê foi o melhor comitê do Brasil até que tiraram o prêmio porque ninguém melhorava e só eu ganhava. Eu continuei bem. Você vê, o ano passado eu mandei 13 estudantes. São Paulo mandou 20. Quantos habitantes têm em Americana?

Até que o Eduardo [Assed] me deu um prêmio, ele mesmo, assinado por ele, como uma honra de cinco anos consecutivos ter sido o melhor Comitê do Brasil.

Muita gente não conhecia o Galatti. Eu ganhei um monte de prêmios já. Eu acho que o voluntário não espera nada a não ser reconhecimento. É gostoso você ser voluntário e alguém reconhecer o seu trabalho, é muito bom. Eu acho que isso faz a gente criar força. E eu sempre recebi isso do AFS Brasil e do AFS Internacional, sempre fui muito bem aceita.

Toca o telefone da minha casa: “Maria, aqui é (Francisco) Tachi (Cazal)” “O que aconteceu Tachi?” “Você está sentada?”. Eu falei: “Tô, tô gravando aqui, estou com um profissional gravando, pápápá pápápá”. Ele falou: “Então sente. Você ganhou o prêmio Galatti”. Eu: “Ah!?”, eu nem sabia que tinham me indicado. Porque precisa uma pessoa do comitê indicar pra depois a região, depois aqui, o Brasil, e depois vai pro Board. O Board são todos velhos, antigos voluntários. Então é assim, você tem que preencher ficha, nossa, eu não preenchi. Eles têm todo meu histórico lá todinho escrito e eles me deram o prêmio. Quando ele falou isso pra mim, eu chorava, eu ria, eu não sabia o que eu fazia. Porque pra mim foi uma emoção, foi um susto, você entende?

E quando eu ganhei os pins do Archie [Green], né? A hora que ele chega, ele me coloca os pins e eu olho, ele fala: “This is the first war, this is the second war”, ele participou das duas. Eu chorava, né? Chorava que nem criança. Então, pra mim, ganhar o prêmio é um reconhecimento.

A gente estava no congresso mundial. Antes teve o Congresso Mundial da Paz na Universidade de Columbia, já foi uma emoção, tivemos jantar na ONU [Organização das Nações Unidas], já foi outra emoção. Eu levitava. Na hora do prêmio, eu já tinha visto um cabeleireiro, ele falou: “Arruma o cabelo, bonitinha, porque isso vai”. Eu tinha uma roupa em ordem, apesar de ser à tarde, não foi a gala porque gala era longo, tudo, ele [o Tachi] preferiu entregar o prêmio à tarde com todo mundo porque nem todo mundo participa da gala. Na hora que chama o seu nome lá na frente você tem mais de 350 voluntários e você vê velhinho, você vê tudo. Em 2007, eu tinha 50 e poucos. Então assim, a perna treme, dá vontade de ir no banheiro toda hora. Mas eu tinha meu porto seguro que era meu presidente que falou: “Eu vou estar do seu lado e vou traduzir pra você”. Porque o meu maior medo é subir na tribuna e não falar o inglês direito, ou pedir tradução. Eu fui a última. Quando eu fui aplaudida de pé, eu chorava, o Tachi me abraçou e chorou. Aí vieram todos do Board, inclusive tem um do Brasil que é o Silverano, do Rio de Janeiro.

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