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Volta pra Piranguinho

História de: Ana Maria Gomes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/01/2013

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Eu nasci no Sul de Minas, numa cidade chamada Itajubá, mas cresci em Piranguinho. Na minha família eram dezesseis irmãos, e eu era a caçula. Claro que nem todos moravam mais em casa, já tinham saído alguns. Só eu nasci no hospital, todos os outros foram de parteira. Eu lembro que Piranguinho era a típica cidade do interior; chegava no final da tarde e os vizinhos colocavam as cadeiras para fora de casa e a gente ficava brincando na frente deles, na rua. Brincava de amarelinha, jogava Bete com bola de meia, pegava besouro. A gente morava perto de uma estação de trem, então corríamos atrás dele quando partia. Era uma infância saudável, gostosa. Eu gostava de brincar com moleque, de jogar bola, essas coisas mais agressivas. E minha mãe não gostava disso, e eu apanhava. A minha escola do pré primário era no salão paroquial, que não era pra ensinar, ia lá pra brincar. Só depois que eu fui pro primeiro ano é que fui pro colégio mesmo. A gente ia a pé, caminhando; chegava no final da rua, seguindo a linha enorme de trem, e chegava no grupo escolar. Era uma delícia. E lá no colégio eu brigava também bastante. Uma vez um menino veio mexer comigo e a minha irmã mais velha deu uma sova nesse menino. Era ótimo o colégio, eu lembro de muitas professoras, que todas já devem ter ido embora hoje. Até o começo da adolescência eu fiquei nessa cidade, mas daí pra frente voltei pra Itajubá porque não tinha colégio pra continuar na adolescência. Piranguinho fica só a quinze minutos de Itajubá. E eu fui pra lá fazer o ginásio e fui morar com os meus irmãos. Foi muito difícil deixar a minha mãe, porque eu era muito ligada a ela. E lá também no ginásio foi que eu conheci as classes mistas, que antes meninos e meninas eram separados. Depois disso, com quatorze pra quinze anos, eu vim pra São Paulo. Foi difícil deixar Minas. Eu falava muito errado, muitos termos, e eu era bem menina. E ao chegar ao colégio eu vi que eu falava muita coisa errada. Eu estudei num colégio de Estado, que na época eram os bons colégios. Hoje eu moro aqui no bairro da Vila Mariana. Já tenho netos, e eu estou sozinha. Então estou muito tendenciosa a voltar para Piraguinho. Dos meus irmãos só tem agora cinco vivos. Ainda preciso da aprovação da minha filha, mas estou pensando. Meu sonho vem do que a vida se apresentar agora.
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