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História

Você não pode estar só no mundo, né?

História de: Antônio Francisco de Lima Neto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/02/2009

Sinopse

Antônio Francisco de Lima Neto, nasceu em 13 de junho de 1965 em Fortaleza, Ceará. Na mesma cidade iniciou a sua carreira no Banco do Brasil até ascender à posição de presidente da instituição. Viveu também em Recife, Belo Horizonte, Tocantins e Brasília.

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História completa

P/1 – Então boa tarde?

R – Boa tarde.

P/1 - Eu queria começar a entrevista perguntando seu nome completo, data e local de nascimento?

R – Antônio Francisco de Lima Neto. O nascimento é 13 de junho de 1965 em Fortaleza.

P/1 – E você poderia falar o nome dos seus pais e a atividade deles?

R - Minha mãe é Maria das Dores Lima da Silva, é uma professora de escola pública em Fortaleza, e meu pai, já falecido, Luís Antônio da Silva, era representante comercial.

P/1 – E o senhor tem irmãos?

R – Tenho, tenho três irmãs: Ana Cleide Lima da Silva, Ana Neuma Lima da Silva e Ana Neide Lima da Silva. São três irmãs.

P/1 – E o senhor passou a infância em que bairro de Fortaleza?

R – Em Fortaleza na Maraponga e Parangaba, eram dois bairros muito próximos. Minha mãe tinha, tinha não, ainda tem, uma casa na Maraponga e a minha infância foi nesse bairro, né? Um bairro que na época da minha infância, até 12 anos de idade, era um bairro completamente diferente do que é hoje, era um bairro de periferia. Mas era um bairro de muitas chácaras naquela época, hoje é um bairro completamente diferente. Mas foi uma infância muito boa do ponto de vista de... Aliás, sobre todos os pontos de vista, em particular de espaço para uma criança ter uma infância adequada.

P/1 – Quer dizer que você passou a infância nesse bairro e estudou ali também?

R – Estudava... A minha história de escola é sempre de escola pública e o meu ginásio, que é um ponto onde começa de certa forma a minha trajetória no Banco. Eu fazia a oitava série ginasial numa escola pública no Colégio General Eudório Correia, que ficava num bairro próximo, que era Parangaba. E foi ali que, aliás, era uma escola polivalente, era uma escola que tinha não só as matérias convencionais de ginásio, mas também acho que foi uma das primeiras escolas públicas em Fortaleza a ter, digamos assim, algum treinamento técnico também. Então tinha Técnicas Agrícolas, tinha...enfim, outras questões. Eu gostava muito porque eu fui da primeira turma, na leva de primeira turma que inaugurou essa escola. Então é uma escola muito boa.

P/1 – E como é que surge o Banco do Brasil... essa vontade de ingressar no Banco do Brasil? Foi uma coisa na família?

R – Não, não foi, na verdade foi uma coisa completamente inesperada, né? Um belo dia, eu estava na sala de aula e a diretora da escola nos chamou e chegando lá começamos a pensar: “Fizemos algo de errado e a diretora está chamando”. Eu sempre gostei muito de estudar, mas eu era muito levado, danado nas minhas coisas. E ao chamar, ela explicou e falou determinadas coisas que nós não conhecíamos e nem tínhamos a dimensão do que era. Falou que o pessoal do Banco do Brasil tinha estado na escola e estava pegando indicações dos melhores alunos para fazer uma seleção para começar um programa de estágio de menor aprendiz no Banco do Brasil. E aí eu fui selecionado por ela. Eu era de fato um bom aluno, gostava bastante de estudar e ela mandou um recado para minha mãe. Ela falou: “Amanhã vocês venham com suas mães porque vocês vão lá ao Banco do Brasil participar de uma seleção.” Eu cheguei em casa contei isso para minha mãe e a minha mãe não acreditava, até porque a minha mãe tinha uma dimensão do que era o Banco do Brasil, mas eu não tinha a menor ideia do que era, né? Tinha ouvido falar, mas enfim, criança com 13 para 14 anos, e você não tem idéia do que isso significa. E, de fato, no outro dia eu fui com a minha mãe, fomos à Agência Centro do Banco do Brasil, que fica na Rua Barão do Rio Branco com a Avenida Duque de Caxias, é uma esquina muito lembrada em Fortaleza. E fomos lá. Eu participei de uma entrevista e uma pequena prova escrita, e, no mesmo dia, isso foi à tarde, e no mesmo dia... Pediram para aguardar e no mesmo dia veio uma resposta “você foi selecionado, venha aqui amanhã que você vai receber instruções.” No outro dia eu fui de manhã, também com minha mãe, e recebi instruções dos exames admissionais e tudo que tinha que fazer e como fazer. E depois disso, depois que eu terminei os exames admissionais, eu voltei pra escola, né? Mas eu passei uma semana na expectativa, porque não tinha acontecido nada: eu tinha feito uns exames e eu fiquei aguardando. Uma semana ou duas semanas depois, não me recordo mais, eu recebi uma mensagem, um telefonema lá para escola dizendo que em tal data eu tinha que me apresentar. E essa data foi o dia 19 de julho de 1979 e esse foi o meu primeiro dia no Banco do Brasil. Eu estudava à tarde no colégio e tive... No Banco, eu fui escalado pra trabalhar de manhã, aí tive que me transferir para o horário da noite, tive que organizar a minha vida ali, de estudante, e comecei logo a trabalhar. Os meus primeiros momentos no banco foram momentos de ter, vamos dizer, para um menino de 14 anos, de começar a sentir o que significava isso na realidade, né? Porque para um menino de bairro de periferia, você não sabia o significado disso e aí você entra no banco, uma empresa, quer dizer, uma das maiores empresas do país daquele momento e como é até hoje, mas você passa a ter um senso de vida organizacional que você começa a ser alfabetizado em uma vida organizacional que até então nós não tínhamos, não se tinha condições de ter. E aí você começa a lidar com pessoas com um bom padrão educacional, pessoas que tinham construído uma história no Banco do Brasil. Então isso transformou radicalmente a minha vida.

P/1 – Em que consistia o seu trabalho de menor aprendiz?

R – Na agência Centro de Fortaleza tinham algumas áreas que concentravam a quantidade de menores por metro quadrado, era maior, né? E tinha uma área, era o CEDIV, um setor que fazia coisas diversas como a manutenção do prédio, cuidava da expedição, cuidava disso e daquilo. E no CEDIV eu fui trabalhar na expedição e na expedição, aí sim, a concentração de menores era uma coisa absurda, porque os menores eram rápidos em descer a escada para entregar correspondência, decoravam as caixas postais da agência de maneira rápida, então era um lugar que o menor iniciava a sua carreira ali. Então passei um período na expedição e depois fui trabalhar na área de Câmbio e Comércio Exterior, como menor ainda, e também no arquivo geral. E nisso eu comecei, vamos dizer... Trabalhando no arquivo geral, eu comecei a ter... Aprendi muito sobre o banco porque no arquivo geral da Agência Centro, os clientes pediam muito cópias de lançamentos nas suas contas e não havia as facilidades que existem hoje, né? Do ponto de vista de você pegar uma cópia de cheque na internet, de requisitar um microfilme, e na época não, você pegava um extrato, o camarada sublinhava aquilo que queria, ver o débito na sua conta seja lá o que for e era o Arquivo Geral que tinha que procurar isso para tirar uma cópia e entregar pro cliente, né? E isso me ajudou muito no banco porque eu aprendi a ler lendo esses documentos, procurando esses documentos. Eram documentos de ordem de pagamento, de todo tipo de débito e crédito. Eu me especializei em encontrar isso como ninguém. E eram documentos físicos mesmo que eram colecionados em tomos e você tinha que encontrar, tirar cópia disso e mandar para o cliente. Foi uma época de muito aprendizado para mim.

P/1 – Você poderia contar para gente, em 1979, como que era essa agência? Como ela funcionava?

R – Era uma agência completamente diferente do que temos hoje As antigas Agências Centro eram muito...Digamos assim, elas tinham uma função muito departamentalizada, basicamente você tinha uma área de (cetim?), setor... Era o chassi básico da agência, né? De serviços internos, você tinha um grande setor de operações chamado Setop; tinha câmbio e comércio exterior juntos geralmente; tinha o Setex que cuidava de todo o atendimento, das baterias de caixa. E as Agências Centro tinham, digamos, braços dentro da cidade que eram os grandes postos de atendimentos bancários. Então era uma agência muito cheia de serviços, com muitos funcionários, mas com bons ambientes para trabalhar. Quer dizer, você podia percorrer uma Agência Centro e sair com uma excelente formação bancária, né? Completamente diferente do que você tem hoje: você tem agências menores e uma concentração de clientes por agência muito menor. Quer dizer, a especialização levou você a ter configurações de agências completamente diferentes. Antes uma Agência Centro atendia todo tipo de cliente, da menor renda à renda máxima, da micro a pequena empresa e a grande corporação; da Prefeitura ao Governo do Estado, ao Tribunal e ao Poder Judiciário. Então isso ao longo do tempo foi tornando necessária uma especialização. Hoje você não tem mais as antigas Agências Centro. Depois eu cheguei a ser gerente da Agência Centro Recife, ainda nesta configuração, mas logo na sequência o banco começou a especializar melhor as suas agências.

P/1 – E uma pergunta inevitável, como é que era o uniforme do menor aprendiz?

R – Era um uniforme azul tradicional. Depois esse uniforme veio a se modificar, mas eu fui da geração ainda do uniforme azul, jaqueta azul, calça azul e você usava tênis. Então eu acho que até hoje na casa da minha mãe tem lá o meu uniforme. Mas era bom, eu acho que... Era bom não, era excelente, diga-se de passagem. Eu acho que foi algo na minha vida que não tem preço, eu ter passado por isso, passado como coisa boa, de ter aprendido bastante. Há figuras assim, pessoas que lembro que foram fundamentais para minha carreira.

P/1 – Por exemplo?

R – Eu me lembro de um senhor chamado Juraci Soares, ele era subgerente da Agência Centro, e o subgerente era um sujeito muito especializado que conhecia muito da operação bancária, porque ele cuidava da agência e foi um sujeito muito importante, sempre muito sério, dedicado e trabalhador. E eu lidei com ele na época de menor estagiário, quando eu trabalhava no Arquivo Geral porque ele procurava muitas diferenças, né? E eu era usado para procurar documentos, então foi uma época muito boa e uma época muito interessante também. Aí já como funcionário, não mais como menor, foi ter trabalhado em Câmbio e Comércio Exterior. O Câmbio e o Comércio Exterior para mim foi uma ponte importante, digamos assim, para ter uma visão maior do Banco do Brasil. Eu me lembro que em 1988, 1989 eu fiz um curso para instrutor de Câmbio no Banco do Brasil. E a época foi uma época interessante porque estava, digamos assim, re-fundando a área de treinamento para Câmbio e Comércio e Exterior no Banco do Brasil, era uma área que precisava de alguns cursos adicionais. E logo na sequência eu me lembro que ajudei a montar para trabalhar em um aperfeiçoamento de um ou dois cursos e aí eu passei a percorrer o Brasil pelo Banco do Brasil, quer dizer, dando cursos, né? Então eu estive no Rio Grande do Sul, estive em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Recife antes de ter trabalhado em Recife. Então essa foi uma época interessante, muito interessante, porque aí você passou a ter uma dimensão maior do Banco, não só do ponto de vista local, nacional, mas um Banco, digamos muito forte, com uma área internacional muito forte e me ajudou muito no meu futuro, enquanto bancário. Essa passagem pelo Câmbio, ela me ajudou bastante.

P/1 – Então só para entender a trajetória, o senhor fica como menor durante quatro anos é isso?

R – Eu fico como menor até junho de 1983. Eu fiz um concurso, mas assumi como funcionário efetivo em junho de 1983 quando fiz 18 anos, continuei na Agência Centro em Fortaleza. Depois eu peguei a minha primeira comissão na Agência Centro de Fortaleza como assistente de supervisão; hoje não existe mais essa condição. Depois fui auxiliar de expediente e aí surgiu uma oportunidade em Câmbio. Eu comecei a me especializar em Câmbio e aí surgiu uma oportunidade em Recife. A Agência Centro Recife na época passava por alguma dificuldade na sua área de Câmbio por conta de uma conjuntura adversa econômica naquele estado, no que diz respeito ao setor sucroalcooleiro, né? E aí fui chamado, eles estavam precisando de alguém especializado nessa área para olhar o problema, tentar olhar os problemas de Recife nessa área sob outros ângulos, e fui convidado na época pelo gerente da Agência Centro, que também estava chegando e tentando dar uma organizada na Agência Centro, que é o Paulo Marconi. Ele hoje trabalha em Salvador na Central de Atendimento. E aí constituí esse time do Paulo... Trabalhei com ele nessa área de Câmbio e Comércio Exterior. Depois o Paulo seguiu carreira, foi ser superintendente regional em Salvador, eu não me lembro bem, mas acho que foi isso. Aí veio outro gerente que logo na sequência saiu. Fiquei um período substituindo e tocando a agência ainda como grande Agência Centro de Recife. E foi uma experiência muito boa como administrador e na época se criou as primeiras seleções para gerente de nível um, para as agências que, digamos assim, eram as principais do país. Isso era em meados da década de 1990 quando o Banco estava sendo reconstruído, estava investindo muito em pessoas, em selecionar talentos para áreas específicas, investindo muito em tecnologia e reconstruindo a prateleira de produtos. E uma dessas também novidades eram, digamos, a entrevista com membros do Conselho Diretor do Banco para essas agências. E aí eu me lembro que fui para essa entrevista não concorrendo para Agência Centro Recife, eu estava concorrendo para outra agência também em Recife, chamada Dantas Barreto. E acabou que na entrevista acabei me saindo bem e fiquei pra Agência Centro Recife, né? E na Agência Centro Recife eu fiquei até 1996, aproximadamente, e depois fui pra Belo Horizonte já como superintendente regional, não era mais administrador de agência.

P/1 – Então, antes da gente pular para Minas Gerais, esse tempo que o senhor esteve em Fortaleza, foram quantos anos de banco?

R – Ah, eu fiquei de 1979, quando eu entrei como menor estagiário, até 1994, 1995, por aí.

P/1 – Entendi. Qual foi esse grande aprendizado de Fortaleza?

R – O aprendizado, digamos assim, da minha formação bancária do que trago até hoje, aprendi em Fortaleza: essa questão da disciplina pelo trabalho, de gostar do banco, quer dizer, você começa a gostar do banco... Hoje qualquer funcionário que entra no banco começa a ter contato com a cultura do banco a partir dos 18, 19, 20, 30 anos, mas eu não, eu comecei com 14 anos, na realidade o banco entrou na minha vida, né? Eu, quando entrei para o banco, não tinha a dimensão do que era o banco, sendo bem franco. E aí o banco ajudou a formar o meu caráter; um garoto de 14 anos tem muita coisa para ser formado ainda, né? Então o banco ajudou a formar o meu caráter. Então o que sou hoje com certeza não só do ponto de vista profissional, mas, quer dizer, o Lima Neto não sendo presidente e bancário tem muito do Banco do Brasil, que é uma grande empresa de 200 anos, de uma cultura organizacional forte, do coleguismo, de ter uma disciplina, digamos assim, de não estar só no mundo. Quer dizer, o banco me deu um censo, digamos assim, de participar de grupo de uma maneira muito forte, você não pode estar só no mundo, né? Então é isso, eu devo a essa fase bancária de Fortaleza não apenas a minha formação bancária, mas a minha formação como pessoa mesmo. Com 14 anos eu entrei no banco de uma maneira que você não tem a dimensão do que você vai encontrar, as pessoas e tal; um pobre de periferia entrando em uma das maiores empresas do mundo. Então foi isso.

P/1 – Você falou que conheceu pessoas que foram marcantes e você tinha citado uma que era o subgerente, né?

R – Eu citei uma, o Juraci Soares, mas tem vários: o Moacyr Crisóstomo, eu trabalhei com ele no Câmbio, mas tem vários, se for falar vou acabar esquecendo, né? O Raimundo Lemos Dantas, uma grande figura muito interessante também que trabalhou no Câmbio. Eu me lembro de vários colegas que passaram comigo aquele período, né? São pessoas que marcaram pela formação, pelo jeito de ser e pela maneira que tocavam a vida.

P/1 – E aí em Recife o senhor vai ficar mais...

R – Recife foi rápido, eu passei um longo tempo em Fortaleza dos 14 anos até 1994 para ser mais preciso. Em Recife eu fiquei de 1995 até 1999, quando fui para Belo Horizonte eu fiquei até... não desculpa, eu troquei as datas. Eu fiquei em Recife de 1994 a 1996, então em Fortaleza eu fiquei até começo de 1994; de 1994 a 1996 eu fiquei em Recife e depois fui para Belo Horizonte, onde fiquei do final de 1996 até 1999.

P/1 – E como é que foi essa experiência mineira?

R – Ah, foi muito boa, eu já tinha estado em Belo Horizonte anteriormente na minha fase de instrutor do DESED e Minas Gerais é outro padrão, outra cultura, outra dimensão, né? Porque isso é importante também no banco, você tem a oportunidade de passar por várias realidades, quer dizer, a minha realidade de Agência Centro em Fortaleza, depois Recife, que é outra realidade econômica e social, e depois... Gostei muito de Recife também, voltando um pouco, quer dizer, me ajudou muito na minha formação de bancário também. Digamos assim, é outra diversidade econômica, é uma Zona da Mata que na época passava por um período difícil de monocultura, como ainda é, mas em particular naquele momento ela saia de um período, digamos assim, de endividamento muito forte, muito complicado; e um sertão, um agreste com certa diversidade econômica. Depois fui para Belo Horizonte, aí sim um estado do ponto de vista, digamos, geograficamente e socialmente de realidades completamente multifacetadas. Em um mesmo estado você tem um norte pobre que é o Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri, e você tem uma Zona da Mata com outra diversidade geográfica. Você tem um cerrado, uma grande produção agrícola, uma grande produção de gado; você tem o sul de Minas com gente, com café; há  um pólo siderúrgico também muito forte. Então do ponto de vista... Minas Gerais, ela teve na minha formação um caráter de aumentar o degrau numérico na minha cabeça, digamos assim. Até então eu trabalhava em realidades onde o volume de negócio bancário era bem inferior do que o de Minas Gerais, muito inferior, né? As cifras bancárias em Minas Gerais eram muito maiores por larga margem, quer dizer, aumentou muito o degrau e aí você vai se acostumando com os grandes números, como os grandes potenciais de negócio, o que vai te dar outra dimensão. Conheci muito o estado porque em certo período eu fiquei também substituindo como superintendente adjunto, um curto período, mas me ajudou muito na compreensão do estado também. E eu era regional em Belo Horizonte, na grande BH, né? Na época havia duas regionais, uma em Belo Horizonte e a outra no entorno de Belo Horizonte, para cuidar de Belo Horizonte e um pouco da grande BH. E me ajudou muito, foi um pessoal fantástico, eu fiz grandes amigos lá também.

P/1 – Retornando um pouquinho como instrutor, então o senhor falou que o senhor teve a experiência de viajar pelo Brasil. Como é que foi essa sensação de o senhor estar no Nordeste e ter ido, por exemplo, ao Rio Grande do Sul perceber o banco em locais completamente diferentes?

R – De fato eu fui um instrutor ainda trabalhando em Fortaleza na área de Câmbio e, como eu falei, me ajudou muito na compreensão e a abrir novos horizontes, conhecer muitos colegas, de realidades completamente distintas. Eu me lembro que o primeiro curso que eu... E era atuação em duplas depois de semanas, então era um curso muito volumoso, ele era muito prático, entrava muito no detalhe operacional ensinando mesmo as pessoas a trabalhar com documentação, formulário, ele treinava um curso básico de Câmbio, ele treinava mesmo as pessoas na operação bancária de Câmbio e Comércio Exterior. Era atuação em dupla, e o primeiro curso que eu dei foi no Rio de Janeiro com um colega que trabalha hoje em Brasília, o Everton, e vez por outra andando por aí eu encontro colegas que participaram desse curso no Rio de Janeiro. Eu dei um curso também no Rio Grande do Sul, eu me lembro que no Rio Grande do Sul foi um curso em Bento Gonçalves na época o Cefor, o centro de treinamento era em Bento Gonçalves, eu nunca tinha ido em Bento Gonçalves, então acho que mudou muito. Mas voltando ao teu ponto o DESED, à época DESED, hoje a área de treinamento de banco, ela te permitia muito isso, você enquanto instrutor e como treinando também saía pra fazer cursos em outros locais completamente diferentes às vezes, né? Dependendo da mobilidade e da disponibilidade de vagas. Mas o DESED, ele teve em mim, digamos, me ajudou muito também na construção do que é o Lima Neto hoje, porque você tinha que estudar pra... Você tinha que conquistar o traquejo de falar e explicar as coisas. Quer dizer, no banco nós somos bancários e aí somos aperfeiçoados em muitas coisas, né? E ser professor, treinar e ser instrutor, digamos assim, me deu uma cancha boa de falar, de conversar com as pessoas conversar em público, falar em público, tanto que eu faço isso hoje com muita naturalidade, né? E aprendi isso nessa época, esse é um ponto que me ajudou na formação e também, digamos, a curiosidade sobre outras realidades regionais, quer dizer, quando você ia para um curso saindo de Fortaleza e dando um curso em Bento Gonçalves para pessoas do Rio Grande do Sul ou da região do Sul, como de fato era a maioria das pessoas, você aprende muito daquela realidade ali, as pessoas te falam coisas, te dão exemplos. E aí você tendo disponibilidade para ter interesse em aprender e pesquisar, você vai atrás e consegue, digamos assim, mudar o teu patamar de conhecimento sobre essa realidade em que você esteve lá. 

P/1 – Então deu para perceber que no banco saiu falando por aí com vários sotaques, né?

R – É, deu sim, eu estive em Belo Horizonte, estive no Rio, estive em São Paulo, estive em Curitiba, estive no Rio Grande do Sul, em Fortaleza, eu dei cursos em Fortaleza, então foi muito bom. Vez por outra eu ainda estou lá no (malen?), na estrutura do DESED, vez por outra chega, de vez em quando chegava, “você está muito tempo sem dar curso”, quem dera eu pudesse ainda dar os meus cursinhos por aí, mas foi uma época muito boa, muito boa mesmo. 

P/1 – E falando assim da vida de gerente, desse seu início de carreira, você quer contar alguma história assim, algum caso? Porque sempre acontece, né? Nada é fácil, né?

R – Eu fui gerente em uma época que eu falo como se fosse há muito tempo atrás, mas não faz tanto tempo assim. Mas pegando ali um pouco de em meados da década de 1990, quando eu exercia as funções de administrador da agência, né? Eu me orgulho muito de ter pertencido àquela geração de administradores, porque ali foi um período muito difícil pra todos nós, foi um período de reconstrução do Banco, né? E por isso que eu valorizo muito hoje a conversa e as informações que você passa para organização, porque de uma hora pra outra, aliás, não só os gestores, mas todo mundo que estava no banco, de uma hora pra outra percebeu o banco com uma dificuldade econômico-financeira, e teve um esforço muito grande de comunicar isso naquele momento. Mas as informações vinham em avalanches, quer dizer, ali foi um ponto de ruptura mesmo, o ponto de ruptura, ele acontece quando a organização se acomoda e de uma hora pra outra se acha numa situação difícil e tem que tomar outras decisões que geralmente são duras, né? E algumas dessas decisões duras o grupamento de gestores de agência teve que executar essas decisões, nós nos lembramos de várias delas. Mas nós tivemos a capacidade de aprender muito sobre o banco naquele momento porque, justiça se faça, as informações não fluíam muito dentro da organização, e vale lembrar também que nós vivíamos em outra realidade de mundo, na época você não tinha internet, não tinha uma TV a cabo. Enfim, a informação ela não fluía de maneira adequada, então você não tinha instrumentos para isso e no banco não era diferente. Eu me lembro muito bem quando eu trabalhava na... Eu sempre fui muito curioso e quando eu trabalhava na Agência Centro como menor estagiário, lá naquele arquivo que eu te falei, sempre fui muito curioso e um belo dia eu... Uma época eu fiquei interessado: “Como é que apura o resultado dessa agência aqui e tal?”. Eu ouvia muitas pessoas falando de alíquota, então era um camarada que apurava isso, um camarada que pegava alguns relatórios e saía... Eu vou usar uma expressão antiga aqui, batendo partida, uma série delas e tal, mas ninguém sabia como se fazia isso, poucas pessoas sabiam o resultado de uma agência, né? Só o pessoal ali mais iniciado, que trabalhava ali na gerência, “olha, o resultado foi tanto”, esse resultado não influenciava nem mais e nem menos na tua remuneração, você não recebia nem mais e nem menos por isso. Então era só pra dar a ideia de como a informação no Banco era muito fragmentada e poucas pessoas tinham acesso. Então foi nesse contexto que, isso eu estou falando da década de 1980, e foi nesse contexto da década de 1990 que não tinha melhorado muita coisa não. Na década de 1990 o grupamento de gestores e de novo todo o pessoal do Banco se achou numa situação extremamente difícil que algumas decisões muito duras precisavam ser tomadas e que os gerentes precisavam executar uma parte dessas medidas duras. Aí vem PDV, um monte de coisas, mas eu entendo isso como um ponto de ruptura, um ponto de ruptura aquele, quer dizer, a organização não foi capaz de nos momentos bons tentar olhar pro futuro e ver que ações poderiam ser tomadas para não chegar ao ponto de ruptura, né? E foi aí que aconteceu... Então, a minha experiência como administrador foi exatamente nesses momentos, o momento de reconstrução do banco, um momento de falar de vendas, um momento de recuperação de crédito muito forte, haja vista que o Tesouro colocou naquele momento ali seis bilhões dentro do Banco do Brasil e não parou por aí, quer dizer, o processo de capitalização, recapitalização do banco, durou até 2001. Então, naquele momento foram seis bilhões e aí nós percebemos como a administração do banco fez um esforço muito grande em comunicar à sociedade, comunicar para dentro do banco como é que tinha chegado naquele número, como é que tinha chegado àquela situação, porque tinha que se reinventar o banco, enfim uma série de coisas, né? Então eu fui de uma geração de gestores onde um turbilhão de informação foi chegando e você tinha que gerar os pratinhos aprender e ver o que de fato estava acontecendo. Foi nesse momento também que a gente começou a tangibilizar a alta administração do banco, muitas pessoas lembram... Quer dizer, para você ver o gerente de uma Agência Centro era... Também não adianta ficar medindo o passado como método presente, era outra realidade de mundo, né? Você mal via um superintendente estadual, você via muito pouco, eu não via, você sabia que... Era igual ao Lombardi você sabia que existia, mas você não via [risos]. Um diretor do banco era impensável, um presidente do banco mais ainda. Então eu me lembro muito bem que no dia do esforço de reconhecer... De comunicação em reconhecer os seis bilhões de prejuízo, eu trabalhava em Recife e fui convocado pra ir a uma sala da Embratel onde se tinha um processo de teleconferência, onde se tinha um equipamento de teleconferência, e se reuniram todos os administradores de Recife, e numa teleconferência nós e o país todo, nas capitais, os gerentes e superintendentes ouvindo o conselho diretor explicar o prejuízo daquele momento em uma capitalização de seis bilhões no banco. Então foi nesse contexto que... Não é bem caso, mas digamos assim foi a angústia de lidar com essa informações, o desespero de lidar com essa situação também, porque nós não tínhamos a dimensão do que seria necessário fazer para reconstruir o Banco, se seria possível reconstruir, né? Que pesa o discurso motivador e que era necessário ter mesmo, “vamos à luta, vamos reconstruir”, mas não estávamos sós no mundo, você tinha competidores e tal. Eu acho que um conjunto de variáveis foi que possibilitou essa recuperação do banco num momento de baixa competição bancária ainda, de ter um esforço do Tesouro Nacional em colocar os seis bilhões e a administração do banco com medidas duras ter conseguido motivar as pessoas em torno da reconstrução. E aí o banco que você tem hoje é um banco que nasceu ali.

P/1 – Então reconstituindo a sua trajetória de Belo Horizonte, você estava em Belo Horizonte e aí?

R – Belo Horizonte, eu fui pro Tocantins aí já como superintendente estadual, eu fui promovido, eu me lembro... Tocantins foi um Estado criado na Constituição de 1988 e eu estava em Belo Horizonte como superintendente em 1996, 1997, por aí, como superintendente regional, eu cuidava de uma micro-região. E aí numa tarde eu recebi uma ligação, e para um superintendente regional, até hoje é assim, e é natural que seja assim, o sonho de um gerente é ser superintendente regional e o sonho de um superintendente regional é ser superintendente estadual, né? Não importa onde, porque você tem que entrar pro time trabalhando e aí eu me lembro que uma bela tarde... E naquele momento, naquele período estava havendo movimentações de superintendentes estaduais, umas pessoas se aposentando e enfim estava havendo, e quando você mexe em alguém, você mexe no time todo, porque as pessoas acabam sendo promovidas para praças maiores, para estados maiores e acaba sobrando vagas em praças pequenas, estados pequenos. E aí eu me lembro que... Você sempre tem expectativa, você enquanto regional, você sempre tem expectativa de ser um superintendente estadual, e naquele momento havia, digamos assim, campo para expectativa porque havia um momento de movimentação de superintendentes estaduais por aposentadoria. E uma bela tarde eu recebo um telefonema, era o Jaime (Kalcin?) que estava na distribuição, ele me liga dizendo o seguinte: “Um colega que ia pro Tocantins por questões pessoais não vai poder ir e eu estou levando seu nome pro conselho diretor”... Ah desculpe, eu acho que ele não mencionou Tocantins nesse momento, ele não mencionou o local “um colega que estava indo pra algum lugar, por razões pessoais, não vai poder ir, eu vou levar seu nome pro conselho diretor, posso levar”? “Claro, leve, faça isso” e aí também não me interessei em perguntar qual o lugar. Aí depois ele ligou e falou: “seu nome foi aprovado, você está indo pro Tocantins”. Tocantins, Tocantins? Do meu lado tinha um mapa só que era um mapa do Brasil antigo, de antes da Constituição de 1988, e eu olhei, não tinha o Estado de Tocantins, eu falei: “meu Deus.” E aí foi num momento, digamos assim, da notícia, mas aí eu automaticamente olhei pro mapa e não vi Tocantins e acabei ficando me perguntando onde era Tocantins. Mas, enfim, eu passei pouco tempo no Tocantins, um pouco mais de um ano, um ano e um mês acredito eu, eu fiquei lá até 2000. Um bom Estado, eu fui superintendente de uma superintendência pequena, como não podia ser diferente pra quem pega a sua primeira Superintendência Estadual, e fiz muitos colegas, aprendi bastante, porque a área rural do Estado de Tocantins, ela é muito presente, não só a parte de grãos, bois e que acabou me ajudando muito também, foi uma bela experiência.

P/1 – Tanto foi que você recebeu o título lá de cidadão tocantinense, né?

R – Recebi a Comenda lá, sou comendador lá do Estado de Tocantins. Mas, de novo, foi uma experiência muito boa, um estado pequeno, uma rede do banco pequena também, mas um pessoal muito aguerrido, né? Então pra mim foi uma boa experiência.                                                                   

P/1 – E aí de Tocantins esse ano...

R - De Tocantins fiquei até começo de 2000, acho que até abril de 2000, e depois surgiu uma vaga aqui na Distribuição, na Distribuição você tinha uns gerentes executivos que cuidavam de algumas regiões do país, coordenava as superintendências de algumas regiões do país. Eu tinha um colega que tinha saído que cuidava da região Sul e região Sudeste e aí recebi o convite, na época era o Fernando Barbosa, o grande Fernando Barbosa, que era superintendente executivo da Distribuição na época, não era diretoria e fui pra essa função, mas passei pouco tempo também. Quer dizer um mês ou dois meses, depois surgiu uma oportunidade, aí sim, na comunidade comercial do Banco, que na época tinha outra configuração, né? A configuração que depois veio dar origem à diretoria comercial, aí fui promovido a superintendente executivo na comercial, né? Que foi uma época excelente pra mim também. Na comercial, depois nós fizemos também juntamente com outras diretorias, dividimos o banco em pilares: o Pilar Governo, Pilar Varejo, Pilar Atacado, onde se construiu o atacado do banco com um conjunto de agências médias e grandes empresas. Então foi bom, e aí foi outra mudança de patamar numérico, porque você coordenava os grandes negócios com pessoas jurídicas do Banco no país. Então foi excelente também.

P/1 – Quer dizer essa fase brasiliense continua até hoje, né?

R – Continua, eu cheguei em 2000 e continuo até hoje, depois da comercial nós tivemos uma sequência de substituições na vice-presidência, eu trabalhei com... Na comercial eu fui convidado pelo Rossano, ex-presidente do banco, lá do Maranhão, um grande cara também na minha formação, é outra pessoa também que eu coloco naquele rol lá, mas já dessa fase quando eu cheguei aqui em Brasília, um profissional competente, muito respeitado, disciplinado no trabalho, né? Me ensinou muita coisa e é um grande sujeito, um grande chapa. E aí na comercial eu reportava ao Rossano que era na época vice-presidente da área internacional da área comercial do banco, que depois veio a ser do internacional e do atacado aqui do banco quando fizemos o Pilar Atacado na comercial. Aí o Rossano teve que sair para a Presidência e na sua interinidade enquanto Presidente eu fiquei entre a área internacional e o varejo do Banco do Brasil, nesse período eu fui vice-presidente de Varejo também, quando ele foi efetivado como Presidente eu fiquei cuidando do Varejo do banco e na sua saída, quer dizer ele aposentou, eu fui ao cargo de Presidente. Então de Brasília eu estou desde 2000 a 2008.

P/1 – Então o senhor tem uma visão rara de ter passado por todos os degraus aí do banco até chegar a Presidente e entender essa dinâmica do banco. Então que recado você deixaria pra pessoa que está entrando hoje no banco, essa nova geração?

R – O recado, digamos assim, da mobilidade, o banco, ele tem uma mobilidade hoje muito grande, quando nós entramos no Banco em 1979 e começo da década de 1980 por aí, aí eu volto às antigas Agências Centro, elas eram muito departamentalizadas e as pessoas ficavam longos períodos nas suas funções e havia uma verdadeira disputa para a função de caixa executivo de banco, pra você conseguir um curso de caixa executivo você tinha que disputar muito. E hoje no banco não, hoje o banco ele, eu não estou de forma alguma criticando o passado, eu sempre gosto de olhar o passado com o devido respeito e a devida dimensão do que ele foi, né? O mundo era outro não resta dúvida disso, hoje o banco ele criou muitas oportunidades, digamos assim, possibilidades de encarreiramento. Então, se você entra no banco e tem aptidão pra venda, pra negócio, pra distribuição, as possibilidades hoje são inúmeras, coisas que não existiam lá atrás, você pode ir pra alta renda, pode ir pra uma agência corporativa, você pode ir pra agência de médias empresas, você pode ir pra pequena renda, pode ser um camarada que se especializa em automóvel, pode ser um camarada de seguros na rede, a multiplicidade de possibilidades é grande, você pode ser um garoto ou uma garota que gosta de marketing o banco tem área de marketing, finanças, o banco é um dos melhores na área de finanças, na área internacional você pode ser também. Então, quer dizer, a mobilidade das pessoas dentro do banco hoje, ela é algo muito bom o camarada, o rapaz, a garota que entre no banco tem que ter a sensação de que podem levar a sua carreira no Banco do Brasil com dignidade e tendo um bom retorno pra vida. Quer dizer, o que nós pagamos hoje pela Renda Fixa LR na década de 1980 era impensável, os saltos que uma pessoa pode dar hoje, galgando comissões salarialmente também era impensável, você tinha que começar necessariamente como caixa executivo que demorava aí uns três anos pra conseguir um curso de caixa executivo ou mais, hoje não, hoje você tem muitas possibilidades. Se é que podemos chamar isso de recado, procurar se achar dentro de uma trilha dessa de encarreiramento e ter, digamos assim,  disciplina pra ir adiante, se você tiver disciplina e tiver um trabalho, um compromisso com a organização, você consegue construir uma bela carreira no banco. O banco, isso é importante, o banco não coloca pessoas pra dentro pra expulsar depois, o cidadão ou cidadã pode entrar no Banco e passar a sua vida toda, mas tem o “mas”, o que o banco exige pra isso, ele exige que você esteja aderente permanentemente aos objetivos do Banco. Se você quer ficar pra trás, você pode ficar pra trás, mas vai acabar não se achando mais dentro do banco daqui a pouco, porque ele muda tanto, tem mudado tanto que... Nós temos desafios enormes agora, estamos trazendo aí colegas da Nossa Caixa pra cá, um banco com 54 bilhões de ativos, com 15 mil funcionários. Então, são pessoas que nós temos que apresentar ao Brasil, falar das possibilidades de encarreiramento e fazer com que essas pessoas permaneçam no banco. Quer dizer, pro Banco do Brasil não é bom você ter, digamos assim, pessoas passageiras, né? O Banco não expulsa ninguém, o único pedido que ele faz, quer dizer, a contra resposta que ele pede é, digamos assim, “esteja aderente ao banco”, se você estiver aderente ao banco em toda a sua vida profissional você é uma pessoa de futuro dentro do banco, permaneça aqui e seus 30 anos de serviço aqui serão muito bem-vindos, né? Mas ficar pra trás você não se acha mais, você acaba ficando pra trás, não tem jeito, não estou querendo dizer com isso que as pessoas devam se matar aqui dentro ou ficarem brigando umas com as outras para uma ser mais que a outra, de forma nenhuma, né? É de ser um bom profissional, de trabalhar, de ir adiante, de permanecer dentro do banco, esse é o recado que eu tenho. 

P/1 – Então o nosso tempo está terminando aqui da entrevista, eu queria falar um pouquinho dos 200 anos. Como é que o senhor vê esse movimento do banco de voltar e escrever a sua história aí através dos seus funcionários?

R – Eu acho bom, quer dizer quando nós estávamos no ano passado imaginando e desenhando esses 200 anos, nós pensamos em muitas coisas, e, como pensar é livre, nós pensamos em coisas factíveis e outras totalmente não factíveis. O Dedé, que é o cara que primeiro a gente escalou pra apresentar umas idéias,  trouxe coisas que nós achávamos boas e bonitas, mas que não davam pra fazer, não do ponto de vista monetário, mas do ponto de vista, digamos, de ser factível mesmo, né? Então eu acho o banco, eu estou no cargo de Presidente, eu acho que uma coisa importante do Banco são os seus 200 anos, é muito importante, são muito importantes os 200 anos de Banco do Brasil, porque são... Se olharmos do ponto de vista de pessoas, nós temos gerações de pessoas que passaram aqui por dentro e a missão dessa geração é sempre entregar à próxima geração um Banco melhor do que o que encontrou, né? É claro que nem sempre isso foi possível não por circunstâncias do banco, mas por circunstâncias de mundo, de Brasil, mas tenho certeza que das gerações que passaram aqui, cada uma deu o melhor que podia dar pra fazer um banco bom. Então, sob esse ponto de vista nós chegamos às pessoas mesmo, é importante nós termos essa geração contando coisas de como ver o banco, de como entrou no banco, como construiu sua história, é importante que pessoas já aposentadas contém também a sua história, né? Eu acho bom, porque o banco vai passar, quer dizer, aliás, desculpa, nós que estamos aqui vamos passar e o Banco vai ficar e daqui a pouco tem outras pessoas aqui dentro também, vai ter outro Presidente falando aqui nos 210 anos, né? Contando a sua história, como chegou ao banco, sendo funcionário do banco ou não, teremos outros colegas que entraram hoje e terão dez anos de banco naquele momento lá de 210 anos. Então, eu acho algo importante, quer dizer de, ter pessoas que fazem parte da sua memorização, contada como tem construído a organização nas suas histórias de vida. É uma boa ideia.

P/1 – E como é que o senhor vê já todas essas comemorações que aconteceram dos 200 anos?

R – Eu acho muito boas, porque passamos por todos os Estados da Federação, é um Banco muito respeitado, sempre muito respeitado, um carinho muito grande das pessoas por onde nós passamos, seja no Rio Grande do Sul ou no Pará, no Amazonas, no Ceará, né? Os eventos do banco são muito bem prestigiados, foi um ano também, digamos assim, um ano corrido para o banco, porque nós tivemos que fazer muitas coisas também no banco, né? As aquisições, as incorporações, isso movimentou muito o pessoal, tem movimentado porque não acabou ainda, tem movimentado muito as pessoas do Banco do Brasil. Mas é uma avaliação extremamente positiva, quer dizer, mesmo sendo bem franco, eu gostei muito e as pessoas gostaram muito também, quer dizer o banco sai desses 200 anos mais respeitado, né? Com um compromisso com o país, isso é algo importante, somos um Banco do País, nós não somos um Banco privado, nó somos um Banco que tem 200 anos e estamos construindo esse país há 200 anos. E, enfim, o banco sai melhor desses 200 anos. 

P/1 – Então pra terminar eu queria fazer a pergunta que a gente faz pra todos os entrevistados, como é que o senhor se sentiu contando aqui a sua história e construindo aqui a memória do Banco do Brasil?

R – Muito bem, eu relembrei muitas coisas, muitas pessoas, e contando essa história, ao mesmo tempo, você vai fazendo aqui na cabeça a sua trajetória, né? Momentos difíceis, momentos bons, a maioria momentos bons, momentos difíceis todos nós passamos, momentos, digamos assim, de dificuldade, mas que o banco conseguiu superar sempre com muito trabalho e obstinação, o banco sempre conseguiu. Foi uma experiência muito boa, eu parabenizo vocês do Museu da Pessoa pelo trabalho e que bom que vai ficar uma boa apresentação, a exposição que a gente vai fazer. 

P/1 – Então muito obrigado aí pela sua entrevista.

R – Obrigado.

 

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