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História

Vô João, o “Marajá”

História de: Marcelo Play
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/02/2020

Sinopse

Em sua entrevista, Marcelo fala sobre a origem interiorana dos dois ramos de sua família. Detém-se particularmente a respeito de João, seu avô, e sua mãe. Fala sobre sua infância em Lavras e Perdões, e sua mudança para a capital Belo Horizonte para fazer cursinho. Em seguida, comenta seus dias em repúblicas e na graduação em arquitetura, em especial citando seus colegas que até hoje se mantém na área. Também fala sobre seu trabalho em diversos escritórios e da abertura de seus próprios, na década de 2010. Por fim, fala sobre sua vida no Edifício JK, seu companheiro Paulo André e o casamento dos dois.

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História completa

A família do meu pai é uma família bem interessante. Meu avô, João, era um fiscal da Receita em Perdões, mas acho que ele tinha um emprego que trabalhava só meio horário. Não me lembro do meu avô indo trabalhar. A gente brincava que ele era um marajá, mas não era. Ele era quem cozinhava em casa, meu avô era quem… Diariamente. Então, era um cara super inteligente, que gostava de jogar xadrez, ensinava aos netos e adorava disputar com os netos e com os filhos. Era uma família muito unida, muito animada enquanto relações intelectuais. E ao mesmo tempo, vô João era um cara que também tinha muita habilidade manual, ele se atrevia a fazer as peças de xadrez, fazia a própria roupa… Ele tinha uma coisa de se jogar no que fosse preciso No começo dessa década de 2010, eu estava começando a trabalhar sozinho. Tinha sempre uma equipe que me ajudava, mas não tinha estrutura física. A partir desse momento que eu montei de fato o escritório, uma das arquitetas que estavam colaborando comigo, que é a Juliana Figueiró, passou a colaborar mais e hoje ela é minha sócia, na Play Arquitetura e eu comecei a desenvolver um trabalho com a minha irmã mais nova, a Suzana, que é das artes plásticas. A gente tem uma marca de Design, que chama Alva Design. É uma coisa que eu sempre gostei, fiz pós graduação em design lá em São Paulo. A Suzana foi quem me falou, "Marcelo, vamos trabalhar juntos?", a gente já tinha feito algumas experiências juntos, mas ela fazendo trabalhos de artes plásticas dentro de projeto de arquitetura que eu tinha feito. Então, já fez painéis de azulejo, já fez instalação em lojas, ela com o trabalho de artista plástica que desenvolve. A gente abriu a Alva em 2012, 2013, que é um trabalho paralelo à Play Arquitetura. É no mesmo espaço, mas são dos escritórios: a Play e a Alva design. Aí Vem essa carga toda do avô, desses trabalhos manuais, dos tamboretes, de um histórico imobiliário feito artesanalmente, mas com uma independência criativa. Meu avô, por exemplo que fazia os tamboretes na casa dele. Ele não tinha um tamborete com a mesma altura do outro, porque ele olhava para os netos e falava "cada um numa idade, cada um com uma demanda". Então, era uma briga para pegar o mais alto, o médio, o mais baixo. A mesa de refeições do meu avô, era esse conjunto de bancos que ele fazia, cada um numa altura. Ele fez muita coisa, trabalhava com cuia, tinha coisa meio de quebra-cabeça. Sempre teve um quebra-cabeça, sempre teve um desafio para os netos na mesa, mas sempre ligado a objetos. Então, ele fazia desde estilingue para os meninos a agulha de crochê para as meninas. Ele que fazia tudo. A gente ajudava a lixar. Eu achava bacana que ele fazia saleiro e açucareiro com cuia e aquilo era uma coisa que para se achar a montagem perfeita, tinha uma posição só! Então, isso também fazia um pouco parte das brincadeiras ali. Eu brinco que ele explorava o trabalho infantil! Hoje eu falo, ele punha o moedor de café na altura dos netos e instigava, "quem mói mais rápido". os netinhos iam trabalhando e ele enchia a lata de café. Então, tinha essa coisa de colocar a gente pra fazer um monte de coisas. Por exemplo, essa coisa de fazer crina de cavalo. Isso aí atrás de você foi um espelho que a gente fez na Alva, pegando essa coisa da crina. Isso, você cocha esse cabelo do cavalo, para fazer essas cordas. Então, você fica cochando até que se desfia. Depois, tem um instrumento de cochar e você fiando aquilo para formar essa corda. Então, essa coisa do designer, queira ou não, tem um pouco a ver com o meu avô.

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