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História

Vivendo a cidade e a profissão.

História de: Tereza Maria Cunha Cajueiro
Autor: Raquel
Publicado em: 09/06/2021

Sinopse

Nesta entrevista,Tereza Maria Cunha Cajueiro relata sua Mudança com a família de Pernambuco para São Paulo,com 11 anos. Desenvolvendo os estudos e sua trajetória profissional em São Paulo.Trabalhou em alguns lugares , até iniciar na ALCOA,onde desenvolveu uma carreira sólida,com muitas vivências profissionais e pessoais no processo.

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História completa

Trajetória Alcoa Depoimento de Tereza Cajueiro Entrevistada por Lenir e Valdicéia Barueri, 22 de novembro de 2007. Realização Museu da Pessoa.net Entrevista ALCOA_HV005 Transcrito por Ana Lúcia Queiroz Revisado por Isadora Oliveira Gondim. P/1 – Tereza Boa tarde, para começar queria que você falasse seu nome completo, local e data de nascimento. R – Tereza Maria Cunha Cajueiro, local Ribeirão, Pernambuco, 24 de janeiro de 1956. P/1 – E em qual a sua atividade e função atual na ALCOA? R – Atualmente estou vendendo peças de reposição e equipamentos das máquinas dos engarrafadores. P/1 – E qual o nome de seus pais? R – Meu pai é Arlindo da Conceição Cajueiro e minha mãe Maria da Conceição Cunha Cajueiro. P/1 – E qual era a atividade deles? R – Meu pai é modelista de calçados, só que ele vai completar 80 anos e aí ele só faz alguns consertos, né? E a minha mãe sempre foi doméstica, do lar, nunca trabalhou, não. P/1 – E qual a origem da sua família? R – A minha mãe é do Piauí, Pernambuco e meu pai de Recife, Pernambuco. P/1 – E você tem irmãos? R – Tenho sete irmãos. P/1 – E na sua infância, onde você morava? R – Eu morava em Pernambuco. P/1 – E você lembra da casa que você morava? Como era o cotidiano da casa? Conta um pouco para gente. R – Ah, lembro. Olha, o que eu mais me lembro é que em Bezerros a gente morava numa casa muito grande, ela tinha três quartos, três salas. Tinha um quintal e tinha um riacho atrás no quintal. Então, eu gostava muito dessa casa. Aí meu pai vendeu essa casa e veio para cá. P/1 – Mas você lembra um pouco assim, lá. Brincava com os irmãos? R – Ah, eu brincava com os meus irmãos, na rua. Eu me lembro de uma vez, assim, que me pediram para, uma cabra ficou no roçado lá dentro e ela não conseguia sair. Aí eu me lembro que a dona da cabra me pediu para tirá-la daquela situação. Aí eu tirei e ela me deu de presente que era um pintinho, que se transformou numa galinha. E eu adorava aquela galinha, o nome dela era lili. Então, isso daí foi muito legal para mim. E também tinha cobra, a gente não tinha medo de nada, não. P/1 – Como era a cidade, você lembra? R – A cidade era pequena, chama-se Bezerros, é lá em Pernambuco. E é pequena. Tinha bastante mato, e eu lembro isso. P/1 – Com quantos anos você veio? Você veio para São Paulo? R – Nós viemos para São Paulo, com onze anos. P/1 – E aí, são Pualo quando você chegou? Qual foi sua impressão da cidade? Como era São Paulo? R – Olha, para vir para são Paulo foi muito sofrido. Porque minha mãe com oito filhos. Imagine, se eu tinha onze, a mais velha tinha 12, dez, nove. Então era assim. E foram três dias e três noites viajando. E minha mãe tomando conta dos oito e trouxe todo mundo para cá. O meu pai foi para rodoviária esperar a gente. Foi muito emocionante reencontrar o meu pai. Ele ficou três meses só, afastado da gente. E aqui era muito frio e lá em Pernambuco era quente. Foi um choque. Mas depois nós acostumamos com isso. P/1 – E a tua primeira impressão quando chegou em São Paulo? R – Primeira impressão? Nossa, muito bonito. Sempre achei São Paulo muito bonita e tido muito grande. Porque morava em Pernambuco, numa cidade do interior pequena. Mas assim, eu achei muito bonito. P/1 – E você lembra São paulo naquela época. Como era? R – São paulo naquela época era bastante assim, tinha muita neblina, sabe? Terá muito cinza. E fazia muito frio. Coisa que hoje em dia você não vê esse frio. E a neblina também. P/1 – E quais as tuas lembranças mais marcantes da infância? R – Mais marcantes? P/1 – coisas que você lembra, que te marcaram a infância. Lá em Bezerros, em São Paulo. R – Lá em Bezerros eu já te falei da galinha, que eu adorava a galinha. Em São Paulo assim, praticamente eu não tive infância em São Paulo. Porque nós chegamos aqui em novembro, em janeiro eu já fiz doze anos. Depois com 13 anos eu já trabalhava com meu pai. Eu trabalhava na – ele era modelista de calçados ___, que era lá na Mooca. Eu me lembro que quando vinha a fiscalização, eles me escondiam. Mas eu já trabalhava com meu pai com 13 anos. P/1 – e a escola. Você começou a estudar lá em Bezerros? R – Bom, a escola eu fiz o primário lá, depois eu fiz quarta-série e quinta-série aqui e continuei aqui. P/1 – Você começou a trabalhar com teu pai, mas continuou estudando. R – Ah, sempre estudando. Estudava a noite. P/1 – Em que lugares você estudou? R – Ah, eu fiz o curso colegial e agora eu entrei na faculdade. Agora só. P/1 – E o que você está fazendo? R – Vou fazer direito. P/1 – Bom, você falou que começou a trabalhar com doze anos, treze. Começou a trabalhar com teu pai como modelista. E depois? Que outros empregos você teve? R – Depois. Eu trabalhei como balconista, ali na rua Bresser. Aí eu queria trabalhar em um escritório, eu não queria ser balconista. Aí eu arrumei emprego na Indústria de ___ Americano. E a pessoa- que era um amigo meu – falou: “você precisa aprender datilografia”. “Eu aprendo”. “Você só tem dez dias”. Eu falei: “eu aprendo em dez dias”. [risos] Aprendi em dez dias a datilografar. Aí eu fui ser faturista, nessa Indústria de (Viés?) Americana. Em três meses eu era a melhor faturista que tinha lá. Bem rápida. E era tudo máquina manual, não era elétrica. P/1 – E depois? R – Depois aí, isso daí era na Mooca. E eu queria trabalhar no centro de São paulo. Aí eu fui para o centro de São paulo procurar emprego. Aí eu fui trabalhar na, eu era secretária da secretária. Eu fui trabalhar na SCPP Corretora de Seguros. Aí, e assim, como eu era muito dinâmica, muito rápida e se tinha alguma correspondência para entregar na seguradoras, eu que ia entregar. Porque o boy demorava e eu: “deixa que vou entregar”. Aí eu ia entregar. E eu, como eu trabalhava numa corretora de seguros, eu queria trabalhar numa seguradora. Aí eu sempre falava, quando tiver uma vaga aí você me chama. Aí surgiu uma vaga, aí eu saí da corretora e fui trabalhar na seguradora, que é a Companhia Nacional de Seguros. E de lá eu entrei como datilógrafa, aí logo me passaram para secretária júnior. Aí fui só subindo: secretária júnior, aí secretária da gerência. Aí me chamaram para substituir a secretária da diretoria e aí eu fiquei no lugar. Fui repor as férias e eu fiquei no lugar dela. De lá dessa empresa, que eu fiquei durante muitos anos é que eu vim para ALCOA. Por que? Porque o diretor, que eu era secretária do diretor, saiu de lá e veio fazer um serviço na ALCOA. Veio fazer um trabalho na ALCOA. E eu queria sair de lá. Aí eu falei assim: se ele soubesse de alguma vaga na ALCOA que ele me falasse. Aí ele soube de uma vaga, que era justamente na área de seguros – que eu trabalhava numa seguradora – e tava precisando de secretária, que era no departamento de riscos. Aí eu vim para ALCOA. P/1 –Em que ano foi isso? R – Isso foi em 1984. Mas foi assim, eu pedi férias da seguradora e entrei como temporária na – não era ALCOA – na Harmonia, né? E fiquei como temporária, aí eu gostei e pedi demissão lá da outra. Pedi para ser demitida e eles me demitiram e aí eu vim para ALCOA. P/1 –E você já conhecia a ALCOA antes? R – Não, eu não conhecia. Eu fui conhecer através dele. E lá era Harmonia corretora de seguros. Eu trabalhei durante dois anos lá e em 1986, que o gerente da Harmonia foi convidado para ser gerente de RH da ALCOA, é que me trouxe para ALCOA. Mas era assim, era tudo no mesmo. P/1 – A harmonia era uma corretora de seguros que trabalhava com a ALCOA? R – Não. A Harmonia era um, é assim: porque o departamento de riscos, que seria o departamento de seguros da ALCOA, teria que ser uma corretora, com outro nome, outro CNPJ. Mas era uma empresa da ALCOA. Pertencia à ALCOA. Depois de muitos anos, mais para frente, que eu não trabalhava mais lá, é que foi vendido para um funcionário da ALCOA. P/1 – E qual foi a primeira impressão que você teve da ALCOA? R – Olha, a primeira impressão não foi muito boa. Porque eu tinha, quando era secretária na seguradora, eu tinha office-boy, eu tinha motorista. Então eu não fazia assim, não era eu que levava as correspondências. E lá no Centro Empresarial parecia um pombal – que todo mundo falava um pombal, né? Porque ficava uma caixa e aí você tinha que ir lá pegar a correspondência, você tinha que levar a correspondência. Então isso daí, eu falei: “nossa, mas a gente não tem um boy para fazer?”. Mas depois me acostumei. P/1 – E o seu primeiro dia de trabalho você lembra como foi, na ALCOA? R – Na ALCOA ou na harmonia? P/1 – Se você considera que a harmonia foi ALCOA. R – Foi normal porque eu já conhecia a rotina de ser secretária. Toda a rotina de uma corretora eu já conhecia. Sabia fazer seguro de automóvel, seguro de transporte. Sabia fazer muita coisa. Para mim foi normal. O único problema era esse: que eu não tinha um boy para mim. P/1 – E depois como foi acontecendo a sua trajetória dentro da ALCOA? R – Eu era secretária dentro do departamento de riscos, depois eu fui ser secretária do gerente de remuneração da ALCOA. Nessa época eu trabalhava para 17 pessoas, tinha 17 pessoas no departamento. Naquela época não tinha computador, era tudo máquina manual. Eu passava Telex. Você sabe passar Telex? Passava Telex. Não tinha fax. Os gráficos que tinham que ser feitos, era eu que fazia. Meu chefe mandou comprar uma prancheta, sabe, para que eu fizesse os gráficos. Fazia tudo à mão. Usava carbono, não usava tirar xerox, né? E depois que foram aparecendo os computadores foi melhorando bastante. P/1 – E depois que você virou secretária como foi? R – Foi assim: no departamento de remuneração eu fiquei acho que dois anos. Aí eu não quis mais ficar no departamento de remuneração aí eu pedi transferência e fui trabalhar na divisão de condutores. Fui ser secretária do seu Gusmão, que era um gerente da divisão de condutores. Aí de lá eu fui promovida para analista de exportação senior, na divisão de condutores. Aí fui trabalhar com Silvio Borba. Isso foi de 1988 à 1989. P/1 – E esse tempo todo você trabalhava no mesmo lugar, no mesmo prédio? R – No mesmo lugar no mesmo prédio. Que era no bloco C lá do Centro Empresarial. Depois disso o Fausto, que era diretor da divisão de condutores, ele resolveu que a divisão de condutores, a área de vendas deveria ir para Guarulhos. Como eu morava em Osasco, com filho pequeno, eu falei: eu não quero ir para Guarulhos. Mas eu fiquei um mês em Guarulhos, que lá era a Forest, eles tinham comprado a Forest, e nós fomos para Guarulhos. Toda a divisão de condutores foi para Guarulhos. Aí eu pedi transferência, eu perguntei, na época era a Maria ____, que era secretária lá do Jarbas, se ela conhecia alguém que precisava de uma secretária. Ela falou: “Eu conheço, o Adriano Tramontina, lá em Osasco. Eu falei que bom, né, porque eu moro em Osasco. Aí eu liguei para ele, marquei uma entrevista, aí ele falou: “Você vem aqui agora?”. Eu falei: “Vou”. Aí eu peguei um taxi e fui de Guarulhos até Osasco. Aí ele falou: pode vir amanhã. Aí eu pedi transferência e fui para Osasco. P/1 – E era fácil assim esse tipo de coisa? Transferência? Não tinha problema você pedir transferência? R – Fácil nunca nada é fácil. Você tem que negociar. Então, para que eu viesse para Osasco era necessário que alguém me substituísse. Então tinha uma, eu nem lembro o nome dela – se é Eunice – que ela morava em Guarulhos e trabalhava em Osasco. Então eu perguntei para ela: “você não quer tocar?”. Ela adorou trocar. Então ela foi ficar no meu lugar em Guarulhos e eu vim para Osasco. P/1 – Em Osasco qual é o departamento? R – Osasco era assim – não era um departamento – ia começar uma divisão de tampas. Ia começar. Eu ia ser secretária. Quando eu vim para Osasco não tinha nada. Osasco era um prédio. Tinha dois prédios beirando a – não sei se é Tietê ali. Acho que é Tietê, né? Beirando a Marginal tinha dois prédios. Aí no prédio da frente ficava o Roberto Torres que era o diretor. E no prédio de trás ia ficar a divisão da fábrica de tampas. E na frente, também assim, no meio tinha parece que a fábrica de pratinhos, que seria aquela marmitex, e telhas também. Aí depois foi desativado e ficou só a divisão de tampas lá. Então começou a fábrica, essa fábrica aqui começou lá em Osasco. P/1 – E como foi esse começo que você acompanhou? Conte um pouco para gente. R – Olha, teve assim, como tudo ficava no primeiro prédio, assim, máquina de xerox, fax, tudo. E eu tinha que me locomover muito. Teve um período que eu emagreci cinco quilos. De tanto que eu andava entre as fábricas. Eu não tinha máquina de datilografia. Inclusive tivemos que pegar as sobras lá do CENESP [Centro Empresarial de São Paulo] e trazer. Foi difícil, mas foi muito bom. Como eu já tinha trabalhado em exportação, importação, seguro. Aí eu tinha muito conhecimento de trazer as máquinas. De mandar as pessoas para fora fazer treinamento. E assim, praticamente foi o começo ali. P/1 – E o que você pode contar da estruturação, desse começo das tampas. R – Olha, o começo das tampas, até hoje as pessoas antigas guardam boas lembranças. Todo mundo gostava do Adriano Tramontina, que era o gerente que começou com a stampas. O pessoal da fábrica gostava muito dele porque ele era uma pessoa que saia com o pessoal para fazer churrasco e pagode, estava sempre na fábrica. Ele chegava às quatro horas da manhã, cinco e meia da manhã. Se houvesse algum problema ele estava lá com o pessoal da fábrica mesmo, ajudando. Foi muito bom. Depois ele contratou o Ricardo Vaz que seria o vendedor – que nós, praticamente, nós tínhamos que ir a cada engarrafador de coca cola, no Brasil todo – então foi o Ricardo Vaz que foi na, foi contratado também o Percival que foi mais para o, assim, tinha que viajar para Argentina, Chile, Colômbia para vender a tampa nesses lugares, para os engarrafadores de fora. E nacional teve o Ricardo que praticamente foi em cada engarrafador oferecer a tampa. P/1 – E vocês começaram assim do nada, né? Começaram a fabricar e começaram a colocar no mercado? R – Isso, porque a coca cola queria a tampa plástica, né? Então, por isso que foi feita essa fábrica. Já tinha interesse da coca cola em ter aquela tampa. P/1 – Só que precisava colocar em cada lugar a tampa? R – Porque é assim: a coca cola, existe a coca cola, mas existem os engarrafadores. Existem os engarrafadores que são independentes, não é coca cola. Então há muitos engarrafadores, são pessoas que engarrafam o produto, coca cola. Então tem no norte, no nordeste, tem no sul. E tem também os tubaineiros, né, que são aqueles que não são coca cola, que engarrafam outros produtos. P/1 – Então além das tampas você falou que havia outros produtos que eram feitos na fábrica. R – Tinha também aqueles marmitex, aqueles pratinhos, tinha também. E tinha ___, mas eu não me lembro muito deles. Não durou muito tempo lá, não. Foi desativado. P/1 – E quantos anos vocês ficaram lá em Osasco? R – Em Osasco: de 1989 até 1992. Porque em 1992 viemos para cá, Alfaville. P/1 – E como foi essa vinda para Alfaville? R – A vinda para Alfaville foi também muito boa, porque o local aqui é bem melhor do que lá. Porque lá e Osasco não havia restaurantes limpos, não tinha. E para você sair para almoçar fora era ruim. Inclusive o Rossi pegou até uma infecção. Eu não sei se foi num restaurante ou se foi numa viagem. Mas não era muito bom lá em Osasco por causa disso: não era muito higiênico. E aqui em Alphaville, não, já tinha uma estrutura melhor, tinha restaurantes. P/1 – E aí quando você veio para cá em Alphaville você veio no comecinho. Você veio como secretária ou veio fazendo outra coisa? R – Aí eu fui promovida para área, eu era coordenadora de exportação. Mas não fiquei muito tempo com essa função. Aí eu voltei a ser secretária do Adriano Tramontina. P/1 – Isso quando estava lá ou já aqui? R – Já aqui. P/1 – Então, mas eu queria que você contasse para gente o começo. Você disse que veio para cá no comecinho, fez um monte de coisas. Como foi? R – Lá em Osasco? P/1 – Aqui. R – Ah, aqui. Lá em Osasco é que eu era a rainha da sucata, porque até motorista, até assim: o Adriano falava assim: Você tem que limpar a fábrica, não sei o quê. Aí eu chamava o caminhão que quisesse ficar com a sucata – eu sempre fui assim dinãmica, eu não gosto de ficar parada – então eu até ajudava o cara a colocar o lixo no caminhão, para levar a sucata. P/1 – Porque vocês vendiam a sucata? R – É, a gente vendia ou dava. Porque é sucata, é lixo. Só para não ficar suja a casa. P/1 – E o que mais assim do teu dia a dia que você pode contar para gente? R – Dia a dia de secretária? P/1 – Não, alguma coisa que você fazia de diferente. Você falou que quando veio para Alfaville você foi a primeira melhor que veio para cá. Como foi? R – Não, lá em Osasco. Em Osasco tinha eu e mais uma menina, eu não lembro o nome dela. Depois que foi. Depois veio a secretária do Roberto Torres, que é a Elizabeth. Foi formando os departamentos, foi trazendo as pessoas. E aqui em Alfaville ele já tinha departamento, já tinha várias pessoas. Não era somente eu de mulher. Foi lá em Osasco que era praticamente eu de mulher. P/1 – foi lá que você ajudou a trazer até os parafusos? R – A importar as máquinas, a importar tudo. Limpar a fábrica também, porque era muito sujo. Desde o parafusinho fui eu. Fomos nós, né? P/1 – O parafuso para por onde? R – Para parafusar as máquinas no chão. P/1 – Mas essas máquinas vocês importaram. Conta para gente como foi esse processo todo para elas chegarem aqui? R – Praticamente o Adriano Tramontina que fazia tudo isso. A gente fazia as guias de importação, nem me lembro mais. Faz tanto tempo! P/1 – Essas máquinas foram importadas para fazer as tampas. R – Eu lembro que essas máquinas tinham até o símbolo HC. Eu lembro delas chegando. P/1 – E você sabe o que era o símbolo? R – HC? Eu sabia, mas eu não me lembro mais. Até eu fui na fábrica da HC, me ___. E era HC lá, agora é CSI. P/1 – E lá era nos Estados Unidos. E você foi fazer o que lá? R – Eu estava participando de um projeto, chamado BS. Aí o ano passado nós fomos, onze pessoas, porque ia mudar o sistema aqui para ___, que é SISCOM. Então nós fomos visitar Indianápolis, fomos para Pittsburgh, fomos para HC, que seria em Crawfordsville, que é lá que – não sei se o Rossi comentou com vocês – que foi lá. P/1 – E Alfaville? Quando você veio para cá você veio ainda como secretária? R – Como secretária. P/1 – E depois como foi? R – Eu me lembro que até em 1995, em 1995 nasceu a minha filha, a Raide, em 1995, em 1996, 1997, nós fomos para um centro empresarial, porque a área comercial foi para o centro empresarial. Aí depois, acho que em 1998, 1999, voltamos para cá. A área comercial voltou toda para cá. Aí isso daí, e eu como secretária da área comercial. Depois em 2003, foi assim: como essa divisão cresceu muito, era tampa, depois se transformou na divisão, fab ficávamos também ___, garrafas. Então isso cresceu muito e tinha a divisão de sopro. E nas unidades da coca cola. Fazia a garrafa lá também. A tampa e a garrafa. P/1 – Dentro da unidade da coca cola? R – Dentro da unidade da coca cola. Principalmente em Jundiaí. Cresceu muito, muito. E essa divisão de Pet, que chamava – aí tinha assim: tampas e pet. Aí eu saí de tampas e fui para pet, que seria assim, o Ricardo Vaz ficou com pet. Fiquei como secretária dele e em 2003 foi vendida essa divisão de pet, foi para ANCOR, que é uma empresa que comprou essa divisão nossa, aí eu fiquei aqui em tampas. P/1 – Quando você mudou de secretária? Quando mudou o teu cargo? R – O ano passado eu fui para o projeto ___, em novembro, aí depois em abril desse ano todo o projeto voltou para cá por causa dessa venda, e aí eu fui trabalhar na. Ah, não, eu esqueci uma coisa. Deixa eu voltar. É assim, em 2003 quando foi vendida a divisão de pet eu continuei aqui e fiquei como secretária do Guilherme Miranda, durante 2003, 2004. e como eu trabalhava na divisão de pet, e eu era secretária, mas não só secretária. Eu fazia aplicação de crédito, eu falava com o cliente; e eu como secretária do Guilherme fiquei como secretária do Guilherme e atendendo os clientes, fazendo aplicação de crédito. Existe um atendimento aqui na ALCOA que é o __, que é atendimento ao cliente. E quando um cliente faz uma reclamação você abre um chamado – um problema de qualidade – você abre um chamado e você tem que fazer um acompanhamento desse chamado. Ele está dizendo assim: a tampa não tá bem. Aí você abre um chamado, a técnica vai lá e isso daí é tudo feito via sistema, até o final que seria assim: se ele vai devolver a tampa e se ele pagou, você tem que aplicar um crédito para ele. Então eu fazia tudo isso, como secretária do Guilherme. E aí acumulou muito serviço e aí eu fui trabalhar só na área comercial, mas continuo também atendendo o Guilherme. Quando voltamos do projeto eu fui trabalhar na área comercial, voltei para área comercial, mas assim voltada para peças. E agora estamos vendendo bastante peças. P/1 – Como é essa parte da venda de peças? Que tipo de peças vocês vendem? R – Então, nós vendemos peças para os engarrafadores, por exemplo, eu tenho uma máquina da ALCOA lá, tem o cabeçote e precisa ter as peças de reposição da máquina. Então quando há um desgaste que nem bocal, que se chama; mandril, né, bocal; incerto, onde você coloca a garrafa; calha, parafuso, arruela. Tudo isso a gente vende para os engarrafadores. P/1 – Vocês fabricam? Vem da onde essas peças? R – Não, nós não fabricamos, nós revendemos. Ou compramos do mercado, que seriam os anéis ___, que são anéis de retenção, de vedação, a gente compra do mercado. Ou então nós temos revendedores que fabricam para gente, que nem a ___ e a _____. Que fabricam as máquinas e as peças para gente. P/1 – Qual a tua visão do crescimento, durante esse tempo que você está aqui, dessa divisão de tampas? R – Crescimento? P/1 – É, você acompanhou desde o comecinho lá em Osasco, como foi? R – Olha, em 19980, 1982, até o ano 2000, praticamente nós éramos líderes do mercado. Aí começaram a aparecer os outros concorrentes: _____, ____. Muitos outros concorrentes fazendo a nossa tampa. ___, inclusive copiando a nossa tampa, né? Mas assim, eu acho que a divisão cresceu muito. Com pet também. Mas depois nós vendemos a Pet. P/1 – A divisão de pet foi vendida? R – Toda. P/1 – E sobre a gestão sustentável da ALCOA? Esse trabalho que tem na ALCOA de uma gestão sustentável? R – Ah, eu acho que a ALCOA faz um bom trabalho sobre isso. Sustentabilidade da ALCOA. A ALCOA ajuda as comunidades onde ela opera. Ela faz doação às entidades carentes. Outro dia nós doamos uma ambulância. O meio ambiente também, ela se preocupa muito com o meio ambiente, a ALCOA, com a segurança dos funcionários. Nossa, ela sempre zelou pela segurança dos funcionários. A ALCOA não visa o lucro antes da segurança. A segurança na ALCOA é em primeiro lugar. E assim, ajudar as comunidades também é um ponto forte da ALCOA. P/1 – Como acontece esse envolvimento da ALCOA com os funcionários? R – Através dos funcionários. A ALCOA incentiva os funcionários. Aqui em Alphaville há vários funcionários que eles pegam as crianças carentes, levam para as suas casas, ficam o final de semana, né? Outro dia tinha crianças aqui na ALCOA, acompanhando nosso trabalho. Quer dizer, a ALCOA se preocupa muito com isso. Principalmente aqui em Alphaville, tem pessoas que ajudam muito mesmo. Vão às instituições, pintam, promovem lanches para as crianças, arrecadam alimentos, roupas. P/1 – Você conhece os projetos dessa área social? R – eu conheço porque eu vejo a participação das pessoas. Planta árvores. Nós fomos no parque Villa Lobos plantar. P/1 – Você participa também? R – De plantar árvores eu participo. Eu já ajudo uma instituição fora da ALCOA. Na ALCOA eu não tenho tempo de participar. Eu não tenho mesmo. P/1 – E você tem conhecimento se tem algum projeto especial da divisão de tampas? Algum projeto que seja específico daqui, nessa área social? R – Cada divisão tem os seus projetos, aqui também tem que é o Caio que cuida. P/1 – O que você considera os principais desafios que você enfrentou dentro da ALCOA? R – Olha, os principais desafios. Meu maior desafio foi andar de avião. Foi só isso. Eu morria de medo de avião e nessa viagem que nós fizemos para o México, Buenos Aires, aí eu perdi o medo. Esse foi um grande desafio para mim, que eu tive que perder o medo de avião. P/1 – E na tua área de trabalho? R – eu sempre trabalhei, trabalho para mim não é um grande desafio. É um trabalho, adoro trabalhar e para mim não é um desafio. Eu gosto de trabalhar então eu enfrento. P/1 – Quais as suas grandes alegrias na ALCOA R – A ALCOA só me deu alegrias. Eu adoro acordar de manhã e vir trabalhar. Só me deu não. Só me dá alegria. Porque olha, com a ALCOA eu consegui criar meus filhos. Tudo que eu tenho hoje eu consegui trabalhando na ALCOA. P/1 – O que você considera a sua principal realização na ALCOA? R – Eu acho que tudo que eu fiz na ALCOA é a minha principal realização. Desde que eu entrei aqui. P/1 – Não tem nenhum fato assim, mais marcante? R – Porque na ALCOA eu fiz tudo. Eu conheço praticamente tudo na ALCOA. Eu conheço recebimento, eu conheço tudo. P/1 – E o que você acha – desde que você entrou na ALCOA até agora – o que mudou mais durante essa tua trajetória? R – O que mudou? P/1 – É. R – O que mudou muito na ALCOA foi os recursos humanos. Como eu entrei no CENESP, naquela época o recursos humanos era mais preocupado com a pessoa, com o bem estar da pessoa, com o bem estar dos funcionários. Era muito voltado para os funcionários. O que eu acho que mudou com a globalização, com a informatização, o recursos humanos praticamente hoje em dia, nos desprezou. O que tem agora? Você nem fala com recursos humanos. Você manda tudo dentro de envelopes. Tudo você faz pela internet, você entra na intranet e você faz. Você impreime seru hollerite. Acho que houve um afastamento dos recursos humanos para as pessoas. O que você entende de recursos humanos? Eu acho que deveria voltar isso. P/1 – durante a sua trajetória como secretária, você foi secretária de vários gerentes, você acompanhou o crescimento da CSI na América do Sul? R – Acompanhei o crescimento. P/1 – E você pode falar um pouquinho sobre isso? R – Olha, na América do Sul, Argentina, Colômbia, Peru, eles cresceram muito. Eles começaram igual à nós em Osasco, do nada. E hoje são, por exemplo, o Chile é uma das melhores empresas para se trabalhar no Chile. É a ___ Chile, que não existia, que agora devido à essa fábrica de tampas, agora existe lá, e deu bastante emprego para todo mundo. P/1 – E como você acha que está essa divisão de tampas dentro do mercado? R – Eu Acho que a ALCOA, por ter o melhor produto, a nossa tampa é a melhor tampa que tem no mercado. Eu acho que ela está bem. Porque é uma tampa que tem qualidade. Você conhece a tampa da ALCOA? Não? Aí você ia ver a diferença da tampa da ALCOA com a do concorrente. Outro dia eu comprei uma, acho que foi Dolly, e é assim: se você derrubar uma garrafa contendo um líquido com a tampa da ALCOA, nunca vai explodir aquela garrafa. Api caiu no meu carro a garrafa da Dolly, né? Nossa, abriu a garrafa, quer dizer, saiu o líquido com a pressão. E a tampa da ALCOA não. Você pode jogar no chão que não abre. P/1 – isso é uma tecnologia que foi desenvolvida pela ALCOA? R – Foi desenvolvida pela ALCOA CSI, que permite vários testes, foram feitos vários testes de ser uma vedação que se derrubar a garrafa com o líquido não vai abrir. P/1 – e o relacionamento entre os colegas de trabalho, como é? R – òtimo o meu relacionamento com todo mundo, desde o pessoal da fábrica até a gerência. Sempre foi muito bom, não tenho problema de relacionamento. P/1 – O que você acha que a ALCOA representa para os funcionários? Tanto no passado como hoje. R – Tudo, tem que ser tudo para os funcionários. Não existe melhor empresa do que está para se trabalhar. Tanto é que eu estou aqui há tanto tempo, né? Porque realmente é uma ótima empresa. P/1 – você pode falar para gente alguns benefícios? Que diferencial que ALCOA tm em relação à outras empresas? R – Ela tem um plano de aposentadoria, que isso é muito bom. Que tem várias empresas que não tem. Tem empresas que tem também. Tem um plano de assistência médica muito bom também, extensivo ao marido, esposa, aos filhos, até completarem 24 anos. Mas pelo menos é muito bom. E tem outros benefícios também, que essa divisão não tem, que seria ticket restaurante, porque nós temos restaurante aqui. Tem empréstimos de emergência, se você está precisando, tem auxílio funeral, tem seguro de vida, que também é muito importante. E sempre subsidiado pela ALCOA, sempre você paga um tanto e a a ALCOA subsidia outro tanto maior, né? P/1 – Há quantos anos você está aqui na empresa? R – Na ALCOA alumínio desde 1986. P/1 – Ao longo desse tempo você tem algum caso pitoresco, contar para gente. Que aconteceu, que você presenciou? R – Caso pitoresco? Não. P/1 – Qual o seu estado civil? R – Eu vivo com meu marido há 25 anos. P/1 – Então é casada. R – Não, não casei. P/1 – E qual o nome dele? R – Washington. P/1 – E como você o conheceu? R – Ah, eu conheci lá na Líbero Badaró, na rua que eu trabalhava. P/1 – No trabalho. R – É, no trabalho. P/1 – E você tem filhos? R – Eu tenho três filhos. P/1 – Como é o nome deles. R – É ___, tem 25 anos, tem o Hans de 24 e a ___ de 12 anos. Mas quando eu me casei com ele eu já tinha dois filhos, o Érik e a Karen, que também foram criados junto com os nossos. P/1 – O que mais você gosta de fazer nas suas horas de lazer? R – Eu gosto de viajar, eu gosto de ir para Ubatuba. Eu gosto de restaurante também nos finais de semana. P/1 – Como você vê a atuação da ALCOA no Brasil, como um todo, no geral. R – A ALCOA atua muito bem no Brasil. Você fala a ALCOA alumínio ou a minha divisão? Porque eu conheço mais. A ALCOA alumínio é uma empresa muito respeitada no Brasil. Se você vai à algum lugar e fala que trabalha na ALCOA, “nossa, ALCOA, multinacional!”. Todo mundo respeita muito o nome ALCOA. Eu acho que é devido à preocupação que a ALCOA tem, tanto com as pessoas, seria tipo segurança das pessoas. E também com o meio ambiente. Que a ALCOA se preocupa muito com o meio ambiente, trata o meio ambiente. Aqui mesmo eles fazem um trabalho de reciclagem muito bom. Eles não jogam dejetos na via pública. Muito bom, eles se preocupam muito com isso. P/1 – Como é feito esse trabalho de reciclagem? Você sabe? R – Sei, vem um caminhão aqui tirar os dejetos, a gordura do restaurante. Temos coleta seletiva em todos os andares, os lixos do escritório você só pode colocar papel. P/1 – E como você avalia as ações de futuro da ALCOA? Projetos futuros? Você tem uma visão? R – Eu não tenho uma visão de projetos da ALCOA no futuro. Mas eles devem ter, eu não sei. P/1 – Falando assim desse tempo todo de ALCOA, você tem algum fato marcante que você presenciou? R – Fato marcante da ALCOA? Não. P/1 – Na sua opinião o que você acha da importância da ALCOA para história da indústria do alumínio aqui no Brasil? Porque a ALCOA praticamente começou aqui. Com o alumínio aqui quem começou foi a ALCOA, não é isso? Ela que trouxe essa indústria do alumínio para o Brasil? Foi uma das primeiras. R – A ALCOA foi uma das primeiras, mas lá em Poços de Caldas que tem a divisão de alumínio lá, que é muito forte. Acho que para o Brasil a ALCOA sempre ajudou, inclusive dando emprego para brasileiros. Agora tem o projeto Juruti, que é lá no Pará, que também vai dar emprego para muitas pessoas. Tem em São Luiz também, que também dá emprego para muitas pessoas. Eu acho que a ALCOA só está ajudando os brasileiros. P/1 – E qual os maiores aprendizados de vida que você obteve trabalhando na ALCOA? R – Aprendizado de vida? Praticamente a minha vida inteira eu trabalhei na ALCOA. A ALCOA seria assim a minha vida, a vida dos meus filhos depende da ALCOA. A ALCOA é assim, você trabalhar já é uma vida. Você vive, você trabalha e vive o dia a dia. P/1 – E para você o que é ser ALCOA? R – Eu sou ALCOA. P/1 – Então, o que é ser ALCOA? O que é ser você? R – Olha, eu sou uma pessoa calma, eu não gosto de trabalhar sobre pressão, não tem na ALCOA isso. Eu acho que a ALCOA é tranquilo. Trabalhar na ALCOA é muito tranquilo. Você tem que fazer o que é certo na ALCOA, tranquilamente você fica trabalhando na ALCOA. P/1 – E o que você acha da ALCOA estar fazendo esse projeto? Resgatando a sua memória através das pessoas, dos funcionários? R – Eu acho uma iniciativa maravilhosa. Você vai ter oportunidade de conversar com os ex alcoanos e todos eles vão falar bem da ALCOA. Tenho certeza. Porque quando você sai da ALCOA eu acho que deixa saudades. Eu falo por mim, não sei a opinião das outras pessoas, mas eu adoro, eu amo vir trabalhar na ALCOA. Eu gosto de acordar de manhã e vir trabalhar na ALCOA. Para mim é assim, é como se fosse a minha vida. P/1 – Tem alguma coisa que a gente não perguntou que você gostaria de falar? R – Acho que não. P/1 – E o que você achou de ter participado dessa entrevista? R – Achei muito bom, é uma experiência. A primeira entrevista da minha vida, eu nunca tinha dado uma entrevista. Então eu achei muito bom, uma iniciativa. Até agradeço quem me indicou por ter me dado essa oportunidade nessa altura da minha vida. P/1 – Então em nome da ALCOA e do Museu da Pessoa a gente agradece. Obrigada
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