Busca avançada



Criar

História

Vincenzo Salemi

História de: Vincenzo Salemi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/07/2005

Sinopse

Nasceu em Acate, Itália, em 07/05/1924. Aos 26 anos veio para o Brasil para fazer dinheiro e por aqui resolveu ficar. Seu irmão, que era ambulante, tirou uma matrícula e desde o 28º dia em que estava no Brasil, Vicenzo começou a trabalhar em feira-livre. Sua banca, especializada em frutas, é sempre bem procurada pelos fregueses. Para ele, qualidade e bom atendimento são características que cativam os fregueses e influenciam as vendas.

Tags

História completa

IDENTIFICAÇÃO Me chamo Vincenzo Salemi, nasceu no 1924, dia 7 de maio, em Acate. Meu pai nasceu em Homs, no 1878, não me recordo data de nascimento. Minha mãe nasceu em Acate. Minha mãe tinha dez anos menos do que meu pai tinha. Quer dizer, minha mãe deve ter nascido no 1888, aproximadamente, pouco mais, pouco menos. TRABALHO DOS PAIS Meu pai era agricultor, trabalhava na lavoura. Minha mãe era dona de casa. CASA DA INFÂNCIA Era uma cidade pequena; eu não morava numa casa própria, mas era bem humilde. FAMÍLIA Éramos oito irmãos, depois faleceu um, ficamos sete. INFÂNCIA A infância era como moleque qualquer. Brincava na rua, fazia a travessura e desde os dez anos de idade, vendendo serviço. Até agora não parei de trabalhar. Assim que passei dos dez anos, trabalhava sempre com meu pai na lavoura, até que cheguei no Brasil. Até os 26 anos de idade. IMIGRAÇÃO PARA O BRASIL Depois da guerra a situação ficou muito péssima, e eu veio pro Brasil se aventurar na vida. Meu pai tinha uma sobrinha que morava em São Paulo. Essa sobrinha de meu pai que mandou chamar nós. Assim me radiquei em São Paulo. Vim por pouco tempo, minha mãe chorava, eu também, falei: "Olha, mãe: quatro, cinco anos, no máximo, eu volto!" Porque eu escutava falar que se ganhava dinheiro aqui na América! Faz 44 anos que estou aqui. Voltei pra Itália pra ver a família duas vezes: em 1967 e em 1990. PRIMEIRAS IMPRESSÕES EM SÃO PAULO Na época, São Paulo era uma cidade pobre. Mas imediatamente gostei da atração da cidade, logo fez amigo, fez colega e eu era jovem de 26 anos, gostava de ir em baile, de passear. A cidade era cidade antiga, totalmente diferente que hoje. O asfalto era muito limitado, as ruas a maioria era de paralelepípedo. O que não era de asfalto ou paralelepípedo, era de terra. Um povo muito bom, você a qualquer hora podia andar, ninguém te perturbava. Hoje você levanta e tem medo de colocar o nariz pra fora. SÃO PAULO ANTIGA – PENHA É um bairro simples. O transporte principal era o bonde. Ônibus tinha também. Como nós saíamos muito cedo pra ir no mercado, nós pegávamos um caminhão chamado pau-de-arara, pegava no Largo da Penha e levava até no Parque Dom Pedro. Depois, comprei um caminhãozinho. TRAJETÓRIA NO COMÉRCIO – FEIRA LIVRE Depois de 28 dias comecei a trabalhar na feira. Tinha um irmão que era ambulante, e de ambulante ele tirou a matrícula da feira, essa matrícula que está comigo. Depois de uns dois meses e meio, nós compramos um caminhãozinho. Éramos em três: io, meu irmão e meu outro primo. Depois fomos evoluindo, evoluindo, cada um pegou seu rumo, ficamos cada um individual. E fomos tocando a vida assim, trabalhando muito, muitas horas de serviço. Acordava às três e meia, quatro horas. Pegava o caminhão, ia pro mercado, comprava, ia pra feira. Terminava a feira, voltava pra casa, no dia seguinte levantava o mesmo horário e assim continuava a vida CLIENTES Eram mais as mulheres, sempre, sempre, sempre! No domingo, tem mais homens do que mulher. Na semana, foi sempre bastante as donas de casa. A gente cria aquela amizade; você serve hoje, serve amanhã e dois, três, quatro, cinco meses, oito, dez, 30, 40 anos. Você cria aquela amizade, você chega a saber até o segredo da família, que a gente acaba sendo um conselheiro. PRIMEIRA FEIRA Primeiro dia que fez feira foi de quarta-feira, na Rua Padre João, na Penha. Daí pra diante, demos sequência nas outras feiras. Até agora nunca parei, sempre no mesmo bairro, na mesma região. Às vezes a gente volta pro mesmo bairro e volta a encontrar gente! É uma festa! COMPRA DA MERCADORIA Pego no Ceasa e pego no Mercado da Cantareira. No Mercado do Ceasa, eu carrego mercadoria mais pesada, no caminhão. Coisa mais leve, mais delicada, pego no Mercado da Cantareira, porque é fruta muito perecível, e se eu deixo no caminhão de tarde pro dia seguinte ela perde o visual da qualidade. A fruta fica mais bonita na banca, porque é mais fresca. Não foi abafada na lona do caminhão. Às vezes você coloca uma mercadoria perecível no caminhão, abafa dentro de muitas caixarias e acontece que muita derrete, perde a qualidade. Fruta pesada é mamão, laranja, abacaxi, melancia. No caminhão, carrego três, quatro, cinco toneladas. As mais delicadas são morango, pêssego, figo, cereja, que agora é tempo de cereja. MUDANÇAS NA FEIRA Antigamente, o abastecimento era só a feira. Depois essa coisa de supermercados, propaganda enganosa contra a feira, isso é barbaridade! E muito povo se afastou. Agora a venda é mais limitada, mas tem que ter muita qualidade. Na minha banca, eu tenho a melhor mercadoria que existe no mercado. E a mais cara, também. A mercadoria boníssima custa caro em qualquer lugar do mundo. A mercadoria fraca custa barato em qualquer lugar do mundo. Tem pêssego que vendo sete, oito reais a caixa e tenho pêssego que vendo a três reais a caixa. Quer dizer, tem que ter tudo pra ter compatibilidade com os outros concorrentes. Porque senão, você não vende. Tem que ter a melhor e a pior. CONCORRÊNCIA Feirante é tudo amigo. Mas se um pode comer o outro, come! Come a alma do camarada. Mas tudo vai da procura da compra. Tem que saber comprar. Não sabe comprar, você não pode vender. Por exemplo, melancia você vai aonde tem aqueles montes de melancia, você é cliente, o vendedor te conhece, você compra há anos. Ele vai te mandar a melancia boa. Se sai ruim, você reclama. Melão é a mesma coisa. Já sei qual é o melão bom e o melão ruim. Eu compro o mais caro, porque a minha freguesia é acostumada com coisa boa. COMO ARRUMAR A BANCA A gente enfeita a fruta. É a mesma coisa que a mulher! A banca é a mulher. Você tem que saber colocar a fruta pra ficar vistosa: o lado mais colorido pra fora, o lado menos colorido pra baixo, tudo isso chama a atenção. O público vê a fruta, analisa, é realmente boa. Às vezes não é e lá vai embora. ATENDIMENTO AO CLIENTE Quanto mais humilde, a freguesa já acostuma. Eu, por exemplo, não chamo a freguesa, porque a freguesa vem direto me procurar. Faz muitos anos que estou no ramo, ela saiu de casa pra vir comprar de mim. Justamente quando ela chega, eu trato corretamente e bem! Você pega umas uvas, dá pra experimentar, umas cerejas, um pêssego, que são frutas apetitosas, o mamão não se dá porque é fruta mais comum. . Abre um pacote cereja, dá duas, três cerejas a cada freguesa e a freguesa fica contente! Fruta nova, que às vezes ainda não entrou na praça, pra valer, a gente dá pra provar. Conversa com a freguesa, e a freguesa se convence que é uma fruta boa. No meu ramo, geralmente na feira que eu faço, sou o mais velho de todos os feirantes. Quer dizer, só falar o nome, seu Vicenzo, tio Vicente, todo o mundo me conhece. Às vezes a mãe não vai: "Vai na feira, vai no seu Vicente, fala que você é minha filha, que ele te serve direitinho." A gente faz o possível pra tratar bem. EMBALAGENS Era tudo ensacado. Na época que eu comecei não tinha plástico, tinha só saquinho de papel. Você colocava num saquinho de papel, punha na sacola. FRUTAS NACIONAIS E IMPORTADAS Quando comecei laranja, era difícil vender. Vendia muito mais a maçã e a pera e a uva importada de que a fruta nacional, porque era um preço ótimo. A fruta da Argentina, pêra e maçã, era um preço irrisório. Na época não tinha mamão papaia, tinha só mamão de Monte Alto, aquele grande. Depois de muitos anos surgiu esse papaia, e agora o mamão de Monte Alto já ficou fora de cogitação. É uma fruta sadia, fruta bem doce e boa. Tem um que vem da Bahia, chamam de formosa, mamão formosa. É um pouquinho menos doce de que o papaia, mas é um bom mamão. É ótimo, mas aquilo se vende uma quantidade bem menos que o papaia, porque o povo quer uma fruta miúda, que corta no meio, come metade cada um, satisfaz. FRUTAS MAIS VENDIDAS A venda aaria de acordo com o período da safra. Quando a safra cai, ela já fica mais cara e tem menos quantidade. O consumo é menor. Tem período que tem bastante, e tem período que é muito pouco. E quando é pouco já fica cara, e o consumo é menor. CEASA Entrei no Ceasa quando terminaram de construir. Foi 1966, 1964, por aí. Nosso caminho era muito difícil para ir no Ceasa, porque tinha que ir pelo centro da cidade. Não tinha marginal. Rapidamente fizeram a marginal e começamos a passar por ela. Era uma pista só pra ir, pra ir e voltar era uma só. Depois abriram de um lado e de outro, e ficou ótimo. Ficou ótimo por uma parte, mas ficou difícil pelo trânsito, que da minha casa pra ir no Ceasa são vinte minutos, sem correr. Tem 27 quilômetros justinho. Agora, demoro uma hora e meia, duas, pra voltar do Ceasa. Às vezes, até três horas e meia, quatro horas. Você não anda. Quando inaugurou era tudo vazio. Tinha um box aqui, outro box lá, tinha muitas falhas. Depois aos poucos foi crescendo, mas demorou uns quatro, cinco anos pra se mobilizar bem. Depois formou um centro comercial de alto nível. Atualmente, a nível internacional, o Ceasa não é o Ceasa só pra cidade de São Paulo. É Ceasa que fornece para uma parte da América Latina e recebe da Califórnia, do Chile. E também daqui vai mercadoria pra lá. Agora estamos cheio de mexerica argentina aqui no Ceasa. Eu nunca tinha visto. O Ceasa cresceu muito. Quando abriu, era uma dimensão menor. Hoje é mais do que o dobro de que quando abriu. Trabalhavam mil pessoas, hoje trabalham 15 mil. Cresceu barbaridade! Tem muita variedade. Tem ameixa argentina, tem ameixa chilena, tem ameixa que vem da Califórnia, tem ameixa que vem da Itália, tem ameixa que vem da Espanha, pera que vem da Espanha, e maçã que vem da Espanha, maçã que vem da Califórnia, pera americana. São fruta boníssima! E estão mais barato de que a nacional! Isso que me revolta! MERCADO MUNICIPAL O movimento que tem lá à noite, eu gosto muito. Tem o carregador, aquele que carrega mercadoria, caminhão carrega, sai um caminhão, entra outro, e assim pra diante. No fim, o público é tudo um público amigo. Io acho maravilhoso. Tem pessoas que não se adaptam naquele sistema. Assim que chego, já encontro a pessoa que me guarda o lugar pra encostar a caminhoneta, encosto mais ou menos sempre na mesma imediação. O carregador já está esperando. Eu saio pra fazer as compras, ele vai lá, carrega, e dentro de uma hora, no máximo, eu chego e vou embora. Logo estou saindo do mercado e vou pra feira. CONSUMO DE FRUTAS EM CASA Em casa, eu não como nenhuma fruta. Mas na feira eu experimento de tudo. Eu nem sei dizer o que mais gosto, porque experimento de tudo. Pera e maçã eu não como, isso daí não. Agora, o que mais gosto é de uva. Pêssego eu também gosto. A manga, a fruta mais deliciosa que tem atualmente é a manga. Coisa maravilhosa! Eu também experimento um pouquinho. Às vezes, me dá vontade de chupar uma laranja. Tem coisas que pra mim não me apetece. Vinho, por exemplo, tem dia que me apetece, io tomo um copo. Mas tem dias: "Ah, não sei se vou tomar vinho, se vou tomar cerveja. Vou tomar um copo de vinho." Aquele dia, me faz mal. Se você come ou bebe contra a vontade ou contra o desejo, não te faz bem. O corpo não aceita com bondade. E assim eu sou com as frutas. OUTROS PRODUTOS Eu tinha um amigo que vendia macarrão fresco, talharine, espaguete. Antigamente, tinha muito macarrão fresco na feira. Agora, isso aí já sumiu, na feira não tem mais macarrão. E também quando começaram as feiras, ia o caminhão, com aquele enorme engradado de galinha, e armava numa ponta de feira, e a clientela ia lá e comprava o frango vivo. Muita gente levava vivo; muita gente, o frangueiro matava lá na hora. Eu nunca matei frango e nem quero matar, mas ele torcia o pescoço, quando dava um estralo no pescoço, o coitado batia asa e morria. Agora em feira só vende o frango morto, coelho que veio do matadouro, limpinho. Antigamente a dona de casa tinha que matar o frango, limpar, despenar. O coelho tinha que tirar a pele. Tinha também muita banca de roupa. Calçado tinha. Agora não tem mais. Isso mudou. A feira era grande, todas elas, de fruta, legumes e verdura. Agora as feiras diminuíram muito, muita gente não agüentou e foi desistindo. Por exemplo, a minha feira de amanhã era uma feira enorme, grande, nossa senhora! Tinha mais de 150 barracas, agora são 40, 60, 70 bancas, no máximo! Só tinha a feira para o abastecimento, não tinha shopping, não tinha supermercado. MUDANÇAS DE RUA E BAIRRO A prefeitura escolhe onde vai ser a feira. Por exemplo, numa rua que hoje tem feira, necessariamente nessa rua vai passar uma linha de ônibus; aí a feira é deslocada daquela rua pra dar acesso ao. Às vezes, tem gente, porque é coronel, porque é deputado, não gosta do barulho, aí faz o requerimento, abaixo-assinado, vai na prefeitura, vai na Secretaria de Abastecimento, e pede a remoção da feira daquela rua. Tem gente que consegue, tem gente que às vezes não consegue. Tem gente que quer a feira na rua, mas não quer o barulho da feira. É por causa disso que as feiras mudam. E quando muda, pro feirante é muito ruim, porque se extravia a freguesia. RELAÇÃO COM A PREFEITURA Na época, pra tirar a matrícula tive muita facilidade. E agora deve ser fácil também, só que, o que eu calculo, porque não lido mais com essas coisas, é que tem feira que você quer ir e não pode. Porque são feiras bloqueadas, não pode entrar mais feirante nesse ramo. Tem feira fechada, nós chamamos de feira fechada. Depois que entrou a Erundina na prefeitura, aquilo virou uma bagunça que nem Cristo entende. Antigamente era muito organizada e muito disciplinada. FUNCIONÁRIOS Viajei pela Europa, um mês ou dois, mas a barraca continuou na feira. Deixo a equipe de empregados, que tenho empregados bons, e foram trabalhando normalmente, sem a minha pessoa. A banca nunca faltou. Na Prefeitura não tenho uma falha. Semana retrasada fiquei dois dias sem trabalhar, o caminhão estava na oficina. E a freguesia telefonou pra casa, muita gente: "O que é que foi, seu Vicenzo, por que não veio?" E a freguesia se desorienta, acha ruim que você não vá na feira! CASAMENTO Quando vim pra São Paulo eu vivia junto com minha irmã. No 1962, ela foi embora pra Itália. Ficou lá com meus pais. Fiquei 20 meses sozinho. Depois de um ano e pouco que estava aqui, eu justamente estava com a intenção de vender tudo que eu tinha. Não tinha nada de mais, tinha um caminhão, tinha a casa própria e a banca. Ia vender tudo isso aí e ia embora pra Itália. Mas io acabei conhecendo a minha esposa, e casei. Ela morava perto, foi casamento arranjado. Eu conhecia de longe, mas não tinha intimidade. Não tinha como chegar nela. Minha cunhada preparou um tipo de encontro pra nós se deixar conhecer numa casa de uma pessoa, uma amiga da gente. Depois marquei um encontro e fomos se conhecendo. Em sete meses, eu casei com ela. FAMÍLIA Temos dois: um rapaz e uma moça. Estamos feliz, graças a Dio. Eu desejo que os meus filhos tenham o caminho que eu peguei com a esposa. Io nunca briguei com ela, nunca discuti, às vezes, ela discutia comigo, porque quando as minhas crianças eram pequenas, eu brincava mais de que uma própria criança. Ela achava ruim. Agora, nunca contrariei ela. Eu vivo feliz, estamos muito bem, tudo o que fizemos, fizemos juntos e sempre foi a vida da gente. Eu sempre trabalhando barbaridade, nunca tive diversão. Nunca levei num restaurante pra comer, a minha esposa. Eu trabalho de segunda a domingo. No domingo chego duas, duas e meia em casa. Almoço e vou descansar. Ir no restaurante: que horas vou? Não tem jeito. No cinema fui duas vezes depois de casado com ela. LAZER Gosto de curtir a minha casa, não saio da minha casa! Sou um camarada muito caseiro. Chego em casa, não há quem me tira de casa. Fora da feira a única coisa que gosto muito de fazer é construir. Eu construía casas, agora não construo mais nada. Construía, vendia algumas. A minha casa quem fez foi io, io quem planejei, tirei a planta do engenheiro só pra ter. E dou graças a Deus, estou bem naquela casa. Chego em casa, descanso, brinco com o cachorrinho, não tem criança. HÁBITOS DE CONSUMO Não compro nada! A roupa quem compra é a esposa. Sapato, eu vou no sapateiro, manda fazer, só sob medida. Blusa: se tenho, visto, se não tenho, não visto. Ela vê o que eu preciso, ela que compra. Na Itália, era a mesma coisa com meus pais, com minhas irmãs. E aqui foi a mesma coisa. Peguei uma esposa que se adaptou tanto no esquema da minha família, que não me preocupo com nada. FORMAS DE PAGAMENTO Antigamente não tinha cheque, e agora tem muito cheque. E de vez em quando você perde muito cheque, e perde o freguês, o cheque e a mercadoria! Depois, quando começou a surgir, que as coisas ficaram mais evoluídas, aí começou a vir o cheque. FORMAS DE VENDA Uva é por quilo; laranja é por unidade, mamão é por unidade, maçã e pera é por unidade. O pêssego é por caixa ou por quilo. A cereja vende por pacote, pacotinho de 300 gramas, 320 gramas. O funcionamento é muito simples, não tem segredo. É só saber comprar: comprou bem, vendeu bem; comprou mal, vende mal. Isso daí. FUTURO O dia que parar, daqui uns dois, três anos, se Deus quiser, que eu vou vender tudo o que tenho em ramo de feira, ou vou dar tudo a meus empregados. Só não vou dar o caminhão, agora, a banca, dou pra eles, gratuitamente. Banca e freguesia, dou pra eles, eles que se viram pra comprar. Com aquilo que eu fiz na minha vida eu posso viver tranquilamente, graças a Deus. SONHOS Meu sonho é ver os meus filhos sistemados. Casado e com boa dona de casa. Minha filha é fisioterapeuta, é uma raridade de pessoa! Meu filho tem 31 anos, ele foi fazer um curso na Inglaterra de 38 dias e faz quatro anos que está lá. Fez Administração de Empresas aqui, fez Economia aqui, foi pra lá lavar prato em casa de família, fez um ano de inglês, depois entrou na faculdade e fez mestrado em Economia em Londres. Agora é gerente de uma marmoraria. Eu queria que meu filho seguisse meu caminho, mas ele não gosta de fazer o que eu faço. E não adianta forçar a pessoa. Por isso que eu falei: "Estuda e vive do estudo." Eu gosto muito daquilo que eu faço, mas muito mesmo. Às vezes estou doente, vou trabalhar doente. Pode ter febre, pode ter chuva, pode cair o mundo, eu vou trabalhar. ALEGRIAS DO COMÉRCIO O que eu mais gosto é servir o público e comprar no mercado. O público tem um estilo de te alegrar, e o mercado tem outro. No mercado só encontro gente amiga: "Vamos tomar café? Vamos tomar cafezinho!" É uma família que você tem. Na feira é a mesma coisa: tem um público que eu gosto deles e eu vejo que a pessoa que compra de mim, não é porque vendo mais caro ou mais barato, eles gostam da minha pessoa. Eles compram porque eles gostam de mim e do que eu vendo. Os outros também têm o que eu tenho, mas eles vão comprar de mim porque se acostumaram com a minha maneira de agir, a minha maneira de tratar, a minha maneira de servir. Criaram aquela amizade. CLIENTES O pior é aquele que chega na banca, pega na fruta e começa a apertar. Mete a unha, às vezes você chama a atenção, eles acham ruim. Esses são os piores fregueses, que te prejudicam. Agora, o cliente que chega: "Seu Vicenzo, bom dia, como é que vai? Tudo bem? Olha, eu preciso disto, disto e isto. Na volta eu pego." São clientes maravilhosos. Porque está te valorizando, está valorizando e tem confiança naquilo que tu faz. Esses são os melhores! REFLEXÕES SOBRE A ENTREVISTA Pra mim, isso é uma grande dádiva. Fico muito feliz de estar aqui entre vocês e de fazer esse trabalho. Eu me sinto muito honrado, porque vocês me escolheram pra fazer tudo isso!

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+