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História

Vildinora Bandeira de Melo Salgado

História completa

IDENTIFICAÇÃO



Meu nome é Vildinora Bandeira de Melo Salgado, nascida em 23 de agosto de 1965, em Caxias, aqui no Maranhão. Fiquei lá só o tempo mesmo de fazer uns seis meses, e aí eu vim morar em São Luís, no bairro do Desterro, centro histórico. Na parte histórica da cidade morei até os meus 12 anos.

INFÂNCIA



Minha infância foi chata, era só estudando, em casa. Meus pais se separaram quando eu tinha cinco anos e aí a gente ficou morando com minha avó muito tempo e depois, com 12 anos a gente foi morar em Fortaleza com a minha mãe. E aí depois de alguns anos, minha mãe casou de novo com um tenente da aeronáutica.

EDUCAÇÃO



A gente foi morar em Barbacena, em Minas. Eu fiz uma parte do científico lá. Fiz vestibular em Barbacena para medicina, depois fiz em Juiz de Fora para serviço social e aí eu optei por fazer serviço social. Então fui para Juiz de Fora, morei lá um tempo. Amei morar lá. E aí depois de Minas fui para o Rio, que minha mãe já tinha mudado para lá. Fiquei uns três anos no Rio. Depois disso eu vim visitar meu pai em Açailândia no Maranhão e lá eu procurei ver o mercado de trabalho, e uma das siderúrgicas estava contratando. Eu fui trabalhar lá. Depois a Vale também estava recrutando assistentes sociais, que o meu grande sonho era trabalhar como assistente social, que era aquilo que eu tinha feito. Aí eu passei para a Vale e estou aí já há dez anos.

ENTRADA NA CVRD



Entrei na Vale em 91, para prestar serviço pela empreiteira Castro Almeida, na época. E em 92 eu passei para a Vale. Na verdade meu desejo era trabalhar na minha profissão, que era serviço social. E quando eu vim para Açailândia foi para passar aniversário do meu pai. Mas fiquei passando um tempo lá e depois quando eu estava na Viena, que eu soube que a Vale ia contratar assistentes sociais, já fui mais tranqüila, porque em Açailândia não tinha mesmo assistentes sociais. Vieram algumas de Imperatriz. Passei pelo processo seletivo e como meu pai já morava lá, para mim já não tinha problema de logística. Era solteira, fui ficando.

IMAGEM DA CVRD



Foi muito bom, porque aí eu comecei a conhecer a Vale. Foi meu primeiro contato com a Vale do Rio Doce. Não fazia idéia assim do tamanho, da magnitude da empresa, da responsabilidade social, enfim. E para mim foi maravilhoso trabalhar esse tempo todo lá, porque a Vale realmente investiu muito na comunidade. A gente tinha uma inserção muito forte e eu como assistente social estava sempre envolvida em todos esses projetos. Era extremamente realizador para eu ficar lá.

Açailândia
Em Açailândia, eu trabalhava na parte de apoio administrativo. Nós entramos como assistentes sociais. Em 96 nós passamos a trabalhar como analista de apoio administrativo. Na verdade, a gente deixou o serviço social. Lá eu fazia tudo, que o pessoal aqui tem vários setores para fazer, a gente apoiava na realização, nas atividades na área de comunicação empresarial, os eventos, programas que nós conduzíamos junto à área de Recursos Humanos aqui, a gente também realizava lá. Todos os programas que São Luis oferecia nós estávamos lá nas localidades ao longo da ferrovia, executando. Cada localidade tinha uma pessoa, que eram os assistentes sociais, e que tocávamos essas atividades todas. Todos os eventos, todos os treinamentos, tudo que dizia respeito à vida do empregado a gente estava junto fazendo acontecer durante algum tempo. E eu passei esses oito anos em Açailândia e houve um processo seletivo aqui para a área de desenvolvimento.

Cidade rica
Quando eu cheguei em Açailândia, por incrível que pareça, era até melhor do que é hoje. Cidade bastante movimentada, rica, na época do ciclo da madeira. Eles estavam explorando ainda muito a madeira, tínhamos lá na época cento e poucas madeireiras. Hoje não tem 30 em funcionamento. Então era uma cidade rica, circulava muito dinheiro. Muita miséria também paralela a isso, mas uma cidade movimentada. Uma cidade interiorana, uma igreja, uma boa escola para os padrões do interior, que era uma escola subsidiada pela Vale inclusive, a Vale do Rio Doce como uma grande empresa trazendo outras pequenas empresas para a comunidade. Uma cidade pequena sem muitos atrativos. Na verdade todo mundo aproveitava nos fins de semana para ir à Imperatriz, que ficava mais pertinho, a uns 70 quilômetros. Uma cidade mais movimentada, com muitos restaurantes, um lazer um pouquinho melhor. Açailândia não tinha quase nada para fazer. Então a nossa vida era muito em função do trabalho. Como a Vale propiciava muito a gente estar viajando para cá, principalmente para alguns treinamentos, algumas reuniões, então dava para agüentar.

TRAJETÓRIA NA CVRD



Casamento
Quando eu cheguei na Vale do Rio Doce, eu solteira, quando fui contratada o gerente me apresentou todas as pessoas da área. E um dos engenheiros que estavam de férias, quando chegou ele me apresentou e falou assim: “Olha, essa aqui é a assistente social que a gente acabou de contratar, esse é o doutor fulano de tal, é um engenheiro solteiro que nós temos aqui. Sua primeira tarefa é arrumar uma esposa para esse engenheiro. Ele é solteiro, mora numa casa sozinho, uma casa muito grande, todo mundo quer aquela casa, porque eram as duas melhores casas lá e tal.” E eu brincando, já que ele estava brincando comigo. Falei: “Não se preocupe, vou recrutar o que tiver de melhor na cidade, não tem problema. Pode aguardar que eu vou fazer um recrutamento de primeira.” E um ano depois eu estava casada com ele. Claro. Modéstia à parte, eu sou muito competente. Curioso porque eu tinha até esquecido disto. Então quando ele foi no nosso casamento ele lembrou. “É Vildinora, hoje você esta cumprindo aquela tarefa que eu te dei quando você chegou. Você se lembra e tal que eu te falei?” “A é, realmente.” Meu marido é muito tímido, introvertido, ele também trabalha na Vale. Então a nossa história é muito em função da Vale. Eu acho legal isso, a gente ter uma história para contar dentro da empresa. Programar férias juntos, de poder programar nossa vida em função do que a gente construiu, com o que a gente conquistou aqui dentro. Muito legal.

Segurança no Trabalho
Eu vim transferida na verdade para a área de Medicina e Segurança no Trabalho. Porque na área de Recursos Humanos nós já fazíamos o apoio aos empregados com alguns programas sociais. Programa de prevenção e recuperação de dependência química, para o qual a gente foi preparada alguns anos. Então viemos para a área de Medicina e Segurança no Trabalho para executar ainda esses programas de apoio à área, no que tange a programas de redução de absenteísmo, apoio social ao empregado, e desenvolvimento de programas da área de segurança e saúde. Depois de um ano aqui nessa atividade, o gerente me puxou para a área de desenvolvimento de RH para trabalhar como consultora interna. Na verdade a gente já fazia isso lá nas comunidades durante esses anos todos. Mas não oficialmente como analista de RH com apoio administrativo. E estou aí já há um ano, um ano e pouquinho na área de desenvolvimento. E assim era realmente aquilo que eu queria fazer. Estou na área que eu queria estar. Muito feliz com essa história dentro da Vale, de ter construído o que eu construí começando pela atividade de serviço social e evoluindo para o que eu estou fazendo hoje. Muito legal.

RELAÇÃO CVRD/COMUNIDADE



Vale Viver
Eu particularmente estou em todas. Eu gosto muito de estar com o pessoal da comunicação. Comunicação é uma coisa que me fala muito. Particularmente eu sou muito extrovertida, muito comunicativa, e em todos os eventos em que possa estar ou apoiando ou de alguma forma conduzindo eu estou, porque eu gosto de ver acontecer as coisas que a Vale faz. Principalmente os eventos onde o empregado está envolvido com a família. Na nossa área hoje nós desenvolvemos alguns programas pelo Programa Vale Viver, que envolve a família, que eu gosto muito de estar envolvida. Os programas como visita da família na empresa, Pipoca com Guaraná que é um projeto muito legal que a gente está levando. E seminário, e uma a série de outros eventos que a gente desenvolve.

Pipoca com Guaraná
Pipoca com Guaraná são sessões de cinema com filmes do eixo comercial, conduzidos por alguns gerentes, e ao final ele faz uma correlação do tema do filme com alguns temas que a gente trabalha dentro da organização. Motivação. Assistem o filme e depois a gente comenta. Na verdade o gestor ele vai conduzindo, vai amarrando as cenas dos filmes, das situações dos filmes com as situações vividas aqui dentro. É um programa típico aqui de São Luis. Acontece em algumas outras empresas, mas tem sido realmente um programa de sucesso.

Comunidade Novo Oriente
Nós tivemos muitos eventos, muita coisa legal. E assim, não de curioso, mas de legal que eu pude participar pela Vale foram algumas comunidades que a Vale tinha atividades, tinha programas de desenvolvimento dessas comunidades que a gente viu que elas realmente conseguiram evoluir depois da inserção que nós fizemos. De estar indo às comunidades conversar com as pessoas. Uma comunidade que me tocou muito chama-se comunidade Novo Oriente. Fica no quilometro 547 da ferrovia, bem perto de Açailândia. Era um local assim super ermo, não tinha água, não tinha luz e moravam ali 200 famílias. E a gente sempre ia fazer campanhas de esclarecimento, principalmente no que tange à questão de saúde. E uma coisa que me tocou muito foi ver que as pessoas elas tomavam água, a água que caia da chuva. Faziam aquelas poças de barro. Eles pegavam aquela água para decantar e beber, porque lá para puxar água do poço era um negócio assim de 200 metros de profundidade. A comunidade era carente, não tinha condição de comprar óleo para ficar o tempo todo puxando. E a Vale conseguiu fazer um bom trabalho lá. Essa comunidade tinha uma cooperativa muito ativa e a gente conseguiu realmente orientar essas pessoas para ir lá conquistar os seus espaços junto às prefeituras. A Vale apoiou com algumas ações. Hoje a gente vê que a cidade cresceu, se desenvolveu e melhorou muito em relação ao que era. Eu particularmente tenho muito orgulho desses trabalhos que a Vale fez. Acho que no interior do Maranhão principalmente a gente percebe o quanto a Vale ajudou. Enfim, é realmente um prazer muito grande ter participado deste trabalho que a Vale desenvolveu no interior. E ainda desenvolve, só que hoje eu não estou acompanhando.

CASOS DE TRABALHO



Assalto ao trem pagador
Veja, eu como assistente social eu vivi muitas situações. Das mais curiosas às mais tristes. A gente acompanha a vida do empregado. Então até por, eu não posso contar certas situações porque eu estaria expondo a intimidade de algumas pessoas. Mas já tive situações engraçadas. Por exemplo, uma que é curiosa, que eu não esqueço, foi o assalto ao trem pagador em São Pedro da Água Banca. O primeiro assalto, tentativa de assalto lá em São Pedro, que é uma localidade que fica no sul do Maranhão, já divisa com o Pará. Logo que eu entrei em 91 a gente estava lá no final da tarde, era dia de pagamento, e o dinheiro vinha numa mala conduzida por um empregado. Vinha de Açailândia para São Pedro. E lá o empregado descia, fazia os pagamentos e ia embora no outro dia. E eu estava trabalhando no escritório nesse dia e esperando essa pessoa chegar para a gente pegar a Kombi e seguir para o Núcleo, porque nós tínhamos um alojamento lá. E essa pessoa vinha de trem. Mas só que vinha um trenzinho que a gente chama Alto de Linha na frente, com um outro funcionário voltando do trecho, da atividade dele lá ao longo da ferrovia. E ele chegou, desceu com uma maletinha, só que os bandidos já estavam no alto do morro observando o movimento. Eles sabiam que o dinheiro ia chegar numa maleta e que uma pessoa vinha trazendo. Aí eles viram essa pessoa descer, acharam que era o dinheiro que estava chegando. E eu já estava dentro da Kombi aguardando ele entrar, mas quem chegou foi essa pessoa, chama Osvaldo. Ainda está na Vale. E o Osvaldo, um homem muito grande, alto e forte, chegou e falou: “Ah, eu vou com vocês.” “Ah, então chega aqui.” O telefone tocou para mim lá no escritório e me chamaram. Eu falei: “Então pode ir, eu vou no outro carro.” Porque ele ia levar o rapaz do dinheiro. “Então vai nesse que eu vou depois.” Ele entrou no meu lugar, na Kombi. na frente e foram. Logo que subiram um morrinho que tinha lá, fizeram a curva, foram abordados por alguns assaltantes, deram tiro na Kombi, e aí eles reagiram, empurraram os bandidos, foi uma confusão. E depois eles conseguiram retornar para o escritório, e eu estava no telefone lá, quando de repente eu olho pela janela, está lá o cara batendo. “Seqüestro, assalto.” Aí eu fiquei: “Seqüestro? Assalto? Como?” Era uma cidade que não tinha nada, não tinha ninguém. Deserto, uma cidadezinha sem a menor infraestrutura. Enfim, aí eu tava no telefone com uma pessoa de Açailândia e até comentei: “Olha, dizem que esta rolando um seqüestro aqui. Deixa eu ver o que está acontecendo, depois eu te ligo.” E aí eles entraram, se trancaram lá no escritório, chamaram a polícia. Mas o curioso foi que eles comentaram pelo rádio com a pessoa que vinha trazendo o dinheiro: “Olha, vem devagar porque está rolando um assalto lá, eles confundiram a Kombi que levava o dinheiro com a Kombi que iria levar a pessoa com o dinheiro, e tentaram assaltar, espera aí um pouco.” E o rapaz que vinha trazendo o dinheiro é um colega que eu não posso falar o nome que ainda está na Vale, ele é muito medroso, é assumido. Ele é covarde de carteirinha. Ele disse que quando soube que houve essa situação toda ele queria voltar mesmo no meio da ferrovia, com medo e começou a tremer e passar mal. Eu sei que quando ele chegou ele olhou, eu estava dentro do escritório, ele olhou pela janela, olhou para um lado, olhou para o outro. Aí que ele foi descer a escada ele estava tão trêmulo que despencou lá de cima com maleta, com tudo. E assim foi a maior confusão. Veio polícia, veio ambulância, foi uma confusão. Mas enfim, ficou para a história de São Pedro da Água Branca essa tentativa de assalto. Primeiro porque nunca tinha acontecido. E segundo porque foi muito arrojado, né, até para os padrões da época e do lugar. Depois disto eles conseguiram colocar uma agência bancária e acabou com este tipo de problema.

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