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Vida no interior

História de: Antonio Carlos Moral Marcos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/10/2014

Sinopse

Antônio Carlos nasceu no interior paulista e com seis anos veio morar em São Paulo, mas seu plano era ter uma profissão que lhe permitisse morar no interior. Com três irmãos engenheiros, e sendo o mais novo da família, ele optou pela Engenharia Agronômica. No depoimento, Antônio conta seu percurso de vida desde a infância até a juventude, casamento e paternidade.

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História completa

Antônio Carlos Moral Marcos, nasci em Santa Adélia, Estado de São Paulo, em nove de julho de 1958. Meu pai é Abelardo Marcos Rodrigues, nasceu em 31 de dezembro de 1919, em Novo Horizonte. E minha mãe é de 26 de dezembro de 1922, em Santa Adélia. Meu pai trabalhava no comércio de café, e minha mãe era professora do Estado. Nós somos quatro irmãos, eu sou o mais novo. Os três são engenheiros. O Paulo Afonso é o mais velho, José Roberto e Abelardo.

Os pais do meu pai e os pais da minha mãe são todos da Espanha. Foram os avôs do meu pai que vieram. O meu avô era pequeno, em 1895, e vieram em busca de trabalho, a situação difícil na Espanha naquela época. Eles chegaram aqui pra trabalhar no café. Naquele tempo, eles faziam um sistema de parceria. Mas com cinco, seis anos trabalhando no café, eles já conseguiram comprar uma terra na região de Santa Adélia. Meu pai prosseguiu, começou a trabalhar com comércio cedo, e depois comprou já alguma propriedade rural. Em 1951, ele comprou uma propriedade aqui em Mirandópolis, Fazenda Santa Maria. É onde eu tou hoje.

Quando eu nasci, meu pai já morava numa casa boa, numa casa bem no Centro de Mirandópolis, ao lado da igreja matriz, em frente à praça, em 58. E a primeira infância minha foi lá. Então era um lugar tranquilo, a gente tinha contato com a área rural em Santa Adélia. Aí em 64, com seis anos, é que nós mudamos pra São Paulo. Mudamos por alguns motivos: primeiro, que meu pai no comércio de café tinha um sócio, o irmão dele, e a negociação era principalmente em São Paulo e Santos. E naquele tempo tinha dificuldade de comunicação, ele tinha que ir a outra cidade pra telefonar, era difícil. Então ele achou que ficando em São Paulo ia facilitar esse trabalho dele. E também meus irmãos mais velhos estavam já em idade de cursinho, de faculdade, ele achou melhor a gente mudar. Viemos morar no bairro de Indianópolis e era uma casa também muito boa. E eu lembro que a gente andava de bicicleta, jogava futebol nos terrenos por ali, tinha umas praças. Eu tenho um irmão que tem um ano e três meses de diferença de mim, então a gente brincava junto e tal. Acho que não tinha tanta preocupação, naquele tempo, com segurança, era mais tranquilo. Então a gente ia à praça, ia à padaria, ia ao mercado.

Eu tinha cinco anos e meio quando entrei no Pré. Eu lembro de um monte de gente desconhecida, como eu tava vindo do interior, tem essa diferença, todo mundo conhece todo mundo. Então onde eu fui criado, em Santa Adélia, eu conhecia todos os vizinhos, o pessoal ia a casa. E como mudei pra São Paulo, você não conhece ninguém, não sabe quem é o vizinho, na escola, eu não conhecia os meninos, então esse choque dessa mudança. Mas deu certo que o meu irmão acabou entrando na mesma sala que eu. Entrou no mesmo ano, ficou na mesma sala, então pelo menos tinha ele junto. Era uma escola particular, chamava Ateneu Ricardo Nunes, ali em Indianópolis. Quando eu tava no ginásio, eu fui a uma escola estadual, uma escola pública, aí já era uma escola bem grande, tal, e uma escola pública. Mas com 15 anos, eu já fui para o colégio, aí fui estudar no Objetivo, na Paulista. Eu lembro assim, no Ginásio, eu não estudava quase nada, passava na “rapa” ali, ficava com uma ajudinha do professor pra poder passar com cinco. Quando eu fui para o colégio, eu lembro bem, eu cheguei lá, tal, começou a aula, eu ia conversar, comentar alguma coisa com o colega, ele: “Calma, agora não, o professor tá falando” “Mas como assim não pode?”. Daqui a pouco eu ia perguntar um negócio: “Não, não, agora tá em aula, não posso conversar”. Foi um choque assim de ver, nossa, todo mundo a fim de aprender. E a conversa do vestibular. O vestibular, aquela coisa difícil, então quem tava ali, tava pra estudar mesmo. Então foi onde eu me toquei, falei: “Poxa vida, eu vou concorrer com esse pessoal e tá todo mundo empenhado, estudando e dedicado. Acho bom eu começar a me dedicar também a isso aqui”. Eu lembro na minha classe, naquele tempo nós éramos 50 na classe, eu acho que tinha uns quatro ou cinco, no máximo, que curtiam som, sair, carro, festa; o resto muito focado em estudar, estudar e estudar. E aí já no segundo colegial, nossa, eu lembro, estudava de manhã, chegava a casa uma e meia da tarde, à tarde estudava, à noite estudava até a hora de ir dormir.

Quando eu tava já talvez no final do ensino fundamental, por aí, que eu via meus irmãos, como os três são engenheiros, eu via o assunto de engenharia. Então acho que tinha esse assunto em casa, eu achava interessante, eu pensava em Engenharia. Quando eu fui fazer o colégio, eu fiz o colégio profissionalizante, e no primeiro ano já tinha que fazer a opção de quê área. Aí eu fui fazer na área de mecânica, na parte de exatas com laboratório de mecânica. Mas nessa época começou a me incomodar aquele movimento de São Paulo, o trânsito, aquele estresse da poluição, da violência, aglomeração, muita gente. Nas férias, a gente passava aqui no interior, vinha aqui pra Mirandópolis, e ficava na fazenda. Então tava um contraste muito grande a tranquilidade daqui, o espaço, e São Paulo. Daí eu comecei a associar que Engenharia Mecânica, ou qualquer coisa assim, eu tinha uma probabilidade grande de ficar em São Paulo, e eu tava vendo que eu não queria isso. E aí comecei a ver outras áreas de Engenharia, a possibilidade de fazer Engenharia e talvez morar no interior. Foi onde conversando na escola, tal, fui pesquisando e vi a parte de Engenharia Agronômica. Comecei a me interessar, porque era uma área que podia ligar as coisas.

Eu morei em São Paulo dos seis aos 17, que eu estudei até terminar o colégio, o nível médio, aí eu entrei na faculdade, em Piracicaba. Foi uma mudança grande na minha vida. Eu saí de casa, eu lembro bem, eu fui lá fazer matrícula, tal. Antes da república, no primeiro dia de aula, nós estávamos aqui em Mirandópolis, terminaram as férias, meu pai ia pra São Paulo, passou em Piracicaba, e num domingo à noite foi lá num hotel e acertou lá, deixou pago um mês, me deixou lá e foi embora (risos). Numa cidade diferente, não conhecia nada, não conhecia ninguém, não sabia nem onde era a escola.

Eu comecei a namorar quando eu entrei na faculdade. Comecei a namorar uma menina daqui de Mirandópolis. A minha esposa foi a minha terceira namorada. Mas elas eram daqui de Mirandópolis. O pai dela era advogado, trabalhava com o meu pai, então a gente se conhecia desde quando era pequeno, vinha pra cá nas férias, tal. Já conhecia. Não tinha tanta amizade, mas já conhecia. Essa aproximação maior foi quando eu comecei a namorar uma menina que era uma amiga próxima dela, aí teve uma aproximação maior. É assim, eu já comecei a me interessar por ela quando não ia bem o namoro com essa amiga dela, aí tava terminando, tava praticamente terminado, a gente foi a um baile e essa amiga dela disse: “Olha, nós não estamos bem, mas você não vai ficar com outra. Se você for dançar, dança com a Denise, que ela é minha amiga, com ela pode” (risos). Então eu fui e dancei com ela. E mal sabia ela que acabou aproximando a gente aí. Depois terminei e num outro baile, tal, teve pedido de namoro, aquele negócio todo. E aí ela foi estudar em Campinas, que era ali do lado de Piracicaba, tal. Aí a gente já tava namorando. Nós namoramos durante seis anos. A gente teve um namoro bem tranquilo, a gente se dava bem. Não me lembro de brigas, sabe? Eu acho que sempre teve muita harmonia e a gente percebeu que tinha um bom entendimento, aí fizemos o planejamento de terminar a faculdade, começar a trabalhar e casar. E deu certo. O casamento foi aqui em Mirandópolis, a gente casou no civil, no religioso, fizemos uma festa no clube, tal, tinha bastante gente. Acabou que naquele ano o pai dela era candidato a prefeito. A eleição ia ser no fim do ano, a gente casou em julho. Então acabou aumentando um pouco o número de convidados também. Mas eu já morava aqui em Mirandópolis, eu morava na fazenda. A gente casou aqui e ela terminou a faculdade, mudou pra cá também. Viemos morar aqui na cidade, não mais na fazenda. Ela fez curso de Turismo. Ela gostava de música, dava aula de piano, e ela se formou em Turismo e começou a dar aula também de Português na escola aqui, depois ela passou a dar aula de Turismo na Faculdade em Andradina. Aí nós tivemos três filhos. A gente pensava sim em ficar talvez um ou dois anos sem filho, tal, e acabamos ficando menos de um ano e meio. E nasceu o João Paulo. Depois nós tivemos mais dois. Nós tínhamos decidido esperar pelo menos três anos, tal. Esperamos três anos, aí nós tivemos a Juliana, nasceu lá em Araçatuba também. E depois mais alguns anos, esperamos mais quase cinco anos, quatro anos e meio, aí veio a Mariana. A Mariana já nasceu aqui em Mirandópolis.

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