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História

Vida de propagandista

História de: Pedro Antonio da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/01/2021

Sinopse

Nasceu em Mairiporã. Mudança para São Paulo. Trabalhou no Bradesco de 1978 a 1991. Ingresso na Aché. Primeiros dias como propagandista. Dificuldades da profissão. Homenagem. Amor pela Aché.

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História completa

P/1 – Pedro, pra gente começar, eu queria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento.

R – Meu nome é Pedro Antonio da Silva, nasci dia 22 de junho de 1954, em Mairiporã, na fazenda dos meus avós.

P/1 – Mairiporã é São Paulo?

R – São Paulo.

P/1 – E o senhor mudou pra São Paulo quando?

R – Eu mudei pra São Paulo em 1968 e, em 1970, eu comecei a trabalhar no Bradesco; fiquei até 1991 no Bradesco. Em 1991 então eu ingressei no Aché, mas eu conheço o Aché há mais de 16, 18 anos porque quando eu trabalhava no Bradesco, o Aché ainda fazia envelopamento para os funcionários, para o pagamento dos salários. Não tinha banco dentro da empresa, dentro do laboratório, e o Bradesco foi o primeiro banco a ingressar dentro da empresa para efetuar o pagamento dos funcionários. E eu era sub-gerente da agência do Bradesco vim pra cá pra efetuar o pagamento dos funcionários, trabalhar com as contas da empresa, com as contas dos diretores e peguei uma grande afinidade com todos os funcionários, com toda a chefia do Aché, os diretores que hoje estão, os que já saíram também. Na época fui um sujeito muito querido dentro do Aché, ajudava bastante o pessoal, os funcionários. Quando o Aché foi desligado do Bradesco, o próprio Aché... um diretor do Aché me convidou pra trabalhar de representante, eu fiquei desempregado uns 15 dias. O Aché viu que eu estava desempregado, estava surgindo uma nova linha do Aché, que era a linha (Pro-Dorme?), e veio a calhar. Eu procurando emprego e o Aché precisando de uma pessoa qualificada _______, uma profissão de propagandista. Eu entrei e está fazendo 10 anos agora.

P/1 – E como foi o primeiro dia de propagandista?

R – O primeiro dia de propagandista foi muito engraçado, porque eu como bancário ficava na gerência, com secretário, ar condicionado, maior conforto, cafezinho, secretário me servindo. Não ficava andando: pegava o carro e ia pra casa, voltava, sem muito esforço físico. Quando eu fui pra propaganda, eu peguei uma região que tinha que fazer tudo a pé. Hoje às vezes faz de carro, outros a pé. Eu iniciei, no primeiro dia de trabalho, no setor 101 na época, _____ no Hospital da Beneficência Portuguesa, onde tem mais de 1000 médicos lá. Me deram o fichário na minha mão e falaram: “Pedro, você tem que falar com todos os médicos que você ver pela frente.” Então, quando eu entrei na Beneficência, eu fiquei desesperado porque tudo que passava de branco pra mim era médico. Falei: “Meu Deus do céu, como vou falar com todo mundo?” __________ na mão e não sabia nem onde ia procurar aquele médico. Então todo mundo que ia passando na minha frente eu ia perguntando. Eu cheguei a fazer propaganda até pro barbeiro do hospital porque ele estava de branco, eu pensei que era médico também. Ele passou perto de mim, eu falei: “Doutor, um minutinho. Sou representante do Aché, preciso mostrar meus produtos.” “Pois não!” Ele parou, eu fiz a propaganda. Depois que eu fiz a propaganda ele falou: “Não, eu sou o barbeiro aqui do hospital.” E eu ia fazer tudo a pé, a região da Paulista, Brigadeiro Luís Antônio, Praça Amadeu Amaral, ______, tudo a pé porque não dava para tirar o carro de um local, porque depois não achava local para estacionar. Chegava às 6:00 horas da manhã, colocava o carro na rua Maestro Cardim e tinha que me virar tudo a pé, porque se eu tiro o carro de lá, depois não achava mais vaga para estacionar. Então eu ia a pé da rua Maestro Cardim até o Banco Mitsubishi, lado da Brigadeiro Luís Antônio, às vezes duas vezes por dia fazia tudo isso a pé, esse percurso.

P/1 – E com a mala?

R – Com a mala, mais a mala de apoio que tinha que levar as amostras, mais material pra entregar pros médicos, porque não dava para voltar abastecer a pasta de propaganda. Quando eu chegava em casa, eu ficava desesperado porque não estava acostumado com essa ________, chegava em casa morto de cansaço. Chegava em casa, tirava o sapato e deitava no chão, colocava os pés pra cima pra dar uma aliviada nos pés, fazia uma massagem para poder aguentar. Eu falava: “Eu tenho que aguentar, todo mundo aguenta, por que eu não vou aguentar?''. Foi um mês de sufoco, depois a gente acostuma. Tudo na vida a gente se acostuma. Estou muito feliz, sou propagandista até hoje ainda, já tive várias propostas pra ir pra outros laboratórios, mas eu não caio nessa tentação de sair. Já passei por dezenas de supervisores, dezenas de gerentes e eu continuo trabalhando firme como representante, claro que almejando um cargo melhor porque eu acho que eu tenho condições. Se eu no Bradesco entrei como contínuo e cheguei como gerente, porque não posso crescer no Aché também? Por outros fatores a gente fica, talvez não tenha a sorte, talvez faltou um pouco de sorte porque até hoje eu não cresci, mas eu sou um representante muito respeitado tanto pelo pessoal do laboratório, que sabe o meu desenvolvimento, o meu potencial. Sempre o meu setor é aquele que apresenta melhores resultados, tanto que estou até hoje no Aché.

P/1 – Como foi receber essa homenagem hoje?

R – Olha, a gente fica... essa noite eu fiquei pensando: 10 anos, passou tão rápido, até se preocupa como o tempo passa rápido. Cada vez que passa, eu me apaixono mais pela empresa que eu trabalho que é o Aché. Em casa todo mundo gosta do Aché, porque quando eu falo: “ Às vezes uma crise acontece, será que o Aché vai ter condições de manter a gente?” Todos os meus filhos se assustam: “Nossa pai, você não pode sair nunca do Aché.” Então é um amor em conjunto que minha família e eu temos com o Laboratório Aché, tanto que nunca passou pela minha cabeça sair nem trocar por outro laboratório, porque tem vários laboratórios precisando de representante. Já fui assediado pra sair daqui, mas estou aqui e pretendo continuar.

P/1 – Nesses 10 anos o senhor observou muitas mudanças aqui no Aché?

R – Nossa, a mudança no Aché é coisa rotineira aqui, sempre procurando o melhor. Mudança de setor. Eu já trabalhei em mais de 10 setores, em 10 anos eu trabalhei em vários setores, que eu acho que é prejudicial porque eu acho que a gente deve se manter num local só, porque a gente começa a pegar vínculo com os médico e às vezes tem que trocar de local e começar tudo de novo. Mas o Aché está sempre mudando, procurando aperfeiçoar melhor, sempre tentando melhorar e cada vez crescendo mais, como foi até hoje. Quando eu entrei no Aché em 1991, não era essa potência que é hoje.

P/1 – Pra encerrar, eu queria perguntar se tem algum fato marcante na sua trajetória aqui no Aché há 10 anos? Enfim, alguma coisa que tenha ficado.

R – Coisa marcante? Pra mim todo dia é marcante, mas nada especial que me lembre agora.

P/1 – Eu queria agradecer sua participação.

R – Eu quero agradecer a vocês essa oportunidade de dar esse depoimento. Obrigado a todos vocês e ao Aché também por dar essa casa maravilhosa pra continuar trabalhando, só tenho a agradecer.

P/1 – E parabéns pela homenagem.

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