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VIAJE COM AQUARELAS: Monte Pascoal, na memória de suas folhas, a memória de nossas raízes

História de: Jacky Castilho
Autor: Jacky Castilho
Publicado em: 20/04/2020

Sinopse

Sempre tive curiosidade de conhecer a História e a Geografia, que nos foi ensinada na escola, de fato. E junto com a predileção por lugares com natureza, surgiu a vontade de conhecer os Parques Nacionais Brasileiros. Viagens que fazem parte do projeto de uma vida. Senão todos, pelo menos alguns que estão de acordo com nossos recursos. Desde o final da década de 1990, tivemos o prazer de conhecer: Abrolhos, Pantanal, Monte Pascoal, Canastra, Caparaó e Araguaia, até o momento. Mas conhecer os parques, viajando sozinha ou compartilhando a aventura com a minha família e com amigos, ainda é muito pouco. Embora apresentem belezas naturais exuberantes, necessitam de tantos recursos para sua continuidade e preservação, que dar visibilidade a eles por meio de aventuras postadas aqui no Museu da Pessoa, podem contribuir com sua proteção. As aquarelas surgiram da tentativa de captar a magia que vem com a água local e que nenhuma máquina fotográfica ou celular conseguem exprimir. Assim o projeto de vida "Viaje com as Aquarelas pelos Parques Nacionais Brasileiros" tornaram-se mais que excursões, transformaram-se em viagens de autoconhecimento.

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História completa

O Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal localiza-se no extremo sul da Bahia, reserva de índios da etnia Pataxós, tornou-se símbolo do “BRASIL 500 ANOS”, por ter sido e ainda ser a primeira terra que se avista do mar pelos navegadores. Lugar de extraordinária beleza que se mostrou diante de Cabral, e que merece ser descoberto por todos que se preocupam com os últimos redutos de Mata Atlântica nativa e com sua preservação.

 

Um passo de cada vez

Embora o relevo do Parque seja plano, o Monte Pascoal tem um relevo íngreme e por isso destaca-se na paisagem. Como em uma aula avançada de step, fomos embalados pelo clima agradável da floresta, muito similar ao dos “condicionados” de Banco, a cumprir um percurso atlético de 1.500 m por degraus naturais de raízes. Entre eles e as poucas áreas planas, a subida revelou desde musgos, líquens, cogumelos, orquídeas derramadas a árvores com folhas com mais de dois metros de comprimento, cipós da grossura de troncos, variedades de bromélias, samambaias, pequis, ipês amarelos, pau-brasil, canelas, embaúbas, oitis, palmeiras, palmitos juçara, sapucaias, imburanas e gameleiras de raízes tabulares ... Ah! Se estivéssemos condicionados ao respirar da floresta... não teria sido tão difícil essa caminhada. Foram três horas de “suar a camisa”. Todavia, o esforço foi recompensado com a surpresa no platô do Monte, um pé de jaca! Como um pé de jaca? Alguém a levou de merenda, e a fertilidade da floresta encarregou-se de transformar a semente em uma enorme jaqueira, esplendorosa em meio às árvores pioneiras e secundárias e aos insetos desmedidos, como um gafanhoto de quinze centímetros que vimos nesta linda paisagem.

 

Para bom entendedor

Diante da secção de um dos troncos caídos pelo caminho encontramos anéis de crescimento, correspondentes à idade da árvore; mas que para alguém mais objetivo poderia significar outros eventos, como: chuvas, ventos, incêndios, quedas de raio ou outros acidentes atmosféricos, podas de transeuntes e cortes ilegais. Por fim, entre árvores de 40 m ou mais, faltou mencionar o Majestoso Pequi! Com diâmetro que precisaria de uma corrente de vinte pessoas de mãos dadas para abraçá-lo. Decodificado por alguém introspectivo, para este ficaria outra percepção, a de o Pequi, em simultaneidade converge e aterra energia, ao mesmo tempo em que expande essa energia em raios de ação, por meio de suas ancestrais e prolongadas raízes. Magnético Pequi! Monte Pascoal um lugar impressionante.

 

Excursões na natureza e incursões na alma

A excursão de subida ao Monte Pascoal ocorreu no ano de 1998, e embora estejamos em 2020 ainda lembro-me de alguns princípios que por lá experimentei. O resplendor da Mata Atlântica originária e o ciclo da vida que se recicla...Uma lição composta de 500 anos de folhas, no mínimo... caindo, nutrindo e/ou protegendo o solo; pois cada folha que cai, a pedra lá existente, o animal que morreu repõem o solo dos nutrientes que os mesmos, pedra, folha e animal necessitaram para existir. Essas folhas são também bibliográficas, já que naquele local é possível sentir na memória de suas árvores, a memória de nossas raízes.

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