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História

Vestindo a camisa da Ambev

História de: Carlos Alberto Macário da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/12/2006

Sinopse

Nasceu em 17/4/1951, em Recife. Trabalhou na Unidade de Olinda duas vezes: a primeira de 1984 a 1990. Voltou em 1991 para trabalhar na Unidade da Antarctica em Natal. Desligou-se em 1999 e voltou no mesmo ano. É voltado para a área administrativa, especialmente custos.

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História completa

IDENTIFICAÇÃO Nome, data e local de nascimento Meu nome completo é Carlos Alberto Macário da Silva. Nasci em 17 de abril de 1951, em Recife. TRABALHO Ingresso na empresa/Trajetória profissional Eu conheço a Companhia desde 1984. Só que nesse período eu saí da Companhia duas vezes. Trabalhei aqui na unidade de Olinda de 1984 a julho de 1990. Eu tentei montar uma empresa pra mim, uma microempresa, e passei só um ano fora. Em 1991 eu fui convidado para trabalhar na unidade do Rio Grande do Norte onde, na época, a Antarctica tinha comprado a Cerma. Então nós fomos. Me convidaram, eu fui pra lá em 1991, e fiquei até 1999. Na época que eu fui pra Natal já se produzia lá o refrigerante, e estava-se em construção a cerveja. Na época eu trabalhava na parte do custo. Então, como não tinha ninguém para trabalhar na área de custo, não havia conhecimento, aí fui convidado pelo Paulo Queiroz, que trabalhava aqui antes, na unidade de Olinda, e eu fiquei lá até março de 1999. E devido a assuntos particulares eu solicitei o meu desligamento, e no dia 31 de março de 1999 saí da empresa. Em primeiro de maio eu entrei na Antarctica de Olinda Eu trabalhava numa construtora. Então naquela época emprego tinha. Você pegava o jornal, a oferta era grande. Então eu vi o anúncio no jornal, uma empresa tal, que por sinal foi até numa agência de emprego. Não citando a empresa, mas a diferença era pouca. Mas como eu tinha vontade de conhecer novas empresas, eu fui numa agência de emprego, e lá eles me falaram “É na Antarctica”. E a diferença era mínima. Vim, fiz o teste, o pessoal gostou do teste que eu fiz, fiquei. Na época, quando eu entrei, eu fui, assim na época da Antarctica nós tínhamos várias carteiras. Por exemplo, tinha a Emif . Emif era Emissão de Ficha. Ou seja, você trabalhava “Selips” hoje não existe mais. Você datilografava débito, crédito, valor, histórico, e mandava pra contabilidade, é a chamada Emif . Então eu entrei como Auxiliar da Emif . E meu sucesso foi melhor, passei a ser encarregado da Emif. Isso num período assim de menos de um ano eu comecei a progredir aí na Companhia. Depois fui convidado a ser encarregado ou da carteira fiscal ou da carteira de custo industrial. Só que fiscal era pra ler muito, você tem que estar sempre acompanhando os artigos, a legislação fiscal tem que estar sempre... E eu optei pelo custo industrial. Trabalhava mais com cálculo, matemática, e eu optei pelo custo. Fiquei, trabalhei no custo, foi quando, no custo, eu fiquei mais ou menos uns três anos. Foi quando, em 1990, eu tentei colocar pra mim uma microempresa, um depósito de bebida. E na época o contador, que era o José Carlos, eles não queriam nem que eu saísse da Companhia, tentar conciliar os dois. Mas é aquele negócio, você quando coloca uma coisa na cabeça, você quer ter o seu empreendimento, você mesmo quer tomar conta, não é verdade? Aí foi o que eu fiz. Pedi desligamento da Companhia contra a vontade deles, mas só que não deu certo. Capital de giro você sabe, na época não era fácil, né? Aí foi quando eu fui convidado para ir pra Natal. A Companhia, pra onde você for ela é um padrão só. Quer dizer, se você está aqui no Nordeste, vai pra São Paulo, não tem diferença nenhuma. Então eu já conhecia todo o sistema da Companhia. Por sinal na minha área, que era a área de custo, não havia diferença. Só que o meu conhecimento já era grande e a opção, por eu escolher, que eu tinha saído da Companhia, já tinha conhecimento de todo o serviço, foi grande e eu não tive dificuldade nenhuma. Tive dificuldade no sentido de locomover a família. Por Natal, Rio Grande do Norte ser um estado turístico, o custo de vida lá não é fácil. Também na época a Companhia não dava essas condições todas porque eu não fui transferido. Se eu tivesse sido transferido eu teria tido ajuda de custo, tinha tido uma ajuda maior. Mas quando eu fui, eu fui aos meus custos. Mas como eu gostava da Companhia, adorava a Companhia, adorava aquilo que eu fazia, e quando você ama você vai atrás mesmo, você sabe disso. Fui com todos os meus recursos e fiquei lá até 1999. PROCESSOS INTERNOS DA EMPRESA Fusão A fusão pra nós ela foi um choque. Foi um choque porque quando você trabalha numa empresa, que você tem uma concorrente, e assim, que existe uma fusão, então a corda vai partir do lado mais fraco. O nosso pensamento foi esse na época. Mas, como eu tinha consciência do meu dever na Companhia, eu cumpria com as minhas obrigações. Pra você ter uma idéia, eu trabalhei nove anos em Natal e passei o quê? Passei um ano e meio sozinho lá, procurando casa, essas coisas todas, colégio de criança, toda essa parte, e eu nunca faltei na Companhia. Todo final de semana eu vinha pra Recife, e na segunda feira eu estava lá. Quer dizer, isso conta. Às vezes você trabalha, mas você, sempre tem alguém observando você. É tanto prova que eu saí da Companhia e retornei à Companhia. Então, na fusão houve esse choque. Inclusive tinha colegas meus, que eu trabalho no PAF, que é Posto Avançado Financeiro, existiam quatro pessoas. Era o Hermano, que era o encarregado da carteira fiscal, Macário, eu, que trabalhava com entrada de notas fiscais, tinha o Mário e tinha, esqueci o outro. Bom, então eram cinco ao todo. Então, quando houve a fusão, muitas pessoas com o choque pegava o crachá, jogava no chão: “Eu não aceito a Brahma mandar”, aquele negócio todo. Porque realmente foi um choque, pra gente que trabalhava na Companhia foi um choque. Mas eu fiquei tranqüilo, não tinha nada a temer porque, da maneira como eu vinha trabalhando eu continuei trabalhando. E tanto prova que, se não me engano no mês de julho de 2000, que nós tomamos conhecimento da fusão, houve uma reunião. Então fizeram o seguinte: “Hermano e Mário vai pra outro prédio, vai ter uma reunião lá”. Então, nessa reunião nós pensamos: “Bom, deve haver, vão explicar a fusão, como é que vai ser, como é que vai ficar”. Mas nós não tínhamos a menor idéia do que ia acontecer, no sentido do esclarecimento devido à fusão. E “O Macário e esse outro colega que eu esqueci, vai lá pro armazém”. Quando chegou lá no Armazém, a Virgínia na época era o “GAF” lá da Brahma, ela, juntamente com o fabricante, ela disse: “Olha, pessoal, vocês que estão aqui no armazém, vocês continuam na Companhia. E todo o pessoal que está lá no prédio da administração vai ser tudo demitido”, inclusive esse colega meu, que eu falei, que ele jogou o crachá porque não aceitou. Dois, três meses depois esse colega meu, na vez que eu fui pra lá ele saiu. Eu fiquei na Companhia, como até hoje estou. É o que eu sempre digo, eu amo o que eu faço, adoro o que eu faço. E por sinal eu tive até, se alguém perguntar: “Você tem vontade de sair de PAF?” Eu não tenho. A mesma coisa que eu gosto de fazer, eu amo o que eu faço. Concorrente não era nem citado aqui dentro. A Companhia tinha a certeza que na Brahma era a mesma coisa. E a minha bebida era Antarctica. Até hoje eu tomo Antarctica, a bebida de preferência. Mas, com o decorrer do tempo, hoje eu estou adorando a Brahma. Então é um dos produtos que eu me sinto bem quando eu tomo. MUNDO DO TRABALHO Greve Houve sim. Na Antarctica nós tínhamos um sindicato muito forte. Quando eu estava em Natal, inclusive nós lá tomávamos conhecimento que o pessoal de Olinda lutava mesmo e tal, de ir contra a empresa, metia o carro de som aí na frente. O pessoal lutava mesmo pelo seu objetivo. E quando eu vim pra cá, eu até me sindicalizei. Quando eu entrei, em maio, eu me sindicalizei. Nunca tinha participado de sindicato nenhum. Mas esse sindicato deveria ser só pra sindicalizar, fazer o cara filiar no sindicato, mas não ir pra porta brigar, que eu não tenho essa... Bom, então o que foi que aconteceu? Mais ou menos em outubro, nosso reajuste era em outubro. Mês de julho e agosto nós já tínhamos conhecimento de quanto seria o nosso reajuste. Só que na AmBev foi o contrário, a gente não tinha conhecimento de como ia ser o reajuste, quanto você iria ganhar, o que ia perder, o que ia, não sabia de nada. Então houve uma reunião fora da Companhia onde participou todo o pessoal. Veio muita gente de São Paulo, gente de gestão, porque o sindicato queria parar. O sindicato queria parar mesmo porque a AmBev não estava... Uns diziam: “É Brahma, é AmBev”, uma confusão medonha. E ninguém sabe quanto é que eles querem dar. Queriam fazer greve. Então, lá nessa reunião, e tinha o chefe meu, todo mundo calado, ninguém se manifestou. E o pessoal do sindicato metendo o pau. E falava em banco de hora, que banco de hora é só pra patrão, o funcionário não tem direito. Então eu me levantei. E muita confusão, o pessoal ia parar mesmo. Eu me levantei, queria pedir a voz, nunca tinha falado em público. Aí eu disse: “Pessoal, é o seguinte. Todos nós aqui temos família, e eu acho que a greve não é legal porque está havendo aí uma”, até eu disse na época, “não sei se é fusão, se é compra, se é venda, eu não sei. Eu sei que nós estamos partindo pra até um desafio, a gente que é da Antarctica, e nós temos que apostar e temos que acreditar na Brahma”. Foi isso que eu falei. Eu não aconselho greve. Eu acho que com isso aí eu ganhei muito ponto porque eu acho que isso é ruim pra Companhia, greve, é ruim pro funcionário. Às vezes você pensa que está tendo êxito, mas a queda lá na frente vai ser grande, tendo a paralisação. E desde o tempo que eu entrei, desde 1984, nunca participei de greve nenhuma. Nunca participei, de dizer: “Você não vai entrar, está em greve”. Nunca aconteceu isso. Se eu não me engano, quando eu estava em Natal houve uma paralisação, e teve outra paralisação quando eu estava de férias, mas eu não participei. Eu até dizia: “Eu nunca senti o gostinho da greve”. Eu até perguntava a mim mesmo. Mas nesse dia, eu não sei, foi aquele impulso que deu em mim: “Pessoal, está todo mundo de cabeça quente, vamos esfriar, vamos apostar”. E eu sei que não houve a paralisação. A reunião, todo mundo concordou em trabalhar e continuou trabalhando. E eu acho que nesse dia eu fui, sei lá, talvez observado na minha... Quer dizer, pessoas influentes, na época contadores, pessoas chefes. Ninguém falou, eu simplesmente fui lá... Dei minha palavra como o que? Como funcionário, como pai de família. Porque quando você olha pra trás você tem que ver que você tem seus dependentes. Foi isso que eu pensei. Eu pensei primeiramente nele. Uma greve vai ser ruim pra gente eu acho que vai. É isso que eu pensei. Então isso aí marcou muito. EMPRESA AmBev Você pode observar que eu não sou novo, eu não tenho ensino superior, mas eu vivo rodeado de pessoas jovens, pessoas universitários, pessoas de 20, 23 anos, está cursando curso superior. Eu não tenho curso superior. Então o quê que eu faço diante desse fato? Eu procuro me esforçar o máximo pra não ficar distante deles. Porque se eu ficar distante deles eu vou me perder. Se eu me perder, não interessa. A Companhia não vai se interessar por alguém que não acompanha o desenvolvimento dela. Na época, até fazendo um pouco de comparação, se eu não me engano em 1986, 1987, por aí, até 1988, nós vínhamos sempre tomando conhecimento: “Olha, a Antarctica comprou a unidade tal, vai abrir uma filial em Teresina, vai abrir uma filial em João Pessoa”. Quer dizer, isso pra gente era bom. Eu ficava feliz, a empresa está crescendo, está aumentando. Hoje na AmBev isso está acontecendo. Quer dizer, aquele mesmo espírito de felicidade, entusiasmo que eu tinha na Antarctica, eu estou tendo na AmBev. Estou vendo a AmBev crescendo, hoje já é uma das maiores cervejarias do mundo. Você vê, colegas meus estão indo pra outros países fazer implantações lá. Isso é bom. Você hoje se orgulha: “Eu trabalho na AmBev”. Quando eu visto a camisa da AmBev eu procuro demonstrar bem aquele nome AmBev, porque você trabalha numa multinacional, numa empresa que tem nome. Eu não me envergonho, muito pelo contrário. Eu não tenho nada a reclamar da empresa, sinto orgulho dela. Eu me esforço ao máximo pra acompanhar esse jovem aí, que está hoje aí tudo, no seu dia-a-dia, tudo cursando, todo mundo com curso superior, 23, 24 anos. É tudo nessa idade. Graças a Deus tem pessoas que me respeitam. Eu procuro, não tiro proveito disso. Muito pelo contrário, se eu tenho respeito é porque eu tenho qualidade. Eu adquiri. Então, como eu vinha na Antarctica eu procuro vim na AmBev. Eu procuro, todas as pessoas me conhecem: “Ah, você que é o Macário, você que é o Macário? Você é bom”. Viajo pra São Paulo, o pessoal me conhece: “Ah, você é o Macário?” Desfila comigo, me apresenta. Isso pra mim é... MUNDO DO TRABALHO Relações de trabalho Bom, nós temos muitos colegas. Na época de Antarctica nós tínhamos muitos colegas, grandes profissionais, grandes amigos. A gente até se emociona um pouquinho porque na fusão muitos optaram em sair, outros foram desligados. Mas nem com isso os adquirentes ou aqueles que continuaram na AmBev, a qualidade da AmBev não caiu. Muito pelo contrário, ela melhorou e muito. Até hoje mesmo aqui a gente tem assim um rodízio muito grande de colegas. Uns ficam aqui, outros vão pra outras unidades. Bom, o recado que eu queria deixar pra os colegas é que acreditem que hoje nós estamos trabalhando numa grande empresa. Eu escuto muitos colegas meus aí, falam de AmBev. Não vamos assim, mas procurem acompanhar o desenvolvimento dela, que a empresa está crescendo. Ela aposta em você, ela te dá condições. Eu poderia hoje estar até em outro lugar, mas eu optei por continuar onde eu estou. Como eu falei antes, adoro o que eu faço, amo o que eu faço. Então é isso que, essa seria o meu recado. Se eu quero falar? Bom, eu posso falar da minha atual gestão, dos meus chefes imediatos, das pessoas, que eu admiro todos eles. Nós temos o Ricardo Melo aí, que é o nosso Diretor, uma pessoa excelente. Tem o Christian, tem a Ana Carolina que é a líder do ADV regional. ENTREVISTA Avaliação Eu acho que é importante. Eu sei que pessoas vão me assistir, pessoas vão me ouvir. É como você ter um filho. Você tem um filho, você educa, passa toda a sua experiência pra ele, e amanhã ou depois ele não vai se decepcionar com o pai. Porque aquilo que eu tento fazer em casa é o que eu faço no meu trabalho. Como quem diz: “Se você é um bom profissional, você é um bom pai, você é um bom colega”. Graças a Deus pessoas aqui não têm nada que dizer a meu respeito, profissionalmente falando. Também nunca trouxe assim de nada pra Companhia: “O Macário estava assim, estava assado”. Muito pelo contrário. Meu caminho é esse, é de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Hoje tenho filhos adultos, praticamente todos eles se criaram. Hoje é AmBev, Antarctica e Brahma, que hoje é a fusão, tem a AmBev. Pessoas aí que está ingressando na Companhia, vocês estão entrando numa boa Companhia, uma boa empresa, que aposta em você, aposta na sua capacidade. Agora, eu posso até dizer, você falou aí, reconversando eu posso, eu só tenho assim um fato a esclarecer. Bota aquilo que tem dentro de você pra fora. Porque às vezes até uma sugestão sua é bem aproveitada. Aí você se cala diante de um fato pra amanhã dizer: “Poxa, se soubesse tinha falado aquilo”. É o que eu procuro fazer, eu sempre gosto de falar. Eu nas reuniões se eu puder falar eu falo. Às vezes eu me emociono muito, que eu não tenho jeito pra falar em público. Agora a pouco mesmo... É isso.

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