Busca avançada



Criar

História

Vendendo produtos para agropecuária

História de: Edvaldo Martins Felipe
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/08/2008

Sinopse

Identificação. A família, de ascendência portuguesa, que comercializava verduras e frutas. A infância e o trabalho como entregador de jornal. A escola e o comércio de Campinas nessa época. Abertura de seu próprio comércio e as viagens que realizava em busca de mercadorias. Condições das estradas brasileiras e a solidariedade entre os caminhoneiros. O processo de fabricação e comercialização de xaxins. A loja da família. Relacionamento com clientes e distribuição de alimentos na cidade. Casamento. Evolução do comércio. Período em que possuiu fazendas de gado. A família e a trajetória de vida profissional.

Tags

História completa

IDENTIFICAÇÃO
Sou Edvaldo Martins Felipe, nascido em 19 de abril de 1943, em Campinas.

FAMÍLIA
Meus pais são Oswaldo Felipe e Júlia Carolina Martins Felipe. A origem de meu pai é portuguesa, o meu avô era José Felipe, de Lisboa e a minha avó era Beatriz dos Anjos Afonso, também de Lisboa. Eles vieram para cá de navio, se radicaram aqui e também eram comerciantes. Eu era o xodó da minha avó Graças a Deus Eles tinham um comércio de atacado de verduras e frutas; ele tinha firma em São Paulo, Campinas e Poços de Caldas. Isso era numa época bem difícil, o meio de transporte era bem precário e ele distribuía. A minha avó morreu trabalhando. Levantou de manhã, estava trabalhando, foi na hora do almoço conversar com o meu pai, teve uma morte fulminante. Meu avô morreu com 98 anos Meu pai começou a trabalhar com meu avô e ficava em São Paulo. Meu avô tomava conta daqui e de Poços de Caldas. A minha mãe, mineirinha de Guaxupé, adorava dar conselho pra todo mundo Ela era costureira de alto padrão - na época existia isso – e ela tinha muita uma freguesia boa. Ela era muito detalhista, fazia um vestido, via os defeitos, arrumava, gostava, fazia as coisas bem caprichadas. Comprava tecido aqui em Campinas Tinha uma boa loja, vendia por metro, ia com a freguesa pra loja, escolhia o pano e fazia tudo. Tudo, ela fazia tudo Na época que o meu pai ficou em São Paulo - não ficou muito tempo não, ficou coisa de cinco, seis anos - e eles vieram pra cá e a minha mãe começou a costurar. Então eles já ficaram aqui. Meu pai ia pra São Paulo mais de trem. Tinha a Anhanguera; só a Anhanguera... Tinha uma estrada velha de São Paulo, mas já tinha a Anhanguera recém inaugurada. Foi aumentando o trânsito, fizeram a Bandeirantes e melhorou muito. Tenho duas irmãs. Sou o do meio, tenho uma irmã mais velha e uma mais nova. A minha irmã é casada com um advogado e a minha irmã mais nova é casada com um engenheiro mecânico. Ele era diretor da Elida Gibbs, divisão da Unilever, e aposentou. Depois entrou na Johnson & Johnson, foi também diretor, e agora está aposentado. O meu filho Edvaldo Luiz Felipe trabalha na IBM [International Business Machines]. Morou no Canadá pra aprender inglês porque aqui no Brasil aprender inglês não aprende, só paga mensalidade e não aprende nada. Ele foi para o Canadá, ficou um ano lá, voltou, já tinha se formado em Comércio Exterior, entrou na IBM e está lá. Está contente, está bem lá. Eu tenho mais quatro filhas. Eu tenho a Renata, que é a mais velha, a Fernanda, que é essa que mora em Curitiba, tem a Carla que é nutricionista e mora em São Paulo e tem a Paula que das mulheres é a caçula. Meus filhos são todos formados.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
Eu comecei a trabalhar com oito anos de idade por orgulho próprio. O meu pai era comerciante e tinha um poder aquisitivo razoável pra época. Eu me sentia envergonhado de pedir dinheiro pra ele pra cortar cabelo, pra comprar um sapato. O que eu fazia? Um dia eu saí com oito anos de idade. Em Campinas, na Barão de Jaguará, tinha um jornal que chamava “A Defesa”. Eu fui lá e arranjei um serviço mais por causa do tamanho, porque eu sempre fui uma pessoa alta. Cheguei lá e falei: “Vocês estão precisando de empregado?” “Nós estamos precisando. Você tem bicicleta?” “Tenho” “ Precisa de um menino pra fazer entrega de jornal” “Então, eu vou entregar jornal” Eu levantava às três horas da manhã. Naquele tempo, Campinas não tinha perigo. Eu morava aqui perto da Frei Antônio de Pádua, perto do campo do Mogiana, hoje é o Cerecamp [Estádio do Campinas Futebol Clube]. Eu descia às três horas da manhã, pegava o jornal e fazia entrega no Cambuí inteirinho. Acabava onze horas, ia para casa, tomava um banho e ia pra a escola, que era na Orozimbo Maia, aqui na Andrade Neves. Eu estava no primário, saía às cinco horas, ia para casa, dormia e começava novamente no outro dia. Comecei assim. Minha mãe falava para mim: “Não, nós te ajudamos, compra...” Eu falava: “Não, eu quero ter o meu dinheiro” Eu tinha orgulho de ter a minha bicicleta, cortar o meu cabelo, comprar o meu sapato, a minha roupa.

INFÂNCIA
Dava tempo de jogar futebol, empinar as pipas, nadar com os amigos, andar de bicicleta nas horas vagas, passear. Aos domingos, depois de entregar o jornal, eu ia de bicicleta até Americana, na Praia Azul nadar Ia e voltava de bicicleta. Dava uns 30 quilômetros. Por causa da idade, eu tinha fôlego. Eu, graças a Deus, tive uma infância muito boa. Jogava muito em amador de Campinas, disputei campeonato na Liga Campineira de Futebol. Não sei nem se ainda tem isso. E nós fazíamos muitos amigos. Amigos da escola... E outra, na vida - um pensamento meu - nós temos as pessoas conhecidas, só que amigos são poucos; você tem que saber quem são realmente seus amigos. Eu tive realmente muitos amigos bons. Infelizmente, a maioria já se foi. Eu tenho, graças a Deus, o privilégio de ter uma boa saúde e até agora não tomo remédio para nada Também nunca fumei, nunca pus um cigarro na boca O meu pai morreu de câncer do pulmão com 62 anos, sofreu seis meses em casa, eu ia todos os dias visitar, levar o que ele precisava, saía de lá chorando.

FORMAÇÃO
Naquela época era primário, admissão para o ginásio e ginásio. Hoje já é oitava série, sei lá, mudou tudo. Eu parei de estudar porque eu achei que eu tinha que trabalhar. Eu achava assim. Eu era um excelente aluno de matemática, geografia, história; eu tinha facilidade. Eu achava assim: o estudo, pra qualquer pessoa, você vai à sala de aula, aprende, chega em casa, você tem que dar uma recapitulada, você gravar aquilo pra quando tiver uma prova; é lógico, você ouviu isso hoje, uma vez, recapitulou, acho que dá pra você assimilar muita coisa e em uma prova você tem muita facilidade de tirar uma nota boa. Eu acho que ainda hoje tem que ser assim. O que eu fazia? Eu ia à aula, chegava em casa, recapitulava, tinha prova, sempre fazia, tirava nota boa, só que chegou uma época que eu decidi ser comerciante e parei. E gosto de ser comerciante.

COMÉRCIO DE CAMPINAS
Em termos de movimento era bem melhor do que é hoje, porque a cidade cresceu, pulverizou muito e o comércio hoje é difícil; não é pra qualquer um. Hoje a pessoa pra ter um comércio, se não tiver um planejamento bom não sobrevive dois anos Era mais o comércio pequeno, mas tinha um movimento bom, você podia vender fiado pras pessoas, marcava no caderno, a pessoa vinha, pagava, era outra mentalidade. Hoje você vê que um cheque não vale mais nada. Muitos valores, hoje... É uma coisa muito insegura.

JUVENTUDE
Eu adorava baile. Eu tive as minhas fases. Eu ia a baile, a minha mãe gostava, eu ia junto com ela; minhas irmãs gostavam, eu ia junto e meu pai também ia. Depois eu comecei a jogar futebol. Eu não fui profissional porque não quis. Joguei em muito time de futebol, gostava de jogar bola, tive as fases boas. Aqui em Campinas tinha o Camões, eu ia muito a Valinhos, no Rigeza. Era diferente, você chegava ao baile, era mais valsa que dançava, bolero, alguma vez tocava algum tango, e tinha aquele respeito, ia mais pra bater papo, dançar. Terminava o baile, todo mundo se cumprimentava e ia embora. Dançar é como andar de bicicleta, você nunca mais esquece Todo mundo se vestia a caráter. Pra comprar roupa tinha a Ezequiel, tinha a Renner... A Ezequiel tem até hoje na Campos Sales Escolhia a beca, gostoso, muito bom.

VIAGENS
A minha família viajava bastante. Usava Kombi direto. Uma pelo custo beneficio porque era espaçosa e levava 10, 12 pessoas. Era bom.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
A loja do meu pai antes era Banca da Semente. Depois, quando meu pai me chamou e falou que eu iria tocar, eu mudei; coloquei Agro Comercial Felipe que está até hoje. O meu pai ficava na loja e eu achava que eu tinha que crescer, construir. Comprei um terreno e construí um barracão na Fernão Pompeu de Camargo onde montei um atacado. Eu já tinha casado. Eu construí o atacado e comecei trabalhar. O meu forte eram aqueles vasos de xaxim Eu ia a Santa Catarina, foi uma brincadeira, eu viajava muito para o sul com o caminhão, porque uma época também eu fiquei uns cinco anos como caminhoneiro, eu adorava viajar. Eu sempre fui de viajar. Até hoje, eu estou na loja, eu fico 12 horas na loja, mas para mim é um martírio. Eu sou o cara cigano, eu gosto de viajar, eu estando na estrada eu posso ficar sem dormir, comer mal, pra mim está bom, e outra, no Brasil eu só não conheço Manaus, o resto eu conheço tudo. E eu estou aqui, estou em Brasília, estou em Belém, pra mim eu estou em casa, eu nunca me alterei, porque tem muita gente que quando sai de casa se altera, quando está longe de casa sente angústia, sente isso, sente aquilo. Eu nunca senti, graças a Deus, eu adoro viajar. Eu comprei um caminhão parcelado, financiado, e falei: “Bom, agora eu vou ser caminhoneiro” Mas é duro. Eu nasci em 43, eu tinha 19 anos. Naquele tempo, as estradas eram horríveis, os caminhões péssimos, você saía na estrada e era uma aventura, o caminhão quebrava, você ficava sem comer, dormia na estrada e era difícil. Eu viajava mais para o Sul. Transportava fruta de mercado a mercado. Chamava Rápido de Fruta. Você tem horário, você não pode dormir; eu tomava rebite - que eles falam - pra ficar acordado. É um remédio dexamil, dexedrine, um monte de remédio pra você ficar acordado. Só que é terrível, você fica acordado... Eu viajava tanto que chega uma hora que você pára o caminhão na estrada, desliga, puxa o freio, olha pra frente e o caminhão está andando; você olha de lado, está parado, é terrível Você sai de órbita Tinha vezes que eu ia até a divisa do Uruguai e voltava. Quando eu chegava em casa, ficava dois, três dias dormindo; só levantava pra ir no mictório e voltava. Ficava sem comer, só dormindo de tanta canseira e stress que tinha. Não podia parar Tomate, pimentão, berinjela, legume, fruta, puxava o que tinha, ganhava dinheiro, mas não era fácil não. Caminhoneiro, não deixa o outro na mão. Na minha época, eu cheguei a ficar com um caminhão pendurado pra tombar, os caras vinham, engatavam cabo de aço, tiravam. Um ajudava o outro, sempre foi assim. Códigos tem; na estrada tem Se tem radar, se a estrada está com problema, se tem carro tombado. Quando você ultrapassa alguém que te dá um toque na buzina pra agradecer. É como hoje você vê na estrada: o cara dá farol pra você, pode ver que tem radar.

COMÉRCIO DE XAXIM
Um dia o meu pai falou assim: “Oh, Felipão, trás pra mim vaso de xaxim” E na Serra do Espigão, lá na região de Santa Cecília, tinha uma fábrica na beira da estrada. Eu parei lá, vi, trouxe o que dava pra trazer. Fui trazendo uma vez, dez vezes. Um dia, o dono... Quem ficava lá era a esposa dele e ela falou: “Olha, o meu marido quer falar com você. Vamos conversar” Eu parei lá e ele falou: “Você não quer levar uma carga lá pra Campinas e você vende lá no atacado?” Eu tinha que ter um lugar pra colocar. Eu aluguei um depósito no Jardim do Trevo e comecei a trazer carga. Deu certo, uma carga, duas cargas daí vinham três cargas por semana. Eu arrumei um vendedor e comecei a vender pelo Brasil inteiro Ele me chamou pra ser sócio, fizemos uma fábrica e foi a maior fábrica de vaso de xaxim do Brasil Nós tínhamos 20 tornos; o torno é o vaso, tronco. O xaxim tem uma curiosidade: hoje no Estado de São Paulo é proibido vender xaxim, é crime ambiental, não pode vender. O Alckmin [Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho] sancionou a lei, mas veja, o xaxim é tirado de Santa Catarina, da região serrana. No mundo só existe xaxim em uma faixa do Brasil, que é Paraná e Santa Catarina. Também existe no México, em outro lugar não existe xaxim. Ele é derivada de uma planta que chama Samambaiauçu, um tronco de xaxim, num diâmetro mais ou menos de 60 centímetros demora de 100 a 120 anos para formar. O xaxim, na região é um lixo, um mato que não tem valor nenhum, por quê? Porque as firmas de reflorestamento entram com os tratores de esteira, trator pesado, aquilo vai acabando com todo o xaxim; entram pra replantar o pilo para fazer madeira: a maioria da madeira que nós consumimos é o pilo de reflorestamento. Então, o xaxim, como ele demora muito para formar, é uma planta excelente para plantar samambaia, uma avenca, uma orquídea, o que acontecia? Nós entrávamos antes do reflorestamento e tirávamos todo o xaxim que conseguíamos; industrializava e trazia os vasos pra cá. Ele é um tronco, são cortados os rolos, coloca num torno, adaptado, num torno de madeira, só que ele é adaptado pra segurar com a faca feita de mola de caminhão; ele vira e você vai moldando. É fácil de fazer, você faz um atrás do outro, rapidinho faz. Cada tronco dá um diâmetro. Nós começamos a industrializar e deu certo. Eu cheguei a ter oito caminhões entregando isso, mas caminhão grande, aqueles baús grandes. O que aconteceu? Foi diminuindo o xaxim porque a Klabin vinha pra nós e falava assim: ”Essa área aqui vocês entram, abre a estrada...” Ele dava o mapa, “... e vocês tiram o que pode tirar até tal mês Depois vai entrar a nossa turma e vocês não podem mais entrar” Ia com o trator de esteira, abria a estrada, nós tínhamos caminhão traçado... Traçado é caminhão que, por exemplo, três eixos, três eixos que têm tração, porque a maioria dos caminhões a frente não é tração, só vira. Então, entrava e ia tirando, tirava dia e noite, tinha uma equipe que ficava acampada no mato, lá é terrível, chega a dar seis graus abaixo de zero; e tinha equipe que dormia no mato, ficava mês e mês lá, só trabalhando com isso, ele puxava na estrada com o trator, nós íamos no caminhão, puxando dia e noite e nós industrializando. Eu ganhei dinheiro, deu pra equilibrar a vida, aí foi ficando ruim. Quando foi em 94, o meu sócio comprou uma fazenda em Sorriso, no Mato Grosso, na Cuiabá-Santarém, o negócio já começou a ficar meio ruim, porque ele tocava lá, eu tocava aqui, estava em harmonia, ele quis ir para o Mato Grosso, o negócio balançou. E outra, quando você vai terminar um negócio, você tem que abortar na hora, não adianta ficar protelando, eu cheguei a falar: “Vamos fechar, acabar com isso aqui e pronto” Acabamos, ele é meu amigo até hoje, vou lá no Mato Grosso na casa dele, acabamos o negócio e eu parei com o xaxim, eu só fiquei com a loja, mas também foi por causa da idade também, você vai ficando cansado, eu estou com 64 anos, trabalho 12 horas por dia. Sábado é cruel, você trabalha de arrasto Eu não tenho vergonha de falar, com a saúde que eu tenho, você chega no sábado tão cansado que você não vê a hora de descansar. Graças a Deus, deu pra cuidar dos filhos, deu pra tocar a vida.

AGRO COMERCIAL FELIPE
O meu pai ficou doente e eu já estava mais perto dele. Tinha o atacado e eu fiquei com a loja. Fiz inventário, as minhas irmãs ficaram com as outras, fizemos as partilhas, tudo direitinho e pronto. Hoje, eu vendo sementes, adubo, inseticida. Porque a verdura nós paramos. Foi mudando aos poucos. O problema da verdura é que é uma venda... Você quer fazer um canteirinho de rúcula na sua casa, você vai comprar quanto de rúcula? Um punhadinho, você não vai comprar um kilo É uma venda técnica. Não adianta eu chegar pra você e falar: “Não, leva 100 gramas, um kilo” Você não vai levar, você não vai precisar, você vai levar um pouquinho porque um pouquinho dá um canteiro. Uma colherzinha de semente de alface, você colhe 500 pés de alface, rende muito E tem o adubo que você tem que usar certo, e mais doméstico, tem chácara, sítio, usa pouco, não é a lavoura grande. Então, eu fui mudando. E outra, verdura se você não vender hoje, amanhã pode jogar fora, a maioria estraga, você pega um pé de alface, colhe, se você não botar num lugar adequado daí a duas horas não serve para mais nada O problema hoje, acho que é do Brasil inteiro, a vida mudou muito; mudou pra você, mudou pra mim, mudou pra todo mundo. Nós ganhamos, ganhamos, agora eu te pergunto, sobra alguma coisa pra você? Está todo mundo no mesmo barco Hoje no Brasil, é lógico, chegou a tecnologia, melhorou muita coisa, só que naquela época você trabalhava e via o resultado. Você trabalhava um ano e você falava: “Bom, no fim do ano o que eu comprei? Uma casa, um terreno” Hoje você trabalha dez anos e você não compra um terreno, por que? Porque hoje tudo é caro, conta de água, conta de luz, telefone... Você vai ao supermercado, você não compra nada e a conta é lá em cima, quer dizer, ficou difícil. Hoje pra se viver é muito caro, você ganha, ganha, tudo bem, só que não sobra nada Hoje os impostos são terríveis, a carga tributária é muito alta. Vamos analisar no geral, no comércio, você ganha 500 reais, vai te sobrar 10, 15 reais, porque o resto come tudo em despesa. É cruel, é muito difícil

FORMAS DE PAGAMENTO
Cheguei no tempo do caderno, da caderneta, e o pessoal pagava, honrava. Hoje é um perigo, o que eu pego de nota falsa As que mais aparecem são de 100, de 50, e de 10 reais. As de 20 não. É todo dia Você tem que ter a maquininha, você pegou essa nota, põe na maquininha, é certeza que é falsa Quando você chega para o cliente e fala: “Vem cá, onde você pegou essa nota?” O cliente assusta; às vezes, ele sabe e, às vezes, ele não sabe. Por que você conhece uma nota falsa? Você não conhece. Vai num banco, saca, vem uma no meio, chega uma pessoa pra você e fala: “Não, essa nota é falsa, onde você arrumou?” Um dia, um cliente chegou na loja, comprou a mercadoria e me deu uma nota de 100. Eu pus na máquina, era falsa. Quando eu perguntei pra ele: “Onde você arrumou essa nota aqui?” Ele catou a nota da minha mão e saiu correndo da loja Agora o que eu vou pensar? Eu não sei se foi ele que sabia da nota falsa ou se ele ficou com medo de ser preso, alguma coisa. Hoje uma coisa boa para o comerciante é o cartão de crédito. O cartão, o dinheiro de plástico. É muito bom. Eu tenho, funciona, só que nós percebemos que a pessoa que está com o cartão no bolso não pensa muito pra gastar não. Eu acho que a mentalidade é essa: “Meu cartão vai cair dia primeiro, hoje é dia oito, se eu gastar trinta e gastar cinqüenta, é a mesma coisa” Não é, porque dia primeiro ele vai ter que pagar lá; aí é problema da financeira, não é mais conosco. Então é o dinheiro do futuro Por causa da garantia. O cheque hoje não tem mais garantia; o cheque hoje não quer dizer nada. Tem cheque que você consulta agora, você deposita o cheque amanhã e não tem problema. Hoje a taxa de administração do cartão, por comerciante, gira em torno de - dependendo do giro - de 2 a 3,5%. Eu acho errado, eu acho que não devia cobrar nada ou cobrar alguma coisa menor. Existe o débito e o crédito. Funciona assim: o seu cartão é dia cinco, o crédito, o que você comprar ao longo do mês vai cair dia cinco Cartão de débito é no outro dia, é como compensar um cheque. Eu passei hoje, fiz um fechamento, amanhã já está na minha conta, não tem encrenca nenhuma, não tem esse negócio de esquecer de depositar. Dá garantia, mas tem um custo, 3,5%, eu pago Passou lá, 3,5% é da financeira.

SUPERMERCADOS
O comércio era diferente. Depois que entrou o supermercado mudou, foi uma revolução no comércio e hoje o supermercado é um segmento mais amplo, mais completo. Se você tem cash pra montar um comércio forte, você vai montar, que se dane o concorrente, isso é a lei da oferta e da procura, lei do comércio. Muitas firmas que existiam antes do supermercado hoje não tem o porquê existir, porque hoje você vai para o supermercado e ele faz concorrência com muita coisa. Muito segmento. Você vai ao supermercado, você compra uma televisão, uma geladeira, a linha branca, que eles falam, você tem um leque muito grande. O supermercado quando entrou já mudou tudo, já começou a mudar Pra qualquer um de nós. Eu vou para o supermercado, ele vai, você vai e tal. O supermercado não faz nada bonitinho pra ninguém, não. Eu fiz um curso de administração de empresa intensivo, nessa linha de venda, o supermercado trabalha com um leque grande e eles põem 20 produtos chamarizes, que é arroz, feijão. Ele compra um saco de arroz por um real, ele vende por noventa centavos, pra chamar você pra ir lá, ver que ele está vendendo arroz barato. Só que você vai comprar lata de outra coisa e você vai pagar mais caro do que qualquer outro lugar. Aí é problema do comprador. Ele que vai ter que garimpar pra ver se é barato ou não O supermercado tem essa armadilha e a maioria das pessoas não vê isso; eles chegam, vão catando, vão pondo no carrinho, chega lá, paga, passa o cartão, pronto. Quando sai, você comprou aqui um item, você pagou no supermercado três e vinte, você sai na cidade está dois e noventa, você fala: “Paguei mais” Milagre ninguém faz

COMÉRCIO DE CAMPINAS
Naquela época era empório, armazém. Nós comprávamos mais essas coisas nos bairros e Campinas era pequena. Quem morava no Cambuí, morava longe do centro. Hoje o Cambuí é centro. Eu fui criado aqui perto do Mogiana, no Guanabara, da linha férrea que agora está desativada, na Barão de Itapura. Dali pra cima era tudo terra; o Castelo, lá pra cima, tudo terra, buraco na rua. Quando asfaltou foi aquela alegria: ”Nossa Agora nós estamos morando na cidade” Ali onde eu morava, no Mogiana, da Barão de Itapura pra cá era o comércio; dali pra cima não tinha quase nada. Cada bairro tinha um tipo de comércio. Padaria era mais no centro da cidade.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
Eu tive uma padaria durante um ano e oito meses. Foi o pior negócio da minha vida Porque a despesa da padaria era mais do que o lucro. Naquela época, o pão era tabelado e vendia muito fiado Eu tinha 250 cadernetas. Herdei 250 cadernetas de fiado. Quando tinha a caderneta, o cliente ia lá e falava assim: “Me dá meio quilo de presunto, meio quilo de queijo.” Tudo na caderneta. “Cinco litros de leite.” E o pão todo o dia. Chegava na hora de receber, eu recolhia as cadernetas dia 31, tinha que pagar até dia 10, metade pagava, metade não pagava. Você ia cobrar: “Não tenho dinheiro” “Calma, espera aí, você comeu, você gastou, você tem que ter consciência.” Não tinha cartão de crédito. Hoje acabou, não deu certo, vendi, perdi. Tive fazenda em Goiás durante 14 anos. Era uma fazenda de cria e recria. Cria e recria o que é? Você tem as vacas, cada 30 vacas, um touro. O bezerro que nasce, você vende os machos e fica com as fêmeas. As vacas, pra cada oito crias, você vende para o descarte, para o açougueiro. Também não gostei, péssimo negócio, as contas não batem Durou 14 anos. De sofrimento, passando raiva E na hora de vender o gado, você vende o gado fiado, não recebe, se você pega o cheque também não vale nada, é um negócio horrível No comércio, todo dia se está com dinheiro, vai pagando as contas, vem, entra dinheiro, você paga. Na fazenda, na hora que você vai vender o gado, não cobre a despesa. Nasce bezerro, você fala: “É lucro” É lucro nada porque quando ele nasceu, já comeu o lucro. É cruel. Eu sempre fui uma pessoa organizada, nunca tive protesto, meu nome é limpo na praça, minha firma é boa, e na fazenda eu vi que o negócio não era bom porque as contas não batiam. Eu acho que fazenda hoje no Brasil é um negócio que não sei pra quem é bom A minha que era de cria e recria, o meu lucro era vender bezerro macho e vaca descartada. Depois de a vaca ter oito crias você pode vender; o bezerro você vende pra quem vai por o macho pra engordar e a fêmea para reproduzir também. As fêmeas, a maioria ficava com ela para o plantel. O touro, a cada dois anos você tem que trocar. Você tem um touro aqui, ele está cobrindo a vaca, se você não trocar daqui a dois anos, ele começa a cobrir as filhas dele, míngua o gado. Na região, sempre o seu gado é melhor do que dos outros. Eu via lá e falava: “Fulano, eu tenho cinco touros pra vender, quantos você quer?” “Tanto” O dele era mais caro, o meu era mais caro, eu pensei bem e falei: “Se você precisa trocar touro e eu preciso trocar, porque nós não trocamos sem mexer dinheiro?” Eu ia lá e falava: “Eu tenho cinco touros pra trocar, você tem cinco aí pra trocar comigo?” “Tenho” “Vamos trocar.” “Não, o meu é mais bonito que o seu...” “Espera aí, o touro também tem a idade fértil dele, você olha nele, você sabe a idade mais ou menos. Vamos fazer o seguinte, você pega o padrão dos cinco touros seus, eu pego o padrão do meu e analisa, deu certo, vamos trocar, não fala em dinheiro.” Os caras achavam que era absurdo fazer isso. Eu pus na cabeça e a primeira vez trocou, um foi falando pro outro, trocando, trocaram o touro, pronto Resolvia o problema porque você ficar com o touro só pra dizer que ele é bonito e ele te dando prejuízo, não adianta. Eu sei que fiquei 14 anos, ganhei na compra pra venda com as benfeitorias que eu fiz. Eu fiz 98 quilômetros de cerca, fiz casa, curral bom e arrumei, melhorei a fazenda, paguei “x”, vendi por “y”, deu lucro na compra e na venda, só que o resultado econômico financeiro péssimo, horrível. Na minha região, quando eu comprei, chegava um vizinho meu: “Quantas cabeças de gado você tem?” Você fala: “Tenho cinco mil” Depois de 14 anos: “Quantas cabeças de gado você tem?” “Tenho 200” “Mas cadê o resto?” “Cadê o carro novo que você tinha?” Está velho, quebrado, tudo danado, você não sabe falar nem pra onde foi o dinheiro. O meu sonho, quando eu tinha lá pelos 20 anos, era ser piloto de avião, só que eu fui atrás e era um curso muito caro, era semelhante a um curso de medicina hoje, ou talvez mais caro. Eu vi que não tinha cash pra isso e descartei, não adianta. Mas sou feliz em ser comerciante. Tenho uma família boa, maravilhosa, agradeço a Deus, não tem ninguém doente, ninguém em cadeira de rodas, ninguém com problema de nada Meus netos, meus filhos, graças a Deus

DESAFIOS
O pessoal fala muito de inflação. Para o comerciante, uma inflação média é boa. Agora, a inflação alta é terrível, é ruim pra todo mundo. Só que agora dizem que não tem inflação, só que não tem conversa... Por que eu pergunto pra você, você acha que as coisas não sobem? Quando a inflação dá 2%, que eles falam que dá, a mercadoria subiu 20, então tem inflação, é inflação camuflada. Outra coisa no Brasil que é errada é o bi-tributo. Nós temos tantos bi-tributos que você não acredita, porque você tem o seu carro e você é obrigada a pagar o IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] do carro e você paga pedágio. O pedágio é caro, é terrível. Você pega um caminhão na Anhanguera ou na Bandeirantes, em São Paulo, e vai até a divisa de Minas que é Uberaba. Um caminhão que arrasta 25 toneladas gasta de pedágio - vamos fazer uma suposição - 200 reais; daí mais 150 de combustível. Eu pergunto, está errada a conta ou não está? Por quê? Você pega o seu carro daqui de São Paulo, você gasta 10 e 60 de pedágio e oito de gasolina, tem coisa errada ou não tem? Como o pedágio é mais caro que o combustível que você está gastando? Você já pagou o pedágio, o pedágio é um bi-tributo Isso tudo influencia no preço dos produtos.

PRODUTOS
A semente, 90% vem dos Estados Unidos, região da Califórnia. Outros 10% vem da Europa, de países como Itália, França, Dinamarca. Eu compro de um importador. Antigamente, o Brasil produzia sementes só que ficava mais caro do que comprar lá fora. Sabe por quê? Porque tudo no Brasil custa mais caro, é super faturado. Flor também. Flor o forte é a Europa, vende razoável. A flor é uma planta bonita, mas pra você cuidar dela não é fácil. Só quem gosta mesmo e tem tempo. O adubo compro aqui. É misturado, é o NPK. Também é a matéria-prima, é tudo importada. Os maiores importadores são São Paulo e Rio de Janeiro. Eles importam em tambores grandes e depois embalam latinhas de 100 gramas; vem com rótulo, tudo direitinho. A venda de semente é hoje igual a venda de farmácia, toda a semana tem que estar repondo, não adianta estar comprando um monte. É uma venda técnica, não adianta eu comprar dez quilos. E tem vencimento também; venceu, eu tenho que jogar fora. Tem um prazo de validade. A legislação anterior era de três anos. Hoje é dois anos. Eu faço o pedido e a transportadora trás. Ás vezes uso o fax, depende da pressa. Se for esperar o vendedor, às vezes você fica uns seis meses sem comprar Internet não uso. Sou do tempo antigo, nem computador tenho na loja; só em casa.

CASAMENTO
Eu sou casado pela segunda vez. Eu casei muito novo, da primeira vez. Eu tive primeiro a Renata, depois de quatro anos veio a Fernanda, essa que mora em Curitiba. Não deu certo o casamento, achei melhor separar. Separei, dei uma casa para ela, fiz tudo que tinha que fazer e fiquei quieto. Depois eu conheci a minha segunda esposa, a Maria Cacilda, no mercado. Ela trabalhava em uma loja perto da do meu pai. Eu nem parava muito lá, foi a época que eu viajava e um dia, conversando, meu pai falou: “Estou precisando arrumar uma funcionária” Ela entrou para trabalhar, eu ia viajar, eu estava sozinho e falei: “Separa umas contas pra mim” Deixava dinheiro pra ela pagar e eu ia viajar. Depois começamos... Eu tive três filhos com ela. Duas meninas, a Carla, a Paula e o Edinho, o caçula é homem. Tenho cinco filhos, quatro mulheres e um homem. Nós nos damos bem, a minha primeira esposa é viva, não temos nada de problema. Vivemos bem, vivemos todos em harmonia, não tem problema nenhum.

FUNCIONÁRIOS
Tenho um só Eu Estou naquela fase, 64 anos, esperando São Pedro dar a marretada (risos)

PROPAGANDA
Eu fazia propaganda numa época, mas o meu segmento, acho que não precisa. Eu não quero aumentar, não quero crescer, quero ficar do jeito que está até eu ir embora. Acho que é besteira, a propaganda porque é cara, fica inviável.

SUCESSO
A loja era do meu avô, depois ficou pro meu pai e depois para mim. Eu acho que está lá no Mercado desde 1925, por aí. No mesmo lugar. O sucesso do comércio é o bom atendimento, amizade. Você vai comprar lá e eu tenho que transmitir pra você uma amizade, uma coisa boa; eu tenho que conversar com você, dialogar, saber o que você quer, se você está com problema na tua casa, com pulgão na tua planta ou isso ou aquilo. Eu tenho que passar pra você uma confiança e um bom atendimento. Isso que ganha hoje. Hoje tem um problema grave e geral no comércio: têm produtos de vários preços e várias qualidades; você tem que saber vender aquilo que o cliente está precisando e o cliente tem que ter uma consciência também. Muitas vezes, preço baixo não é qualidade. Às vezes, também, preço alto não é qualidade. Tudo existe no mercado e quem tem que ver sou eu. O vendedor tem três produtos: barato, médio e caro. Qual é o melhor? O barato, então eu vou vender pra você o barato porque é o melhor; às vezes, o médio e o caro não são bons, o produto não é de qualidade boa. Eu vou te passar a confiança daquilo que você vai comprar de mim hoje e que vai dar resultado. Amanhã você vai lembrar de mim. Se você tem um restaurante, sabe quem tem que ser bom no seu restaurante? O seu garçom e o seu cozinheiro. Se você vai a um restaurante e é mal atendido pelo garçom, você vai voltar lá? Se você vai a um restaurante e a comida não é boa, você vai voltar? Não é o dono. O dono tem que saber quem ele põe lá pra trabalhar. No meu comércio, o bom é o vendedor que eu ponho lá, ele tem que ser um bom vendedor, senão eu vou perder cliente.

PROMOÇÕES
No meu ramo, infelizmente, não dá para fazer promoção porque os fornecedores também não fazem. Quem tem outro segmento, chega pra você e fala: “Se você comprar dez caixas de lâmpadas eu te dou 20% de desconto, você compra duas, três” Você pode fazer uma promoção, mas o meu segmento, se você comprar uma e comprar 100 é o mesmo preço, então não tem por que

COMÉRCIO DE CAMPINAS
É um comércio forte, tem um potencial muito grande. Mas como campineiro, nascido e criado aqui, como comerciante, o comércio campineiro é meio abusivo quanto a preço. Você compra uma mercadoria em Campinas, você paga dez reais e essa mesma mercadoria, em São Paulo, no preço final, preço final de venda, você paga sete, sete e cinqüenta. Por que essa diferença se o fornecedor seu, que mora em São Paulo, é o mesmo meu? Eu acho que Campinas é uma cidade cara pra se viver Eu tenho um exemplo, a minha filha mora em Curitiba há 15, 16 anos. Em Curitiba, o preço das coisas lá, a vida é muito mais barata do que em Campinas. O centro produtor, a turma sempre fala que é o Estado São Paulo e por que em Curitiba que é no Paraná, está a 500 quilômetros daqui, o custo de vida é mais barato? Tem alguma coisa...

LIÇÕES DO COMÉRCIO
A lição que eu tirei é que tenho cinco filhos, todos eles com diploma universitário. Eu tenho uma filha que é nutricionista, mora em São Paulo. O salário dela dá vergonha de falar Eu tenho uma filha que é formada em Turismo, ela ganha menos do que uma funcionária da minha loja que não tem faculdade, não tem nada No Brasil, nós estamos indo para o caminho errado. O meu genro é médico. Um médico, pra ele começar a ganhar dinheiro na vida... Porque é cruel você fazer 10, 12 anos de faculdade e quando você sai para o mercado de trabalho, você não é valorizado. O investimento, tudo que você vai investir tem que ter um retorno, e o retorno do universitário hoje é muito lento, muito ruim. O comércio, se for ver, analisar as categorias, o comércio é um bom negócio, é viável. Só que tem coisas primordiais no comércio, você tem que ter honestidade, sinceridade e caráter. Caráter você tem que por na cabeça que ninguém é bobo; você tem que cumprir quando você falar uma coisa. Se você deve, você paga. E o importante no comércio é pagar em dia, se vencer dia primeiro, paga dia primeiro, não deixar pra pagar dia dois, dia três. É o sucesso do comércio. Porque a notícia boa anda, a ruim voa. A vida é assim, anda direito na vida que você vai ter as coisas boas, você não fica achando que os outros são bobos, que você é sabido, que você não vai a lugar nenhum; é a minha opinião. Eu passei pros meus cinco filhos isso sempre na vida: “Filho, você está andando numa estrada, você está passando num laranjal, você não pare e pegue uma laranja porque não é sua. Você não põe a mão naquilo que não é seu” Meus cinco filhos foram criados assim e, graças a Deus, até hoje, nunca tive problema nenhum. Drogas? Eu fui criado no mundo, me ofereceram drogas, traficante ofereceu pra mim com caminhão, pra transportar cocaína no meio de carga. O cara falou: “Eu te pago tanto pra você levar?” “O que eu vou levar?” “É uma caixa assim e tal” “Se eu não souber o que tem dentro da caixa, não vai por no meu caminhão” E não punha por dinheiro nenhum. Eu sei que é errado e, então, por que vou fazer errado? Faz errado quem quer fazer, ninguém obriga ninguém a fazer nada errado.

MEMÓRIAS DO COMÉRCIO DE CAMPINAS
Eu acho que é uma coisa boa. Esse livro que vocês fazem, vocês tem que fazer chegar ao público leitor Eu não sei a que preço, mas tem que chegar. Só assim nós vamos conseguir o objetivo, porque não adianta nada você fazer um livro dessa grossura, lindo, maravilhoso, mas ninguém lê Não serviu pra nada porque ninguém leu o livro, ninguém sabe o que está ali dentro. O livro tem que chegar ao povo. Adorei a entrevista. Eu fiquei muito honrado e muito contente de ser lembrado.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+