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História de: Vanessa Trindade Teixeira
Autor: Vanessa Trindade Teixeira
Publicado em: 15/05/2015

Sinopse

Vanessa apresenta sua vida focando na música, nos afetos, nas escolhas dela e das pessoas que estão a sua volta.

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História completa

Vagas lembranças sobre a infância, silêncio, insônia, insegurança. Eu não sei muita coisa sobre mim quando criança, talvez nem agora, mas a vontade de escrever sobre a minha vida era tanta, que arrisquei me perder nessas linhas noite afora. Na minha trajetória, a fraqueza ou tristeza se trata com muita franqueza.

O inicio dessa história, eu não recordo com muita clareza, mas "vambora", com certeza: nascida em 1983, agosto era o mês, um ano de bom gosto para música, de Bon Jovi e Metallica, de Titãs e Sepultura, da doçura da musica "menina veneno", do LP de Paralamas do Sucesso. Foi a primeira vez da novela Guerra dos Sexos e da estreia de Malu Mader na TV, que alguns acham que sou parecida (embora eu me ache mais bonita).

Hoje vejo o passado de forma positiva e tudo me diverte, mas nunca tive essa visão e cresci curtindo Lobão em "Vida Bandida" e "Vida Louca Vida", pelo álbum lançado em 1987, de sua estadia na cadeia. Tão pequena, isso ainda nao indicava que eu seria roqueira, mas nessa estrada, até hoje minha vida permeia. Minha caminhada nem sempre foi angustiante. Até os 10 anos eu ficava com meu avô e minha avó, esta era meio intolerante, mas eu nao tinha muitos planos a não ser com a escrita.

Em 1993 nasceu minha querida irmã mais nova e tudo mudou de vez. Recordo que continuava tranquila, gostava de goiaba da árvore de casa, e ficava horas parada no jardim e na horta, só que as vezes a vila que eu morava fazia falta e sozinha naquele vasto quintal, ja que minha irmã ficava com a vizinha, comecei a ingerir bebida alcoolica de meu pai e até me embriagar às escondidas. Minha mãe nada sabia, mas as vezes sonhava comigo morta.

Eu andava um grande percurso até a escola e após a real preocupação de minha família com uma perseguição de delegado perto, repleto de má intenção, fui transferida, retornando a casa de vovô e vovó. Lar que até hoje me abriga. Voltei ao submundo pelas fitas K7 da banda Raimundos, que me acompanhou de 1994 a 1997. Na oitava serie conheci um grande amigo que me apoiou em meus conflitos internos e vivenciei um momento de abandono da primeira família, ficando sob tutela de uma amável tia, que apesar de não ser perfeita, me ensinou muitas tarefas domésticas.

Em 1998 fui ao Ensino Médio e conheci outros amigos, mas também desenvolvi alguns comportamentos destrutivos. Ja havia sofrido com a perda do meu avô e de um colega de sala e minha avó também falecia. Ouvi muitos conselhos e me escondi nos cabelos e em mais bebida. Em 2000 me permiti ao primeiro namoro e em 2 anos casamos. O rock continuava em meus planos, pois o marido tocava guitarra numa banda, e eu guardo até hoje a vontade de aprender a tocar bateria. A gente sempre saia, bebia e se divertia, mas de repente ele foi pra Marinha Mercante, e eu que era uma jovem radiante como nunca havia sido antes, voltei a me sentir sozinha e delirante.

Em 2007, recém-formada, sofri pelo ex saindo de casa. Fiz algumas escolhas erradas e entre diversas desilusões e tentativas gerei a minha filha, uma grande amiga, que às vezes me deixa dividida entre minhas escolhas e suas necessidades. Hoje é Dia do Assistente Social, mas trabalho numa cidade distante. Aprendi a ser tolerante e me encanto com muitas historias de vida que ouço na minha profissão e mesmo que a minha não seja tão bonita, eu nao abro mão, porque sou protagonista e agora autora, embora ainda esteja em construção.

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