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História

“Vai lá nos Correios”

História de: Myrna Lima Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/07/2014

Sinopse

Nascida em Manaus, a entrevistada Myrna Lima Santos fala sobre a infância na cidade e a mudança para Porto Velho, onde ainda vive. Aos dezenove começou a trabalhar nos Correios, lá começou a colecionar histórias e selos.

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História completa

P/1 – Myrna, você pode falar o seu nome completo, o local e a data de nascimento?

R – Myrna Lima Santos, eu nasci em Manaus, dia oito de maio de 65.

P/1 – Seus pais são de Manaus?

R – Minha mãe é amazonense e o meu pai é goiano.

P/1 – E você sabe como que eles se conheceram?

R – Não sei te falar.

P/1 – Como é que eles foram parar em Manaus?

R – A minha mãe nasceu lá, né, ela é nascida lá e o meu pai foi pra lá, porque acho que lá em Manaus, na época que ele chegou lá tinha o problema de malearia, muita naquela região lá e ele foi lá para herdar a secretaria de… antiga secretaria de saúde.

P/1 – Mas ele foi a trabalho?

R – Foi a trabalho. Dai ele conheceu a minha mãe e ficou por lá.

P/1 – E você ficou quanto tempo em Manaus?

R – Eu fiquei até os 16 anos em Manaus, depois eu fui pra Rondônia.

P/1 – Como é que era a sua infância em Manaus? Como é que era a sua casa?

R – Minha casa era de madeira, eu morava bem em frente a um campinho, pegava muita bola, muita bola mesmo, direto! Era bem na frente do campo de futebol. Estudava bem próximo também, a escola era bem próxima.

P/1 – E você tem mais irmãos?

R – Tenho mais seis.

P/1 – Você é qual dos seis?

R – Sou a quarta.

P/1 – E como é que vocês dividiam, tinha quarto para todo mundo, vocês dividiam?

R – Não, não tinha quarto pra todo mundo. Dormia todo mundo junto. Uns na sala, outros na cozinha, era assim, não tinha quarto pra todo mundo. A gente dormia mais… a maioria dormia na sala.

P/1 – E você brincava com seus irmãos?

R – Muito, de bola. São três homens e quatro mulheres, né, nós brincávamos de bola, muita bola e na época também, a gente brincava muito de cemitério, aquela… jogava a bola e matava.

P/1 – E com quantos anos você entrou na escola?

R – Eu entrei com seis anos de idade.

P/1 – E a escola era perto? Você ia a pé?

R – Bem pertinho, uma esquina de casa.

P/1 – Você lembra das suas professoras?

R – Lembro. Uma se chamava Cleusa, morava próximo a minha casa também, a outra se chamava Rita… foram as duas que mais me marcaram, a Cleusa e a Rita, que até hoje, ainda moram lá, no mesmo lugar também. Mas foi uma infância assim, divertida, de moleque mesmo, de brincar, de empinar pipa, de fazer essas coisas que menino faz, correr, jogar muita peteca, essas coisas que a gente faz quando criança, muito, brinquei muito.

P/1 – E na escola, o que você mais gostava?

R – O que eu mais gostava de brinca na escola?

P/1 – Ou fazer…

R – Era de bola (risos). Eu era…

P/1 – Mais do que estudar?

R – Mais do que estudar, depois que eu fui crescendo, fui reconhecendo que estudar era melhor, mas eu brincava muito de bola, muito! Muito, muito, muito! Eu lembro assim, que tinha uma rua bem na frente da escola, a gente interditava com tijolinhos, né, a gente fazia o gol e a gente ia brincar de bola nesse espaço que tinha, era uma rua asfaltada, ali bem pertinho. E bem perto da escola também, eu me lembro, existia uma bica, um olho d’água, a gente fugia da escola direto para ir pra lá, roubar manga. Tinha um alemão, que ele era dono desse terreno e ele brigava muito com a gente, por causa que a gente ia roubar… do colégio, a gente ia roubar essas mangas lá. Mas era muito próximo do colégio, né, a gente ia lá roubar direto as mangas. Ele costumava reclamar muito na escola porque a gente ia lá direto. Eu fui uma menina muito arteira, eu acho. Lá mesmo nesse local, eu tenho uma cicatriz aqui, que cortou, porque ele correu atrás da gente, eu cai no arame farpado e o arame farpado cortou. Então, eu me lembro assim, de muitas coisas assim, que marcaram, essa corrida, né, desse alemãozinho que cortou aqui, eu tava de uniforme, cheguei em casa, arrematei, mas foi muito divertido, a infância foi ótima!

P/1 – Vocês tiveram algum tipo de formação com educação religiosa?

R – A minha família toda é católica. Agora que eu tenho uma irmã que passou pra outra religião, mas a minha família toda formação… 95% é católico, a gente ia a missa aos domingos, fizemos catecismo, fiz primeira comunhão, crisma, tudo direitinho. Até hoje eu sou de uma igreja, eu participo ainda, sou de um clube lá que ajuda os idosos. Mas a nossa família sempre foi muito religiosa. Até hoje, a minha mãe é muito.

P/1 – Você ficou até quantos anos em Manaus?

R – Dezesseis.

P/1 – E depois você mudou?

R – Pra Rondônia, Porto Velho.

P/1 – Com a sua mãe?

R – Com toda família. Todo mundo.

P/1 – Por quê que vocês mudaram?

R – Porque o meu pai veio transferido para Rondônia, através do Governador Jorge Teixeira, o meu pai trabalhava com ele, ele veio pra cá… foi pra lá, né, pra fazer as estradas, abrir, na realidade, o estado, Governador Jorge Teixeira de Oliveira.

P/1 – Vocês foram abrir o estado? Seu pai participou disso?

R – Foi. Participou disso.

P/1 – Como é que era lá naquela época? 

R – Era um estado, né, que não tinha muita infraestrutura, não tinha estradas, por isso teve a abertura da 1064 e a gente foi fazer também mais ou menos a abertura das ruas na cidade. Nas ruas, esse governador, ele foi o homem que abriu esse estado para os outros estados. Nessa época teve muita imigração pra lá, para o estado de Rondônia, muita mesmo e o estado cresceu com vearias pessoas de outros estados.

P/1 – Você sentia saudades, se adaptou? Como é que foi essa mudança pra você?

R – Sentia saudades dos amigos, assim, os colegas da época, né? muita, muita, muita. Mas depois, a gente foi conhecendo e foi se adaptando, coincidência do destino, lá em porto Velho, eu fui morar na frente de um campinho de futebol, que o meu pai alugou, então ficou tudo em casa, depois, a gente foi se acostumando, se acostumando. E hoje, é uma cidade que eu não troco, talvez, talvez eu possa até trocar um dia, mas agora no momento, não.

P/1 – Você mora lá até hoje?

R – Moro!

P/1 – E ai, na sua adolescência, você tinha alguma coisa assim: quando eu crescer, eu quero fazer tal coisa?

R – Eu queria ser medica, mas na realidade, não deu certo (risos).

P/1 – Por quê?

R – Não deu, porque outros caminhos, meu pai veio pra Rondônia, né, e ai, lá não tinha faculdade na época, nem na Faculdade Federal não tinha, ai a dificuldade era grande, então não deu pra seguir esse caminho. Mas ai, eu me formei também em Administração, segui outros caminhos. Na realidade, nenhum irmão meu que quis formar em alguma coisa, formou no que queria, sempre formou em outa coisa diferente.

P/1 – E com quantos anos você começou a trabalhar?

R – Eu comecei a trabalhar com 19.

P/1 – Qual foi o seu primeiro emprego?

R – Correios.

P/1 – Como é que você entrou para os Correios?

R – Estava em porto Velho já, né, e abriu um concurso para fazer uma prova para trabalhar nos Correios. Na realidade, eu estudava, fazia o terceiro ano no colégio, era próximo aos Correios, ai todo mundo: “Vamos nos inscrever?”, aquela folia, né, “Vamos se inscrever, vamos se inscrever”, ai me inscrevi e passei. Ai, comecei a trabalhar nos Correios.

P/1 – Você começou a trabalhar em quê? Em que atividade?

R – Eu trabalhava no balcão, eu era atendente.

P/1 – Você lembra do seu primeiro dia?

R – Lembro (risos). Muito difícil! Muito, porque na época, eu não sei como era, não tinha esse treinamento que tem hoje, uma preparação toda para a pessoa trabalhar no atendimento, fazer o atendimento, então, eu cheguei lá, eu lembro até hoje quem foi a minha primeira chefe, foi a… o nome dela era Carminha e ela disse: “Você vai receber os produtos aqui e você vai sentar ali. E essa pessoa aqui vai…”, eu lembro também do nome da pessoa que me ajudou, Francisvaldo. “Ele vai te ajudar”. E eu sentei lá no balcão, e ele foi me ajudando, a gente foi pegando a prática dia a dia, se pega o dia a dia, a gente foi. Cada dia, uma dificuldade, é claro, mas foi difícil.

P/1 – Quanto tempo você ficou no balcão?

R – Ah, eu fiquei um tempinho, acho que uns três, quatro anos.

P/1 – Você lembra de algum causo ou algum episodio que tenha te marcado?

R – Eu lembro. Lembro que uma vez, a gente chegou na agência, tinha dado uma chuva! E essa agência que eu trabalhava, ela centralizava entrega das encomendas de toda Porto Velho, de toda Porto Velho, todas as encomendas ia pra lá e deu uma chuva muito grande na cidade, quando a gente chegou, as encomendas estavam todas, todas debaixo d’água assim, tinha alagado a agência, tava muita agua, as encomendas das caixas, elas se abriram todas e a gente colocou… do lado onde a gente trabalhava tinha um local que entregava jornal na cidade, era uma gráfica, ai o rapaz emprestou o local pra gente, a gente botou uma lona, abriu todas as caixinhas lá, com todas as encomendas, selecionamos mais ou menos de quem a gente achava que eram aquelas caixas, umas abriram muito, mas ficou tudo lá assim no chão, pegando sol para entregar depois.

P/1 – Vocês conseguiram entregar?

R – Conseguimos, a gente chegava no balcão e perguntava: “O quê que tem dentro da caixa?” “Minha filha mandou isso, mandou isso…”, como eu te falei, vivia muita gente de outros estados: “Minha filha mandou isso, isso e isso”, ai a gente ia lá: “É isso aqui, mais ou menos?” “É, isso aqui”, ai a gente entregava desse jeito, com a pessoa só pegando o nome e declarando o que tinha dentro da caixa e foi assim que a gente foi entregando tudo.

P/1 – E depois desses três anos?

R – Ai, eu fui chefiar essa mesma agência que eu trabalhava, fui ser chefe da agência, essa agência São Cristóvão, que era o nome.

P/1 – E o quê que você fazia como chefe?

R – Ai, eu coordenava esse pessoal do balcão e mais 16 carteiros. Coordenava, eram 28 pessoas. Ai coordenava todo esse povo e a gente criou uma amizade… muitos já saíram do Correios, muitos já se aposentaram, mas a gente criou uma amizade ainda muito grande. Até hoje, eu tenho alguns assim, que vão lá, falam comigo, dizem que estão bem, que a filha já casou, já tem neto.

P/1 – E tem alguma história marcante de carteiro?

R – Tem, Tem (risos), tem sempre aquele carteiro que diz: “Hoje entreguei uma carta que era de uma pessoa lá, o marido tá aqui, ela vai casar com ele…”, tem um carteiro lá, que o nome dele é Oscar, na nossa cidade. Ele foi padrinho, na realidade, do casamento de uma moça, ela convidou toda gente da agência, a gente foi lá, ele foi padrinho de casamento dela, porque simplesmente, ele entregava as cartas toda semana do namorado dela, que morava, eu acho… acho que era no Rio, aqui, que ela conhecia ele, ele parece que tava interno na Marinha, alguma coisa assim, toda semana ele mandava carta pra ela, toda semana! Ai, o carteiro terminou sendo padrinho de casamento dela. A gente foi pro casamento, fomos pra festa, foi bem legal. Uma historia bem legal. Dos Correios, eu tenho umas historias assim, que eu acho que é uma grande historia, uma grande empresa, são historias maravilhosas.

P/1 – Conta outra.

R – Outra? Pessoas que se casam pelos Correios, né, gente que começa a ter aquela amizade, muita gente se casa, mas se casa pelo… começa a ter aquele amor, acho que é amor em conjunto pela empresa e pela pessoa, ai termina que se relaciona e vivem até hoje. Eu tenho assim, uma… eu tinha uma tesoureira nessa agência, quando eu era atendente, o nome dela era Maria José, ela tinha, na época que eu entrei no Correios, eu acho que ela tinha uns 60 e poucos anos e ela já era aposentada quando eu entrei. Então, ela era uma pessoa assim, de muita fibra essa dona Maria José, uma mulher assim, já de idade, mas que ela já assim, tinha toda força, brincava muito, gostava de tomar uma cervejinha. E hoje, até hoje, ela vai lá nos Correios, a filha dela leva ela lá e diz assim: “Ah, ela queria ver o correios”, vai lá, vê, então são histórias assim de vida que eu acho assim… “Será que eu vou ficar assim?”, eu pergunto: “Será que o meu pessoal vai no Correios?”. Vocês vão me fazer chorar (choro).

P/1 – É, as lembranças trazem isso mesmo! E hoje, o quê que você faz lá no Correios?

R – Hoje, eu trabalho numa sessão de vendas e filatelia, que cuida disso tudo aqui que você tá vendo, esses selos, esses colecionadores, de manter isso vivo, que selo é cultura, que o selo pode transformar você, entendeu? Você pode conhecer a arte de alguma coisa, cultura, através de selos. Isso hoje, a minha sessão, ela cuida disso aqui, de manter isso vivo, mostrar que os selos é cultura e pode levar você numa viagem, você pode conhecer vários países através de selos.

P/1 – Por quê?

R – Cada selo que é lançado conta uma história, cada selo que você lança em qualquer lugar do mundo, ele tem uma historia, por trás desse selo tem toda uma historia de porque você te alancando esse selo, qual a homenagem que você tá fazendo para aquela pessoa, aquela empresa, ou aquela arte, ou aquela cidade. Então, tudo tem uma história. E o correios está tentando manter isso vivo, de você colecionar, de você aprender a colecionar e mostrar para as crianças que isso é cultura, tem uma historia através dessa figurinhas, como se diz, né? Mas tudo é uma história.

P/1 – O Correios tem uma politica de incentivar?

R – Tem. Tem uma politica de incentivar. Tem o Programa Jovem Colecionador, tem os Correios nas Escolas, que a gente faz essa preparação toda na escola, de como colecionar, de como você adquirir os selos, mostrar toda a historia dos Correios, de levar isso para as crianças saber porquê que foi criado o selo, quando foi criado esse selo, porquê que foi criado esse selo. Então, tem essa politica ai, que ainda tá viva dentro da empresa.

P/1 – Myrna, você tem… você, em algum momento, você teve o hábito de mandar cartas, receber?

R – Até hoje, eu ainda mando. Mando e recebo.

P/1 – É mesmo?

R – É. Eu sou colecionadora também, então colecionador sempre tem esse pulo de escrever, escrever e de mandar.

P/1 – Você tem alguma carta que você lembra, que tenha te marcado, que você guarda até hoje?

R – Tenho. 

P/1 – Qual?

R – Quando eu mudei para Porto Velho, meu avô ficou em Manaus. Então, foi a única pessoa que… a gente era sete irmãos, né, e meu avô morava no fundo da nossa casa, no fundo mesmo. Então, a gente tomava café com ele, ele gostava de fazer carne moída, entendeu, pra gente comer com pão, então a saudade foi muito grande e no inicio, isso foi muito ruim pra gente. Então, a gente mandava carta e ele mandava essas carta pra gente, contando que tava com saudade, que queria vim, ai contava, por exemplo, que a mangueira já estava dando manga, que o campo de futebol que a gente jogava bola tinham colocado o muro, que tinham colocado já a rede, que tinham melhorado, que o lugarzinho que a gente ia lá na biqueira do alemão, tinham feito uma ruazinha pra gente passar, entendeu, que era pelo meio do mato que a gente ia, né, que a gente invadia, então… ele ia contando o que acontecia lá no bairro, tudo o que acontecia, ele escrevia e contava pra gente. Ele não gostava de falar ao telefone, porque ele tinha problema de audição, então ele escrevia tudo e a gente respondia através das cartas e eu que escrevia, a minha ame pedia: “Myrna, escreve pra teu avô, conta isso, isso e isso”. Então, eu escrevia pra ele e ele escrevia pra gente todos.

P/1 – Você tem essas cartas guardadas?

R – Tenho, tá em casa, tá na minha casa. eu tenho.

P/1 – E quando que você se tornou colecionadora?

R – Assim que eu entrei nos Correios, eu já colecionava moedas, né, apaixonada por canetas também, até hoje, eu colecionava canetas e moedas. E quando eu entrei no Correios, eu comecei a colecionar selos, foi começando, começando, eu tenho quatro coleções, eu coleciono, eu exponho.

P/1 – Como que é a sua coleção?

R – Eu tenho coleção de Arquitetura Brasileira, Musica e Dança e JK e agora, eu iniciei uma sobre a Elis Regina. Então, são coleções que eu coloco pra expor, mas é mais para divulgar mesmo a cultura…

P/1 – Tem vários selos da Elis Regina?

R – Tem alguns, na realidade, vou fazer sobre cantores brasileiros, mas vou focar na Elis Regina. Tenho alguns já, tenho um de 74, outro de 78, e assim, eu vou pegando.

P/1 – E de quantas Brasilianas você já participou?

R – Essa é a segunda. Participei da de 79, mas não como nos Correios, entendeu, eu vim por fora. Na realidade, estava passando férias aqui e eu vim conhecer, porque eu tenho uma família que já trabalhava no Correios, a família do meu pai, a minha tia trabalhava nos Correios. Então, tem toda uma historia de família que já trabalha no Correios, família do meu pai trabalhou nos Correios. Mas a gente veio passar férias aqui, trouxeram a gente aqui.

P/1 – Aqui no Rio de Janeiro?

R – Isso. 

P/1 – É sempre aqui no Rio?

R – É sempre aqui no Rio. Sempre, a Brasiliana acontece sempre no Rio de Janeiro.

P/1 – E acontece todo ano?

R – Não, é de dez em dez anos.

P/1 – Dez em dez?

R – Dez em dez. De dez em dez anos, só que a Brasiliana, a ultima vez que aconteceu foi em 79, os Correios passou essa temporada toda sem fazer Brasiliana.

P/1 – Trinta anos?

R – Isso!

P/1 – Pera ai, era quando? Setenta e nove…

R – Desde 79, 24 não é?

P/1 – Setenta e nove, 89, 99…

R – Acho queda 24, não é? Trinta?

P/1 – Trinta anos!

R – É.

P/1 – Ficou 30 anos sem ter?

R – Isso! A Brasiliana é uma historia ai já de muito tempo, vinha sendo cobrada, né, varias vezes.

P/1 – E quem participa?

R – A maioria é colecionadores nível superior, a maioria! Tem bons brasileiros nossas coleções. Mas é muito procurada pelo exterior. 

P/1 – E qual que é a posição do Brasil e dos Correios brasileiros na Brasiliana… nessa exposição filatélica, como que ele é visto? Como que são vistos os selos brasileiros?

R – Os selos brasileiros são os mais cobiçados, né?

P/1 – É?

R – É. Os selos brasileiros são aqueles que mais são cobiçados. A filatelia no mundo lá fora, ela é vista pelo Brasil assim, a melhor filatelia que tem é a do Brasil, os selos do Brasil são muito bons, são selos que retratam da flora, da fauna, são selos assim, que são muito cobiçados. Tem outros, tem de Portugal também, que é muito bom, mas os selos brasileiros são os mais procurados mesmo. Lá fora, a filatelia é muito, muito elogiada, a filatelia brasileira, os selos brasileiros. É bem… bem visto. Que é muito bom, é colorido, fauna, flora, eles gostam disso, né, e sobre a cultura também, então eles gostam disso.

P/1 – Quantos selos tem na sua coleção?

R – Nossa! Tem uma que é de três faces, né, que leva 16 folhas em cada uma, suponhamos ai que cada folha tenha quatro selos, ai dá… cada uma, não sei nem te dizer, tem umas que tem quatro, umas que tem cinco selos. Cada folha daquela depende, entendeu, do que a gente vai falar lá embaixo para colocar os selos. Porque como a gente faz a pesquisa, depende do que a gente vai escrever lá, para poder colocar os selos. Mas em média, leva quatro selos por folha.

P/1 – Quais são os seus planos para o futuro?

R – Meus planos pro futuro? Acho que aposentar, viajar (risos) e ver a minha filha formada, assim, meus planos pro futuro é esse. Não perder o contato com o pessoal do Correios, manter esse contato, manter esse contato que eu tenho com os filatelistas que escrevem pra mim, continuar escrevendo cartas, mas assim, mantendo esse contato. Esse é meus planos pro futuro.

P/1 – Myrna, o quê que você acha de contar um pedacinho da sua história pro Museu da Pessoa?

R – Sabe o que eu achei? Acho que emocionou, assim, relembrar as coisas do passado, né, fazia tempo que tava guardadinha lá, principalmente da família, né, e de algumas pessoas que me marcaram assim, no Correios. Essa dona Maria José, esse carteiro, o Oscar, entendeu, são pessoas que estão fora do Correios, mas que parece que o dia deles ainda é Correios, porque eles vão lá, entendeu, perguntam como tá, entram, parece que eles sentem uma saudade assim, a gente fica pensando: ‘será que eu vou ficar assim, também? Com saudades…’, ai eu lembrei da dona Maria José, que é uma pessoa assim, bem velhinha, ela deve ter o quê? Uns 90 anos, acho que ela tem uns 90 anos e a família… ela pede para a filha: “Vai lá nos Correios”, ela quer ir lá, quer ver como é que tá, quer ver o que tem de novidade, se mudou alguma coisa nos aparelhos, a prestação de contas, essa coisa toda, então, a gente se emociona. Pra mim, foi ótimo. Foi bom demais.

P/1 – Quero agradecer.

R – Muito obrigada você!

P/1 – Muito obrigada.

R – Obrigada você.

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