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História

União pela Cerâmica

História de: Marina Gomes da Rosa Cordeiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/02/2021

Sinopse

Infância humilde e brincadeiras da infância. Vida na roça. Trabalho na Agricultura de Tomate. Processo de criação da Associação de Cerâmica. Trabalho na Associação e primeiras peças de barro. Aproximação da Associação com o Instituto Camargo Corrêa e trabalho desenvolvido na parceria. Crescimento da Associação e próximos passos.

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História completa

Projeto Instituto Camargo Corrêa

Realização Museu da Pessoa

Entrevista de Marina Gomes da Rosa Cordeiro

Entrevistada por Fernanda Prado

Apiaí, 18 de Abril de 2001

Código: ICC_H0V23

Transcrito por Paula Leal

 Revisado por Giovanna Borsarini

 

P – Marina, boa tarde.

R – Boa tarde.

P – Pra começar eu queria pedir pra você falar pra gente o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

R – Meu nome é Marina Gomes da Rosa Cordeiro. Eu nasci no dia 13 de setembro de 1971, nasci aqui mesmo na cidade, nessa cidade, Apiaí.

P – E qual é o nome dos seus pais?

R – Eduardo Gomes da Rosa e Josefa (Porquim?) da Rosa.

P – E você sabe a origem da família deles? Eles são daqui também de Apiaí?

R – O meu pai é daqui mesmo, a minha mãe é do Paraná, foi nascida no Paraná.

R – E você sabe como eles se conheceram?

P – Eles se conheceram aqui mesmo na região, porque o meu avô veio do Paraná para cá, e aqui o meu pai e minha mãe se conheceram e acabaram se casando.

R – Certo, e qual é a atividade deles?

R – Agricultor, desde que se conheceram, casaram, sempre vieram da origem agricultura e até hoje eles continuam na agricultura.

P – E plantavam o quê?

R – Produtos de subsistência, sabe? Arroz, milho, feijão, mandioca, batata... Na época eles mexiam muito com safra de porco também, engordavam o porco para vender. Era basicamente com isso que eles trabalhavam.

P – E esse produto que você falou, a mandioca, a batata, eles eram pra vender também?

R – Mais para subsistência, consumo.

P – E você tem irmãos?

R – Tenho oito irmãos, aliás, nove irmãos, né? Tem uma falecida e mais uns três que se criaram junto com a gente, que a minha mãe adotou.

P – Então era uma família bem grande.

R – É.

P – E como é que foi a sua infância? Você se lembra da casa onde você nasceu, como ela era?

R – A minha casa que eu nasci era de barro, coberta de sapê. Era de barro mesmo, barreada, né, que eles falavam, era feita todinha de barro. É nessa casa que eu nasci, inclusive, era num sítio onde os meus pais trabalhavam, aí depois eles vieram morar mais no bairro e construíram uma casa de madeira. Eu não me lembro de ter morado nessa casa de barro, eu já cresci numa casa de madeira.

P – E como é que era essa casa?

R – A casa era de chão batido, barreada, o fogão também era de barro, foi nessa casa que, basicamente, que a minha mãe e o meu pai criaram todos nós, depois que eles construíram uma casinha melhor. A minha infância foi muito, assim, uma infância de gente bem humilde mesmo, sabe? Mas foi uma infância muito gostosa. Os meus pais toda a vida se deram muito bem e foram sempre muito carinhosos, nos educaram muito bem, então a gente foi muito bem criado. Mas eu me lembro que até os meus 13 anos a gente não tinha nem chuveiro para tomar banho, a gente tomava banho de bacia, tomava banho de bica, não existia nem chuveiro, televisão, essas coisas, a gente não tinha.

P – E como é que era a redondeza da sua casa?

R – Também. A região era assim, ninguém tinha nada, era todo mundo muito humilde. Aí depois com a plantação do tomate, né, que hoje o carro chefe aqui da região é o tomate, de uma certa forma trouxe um progresso pra região. O pessoal foi plantando e conseguiram ir construindo casas melhores, conseguiram ir tendo uma vida melhor.

P – E os seus pais chegaram a trabalhar com o tomate?

R – Trabalharam, chegamos a trabalhar. O básico era mais arroz, milho e feijão, né. O meu pai fazia safra de milho, então a gente trabalhou, basicamente mais com isso, mas plantamos tomates também.

P – E quais eram as suas atividades de pequena, assim, de criança? Você com os seus irmãos? Como é que era o dia a dia com todo mundo?

R – Ah, o dia a dia, eu até falo assim, que as crianças não brincam mais como antigamente. A gente brincava, reunia os vizinhos e brincava de esconde-esconde, brincava de roda, né, as brincadeiras de roda hoje não existem mais, brincava de casinha, brincava de boneca… Era uma infância, eu vejo que era uma infância bem diferente das de hoje. A gente era muito feliz na infância da gente, né, e a minha infância foi assim, reunir os amigos, os colegas à noite, para brincar.

P – E vocês tinham que ajudar em casa?

R – Tinha, todo mundo já tinha responsabilidade. Eu desde os 8, 9 anos, a gente estudava sim, né, os meus pais sempre fizeram questão que nós fossemos pra escola. Mas assim que chegava da escola ou quem ia, quem estudava à tarde, de manhã tinha que ficar fazendo serviço de casa ou até mesmo pra roça, eu fui pra roça, com 10 anos a gente já ia pra roça carpir e o que a gente aguentasse fazer a gente fazia.

P – E como é que era dividido, os meninos faziam alguma coisa e as meninas faziam outra ou todo mundo?

R – Os meninos eram mais a parte da roça só, serviço de casa era só com as meninas, lavar, essas coisas, cozinhar, era só as meninas mesmo.

P – Tinha alguma dessas atividades que você gostava mais de fazer?

R – Ai, eu nunca gostei muito de cuidar de casa não, eu gostava mais de ir pra roça [risos]. É que daí a gente se dividia, a gente era sempre em três ou quatro cada dia, porque ninguém gostava de ficar em casa, todo mundo gostava de ir pra roça, então todo dia era feito escala, cada dia era uma que ficava porque quem ficasse em casa tinha que tomar conta de tudo, de baldear água, de cozinhar, de socar arroz no pilão para fazer a janta da tarde, então quem ficasse já tinha que ter toda aquela responsabilidade, então a gente se dividia e fazia escala, um dia era uma que ficava, outro dia era outra.

P – E você disse que cuida da água, como é que era, vocês iam buscar a água?

R – Buscava água no rio, não tinha água encanada em casa. Baldeava água no balde e tinha uma caixa de 250 litros que a gente usava, a roupa lavava no rio, aí ia no rio e lavava roupa, trazia, colocava no varal, aí tinha uma caixa de 250 litros que aquela caixa a gente tinha que encher ela todo dia, pra quem chegasse da roça a tarde tomar banho e iniciar no outro dia pra começar o almoço, essas coisas, e quem ficasse no outro dia tinha que fazer todo aquele processo novamente.

P – Então eram várias idas e vindas até o rio com o balde.

R – Para encher aquela caixa.

P – Trabalheira. E você falou da escola que vocês sempre estudavam, como que era essa escola? Era perto de casa? Como é que vocês iam?

R – Para nós até que não era tão longe porque a gente mora no fim do bairro aqui e a escola é um outro bairro, mas é na chegada do outro bairro. Então a gente ia a pé, toda a vida a gente foi a pé, os meus irmãos mais velhos estudaram mais longe, iniciaram de estudar mais longe porque eles estudavam pra cá, numa escola do outro bairro daqui do Encapoeirado, então eles andaram mais, mas daí pra nós já foi mais fácil que a gente estudava na escola dali do bairro mais perto. A gente estudou até a quarta série só, né, na época. Eu voltei pra escola 14 anos depois, eu voltei pra escola e a minha filha já estava com dois anos. Voltei pra terminar o Ensino Fundamental, fazer o Ensino Médio.

P – E conta pra gente desse seu primeiro período escolar. Como é que era essa escola e o trajeto até chegar lá.

R – Era todo dia, eu lembro que eu estudava de manhã, aí tinha uma colega, ela trabalha aqui também, eu ia sempre junto com ela na escola, ela passava lá, ela saía da casa dela e passava lá pra me chamar de manhã, íamos sempre nós duas juntas pra escola, a Maria e eu. A escola era, não é do jeito que é hoje, né, não tinha merenda, mas o nosso trajeto pra escola tinha dia que a gente tinha que levar abobrinha, tinha dia que a gente tinha que levar cenoura, o que a gente tivesse a gente tinha que levar pro professor, ele mesmo que fazia a sopa, tinha dia que a gente tinha que ir catando lenha pela estrada, pro professor conseguir fazer a nossa merenda, todo dia ficava um responsável por levar, um levava a verdura e o outro levava a lenha, daí o dia que a gente ficava responsável por levar a lenha, a gente tinha que achar lenha e chegar lá com um feixinho de lenha.

P – E a classe, como é que era?

R – A classe era tudo junto, primeira, segunda, terceira e quarta série, tudo misturado. Eu fico impressionada que naquela época, eu até falo pras crianças de agora, o professor dava aula pra primeira, segunda, terceira e quarta série e ele conseguia dominar a sala e ele conseguia dar aula pra todo mundo, cada um no seu tempo ali, conseguia dominar a sala e todo mundo conseguia aprender. Hoje é tudo separado e a gente percebe que as crianças têm uma dificuldade de aprendizagem e às vezes eu até falo, assim mesmo, às vezes o professor finge que ensina e os alunos fingem que aprendem e o tempo vai passando.

P – E Marina, como é que... Você estudou nessa escola até a quarta série e aí você começou a trabalhar?

R – Não, daí não tinha, era muito longe, né, era só na cidade e na época não tinha nem transporte pra gente ir estudar, aí parava e até falava “agora terminou o estudo pra nós”, e aí era só trabalhar na roça, né, o objetivo da gente era só trabalhar e depois casar, assim que aparecesse alguma pessoa pra gente casar, formar família e a vida, na verdade era isso, hoje já é diferente, né?

P – E Marina, tinha alguma matéria que você mais gostava?

R – Tinha, a matéria que eu mais gostava era matemática, eu sempre gostei de matemática.

P – E quando você era pequena, assim, você tinha algum sonho de fazer alguma coisa?

R – Eu sempre fui boa aluna na escola, minhas notas sempre foram boas, o último professor que deu aula chamava João Barbieri, o nome dele. Ele não era daqui, ele era de Campinas, eu me lembro que os meus cadernos ele levou tudo porque ele queria mostrar, sabe, pra mim era um orgulho, ele queria mostrar pros outros alunos que eu era uma boa aluna, ele “Ah, eu vou levar pra mostrar pros meus alunos que esse é que é caderno”, só tinha nota boa nos meus cadernos, ele falava “Ah, quer morar comigo? Eu te levo pra você continuar estudando. É uma pena você ter que parar porque você não tem mais chance de estudar aqui, se você quiser ir morar comigo eu levo você, se os seus pais deixarem”, mas os pais não deixavam e eu até queria ir [risos]. Então, chegava a quarta série e terminava o estudo, era só a gente trabalhar daí.

P – Daí você ficou trabalhando com o seu pai e com a sua mãe?

R – Eu trabalhei com os meus pais, casei muito cedo, casei com 16 anos. O meu filho nasceu eu tinha 16 anos.

P – E como é que foi que você conheceu o seu esposo?

R – O meu esposo não morava aqui também, o meu esposo também é paranaense, veio trabalhar aqui e a gente se conheceu, ele também era novo, tinha uns 18 anos acho, a gente acabou se envolvendo e eu engravidei antes até, engravidei daí fomos morar juntos primeiro, moramos sete anos juntos, depois que nós casamos.

P – E como é que era a cidade, o bairro, a cidade de Apiaí nesse começo da história que você tá contando pra gente.

R – A cidade de Apiaí eu sei mais assim pela história que meu pai contava, que eles não tinham ônibus nem pra ir na cidade fazer compra. Normalmente eles iam a pé, a cavalo, era assim que eles iam. Aqui existiam alguns, eles diziam armazéns na época, né, os supermercados que a gente fala hoje, eles diziam armazém, de uma pessoa que vendia os produtos para eles para receber depois de um ano, eles vendiam a compra, aí iam vendendo e eles faziam safra de porco, daí quando eles vendiam aquela porcada, eles iam e pagava todo o armazém e daí depois recomeçava. E na cidade, o percurso era a pé ou a cavalo. A cidade sempre, até hoje, é uma cidade bem monótona, né, pacata ainda, mas na época ainda bem diferente, o pessoal, carro quase não existia, as casas eram todas diferentes, o percurso era todo mundo a cavalo, a pé, não existia ônibus, não existia asfalto, a maioria era chão, estrada de tropa que eles diziam mesmo, nem estrada mesmo, não era nem estrada de terra, era mais estrada de tropa.

P – Você se lembra de alguma vez ter ido com seu pai até a cidade? O que você achou do caminho?

R – Não, que eu me lembre de eu ter ido com meu pai na época não tinha ônibus aqui, a gente ia pegar o ônibus, isso aconteceu muitas vezes, era uma hora que a gente andava a pé para tomar o ônibus lá daqui, acho que uns cinco quilômetros, para daí já tomar o ônibus para ir até a cidade, o ônibus passava lá na estrada oito horas da manhã e já saía daqui 15 para as sete para poder alcançar lá. Teve vezes que a gente chegava perdia o ônibus ter passado e a gente ter que voltar.

P – E Marina, quais foram as suas atividades logo assim que você casou, já que foi nova, assim, então você casou.

R – Agricultura. Aí quando eu casei a gente continuou da agricultura mais da parte do tomate, sabe, nós plantamos tomate.

P – E como é que é a plantação de tomate? Que cuidados precisa ter?

R – A gente trabalhava em sistema de meeiro, sistema de meeiro que a gente trabalhava, pegava dinheiro da compra para se manter e aí desenvolvia a lavoura. 

P – E esse sistema de meeiro.

R – Aí no final, se desse tomate, desse preço, desse uma boa produção, um bom preço sempre, o pessoal ganhava dinheiro, agora se não desse também ninguém ganhava nada.

P – Como é que funcionava esse sistema, eu não sei se eu entendi direito, todo mundo participava junto, é isso?

R – Não, por exemplo, assim, eu ia plantar cinco mil pés de tomates para uma pessoa, tinha um patrão, ele ia trazer todo o produto ali na roça e eu ia trabalhar para ele, por exemplo, cinco pés ia plantar, aí ele me dava tudo, me dava dinheiro pra eu me manter, fazer compras, essas coisas e quando fosse no final da venda daquele produto tirava todas despesas, sabe, da roça inteira e o lucro que sobrava era dividido.

P – E como é que é a plantação de tomate? Quanto tempo ele demora, um ciclo?

R – Seis meses.

P – Seis meses?

R – Seis meses, até o finalzinho mesmo seis meses.

P – Seis meses vocês já plantam?

R – Seis meses é dar o tempo da semeia, da formatura dele, colheita e desmanche de suqueira, essas coisas tudo.

P – Então a cada seis meses tinha que plantar tudo outra vez porque um pé de tomate ____________.

R – Não, isso, em seis meses o tomate, é assim, você trabalha os seis meses e você fica uns quatro meses parado esperando a época de inverno, né, que não dá para plantar, aí você recomeça tudo de novo.

P – E aí planta semente de novo?

R – Isso.

P – E quais são os cuidados pro tomate? Precisa tomar algum cuidado especial com terra, com chuva?

R – Precisa. O cultivo da terra, né, em primeiro lugar, o preparo do solo porque o tomate é uma planta muito exigente. Precisa de um solo muito bem preparado mesmo, bem estruturado porque senão não produz nada e os defensivos, né, os defensivos agrícolas, esses são os essenciais para a formatura, tanto que todo mundo sabe que o tomate tem muito veneno, né, tem muito veneno e tanto que esse foi o objetivo das mulheres quererem uma outra coisa e partir pra uma outra coisa.

P – Pra não ficar mexendo em tanto veneno?

R – E por causa do sol também, chuva, né, que o tomate é assim, em época de apuros, de serviço, não tem sol e não tem chuva e não tem noite também. Em época de colheita tem gente que amanhece trabalhando.

P – E como é que foi que você decidiu então, você casou, tava trabalhando com tomate, teve um filho.

R – Tive um filho, depois tive uma filha e aí o meu trabalho com a cerâmica iniciou, que as meninas, a associação já existia, sabe, quando eu entrei, que iniciou pelo Programa do Auto-Emprego, com o pessoal que tinha crianças no PET [Programa de Educação Tutorial], eu não tinha na época, criança no Programa do PET, Programa de Desenvolvimento Infantil, aí eu não entrei no início. As meninas iniciaram e aí eu vendo o trabalho delas eu acompanhei a luta delas desde o início, o processo de cursos e mais cursos, processo dessa construção aqui que é essa parte que é de madeira, foi tudo as mulheres mesmo que foram pro mato, que trocaram dias de serviço, que aí tinha o marido de algumas que trabalhava no tomate, aí elas iam lá e ajudavam no serviço lá do tomate e aí a pessoa vinha fazer a construção aqui, sabe?

P – Ah, então ela ia ocupar o lugar de um homem pro homem vir construir.

R – Foi assim que foi o trabalho da construção, essas tábuas mesmo, um rapaz serrava, um marido de uma das artesãs foi serrar e elas mesmas que tiraram todas essas madeiras do mato, foi todo esse processo, foram elas mesmas que fizeram e aí eu fui acompanhando. Quando eu entrei na associação elas tavam aqui já.

P – Mas Marina, antes disso você voltou a estudar?

R – Voltei, voltei a estudar exatamente para isso, porque eu tinha um objetivo pra minha vida, eu queria coisa melhor pra mim, né, eu não queria ficar a vida toda naquela só dependendo de marido, não tinha opção de vida, era aquilo e era aquilo. E eu sempre gostei de estudar e aí eu voltei pra escola 14 anos depois. Quando eu voltei pra escola a minha filha tava com dois anos, o meu menino já tava com 11, aí era ele que cuidava dela pra mim, eu ia pra escola e ele ficava cuidando dela. Eu voltei para terminar o Ensino Fundamental, eu falei “Ah, eu vou voltar pra escola e vou terminar o Ensino Fundamental”, só que eu gostei daí falei “Não, agora eu vou terminar o Ensino Médio”.

P – E como é que foi o click? Falou assim “Não, agora é a minha chance, eu vou dar conta”, como é que foi isso? E você lembra como é que foi o seu primeiro dia de aula quando você voltou?

R – Então, foi assim, eu tinha sempre vontade de voltar pra escola, eu tinha muita amizade com a diretora na época, sabe, que trabalhava aqui, até por conta do meu filho mesmo que ele estudava e tinha bastante coisa que era ele que desenvolvia, sabe, era ele que fazia frente das coisinhas da classe dele, aí um dia ela me chamou lá pra conversar e falou “Você não tem vontade de voltar a estudar?”, aí eu falei “Ah, eu tenho, mas só eu sozinha? Não vai formar uma sala da minha idade, para eu voltar pra escola?”, daí ela falou “Não, não precisa ser uma sala da sua idade.” Ela disse assim “Até que série você estudou?”, eu falei “Eu estudei até a quarta série”, aí ela falou assim “Não, vem aqui e a gente faz uma prova de reclassificação para você e se você passar você entra na sétima série junto com os adolescentes, se você quiser”, eu falei “Não, por estar junto com os adolescentes não tem problema, eu entro bem”, aí eu fiz a prova e passei, aí eu voltei pra escola junto com a criançada.

P – E como é que foi esse começo, essa volta pra sala de aula?

R – Foi muito interessante porque quando eles me viram entrando pra sala de aula, eles olharam “Xi, meu Deus, uma pessoa bem mais de idade do que nós aqui, vai cortar todo o nosso barato”, criançada, adolescente. Só que depois eles viram que eu não dava bola, eu entrei na deles, aí a gente era muito amigo, ficou de um tempo assim quando era trabalho “Ai, é trabalho de grupo, eu quero fazer junto com a Marina”, “Eu também quero fazer trabalho junto com a Marina”, juntava aquela criançada em cima de mim e a professora que tinha que dividir “Não, ninguém vai ficar aí, vai ficar fulano, fulano e fulano, o resto vai formar outro grupo”, aí ficava tudo bravo porque todo mundo gostava, sabe, na verdade eu consegui me dar bem com todos eles. Terminei o Ensino Fundamental, fizemos formatura, depois terminei o Ensino Médio junto com eles, fizeram a formatura novamente e eu consegui me adaptar muito bem junto com eles.

P – E as aulas eram à noite?

R – À noite.

P – Então você continuava trabalhando de dia.

R – E estudando à noite.

P – E saía e deixava seu menino.

R – E ele que cuidava. Daí quando eu entrei pro Ensino Médio, no segundo ano o meu menino já tava à noite também. Aí a minha filha já ficava com o meu marido, ela já tava bem mais grandinha também, né, já entendia mais as coisas daí ela ficava com ele.

P – Tá certo e aí como é que você escolheu o curso técnico a seguir, estudando no curso técnico.

R – O curso técnico foi uma oportunidade porque como eu sempre gostei de estudar sempre surgiu uma oportunidade e o pessoal falava “Ah, vai ter um curso disso, daquilo, você quer fazer?”, aí o professor que tava coordenando o curso, ele é diretor do parque aqui, sabe, ele é diretor do parque até hoje, do PETAR [Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira], aí como eu tinha bastante amizade com ele, ele falou assim “Olha, Marina, vai ter um curso, um curso técnico e você sai formada e dentro de um ano e meio você sai formada pelo Centro Paula Souza. Vai ter o vestibular, se você quiser prestar o vestibular para você fazer, quem sabe, vai que você passa”, aí eu falei “Ah, então eu vou tentar”, daí fui. No dia do vestibular, daí teve a entrevista, fizemos a prova e tudo e eu fiz e passei, aí nós fomos, eu acho que umas oito pessoas daqui. Aí tinha uma Kombi que levava todo mundo, foi um curso de um ano e meio.

P – E onde que era esse curso?

R – Aqui na cidade, pelo Instituto Paula Souza, do Centro Paula Souza. Os professores, foram pegos os professores mais da região mesmo, de cada matéria e o curso foi muito bom, né, pegamos certificado, tudo, consegui me formar. E isso pra mim foi uma vitória, sabe, porque eu sempre quis estudar, só não estudei antes porque não tive oportunidade, mas assim que apareceu oportunidade eu consegui fazer o que eu queria. Às vezes tem gente que fala assim “Ah, mas não adianta estudar e depois não desenvolver”, eu falei “Eu não penso assim, eu penso que o importante é você saber e o dia que pintar uma chance você sabe fazer”, hoje eu tô fazendo o que eu gosto, né, eu nem pretendo parar de fazer o que eu to fazendo, mas se pintar uma oportunidade na área da agricultura também eu alguma coisa sei.

P – Por conta desse curso que você fez?

R – Isso.

P – E tinha alguma matéria nesse curso ou alguma habilidade que eles davam que você gostou mais, que você aproveitou melhor a matéria?

R – A matéria mais bem aproveitada que teve foi na área de Desenvolvimento Rural que dentro do curso tinha uma parte que falava realmente disso, sabe, de trabalho na área social, trabalho em comunidades e essa parte foi a que eu mais peguei, tanto que o meu Trabalho de Conclusão de Curso eu fiz, eu escolhi essa área, sabe, eu fiz desenvolvendo um trabalho sobre a associação contando toda a história, sabe, o processo como que foi desde o início, o meu trabalho foi sobre isso.

P – E nessa época você não tinha entrado ainda na associação, você tava acompanhando?

R – Eu tava só acompanhando.

P – E como é que foi desenvolver esse Trabalho de Conclusão de Curso?

R – O trabalho, na verdade, foi bem corrido, foi bem corrido, inclusive quando nós pegamos o trabalho para fazer, para mim foi difícil porque é difícil, né, e eles exigiam que o trabalho fosse digitado, inclusive uma menina que tá aqui que foi que me deu o apoio no momento, Marcelina, ela que me ajudou aí quando eu quis contar a história da associação também, como ela gostava da associação também e entendia, ela já se empolgou também e falou assim “Ah, vamos sim, eu te ajudo e tal. Você vai fazer um trabalho bem legal”, aí eu fui escrevendo e ela foi digitando e eu consegui fazer um trabalho, eu achei que ficou um trabalho bem feito, quer dizer, eu achei não, né, tanto que os professores deram uma nota bem boa no trabalho porque ficou um trabalho bom.

P – Olha, que legal. E como é que foi pra você, só pra registrar, o curso técnico que você fez foi o curso técnico.

R – Em Agricultura Familiar.

P – Tá, só porque a gente conversou. E como é que foi pra você depois que desenvolveu todo esse trabalho entrar na associação, você acha que esse foi um jeito de você se aproximar, como é que foi isso?

R – É, eu sempre tava aqui, né, eu moro ali pertinho, as meninas trabalhavam aqui já e eu tava todo dia aqui e aí um dia elas falaram “Ah, por que você não vem trabalhar aqui?”, eu falei “Será que eu consigo, tenho habilidade de fazer esse negócio?”, aí elas falaram “Ah, com certeza você vai conseguir”, e tanto que quando eu vim aqui trabalhar ninguém me ensinou a fazer nada, não foi assim, que eu tive um curso, quando eu vim aqui eu já fiz a primeira peça, eu peguei o barro e já consegui fazer, e aí já se iniciou todo o processo do trabalho, já fui fazendo uma peça, depois já me empolguei e fiz outra.

P – E você lembra qual que foi essa primeira peça?

R – Lembro, a minha primeira peça foi um jarro, esse jarro foi vendido até, foi um jarro, foram dois jarros. As minhas primeiras peças foram dois jarros num dia, a minha terceira peça daí já foi um vaso grande, mais ou menos desse tamanho aí.

P – Grandão mesmo. Mas você me disse, você ficava observando e aí você foi pegando com a prática?

R – Eu fiquei observando como as meninas faziam a peça.

P – Então Marina, você tava contando pra gente como é que você fez as suas primeiras peças, que foram os dois jarros, mas alguém te acompanhou?

R – Acompanharam, as meninas estavam sempre juntas. Aí em alguns pontos que eu não conseguia fazer, daí eu pedia ajuda e elas me ajudavam.

P – E como é que é a técnica do rolinho? Você pode descrever pra gente como é que ela funciona?

R – A técnica do rolinho, na verdade, é uma técnica primitiva daqui da região, desde as antiguidades, eles trabalhavam só com essa técnica. Na verdade, hoje a gente até facilita mais porque a gente estica o barro numa base e aí vai modelando, vai fazendo colocando os rolinhos em volta, a técnica antes, elas colocavam o rolinho desde o começo, sabe, pegava um rolinho menor, fazia, daí ia colocando e depois que elas juntavam ali todos os rolinhos para fazer a base. Agora a gente já inicia com a base inteira já.

P – E aí vai rolando, vai fazendo os rolinhos.

R – E a técnica do rolinho é a técnica primitiva, né, igual eu já falei pra você, e essa técnica é uma que a gente procurou manter, a região procurou manter essa técnica, por isso que não trabalhava com o torno, com nada, pra gente realmente manter essa técnica.

P – E dá algum diferencial na peça?

R – Dá diferencial porque a peça que é moldada no torno, normalmente quem entende de cerâmica, entende de artesanato, se ela bater o olho ela já sabe. O rolinho, por mais perfeita que a peça fique, por mais direitinha que ela fique, você vê que tem contrastes da mão, sabe, do próprio rolinho que não fica tão certinho.

P – E como é que faz, você faz os rolinhos, vai juntando os rolinhos fazendo um pote, por exemplo, e qual que é o segmento que dá até ele ficar pronto, o que precisa fazer?

R – Você vai colocando os rolinhos, se for uma peça pequena a gente termina ela na hora, você vai colocando os rolinhos e depois passa na tapa, passa na colher dentro e já termina. E se for um vaso grande, um dia quente como tá hoje, você consegue terminar ele porque você tem que ir fazendo e coloca seis ou sete rolinhos e deixa secar, né, acerta tudo ali e deixa secar um pouco e depois coloca mais uns seis ou sete rolinhos e acerta ele e deixa secar novamente até terminar, senão ele desanda, cai tudo.

P – Pra ir, então, dando a forma?

R – Isso, pra ir dando a forma.

P – E quando tá um dia frio, como é que faz?

R – Um dia frio, geralmente, a gente gosta de trabalhar com peças pequenas, né, porque daí dá pra você fazer bastante peça. Se for fazer peça grande, a gente perde muito tempo porque você tem que ficar esperando secar. Às vezes a gente até começa uma peça grande, só que vai deixando secar e vai fazendo peças menores no intervalo.

P – E se, por exemplo, você começa a fazer uma peça hoje e não dá tempo de terminar, acontece alguma coisa e você tem que sair e você volta amanhã pra continuar, tem jeito?

R – Cobre ele com saco plástico ou com um plástico grande, se for uma peça grande e no outro dia você pode voltar nele normalmente.

P – Não precisa molhar?

R – Não precisa.

P – E aí você terminou a forma deles com os rolinhos, ficou bonitinho, o que tem que fazer depois?

R – Deixa dar uma secada, ele tem o ponto do alisamento que é o ponto de ______, aí a gente vai com a pedrinha, vai com a pedrinha para alisar, para dar mais a forma, tirar os nódulos que a gente fala, que sempre fica aqueles nódulos nos vasos, aí faz a pintura se for fazer pintura, se não for fazer pintura a gente só dá o acabamento e passa uma sacolinha pra dar o brilho e aí já tá pronto pra ir pro forno.

P – Sacolinha de plástico?

R – Isso, de plástico.

P – E deixa eu te perguntar, como é que é feita a pintura? 

R – Da própria argila, com a própria argila de outra cor, que tem vários tons, né, de argila e aí a gente vai fazendo essa diferença nos vasos, por exemplo, se eu faço uma peça com a argila que vai ficar vermelha, eu pinto de branco, se eu for fazer uma peça que vai ficar mais clara, daí eu pinto com a argila vermelha.

P – E como é que, você tá falando dos tons de argila diferente, onde é que vocês vão buscar essa argila, como é que ela sai, como é que vocês separam os tipos de argila.

R – Cada barreira é uma cor de argila, né, por exemplo, nós vamos num barreiro e tiramos argila, a gente faz todo o processo, tira a argila e coloca num saco plástico pra ela não secar, trás e deixa ali, aí a gente vai num outro barreiro que é de outra cor e tira outra argila da mesma forma e assim se for três ou quatro tons de argila são feito todos pelo mesmo processo.

P – E tem uma época específica pra tirar essa argila?

R – A gente procura tirar sempre na lua minguante porque na lua minguante a água tá mais pro fundo, sabe, então a gente já consegue tirar uma argila mais seca, menos molhada um pouco.

P – E como é que vocês tiram essa argila?

R – Cavadeira, enxadão, a pá. Lá onde nós estamos tirando argila agora ainda se tornou mais fácil porque ela não tá tão profunda, sabe, mas já teve lugares que a gente tirou argila que a gente teve que cavar, tipo, um metro, assim, pra gente conseguir encontrar ela. 

P – E vocês precisam fazer algum tratamento nessa argila pra tirar alguma coisa que esteja dentro dela ou do jeito que ela sair vocês fazem?

R – A gente procura tirar a argila que é mais pura, sabe, porque no barreiro é um veio, e tem veio que tem muita pedra, tem veio que tem raiz, então a gente procura tirar o mais limpo possível. Aí o que sai com pedra é claro que a gente tem que tirar as pedrinhas, né, depois até na hora do alisamento a gente vai achando pedras nas peças, a gente procura tirar porque se for pedra grande dá rachamento, então a gente já procura tirar a argila mais pura, porque a argila com pedra, o ideal para trabalhar com ela é ela peneirada daí, daí sim tem que fazer todo um processo de secagem primeiro, socar ela, penetrar, pra daí ela ficar uma argila boa de trabalhar, mas como nós preferimos passar direto na maromba, então a gente já procura trazer essa argila mais limpa, mais pura, sem pedra.

P – E aí como é que vocês fazem, vocês chegam com ela aqui e separam em pedaços?

R – A gente traz normalmente em sacos, né, cada um traz tudo junto aqui, daí cada um separa, deixa tudo amontoado ali e aí a gente passa na maromba, guarda novamente em sacos plásticos, eu gosto sempre de colocar ela em sacolas pequenas porque daí fica mais fácil da gente tá carregando pra lá e pra cá.

P – E você pode explicar pra mim o que é passar na maromba?

R – [risos] Maromba é uma máquina, né, antes a gente tinha todo um trabalhão de socar, que a gente dizia que era com a mão de pilão, a gente trazia a argila e a parte mais difícil era essa, socar ela, a gente ficava com o braço moído, né, o dia que a gente tirava pra socar argila a gente não dava tempo de modelar a peça porque a gente terminava de socar e já tava cansada, tinha que descansar para recomeçar o outro dia e esse trabalho foi o que se tornou mais fácil para nós, com o desenvolvimento do projeto do CC  [Instituto Camargo Corrêa], a gente ganhou a máquina, que é o que beneficia para nós hoje, a argila, essa que é a maromba que a gente passa a argila.

P – Marina, então a gente tava falando, chegou o barro, vocês separaram e aí ele passou pela maromba e aí vocês fizeram os rolinhos, fizeram a peça, passaram a pedra, pintaram com outra tonalidade de barro ou não, passou a sacola de plástico pra dar o brilho e agora?

R – Agora deixa ela acabar de secar pra ir pro forno, aí vai iniciar o processo da queima, né, que o processo da queima, normalmente, a queima dura de sete a oito horas, a gente inicia o fogo de manhã e só termina a queima a tarde, daí esse processo, a peça chega a 700 graus, para ela ter essa resistência que ela tem.

P – E como é que faz pra vocês acharem o ponto certo, tanto pra começar a passar a pedra ou no forno, cada uma tem um tempo?

R – Pra começar a passar a pedra é bem simples, a gente passa a pedra que não saia nenhuma sujeira, que não esteja saindo nenhuma sujeira do barro na pedra, ela tá no ponto de alisar e é bom alisar ela que não esteja nem muito mole e nem muito seca, ela tem o ponto certo mesmo de alisamento, e essa técnica, na medida que a gente vai fazendo, que a gente vai aprendendo, né? Isso daí é uma coisa que a gente aprende praticamente sozinho, a primeira é claro que sempre tem alguém pra ensinar, mas depois a gente mesmo vai vendo qual é o ponto certo do alisamento e a queima também, normalmente a peça fica com um tom mais de branca quando ela tá seca, aí ela já tá pronta.

P – E tem como ir acompanhando no forno as peças?

R – Tem, por isso que é um trabalho de muita dedicação, sabe, porque se a gente descuidou a peça pode passar do ponto de alisamento, normalmente do ponto de ir pra queima ela não vai passar, mas só que se ela tiver muito seca demais também ela fica frágil, de repente você pega nela de qualquer jeito e ela já quebra, então é bom também não deixar secar muito, até nós estamos fazendo assim, quando a gente vê que ela tá no ponto de ela ir pro forno, no ponto de queima, a gente cobre com plástico pra ela não ficar muito exposta.

P – E depois que ela sai do forno ela tá pronta?

R – Tá.

P – E como é que é o processo de retirada do forno? Que abre, ela queima.

R – Chega a setecentos graus, então é muito quente, aí a gente deixa, tira, abre a frente do forno, né, onde a gente fecha tudo com barro e a gente abre aquela frente e deixa as peças esfriando, ou então se for, se a gente não for fazer outra queima a gente nem abre, por exemplo, se a gente for queimar uma fornada só da semana, a gente deixa, termina a queima e deixa o forno até mesmo fechado porque daí a gente não vai usar o forno tão rápido mesmo, então não vai ser preciso a gente tirar as peças de lá com muita rapidez, mas quando a gente tem bastante pedido para fazer, que tem que estar queimando, queimando, queimando, aí a gente abre a frente do forno para esfriar mais rápido.

P – E isso não prejudica as peças?

R – Não, não prejudica em nada.

P – Aí abriu, como elas ficam dispostas dentro do forno, dá pra tirar e elas já tão prontas ou precisa ainda fazer alguma coisa?

R – Não, terminou o processo de queima, a gente abre o forno assim e se elas já estiverem frias é só tirar e se for para enviar já pode só embalar e já enviar. É claro que acontece de estragar algumas peças, as que estragam a gente já tem que descartar ou fazer outra.

P – Mas do barro que fez uma vez não recupera?

R – Não, quebrou, quebrou. Depois que queimou, antes de ir pro forno, se ela estiver rachada ou alguma coisa você tem como recuperar o barro, né, você coloca novamente água nele e passa novamente na máquina e pode usar ele novamente, agora se depois que queimou e estragou, daí pronto.

P – E como é que é mexer com o barro, qual é a sensação fazendo a peça?

R – É muito bom.

P – Como?

R – Ah, é um trabalho, é difícil a gente explicar, sabe, o que a gente sente assim de trabalhar, de você ver a peça ali, você tá modelando a peça e você vê aquela peça queimada, a vitória mesmo é depois que você vê a peça sair do forno viva, sabe, inteira porque, principalmente um vaso grande, quando você faz um vaso grande é “Ai meu Deus”, então a expectativa é enorme de você conseguir salvar ele, de fazer com que ele saia inteiro do forno e o trabalho, assim, de modelar, é muito gratificante porque é uma sensação, assim, de vitória, sabe, que a gente tem, quando você consegue ver a peça ali modelada, pronta já, só no jeito pra você alisar “Nossa, já fiz tantas peças, fiz dez, fiz 15”.

P – E qual que é a parte que você acha que é mais difícil no trabalho com o barro?

R – A queima, a queima é o trabalho, a parte mais difícil porque não depende da gente. A queima depende muito, na verdade, cada queima é uma história. É por isso que a queima é assim, a queima e a abertura do forno, a curiosidade da abertura do forno nunca acaba, sabe, é uma curiosidade que nunca acaba, você é acostumado a queimar, acostumado a abrir o forno, mas cada dia que tem uma queima, a hora da abertura do forno é a mesma curiosidade porque a peça pode estar inteira, a peça pode ter rachado.

P – E como é que você controlam o fogo, fica sempre alguém de olho?

R – Fica, controla o processo da queima até, assim, a pessoa que inicia o fogo, aquela pessoa atende o fogo o dia todo, exatamente por conta disso, porque a pessoa que iniciou o fogo sabe em que pé que tá a coisa, sabe, e se for outro mexer ali de repente vai por fogo de menos ou vai por de mais, então isso é importante, a pessoa que iniciou o fogo conduza o fogo até o final da queima.

P – E você já conduziu?

R – Já.

P – E como é que é essa sensação, essa responsabilidade?

R – A queima, o processo da queima, na verdade, a gente vai descobrindo depois com o tempo, sabe, o que não pode acontecer é de ter água na peça e você colocar muito fogo ainda com a peça úmida. O início do fogo você tem que ser muito lento, você só pode aumentar mesmo o fogo quando você percebe que não tem mais nada de umidade porque a peça, por mais seca que ela esteja aparentemente, quando você coloca e começa se fazer fogo ela solta umidade. Até se a gente colocar um vidro no buraco, se a gente deixar um buraco no forno e colocar um vidro a gente percebe que vai suando aquele vidro, sabe, enquanto tá suando aquele vidro a peça tem umidade e durante aquele tempo se colocar muito fogo, estoura mesmo.

P – E vai peça de todo mundo lá dentro?

R – De todo mundo.

P – Então, de fato, é uma super responsabilidade?

R – Super responsabilidade, tanto que, por exemplo, se uma pessoa tá queimando, tem peça de todo mundo lá, ninguém pode ficar bravo se estragar a peça porque a pessoa não tem culpa, né, ninguém vai estragar uma fornada de peça.

P – E dia de chuva, essas coisas, interfere ou não?

R – Na queima? Se a lenha estiver seca, tiver ali dentro, agora que a gente tem é coberto ali, se tiver a lenha não interfere em nada, pode queimar normalmente.

P – E quantas peças dá pra fazer por dia?

R – Modelar?

P – É, modelar.

R – Dá pra, ah, se for peça pequena dá pra modelar até umas 15 peças.

P – Bastante. E como é que é, você começou a fazer uma peça, essa peça é sua e você vai fazer ela inteirinha?

R – Vou, cada uma faz a sua, cada uma faz o processo inteiro, desde o início até o fim.

P – E não tem como trabalhar em dupla?

R – Tem, tem como trabalhar em dupla, mas só que a gente opta mais pra cada um iniciar e terminar a sua peça porque vai o nome da artesã na peça, então como que eu vou colocar o meu nome numa peça se eu não fiz o processo todo nela, então isso é importante.

P – E como é que foi acontecendo a aproximação da associação com o Instituto Camargo Corrêa?

R – A aproximação da associação, na verdade foi assim, a região sempre trabalhou com argila, né, sempre teve essa técnica primitiva e sempre trabalhou com artesanato com argila e o artesanato em argila sempre foi famoso aqui, aí por conta da Camargo Corrêa Cimentos, de ter a fábrica aqui, as filhas do Sr. Sebastião Camargo dentro desse projeto do Futuro Ideal, quando eles iniciaram o Programa do Futuro Ideal aqui, elas optaram em trabalhar com a cerâmica, achar algum grupo que trabalhasse com cerâmica para desenvolver primeiro um trabalho com cerâmica aqui, porque elas gostavam disso. E aí a gente levou sorte, porque a gente tinha associação, a gente era um grupo. Quando eles vieram procurar com quem trabalhar, eles acharam a gente aqui, e aí até que foi muito rápido, sabe, um dia veio o pessoal do Instituto Meio e falaram “Ah, a gente vai desenvolver um trabalho aqui com vocês pelo Instituto Camargo Corrêa”, a gente nem acreditou porque tinha tantos, tanta coisa, né, gente que vinha e prometia “Ah, a gente vai fazer isso”, outro “A gente vai fazer aquilo”, “Ah, vamos desenvolver um trabalho disso”, só que nunca apareceu, aí quando veio eles também é mais um, né, que veio aqui prometer só, e olha que daí a coisa desabrochou mesmo, e tudo muito rápido, tanto que o trabalho andou, assim, de uma maneira que eles se surpreenderam mesmo, porque dentro de um ano eles conseguiram fazer bem mais coisas que eles imaginavam por conta do grupo já estar formado, sabe? E já ter toda uma estrutura, do trabalho em equipe, então foi tudo mais fácil.

P – E o que eles fizeram nesse primeiro ano, o que foi feito, na verdade, em conjunto?

R – Nesse primeiro ano eles desenvolveram uma parte de infra-estrutura, né, que foi aquela parte do fundo ali, foi construído, a maromba que a gente ganhou, e daí todo o forno foi construído, fomos nós mesmos que construímos o forno, veio um técnico, um artesão de Brasília para ajudar, para ensinar, mas ele conduziu tudo, mas foi a gente mesmo que construiu o forno, até por isso mesmo, porque na verdade precisa de manutenção e de repente precisa construir de novo, e aí a ideia era que a gente aprendesse para não precisar novamente ele vir aqui pra fazer o forno. Aí foi feito também o trabalho, a gente participou de feiras, como a Kraft Designer no ano passado e nesse ano, que foi o trabalho de divulgação, todo o trabalho de divulgação, o material de divulgação, site, folder, cartão, essas coisas que foi desenvolvido.

P – Que bacana. O que vocês foram sentindo com todas essas mudanças, como é que era o forno antes?

R – O forno antes era o forno primitivo, sabe, que era aquele forno que a gente coloca e daí cobre com caco as peças, não sei se você já chegou a ver, conhecer, a gente coloca todas as peças, ele é aberto, sabe, assim, e aí a gente coloca as peças dentro e daí cobre com caco, ele não é fechado daquele jeito ali, daí a gente já faz o fogo direto em baixo dele. Que era bem mais difícil que esse, porque igual eu te falei, a queima, assim que a gente conseguiu descobrir o processo da queima nesse forno, hoje a gente não tá tendo tanta dificuldade de perda mais, ele é bem eficiente mesmo. Porque no começo a gente teve algumas perdas por conta de que a gente não tinha aprendido a mexer com o forno, mas assim que a gente aprendeu a manobrar bem ele agora a gente não tá tendo mais quase perda de peças e o outro forninho era bem mais complicado porque a gente tinha que tirar toda a brasa, sabe, depois que terminasse a queima, aquelas brasas que ficava a gente tinha que puxar tudo e isso era muito difícil, acabava com a gente, até com a saúde, né, você tá tirando aquele negócio quente ali.

P – E você teve curso de ceramistas ou vocês fizeram esse do forno?

R – Tivemos, o curso de design e ficha técnica das peças, das novas peças que são dessas que estão aí, e formação de preço, porque antes a gente não sabia o preço certo, a gente achava que tava vendendo uma peça e que tava ganhando, a gente tava perdendo porque não tinha feito a formação dela, agora a gente sabe.

P – E antes como é que eram feitas as peças, vocês faziam da inspiração?

R – Era, fazia da inspiração. Na verdade, a gente chegava “Ah, acho que hoje eu vou fazer isso, acho que vou fazer aquilo”, agora não, como tem pedido a gente já sabe, todo mundo já sabe o que tem que fazer, então a gente já chega aqui com um objetivo “Não, hoje eu vou fazer isso, isso e isso”.

P – E como é que era fazer peças da cabeça, assim, começar moldando do zero sem saber muito bem, já tinha que ir preparada pra fazer a peça do tamanho certo ou você ia vendo?

R – Não, as peças, na verdade, não era feito do tamanho certo, né, cada um fazia peça e saia peça de todo tamanho, mas sempre vendeu nas feiras como ________ de São Paulo, sempre vendia bem essas peças, mas hoje como a gente trabalha, ainda é feito, sabe, a gente faz ainda essas peças avulsas assim mais pras feiras, mas quando é pra lojistas a gente já tem que trabalhar tudo em cima de um padrão.

P – E isso facilita ou não?

R – Facilita, facilita porque você não tem que ficar pensando muito, você sabe a medida da peça, você pega o metro, você já vai medindo e modelando.

P – E o que tudo isso, esse projeto, acrescentou pra você? Você acha que tiveram melhoras?

R – Tivemos, até eu falo, assim, que a gente não teve só melhoras, olhando na parte de infraestrutura, quem vê de fora não vê muita coisa na parte de infraestrutura, “Ah, mas mudou pouca coisa”, realmente, na parte de infraestrutura mudou pouca coisa, para nós a grande sensação foi a máquina, né, que a gente queria tanto e não conseguia comprar. Na parte de infraestrutura o forno e aquela parte de trás, aqui na frente foi mexido bem pouco, que a loja não era aqui, era no fundo, então a gente mudou pra cá, então essa parte aqui foi mexida. Mas eu acho que o que acrescentou muito nesse projeto do Instituto, foi que eu acho que a mente mesmo das artesãs, sabe, que a gente conseguiu se desenvolver muito como pessoa mesmo, eu vejo que eu consegui crescer e me desenvolver muito mais interiormente, porque antes a gente não tinha muita expectativa não, a gente fazia as peças e pensava “Mas onde que a gente vai chegar com isso”, e hoje a gente já sabe, nós sabemos mais ou menos onde a gente quer chegar e acredita que vai chegar, porque eu mesma acreditava que a gente ia conseguir expandir tão rápido assim, mas foi uma surpresa.

P – Aonde que vocês tão vendendo? Quem são os clientes?

R – Os clientes na verdade são lojistas, a maioria.

P – De onde?

R – De São Paulo, pessoas que a gente nem sabia que existia, que a gente não sabia que a pessoa existia e eles também não sabiam que a gente existia e hoje são clientes nossos.

P – Então a maior parte das peças de vocês vai pra esses lojistas?

R – Hoje sim, essas peças aqui que vocês tão vendo, que são essas grandes aqui já estão todas vendidas, só a gente enviar.

P – E como é que, vocês mesmas que vão buscar o barro, quanto são na associação, que trabalham juntas, que tão nessa atividade?

R – Nós somos 19 pessoas, né, existem alguns jovens, mas  das que atuam direto aqui estamos em 12 pessoas, porque um sai e faz uma coisa e outra e depois volta, mas trabalhando direto, fazendo todos os dias, somos em umas 12 pessoas.

P – E como é que funciona, as peças estão identificadas por artesão e aí vendeu essa peça, como é que faz aí a divisão?

R – Cada artesã tem a sua peça, os pedidos foram divididos, cada artesã faz um tanto dos pedidos, por exemplo, eu faço cada pedido, eu tenho, tipo, cinco ou seis peças, cinco ou seis vasos para eu fazer, e o pagamento pra artesã dos cem por cento, a artesão recebe setenta por cento e trinta por cento fica pra caixa da associação, despesas de embalagens, até mesmo de lenha, aí as despesas daqui do prédio, manutenção de água, luz, essas coisas é tudo por conta da parte que vai pro caixa da associação.

P – E quais são os próximos passos agora pra associação, pra você enquanto membro da associação?

R – Próximos passos eu acho que é mesmo a parte de divulgação e comercialização que a gente ainda pretende expandir cada vez mais.

P – Aonde você pensa em chegar?

R – Eu penso em chegar de exportar, eu ainda quero, penso assim, de a gente conseguir ter as nossas peças e mandar para exportação.

P – Qual que, pra você, é a importância desses cursos de formação?

R – Os cursos de formação eu acho que nunca pode acabar, né, porque a gente tem que sempre se atualizar, as coisas mudam e a gente tem que acompanhar, nunca nós vamos poder pensar “Ah, nós já sabemos tudo e não tem mais que fazer curso, mais nada o que aprender”, sempre a gente vai ter o que aprender, se a gente tem um objetivo e quer chegar, alcançar esse objetivo, a gente tem que estar sempre aberto a participar de cursos e tá sempre aprendendo.

P – E qual é a peça mais difícil de fazer?

R – A moringa tripé, que é o símbolo da cidade, é a peça mais difícil.

P – E o que ela tem que deixa ser mais difícil de fazer?

R – Ela é mais difícil porque ela tem as três pernas, né, que depois você tem que acertar aquela parte de cima pra conseguir fazer o gargalo dela.

P – E é essa que tem na entrada da cidade?

R – É [risos].

P – E as panelas que a tampa é separada, eu vi uma vocês fazendo que a tampa vocês recortam da própria peça, mas a panela e a tampa é feita separada?

R – Mas a panela não é tão difícil, o mais difícil é a tampa, a tampa é mais difícil que a panela, a panela é bem fácil de fazer.

P – E tem uma peça que você gosta mais de fazer, que você fica com a mente livre assim e faz curtindo mais?

R – Na verdade eu gosto de fazer panela, só não gosto muito de fazer a tampa, mas a tampa faz parte de panela, né, mas eu amo fazer panela.

P – E você na sua casa tem as suas panelas de barro, são suas que você fez ou não?

R – Tem, tem alguns vasos.

P – E o que você sente quando vê alguém “Ops”, derrubando uma dos seus trabalhos?

R – Ah, a gente já briga, a primeira coisa é dar um grito “Ah, cuidado aí, olha o meu vaso” [risos].

P – E bom, vamos voltar um pouquinho pras questões pessoais, assim, você já falou que casou, eu queria que você falasse o nome dos seus filhos.

R – O meu filho é Luis Fernando da Rosa Cordeiro também e Verônica da Rosa Cordeiro.

P – E o que eles tão fazendo agora, hoje, o que eles fazem?

R – O meu filho já tá com 23 anos, ele, inclusive hoje é o aniversário dele, completando 23 anos, ele trabalha em Campinas, trabalha numa fábrica de notebook lá, já faz uns 10 meses que ele tá lá e a minha filha tem 13 anos, mora comigo mesmo e estuda.

P – E como é que foi pra você ser mãe novinha, o que mudou na sua vida? Vieram outras responsabilidades, como é que você lidou com a formação?

R – Foi muito difícil sabe, foi uma fase muito difícil da minha vida porque você se vê com a responsabilidade de ter um filho, né, pra criar, pra dar conta e a situação na época, a situação financeira nossa era muito difícil, mas eu me sinto vitoriosa hoje porque eu vejo que eu consegui dar conta, sabe, mesmo eu sendo nova, sendo novinha, eu consegui assumir a minha responsabilidade como mãe e eu vejo que eu consegui educar o meu filho, sabe, ele é um ótimo rapaz, responsável, sempre gostou de estudar, eu me sinto vitoriosa porque eu acho que consegui dar uma boa educação pra ele, mesmo sem experiência nenhuma.

P – Quais são as coisas mais importantes pra você hoje?

R – A minha família é a coisa mais importante pra mim.

P – E a sua filha já veio ou algum dos dois já veio pra cá com você, fez alguma peça?

R – A minha filha sabe fazer, só tem preguiça, né, é muito irresponsável, mas sabe.

P – Você que ensinou?

R – Eu que ensinei.

P – E quais são as suas expectativas em relação à eles, você quer que ela, tem alguma coisa que você imagina que iria ser legal pra ela?

R – Por mim ela seguia essa linha, sabe, de trabalhar com artesanato, de procurar desenvolver alguma coisa, mesmo que não seja na parte de produzir, mas que seja nessa área, seja na área de comercialização, mas que seja alguma coisa nesse sentido. Mas não sei, na idade que ela tá ainda não tá na idade de decidir nada, né.

P – É, muito novinha.

R – Agora vamos ver futuramente o que ela vai pensar em fazer.

P – Certo, e quais são os seus sonhos?

R – O meu sonho é de ver aqui as nossas artesãs cada vez mais conseguindo evoluir tanto na parte da produção aqui, e em parte financeira também, que todo mundo tem um sonho, um objetivo, que é de ganhar mais, e é esse ganhar mais que é um sonho de cada um de nós, que todos possam conseguir o seu sonho de ganhar, seja um salário mínimo ou dois salários mínimos, não sei, produzindo as suas peças, esse que é o sonho, que hoje algumas já tão conseguindo ganhar mais, mas ainda não são todas, né, então o nosso sonho, o meu sonho é que todas possam conseguir ganhar e sobreviver daqui.

P – E quais são as suas atividades, você trabalha aqui fazendo as peças como artesã, como é que funciona o seu dia a dia, você vem pra cá todo dia?

R – Hoje eu trabalho só aqui,, meu marido trabalha fora, fica só eu e minha filha pela semana e eu já trabalho, a casa eu deixo pra elas, por conta delas, quando elas chegam da escola, elas sabem que têm a louça para lavar, lavar roupa, a casa para limpar. Eu levanto de manhã e já venho para cá, eu trabalho só aqui, fazendo a peça e também e também administrando.

P – Isso.

R – A gente trabalha e a parte da administração, na verdade, todo mundo participa, sabe o que tem pra decidir, às vezes tem que enviar pedido e uma vai levar, outro dia a outra vai levar, a gente é sempre por escala. Para abrir aqui, limpar é sempre por escala, um dia é uma, outro dia é outra. Então não é trabalho assim que pesa só para uma,  faz a divisão de responsabilidade, todo mundo participa.

P – Tá certo. Marina você queria comentar mais alguma coisa que não tenha perguntado. Deixar registrado mais alguma coisa?

R – Não. Só queria falar que o trabalho com o Instituto Camargo Corrêa, para nós foi um trabalho que, um dos únicos que a gente teve, que realmente conseguiu fazer a gente dar o salto necessário, que a gente pensava em dar. E como eles ainda vão continuar nos acompanhando ainda por um tempo, então eu acredito que com certeza a gente vai conseguir ainda chegar bem mais longe, acredito nisso. 

P – E você sabe quais são as próximas atividades que vão ser desenvolvidas?

R – Eu acho que eles vão continuar mais assim, porque eles vão continuar dando assistência para nós mais na parte que a gente está tendo dificuldade, que eu acho que é mais na parte de comercialização, hoje para nós, a gente está tendo muita dificuldade na parte de enviar peças por causa de transportadora, sabe? Ainda para fora do país, para fora do estado, está difícil para nós enviar as nossas peças por conta de transportadora mesmo, que a gente não conseguiu localizar uma transportadora que faça essas logísticas para fora do estado. 

P – E o que você achou de sentar e contar um pouco da sua história pra gente?

R – Achei legal, foi muito legal, muito bom a gente reviver, voltar no tempo, voltar na história e poder falar um pouco da minha vida, foi muito bom.

P – Tá certo Marina, obrigada.

R – De nada, eu que agradeço, obrigada vocês.


--- FIM DA ENTREVISTA ---

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