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História

União e sinergia

História de: José Sidnei Colombo Martini
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/05/2016

Sinopse

O paulistano José Sidnei é um lutador. Quando era criança sofreu uma crise de poliomielite que lhe tolheu os movimentos. Com força de vontade e muito fisioterapia conseguiu superar o problema. Sua infância em São Caetano do Sul, as brincadeiras e o período escolar é contado de forma alegre e descontraída. Em seu depoimento ao Museu da Pessoa, ele fala sobre a escolha da profissão de engenheiro e da Escola Politécnica da USP. Discorre sobre sua trajetória profissional e sobre os desafios na área de energia elétrica no Brasil. 

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História completa

Meus pais se conheceram aqui no bairro do Ipiranga. Minha mãe, jovem ainda, trabalhava numa empresa que produzia linhas para tecido, linhas para cozer, e o meu pai já trabalhava na indústria gráfica, mas morava na região. Bem, se encontraram ali, namoraram e, um dia, decidiram se casar e foram morar numa primeira casa no próprio bairro do Ipiranga, a casa onde eu nasci. Era uma casa muito limitada e, à medida em que ele conseguiu progredir um pouco, mudou-se para o bairro de São Caetano do Sul.

 

Eu já com quatro anos de idade, começa uma febre e essa febre começa a puxar a cabeça para trás e o médico que me atendia lá em São Caetano diagnosticou inicialmente como uma caxumba ou um sarampo, uma doença infantil. Mas o quadro evoluiu e paralisou um braço, e paralisou uma perna. Eu fui trazido para o Hospital das Clínicas aqui em São Paulo e eu estava dentro de um quadro de poliomielite, mas uma poliomielite muito forte, que me tomou todos os movimentos, me tomou a voz, me tomou o movimento dos olhos. A perna esquerda ficou cinco centímetros menor do que a direita e com isso, o movimento de mão direita ficou prejudicado, o movimento do braço esquerdo ficou prejudicado. Com a fisioterapia, as coisas foram se compensando. Ao final, acabou me limitando muito pouco naquilo que eu desejei fazer na vida até agora. Mas quando eu comecei a estudar, com sete anos de idade, para frequentar a escola me lembro muitas vezes de ter sido carregado, porque o local onde eu morava não tinha asfalto.

 

Eu entrei numa boa colocação na Politécnica. E eu abracei com vontade e no final do segundo ano da faculdade, tinha nota suficiente para escolher, eu escolhi Elétrica. Depois um ano adiante, tinha que escolher a modalidades de eletricidade, a Eletrotécnica ou a Eletrônica, que, na época, era fácil de definir, tudo que está da tomada elétrica para trás é Eletrotécnica e tudo que estava da tomada elétrica para frente era da Eletrônica. E eu, então, abracei a Eletrônica. Mas quando eu estava no quarto ano de Engenharia, nós começamos a mexer com os computadores. Um professor líder do nosso grupo, nessa época, conseguiu trazer para a universidade um primeiro computador para pesquisa.

 

Eu saí de uma fundação que nós havíamos criado dentro da Escola Politécnica para poder contratar projetos e etc e vim trabalhar na Sabesp como engenheiro responsável por implantar esse projeto de automação, aplicar computadores na distribuição de água, por água nessas centenas de reservatórios grandes e enterrados que tem aqui, cuidar da produção, saia das estações de tratamento de água, pegar essa produção toda e distribuir essa água por toda a região metropolitana. Esse trabalho foi feito e eu usei esse trabalho como tema do meu doutorado. Começa uma fase da minha vida onde eu estou com um pé na universidade e o outro pé na aplicação no mundo fora, Sabesp.

 

No ano de 2001, duas empresas – Cesp e AES Eletropaulo – foram juntadas numa só e essa empresa deu muitos resultados e foi muito bem. Fui chamado exatamente por conta de fazer a junção de dois grupos culturais distintos que trabalhavam com energia elétrica, alta tensão, mas que precisavam se recompor numa nova organização. Elas faziam a mesma coisa em áreas distintas do estado e o governo do estado era o mesmo controlador. Falaram: ”Vamos juntar isso que tem ganhos de sinergia, de trabalho, de organização”, e eu fui convidado para fazer isso. Essas empresas de transmissão, dentro do modelo de São Paulo, não eram para ser privatizadas, eram pra ficar sempre no controle do estado, mas o resultado foi tão bom e o mercado aceitou tão bem que a Cesp foi ajustada para participar de um processo de privatização. Na privatização, um grupo da Colômbia comprou a empresa no leilão. Eu fui convidado por esse grupo colombiano para permanecer ainda por dois anos na frente, presidindo a empresa para auxiliar a adequar os processos, a forma de trabalho a esse novo mundo privado que tem características de operação diferente do mundo estatal. Ao longo desse processo, eu fiz o meu concurso de professor titular e fui para o topo da carreira na universidade, em que sempre estive atuando em paralelo.

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