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História

Uma vida dedicada ao esporte

História de: José António Martins Fernandes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/07/2005

Sinopse

Em sua entrevista, o português José Antônio Martins Fernandes fala sobre as descobertas da infância ao chegar ao Brasil, como o Carnaval na viagem de navio, de quando tomou sorvete pela primeira vez e das broncas que levava pelas saídas furtivas para jogar futebol entre as aulas da escola. Esse amor pelo esporte o fez conhecer as suas duas paixões: a área técnica da Educação Física e a esposa, Cristina.

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História completa

Identificação

Meu nome completo é José António Martins Fernandes. Eu nasci em Portugal, no dia 3 do março de 1958, na cidade de Aveiro. O nome do meu pai é José Fernandes e o nome da minha mãe é Carolina Martins. 

 

Atividades dos pais

Minha mãe era dona de casa. E meu pai trabalhava numa fábrica de sapatos. Era sapateiro. É a profissão que ele exerce até hoje, aposentado, mas desde o exército que ele serviu... aprendeu essa profissão, no exército de Portugal. E depois ele passou por uma série de empresas até terminar com uma pequena fábrica de sapatos. Eles vieram pro Brasil a procura de uma nova etapa da vida deles, procurando um espaço, que lá em Portugal era uma época difícil, tinha uma imigração muito grande, e chegaram no Brasil. Meu pai veio primeiro do que minha mãe. Meu pai chegou seis meses antes, e nós chegamos em 1962. E meu pai chegou uns meses antes. Acho que uns seis meses antes. Nós chegamos em fevereiro de 62.

 

Infância em Portugal

Da minha infância em Portugal, eu tenho poucas lembranças, já que eu tinha três anos de idade. Eu lembro uma passagem minha na infância que eu tinha um medo terrível de tomar injeção. Então uma vez eu lembro que eu fui tomar injeção, eu não sei por que motivo, mas na hora que eu entrei no consultório médico, eu me lembro que era um consultório médico, eu sei que meu pai e minha mãe foram me pegar de baixo de uma mesa e me arrastaram, porque realmente eu não queria tomar injeção. Então esse fato é um fato assim que eu lembro que me marcou muito na época. Até hoje eu me lembro assim remotamente desse fato.

 

A viagem

Eu lembro da despedida dos parentes. Nós viemos de navio. Acho que demorou nove dias a viagem no mar. Eu lembro da despedida lá dos parentes em Portugal. Minha mãe chorando, é lógico. E eu não entendendo nada. Também não tinha uma reação. Nem chorava, nem ria. Essa é uma reação de criança, né? Eu lembro de poucas passagens do navio. Era uma época de carnaval. O pessoal fez uma festa no navio e se pintaram todas as pessoas, se jogaram na piscina do navio. Quer dizer, esse é um fato que eu lembro assim. E na chegada tem um fato curioso, tem até uma piada que ficou. Parece até piada de português. Aí tinha a família do meu pai que já estava no Brasil. Meu primo que trabalhava também na Light antiga e meu tio. Eles foram nos pegar no porto de Santos, na hora da chegada, estava um dia, dia de fevereiro, um dia muito quente. Então, na saída, abraços, tal. Meu primo comprou um sorvete pra mim. Só que em Portugal é um país frio, a gente morava no norte de Portugal então eu não sabia o que era sorvete praticamente. Aí comecei a chupar, meu primo falou o que era, aí começou a derreter o sorvete. Aí eu comecei a chacoalhar o sorvete (risos). Aí eles perguntaram. Meu primo perguntou pra mim: "Por que que você está chacoalhando o sorvete? Aí eu respondi pra ele, eu tinha um português de criança, um sotaque carregado, falando que era pra tirar a água do sorvete. Então ele lembrava esse fato comigo, meu primo. Então esse foi o fato mais marcante assim da chegada como criança no Brasil. 

 

Origem da família

Toda família da minha mãe e de meu pai, eles eram de Portugal, basicamente região do Vale de Cambra. Eu nasci em Aveiro, mas meus pais eram da região de Cavião e do Vale de Cambra. São cidades pequenas no interior de Portugal, ficam entre Coimbra e Aveiro, ficam mais ou menos no meio. E os parentes que estavam no Brasil era o meu tio que tinha vindo muitos anos antes. Tinha já casado já com a minha tia que é brasileira e todos os filhos nasceram aqui. Quer dizer, meus primos dessa parte do meu tio eles nasceram aqui no Brasil. Então eles eram brasileiros. Eu tenho uma irmã que é nascida no Brasil, nasceu em São Paulo. 

 

A infância no Jaçanã

Nós viemos para o bairro do Jaçanã. Lá perto de 62. Viemos e moramos muitos anos. Cerca de 25 anos nesse bairro. A minha infância no Jaçanã era uma infância normal de toda criança. Eu estudava no grupo escolar do SESI. A gente tinha poucos recursos. Mas uma infância tranquila. Tinha tudo o que a gente queria em casa, do ponto de vista de comida, não faltou nada nunca. Mas eu estudava no SESI, que era uma escola que dava material escolar, era um estudo gratuito e aí a gente foi. E tinha um campinho perto de casa, onde nas horas vagas e não vagas também, ia jogar bola. Isso lá pelos oito, dez anos também. Aí na fase de oito anos eu tive que trabalhar. Eu trabalhava numa padaria que era de conhecidos, pra variar português. Trabalhava numa padaria. Aí eu atendia no balcão e ao fim do dia eu ganhava um litro de leite e uma bengala, que a gente chamava na época. Esse era o pagamento diário. Depois ia pra escola. E quando sobrava um tempinho, ia jogar bola. Isso até os 12, 13 anos. Depois eu fui estudar num colégio, que também era do estado, que era bem mais longe. Era o ginásio. Eu andava mais ou menos uns dois quilômetros até a escola e voltava pra casa. Eu fazia educação física de manhã, porque naquela época era desdobrado. Eu estudava à tarde e de manhã tinha educação física. Então ia de manhã, fazia educação física. Aí na volta eu passava um monte de campinhos, ficava jogando bola até uma hora. Chegava em casa, levava uma bronca. Aí à tarde voltava pra escola pra estudar o ginásio. E essa foi a infância normal.  Eu lembro das brigas que a gente tinha nos campos, nos campinhos. Briga de turma de rua. Geralmente sempre tinha as brigas, mas já naquela época eu comecei a ter uma tendência já pra jogar de goleiro, aquela coisa. Eu era ruim na linha, não sabia jogar na linha. Então o pessoal: "Olha, quem é grosso vai pro gol". E no gol fui tendo uma certa desenvoltura. E as brigas aconteciam, mas eu nunca entrava em briga. O pessoal sempre me respeitava dos dois lados. Eu sempre entrava para apartar as brigas e nunca para brigar. A não ser uma vez na escola. Eu não sei por que razão, eu estava na hora do recreio, brincando na escola, houve um desentendimento e tal, e eu bati num garoto. Então uma briga de escola no intervalo. E no outro dia, antes de eu sair pra escola, o pai e a mãe do garoto foram bater em casa, foram falar pra minha mãe que eu tinha batido no filho deles, tal. Aí ficou aquele bafafá e a minha mãe dando bronca, aquele negócio, mas ficou por isso mesmo, quer dizer, esse é um episódio de briga que eu lembro assim.

 

Entrada na Light

Acabei o ginásio. Depois eu fiz um curso técnico de computação. Já estava na Light. Aí eu entrei na faculdade. Eu fiz faculdade de Educação Física, justamente foi o início, quer dizer, o ingresso na Light antiga. E aí coincidiu rolar de jogar bola, jogar futebol e aí a gente foi criando um estofo e, posteriormente, quer dizer, eu entrei na área de educação física pra exercer o cargo lá. Na época eu tinha uma pretensão de ser professor, ensinar as pessoas dentro do próprio clube lá. Porque eu entrei na Light com 14 anos, entrei na época de 73. Então, naquela época, tinha concurso público, pra você entrar na Light. E o meu tio, esse que nos trouxe, o filho dele já trabalhava na Light, o meu primo. E quer dizer, meu tio Manoel Fernandes de Pinho me ajudou muito. Então eu lembro que naquela época ele me pegou pelo braço. Ele fez a minha inscrição na própria Light antiga, e ele me pegou, me trouxe, e nós viemos fazer um teste com mais ou menos três mil pessoas, mais ou menos isso na sede da Light, que era ali na Xavier de Toledo, aquele prédio antigo, grande, que tem no Viaduto do Chá. Era um restaurante grande lá. Todo mundo sentou. Fizemos os testes, tal. E depois de um mês, dois meses... eu não me lembro precisamente eu fui aprovado e entrei na Light em 7 de novembro de 73. No início, era um contrato de dois anos, porque eles não tinham vagas, você entrava no cargo de aprendiz de arquivista. Quer dizer, você iniciava todo o processo de aprendizagem na empresa. Então eu fiquei dois anos nesse cargo e você ganhava meio salário mínimo na época pra fazer isso aí. Então eu lembro que meu pai brigava muito comigo: "Pô, mas você ganha muito pouco, lá, tal." E ficava brigando, né: "Você tem que ser um salário mínimo, tal". Falei: "Não pai, eu vou levando até onde der." Aí passou o prazo de dois anos. Aí eu fui efetivado no cargo de auxiliar de escritório. Essa é a fase inicial. 

 

Início no GRA

Nessa época eu já estava com 15, 16 anos. Eu já jogava futebol de salão em algumas equipes de bairro, futebol de campo também no bairro. Aí eu entrei em 74, e na empresa tinha um clube que era o GRA. E dentro do GRA tinha várias pessoas o presidente era o Takeo. Foi aí que eu tive o meu primeiro contato com o Takeo. E dentro da GRA tinha um grupo que era do grupo de Cópias, que era a melhor equipe da empresa na época. Então todas pessoas iam pra lá, quer dizer, a entrada no esporte da empresa era através do GRA e através da Seção de Cópias, que é onde estava o Luizinho, o Mizo. Eles faziam parte daquela equipe. E aí eu ficava com eles. Eu trabalhava no Departamento Médico, que era no andar térreo da Xavier de Toledo, o rés do chão a gente chamava, porque era na Rua Formosa. E o Cópias era no último andar do prédio, no sexto andar. Eu todo dia passava lá, ficava conversando com eles, ficava lá batendo papo, até que um dia surgiu uma oportunidade - isso já era pela época de 75, 76 - de fazer parte da equipe. Lógico, pra entrar na equipe tinha que ser bom pra se dizer na época. E tinha uns goleiros bons na época: era o Batata e o Bruno. Então até que surgiu uma oportunidade. Eu comecei como reserva deles, tal, mas logo em seguida já passei a fazer parte da equipe. Essa equipe foi a que deu melhor em todos os torneios na época. Foi supercampeã da Light e dominava todos os torneios que tinha, geralmente era campeã. Não me lembro de ter sido derrotado nenhuma vez nessa equipe. Tinha o Wagner, que era um canhoto muito bom. O Mizo já estava parando de jogar nessa época. Na época que eu iniciei ele estava parando de jogar. Tinha o Luizinho, que era um volante, jogava no meio da quadra, e no futebol de campo jogava de volante. Era o melhor jogador tecnicamente da empresa. Ah... tinha o Batata, que era considerado um dos grandes goleiros que a empresa teve de futebol de salão. Ele jogava só futebol de salão. Tinha o Serginho, que eu trouxe pra empresa. Isso acho que 76. Trabalhava na área esquerda. Ele morava lá comigo no Jaçanã, jogava bola comigo e eu trouxe ele pra empresa. Acabou entrando até na equipe do Cópias também posteriormente e entrou também na seleção da Light. E aí foi. E nessa época a minha função, quer dizer, a minha atuação junto com o Takeo e com o Mizo era justamente só de jogar futebol, quer dizer, ainda não tinha pretensão nenhuma de participar de diretoria, de fazer nenhum tipo de atividade do outro lado, quer dizer, o lado da diretoria. A minha ideia na época era somente jogar futebol, futebol ou basquete, vôlei, praticar qualquer tipo de esporte. E aí nessa época já me falavam que estava tendo um movimento na empresa de todos os clubes pra que se unissem e formassem um clube só, porque a empresa naqueles anos, antes de 78, antes da fusão das equipes, ela recebia várias reivindicações dos clubes. E ela não poderia atender todas as reivindicações. Então a própria empresa incentivou que os clubes se reunissem, fizessem reuniões para que da união de todos os clubes surgisse um clube só, a qual haveria negociações com a empresa para que pudesse prosseguir. Porque a Eletropaulo e a Light antiga, ela tem duas histórias no esporte.

Primeiro jogo noturno

Desde a implantação da empresa no estado de São Paulo que foi no início do século, ela já tinha uma tradição muito grande no esporte. Tinha clubes, uma série de coisas. Tem muitas histórias ainda dos clubes, muito antigos, e a fase recente é a fase de 78, com a união de todos os clubes. E a outra fase do início do século até a data de 60, que é os registros que a gente tem, a empresa participava de campeonatos de basquete, de futebol. Até existe uma história que corre na empresa que foi levantada pelo nosso Departamento de Comunicação, que na década de 20, a Eletropaulo, logicamente, era geradora de energia, ela tinha uma facilidade muito grande de iluminação. Naquela época não se jogava futebol à noite, porque não tinha campos iluminados, né? Então diz a história, pela pesquisa que foi levantada por nosso Departamento de Comunicação, que o primeiro jogo noturno que teve no mundo, dizem que é no mundo, prefiro acreditar que seja no Brasil foi feito um jogo noturno num campo da Light, iluminado pela Light, né? Isso foi no ano de 1923. E nesse início dos jogos noturnos foi lá na baixada do Glicério, cuja iluminação foi feita toda pelos funcionários da empresa, da Light. Aí nos jogos noturnos, quer dizer, apareceu outro problema. Apareceu o problema da bola, né? Como a bola era de couro, ela se confundia com o mato. Na hora que a bola ia pra linha de fundo, ela se misturava com o mato e o pessoal perdia muita bola, não conseguia achar a bola, já que era de noite e a iluminação era só no campo. Foi aí que eles tiveram a ideia também de pintar a bola de branco, quer dizer, então ficou a história de que a Light fez o primeiro jogo iluminado, quer dizer, no mundo, em campo iluminado e a primeira bola branca também foi invenção dos lightianos, né? Quer dizer, fica pra história esse fato.

 

Início do esporte competição na Eletropaulo

E na história mais recente da Eletropaulo, da Light, foi a união dos clubes em 78, a fusão de vários clubes que resultou na ACEL - Associação Cultural Esportiva Light, da qual teve a primeira diretoria e, no caso, foi o Edmundo Benedetti Filho, foi o primeiro presidente da ACEL, em 78, e no qual coube ao GRA, que era o clube mais importante na época, a área da vice-presidência de esportes na época, que o Takeo passou para o Mizo, e o Mizo assumiu essa área. E nessa época a minha relação com eles também era mais de jogar futebol. Não tinha nem um contato direto com a organização de jogos assim. Eu só jogava mesmo. Aí em 80 teve a primeira eleição. Aí o Takeo montou uma chapa e se elegeu presidente da ADC. O Mizo ficou como vice-presidente de esportes. E eu ajudava, mas ainda continuava como jogador. Já começava a organizar junto com eles os campeonatos internos, alguma coisa nessa linha. Isso foi até 82. E nessa época o Takeo era da Informática, eu lembro que eu era do Departamento Médico, a gente subia muito lá em cima e conversava muito com o Takeo na Informática. E foi nessa época que a gente começou a tratar algumas ideias, algumas iniciações de começar a formar as equipes competitivas da empresa, a nível de federações. Eu já estava fazendo faculdade. Eu entrei em 1980 na faculdade de Educação Física. E já tinha umas ideias sobre a formação de equipe, sobre organização de jogos, de eventos. Aí começou o meu movimento maior com os diretores de esportes e com o Takeo. Na minha classe na faculdade tinha alguns alunos que eram atletas também da equipe, na época, do atletismo que era uma das melhores equipes do Brasil, que era a equipe da Guaru. Associação Atlética Guaru, que era do meu tio de Guarulhos. Lá estavam os grandes atletas da época, em Guarulhos, né? O João do Pulo, o Nakara, que era um grande velocista da época. O Gerson de Andrade. A Conceição Jeremias. Eram atletas de renome nacional. Recordistas. Foram pra olimpíada, uma série de coisas. Aí no final de 82 surgiu a ideia de trazer alguns funcionários da minha classe pra cá. Aí nós juntamos um grupo de atletismo que eram atletas também e começaram. Como estavam fazendo faculdade, começaram a ajudar a gente a formar as equipes aqui dentro, que era o Humberto Garcia, que era um atleta juvenil excepcional de 1.500 metros. Era o Biga, a gente chamava de Biga, o Sildemar Estevão Venâncio, era um atleta, ele era negro, alto, forte. Fazia salto em distância e salto triplo. E era uma pessoa assim de um coração enorme. Muito bom. E tinha uma menina também que fazia salto em altura, que era a Celi. Então essas três pessoas eram atletas, estudavam comigo e vieram ajudar a gente a formar as equipes nessa época. E era a final da faculdade, nós montamos uma equipe de futebol, que foi muito famosa depois, que também trouxe o técnico que era o Godoy, que era o ex-goleiro do Corinthians. E eles vieram com a gente. Aí teve a eleição no final de 82, e o Takeo perdeu a eleição, perdeu por dois votos, se não me falha a memória. E aí entrou um pessoal de oposição, que foi o Barreto, a equipe dele, tal. Aí sei que nós nos afastamos dois anos. Eu me afastei dois anos. Aí eu fui pro Guapira. Nessa época, eu era jogador de futebol profissional. Eu tinha carteira assinada e jogava no Guapira. O Guapira era um clube que disputava a terceira divisão no Jaçanã. O clube é o único clube da capital que disputa o esporte profissional nas divisões quer dizer, tinha o Nacional na segunda divisão e o Guapira na terceira divisão da capital. Aí eu fiquei quatro anos jogando. Eu jogava. Eu treinava. Fazia faculdade e trabalhava. Quer dizer, fazia um pouco tudo ao mesmo tempo. E em 84 nós nos candidatamos de novo, aí eu já como integrante da diretoria, da chapa do Takeo. E nós ganhamos a eleição do mesmo grupo, ganhamos por um voto, se não me falha a memória. Foi uma eleição muito acirrada, uma disputa foi voto a voto. Era a chapa que tinha ganho da primeira vez da nossa chapa por dois votos e depois perdeu por um voto. E foi até um fato muito marcante nas eleições. E aí a gente entrou com todo o nosso grupo. O Takeo comprou a ideia de começar a montar as equipes competitivas, o esporte competição. Aí a partir de 85, nós entramos na segunda divisão do Campeonato Paulista de Futebol de Salão, com uma equipe somente com funcionários. E ao mesmo tempo, nós entramos em corridas de rua, com esse pessoal que tinha vindo com a gente, já estava treinando. E nós começamos a montar uma equipe de pedestrianismo. Fazia só provas de rua. E a gente teve um contato, no nosso início, foi com o SESI. Eles tinham a equipe mais famosa do Brasil, equipes de corrida de rua e atletas, grandes atletas famosos. E a gente começou como um patrocinador deles, patrocinávamos alguns atletas deles. E um dos primeiros atletas que ajudou muita gente foi o Elói Schleder, que ganhou a maratona no Rio de Janeiro, Maratona Atlântica Boa Vista, que na época era a melhor maratona do Brasil, e logo em seguida ele ganhou a maratona na Austrália a nível mundial. E aí ele começou a se expandir o nome Eletropaulo a nível de corredores de rua, a partir da época da 86. E com a equipe de futebol de salão, na época de 85 somente com funcionários. Aí a partir de 86 a gente já começou a trazer pessoas de fora que não tinham relacionamento com as pessoas internas.

 

Jogos externos

Eu lembro um fato também muito característico da época. Eu lembro que a gente disputava muitos Jogos Metropolitanos do Trabalhador, que era a grande competição da época. Era assim: a competição que participava o Itaú, que era a empresa que mais ganhava os títulos. Eles vinham com tudo mesmo, e a nossa participação da Light no início, quando nós assumimos, isso foi em 78, mais ou menos, na época da fundação mesmo, e eu lembro, a primeira participação nossa foi no próprio ano de 78, e o Mizo era vice-presidente de esportes. Aí ele chamou a gente, para montar uma equipe para participar dos jogos externos. Eu lembro que o primeiro desfile da Eletropaulo, a gente tinha levado três bandeiras. A gente conseguiu arrumar quatro pessoas, uma em cada ponta pra levar a bandeira da Light. Era eu, o Mizo, a esposa dele e mais um outro atleta que eu não recordo. Então foi essa a nossa primeira participação, quer dizer, foi uma participação contracenando com o Itaú, que ia com uma delegação enorme, tipo 60 pessoas, com bexiga, fazendo uma coreografia. A gente passou vergonha. Aí em reunião com o Mizo, eu falei: "Olha, Mizo, a gente precisa melhorar isso aqui, vamos fazer alguma coisa". Aí já no ano seguinte a gente foi melhor. E eu já lembro que no segundo ano foi melhor a participação, nos anos seguintes nós já ganhamos o desfile de abertura. A gente montava uma coreografia, a gente levava a torre de transmissão assim em miniatura, pegava alguns setores da empresa, fazia vários blocos. A gente chegava a reunir até 100 pessoas nesses desfiles, e fazia uma coisa assim muito bonita. Aí começou realmente a Eletropaulo a ganhar tradição entre as empresas, a nível do estado de São Paulo. Primeiro, com os Jogos Metropolitanos do Trabalhador. Isso foi até a época de 86, 87 mais ou menos. 87, 88. Aí os Jogos Metropolitanos do Trabalhador perdeu força, quer dizer, as equipes deixaram de participar e começou-se uma outra era: dos jogos entre as empresas, que era os Jogos Operários do SESI, que é uma competição muito antiga de desde 1947, mas que vem ganhando força nos últimos anos. E a partir de 86, nós entramos também com tudo. Então a história é a mesma história. Na época que nós entramos nos Jogos Operários do SESI, as grandes campeãs era a equipe da CESP, da Fundação CESP, que era co-irmã nossa, e a equipe da Avon, que eram os grandes. Então eu me lembro que no primeiro ano o Takeo me deu essa responsabilidade de montar as equipes. Então nós logo nessa primeira participação fomos vice-campeões dos jogos. Então nós entramos também com toda a estrutura, que a gente já vinha arrecadando nos jogos metropolitanos. Entramos já com bastante peso. Aí no ano seguinte, 89, nós fomos já campeões gerais dos Jogos Operários do SESI. Tiramos a Fundação CESP, que tinha sido campeã no ano anterior. E isso deu uma hegemonia pra nós até hoje. Quer dizer, desde 89 até hoje, já fazem seis anos. Nós fomos campeões em 89, 90, 91, em 92, 93 eu não estava, não estava comigo, foi vice-campeã, e esse ano novamente eu peguei. Então nós somos campeões novamente. Em 89 estava comigo, aí depois passou pro Davilson que era o vice-presidente de esportes na época. Então ele ficou em 90, foi campeão 90, 91. Em 92 passou pro Marinheiro essa competição, ele passou a ser o vice-presidente de esportes. Então ele ficou com 92, foi campeão; em 93 foi vice-campeão de esportes internos com a área de esportes externos. Então em 94, nós reassumimos novamente a condição de campeões gerais dos Jogos Operários do SESI. A fase da Capital. Então é essa história recente do trabalho com os funcionários a nível externo. 

 

Olimpíadas internas

Na realidade, eu nunca cheguei a participar, porque isso era uma atribuição exclusiva da Vice-Presidência de Esportes. Quando o Takeo ganhou as eleições em 84, ele manteve a Vice-Presidência de Esportes e criou uma Vice-Presidência de Esportes e Competição. Então eu tratava somente com atletas federados, somente com federações. Eu cuidava da imagem dos atletas da Eletropaulo perante o público externo. E nessa época o Mizo foi que cuidou no início da Vice-Presidência de Esportes, depois veio o Davílson e depois veio o Marinheiro. Recentemente, o Takeo me chamou, nesse início de ano, dizendo que havia uma necessidade de juntar as duas áreas: a área interna com a área externa. Então somente no início desse ano é que eu peguei as duas áreas. Então esse ano eu estou fazendo a olimpíada pra todos os funcionários e os Jogos Operários do SESI, que também passou pra minha competência. Então foi só no ano de 90, de 94. Anteriormente existiam outras estruturas. Enquanto atleta sim, no início pelo Cópias que era a grande equipe da época, isso até a fase de 80, 82 por aí. Depois veio a fase do Recursos Humanos, que era 84, 85, 86, 87, mais ou menos, de 86 a 88, 89, eu participava pelo Recursos Humanos. Aí eu fui campeão em vôlei, basquete, atletismo, futebol de salão, futebol de campo. Eu fazia um pouco de cada coisa. E tenho vários títulos: "o melhor jogador", "o melhor atleta" dessa época. Não sei descrever com detalhes os torneios. Isso na fase interna. E depois eu parei mais ou menos em 89, quer dizer, aí parei com tudo, só me dediquei apenas à parte de administração desportiva. Porque eu fiz uma especialização na faculdade, logo depois que eu terminei o curso regular de Educação Física, eu fiz especialização em Administração Desportiva. Fiz um curso de pós-graduação. Aí eu me especializei só em administrar, fazer cursos, fazer uma série de eventos relacionados a eventos com esporte. Então eu fiz um curso de pós-graduação na área de futebol, pra ser técnico de futebol. 

 

Faculdade e especialização

Eu fiz a minha faculdade na faculdade de Educação Física de Guarulhos, na FIG. A pós-graduação também fiz na FIG, de um ano. E futebol fiz na Fefisa, também um ano, que era a faculdade de Santo André. Então, foi nessa época que eu concluí os cursos. Jogava na parte interna, mas aí de 90 pra cá, eu abandonei tudo. Eu parei com profissionalismo em 88. Não joguei mais futebol. Acho que com 28, 27 anos. Eu estava enjoado por incrível que pareça, tem até uma história que o pessoal perguntava: "Pô, você foi assistir o jogo profissional, tal?" Eu não ia assistir. Eu não ia em campo de futebol. Acho que na vida fui, enquanto jogador, eu fui umas duas vezes assistir um jogo profissional. Não gostava. Eu jogava futebol profissional, mas não gostava. Jogava por jogar. E aí em 90 eu parei com todas as atividades de jogos. Aí eu estava tão envolvido com a organização, com a representação das equipes, tinha que acompanhar as equipes, treinamento, uma série de coisas, que você vai parando e não voltei mais a jogar, quer dizer, desde 90 praticamente, nem nos campeonatos internos e nem fora da empresa. Então praticamente faz uns quatro, cinco anos que eu não faço nenhuma atividade esportiva. Aí eu continuei correndo, uma série de coisas, mas só pra lazer. Sem nenhum tipo de competição. Tanto é que eu era bem magrinho, de seis anos pra cá, depois teve o casamento, uma série de coisas. Aí você tem que dividir o tempo com a família e com as atividades profissionais.


Namoro e casamento

Nós nos aproximamos em 86, 87, na Eletropaulo. Ela veio transferida, ela trabalhava numa agência, a Cristina. Ela era filha do presidente na época do Sindicato dos Eletricitários, que era o Magri. Era filha dele e veio transferida de uma agência. A gente trabalhava também há muitos anos na empresa e trabalhava numa agência. Acho que era na agência na Faria Lima. Ela veio transferida pro Recursos Humanos, que ela estava fazendo a faculdade de comunicação e veio transferida pro RH. E aí ela teve problemas familiares. Ela era casada, ela desquitou, tal, e a gente fazia todos os eventos juntos, porque naquela época a gente tinha uma equipe na empresa que fazia todos os eventos de esporte e lazer dentro da empresa. E nós éramos uma equipe. Tinha a Maria Inês Travaline, que é sobrinha do Travaline, que é o técnico de futebol. Hoje ele é gerente de esportes do Corinthians e também ela trabalhava com a gente no departamento. E tinha mais umas seis ou sete pessoas. Então nós tínhamos uma equipe que a gente ia para todos os lugares da empresa fazer cursos e dar palestras, fazer uma série de atividades relacionadas ao esporte. E a Cristina fazia parte da equipe de comunicação, dava o apoio de comunicação. Então a gente se conheceu. Ela passou uma fase difícil, se desquitou, divorciou posteriormente, e a gente acabou se conhecendo. O envolvimento de trabalho acabou virando um relacionamento mais efetivo e acabou a gente morando junto. A gente tem duas filhas, eu adoto uma é do primeiro casamento dela, mas eu adoto como se fosse minha filha mesmo, que é a Luana, e a gente tem uma filha que é a Juliana, e está com 5 anos, e a Luana está com 9 anos hoje. Essa é a parte familiar.  A Cristina sempre participou, sempre ajudou, sempre deu força. E hoje ela está, inclusive, até cedida da empresa na secretaria, na parte que assessora o Takeo, na parte de secretaria. Então ela também está trabalhando na ADC hoje. Ela nunca jogou. Nunca teve uma afinidade com a parte esportiva. Eu me lembro uma participação dela só uma vez. Ela jogou handball pela equipe do RH. O pessoal pediu pelo amor de Deus para ela jogar, não tinha ninguém pra pôr na quadra e ela acabou entrando, mas não tinha afinidade nenhuma com esporte, totalmente contrária como jogadora, né? Na parte de apoio ela sempre esteve do nosso lado, sempre incentivou, não teve problema nenhum. 

 

Uma família de eletricitários

São tradições da empresa. Toda a minha família do meu lado, meus tios, ele me pegou pelo braço, ele era eletricista da empresa, trabalhava na área de Santana. O filho dele já trabalhava no patrimônio da empresa também, que era o Manoel Fernandes de Pinho Filho, já falecido. Ele faleceu na empresa. Teve um problema de coração dentro da própria empresa. Foi levado pro hospital, mas não resistiu, esse meu primo. O meu tio já tinha morrido também. E tem esse lado da família. Tem outros primos, que é primos afastados da parte desses meus tios, também trabalham na empresa. E hoje a minha irmã trabalha na empresa, na Eletropaulo, trabalha na parte de treinamento. E esse é do meu lado familiar. Do lado da Cristina, quer dizer, tem o avô dela, que era o pai do Magri, foi um dos carpinteiros mais famosos do Cambuci, ele fazia tudo o que se possa imaginar. O Cambuci era uma fábrica da Eletropaulo. Se fazia de tudo no Cambuci. E ele era um dos carpinteiros lá. O pai do Magri. Aí o Magri também entrou na empresa, em 62, teve toda trajetória, e os filhos dele, os dois, o Douglas também trabalha na empresa, e a Cristina que trabalha com a gente também na empresa. Então e hoje é uma tendência que não tem mais, a empresa já não tem mais essa tendência familiar. Hoje já desviou um pouquinho desse ritmo que tinha antigamente, quer dizer, quem trabalhava na empresa sempre trazia irmão, o filho, era uma coisa secular, ia passando de geração pra geração. E hoje já não existe mais essa preocupação, já não tem mais. A questão hoje é muito mais política do que pessoal, assim de tradição.


Diferenças entre a Light e a Eletropaulo

A Light é uma empresa muito tradicional, era uma empresa de organização canadense, era uma empresa que tinha muita tradição, tinha um respeito muito grande pela própria parte funcional. Existia promoções. Existia uma série de coisas. E a gente entende que com a mudança pra um sistema estatal, mesmo que porque a empresa, quando ela foi vendida, ela era estatal a nível federal, depois o governo paulista comprou parte das ações, quer dizer, a maior parte das ações e ficou sendo acionista majoritário. Então ela passou a ser uma empresa estatal paulista, quer dizer, do governo, né? De qualquer forma, há uma gerência muito grande politicamente na empresa. Isso ninguém pode negar. E nós que já temos uma grande parte de nossas vidas vividas na empresa, a gente sabe que tem esse conhecimento que a coisa mudou muito depois desse enfoque, dessa compra. Então eu entrei por concurso público na empresa, quer dizer, quase todos. Antes a Light fazia triagens em várias épocas. Tinha época que eu lembro que quando eu coloquei muitos amigos meus na Light sem porque existia uma saída muito grande de pessoas e uma entrada muito grande, quer dizer, mês a mês, saía 200 pessoas e entravam 200 pessoas. Porque eu trabalhava no departamento médico, eu tirava as fichas do pessoal que saía. A gente sabia que tinha vagas. E naquela época, tipo 75, 76, não tinha muita procura. Por exemplo, hoje se abrir, que nem abriu um concurso da Eletropaulo esse ano pra 3.000 vagas, se não me falha a memória, tinha acho que mais de 200 mil pessoas inscritas, quer dizer, uma coisa absurda. Naquela época não. Saía uma, não tinha uma pra entrar, quer dizer, você precisa indicar alguém pra ir lá trabalhar. Era assim mesmo. Mas foram dois anos assim, mas hoje é difícil, quer dizer, a própria política já transformou todinha a Eletropaulo, ela está perdendo aquela fase de tradição que ela tinha, uma série de coisas. Então a política evoluiu, evoluiu e a empresa, veja bem, a empresa em relação à CESP, a CESP foi uma empresa foi uma estatal criada, ela já nasceu estatal. Então ela é uma empresa politicamente muito mais avançada que a Eletropaulo, porque ela já foi criada politicamente. Então a Eletropaulo não. A Eletropaulo passou a ser estatal. Então a política mexeu com toda a estrutura dentro: departamentos, divisões, tal, todos os setores. Então isso mexeu com todo o departamento da empresa. E ela, politicamente estava sempre um passo atrás da CESP, porque os funcionários não tinham esse enfoque político da coisa, dos movimentos, da situação, tal. E hoje não. Hoje a empresa evoluiu, politicamente. E teve de se adequar aos novos caminhos da política.

 

Participação no GRA em eventos sociais

Naquela época a gente era moleque, 20 anos, 17, 18 anos. Tinha um baile, a gente era o primeiro a chegar lá. Era a noite toda. Não tinha tempo ruim. Podia estar chovendo, podia estar o que fosse. Nós tínhamos um grupo, que geralmente era o pessoal que era atleta, todo mundo participava dos bailes, cursos que tinham, que a ADC fazia, a ACEL fazia, eventos culturais, qualquer tipo de eventos nós estávamos presentes. Quer dizer, aquela época era uma época que você estava a fim de fazer tudo, você estava aprendendo, você estava fazendo. Então tudo que tinha a gente estava presente: bailes, cursos, jogos, quer dizer, campeonatos internos. Você podia não estar jogando, mas você estava lá assistindo pra ver, bater papo, tomar cerveja com o pessoal, tomar guaraná... (risos) eu não bebia naquela época, né?

 

Evolução dos clubes da Eletropaulo

Houve uma evolução muito grande. A estrutura hoje de empresa, evoluiu tanto a nível interno como a nível de organização interna de campeonatos, de jogos entre funcionários. E eu conheço uma boa parte das empresas a nível de Brasil, eu tenho contato com várias empresas, com várias organizações. Eu reputo que hoje a Eletropaulo está num nível muito bom, quer dizer, você tem a pretensão de dizer que é a melhor, fica um pouco grandioso demais, mas com certeza, nós estamos dentre as melhores, a nível de GM, a nível de BANESPA, a nível de Banco do Brasil. Na época a gente se confrontava com o Itaú. Evoluímos a tal o ponto que é aquela história que eu falei anteriormente, quer dizer, nós entramos com quatro pessoas, mal dava pra carregar uma bandeira e nos anos seguintes nós conseguimos evoluir até ganhar os desfiles. E até a hegemonia que a gente tem hoje a nível de Capital é de Jogos Operários do SESI. De todas as empresas, a gente com certeza está entre as melhores. E a CESP também na época tinha uma organização muito boa, hoje não conta mais com essa organização, decaiu muito esse nível. Então houve uma evolução. E essa evolução dá pra sentir a nível das empresas. A evolução interna foi dos campeonatos que passaram a ser de pequeno número de associados que se tinha na época para um grande número de associados que se tem hoje, que é cerca de 12 mil associados. São 10 mil efetivos e mais 2 ou 3 mil aposentados. Então tem um universo entre 13 a 14 mil pessoas associadas, somente sócios, sem contar com o universo de dependentes. Então houve uma evolução do início até hoje dos campeonatos. Hoje o número de participação numa olimpíada chega a cerca de 2.500 funcionários, que participam na olimpíada, entre funcionários e dependentes. É um número expressivo. Você atinge efetivamente 10% da categoria eletricitária que, efetivamente, participam dos jogos. Então isso é um dado muito importante.

 

Patrocínio aos atletas

Aí é uma questão também um pouco polêmica. O patrocínio esportivo, ele vem da empresa. Há interesse da empresa em divulgar a imagem dela. Ela tem que utilizar a imagem dela diferentemente das outras instituições estatais. Se nós pegarmos hoje, por exemplo, a Nossa Caixa, o próprio Banespa são equipes de bancos que têm uma concorrência com outras equipes que também tendem a vender. Então é um jogo de mídia, de marketing. Então são altas somas envolvidas nessas empresas. A Eletropaulo ela não precisa vender energia, quer dizer, ela não precisa dizer pra pessoa. Se alguém quiser instalar iluminação em casa, luz em casa, ela tem que pedir. Quer dizer, praticamente no mundo civilizado, todo mundo que que tem casa, tem que ter a luz e luz elétrica. Então basicamente está contido já na própria vida da pessoa, no cotidiano da pessoa, do cidadão de um modo geral. Ela não tem uma ênfase. Ela não pode dar uma ênfase pro marketing como mídia pra vender mais o produto dela, mas ela tem que ter uma preocupação com o aspecto social, já que ela distribui, é um produto pra uma população, né? E essa preocupação ela tem que passar através de alguma coisa que ela também passa pra sociedade, né? Então o Takeo foi uma pessoa que comprou sempre essa ideia. O Takeo, devo ressaltar aqui que o Takeo sempre foi uma pessoa que realmente comprou essa ideia da participação da Eletropaulo a nível externo, a nível de competição, porque ele também sente essa necessidade da Eletropaulo estar junto com a população de um modo geral. E por que o futebol de salão e o atletismo? O atletismo porque é um dos esportes mais carentes a nível de Brasil. Então todos os atletas que praticam atletismo, eles são de camadas bem carentes da população. Então é uma forma da empresa investir no social, na comunidade, quer dizer, alguns atletas vieram de turma da rua, alguns atletas vieram de favelas. Então há uma preocupação social, porque enquanto nós temos mais ou menos hoje cerca de 150 atletas envolvidos, entre menores e adultos, no projeto. E eles são cobrados: escola, a frequência escolar, uma série de coisas, tem encaminhamento médico, tem assistência médica, alimentação, uma série de coisas. É um projeto. E o futebol de salão, por ser o esporte mais praticado na Eletropaulo, dentro dos campeonatos internos de futebol de salão, é o esporte mais praticado. Isso também passou, e por ser realizado em salão, em quadra coberta, é uma facilidade a mais que a gente teve também de montar as equipes competitivas. Hoje nós temos mais ou menos também de 150 garotos envolvidos nesse projeto. Então, ao todo, a Eletropaulo tem aí cerca de 300 atletas envolvidos nessa condição de aspecto social da empresa com a comunidade. Logicamente, a gente não pode atender toda comunidade como um todo, mas é a pequena parcela que a empresa tem a responsabilidade de ter junto à população. Então é o que a gente pode e que a empresa se propõe a fazer nesse caminho.


Infra-estrutura para os atletas

Geralmente tem uma triagem. Logicamente, a pessoa tem que ter uma tendência a praticar o esporte, sem dúvida. Tem uma triagem, tem as escolinhas, hoje lá no Socorro nós temos os técnicos que fazem uma triagem dos atletas, e eles são encaminhados a um treinamento. A gente dá um lanche para as crianças. Quando a crianças já estão numa fase de competição, que é de sábado e domingo, nas categorias menores, tem os uniformes, tem toda a infra-estrutura, alimentação, assistência médica, tudo para que ela possa desenvolver sua capacidade de competir pela empresa. E na área de atletismo, a gente tem uma escolinha lá no Ibirapuera, na pista de atletismo do Ibirapuera. Também é feito o mesmo processo, tal, nesse sentido. Então a gente tem essas duas metas. E tem um corpo técnico que é especializado. Aliás, eu reputo o corpo técnico de atletismo, quer dizer, uma das melhores coisas que nós temos na nossa equipe é o corpo técnico, que todos são formados na mesma época da faculdade, que é a turma de 82. Então hoje nós temos o Humberto que começou com a gente. Era atleta. Virou técnico e já passou por várias delegações de seleções brasileiras. Ele foi para o Panamerico em Cuba como técnico da equipe de fundo. Ele tem um atleta campeão panamericano que é o José Mauro Valente. Foi campeão em Cuba panamericano, dos 1.500 metros. A gente tem um outro técnico que se formou conosco também, que era o Katsuko que foi o melhor velocista na época dele. Ele era considerado o japonês mais veloz do mundo. Ele é descendente de japoneses. Então ele era mais conhecido no Japão do que aqui (risos). Tinha um recorde brasileiro na época dos 100 metros rasos. Ele é da mesma turma nossa também da faculdade. Se formou, trouxe ele pra cá e continua com a gente até hoje. Ele era responsável pela equipe de velocidade da Eletropaulo. E a equipe de fundo é do Humberto. E nós temos dois professores, que é o Neílton Moura, que é o responsável pela equipe de saltos. Então os melhores saltadores hoje estão na mão dele. E o Nélio, que é o irmão do Neílton, também ele já posterior a esses três, já veio mais recentemente, mas também é da mesma turma da época de faculdade nossa. Também é responsável pelas categorias menores e de salto também, da mesma área de saltos. Todos esses técnicos foram formados por nós, pela Eletropaulo, nós demos projeção a ele, quer dizer, condições para que ele desenvolvesse o potencial deles e que hoje eles fazem parte, todos eles de seleções brasileiras. Então o corpo técnico é um dos pontos altos que nós temos. E no futebol de salão também. Quando nós começamos, nenhum deles era federado. Então a gente procurou formar as pessoas, os técnicos. A gente teve o Marcos, que começou com a gente, mas ele teve que ir embora há uns três anos atrás. Foi pra Brasília e ficou o Raimundo, que é o famoso Ica, que também começou com a gente desde os menores. Passou por toda a fase, todo o processo. Hoje é o técnico da equipe principal e coordenador de todas as escolinhas. E o Nicola, que também começou com a gente nessa época. Então são todos formados na casa. Quer dizer, essa é a grande vantagem. Todos têm um carinho muito grande pela ADC e pelas pessoas que vêm fazer teste na equipe, uma série de coisas.

 

Funcionamento do patrocínio

A Eletropaulo dá uma subvenção pro clube, que é pra realizar os campeonatos, toda a formação interna de eventos para os associados. Porque a mensalidade, ela é baixa em relação aos clubes externos ou outros clubes, como Palmeiras, Corinthians, Pinheiros, Espéria. Quer dizer, a mensalidade que o associado paga é muito baixa. E a empresa complementa essa verba com uma subvenção. E de três ou quatro anos pra cá, ela vem dando apoio ao esporte. Então de uns oito anos pra cá, ela incorporava a subvenção na parte para os atletas, quer dizer, para as equipes de competição externamente, né? Há dois anos pra cá tivemos problemas com esse tipo de processo. E. houveram negociações do Takeo com a empresa, com a minha ajuda também, e nós fizemos um contrato particular. Então hoje existe um contrato entre a Eletropaulo e a ADC a nível de esporte de competição. Então existe uma verba que é estipulada ano a ano, para o ano em curso, né? Esse ano nós vamos negociar com a verba para o ano que vem e aonde a gente é obrigado a manter um certo número de atletas e prestar contas a esses atletas para a empresa. A imagem, a mídia, uma série de coisas que a gente é obrigado a fazer, relatórios mensais para a empresa, para que ela possa saber o que está sendo empregado nessa linha. Eu acho que foi uma evolução, foi a maior evolução que tivemos nesses últimos anos entre a Eletropaulo e o clube, porque vinha uma verba, uma subvenção, mas não se prestava contas nesse sentido. E hoje não, a empresa tem uma preocupação de saber como que estão indo os atletas. O que que estão representando. O que estão fazendo e tal. Isso é muito bom pra nós. Sinal que o trabalho está sendo reconhecido, que eles tendem a apoiar esse tipo de trabalho.

 

Sonho para a ADC

O grande sonho na ADC, e meu trabalho se completa a partir do momento que a gente veja o clube funcionando como um todo. E eu também acredito que seja o grande sonho das pessoas que idealizaram o início em 78, da união dos clubes, tal, que é sonho do Takeo, do Mizo, do Arnaldo, do Jubelini, enfim, de todas as pessoas que começaram com a gente esse projeto. O grande sonho é a pessoa entrar no início do dia e sair no final do dia contente, onde ele tenha passado pelas piscinas, onde ele tenha passado pelo campo de futebol com a pista, onde ele tenha passado pela sede social, pelo restaurante e tenha saído satisfeito no final do dia, com todos os equipamentos completos. Eu acredito que esse dia ele não esteja longe, pela dedicação de toda diretoria ao longo desses anos e todas pessoas que trabalharam e puseram um tijolo pra que isso fosse formado. Se as pessoas e a diretoria continuar coesa, acho que esse dia não estará longe. Esse é o grande sonho da ADC. E o sonho pessoal é o sonho de ver concretizada a formação das minhas filhas, a formação delas, que elas estejam bem encaminhadas na vida e uma coesão familiar que se perpetue até aonde a gente puder levar a nossa vida, um dia ela terminar, mas até lá que a gente possa levar todos os nossos sonhos adiante, que é a coesão familiar e aí ver a nossa família, as nossas filhas, no caso, formadas e exercendo a formação delas. Eu gostaria de agradecer a diretoria da ADC por todos esses anos de convívio, com todos os diretores, com todas os associados e dizer pra todos que nós estamos perto de realizar o sonho. Então mais um pouco de luta, de sacrifício, a gente consegue chegar até lá. E agradecer vocês também por essa oportunidade de estar aqui podendo falar e relembrar alguns fatos que a gente lembra desde o início. Obrigado.

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