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História

Uma Surpresa no Sertão

História de: Fernando Luiz de Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/02/2021

Sinopse

A obrigatoriedade de elaboração do Rima, levou professores e pesquisadores universitários a idealizar e trabalhar na formação do Museu de Arqueologia do Xingó, contando com apoio financeiro e material da Petrobras e apoio intelectual de outros pesquisadores. Fala sobre arqueologia e técnicas arqueológicas. Conta sobre o acervo, funcionamento e expectativas do museu.

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História completa

P/1 – Bom dia.

 

R – Bom dia.

 

P/1 – Fernando, eu queria começar esta entrevista pedindo que você diga seu nome completo, o local e data de nascimento.

 

R – O meu nome é Fernando Luiz de Carvalho. Eu nasci em Aracaju. A data de nascimento: 11 de janeiro do ano de 1948.

 

P/1 – Fernando, você pode falar qual é a sua formação?

 

R – Eu tenho como graduação dois cursos: História e o curso de Direito. E o meu mestrado em Arqueologia.

 

P/1 – Fernando, eu queria que você contasse pra gente a história desse projeto do Museu Arqueológico do Xingó.

 

R – Pois não. 

 

P/1 – Como é que começou, como é que ele foi se desenvolvendo?

 

R – Nos anos 1970, pressões internacionais levaram todas as grandes empresas no Brasil a se responsabilizar com a elaboração de planos de Relatórios de Impacto sobre o Meio Ambiente, o Rima. A Companhia Hidroelétrica São Patrício [Chesp], nos anos 1980, se instalou nesta área do São Francisco, onde hoje está a Represa do Ximbó para a montagem _____ da represa. Ela era obrigada, portanto, a fazer o Rima. Manteve contato...

 

P/1 – Para fazer...

 

R – O Rima. Esse Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente. E manteve contato com universidades que tivessem grupos de biólogos, botânicos, arqueólogos. Nós tínhamos um grupo de trabalho ainda em formação. Eu tinha terminado o meu curso de Arqueologia, havia estudantes bolsistas e nós fomos contactados pela Chesp sobre o interesse de iniciarmos um projeto ali. Entramos em contato com universidades que já tinham experiência, principalmente no Paraná. Foi a responsável pelo salvamento arqueológico de Itaipu. Passou (Igochimis?). Ele se prontificou a nos dar consultoria. Entramos em contato com a Universidade de Minas com o Professor André (Paul?), ele se colocou à nossa disposição. E assim nós assinamos - nós, a Universidade Federal, o meu Departamento de Ciências Sociais - assinamos um contrato para o salvamento arqueológico daquela região. Isso foi iniciado em 1988.

 

P/1 – E os trabalhos de campo também?

 

R – Os trabalhos de campo em 1988. Nos anos 1990, o trabalho já avançava substancialmente. A Chesp percebeu a magnitude do projeto. Nós trabalhamos um número de mais de 200 sítios arqueológicos e a Chesp, que sempre nos deu um bom apoio, sentiu que precisava de uma parceria maior para a montagem e a continuidade do trabalho. Acho eu que ela percebeu que não tínhamos mais oxigênio para dar andamento. Foram feitos contatos pela própria Chesp com a Petrobras. A Petrobras mostrou interesse primeiro em uma conversa. O Reitor da época se reuniu com a nossa equipe e a Petrobras tinha interesse na construção do museu, que naturalmente abraçaria todo o acervo coletado nesses anos de trabalho, que é um acervo expressivo.

 

P/1 – Conta o que vocês acharam, um pouquinho. Conta do acervo, como é que foi o trabalho de campo.

 

R – Olha, nós conseguimos um contato e um grande terraço fluvial. Nós encontramos a maior necrópole do paleoíndio brasileiro. Foram resgatados mais de 170 esqueletos completos colocados em casulos e com datação que vai a nove mil anos. Então, isso permite uma recuperação com informações do paleoíndio sob aspecto físico, (antropofísico?) e tal. Tanto que há uma doutora da Suíça, em Lausanne, que está fazendo estudos deste material. Temos agora também um outro professor de Antropologia Física trabalhando com esse material. Então, esse é um primeiro achado que foi exatamente um grande volume de esqueletos completos com várias faixas de idade nesse enterramento do chamado Sítio Justino. Quando...

 

P/1 – Esses esqueletos, você falou, estavam nuns casulos? Como é que eram esses casulos?

 

R – Não. Nos enterramentos primários. Eles eram enterrados em várias posições, decúbito dorsal, lateral direito, lateral esquerdo. 

 

P/1 – Mas tinham urna ou não?

 

R – Só em um caso foi colocado em uma panela. Não seria bem a confecção de uma urna funerária. Foi o aproveitamento de uma panela e foi feita deposição cuidadosa dos ossos de uma criança, o único caso do chamado enterramento secundário. No mais, enterramentos primários. E toda vez que nós encontramos um cemitério implica dizer que você vai encontrar adornos, você vai encontrar farto material cerâmico, material lítico porque os ritos funerários do Homo Sapiens continuam como nós. Enterramos nossos entes com colares, com relógios e etc. E aí encontramos. Então, esse Acervo do Justino, compreendendo material cerâmico e material lítico lascado e polido, adornos, representa 60% a 70% do acervo exposto no museu. Além desse Sítio do Justino, outro sítio importante foi o São José II, no lado alagoano, que o Sítio do Justino é no lado sergipano do São Francisco. O São José II também nos permitiu uma coleta muito boa de material, recuperação de enterramentos. E em vários terraços que foram trabalhados às pressas porque é arqueologia de salvamento. Em 1994, o rio, subiu a água do rio 110 metros e todos esses sítios foram perdidos. 

 

P/1 – Você fala arqueologia de salvamento é por causa dessa pressa, sabendo _____?

 

R – É. Tem que adotar técnicas que não são as técnicas convencionais. São técnicas que você, a forma de você fazer o corte estratigráfico, de você fazer as decapais, ela é diferente de uma técnica convencional, mais rápida. 

 

P/1 – E aí vocês conseguiram, enfim, sabendo que tem uma pressa, vocês conseguem retirar?

 

R – Consegue retirar com todos os cuidados. Aí nós tivemos a sorte, porque já estávamos com a Chesp e outras empresas interessadas. Quando o projeto começou a ter uma certa magnitude, empresas que participavam no esforço da Chesp, uma (Promum?) e outras empresas de expressivo porte, elas começaram também a colaborar. Uns davam lonas, outros liberavam trabalhadores. Então, isso permitiu que o salvamento tivesse uma dimensão maior. E o acervo que se tem e que aí chegou o bom momento quando a Petrobras se ofereceu para a montagem do museu e a manutenção, em parte, das explorações. 

 

P/1 – E aí a Petrobras entrou com o financiamento pro museu, especificamente pro museu?

 

R – Pro museu. O primeiro contato da Petrobras, nós temos, firmamos um contrato para cinco anos. Esse contrato termina agora em 2004, início de 2005. Esse contrato nos permitiu a construção do museu.

 

P/1 – Aí o museu tá situado... qual é o local? 

 

R – Em Canindé, Sergipe, no local, ou seja, o museu fica em frente à barragem. Fica no canteiro de obras. 

 

P/1 – Como é que é o nome do sítio, que vocês chamam, do museu, só Xingó?

 

R – Museu de Arqueologia de Xingó. Então, esse museu permite um volume grande de visitas. Ultrapassou todas as nossas expectativas porque ele fica numa área distante da cidade. Mas já estamos ultrapassando cinquenta mil visitas. Um número, para museus naquele local, um número impressionante. 

 

P/1 – Isso já em quantos anos?

 

R – E visitas internacionais, turistas do mundo deixando... Tanto que a expressão ‘Uma surpresa no Sertão’, que é o slogan do museu, surgiu de informações que foram sendo deixadas pelas visitas. 

 

P/1 – Beleza. Um nome bonito também. E o museu então aberto há cinco anos?

 

R – O museu foi inaugurado em 2000. Então, há quatro anos. Quatro anos que nós estamos com ele. 

 

P/1 – E vocês, então, além da construção, teve a manutenção _________?

 

R – É, os recursos da Petrobras. Como nós fizemos por administração direta, economizamos bem os recursos. Os recursos permitiram toda a confecção da parte de vitrine, toda a parte da chamada expografia com orientação técnica. Trouxemos um dos melhores museólogos do Brasil, que é a Professora Doutora Cristina Bruno, que continua nos dando a consultoria. Esteve recentemente aqui. Agora mesmo estamos fazendo com um novo apoio da Petrobras uma renovação da expografia, que todo museu, ele cansa com o tempo. Então, ele precisa renovar a parte visual, interna do museu. Então, nós estamos fazendo essa renovação com a orientação da Professora Cristina Bruno para 2005. 

 

P/1 – Conta um pouco o que é que você acha mais interessante do que está exposto, ou do que vocês têm lá no acervo. O que é pra você, assim, mais significativo?

 

R – Veja bem, primeiro o espaçamento físico do museu se adequou _____ a Arquiteta foi muito feliz _____ ao espaço externo. Então, o museu é livre. Você caminha como se estivesse caminhando na parte externa. Conseguiu-se dar uma sequência tecnológica, líticos, registros rupestres, cerâmicos, que é um pouco a sequência tecnológica da ocupação dos paleoíndios há 9 mil anos, até chegar a grupos ceramistas e tal. Do acervo do museu o que mais realmente impressiona é a necrópole, é o enterramento. 

 

P/1 – E isso vocês têm exposto lá?

 

R – É. Aí foram feitas duas câmaras especiais com a orientação da Cristina, que têm iluminação adequada, música ambiente adequada, temperatura adequada. Então, quando você entra, você entra como num memorial. Eu lembro muito o Memorial de JK em Brasília que tem aquela luz pouca, aquela música de canto. Então você entra, você tem aquele respeito aos que estão ali, aos restos que estão ali que foram recuperados. Eu acho o ponto mais importante do museu. Eu acho que o mais... que impressiona mais, que impacta. E o outro é o acervo cerâmico. Nós resgatamos muitos, muitas peças inteiras, fragmentos. O número...

 

P/1 – Peças inteiras também?

 

R – Sim, porque faziam parte do rito de enterramento. 

 

P/1 – E elas são próximas ao que? Pra gente ter uma ideia. 

 

R – Parte das peças próximas aos próprios cadáveres, os esqueletos. Porque? Porque faziam parte do rito. Eles colocavam fogueiras, cozinhavam, comiam ali, e era feito o enterramento. 

 

P/1 – E você...

 

R – E uma parte do alimento era oferecido ao morto, ficavam em panelinhas menores, ______, pequenas panelas, também era colocado o alimento.

 

P/1 – E você deu uma data, mais ou menos, de 9 mil anos.

 

R – É. A datação mais antiga em rádio carbono é de 9 mil anos. 

 

P/1 – E tinha alguma maneira de recuperar a alimentação ou não? Vocês conseguiram chegar perto?

 

R – Nós estamos... 

 

[Pausa]

 

P/1 – Que é fantástico, né?

 

R – Você não esteve lá?

 

P/1 – Não, eu fico louca pra ir. Me diga, qual é o melhor local pra ir daqui de Sergipe?

 

R – Não tem erro. É a estrada pra Canindé, no São Francisco e Paulo Afonso. Paulo Afonso fica pertinho. 

 

P/1 – É pertinho?

 

R – Bem pertinho.

 

P/1 – É quanto tempo?

 

R – De Canindé a Paulo Afonso?

 

P/1 – É.

 

R – 40 minutos. 

 

P/1 – Eu fico louca pra _______.

 

R – Vale a pena, você vai a Paulo Afonso.

 

P/1 – Você tava falando da datação de 9 mil anos. E a parte de.... algumas partes vocês conseguiram recuperar... a alimentação?

 

R – Ah, sim. Agora nós estamos trabalhando exatamente em cima da alimentação porque, quando a arqueologia faz o seu trabalho de campo, ela tem uma etapa onde ela é capaz de, muito cuidadosa, em que todos os resíduos, inclusive polens, tudo é recolhido e é guardado adequadamente. O arqueólogo de campo não tem competência para fazer o trabalho porque a arqueologia é um trabalho multidisciplinar. Então, tem que vir especialista de outras áreas. A parte de Palinologia tem especialista, na área de Botânica, pra fazer o estudo. Não fizemos ainda. Tá lá reservado. Agora estamos trabalhando, começando a trabalhar, os resíduos da fauna. Então, esses restos de fauna, inclusive a exposição cenográfica, a expografia, com a mudança de cenários para 2005, vai considerar essa parte de animais. Nós contactamos com um artista de São Paulo que vai fazer. Foi o mesmo que fez em Itaipu. Ele vai fazer toda a parte de bonecos. Porque nós agora não vamos expor a peça friamente, vamos expor a peça no seu contexto humano. Então, vão aparecer os bonecos confeccionando alimento, a peça lítica, certo? Quer dizer, caçando. São 17 bonecos. Vão estar distribuídos.

 

P/1 – 17 cenários ou é uma cena só?

 

R – Não. 17 bonecos em cinco cenários. Então, um dos cenários é a parte da fauna, que nós vamos então mostrar caçando, quais eram os animais... E mostra o animal trabalhado, por esse artista, que ele faz em papel machê.

 

P/1 – E qual é o nome do artista?

 

R – Não lembro. Mas é uma pessoa de expressão. Foi a Cristina Bruno que nos levou a ele. Foi quem montou Itaipu. Conhece o Museu de Itaipu?

 

P/1 – Não. 

 

R – Temos bonecos também, eles são estruturados, mas vocês do Rio de Janeiro, vocês conhecem os maiores artistas que trabalham com isopor e papel machê no mundo, que monta os desfiles das escolas e não há nada igual. Então, naquela qualidade, são bonecos muito bem feitos, que vão recuperar um pouco o cotidiano, as atividades, quebrando um pouco aquele sentido pesado de que museu de arqueologia vê peças expostas. 

 

P/1 – Você acha que as pessoas podem entender melhor o contexto?

 

R – Muito melhor. Hoje os museus no mundo estão trabalhando nessa linha cenográfica. Estão contratando cenógrafos profissionais. Eu vi a exposição da Fundação Oswaldo Cruz. Fiquei maravilhado. Eles contrataram um grande cenógrafo do Rio de Janeiro. A exposição é um show. 

 

P/1 – É bonita sim. 

 

R – Com uso de luz. 

 

P/1 – Fernando, nesses seus anos de trabalho lá no museu, qual foi... e até no campo e tudo,  você chegou a fazer trabalho de campo também?

 

R – Sim. Embora o meu trabalho fosse mais de coordenação, mas trabalhei em campo sim.

 

P/1 – Qual foi a maior dificuldade que vocês encontraram nesses anos todos de trabalho, desde o início?

 

R – No início do trabalho era a ausência de trabalhadores qualificados, trabalhadores braçais da região que tivessem a sensibilidade para o cuidar da peça arqueológica, forma de coleta. Encontrou, serve técnicas para deixar ali a peça e tal. Mas aí a nossa arqueóloga que dirige a _____, a Professora Doutora Cleonice Verner, ela entrou em contato com a professora dela, Professora Niele Guidon do Piauí e a Niele mandou dois trabalhadores bem treinados que treinaram os nossos trabalhadores. E aí melhorou bem Então, o primeiro ano foi difícil porque não tínhamos trabalhadores qualificados. Depois se conseguiu. E outra dificuldade é o local. Um local de sertão muito inóspito, sabe? A limpeza da terra com muitos mandacarus, muito espinho. Sempre havia alguns pequenos acidentes. Os deslocamentos de barco, o rio grande. Os terraços, pra serem localizados, tinha que ser por barco. Então, esse aspecto do entorno dos sítios eram a maior dificuldade. 

 

P/1 – E vocês tinham, quando vocês começaram o trabalho, vocês tinham ideia da amplitude que isso ia tomar?

 

R – Não tínhamos, não. Nós fomos com três arqueólogos. Eu coordenava o trabalho à época. E nem a Chesp, claro. A Chesp nos contratou pensando que seria... tanto que Sergipe não tinha muita experiência, eles pensaram: “Não, bota o pessoal de Sergipe porque vão achar uns dois ou três registros rupestres e tal.” Aí, quando se depara com esses terraços e aí o trabalho da nossa Arqueóloga de campo, a Cleonice Verner, foi muito bom, que ela é muito perspicaz, muito eficiente em campo, aluna da Niele Guidon. Então, ela foi maravilhosa e se conseguiu esses resultados.

 

P/1 – Você acha que o Museu Xingó contribuiu com um passinho a mais na arqueologia brasileira? 

 

R – Ah, mas não tenho dúvidas!

 

P/1 – O que você acha disso?

 

R – Ah, não tenho dúvidas! Hoje é um ponto de referência. Já estão vindo arqueólogos pra estudar acervos, discutir. Participamos, promovemos já dois workshops com presenças nacionais e o próximo será internacional.

 

P/1 – Isso lá no museu mesmo?

 

R – No museu. Então, hoje não há dúvida que é uma referência. Sem dúvida. E a nossa patrocinadora, a Petrobras, é quem mais vibra. Eu acho que não sei quem mais tá encantado com o museu. Somos nós mesmos ou a própria Petrobras. E o pessoal, os funcionários visitam muito o museu. Acham como museu deles mesmo. De certa forma tudo foi viabilizado pelo apoio da Petrobras. 

 

P/1 – Você acha que sem um patrocínio, assim, o trabalho teria saído, sem o apoio da Chesp?

 

R – Ah, não teria! Não teria porque as universidades federais e a nossa, que é universidade de menor porte, elas têm muitas dificuldades para tocar um projeto nesta magnitude e a Chesp, isoladamente, também não teria condições. Claramente, a Chesp mostrou que não teria condições. Se não tivesse o patrocínio da Petrobras, o projeto se transformaria em um pequeno projeto. O museu seria uma unidade de exposição de peças, mas não com todas as características técnicas e exigências técnicas e laboratoriais de um museu, como hoje lá à disposição das visitas, não só o turismo, mas principalmente dos técnicos que trabalham na área. 

 

P/1 – O trabalho de campo ainda continua ali pela região?

 

R – Continua. 

 

P – Como é que está?

 

R – Agora nós estamos trabalhando à jusante.

 

P/1 – Perdão.

 

R – À jusante do rio, abaixo da barragem. A parte inundada não tem mais jeito. Mas, ali nós estamos trabalhando porque a Chesp construirá uma outra barragem na região do Pão de Açúcar, Alagoas. Então nós estamos trabalhando nessa área. Como será construída dentro de uns dez anos, então está nos permitindo um trabalho, aí sim, sistemático, com muito mais efetividade. Então, nós estamos hoje num sítio chamado Barracão, que fica próximo à barragem, mas já exatamente na área não inundada e que não vai ser inundada tão cedo, pelo menos nesses dez anos. Então, o trabalho continua. E é aí que entra o patrocínio da Petrobras, que a Petrobras percebeu, à proporção que a Petrobras foi vendo a seriedade do parceiro, me permita a falta de modéstia, a Petrobras também foi facilitando as negociações. E aí a Petrobras que, de início, tinha receios em investir na parte científica da pesquisa, ela foi cedendo ao perceber que a universidade não tinha condições e que o projeto precisava uma parte dos recursos para investir em campo, em pesquisa. 

 

P/1 – Bacana. E quais são as suas expectativas, assim... Você falou que vai ter agora, mas já é uma coisa imediata que já tá planejada da exposição se renovar?

 

R – Nós ficamos tensos sempre. Toda vez que termina ou está próximo a terminar o contrato, pensamos: “E aí?” Porque, se fica sem o patrocínio da Petrobras, a universidade não vai ter condições de tocar o projeto. Vai ficar um museu com quatro ou cinco funcionários atendendo as pessoas, mas sem ser retroalimentado. Não vai ter condições. Então, é o susto. Tivemos recentemente a presença de uma importante diretora da Petrobras, não recordo o nome. Ela nos garantiu, agora pra 2005, um percentual complementar, que nós estávamos com dificuldades de tocar o projeto. E não acenou, com certeza, da continuidade. Mas nos deixou menos tensos para, quem sabe, uma outra negociação.

 

P/1 – Mas, aí então as suas expectativas futuras também, pra continuação dos trabalhos, o que é que você planeja, assim? Quais são os seus projetos?

 

R – Eu não sou diretor, né? Eu trabalho com assessoria.

 

P/1 – Pois é, mas o museu como um todo.

 

R – O museu tem uma necessidade de expansão física porque o acervo não há como expor. Embora o museu tenha uma boa dimensão, mas o acervo precisaria de umas áreas expográficas melhores. Inclusive, nós vamos fazer agora, estamos trazendo uma doutora cujo doutorado dela foi nessa área, uma moça de Minas Gerais, que é uma simulação de escavação arqueológica. Então, é todo um trabalho tecnicamente orientado. Então, quando o turista for nos visitar, e principalmente alunos nas chamadas férias arqueológicas, ele irá para essa grande área que será 200 metros quadrados, coberto e tal, ele irá fazer a escavação simulada. Então, esse é um projeto que, em alguns países europeus, já existe. No Brasil tá começando a se fazer a simulação.

 

P/1 – Bacana. Eu queria... a gente vai terminar a nossa entrevista. Eu queria perguntar o que é que você acha, enfim, dessa iniciativa da Petrobras, também tá fazendo esse Projeto Memória, e se você gostou de estar participando?

 

R – A gente fica com inveja de... a universidade não tem memória. A universidade, a memória dela mesmo não tem. A nossa universidade é nova. E quando, agora, se foi rever os 25 anos da nossa universidade, tão jovem, tivemos dificuldade de recuperar os 25 anos. Porque? Porque não tivemos o cuidado, como agora a Petrobras tá tendo, de um Projeto Memória. Ela própria alimentar as suas raízes, sua história, seu passado. Eu acho muito importante, principalmente em se tratando de uma empresa da magnitude da Petrobras.

 

P/1 – Tá, Fernando. Eu queria agradecer a sua participação, a sua vinda até aqui também pra colaborar com a gente. Eu queria desejar que o projeto continue... 

 

R – Eu gostaria, como último registro, dizer que todos nós brasileiros ficamos emocionados com o material da Petrobras em suas comemorações quando apareceu um funcionário com a primeira carteira profissional da Petrobras. Aquilo ali tocou a todos nós. Acho que ficou muito bonito aquilo.

 

P/1 – Você quer deixar mais alguma coisa registrada, também do seu projeto lá do museu?

 

R – Não, não. Agradecer mais uma vez à Petrobras pelo patrocínio que tem dado. Espero que continue nos apoiando pela importância quase imprescindível, o apoio da Petrobras.

 

P/1– Obrigada, eu queria desejar vida longa a esse projeto tão bonito que vocês estão fazendo.

 

R – Eu que agradeço. 

 

--- FIM DA ENTREVISTA ---


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