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História

Uma luta pelos direitos humanos

História de: Ivonete da Silva Sousa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/01/2009

Sinopse

Em seu depoimento, Ivonete da Silva Souza conta sobre sua infância e como na escola encontrou o gosto pela literatura e pelos estudos. Fala sobre a situação social e política de sua cidade e como se formou em Filosofia, Psicologia e Meio Ambiente. Aborda sobre sua proximidade com os trabalhos sociais no âmbito da cultura e sua longa luta contra a prostituição infantil e o trabalho escravo das empresas da região. 

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História completa

Meu nome é Ivonete da Silva Souza, e eu completo ano dia 28 de outubro de 1974, tenho 33 anos, nasci aqui em Açailândia do Maranhão. Meu pai se chama Sebastião Pereira de Souza, minha mãe, Luiza da Silva Souza. Eles vieram do Ceará, são cearenses e os pais deles são indígenas. Os dois trabalham com a questão da lavoura, na roça, são agricultores. Minha mãe nunca trabalhava fora, só às vezes na roça, cozinhando pro meu pai pra questão da roça. Minha mãe sempre cuidou de nós. Da casa, nunca trabalhou fora.

 

A gente morava numa casa ainda de barro, na época, também era de palha, depois fio de barro. Agora, hoje, é uma casa construída, com toda a estrutura que uma casa tem que ter. Mas no início era de palha e pronto. Palha e coberta de barro. Então aqui não era, não tinha. Ele é um dos primeiros habitantes aqui de Açailândia.

 

Meu avô era puro indígena, já morreu, a minha avó não. Ela é cearense pura, mas meu vô não, era indígena mesmo, casado com uma branca. Teve que sair do convívio social dos indígenas.

 

A gente, na verdade, brincadeira, como só era mais mulheres, a gente brincava muito de casinha. Como na roça a gente tem privilégio, não tinha carro nem nada, de correr, de brincar de bambolê, de elástico, de cancan, que a gente chama, que é amarelinha, então dessas brincadeira a gente brincava muito. Como tinha muita mulher, então não tinha dificuldade pra brincar.

 

Quando eu comecei a estudar minha oitava série, eu comecei a ler livro de literatura. Eu comecei a ter o gosto pela leitura, então eu lia muito, muito, muito livro. Eu engolia, comia livro de literatura. É... esses livros de Machado de Assis, eu lia quase todas as coleções dele. Então eu gostava muito disso, de explicar, de ir na frente falar, de explicar as matérias, de conversar com os professores depois que eu fui entendendo mais das coisas. Foi a partir daí que eu comecei a colocar na minha cabeça que eu tinha fazer uma faculdade. Então eu não parei de estudar. Na época eu queria Assistente Social, só que não tinha, então eu fiz Filosofia e passei e estudei Filosofia. Fepois eu fiz Psicologia, Meio Ambiente, Pós-graduação Ambiental. Esse ano que vem eu estou querendo fazer outra Pós-graduação pra não ficar parada

 

Eu nunca gostei dessas coisas de festas. Eu sempre gostava muito de sair com meus amigos, mas não da escola. Eu não tinha amigos da escola, não. Eu tinha fora. Fora eu tinha, que eram os meus amigos da igreja, da Pastoral da Juventude. A Igreja Católica é a uns três minutos da minha casa, então eu tinha uns treze anos quando comecei participar. Ela começou a construir. Eu comecei a ajudar na construção. Então desde a construção até o final eu comecei a participar da igreja. Eu era muito envolvida na questão da igreja, do movimento social da igreja. Tanto a CEBE quanto a Pastoral da Juventude. Eu comecei a me engajar nesses dois.

 

A Pastoral da Juventude é mais com a área social. Então ela é um órgão da Igreja que trabalha, movimenta a área social da Igreja: tem a questão das famílias carentes, tem a questão de trabalhar com drogado. É esse o objetivo da Pastoral.

 

Desde os treze anos que eu saio pelo mundo. Eu viajo pra São Luís. Eu viajo sempre desde os meus treze anos, porque eu nunca fico em casa. Eu, quando eu comecei viajar, comecei a trabalho, a trabalho voluntário, na época no Conselho Tutelar. Faz com que a gente enxergue o mundo de outra maneira.

 

Meu primeiro trabalho eu tinha dezesseis anos, eu comecei trabalhar no Foro da cidade. Na verdade não foi um trabalho, o Juiz pediu pra eu secretariar ele, porque ele me dava uma ajuda de custo só. Então como na época ele não podia ter uma secretária nem nada pra atender o telefone, às vezes atender as pessoas só, era trabalho mesmo, assim, simples. Era um Juiz muito bom na cidade, trabalhava nessa questão da erradicação do abuso sexual, exploração sexual infantil. Depois eu trabalhei exclusivamente com a questão do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Conselho Tutelar. E hoje no Centro de Defesa (Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia) com a luta ao trabalho escravo também.

 

Sou educadora social, trabalho nos bairros. Já faz quatro anos que eu trabalho com a questão da capoeira, com a questão da conscientização dos jovens e adolescentes. E faz um ano que eu estou trabalhando nos bairros com a questão da conscientização também.

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