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História

Uma humanidade desconhecida

História de: Emerson Monteiro
Autor: Emerson Monteiro
Publicado em: 07/02/2015

Sinopse

Uma visão totalmente diferente daqueles que todos querem ou tem como salvador!

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História completa

Sempre fui entrevistado, sempre atendi a todos que me chamavam e perguntavam sobre suas vidas, sempre agi como um psicólogo e honestamente, mal tiro proveito para curtir minha própria vida. Odeio esse caos em que estamos impregnados, em que veio para todos como uma espécie de pedra de gelo que cai na neve e forma aquelas bolas imensas até ser parada caindo num abismo ou esmagando o que encontra-se abaixo dela.

As coisas estão tomando proporções tão intensas que ninguém mais consegue suportar as mudanças, as conversas, os atos, os outros seres! Me dê uma licencinha para acender meu cigarro aqui... Sim, voltando. Eu gosto de ser o que sou, entende?

Cada um nasceu predestinado a ser o que é? Não vou ocupar suas mentes e paciências com cunhos filosóficos ou espiritualistas. Mas é aquele caso, eu nasci com uma vontade muito grande de fazer o melhor para os outros. Não me levem a mal, não é questão de ser santinho ou querer mostrar para os outros que só faço coisas boas. Confesso que isso atrai o público feminino e que já me diverti bastante com tal público. Mas, faço meus atos de acordo com o que penso, o que sinto, o que dá na telha mesmo, entende?

Uma vez me perguntaram se sou um mestre na retórica. Ri muito e confirmei. Mas, não uso o tipo de retórica maléfica como o filho da puta do Hitler ou Stálin. Minha retórica é para as influenciar as pessoas a serem cautelosas umas com as outras. É isso que falta no mundo hoje em dia, meu caro! As pessoas precisam cuidar umas das outras. Hoje em dia, nem a força do amor familiar tem mais o mesmo peso. Tá tudo muito louco, sacou?

É como se nada que foi feito, que foi sacrificado valesse a pena. Olho para todos ao meu redor e não vejo nada. Antes até tentava colocar a desculpa da ingenuidade, mas hoje, vejo que estava errado. Olho para esse cigarro aceso, penso e compartilho com vocês: A vida vai sendo dilacerada como essa seda e a nicotina. O fogo representa todos os nossos atos. Entendeu o que estava comparando, não é? Gosto da minha inteligência.

Sabe... Tento fazer muitos parâmetros, muitas comparações. Sou como o Mestre Myagi de “Karatê Kid”. Sempre tento ensinar aos meus conhecidos, amigos, admiradores... Como se fossem o Daniel San. Aquela coisa de utilizar métodos comparativos para ver se eles entendem facilmente. Por mais que tenha uma paciência enorme, ainda tem muitas lições a serem aprendidas, muita coisa para colocar em ordem. Sei lá. Gosto de beber. Já tomei altos porres e fiquei louco em várias noites. Sabe como é... Adolescente, querendo ver o que a vida me dava naquele momento.

Antes, odiava o peso da responsabilidade. Hoje em dia me acostumei e gosto de ter essa vida. É minha identidade, é algo que me traz superioridade... Não que eu queira ser superior, mas às vezes os outros impõem isso e acaba ficando. Fumo de vez em quando. Acho que para esquecer problemas, para ter prazeres. Não sei bem explicar, mas fico em êxtase com a vida. Uma coisa que gosto... Bem, isso é difícil. Ou fácil. Acho que é difícil escolher uma só. Posso listar? Então... Gosto de fazer o bem ao próximo, de ficar cercado de gente conhecida e até desconhecida, gosto fazer caminhadas, pensar na vida, dançar até o dia raiar numa festa, gosto dos prazeres da vida e de fazer minha parte no mundo.

Ainda continuo fazendo, vale a pena ressaltar. Gosto muito mesmo de ficar na minha e esquecer um pouco tudo aquilo que é da minha responsabilidade. Ficar neutro em relação à tudo e todos. Muita gente espera muita coisa de mim e eu odeio isso! Gosto do espírito de liderança, mas quero que cada um faça sua parte também, porra!

Veja bem. Você tem um sindicato, mas ninguém procura trabalhar na área burocrática, na área de pesquisa e consulta, nas vistorias, nas reuniões... Só o chefe que faz tudo? Assim não pode! Digamos que dou direcionamentos e quero resultados. Quero partir para a luta com todos do meu lado e cada um fazendo sua função. Vamos tomar um whisky? A bebida dos deuses... Quer dizer, é whisky ou vinho? Ah, nem lembro mais. As pessoas inventam tanta arte. O papo tá bom e merece algo para impulsionar a conversarmos mais. Já que estou me abrindo aqui. Opa, olha lá... Abrindo uma porra! Lá ele! É bom rir das besteiras alheias não é? Sempre fui brincalhão.

Pintava o 7 quando era pequeno. Lia bastante, estudava bastante, sempre fui um bom menino. Mas, também aprontei pra caralho! Batia na porta dos outros e saía correndo, olhava as vizinhas tomando banho, jogava pedra nos meninos mais velhos e tantas outras coisas que nem me lembro mais ou até tenho vergonha de contar. Olhando para minha cara, nem parece que era capaz de aprontar, não é? Aprontei, tanto na infância quanto na adolescência. Não era nada banal, mas sou errante também. Hoje, nem tanto.

Vejamos, o que mais eu posso falar? Normalmente quando converso, digo muita coisa. As pessoas ouvem e transmitem o que querem. Sabe aquela brincadeira de telefone sem fio? Pois é. Começa com: “Mariazinha é bonita” e termina: “A mãe de Pedrinho é prostituta!”. Vai entender. Tenho muito medo de como as coisas que converso são passadas para outras pessoas. Os jornalistas mesmo fazem isso por diversão, pela profissão. É entendível. Mas, o restante das pessoas... Tenho até medo!

Acredito que as ideologias exageradas fazem mal. Todo mundo tem o direito de pensar e avaliar sua vida como bem entender, mas quando difunde-se algo que transforma o caráter... Aí é foda! As religiões e as variadas políticas, até nos ditos movimentos separatistas ou universitários são exemplos disso! Já li Foucault, Nietzsche, Durkheim, Marx, Cecília Meireles, Machado de Assis, João Ubaldo Ribeiro, Darcy Ribeiro e uma infinidade de teóricos, pensadores, artistas. Gosto de ler tudo. Gosto de música também. De tudo. Dançar um forró agarradinho, apreciar os acordes pesados do Jimmy Page no Led Zeppelin, recitar um rap. Mas, o que gosto mesmo é dançar como se não existisse o amanhã com um bom e velho Bob Marley.

Comparo-o muito com minha forma de ver a vida. Eu tenho medo de que os humanos não venham a progredir. Não tecnologicamente. Hoje tem aparelhos moderníssimos que fazem de tudo. Nunca pensei que as coisas iriam chegar onde chegaram e é até assustador ver essas máquinas tão inteligentes. Voltando... Falei tanto que até esqueci o que estava dizendo. Ah, sim, progressão humana. É! Hoje, não se tem sentimentos, não se tem respeito, não se tem nada. Tenho até medo de que meu sacrifício foi em vão! Depois de ver as besteiras que falam a respeito de mim e o que vendem utilizando meu nome. Realmente, fica muito complicado enxergar minha atitude como algo de valor. Me considero um herói, sabe? Não é todo mundo que teria cunhão para enfrentar uma sociedade poderosíssima (que depois se lenharam com as invasões bárbaras). Como disse no início, fui destinado à isso.

Claro que morri, voltei para o céu e blá blá blá. Mas, sempre venho entrar em contato com os humanos. Nada de Kardecismo, apenas eu volto ao mundo quando quero! Vi inúmeras guerras, participei do movimento hippie, lutei contra as ditaduras na América do Sul, fiz muitos amigos. E até hoje fico nessa. Vou para o céu e volto para Terra. Ainda não me acostumei a ficar sem essa rotina, sabe... Mesmo com essa decadência eterna dos humanos, ainda gosto deles. Só que estou mais afastado. Sem me envolver demais até porque não quero ficar botando mais expectativa em ninguém! Eu só tenho uma curiosidade: Ver a cara de todo mundo quando estarem no dito “Juízo final”. Isso sim eu quero ver.

Dou muitas risadas com isso, sabia? Não que seja uma pessoa ruim, mas as pessoas falaram tanto de profecias e imaginam como tudo vai ser, inventam símbolos e tantas outras baboseiras que até vai ser engraçado e frustrante quando conhecerem a verdade. A verdade... Isso sim pode ser algo cruel. Falei que não iria encher o saco com filosofia barata, mas fazer o quê? Parece que esses pensamentos já vem comigo. Se pudesse e tivesse paciência, escreveria um livro sobre minha vida, não esse que todo mundo diz que é a pura verdade (Pareço mais um chantagista emocional do que qualquer outra coisa, sei lá.) Algo que mostrasse meus feitos e minhas loucuras.

Isso é o que gosto de fazer: Loucuras das mais saudáveis! Sei que sou uma pessoa do bem e quem quiser pensar igual a mim, sempre é bem-vindo. Mas, as pessoas tem que cair na real que todo mundo tem o direito de se conhecer, de aprontar e entender a vida da sua maneira. Um brinde! Completa aí com esse whisky que gostei. Vou tomar no estilo cowboy e dar um passeio. Pensar na vida... Já disse que é a melhor coisa que gosto de fazer! Me chamam de muitas coisas. Emmanuel, Yeshua, Salvador, Pai, Mestre, Iesous. Mas, já estou acostumado com Jesus Cristo. Pode me chamar do que quiser, na verdade. Todo mundo já faz isso! Tenha certeza que pelo menos isso não me importo!

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