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História

Uma história sobre o amor.

História de: Tami
Autor: Tami
Publicado em: 24/12/2016

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Fogos, festa, música, promessas, desejos, metas, sonhos, oportunidade de recomeçar. É assim que a maioria dos brasileiros e possivelmente a maioria das pessoas do mundo vivem na virada do ano. Claro que cada cabeça carrega consigo o seu mundo. Eu, assim como a maioria, carrego o meu mundo com as minhas metas, sonhos, desejos e promessas na virada do ano. Foi assim nos últimos 3 anos: Rodeado de casais, cheia de metas, "limpa" , reflexiva. Mas foi em um passeio durante os poucos minutos de fogos na praia que conversei comigo e com Deus sobre o primeiro amor. Foi um papo reto, educado, gentil, esperançoso. Essa é a história da impressionante surpresa da vida e o poder de Deus e do universo de desconstruir todas as metas desejos e sonhos da minha vida dos últimos 3 anos. Essa é a história real do simples encontro do meu primeiro amor. Foi nos primeiros passos de 2016 que tudo aconteceu. Divertida, intensa, emocionante , comprometida com a vida. De carro importado, apartamento ganhado, cartão ilimitado. Apaixonada por conhecimento, desesperada para viver a vida, mais um pouco. Quando em um curso descobri que não queria nada daquilo. Desafio lançado, desafio aceito. Carro vendido, apartamento devolvido, cartão bloqueado, mudar a forma de viver a vida. Foi assim que me vi antes mesmo do fim do primeiro semestre. Enfiada num programa anual de desenvolvimento humano, pago em parcelas. Um quase novo carro popular, planilhas, controle da vida, nem tanto. Nessa altura do campeonato o conforto de ter um propósito para minha vida e uma missão maior que ela contribuíram para que a caminhada fosse plena e de crescimento apesar de mudar as possibilidades da vida. E quando eu menos esperava, aquele pedido que nem eu mesma lembrava que havia feito naquela noite de fogos, simplesmente, aconteceu. Era só um exercício, em meio a uma pequena grande multidão aglomerada em uma sala, mais de 1200 pessoas em busca de sei lá o que, que eu, cheia de coragem, compartilhei uma visão ambiciosa de 32 anos à frente, mais do que a idade que tenho até o momento. Alguém me viu, olhou, sentiu, conectou. Mas eu, distraída, animada, visionária e imatura apenas passei, simpática mas como nos últimos 2 anos, desinteressada. Um convite que recebi e mais uma vez simpática disse sim pra o jantar que não aconteceu. Esse foi o início do meu primeiro amor. Aos meus olhos, meu mundo, sem sentido. Talvez pela sua simplicidade. A verdade é que meu único propósito naquele programa anual era aprimorar minha vida profissional e financeira. Crente de que sabia o que fazia da vida, foquei tanto nisso que quase deixei passar por mim a experiência que eu realmente tinha que viver através daquele curso. Mais um mês se passou, mais uma vez lá estava eu focada, concentrada no que acontecia naquele palco que nem me dei conta que em meio 800 pessoas ou mais, eu na quarta fileira, lugar de quem chega cedo, estava acompanhada de duas cadeiras vazias ao meu lado. Uma vez um amigo me disse que minha luz era grande e tão forte que até meus inimigos me abençoariam. Posso dizer sua fala se concretizou através da primeira cadeira que foi preenchida ao meu lado após mais de 3 horas de curso que já haviam se passado. Eis que de repente, sem aviso, sem preparo, algo aconteceu... A segunda cadeira foi preenchida. Sem saber porque mas meu foco se perdeu das luzes do palco e se direcionaram para um brilho quase ao meu lado. Não entendia o porque, o que sabia era que passei a prestar atenção na improvável condição do ser humano de ser capaz de planejar um encontro quando a vida simplesmente me mostrou que ela responde seus pedidos. Um pedido enrolado de desculpas pelo furo da última vez... uma nova oportunidade. Seu mistério me dominava, me confundia, me encantava. Seus amigos me agitavam, me invadiam, me questionavam. Havia um novo propósito ali naquele curso e eu nem sabia. Eu sempre sonhei em trombar no meu primeiro amor. Bater de repente assim de frente e me apaixonar. Mas parece estranho, alguém que já raspou no casamento, sonhar com um amor à primeira vista, mas essa é uma outra história. Era dia dos namorados, confesso estava frustrada pois mais uma vez eu não queria estar só e por uma prova da vida recebi um convite para sair. Claro fui, e foi um fracasso. Eu já estava conectada em uma outra pessoa que vinha como um grande furacão batendo nas minhas estruturas construídas dia a dia com afinco pelos últimos 2 anos. Vinha contra tudo que eu havia construído na minha mente. Confrontava minhas idéias, minhas crenças, minha visão de amor... mas completava como nunca antes a minha capacidade de amor... mesmo seu eu saber o que era o amor, o primeiro amor. Tudo já havia começado mas foi quando finalmente naquele jantar, na capital , em uma das vistas mais requisitadas da cidade, pela primeira vez eu esperei sem pestanejar, sem me agitar,... o tempo deixou de ser importante quando a experiência passou a ser mais interessante. Antes mesmo da minha companhia chegar, eu já estava experimentando o amor e não sabia. O relógio deu mais de uma volta. Talvez seja mais uma das minhas crenças quebradas, desfeitas neste ano, mas pela primeira vez eu esperei por alguém e meu humor melhorava a cada minuto que passava só pelo fato de saber que era um minuto mais perto de estar com os olhos de novo naquele brilho. Finalmente, sem saber porque, sorriso enorme e vontade de rir, sem desespero, mas somente uma percepção que todo o resto se tornara desnecessário e irrelevante. Era uma pessoa maravilhosa, mas de repente uma notícia. Alguém está em casa a sua espera, alguém que não era eu, mas era alguém. Foi como um filme que passa como um flash. Todas as pessoas comprometidas que na minha adolescência e imaturidade da vida adulta conheci, todos os relacionamentos que tive que compartilhei com um outro alguém que eu já não sabia mais se eu era quem esperava em casa ou era eu naquela mesma cena daquele momento. Por um longo minuto.... decepção. Uma luta entre o “certo”e o errado”, uma carona... longa carona... mais conversa... e então... um beijo. Um beijo que durante o mesmo primeiro beijo já tinha a sensação de que era um beijo atrasado, deveria ter feito isso a muito tempo. Foi assim que descobri que nem sempre a mente pode ganhar quando um coração está decidido a sentir. Na noite em que fui para casa, pensando naquela longa e inesquecível noite esperei encontrar meu travesseiro esperando que após ele me auxiliar numa noite de descanso, fosse o mesmo que tamparia minha face de vergonha, de culpa, de arrependimento. Mas para a minha surpresa... nada. Simplesmente acordei, sorri e logo quis gritar para o mundo. Mas quando a mente quer vencer o coração ela desfaz a trama que o amor começa a construir e trama contra você mesmo com as suas próprias experiências. A vitória da mente vem quando tentamos vencê-la. Não poupei esforços para ir naquela direção somente para dizer: não vai mais acontecer. O que eu estava querendo dizer é: se isso continuar acontecendo o primeiro amor vai existir e eu não sei o que é isso. Mas como eu não sei que não sei e não faz sentido pra mim querer viver isso, não vai mais acontecer fazia mais sentido. Tentativa frustrada. Nesse pequeno espaço de tempo uma decisão de que ficaríamos independente das pendencias. Porém não assumimos. Desejo incontrolável de se aproximar, saber, falar, ouvir, tocar, sentir... Havia tanto conflito em mim.. Eu não era a pessoa que estava em casa a espera de alguém. Meu estilo de vida, princípios e escolhas passavam longe do que esta relação estava me oferecendo mas por diversas vezes minhas tentativas foram em vão acompanhadas de um belo “não vou desistir de você”. O que me deixava cada vez mais maluca. Essa foi ma das coisas mais apaixonantes que já ouvi na vida... as demais vieram dos mesmos lábios. Então aconteceu.. um encontro um quarto de hotel, mais um pouco de primeiro amor... mas nem tanto. Havia em mim uma vontade genuína de entrega, de viver aquele amor, de ser livre, pegar na mão sair andando, sonhar junto, viver por ai sem se importar. Cada segundo com meu primeiro amor sempre foi uma tonelada de emoções. E como eu amo a intensidade.. deve ser por isso que em pouco tempo estávamos novamente vivendo um dia único. Num quarto de hotel, entre muitos segredos revelados e não revelados um pedido de confiança... Ps.: essa parte da minha história se chama LIBERDADE. Em agosto de 2014 vivi o fim do meu ultimo relacionamento até conhecer o meu primeiro amor. Nesta mesma data tomei uma das decisões mais embaraçosas da minha vida. Viver uma vida que me permitia em partes conhecer uma ou outra pessoa que acabava sempre por conta de um dos extremos. Por um lado, minha decisão de estilo de vida excluía da lista 80% das pessoas, e por outro lado, as outras 19%. Estou falando de viver uma vida livre de relacionamentos sexuais entre outras regras que eu chamei de principio por 2 anos. Sem desmerecer a experiência deste tempo, tudo que precisei foi dar 1% de chance ao meu primeiro amor. Dito e feito. Aquele pedido de confiança me fez pensar e repensar e de repente um sentimento forte, confiança que me envolvia da cabeça aos pés, me sentia na beira de um abismo. Abismo esse que ao despencar não imaginava que estaria para mergulhar na maior experiência de relação que já tive. Eu me senti cuidada, importante, revelante. Cada minuto valia, cada movimento era único, era fundamental, era vivo. Foram as 24H mais intensas da minha história. Apesar de assumidamente para mim já estar com meu coração completamente entregue e com a certeza de que ele estava em boas mãos, sempre vinha a minha mente me lembrar dos meus passos e minha trajetória. As coisas não foram fáceis. Entre um fora e outro no meu primeiro amor, multiplicava-se um som que soava como musica nos meus ouvidos : “não vou desistir se tenho 1% de chance”. E então uma surpresa.... Um dia em casa antes de pegar no sono, uma lagrima rolou... abri os olhos, sorri, gargalhei, chorei... e disse para mim “estou com saudades”. Foi nesse dia que descobri que estava completamente decidida a aprender a viver isso, pois estava diante do meu primeiro grande e verdadeiro amor. Havia feito tanto meu primeiro amor sofrer pela minha indecisão de ficar ao seu lado ou fazer o que parecia “certo “na minha cabeça que, por perceber que era meu primeiro amor ali comigo, decidi fazer uma escolha: “Aceitar, assumir, pagar o preço.” Foi assim que eu matei o primeiro monstro da minha mente que insistia em me dizer que eu não era amada, aceita ou digna de ser respeitada por esta escolha, afinal, estou falando do meu primeiro amor, uma mulher. Tive diversas oportunidades de amá-la de verdade, mas o que estava prestes a descobrir é que não sabia como fazer isso exatamente. Estava prestes a descobrir que a minha história estava ganhando a minha atenção mais do que os meus sentimentos por ela. Entre uma viagem e outra, um curso e outro, um carinho e outro, uma briga e outra, um avanço e outro... uma certeza: era o meu primeiro amor. Buenos Aires, Rio de Janeiro, Fortaleza, Guaramiranga, São Paulo... Não importava onde, estar com ela era simplesmente ver o mundo de fato parar e ficar ali so pra ela. Como na vez que seu brilho dominou minha atenção, olhar para ela ainda era um mistério, seu cheiro inconfundível, sua voz admirável, seus pensamentos interessantes, seu sorriso seus lábios, sua atenção, seu cuidado, tudo... tudo nela me encanta.. sua teimosia, suas falhas... me encanta pois desde aquele dia na serra em que ela deitada, com medo, confiou a mim sua historia, talvez uma das mais tristes, se não a mais, eu passei a querer ela cada vez mais perto, queria respeitá-la, queria amá-la.. queria ela pra mim. Talvez por querer demais, eu aos poucos tenha estragado nosso brilho.. mas ela não deixou de ser meu primeiro amor mesmo assim. Foram 5 meses intensos.. muitas mudanças para ela e para mim... Um desejo incansável de acertar e de ficar junto fez nascer um medo de perder maior que a nossa capacidade de viver um amor de verdade a ponto de entregar somente isso uma a outra. O medo manifesta-se de varias formas. No nosso caso, nós de formas diferentes, esquecemos de nos amar e passamos a evitar o fim. Mais uma peça da mente. Mais uma tentativa frustrada de ser feliz. Um dos nossos passos mais recentes foi decidir vivermos juntas.. Sei que esse é o seu desejo e também o meu. O meu primeiro amor não mentiria pra mim, não mais. Infelizmente meu medo reagiu machucando e vice versa. Foi assim que conheci meu primeiro amor, foi assim que descobri o que é amar. Sentindo a dor das consequências que o medo carimba em nossas vidas. Essa é a história do meu primeiro amor, em sua forma resumida nas palavras mas na forma genuína que é possível escrever uma historia como a nossa. Uma história de uma mulher que aprendeu a ser mulher confiando em outra mulher, que também é seu grande amor, que aprendeu a amar porque machucou, porque falhou, porque quis amar demais. Na véspera do natal, escrevo a nossa história com poucos detalhes pois exatamente neste momento estou longe dela, decidindo e aguardando uma decisão que virá na véspera da ceia de natal e que resultará no reencontro com aquele brilho ou não. Há poucos dias de mais uma virada de ano, sonho em ver seu rosto branquinho mudar de cor conforme os fogos explodem, desejo segurar sua mão como quem diz você não está sozinha, desejo sentar na varanda com ela e ao invés de metas escrever aqueles minutos ou horas de nossa história. Sem escrever metas, sem pensar no dia seguinte.. apenas poder olhar pra ela sabendo que aquele segundo é o mais importante. O que eu espero do final feliz dessa história? Claro, vê-la. Tocá-la. Amá-la. Fazê-la feliz. Mas independente do que ela vai me dizer amanhã na véspera da ceia, ela me ensinou que essa decisão do que quero viver é o amor, é assim que se ama. Não sei se foi tarde demais para aprender a amá-la e praticar e viver o amor com ela, mas é assim que viverei e praticarei o amor. Essa é a história do meu primeiro amor. Uma menina mulher, linda, feliz, divertida, sorridente, forte, frágil, responsável, imatura, dura, frágil, inteligente, racional, amiga, leal, gentil, sonhadora, contribuinte, cheirosa, talentosa.. enfim, meu primeiro amor que me ensinou como amor porque não soubemos fazer isso por amar demais. Mas assim como a vida me surpreendeu com a sua chegada, a vida pode me surpreender quantas vezes quiser.
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