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História

Uma história de amor, fé e sonho

História de: Marcia de Sena Melo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/10/2021

Sinopse

Marcia de Sena Melo nasceu no Rio de Janeiro, num sábado de carnaval, no dia 14 de fevereiro de 1964. Primeira filha do casal, Antonia Firmino de Sena e Valdésio Barbosa de Sena.

Seu pai era um galã que gostava da boemia e trabalhava na fábrica Bangu. 

Sua mãe emigrou da Paraíba, escrevendo e lendo pouco. Após um acidente na fábrica têxtil se aposentou por invalidez e lavava roupa para fora para ajudar no sustento da família. Apesar de muitas dificuldades financeiras, a família sempre foi muito unida e conseguiu criar, investir nos estudos e formar os dois filhos sem faltar nada em casa.

A família se estabeleceu no bairro de Anchieta, onde Márcia cresceu. Desde pequena, tomava conta do irmão Márcio para os pais poderem sair para trabalhar. Mesmo com a responsabilidade, brincavam bastante na rua e mantêm até hoje o grupo de amigos da rua dessa época. Lembra com carinho de enfeitar a rua para as Copas do Mundo e das festas que eram organizadas na rua. 

Ingressou na escola com 7 anos e foi reprovada porque se recusou a ler na alfabetização de birra pois queria brincar. Depois de muitas broncas da mãe, fez o teste novamente e retornou à antiga turma. A partir daí começou a se destacar na escola.

No segundo grau, ingressou na Escola Normal Carmela Dutra. Foi a primeira aluna da sua turma no ensino médio. 

Com 18 anos, já formada na escola, foi admitida em uma empresa aeronáutica CONAF, que consertava peças, como auxiliar de escritório.  Ingressou na Faculdade de Letras com salário que ganhava na empresa. Na cerimônia de formatura da faculdade foi homenageada como a primeira aluna da sua turma.

Vendo a sua dedicação, a empresa começou a investir nos estudos de Márcia, custeando parte da sua faculdade e cursos de idiomas, curso de marketing e vendas. 

Com esses novos conhecimentos, Márcia foi sendo promovida até chegar ao cargo de gerente.

Quando se casou foi morar em Anchieta para ficar perto dos pais. Logo depois sua mãe faleceu.   

Após 17 anos, com 35 anos, saiu da empresa, pois o marido que é militar foi transferido para Natal. Nesse período perdeu seu segundo filho aos 9 meses de gestação. Para ajudar na recuperação do luto, começou a trabalhar.

Permaneceu nesta empresa até o retorno da família ao Rio de Janeiro. Ingressou no curso de Direito. 

Por indicação da cunhada, ficou sabendo do concurso de FURNAS e se inscreveu. 

Passou, mas não foi chamada. Revoltada mandou uma carta para o Lula reivindicando sua vaga.  Muito tempo depois, recebeu um telefonema avisando que ela estava sendo chamada. 

Ingressou em FURNAS, já formada em direito, indo trabalhar na área ambiental. Fez sua primeira amizade do grupo da empresa dentro do ônibus no dia que foi se apresentar.  

Marcia se apaixonou pela área, se dedicou e aprendeu rápido todos os processos de licenciamento ambiental ficando responsável por 27 empreendimentos.  Se adaptou bem às rotinas de viagens e às vistorias nas áreas regionais e no campo. Em 2005, foi indicada para Gerência de uma Divisão de Licenciamento de Empreendimentos de Geração. Permaneceu por 9 meses, retornando ao seu antigo cargo e divisão. 

Permaneceu no licenciamento ambiental por 10 anos. Em 2018, foi convidada a assumir a Gerência do Departamento de Socioeconômica. A área tem como principais atribuições tratar das questões Quilombolas, Indígenas, Arqueológicas, Gestão de Resíduos, Georreferenciamento, Plano de Atendimento de Emergências e Plano de Comunicação e Educação Ambiental dos Empreendimentos, estudos ambientais que envolvem a empresa. 

Marcia é casada com Arquimedes e são pais do Igor e do Iuri.


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História completa

Um pequeno excerto sobre a vida de Marcia de Sena Melo

Eu trabalhei em 3 empresas, outras tempos mais rápidos, por conta desta transferência do meu marido, sempre privada. E o que eu vejo em Furnas, a unanimidade do amor que todos têm por Furnas. A gente vê muita gente criticando, algumas sugestões, algumas atitudes, alguns momentos, mas uma coisa é unânime, quem passou, quem está passando, ou quem ainda vai passar, tem um amor pela empresa, contagia. Por que isso? Eu acho que é conquista da própria empresa, independente de nomes, independente de pessoas, isso é um valor que a empresa, como ser institucional que é, conquistou.

 

Minha vida é uma história de amor, fé e sonhos. Eu fazia ESPM, primeira vez que escutei falar de Furnas. Eu fazia ESPM na Teófilo Otoni, no centro do Rio, era solteira e morava em Anchieta e tinha aula até às 10 horas e andava até a Praça Mauá, com medo, claro, não era a Praça Mauá de hoje. Mas eu tinha medo, é engraçado que a minha mãe ia me buscar no ponto de ônibus eu chamava ela de Thor, com uma tesoura, porque para me defender do bandido, então todo dia de noite ela me buscar no ponto de ônibus com uma tesoura. Eu tinha que estudar dentro do ônibus, tanto indo para lá, quanto voltando, porque não tinha tempo, eu trabalhava muito. E um dia eu peguei o ônibus, no ponto final, na praça Mauá, para ir para Anchieta, sentei, ligava a luzinha do ônibus e começava a estudar. E aí sentou um velhinho, que eu lembro da cara dele, como se eu tivesse olhando para você, aí o velhinho sentou, velhinho gosta de puxar assunto, você sabe que eles são carentes, e eu nem aí para o velhinho, estudando, até porque eu tinha prova no dia seguinte, eu precisava estudar. E aí o velhinho olhava para mim, eu senti que ele estava querendo puxar assunto, mas eu nem olhei para a cara dele, daqui a pouco, ele não se conteve, quando o ônibus saiu, ele virou e falou assim: você gosta de estudar né? Eu falei: gosto! “Você tem que trabalhar em Furnas”. Aí eu olhei para a cara dele, gente, esse velho está caduco, o que é Furnas? Nunca ouvi falar nisso. Aí ele: minha filha, Furnas é uma empresa... Aí começou a falar de Furnas, começou a falar de Furnas do nada, eu nunca tinha ouvido falar de Furnas. “Lá é muito bom, minha filha, tudo que eu tenho, eu devo a Furnas, olha, eu criei família, eu tenho carro, eu estou de ônibus hoje, porque não vale a pena, mas eu tenho meu carrinho, a minha casa, tudo eu comprei... Aí ele começou a falar de Furnas, falou de Furnas, nisso eu desci, e ele continua a viagem. Não tinha internet né, porque se tivesse eu ia olhar no Google, o que é Furnas? Porque eu nunca tinha ouvido falar em Furnas. Não sei nem como, mas eu pesquisei o que era Furnas, “hum interessante”. Passou, mas aquilo ficou guardado. Tempos depois, eu já estava casada, a minha cunhada me ligou, casada com meu irmão, e falou: Márcia, vai abrir um concurso para Furnas, você já ouviu falar? Lembrei do velhinho. Falei: sim! Mas só que eu estava com os dois meninos pequenos, eu já tinha voltado de Natal. “Mas Claudia, eu não tenho tempo de estudar, com os dois pequenos, como que eu vou estudar”? Ela: faz! Bom, aí eu fiz a inscrição, só que eu fazia curso de direito nessa época. Ainda fazia curso de Direito. Meu marido logo em seguida foi para fazer uma missão internacional, na Croácia, e me largou com os dois pequenininhos. Então eu fazia Faculdade de Direito, tinha os dois, um com dois anos e outro bebê, e fazia faculdade de direito. E em 2004 teve o concurso, eu comprei uma apostila da Degrau Cultural, eu acho que eu nunca saí da primeira folha, não estudei nada. Só que eu estudava muito para minha faculdade de direito, e aí a história de fé. Parecia que na hora da minha prova, a professora de Direito Administrativo, estava falando ali, todas as questões eram a professora falando, e assim, eu não tive dúvida, eu fui fazer a prova por fazer, e quando eu sai da prova, eu tinha certeza que eu tinha uma chance, porque eu achei a prova muito fácil, muito fácil. Eu não fui chamada, claro, porque demorou, foi um concurso bastante complicado. Eu mandei até carta para o Lula, para poder ser chamada para Furnas. Eu passava, meu cunhado tem um sítio em Rocha Leão, e eu passava pela subestação de Rocha Leão, que eu não sabia nem o que era subestação, mas eu vi escrito lá, Furnas. E eu falava, todas as vezes que a gente passava, vou trabalhar ali. Tinha um ônibus, que às vezes, aqui na região oceânica, passava, passava escrito Furnas, vou andar nesse ônibus. Meu marido falava que já estava com uma ficção doentia, porque tudo era Furnas. E quando saiu o resultado, eu vi que eu te passado, e quando eu passei pronto, eu cresci. Eu tenho que entrar. Mas não chamavam ninguém, para o nosso cargo. E aí eu mandei uma carta para o Lula, pior, quem respondeu foi o RH de Furnas, me esculhambou, eu falei pronto, agora eu não  entrou mesmo. Aí esqueci de Furnas, deixei, comecei a frequentar uma igreja, entender que tudo acontece no propósito de Deus, na hora que ele quer. E aí aquela doença de ficar sempre pedindo para entrar para Furnas, eu falei, se eu não fui chamada, é porque não é  bom para mim. Aí voltando um dia da natação com as crianças, uma confusão, as crianças gritando, e tinha que arrumar correndo para levar para escola, telefone toca, nisso eu já tinha até esquecido, porque na minha cabeça, o concurso já estava precluso. E aí toca o telefone, achei que fosse meu marido, as crianças gritando, uma confusão, aí a menina fala: oi, por favor a Márcia”? Eu falei: é ela. “É Marcia de Sena Melo”? “Sim” “Você fez um concurso para Furnas”? Gente, parou o mundo naquela hora, e aí eu falei assim: sim” “Pois é, você vai receber um telegrama, você ainda tem interesse”? Eu só ajoelhei, eu só ajoelhei e agradeci a Deus. Aí quando eu desliguei, liguei para meu marido, “amor me chamaram de Furnas”. Ele: é trote, que te chamaram, já está vencido esse concurso, pode ligar para lá”. Ai gente, eu não sabia, aí liguei para Furnas para perguntar se era trote, e não era, era realidade. E assim, por isso que eu falei para você, eu tenho uma história muito linda, eu acho que aquele velhinho, plantou no meu coração uma semente, eu fiquei com uma ideia fixa depois de entrar para Furnas, eu não estudei para o concurso, eu tenho certeza que Deus me ajudou, me deu uma cola bonita, para eu fazer aquela prova. E quando eu comecei em Furnas, voltando só um pouquinho para trás, voltando para trás é horrível, mas voltando um pouquinho. Quando eu fiz a faculdade de direito, tinha uma eletiva, que na época da eletiva, acho que agora é até obrigatório, que era direito ambiental, e eu fiz por conta de horário, criança pequena, fui fazer por conta de horário. Gente, me apaixonei por direito ambiental, me apaixonei, e o professor sempre falava: gente, informática é legal, mas a matéria do futuro é direito ambiental. E aquilo ficou guardado no meu coração. O meu concurso para Furnas, tinha que comprovar experiência, e eu comprovei experiência, com licitações, porque eu trabalhava na empresa com licitações também. Então eu comprovei a minha experiência com licitações. E o meu concurso foi para esse cargo, assessor para área de licitações, eu não tinha terminado a faculdade de direito, e não tinha sido chamado para Furnas. Mas no meu coração já estava em Furnas. O meu TCC foi para contratações em emergência, porque na minha cabeça eu ia trabalhar em Furnas, com licitações. Então no meu TCC eu defendi com louvor. E nada de me chamar. Quando eu fui chamada para Furnas, fiquei um dia lá na sala, esperando para ser entrevistada, e aí o Alexandre, ele já é até falecido, do RH, ele perguntou assim: você fez concurso para licitações, mas você quer ir para trabalhar com a área de meio ambiente? É sonho, é fé é amor. Eu falei: sim! “Mas você falou que tem filho pequeno, você vai ter que viajar”. “Não, mas eu posso, eu posso”. Gente, me apaixonei. Então assim, eu entrei para Furnas para área ambiental e eu estou até hoje na área ambiental. E eu quero sair de Furnas, dando tchau para área ambiental, que é sonho, paixão e fé.

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Eu trabalhei no licenciamento ambiental praticamente 10 anos da minha vida. Então assim, eu sempre falava que o licenciamento ambiental é o coração da empresa, o coração da empresa é o licenciamento ambiental, porque se caça uma licença ambiental, o empreendimento para. Todos os empreendimentos de Furnas, com a lei 6938 de 83, a gente teve que mitigar os impactos que o empreendimento causa.  Então todos os empreendimentos precisam passar por um processo de licenciamento ambiental, que é uma obrigação do empreendedor. Então assim, o licenciamento ambiental, ele conversa com todas as áreas da empresa praticamente, a gente conversa com área operacional, a gente conversa com a área que faz os estudos, a gente conversa com as áreas que estão na linha de frente, a gente conversa com jurídico. Então a gente conversa com todo mundo. Por quê? Porque se caça uma licença nossa, o empreendimento para de operar. Então a gente tem que estar em consonância com todas as áreas, é muito trabalho, porque são milhares de consonantes para atender, a gente não pode perder prazo. Então tem uma obrigação, Furnas faz esse trabalho muito bem, mesmo com pouca gente, as pessoas são bastante dedicadas, toda minha bagagem dentro de Furnas, veio do licenciamento ambiental. Hoje eu estou numa área muito mais executiva, que subsidia o licenciamento ambiental, a gente faz os estudos, é realmente se reinventar e sonhar acordada, porque primeiro foi eu sair e entrar numa área de Meio Ambiente, que eu nunca tinha feito uma faculdade, todo mundo que fez faculdade aqui, sabe que é coisa teórica, 1 período direito ambiental. Aí vem para prática, para guerra, de não perder licença, de responder Ministério Público, enfim, aprendizado o tempo inteiro. E para fazer vistoria, tem que fazer xixi no mato, você não tem lugar, para comer comida, fazer uma vistoria, eu tive uma vistoria que foram 11 dias, da norte, sul, foram  11 dias. E teve um lugar que não dava para comer gente, olha que eu não sou fresca, eu não sou fresca, eu nasci em Anchieta, mesmo assim não dava para comer, eu comi biscoito, no almoço eu comi biscoito, assim, milhares de moscas. Mas era apaixonante, o melhor era ir para o mato, aquele pessoal que conhece, parece que tem um radar, tem um GPS dentro da cabeça deles, eles vão entrando nuns lugares, “a gente já não passou por aqui, a gente vai saber voltar”? É fantástico, e o amor deles que estão lá também, é apaixonante. Então essa coisa de ir para o mato, de fazer vistoria, de fazer inspeção, realmente, sinto muita falta disso, muita falta. Fui muito, muito, funcionará recém-chegada, quem ia pegar o pior. Então toda hora, às vezes, teve época que eu tive que voltar, para pegar calcinha, para poder viajar, porque eu já tinha viajado no dia anterior, chegava em Furnas, “vai ter que viajar de novo”. “Mas não tem nem calcinha”. Tinha que voltar para Niterói, mas era muito bom. Meu marido também foi um parceiro, porque ele ficou com as crianças, esse tempo todo, porque eu viajava muito, muito, muito. E a 3 anos atrás, eu fui convidada para assumir a gerência de socio economia. Gente, para mim era tudo novo, o que eu trato? O que eu cuido? Quilombola, índio, arqueologia, programa de gestão de resíduos de fluentes, plano de atendimento de emergência. Gente, eu não sabia nada, eu sabia receber no licenciamento, o documento, e enviar para o órgão ambiental. Agora você imagina você gerir isso, plano de comunicação social, plano de educação ambiental. Então a minha gerência hoje, e ainda tem agora, a gente cresceu mais agora com a reestruturação que teve em abril, a gente ganhou as atribuições da antiga GEF, que era dos estudos. Então a gente ganhou a parte de sustentabilidade, de efeito estufa. Gente, quando eu penso assim, agora estou aprendendo isso aqui, vem coisa nova. Então assim, eu acho que eu estou num constante teste, espero que eu seja aprovada no final. Mas é isso é apaixonante, não tenho dúvida que papai do céu me dá cada dia um presente e esse presente se chama Furnas.

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