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História

Uma família de migrantes

História de: Vera Helena Ostronoff
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 25/04/2019

Sinopse

Vera Helena Ostronoff fala sobre a origem étnica de seus avós e bisavós e os vários casos de migração em sua família. Conta sobre a motivação para emigrarem para o Brasil e as atividades que passaram a exercer no país.

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História completa

P – Por favor, diga seu nome completo, local e data de nascimento.


R – Meu nome é Vera Helena Ostronoff, nasci em São Paulo, capital, em 14 de outubro de 1953.

P – Qual é a sua atividade profissional hoje?

R – Sou psicoterapeuta e supervisora de quintanistas de Psicologia na Unip, sou supervisora de uma área de atendimento chamada Plantão Psicológico, que é um plantão mesmo, em que os alunos ficam de plantão em dias e horários determinados para atender e ouvir as pessoas que chegam com alguma dificuldade psicológica, pedindo alguma ajuda. Mas não necessariamente psicoterapia. São pessoas que estão precisando falar e que estão passando por uma crise, com algum problema, e aí os alunos atendem, ouvem, e aí, se for o caso, pode haver um encaminhamento para psicoterapia. Mas não necessariamente, porque, às vezes, as pessoas vão com um problema muito circunstancial que só com um encontro ou dois, elas podem resolver.

P – Quem é imigrante na sua família?

R – É meu avô paterno, que era ucraniano, a minha avó paterna era romena. E do lado de mãe, o meu bisavô materno, meus bisavós maternos, pais do meu avô materno, que eram italianos, o meu bisavô, pai da minha avó materna era ucraniano, e a minha bisavó, polonesa.

P – Então, vamos falar dos seus avós que são mais próximos. Você chegou a conhecê-los?

R – Minha avó sim, meu avô não, que ele já tinha morrido quando nasci.

P – Você sabe por que eles emigraram para o Brasil?

R – Olha, a minha avó acho que foi (devido à) pobreza. Eles eram muito pobres na Romênia, e sei que ela veio, sozinha, acompanhada de um primo, há muito tempo. Quando ela veio, que eu saiba, ela tinha dezesseis anos. Veio para ficar na casa de amigos dos pais dela, que já tinham emigrado para o Brasil.

P – Os pais dela nunca vieram para o Brasil?

R – Não. A minha bisavó, depois a mãe dela imigrou pra Israel. Mas nunca veio pro Brasil

P – Péra lá. Você falou que a sua avó paterna era romena. Como é o nome dela?

R – Luiza.

P – Você sabe por que a dona Luiza veio para o Brasil?

R – Por pobreza da família.

P – E a dona Luiza veio ao Brasil, da Romênia, com um primo.

R – Com um primo, que tinha dezoito anos na época, e ela tinha dezesseis.

P – E eles foram morar na casa de amigos.

R – De amigos.

P – Você sabe no que eles trabalharam?

R – Quando solteira, não sei. Acho que não trabalhou. É assim, pela história que eu conheço, ela conheceu o meu avô, acho que um ano depois de ter chegado ao Brasil, e se casaram. E foram morar no interior.

P – O que foram fazer lá? Foram trabalhar?

R – É, foram trabalhar...

P – No quê?

R – Olha, eu sei que durante alguns anos, meu avô tinha uma sorveteria.

P – Que interior foi esse?

R – Na região de Assis, de Ourinhos.

P – Em que ano eles chegaram?

R – Minha avó deve ter chegado por volta de 1922, ou 23...

P – Que língua vocês falavam em casa?

R – Português.

P – Você conheceu algum dos seus bisavós?

R – Uma.

P – E você sabe por que ela veio para o Brasil? Como era o nome dela?

R – Dora.

P – E ela veio de onde?

R – Da Polônia.

P – Por que ela veio para o Brasil?

R – Também questão de pobreza. De ter mais chances.

P – Ela veio sozinha?

R – Não, ela veio com irmãos. E na realidade, quando eles saíram da Polônia, eles se dividiram, porque um irmão foi para os Estados Unidos. Ela, com uma irmã e mais um irmão, foram primeiro pra Argentina. Que foi onde ela se casou com o meu bisavô. E, lá, eles tiveram os dois filhos mais velhos, e vieram para o Brasil.

P – Por que eles vieram?

R – Eu acho que meu bisavô perdeu o emprego lá, porque meu avô era litógrafo, e perdeu o emprego.

P – E onde eles chegaram no Brasil?

R - Em primeiro lugar foi Minas Gerais. Que foi onde a minha avó nasceu, mas eles ficaram lá só dois anos e depois vieram pra São Paulo. Meu bisavô, acho que continuou sendo litógrafo e depois fez um curso de Farmácia.

P – E como era a comida servida por seus avós.

R – Era a comida judaica. Só os meus bisavós italianos eram católicos.

P – Mas quem é judeu na sua família?

R – Os meus avós paternos eram judeus, vindos da Ucrânia, o meu avô da Ucrânia e a minha avó da Romênia.

P – Como era o nome do seu bisavô?

R – Era Henrique, do meu avô, marido da minha avó Luiza era Henrique.

P – E seus bisavós...

 

R – A dona Dora e o seu Maurício eram judeus, também. Mas, da parte dos meus bisavós, que eram os pais do meu avô materno, Flávio, eram católicos. Napolitanos. Pais do meu avô materno. A Luiza e o Henrique, são meus avós paternos, pais do meu pai. O Flávio e a Celina são os meus avós maternos. Os pais do Flávio, que são do meu avô materno eram italianos. Da Celina são a Dora e o Maurício, que são judeus. A Dora da Polônia e o Maurício da Ucrânia. E quando eu ia na casa da minha avó Luiza, era comida judaica.

P – Você chegou a morar...

R – Eu nasci na Barra Funda. Quando eu nasci meus pais moravam na Lopes Chaves.

P – Por que vocês foram morar lá?

R – Porque esse apartamento, onde a gente morou, era da minha avó, mãe do meu pai. E acho que ela alugou pra eles, ou emprestou, logo que eles se casaram.

P – E tem mais algum fato interessante que você queira contar dos seus avós ou bisavós? Ou mesmo seus?

R – (risos) Tem tanta coisa, mas alguma coisa assim mais ...( pausa). Ah, não sei assim, de pronto...

P – Então tá bom, obrigada. Foi engraçadíssimo.

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