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História

Uma enchente de comércio

História de: Romeu Fiod
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/01/2007

Sinopse

Migração da família do pai do Líbano e estabelecimento no comércio de arroz no interior de São Paulo. Descrição da família no Líbano. Infância em Igarapava, São Paulo. Educação e brincadeiras. Trabalho com o pai e os irmãos no beneficiamento de arroz. Distribuição do produto. Migração para São Paulo. Trabalho na zona cerealista. Casamento de seus pais. Costumes. Primeiro casamento. Aquisição de armazém atacadista de cereais. Distribuição dos produtos. Formas de pagamento. Perfil dos produtores/fornecedores. Inundação de 1968. Trajetória profissional. Participação na Bolsa de Cereais de São Paulo. Trabalho e sonhos.

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História completa

IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Romeu Fiod. Nasci na cidade de Igarapava, em São Paulo, no dia 22 de abril de 1922. Meu pai se chamava Fiod Antônio e nasceu no Líbano, na cidade de Kafaraka. Minha mãe, Saída Mussi Fiod, nasceu em Jaú e foi para o Líbano com um ano de idade, depois voltou casada com 16 anos. FAMÍLIA NO LÍBANO Meu pai nasceu no Líbano. O Antônio aqui no Brasil significa o Saad de lá. É um daqueles nomes de guerra que adaptavam. O Fiod era, na verdade, Faiade. Então, Faiade Saad. Mas pra não ficar meio destoante, adaptou-se o nome Fiod Antônio. A origem da família Saad está na cidade de Kafaraka, nas montanhas. Meu pai dizia, quando contava aquelas histórias lá do Líbano, que quando produziam melancia, aqueles riachos das montanhas desciam gelados. Então, no topo do meio-dia, mais ou menos, eles pegavam a melancia, que estava quente, e colocava no fundo do córrego. Em meia hora eles olhavam aquela água cristalina, sem poluição, e a melancia rachava, pronta pra eles comerem. Ele contava também que o meu avô emprestava os filhos para outros sitiantes em troca da comida. Era difícil a situação e eles iam trabalhar satisfeitos porque ganhavam a comida. Também, o sistema de alimentação lá era diferente. Com o clima montanhoso, as manhãs eram frias e o topo do dia meio quente, então não tinha almoço e jantar como nós temos aqui. As mulheres faziam aqueles pratos de lentilha, de trigo, colocavam naquelas cumbucas de barro e ficava lá. Quando esvaziava uma, fazia outra e colocava de volta. Cada um que tinha fome ia comer. Tudo num sistema completamente diferente do trivial aqui, que é almoço, janta, café da manhã. CASAMENTO DOS PAIS Minha mãe nasceu aqui em Jaú, estado de São Paulo, e foi para o Líbano com os pais dela. Voltou com 16 anos de idade, já casada com o meu pai, que tinha 21 anos. Ela dizia que ainda dormia com uma boneca que ela ganhou aqui de uma patrícia mais velha, porque era ela ainda inexperiente. Iniciou ali a nossa família. Nós tínhamos uma empregada que colaborou na nossa vida, no nosso crescimento: o irmão dela trabalhava na máquina de arroz com meu pai e ela trabalhava com minha mãe. Nossa residência era um daqueles casarões antigos. Ainda está lá pra quem quiser ver. IMIGRAÇÃO PARA O BRASIL Meu pai saiu do Líbano por conta da família numerosa: ele tinha oito irmãos e todos vieram para o Brasil na mesma época, por falta de atividade comercial lá. Era uma vida realmente muito difícil, onde os rapazes emigravam aos 18 anos de idade, uns para o Brasil e outros para a Austrália. “Tentar a vida no Brasil” era a coqueluche do momento. Meu pai veio para o Brasil em 1917 e se instalou na cidade de Igarapava. Teve nove filhos: três mulheres e seis homens. Uns cinco ou seis dias depois dele chegar, já tinha um outro patrício árabe na cidade de Igarapava. Ali era uma corrente pra frente: um puxava o outro, vamos dizer, quase a influência do nordestino de 1960 pra cá, que era também dentro do Líbano. Mas depois de seis meses em Igarapava ele começou a constituir família, tornou-se praticamente um cidadão brasileiro e foi migrando pro comércio. PROFISSÃO DOS PAIS No Líbano, meus pais eram agricultores. Aliás, quase todos eram sitiantes naquela época. Ele veio pra agricultura, mesmo porque só era permitido receber estrangeiro com passaporte dentro da agricultura. A não ser que viesse para uma atividade de cúpula, ministério e outras coisas mais em função do governo de lá. Em Igarapava, ele também trabalhou na agricultura, mas se adaptou melhor como comerciante, como mercador árabe antigo. Na verdade exerceu a profissão de comerciante de arroz. Fez dois armazéns e importou uma máquina de arroz de Hamburgo, da Alemanha, porque naquela época ainda não tinha máquinas eficientes aqui no Brasil. EDUCAÇÃO Eu estudei relativamente bem. Só fiz cinco anos de ginásio, como era naquela época. Mas era um ginásio muito bem feito, austero. Não sabia a lição, apanhava. Tomava régua de dez centímetros. E quando se queixava que apanhou também para os pais, apanhava também dentro de casa. INFÂNCIA EM IGARAPAVA A minha infância foi muito melhor do que a infância dos meus filhos. Tem uma passagem que eu lembro, onde existia aquele famoso rabo de tatu atrás da porta, que era um chicote. Um belo dia meu pai mandou que eu fosse à marcenaria perto, buscar um martelo. E eu saí, fui perambular, fui caçar de estilingue. Fui pegar aquele marolo no mato, que é o que se chama Ticunha. Quando eu voltei minha mãe disse: "O seu pai perguntou onde é que você estava e por que é que você não fez o que ele mandou." Então pensei: "Já vou apanhar." Mas cheguei e falei pro meu pai: "Ô, pai, o senhor me desculpe e tal." Aí ele me disse: "Pega o rabo de tatu." Aí eu peguei, deitei na cama e ele dava tantas quantas chibatadas achava que era de direito pelo castigo (risos). Então eu falei: "Mas eu esqueci, pai." Ele falou: "Bom, você vai apanhar porque você falou que esqueceu. Se você dissesse que não fez porque não quis, eu não lhe bateria." Então tudo bem, daquela época em diante nunca mais esqueci nada na vida, eu gravava bem. No ginásio, nossa classe era mesclada, masculino e feminino. E tínhamos constantemente aquelas brincadeiras dançantes da época, no clube. Fazia brincadeira dançante na casa de uma menina e também fazíamos uns jogos. Eu fui um exímio jogador de basquete da região lá. Fazia-se bolo também, tinha sempre uma madrinha que dava um bolo. A gente ia e botava umas músicas do passado. Não é bem La Cumparsita, mas eram algumas do Orlando Silva, outras do Nelson Gonçalves, etc. Foi muito bom. Naquela época não tinha piscinas em clubes, mas nós tínhamos o Rio Grande, que corta e divide Minas com Igarapava. A gente ia no sábado e no domingo pra beira rio. E fazia sempre aquele churrasquinho. Era uma vida mais pura, mais bem vivida do que a vida atual. Não se discutia, não existiam drogas. Falava-se em esporte, em pureza e outras coisas. A minha infância foi boa e não me arrependo do passado. FAMÍLIA Éramos seis irmãos. Quando eu ainda era jovem, minhas três irmãs casaram. Meu pai, mesmo aqui no Brasil, falava árabe. Mas o interessante é que eu não aprendi essa língua. Eu tenho uma irmã, a mais nova das três, que estudou no colégio Sírio Libanês. Na época, na Avenida Paulista, ela tinha tudo: aprendia canto, aprendia a língua árabe... Tanto que ela passou a ser tradutora para os demais. Depois ela casou-se, mudou-se, e foi pra Paranaguá, no estado do Paraná. Lá ela constituiu família e continuou a ser tradutora da língua árabe pro pessoal de lá. Mas eu, pelo fato de ter saído com 18 anos, meu pai nunca obrigou a falar. Naquela época, em qualquer raça eles obrigavam que as pessoas se casassem com gente da mesma família, da mesma raça, etc. Mas meu pai nunca obrigou. Minhas três irmãs até casaram com descendentes de árabe, mas os seis irmãos casaram tudo com brasileira, portuguesa, espanhola, inclusive eu. E hoje eu tenho uns 40 sobrinhos! Na área do arroz, a gente trabalhava pra comer e pra tentar dar estudo pros filhos. E nós estudamos. Eu tenho mais ou menos uns dez, doze sobrinhos médicos, outros engenheiros, uns oito ou dez advogados. Uma parte da família ainda mora em Igarapava. É muito grande lá. Existe uma rua na cidade de Igarapava que parte dela é Capitão João Maciel (nome de um político tradicional lá da época que foi prefeito) e um outro segmento dela tem o nome do meu pai, Fiod Antônio. Também tenho um sobrinho que é vice-prefeito lá. O advogado mais renomado é um primo-irmão. O segundo mais renomado é um irmão meu, com 67 anos. Todos residindo lá. Eu é que resolvi me aventurar na vida aqui em São Paulo. Sempre tem aquele que pensa um pouquinho mais ou é também o oprimido pela vida difícil que se leva. Porque naquela época era tudo difícil! Quando a gente queria um par de sapatos, por exemplo, tinha que esperar o par de sapatos do irmão mais velho ficar velho, propriamente dito, pra você herdar dele, que ganhava um novo do pai. Então a gente punha cinco, seis meias-solas num par de sapatos. Terno, então, nem se fala! LEMBRANÇAS DE IGARAPAVA Eu vim pra São Paulo em 1940, mas nunca deixei de ir para Igarapava, nunca passei um mês sem ir pra lá. Chegava lá, fazia tudo que tinha que fazer, depois a gente ia pra um recanto de pescaria que os irmãos tinham lá. Naquela época dava peixe, o rio não era poluído. A gente comia um peixe lá à noite, tudo na maior harmonia. Na casa dos meus pais, meu pai sempre foi muito aberto a receber visitas e minha mãe foi sempre uma especialista em arte culinária, era uma das primeiras na cidade com aqueles pratos árabes etc. Então havia aquela confraternização: "Passa lá!", e já vai na cozinha, o café, o fogão a lenha, aquele bule grande de quatro litros sempre em funcionamento. Sempre tinha lá um doce, sempre tinha um quibe, sempre tinha uma esfirra, sempre tinha alguma coisa pra se comer. Era uma época completamente diferente e que dá saudades. Foi uma vida de luta dura, mas minha mãe viveu até 83 anos, bem lúcida. Morreu de uma trombose. Meu pai faleceu com 75 anos, com um enfarte. COMERCIANTES DE ARROZ Naquele tempo, aqueles 10 ou 15 patrícios, os árabes (e existia aqueles políticos antigos também), ao fechar as máquinas de arroz ou seus estabelecimentos, eles se reuniam na casa de um deles para comer. E comia-se muito carneiro ou ovelha e bebiam a pinguinha feita do alambique do amigo. Era assim um ritual de comida depois das 4 horas da tarde até meia-noite. Eles recebiam algum jornal ou revistas do Líbano e tinha sempre aquele mais intelectual que lia pros outros se atualizarem do que estava se passando na terra deles. Era como um ritual do Alcorão: ficava todo mundo sentado, um deles lendo, depois vinha a discussão, a palavra entre eles. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL – IGARAPAVA Eu iniciei a minha atividade com uns 11 anos, como folguista na máquina de arroz. Uma espécie de ajudante intermediário, mas procurando aprender. Com 16 anos comecei a colocar o saco de arroz nas costas e colocar já na pilha pra ser enviado ao centro consumidor. Nós íamos buscar o arroz na lavoura e levávamos um caminhão daqueles antigos, que tinham uma balança dessas de cinco sacos pra pesar. Não tinha meio de comunicação, telefone e as estradas eram ruins. Às 3 horas da manhã e a gente começava a pesar o produto e a colocar no caminhão para trazer. Então eu ficava de três e meia da manhã até oito horas da noite baldeando. Cinco, seis viagens naquele caminhão pra trazer tudo pra máquina. No outro dia iniciava o processo de secagem. Eu não queria ser sempre um peão de máquina, então, posso dizer que aprendi de tudo um pouco. Às vezes minha função era a de balanceiro, pra tirar o produto. Depois era de carregar o produto do terreirão para o armazém da máquina, onde estava o beneficiamento, quando ameaçava uma chuva. Também costurava os sacos – às vezes o rato comia (risos) e abria buracos no saco, mas eu e meus irmãos até sabíamos fazer uns remendos bonitos. Depois de costurado, empilhávamos o produto (também trabalhei no pesado, levando sacos nas costas). Também ajudava a conferir a entrada e saída do produto e a cuidar do farelo. E por fim, também tentava aprender um pouco de contabilidade. Todos os meus irmãos trabalhavam também. Uns estudaram mais, outros menos. PROCESSO DE PREPARAÇÃO DO ARROZ A máquina de arroz fazia o descascamento do produto. O arroz vinha do produtor em casca, ao natural, que então era colocado num secador, porque vinha com uma umidade além o permitido (cerca de 17, 18, 20 graus), devido à época de chuva. Mas naquela época não tinha secador. Então nós colocávamos o arroz num terreirão, igual ao que hoje passa-se o rodo no café, e com o sol quente do interior ele ia secando até ficar com uma umidade em torno dos 13 graus permitidos. Sem esse processo ele entraria num estado de mofo. Depois da secagem ele era baldeado pra máquina. Existia um moegão onde se colocava o arroz e ele entrava num processo de descascamento, onde era tirada toda a camada superficial, a palha (20 a 21% do grão de arroz). Depois tem a segunda camada, o farelo, que é o tegumento. Esse farelo é meio oleoso e dele tira-se 10 a 11%. Depois, sobra a camada final, o amido propriamente dito, que é este que a gente consome e que está aí no supermercado pronto para ser consumido. É o amido branco. Ali ele passa por um processo também de uns tambores grandes que recebem um impulso. O tambor é meio inclinado e tem uns orifícios. O quebrado vai ficando naqueles orifícios e cai numa moeguinha, um quebradinho, outro quebrado maior, e sai o grão inteiro, de acordo com a nomenclatura brasileira. Nós temos uma portaria, a 269, que classifica o arroz da seguinte forma: tipo 1, tipo 2, tipo 3, 4, 5 e AP (abaixo do padrão). O tipo 1 é o que está aí nas gôndolas. O tipo 2 é um pouquinho mais barato, mas a diferença é só o índice de quebrados – o tipo 1 tem até 10% de quebrados, o tipo 2 tem de 11 a 20%, e assim sucessivamente. O farelo era vendido para ração de animais. Ele saía em dois bicos do brunidor da máquina (o brunidor tira o farelo, o descascador tira só a palha). Lá era tirada aquela camada de 11% que se transforma nesse amido branco que nós comemos. Primeiro o arroz saía numa moega e vinha em sacos de 60 quilos. Então, nós chuleávamos a boca do saco, costurava bonitinho até o seu estágio final. Era aquele saco de polietileno, de juta, e não existia máquina de costura de saco de arroz naquela época. Então pegávamos umas agulhas pontiagudas com o bico torto na ponta, quase igual agulha de tricô, e costurávamos com os fios de meada, uns novelos grandes. Naquela época não existia, mas hoje existe o empacotamento do arroz e maquinários mais modernos, criados, principalmente, por grandes indústrias da cidade de Limeira. E também não existia financiamento do governo. Hoje nós temos financiamento de custeio, de AGF (Aquisição do Governo Federal), de EGF (Empréstimo do Governo Federal), de Proagro. Mas naquela época, não. Os produtores da Alta Mogiana eram todos imigrantes, vindos da Espanha, Japão, Itália, e moravam na própria fazenda. Então eles levantavam 5 ou 6 horas da manhã e já iam cuidar da lavoura, com conhecimento de causa. Os funcionários que trabalhavam como peões nas lavouras também moravam em colônias, em casas boas. MUDANÇA PARA SÃO PAULO Eu vim para São Paulo com 18 anos, em 12 de fevereiro de 1940. Peguei um trem da Mogiana 1h15 da tarde em Igarapava e cheguei aqui no dia seguinte, na Estação da Luz, às 10h25 da manhã. Era um trem de segunda classe. Cheguei com 500 mil réis no bolso para a passagem e para viver alguns dias até que começasse a trabalhar e ganhar alguma coisa. Meu pai me disse: "Olha filho, se você quer ir, vai. Assim você pode conquistar alguma coisa amanhã, porque aqui não está dando pra manter todos vocês. A mesa até que é farta, mas pra vestir ou sustentar algum vício...”. Naquela época eu fumava. Meu pai tinha aqueles fumos goianos, o fumão de corda, que ficava embaixo da cama dele. Então a gente cortava aquela tora de fumo e fazia aquele cigarrinho de palha. Em Jardinópolis, no Estado de São Paulo, tinha uma palha denominada palha tiberiana, que deixava o cigarrinho bonito. Iniciamos com aquele isqueiro de pedra, que de bater saía fagulha pra acender. Depois veio aquele outro isqueiro de gasolina. E assim eu vim pra cá tentar a vida realmente. Eu me instalei numa pensão na Rua Marquês de Itu, 326, com oito num quarto. Dois deles também eram de Igarapava. TRAJETÓRIA NO COMÉRCIO Procurei ir pra zona cerealista, pra fazer contato com dois ou três comerciantes que compravam o produto do meu pai. A princípio senti uma certa relutância porque eles compravam de um atacadista que era meu pai, um maquinista, mais desinformado. Senti que não botavam muita fé em mim. Mas com um pouco de perspicácia, habilidade, fui penetrando e consegui. Em dois ou três meses já fazia uma corretagem ou outra. E tinha dois ou três tios lá em Igarapava que trabalhavam com arroz e começaram a mandar uma amostrinha pra gente vender também. Eu era uma espécie de representante do meu pai e mais dois ou três produtores da cidade de Igarapava. Era um corretor volante, recebendo uma comissão. Visitava um aqui, outro ali, mas sempre procurando aprender e me atualizar. Confesso que aqueles seis meses pra mim foram muito difíceis. Tinha semana que a gente almoçava e não jantava: botava três copos de água na barriga pro estômago não roncar e íamos dormir porque não realmente não tínhamos dinheiro no bolso. Como a gente fumava, procurávamos controlar o cigarro moderadamente para que não faltasse dinheiro para o bonde. Quando faltava, eu descia à pé da Alameda Itu até a zona cerealista. Andava uns 12 quilômetros pra economizar os 500 réis do bonde. Era realmente tudo difícil, mas a gente ia se adaptando devagarinho e chegamos a uma posição de conseguir abrir um armazém da própria firma. Por força das circunstâncias, os irmãos disseram: "Não, vamos abrir uma firma, etc." E aí nós abrimos essa firma, se não me engano, em 1940. Assim, aqui ficou um tipo de filial, na Rua Ceres, número 309. E lá na cidade de Igarapava ficava a matriz, com a razão social de “Jamil Fiod e Irmãos”, que era dos seis irmãos homens. Eu fiquei como gerente aqui e os cinco irmãos ficaram lá, trabalhando. Naquela época éramos um por todos e todos por um! (risos). Era uma coisa boa e hierarquicamente, a gente se respeitava. Esse armazém era para distribuição do produto. O arroz vinha de Igarapava por estrada de ferro, até a Estação do Pari. Quando o vagão chegava, a estrada de ferro avisava e nós íamos e liberávamos pagando o frete. Então colocávamos nos carros tocados a burro. Na verdade eram umas carrocinhas, tipo aquelas dos tempos pré-históricos (risos). Elas não eram grandes, mas como tinham seis burros puxando, eles davam 30 ou 40 viagens daqueles vagões até o armazém, onde descarregavam e voltavam. Esses vagões vinham todos os dias. SÃO PAULO ANTIGA – PARI, GASÔMETRO E SANTA ROSA Ali na Rua Santa Rosa tinha um terminal que também descia no Largo do Pari. Na esquina da Rua do Gasômetro ficavam aqueles tamborão de carvão pra fazer o gás. Aquilo era levado por dois vagões de trenzinho, o dia inteiro, que saía do Largo do Pari e passava na Rua Santa Rosa, apesar desta ser a rua de grãos em alta escala. A gente fala Santa Rosa e mais adjacências: a Rua Assunção, Álvares de Azevedo (que hoje é Polignano À Mare), a Rua Mendes Caldeira e outras confluências. TRAJETÓRIA NO COMÉRCIO A especialidade maior para a qual nos dedicávamos mesmo era o arroz, mas depois começamos diversificar: passamos um pouco para feijão também, um pouco de gergelim (naquela época o Estado de São Paulo era um grande produtor), essa semente oleaginosa. E existia muito óleo de gergelim, mas hoje já não existe mais. Praticamente só se usa o gergelim em doces árabes e pães de hambúrguer. Mas naquele tempo vendia-se muito daquilo para indústrias de óleo de gergelim. Porém 90 a 95% da nossa atenção era para o arroz, por isso nos tornamos especialistas. Naquele tempo não tinha arroz em pacote, o arroz era todo vendido em sacões de 60 quilos e conduzido para as feiras livres. A cidade ainda era pequena e as ruas mais à vontade. Os feirantes faziam a feira das 5 horas da manhã até 1 hora da tarde. E depois das 2 horas da tarde, aquele fluxo grande de compradores de cereais lá da zona cerealista, na Santa Rosa, lotavam os caminhões de arroz, feijão e outras coisas, e vendia tudo na concha. Tinha feirante que vendia seis, sete, até dez mil quilos de arroz na concha. Era trabalhoso. Os feirantes maiores, naquela época, eram portugueses e japoneses. Os japoneses, vindos de Okinawa, eram aqueles japoneses mais agricultores. Depois, mais ou menos em 1956, começaram a aparecer os primeiros supermercados de periferia, que eram de famílias japonesas que foram saindo da feira e abrindo lojinhas pequenas, que futuramente viraram duas, daí começaram a proliferar os gigantes e hoje nós temos todas essas redes grandes aí de Carrefour, Makro, Pão de Açúcar e outras tantas. RELAÇÃO COM BANCOS E DINHEIRO Nós vendíamos para esses pequenos supermercados também. 70% dos feirantes eram japoneses e naquela época a gente trabalhava mais com dinheiro, quase não tinha quase cheque. Os bancos eram centralizados na Rua XV, Rua da Quitanda, por ali. Nos bairros não tinha bancos. O primeiro a aparecer foi o Itaú, em 1948, na Rua Santa Rosa. E fui um dos primeiros a abrir conta lá e mantenho até hoje por tradição. Então era tudo com dinheiro e a gente, por incrível que pareça, deixava o dinheiro num gavetão (risos). Não tinha inflação. E a cada três ou quatro dias, duas vezes por semana, ia um chapa (aquele descarregador) e carregava o saco de dinheiro pra gente. Subia a Ladeira Porto Geral e ia depositar no Banco Holandês Unido, no Banco de Crédito Real, no Banco de Minas Gerais ou Banco de São Paulo. Chegava lá, você punha aquele dinheiro e os caixas pegavam. Quase sempre dava certo, não tinha aquela malandragem de você virar as costas, surrupiou. Nada disso. A coisa toda era feita assim, bonitinha. Eu almoçava num restaurante árabe, na Rua Basílio Jafet, anexo à 25 de Março, pra depois subir pro banco, quando precisava fazer uma operação bancária. Naquela época a gente comprava vale pra almoçar lá até 30 dias e ele dava um desconto. Existia um garçom lá, árabe também, chamava-se Alexandre. Um dia eu levei um pacote de dinheiro, tudo bem contadinho, embrulhado. E um envelope também. Depois de me servir e tal, ele brincou: "É dinheiro? O senhor já vai pro banco?" E eu: "É, é dinheiro, já estou indo pro banco." "Vou passar a mão nesse dinheiro, vou fazer um vale com você!" Aquelas brincadeiras. Então, acabei de almoçar, peguei o envelope e subi a Ladeira. Quando eu estou chegando no banco, me lembro que esqueci o pacote do dinheiro (risos). Voltei, apareci na porta do restaurante e o Alexandre me entregou o pacote de dinheiro. Não tinha aquela preocupação. TRAJETÓRIA NO COMÉRCIO Depois nós demos baixa em “Jamil Fiod e Irmãos” porque naquela época, a cada três, cinco anos, dava-se baixa numa firma e abria-se outra, devido a problemas fiscais. Sobravam coisas do passado, a fiscalização amolava, então punha-se uma esponja no passado e recomeçava uma vida nova. Nós então pulamos para a “Adib Fiod e Irmãos” que era a firma em sequência, mas ainda com todos os irmãos. Essa firma ainda foi no mesmo lugar, na Rua Ceres. Três ou quatro anos depois a firma cresceu um pouco e eu pulei para a Rua Álvares de Azevedo, número 77, num armazém mais amplo. O fluxo já de beneficiamento lá na nossa matriz era maior e a gente já havia conquistado mercado com um produto bom. Mesmo sendo um produto em saco de 60 quilos, ele tinha uma marca, a marca Imperial. Era bem famoso. Modéstia à parte, eu conquistei o mercado durante 27 anos com padrão de arroz em saco. Depois, em 1952 fundamos a firma “Irmãos Fiod Ltda.”, que foi até 1959. Então demos baixa e passamos a “Cerealista Igarapavense Ltda.”, indo até 1974. PRODUTORES DE ARROZ Naquela época os produtores que forneciam pra nós eram esses de imigração. Mas eles cuidavam da lavoura com muito carinho. Quando eles levavam para plantar a próxima safra, meu pai fazia uma seleção de sementes, sempre aprimorando num tamborão, pra semente ficar sempre grande, homogênea, mais compacta, pra ele plantar sempre o melhor e conseqüentemente ter uma melhor qualidade na sua colheita. Havia também a maneira de financiar o produtor. O produtor vinha no sábado, na sua charrete ou carroça pra levar mantimentos pra fazenda. Então meu pai dava a garantia para o armazém de secos e molhados, durante o plantio: toda a fecundação da semente, a rama crescendo até o arroz entrar. O produtor era amparado por um endosso moral junto ao armazém de secos e molhados pelo meu pai, pela nossa firma. Então, quando ele colhia o produto e levava um bornalzinho com a amostra do produto. Nesse bornal, meu pai fazia a seleção: "Muito bem, o mercado tá assim, eu te pago tanto, mas você fica no direito de procurar os outros comerciantes de arroz pra ver se o que eu estou fazendo está certo ou errado." Então ele procurava uns dois ou três comerciantes. Quando havia uma leve discrepância do preço, do outro ser maior do que o do meu pai, ele entregava para o meu pai. Fora disso ele entregava pra outro, mas na maioria das vezes nós nunca deixávamos de também acompanhar o preço como bom ou como mau negócio. Ao receber o produto, o primeiro ato é pegar aquela caderneta do armazém de secos e molhados naqueles quatro meses de plantio e somar tudo muito bem. Primeiro, meu pai pagava o armazém de secos e molhados e, em seguida, fazia a conta do produto dele e dava o restante pra ele sob todas as circunstâncias. Era uma coisa pura, sem documentos, sem nota promissória, sem cheque pré-datado, sem cartão de crédito. Mas tudo funcionava maravilhosamente bem. A ENCHENTE DE 1968 Em 1958 houve a primeira inundação na zona cerealista. Com esse fluxo de asfalto, de residências, a água não é sugada pela terra, ela acumula um índice pluviométrico maior e, consequentemente, fica estagnada lá. Então, em todos os armazéns nós fizemos estrados altos, pra cinco sacos, que quando a água entrava ela e ficava lá até baixar sem atingir o saco. Mas depois veio a inundação de 1968. Essa choveu sete, oito dias consecutivos e a água chegou a um 1,80m em toda a zona cerealista! Foi no dia 25 de Janeiro, feriado acumulado de fim de semana. A água foi subindo e a gente ali no armazém. Eu morava na Praça São Vito e minha residência não tinha condições. Tinha um bar, pegado ao meu, que até por volta de meia noite ou 1 hora da manhã, dava um pedaço de pão com mortadela pra gente. Então a água começou a subir e a gente dentro do estrado. Naquela Avenida Senador Queiroz, que saía na Avenida Mercúrio, a água corria a 20, 30 por hora. Aquela água contaminada, suja de óleo e com todos esses detritos de armazém que vinham do ABC (porque o rio Tamanduateí começava lá). Ficamos três dias ilhados lá dentro, um problema danado. Foi a pior inundação. Todos os armazéns daquela região perderam em torno de 70% dos seus produtos. O arroz, por exemplo, quando molhado não tem mais condições. Ele arde, ele incha, ele fica com um sabor desagradável. Mas ninguém ousa pegar um produto que já sofreu a contaminação. Então, nessa inundação catastrófica, absurda, cheguei a acionar a prefeitura. Peguei o serviço sanitário, que me deu um laudo, e acionei a prefeitura. Mas só ganhei a demanda contra a prefeitura 11 anos depois. E naquele tempo não tinha correção monetária. Então, entrei também com ação dentro da correção monetária. O advogado era meu primo, então eu disse: "Você fica com o valor." Valeu, satisfez o ego de ter ganho a demanda. SUCURIS NO ARMAZÉM Tem um fato pitoresco nessa inundação. Nós tínhamos um rancho de pescaria, lá na barranca do Rio Grande, em Igarapava. Nessa época de chuva apareciam lá no rio essas cobras grandes, o sucuri. De vez em quando meus irmãos armavam a rede de pescaria com o caseiro lá do rancho e pegava o peixe, mas o sucuri ia abarcar o peixe e se emaranhava na rede, ficando preso nela. Uma vez pegaram um sucuri na rede e mandaram pra mim dentro de um engradado, em cima do caminhão de arroz. Uma cobra grossa que pesava 59 quilos e tinha uns sete metros, coisa absurda! Então ela ficou lá no armazém como ponto de atração (risos). Passava o pessoal e: "Você sabia que tem um sucuri?" E assim o armazém ia sendo divulgado sem mídia (risos) Esse sucuri ficou lá um tempo, mas eu acabei doando pro zoológico, porque ele estava com mais de 2 meses sem comer. Ele fica raivoso e não comia. Eu também não punha nada porque ele não comia, gostava era de caçar a presa. O zoológico queria até me dar um macaco de presente. Mas o que é que eu ia fazer com um macaco? (risos). Depois veio uma menor, com pouco mais de quatros metros, e essa teve um final infeliz. Estava lá na época da inundação, saiu até naquele jornal Notícias Populares, aquele que você aperta e pinga sangue (risos). Tinha uma fotografia intitulando a cobra morta como “boneca”. Ela faleceu, afogada na inundação: estava dentro do engradado e a água cobriu 1,80m. Fizeram uma primeira página bem bonita até. FECHAMENTO DA CEREALISTA IGARAPAVENSE Em 1974 fechamos a firma Cerealista Igarapavense Ltda. Dos irmãos, um já tinha diversificado lá pra uma fazenda, o outro exercendo a profissão de advogado, o outro tinha dispersado, eu já estava um pouco cansado. E tem uma história também: aquela zona parou de ser produtora de arroz e então diversificaram pra cana, pra algodão, pra laranja, pra café. O arroz sequeiro passou pra essas zonas de fronteira agrícola a longa distância, Mato Grosso, Goiás. E então entrou essa semente de arroz agulhinha que é essa que impera hoje, a que domina o mercado via Rio Grande do Sul. Estes aprimoraram a semente. Eles tinham três, quatro tipos de sementes, mas era um arroz que empapava e não ia de acordo com o paladar da dona de casa brasileira. O Rio Grande do Sul foi então diversificando as sementes desse arroz, denominada Blue Rose. As outras chamavam 404, 405, 406. Sementes bonitas, mas que resultavam num arroz empapado. E estávamos acostumados ao bom arroz de sequeiro, da Alta Mogiana, Goiás. O Rio Grande atravessou essa semente, que é lá do Vale do São Francisco, de Houston, Texas. Ela veio pro Uruguai, foi plantada e irrigada lá, e deu certo. É uma semente precoce: do plantio até a colheita são 120 dias. Numa falta de arroz no período de entressafra, nós trouxemos a semente pra cá já beneficiada do Uruguai e ela proliferou aqui. Foi dando certo e de 1975 pra cá o Rio Grande do Sul perfeiçoou essa semente. O arroz da Argentina é quase semelhante. Hoje nós temos um excelente arroz, um dos melhores do mundo. O nosso produto do Rio Grande do Sul é um dos quatro melhores do mundo. Esse estado é detentor de uma safra de 4,5 milhões até 4,8 milhões de toneladas, dependendo das condições climáticas apresentadas do plantio à colheita. Em São Paulo, Mato Grosso e Goiás, o plantio da agulhinha é muito pequeno. Mas já têm algumas cooperativas desenvolvendo as sementes e acreditamos que em sete ou oito anos possamos alcançar a nossa produção de arroz, com quase todo ele irrigado a exemplo de outros países como Japão, China, Tailândia, Paquistão, o Vietnã e Índia, todos eles produtores. De 1979 pra cá começaram esses empréstimos de governo e custeios agrícolas. Na verdade uma política para produtor pagar imposto. Um saco de arroz, por exemplo, hoje, acabou de ser colhido e já é onerado de 23 a 27% de imposto. Então, a cada mil sacos colhidos, 250 vão para o governo. TRAJETÓRIA NO COMÉRCIO Quando fechamos a Cerealista, acabei virando um corretor ambulante. Trabalhei dois anos com uma firma de Pelotas, um atacadista. Eu gerenciava a filial São Paulo. Eu saí dessa empresa em 1977. Aí eu abri um escritório na Rua Santa Rosa, 262, sala 1. Nesse escritório eu também me registrei, abri uma firma como representante comercial autônomo no CONSESP e continuei dentro da corretagem de arroz. Nessa época também fiz parte integrante da Bolsa de Cereais, da qual era associado, mas não muito atuante. Isso porque você se apaixona por uma coisa e depois vai esquecendo seus afazeres. Com o meu escritório eu dei assessoria pro Grupo Pão de Açúcar por 7 anos. Eles tinham uma usina de arroz lá no Maranhão (no Rio Grande Sul é chamado engenho). CASAMENTO E FILHOS Eu me casei pela primeira vez em 1951, ali no Brás mesmo. Ela se chamava Laura Santaella Fiod. Era descendente de espanhóis e os pais eram comerciantes na zona cerealista também. Eu tinha armazém lá por perto. A Igreja São Vito promovia todas essas festas bonitas: tinha quermesse, tinha procissão de São Vito, tinha uma série de coisas que chamavam realmente a atenção. Então, num correio elegante, com aquela história do antigo, de escrever um verso bonito, mandei: "Não quero amá-la e amo com loucura" (risos). Foi assim que eu me embarquei. Mas vivi bem, tive uma filha com esse primeiro casamento, a Sônia Maria Fiod. E com cinco anos e meio de casado acabei desquitando, não deu certo. Fiquei três anos e meio desquitado, trabalhando, dentro de uma luta meio difícil. Levei minha filha para o interior, dentro de um acordo com a mulher, e deixei lá com a minha família em Igarapava, onde ela foi criada de dois anos e meio até os oito anos. Foi então que me casei pela segunda vez com a minha esposa atual, Genoveva Soares Fiod, e trouxe minha filha pra ficar com a gente. Fim de semana ficava com a mãe e de segunda a sexta, comigo. Não criei minha filha com complexo, ela foi muito bem criada. Era muito inteligente. Fez o Colégio São José, na Rua da Glória, e depois passou no vestibular da USP para comunicações. Depois de formada ela trabalhou em alguns órgãos do governo, até naquele CENAFOR, no Bom Retiro. Hoje, ela e o marido têm uma empresa de eventos e comunicação e marketing. O marido é administrador de empresas pela Getúlio Vargas. Então, eles têm uma vida boa. Me deram uma neta, que está com 19 anos e um neto, que tem 11. E eu tenho um filho com a segunda mulher, que é engenheiro eletrotécnico também pela USP. Ele trabalhou na Rhodia, fez estágio na Suíça, tem dez anos de inglês, tem administração de empresas no Mackenzie. Mas depois entrou esse nosso processo econômico difícil, na época em que essas multinacionais começaram a ficar desativadas. Acho que era a época do Figueiredo e Sarney. Então, ele que nunca quis trabalhar com arroz na vida, quando saiu disse: "Pai, eu estou trabalhando por 700, por 800 dólares e não tem como crescer ali.” Então eu disse: "Você quer? Você não quis trabalhar com arroz em outra época, quando meu escritório estava no apogeu, mas se quiser ainda é tempo!." "Muito bem", ele falou, "eu vou topar a parada". Então, arrumei uma cooperativa do Rio Grande do Sul. Ele fez um teste, foi aprovado e está há três anos no arroz. Está satisfeito, está trabalhando com muito interesse dentro da área do arroz. Vive bem, é casado, tem dois filhos, mora perto de mim. E assim a gente criou a família, cumpriu a missão. FUTURO Meu projeto no futuro é não sair do metiér. Primeiro, se eu seguisse os passos da família, teria me aposentado há uns 5 anos atrás. Mas eu dizia "Mas se eu me aposentar, vou ficar subindo e descendo nos elevadores trazendo uma caixa de fósforos pra minha digníssima esposa. Ou buscar lá meio quilo de carne ou de qualquer coisa”. Enfim, ficaria inativo. Então, hoje, eu estou em franca atividade dentro do metiér cerealista. Sou um homem bastante consultado e vivo no meio de jovens, no meio de pessoas de meia idade e no meio de pessoas de idade avançada. Eu sigo todos esses segmentos e hoje isso pra mim é uma terapia que talvez prolongue um pouquinho a minha vida. E eu faço coisas diversificadas porque a todo instante você vai criando alguma coisa pra aperfeiçoar, pra aprimorar, etc. Faço parte de algumas agremiações e eu sou também tesoureiro de uma associação de classificadores há mais de 10 anos. Enfim, estou aí na parada de sucesso (risos). E eu acho que só vou parar quando alguma coisa me prender em torno de saúde. Fora isso, eu estarei na ativa.

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