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História

Uma cidade que acompanhou seu tempo.

História de: Edila Rodrigues
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/02/2021

Sinopse

Infância no bairro Vila Metalúrgica, em Santo André. Transformações no bairro e na cidade. Atividades na infância, como ir ao córrego com a irmã. Hábitos de leitura.

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História completa


P/1 – Inicialmente eu gostaria que a senhora dissesse o nome completo, local e a data de nascimento.

 

R – Meu nome é Edila Rodrigues, eu nasci no dia 07 de março de 1954, e nascida em Santo André, São Paulo.

 

P/1 – E qual sua atividade atual?

 

R – Eu trabalho no grande ABC com arte e educação dentro das comunidades, dentro das favelas, com geração de renda. 

 

P/1 – E o nome dos seus pais?

 

R – O meu pai é Martino Bispo dos Santos, e a minha mãe, Nair Paula dos Santos. 

 

P/1 – E a atividade deles?

 

R – Mamãe já falecida e papai aposentado da Petrobras.

 

P/1 – E durante a infância da senhora, a senhora morava em que bairro? A senhora pode contar pra gente?

 

R – Posso sim. Eu nasci em Santo André, fui criada em Santo André num bairro que hoje tem nome de Vila Metalúrgica, é o segundo subdistrito da cidade de Santo André. E fui criada, estudei e vivi toda minha vida lá e continuo vivendo até hoje e faço uma decorrência de morar na cidade, acompanhar todo o processo de evolução do grande ABC, vir a trabalhar também com a comunidade lá e em toda a região.

 

P/1 – E enquanto ao bairro, o que a senhora pode descrever dele pra gente? As impressões, os lugares que marcaram...

 

R – Durante a minha infância no bairro, claro que há 50 anos… 50 e poucos anos atrás era muito diferente de hoje, né? Um bairro modesto, com grande criação de gado por toda aquela região lá, era uma coisa muito diferenciada, parecia mais um tipo de uma fazenda, tal. Que devido a isso, a grande criação de gado na região, nós tivemos uma empresa muito grande, chamada Swift lá, conhecida mundialmente, a Swift, pela matança de gado, de bois, dos enlatados. Milhares de produtos que essa empresa fez durante muitos anos na região, até próximo a minha residência. Então assim, foi uma infância muito linda, porque as coisas eram bem diferentes, claro, né? Mercado, eram mercearias, podia brincar na rua, como toda pessoa do meu tempo e árvores pra subir, córregos… que hoje, totalmente diferenciado, bairro grande, né? De prédios, de uma cidade enorme, de uma cidade de progresso, mas uma cidade excelente, que acompanhou seu tempo aí, maravilha!

 

P/1 – E assim, alguma lembrança que a senhora tenha marcante da infância?

 

R – Lembranças a gente sempre tem muitas e sempre boas, né? E uma das lembranças boas era exatamente um córrego que tinha perto da nossa residência e, eu e a minha irmã, escondidas, íamos lá pegar argila, mexer, entrar na água. Nós temos um único irmão, que é um pouco mais velho que a gente [risos]. E sempre trazia a gente de volta e a mãe brigava sempre porque era lugar só para moleques, e não para garotas. Então era muito divertido, a gente sempre conta essa história.

 

P/1 – Então a senhora tava falando das diferenças também né? Do bairro hoje em dia, como é que era, como é que foi... E hoje em dia, o que chama a atenção da senhora? Gosta de continuar morando lá? Não?

 

R – Gosto. Gosto muito do grande ABC. Gosto muito da minha cidade Santo André. Gosto muito de São Paulo, tanto é que já teria oportunidade de sair de Santo André. Hoje meu marido já é aposentado, nós temos um único filho que já se casou também, e eu permaneço lá porque gosto. Claro que deparando com todo o problema de uma cidade grande, mas é progresso, é evolução. E eu, fica o quê? Fica as recordações, as coisas boas de menina, da minha infância, mas vamos acompanhando esse progresso maravilhoso, uma cidade boa de se morar, bem administrada, uma cidade que se preocupa com a cultura, que se preocupa com seu povo. Eu tô bem contente de morar em Santo André. 

 

P/1 – E assim, quanto aos hábitos de leitura, a senhora gosta de ler?

 

R – Gosto muito de ler. Leio bastante. 

 

P/1 – E o que a senhora tá lendo atualmente? Está lendo alguma coisa?

 

R – Olha, atualmente estou lendo o livro do Tim Maia, eu ganhei, tô adorando, tô começando, e tô apreciando muito a história de Tim, que eu sou “fanzona” dele. É hoje.

 

P/1 – E quanto a leitura, tem algum livro que marcou a história da senhora? Mudou alguma visão?

 

R – Nossa, tenho muitos livros que marcaram. Fica até difícil relatar um agora, me foge um exatamente, mas tem inclusive autores brasileiros aí, que a gente tem muitos, livros ricos, eu tenho um livro que li agora a pouco tempo, chama Angu de Sangue, de Marcelino Freire. Eu fiquei encantada com o livro desse rapaz, da forma que ele escreve, ele é bárbaro. Ele tem escrito outras coisas também muito brasileiras, um cara envolvido com nosso povo, nossa gente, tô amando Marcelino Freire, recomendo pra todo mundo. 

 

P/1 – Então é, o que a senhora achou de dar esse depoimento? 

 

R –  Achei muito bacana, vim de Santo André exatamente pra conhecer o trabalho de vocês e até conversei com a moça ali que foi muito gentil me atendendo, que quero ter a oportunidade trazer papai, um sergipano, que tem uma história linda de vida, 84 anos, e espero que dê certo, que eu consiga trazê-lo, foi muito bom estar com vocês!

 

P/1 – Obrigado.

 

R – Obrigada você. Boa tarde. 

 

P/1 – Boa tarde.

 

 

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