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Uma breve história sobre Luiza

História de: Luiza Bacil Nascimento
Autor: Luiza Bacil Nascimento
Publicado em: 26/04/2022

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Meu nome é Luiza Bacil Nascimento, mas sempre me apresento apenas como Luiza Bacil. Tenho 19 anos. Nasci no dia 20 de março de 2003, em São Paulo. Passei a vida toda morando em uma mesma casa, em Santo Amaro. A casa, na verdade, é de minha avó, dona Haydée, e nela moro com meus pais, Orlando e Monica, e minha irmã, Mariana, de 21 anos. Tenho uma cachorra, Lola, e um gato chamado Lua.

Minha relação com minha família tem seus momentos de paz tanto quanto os de conturbação. Nunca fui muito próxima de ambos meus pais, especialmente meu pai. Sempre brigamos muito e eventualmente, isso baqueou nossa relação. Enquanto com minha mãe, tivemos a oportunidade de reaproximação nos últimos dois anos, e conseguimos construir uma maior proximidade, apesar de ainda brigarmos com frequência. Com minha irmã, a situação não se difere muito. Apenas muito recentemente passamos a conviver mais, talvez por ambas estarem passando por momentos parecidos na vida, como a faculdade, mas antes disso, mal nós falávamos. Dentre todos na minha família, a pessoa por quem mais tenho apego, é minha avó. A vida toda morei com ela e, por isso, me considero muito privilegiada. Meu bisavô era libanês, assim como meu avô, seu marido. Dessa forma, ele sempre a ensinou as melhores receitas de sua cultura, assim como um pouco da língua. Então, desde muito cedo tive a oportunidade de vê-la cozinhando, algo que faz muito bem, e me contando histórias sobre suas aventuras na juventude. Me ensinou também algumas palavras em árabe, que admito não lembrar mais.

Hoje minha avó já está bem velhinha. Já não cozinha mais e pouco se lembra sobre os xingamentos libaneses que vivia bradando.

Apesar de morar em uma casa cheia, tenho o costume de passar uma quantidade considerável de tempo sozinha. Gosto muito do meu quarto e o considero muito aconchegante. Desde pequena, fui sempre muito tímida. Vivia me escondendo atras de minha mãe e só realmente me soltava quando estava na presença de amigas próximas, aí então me tornava realmente falante. Hoje tenho uma relação um pouco diferente com a timidez. Continuo quieta dependendo da situação, e ainda não sou a pessoa que adentra os lugares falando alto e interagindo com todos, mas definitivamente tive de me acostumar com a exposição, considerando que me encontro na área de comunicação.

Ao longa de minha vida, estudei em apenas duas escolas, a escola Manacá, pequena escola que ficava na rua debaixo de minha casa, e a Escola Waldorf Rudolf Steiner. Ambas trabalham com um tipo diferente de pedagogia, a pedagogia Waldorf, que tem grande envolvimento com a área de artes e filosofia, e visam a priorização do desenvolvimento pessoal de cada indivíduo acima do ensino mais robotizado. Sempre tive todas as matérias que uma escola convencional teria, mas com o adendo de matérias de artes como, pintura, trabalho com metais e modelação, assim como peças de teatro e um coral. No meu terceiro ano, o qual conclui em 2021, tive a oportunidade de estrelar como um dos papeis principais da peça Rasga Coração de Oduvaldo Vianna Filho, produzida pela própria escola. Foi um processo de alguns meses, por volta de 4, desde a seleção da peça até sua estreia. Nesse processo pude ter contato com o mundo de produções, desde o de roteiro, até de música, e sem dúvidas foi de grande influência para minha decisão de estudar Rádio, TV e Internet.

Ainda no ano de 2021, para fechar o ciclo escolar, dediquei parte do meu ano final a produção de um TCC. Meu tema selecionado foi “A evolução do conceito de gênero ao longa da história, e a forma como ele nos afeta hoje”, onde abordei, de diferentes pontos de vista históricos, científicos e sociais, questões de gênero ao longa da evolução da humanidade. Esse feito foi também necessário para a minha compreensão do meu interesse por comunicação.

No ano de 2018 entrei no ensino médio e coloquei o primeiro pé no caminho de amadurecer e procurar meu futuro. Sempre fui uma pessoa tranquila no âmbito escolar. Conversava demais, odiava educação física, mas ia bem nas matérias. Dava preferência para matérias de artes e física, e evitava química a todos os custos. Esse mesmo padrão me acompanhou pelos próximos anos de escola. La, o ensino médio começava no 9° ano, somando então quatro anos de ensino médio, visto que nos formávamos no 12° ano.

Logo no 10° ano, algumas coisas começaram a mudar e aquele pé no caminho de amadurecer teve de vir com mais força. No começo de 2019, bem no carnaval, acabei conhecendo alguém que viria a ser minha primeira namorada. Foi um relacionamento onde tudo era muito intenso. Depois de apenas dois meses nos conhecendo melhor, começamos a namorar. Mas bem sabemos que namorar alguém do mesmo sexo pode não ser tão simples assim. Desde muito jovem me entendi como bissexual e isso nunca foi uma questão para mim, inclusive sempre digo que entender minha sexualidade foi uma das coisas mais fáceis que tive de fazer. Agora, lidar com as consequências disso, nem tanto. Foi quando comecei a namorar, que decidi contar para meus pais que era bi, afinal não estava nos meus planos manter um relacionamento secreto. Não foi uma tarefa fácil, doeu e foi decepcionante, como a maioria das experiencias é. Durante todo o período que ficamos juntas, que somou pouco mais de um ano, meus pais não a conheceram. Por outro lado, a família dela me acolheu com o coração aberto. Curiosamente, sua família toda é libanesa, assim como ela, que nasceu no próprio Líbano, e apesar do choque de culturas, nunca reprovaram nosso relacionamento.

Eventualmente, depois de várias idas e vindas, oficialmente terminamos, alguns meses depois da pandemia começar. Terminamos de forma amigável e mantemos contato até hoje. Depois disso, tanto pela pandemia, quanto pelos simples caminhos que a vida toma, não me relacionei com mais ninguém.

No âmbito de amizades, sempre me considerei muito sortuda. Ainda quando estudava na escola Manacá, conheci algumas das pessoas que viriam a me acompanhar para o resto da vida. Conheci Mariana e Isadora com apenas 3 anos. Estudamos juntas até os 7, e então mudei de escola. Entretanto, alguns anos depois, ambas foram para a mesma escola que eu, e nos reencontramos. Quando voltamos a estudar juntas, não nos falávamos muito e pouco sabíamos sobre a vida uma da outra. Eventualmente, em dado momento nos aproximamos e nos tornamos inseparáveis. São as pessoas que tenho de mais próximas na minha vida. Terminamos o ensino médio juntas em 2021, e hoje, uma delas, Mariana, cursa o 1° ano de Relações Públicas na Casper Libero, enquanto Isadora faz ciências sociais no Rio de Janeiro. Tive a oportunidade de dividir alguns momentos que serão eternos ao lado delas, desde viagens, até morar juntas por parte da pandemia.

Ainda tenho contato com boa parte dos amigos que fiz nos anos de escola, e são todos de grande importância para mim.

Dentre meus interesses, nunca fui uma pessoa muito ligada ao esporte. Quando pequena fiz um ano de ballet, e no ano de 2018 praticava pole dance. Mas nada que tenha levado para minha vida como algo frequente. Sempre escutei muita música e inclusive comprei um material de produção e montei um pequeno estúdio na minha casa na pandemia. Tenho muito gosto por todo o processo que compõe uma música, desde sua produção, escrever a letra, cantar, até ouvir. Por sempre ter tido um grande contato com o mundo musical através da escola, passei a cantar desde muito pequena, o que acabou virando um hobbie. Em 2021, entrei em um estúdio pela primeira vez para gravar o backing vocal da música de um amigo meu, e espero poder repetir esse processo agora que tenho um maior contato com esse mundo, mesmo que ele me assuste muito e eu morra de vergonha.

Tenho também muita vontade de viajar o mundo. Tive a oportunidade de fazer algumas viagens ao longo da minha vida e conheci lugares como, Chile, Nova Iorque e meu favorito de todos, a Espanha. Lá, conheci Madrid e Barcelona e fiquei completamente apaixonada, fazendo um dos meus objetivos na vida, voltar para lá.

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