Busca avançada



Criar

História

Uma aula sobre o Metrô de São Paulo

História de: Plínio Oswaldo Assmann
Autor: MetroSP
Publicado em: 13/06/2018

Sinopse

Plínio Assmann narra a história de sua vida até o final do seu mandato de presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô. Filho de imigrantes alemães, nascido em uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, migrou com a família para São Paulo onde se estabeleceram na zona oeste. Relata um pouco da ocupação alemã no sul do Brasil e como estes foram povoando o centro-oeste. Descreve sua infância em São Paulo, especialmente sua altivez por lutar pelo seu lugar no mundo, inclusive ao pedir à diretora da escola para matriculá-lo porque queria estudar imediatamente ao chegar à cidade. Neste relato, ele relembra as primeiras impressões na cidade de São Paulo, asfaltada, com bondes e toda a mudança que significou para ele e sua família. Sua juventude foi em um colégio tradicional da cidade onde pôde ter clareza da escolha da faculdade de engenharia que mais tarde cursaria, na Escola Politécnica. Seu depoimento deixa bastante destacada a importância das relações pessoais que desenvolveu durante a participação ativa no centro acadêmico da Poli, que o levou a participar e conhecer os bastidores da construção de grandes obras do Brasil em crescimento na década de 1950, a Usina de Paulo Afonso e a siderúrgica COSIPA, até ser convidado a ser presidente do Metrô. Ao assumir o cargo, recusado em primeira instância, foi o principal líder das primeiras grandes obras da empresa, e sua gestão foi pautada por uma administração participativa, que ele apresenta os detalhes dessa dinâmica na rotina desta obra inovadora da indústria da construção civil brasileira. Nas narrativas apresentadas descreve com requinte de detalhes os bastidores deste importante momento da empresa, principalmente as dificuldades e superações sob a ótica construtiva e gerencial, até sua saída da empresa quando esta passa a ser órgão do governo estatal. Plínio encerra seu depoimento com suas impressões sobre o futuro da empresa e seu ponto de vista sobre as diretrizes seguidas atualmente.

Tags

História completa

Plinio Assmann nasceu em 30 de outubro de 1933, em Piratuba (antiga Rio do Peixe), Santa Catarina. Em 1853, seu bisavô veio da Alemanha aos 11 anos de idade com a família e se dirigiu ao Rio Grande do Sul, na localidade de Santa Cruz do Sul, capital do fumo. Lá se estabeleceram. Depois a família foi migrando para outras regiões, primeiro em Santa Catarina, onde Plínio nasceu. Aos 7 anos de idade migrou a São Paulo com sua família, pais e dois irmãos mais velhos, e se estabeleceram no bairro de Perdizes. O pai era um comerciante de alfafas.


Em São Paulo frequentou o Instituto Mackenzie até o ginásio. Desde essa época colocou na cabeça que iria ser engenheiro, alcançando seu objetivo ao ingressar na Escola Politécnica da USP. Os professores eram excelentes, ganhavam como ganha um desembargador. Escolheu a carreira de engenheiro eletricista, que é alta tecnologia. Os professores o colocaram em contato com um mundo tecnológico, o que o ajudou anos mais tarde no Metrô. Além disso, frequentou ativamente o Centro Acadêmico, o que o levou a participar de um ambiente cultural e intelectual que ampliou muito os seus conhecimentos e sua rede de relações. Já formado, depois conseguiu uma bolsa pela FIESP no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, instituto ao qual retornou para presidi-lo, 20 anos atrás, e depois outra bolsa no ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros, um braço civil da Escola Superior de Guerra. Mais tarde conseguiu um estágio como engenheiro na Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, onde permaneceu por cerca de 3 anos, transferindo-se depois para a Companhia Siderúrgica Paulista, onde atuou na área financeira. Nessa época trabalhou com o então Diretor de Planejamento José Carlos de Figueiredo Ferraz. Em 1971 foi convidado por esse Diretor a ocupar o posto de presidente da Companhia do Metrô, convite que recusou em primeiro momento, mas que todos diziam “tem que aceitar”.


Quando chegou no Metrô formou a sua diretoria. A questão era: “como vamos gerir o Metrô?”. A Companhia do Metropolitano ainda não estava completamente estruturada, nem a obra havia iniciado. Entretanto, Plínio destaca um ponto importante do projeto desenhado pelo GEM (Grupo Executivo Metropolitano): a obra tinha que começar no Jabaquara e em Santana. Nessa época as autoridades e os responsáveis pela empresa e pela construção visitavam a obra todos os sábados. Iam vereadores, empreiteiros e o prefeito. Era uma visita prática. A contratação de funcionários do Metro exigia que o candidato tivesse   conhecimento e passaporte. A Gestão era participativa, ou seja, tinham duas reuniões semanais: uma reunião entre a diretoria,  e uma reunião com todos os outros funcionários,. Por isso o Metrô tinha mesa grande, e Plínio considera que não se consegue fazer uma obra complexa se não tiver mesa grande.


Com o modelo planejado não iriam conseguir ter o metrô. Foi então que se pensou em mudar o projeto com a empreiteira e a obra em curso. E mudou. O equipamento de construção de túneis (Shield) foi comprado da Alemanha e durante a construção, toda vez que ele chegasse a um lugar determinado, era uma comemoração. Uma vez o pessoal da faculdade de São Bento telefona para dizer que tinha acontecido uma rachadura no quadro negro. Foi necessário o diretor do Metrô dormir lá para acalmar os padres. Houve também rachaduras na igreja e o Metrô reformou a igreja com o dinheiro do seguro contratado sobre os impactos da obra.


No instante em que o projeto da estação Sé subiu, por causa da via Leste-Oeste que passou a ser de superfície, tudo subiu ao invés de se aprofundar, como era o projeto inicial. Então foi necessário desapropriar prédios ao redor da estação. Teve que demolir um quarteirão entre a Praça João Mendes e a Praça da Sé. Dentre os prédios, existe o Mendes Caldeira. Não daria para demolir na marreta. Então, o Metrô foi buscar no Consulado Americano alguém que entendesse de implosão por causa da experiência que eles tinham sobre explosões em campos de petróleo na guerra do Iraque. Entretanto, a firma, era uma pessoa. Contratou-se, portanto, uma empresa de engenharia para verificar os cálculos deste engenheiro americano e foi contratada uma Companhia de Seguros que assegurasse todo o entorno da Praça da Sé, para o caso desta implosão. O Metrô entrou em contato com a mídia porque não podia ter ninguém na praça naquele dia, nada poderia ser noticiado a respeito daquela implosão por questão de segurança. Plínio foi o primeiro a chegar naquele domingo. Impressionante a hora da implosão, deu tudo certo.


Em outro trecho da obra, as avenidas foram rasgadas em valas abertas, e um belo dia sai uma manchete de primeira página no jornal Estadão: “Liberdade Interditada” com a fotografia da obra, na rua Liberdade: uma caveira e duas tíbias, um sinal de alta tensão. A matéria dizia: “a Companhia do Metrô interditou a Rua da Liberdade”. E aí foi percebido que a censura militar estava do lado do Metrô. Depois de sair do Metrô, por não concordar com a decisão do prefeito Setúbal em transferir o Metrô para a gestão do Estado, foi presidir a COSIPA.


Hoje Plínio se preocupa  com a decadência da cidade de São Paulo. Quando foi construída a linha Leste-Oeste, o intuito era urbanizar o extremo leste, entretanto este objetivo não foi cumprido, e Plínio se sente em dívida com a população desta região, tanto que participa de um grupo na Prefeitura que incentiva a criação e instalação de startups para gerar mais empregos na região de Itaquera.  Tem que botar gente em Itaquera. Não tem emprego em Itaquera, então o metrô tem que trazer todo mundo. Há uma dívida a ser paga. Há um grupo da Prefeitura, do qual participa, para criar startups na zona de Itaquera.


Quando saiu do Metrô, pois não concordou na época com o Prefeito Setúbal de transferir o Metrô para o Estado, foi presidir a COSIPA.


Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+