Busca avançada



Criar

História

"Uma área que tenta preservar a vida e a integridade física dos homens"

História de: Silvino Schuroff
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/11/2005

Sinopse

Silvino Shuroff nasceu no ano de 1953, no Braço do Norte em Santa Catarina - sendo a cidade próxima de referência o município de Tubarão. Conta sobre o início de sua vida profissional produzindo caixas acústicas e como transicionou pra sua área de trabalho na Itaipu Binacional, assim como momentos marcantes na empresa.

Tags

História completa

P1 – Então começar a nossa entrevista vou pedir pra você falar o seu nome completo, o local e a data de nascimento.
R – Silvino Schuroff, nascido em 12 de agosto de 1953, em Braço do Norte em Santa Catarina.
P1 – É perto da onde Braço do Norte?
R – O ponto de referencia é Tubarão, uma cidade com Usina Termo elétrica, próximo a Beira Mar também.
P1 – E o nome dos seus pais?
R – Antônio Chirofe e Verônica Boi Chirofe.
P1 – E Silvino como foi os seus primeiros trabalhos, como começou a sua vida profissional?
R – Comecei a minha vida profissional como auxiliar de escritório numa industria de fabricas acústicas numa cidade em Santa Catarina.
P1 – E fabricava caixas acústicas?
R – Caixas acústicas.
P1 – E como você se encaminhou pra eletrotécnica?
R – Após o período já aqui dentro da empresa abriu um curso na cidade e eu freqüentei o curso de eletrotécnica.
P1 – E o que te chamava atenção assim do curso?
R – Eu como já atuava na área de segurança de trabalho, eu achava interessante porque complementava um pouco da minha necessidade como técnico de segurança o uso, o conhecimento da eletricidade para o fim que se destinava a função de técnico de segurança.
P1 – E me fala uma coisa, quando que você veio pra Foz a primeira vez?
R – Eu vim pra cá foi em 95, desculpa não foi 95.
P1 – Em 78?
R – Não, em 76.
P1 – Em 76, foi a primeira vez que você chegou na cidade?
R – Não, em 74 eu já havia estado como turista na região, na formatura de colação de grau, como turista na região de Foz do Iguaçu até Assunção e em 76 eu tinha uma irmã que morava numa cidade próxima daqui e a convite dela eu acabei parando aqui na cidade.
P1 – E aí como você conseguiu emprego aqui na Itaipú, como foi isso?
R – Na época eu trabalhava como recepcionista do Hotel Bourbon e como eu tinha contato diário com o Doutor Rubens Viana, então eu acabei enviando um currículo para o Doutor Rubens e ele me encaminhou pra um processo de seleção.
P1 – Porque o Doutor Rubens estava hospedado lá.
R – Exatamente, ele se hospedava no Hotel Bourbon na época.
P1 – Uma parte do pessoal tava lá, tinha mais gente?
R – Outros diretores também ficavam lá, mas ele era residente no Hotel.
P1 – E aí você foi encaminhado tudo e você começou a trabalhar fazendo o que aqui em Itaipú?
R – Eu entrei na atividade de auxiliar de almoxarife, no setor de recebimento básico da obra.
P1 – E isso quer dizer o que, você recebia o que?
R – Basicamente era cimento a granel, aço, cinza volante, estruturas metálicas e outros materiais que vinham.
P1 – Pra fazer a barragem.
R – Pra fazer a construção civil que chamava e montagem também de alguma coisa.
P1 – E o fluxo era muito grande desse evento, como é que era?
R – Era, nós tínhamos turno de 24 horas, quer dizer, revezamos é lógico e períodos haviam em que entravam até 70 carretas de cimento no dia ou no turno de 24 horas em torno de 30 toneladas cada uma. Então tudo isso era praticamente consumido no mesmo dia na construção da Usina.
P1 – Passava pro almoxarifado.
R – Não passava diretamente no almoxarifado, passava na balança que era o setor de recebimento, balança, pesamos os produtos derivados das industrias, processava a descarga na área de estocagem e montava, media a tara da carreta pra definir peso total.
P1 – Então tinha uma área só de estocagem de cimento?
R – Tinha os silos de estocagem de cimento porque ele vinha a granel.
P1 – Vieram quantos caminhões por dia?
R – Algumas vezes entravam, uma vez eu contei em 24 horas entraram 72 carretas só de cimento.
P1 – E esse cinza era o que?
R – Cinza volante, era cinza proveniente das Usinas Termoelétricas, era o resíduo da queima do carvão da Termoelétricas que era muita e agregada ao concreto armado, ao cimento, era um agregador do traço que chamava do concreto.
P1 – Olha só, você tá aqui há quanto anos?
R – Praticamente 4 anos.
P1 – Me fala uma coisa quais são as imagens mais marcantes que você tem, vendo a construção que período que mais te marcou, você tem alguma momento?
R – Períodos que chamava muito atenção era o volume, desculpa, não era o volume era a quantidade de pessoas que circulavam dentro da empresa como se diz hoje seria um formigueiro trabalhando a pleno vapor pra manter a como alimentação pro inverno, então dava a entender isso aí porque o volume era muito grande e todo lugar que você fosse você tinha pessoas circulando, pessoas trabalhando, pessoas brincando, jogando, na desossa ou qualquer coisa assim, era muita gente um turno de 24 horas revezamento um turno de 12 horas, era uma cidade praticamente dentro de uma armário de concreto.
P1 – E quando começou a funcionar assim, você lembra dessa época?
R – O fato que mais eu senti, que eu achei mais interessante foi quando se fecharam as comportas do canal de desvio, quando o rio Paraná foi bloqueado do seu trajeto normal ou do percurso dele normal. As comportas sendo fechadas dava a entender que o rio provocou um ruído tão estranho dando a entender que ele estava reclamando porque tinham tirado dele o leito do seu percurso como se tivesse parado um fluxo se milhares de ano que ele tivesse reclamado nesse sentido, a gente sentiu até um certo arrepio com relação a isso, porque a água dava a entender que ela reclamava do bloqueio da passagem dela pelas comportas, o momento que estavam fechando as comportas do desvio.
P1 – Dá pra descrever esse ruído assim?
R – Não sei na época dava a entender como se todo esse rio passasse a ter uma pressão normal em cima como se fosse uma descarga de uma guerra de alta pressão e que ele começasse a provocar ruídos diferentes do que era costumeiro dia a dia, isso deu pra sentir como se fosse uma descarga passando um volume de água em posições ou em locais com maior pressão, não desculpa não consegui pegar bem.
P1 – Não, mas tá uma descrição linda.
R – É como se fosse a redução, você pegar uma mangueira de bitola grande e você começar a reduzir isso devagar, uma mesma pressão de água ela provoca aqueles ruídos de atrito isso deu pra entender que as compotas fizeram com o rio como se o rio reclamasse do bloqueio que eles fizeram quando foi fechado a barragem.
P1 – E a formação do lago?
R – A formação do lago aos poucos ela foi se levando a gente foi acompanhando de longe apenas algumas coisas ficaram bem definidas, muita coisa que a gente viveu digamos a montante do rio que se chama que é essa o lado de cima da barragem foram desaparecendo coisas que a gente viveu o dia a dia dentro da empresa na construção.
P1 – Vocês mesmos construíram, vocês viviam...
R – Praticamente se vivia aqui dentro nessa época, era uma vivência se você pensar em termos de dia, hora praticamente a gente ficava 14 horas dentro da empresa e 10 horas em casa ou a caminho de casa, praticamente era isso.
P1 – E aí o rio subiu desse lado, foi a montante?
R – A montante foi subindo e aquelas cenas que a gente acostumava no dia a dia que era uma coisa de construção mesmo acabou se transformando num lago e aquilo desaparecendo e a lembrança ficou em baixo também. Tivemos muitas lembranças boas ou lembranças ruins que muitas vezes você vendo umas fotos, filmes te faz lembrar muita coisa boa, mas também tem coisas ruins que aconteceram na época que marcaram também.
P1 – Qual é uma lembrança boa que você tem?
R – Uma lembrança boa. Olha, a lembrança boa é que se viveu numa época em que ninguém conhecia ninguém, mas entre esse alguém sempre tinha muitas pessoas que tinham afinidade, então havia aquela união mesmo sendo de países diferentes isso trazia muita amizade boa entre as pessoas, não todos mas havia sempre um grupo que sentia esse lado bom da vida.
P1 –E dentro das suas atribuições você trabalhou sempre com segurança do trabalho?
R – Não, eu atuei na segurança do trabalho de 81 até agora e até ali eu trabalhei como recepcionista de material de 81 dias antes do meu casamento eu passei a ser técnico de segurança atuante na área de segurança dentro da empresa.
P1 – E como foi assim essas duas mudanças assim.
R – Foi praticamente junto, que tava o casamento marcado e ao mesmo tempo tava transferindo de área pra atuar em outra experiência de vida que eu teria e é uma área boa, difícil, mas com certeza é uma área que tenta preservar a vida e a integridade física dos homens que nem sempre é possível.
P1 – Tem quantas pessoas hoje que trabalham?
R – Na área de segurança do trabalho que você fala?
P1 – É.
R – Considerando apenas brasileiros nós somos seis técnicos atuantes.
P1 – E vocês percorrem a Usina, como é o dia a dia de trabalho seu?
R – Nós acompanhamos as atividades principais, recorremos as áreas industriais, casa de força, outras áreas adjacentes, escritórios e fiscalizamos inclusive as sub contratadas, as empresas sub contratadas sempre tentando fazer cumprir as normas de segurança.
P1 – Tem mais uma coisa que você acha que precisa falar assim da sua trajetória?
R – Não, eu acredito, ah, um fato pitoresco foi uma dessas passagens aí havia um caminhoneiro na época um transportador de cimento ele era pistoleiro e todo mundo sabia, era pistoleiro, então num dado momento num dia desse desconfiávamos que ele estava desviando cimento e um dia desse por coincidência foi no meu turno e descobrimos que realmente ele estava desviando cimento ele estava colocando outro material no lugar do cimento e tava desviando cimento da carreta. Ai acionamos na época a segurança física e a segurança física conhecedores também que o homem era pistoleiro vieram nada mais do que seis agentes pra prender esse homem porque todo mundo veio com medo dele reagir e acabar atingindo, sacar a arma porque eles sabiam que ele tinha arma dentro do caminhão e achar que ele pudesse reagir, puxar essa arma e o fato que não aconteceu que ele simplesmente ele se entregou, não reagir porque ele era um senhor muito calmo, ele não tinha essa reação que aparentemente se esperava dele, então foi um fato que até hoje eu me lembro disso aí.
P1 – Você estava junto?
R – Estava, tanto é que eu havia mandado ele pra uma nova recarga de cimento, tinha faltado peso em relação a nota fiscal que vinha e aí pedimos pro fiscal fazer uma inspeção no cimento que estava sendo descarregado, aí detectamos a fraude e isso aí até hoje eu me lembro desse fato.
P1 – Silvino, o que você acha da gente tá resgatando a história do trabalhador de Itaipú através dessas entrevistas, o que você achou de todo mundo ter sido alguns escolhidos e tá contando uma parte da sua história, um pedacinho de um assunto, o que você achou de ter dado essa entrevista?
R – Eu achei fantástico tanto é quando aquela edição francesa entrou no ar, quando me convidaram pra assistir, eu fui com muito gosto pra assistir porque eu vi muita coisa ali que as vezes você esquece, passagens que não te interessam muito ou você acaba com o tempo não relembrando, mas você o joga no canto da memória e só volta a relembrar quando você vê uma imagem. Então eu vi umas imagens ali que fez eu relembrar de tudo aquilo ali, puxa vida é um histórico pra gente e pra gente relembrar no futuro o que foi, o que a gente reviveu, como a gente sofreu naquela época pra que essa obra tivesse o seu destino ou fim desejado que era a produção de energia no país.
P1 – E hoje você vendo funcionar tudo isso assim o que você sente?
R – Pra mim é como é que se diz, eu vejo que foi uma participação muito boa da gente e me sinto orgulhoso de ter participado da construção dessa obra.
P1 – Que é um delírio.
R – Ela é grande essa obra, tanto é que as vezes as pessoas de fora vêm pra cá e imaginam porque conhecem outras obras lá fora e imaginam uma obra de porte médio digamos, acostumados a ver obras pequenas e quando chegam na frente dessa obra aqui eles se espantam “Nossa, nunca imaginei que fosse tão grande ou tão espantoso”, até galerias praticamente de 1 quilometro eles nunca imaginavam que eles pudessem ter dentro de uma Usina da forma que foi construído essa.
P1 – Tá jóia, obrigada pela entrevista.
R – Eu agradeço.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+