Busca avançada



Criar

História

Uma andorinha só não faz verão

História de: Luis Eni de Souza Curt
Autor: Sophia Donadelli
Publicado em: 13/06/2021

Sinopse

Vida profissional. Trabalho em campo. Experiências em diferentes plataformas. Vivências no trabalho. Lembranças. Falta de reconhecimento. Família. Realização.

Tags

História completa

Projeto Memória Petrobras 

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Luis Eni de Souza Curt

Entrevistado por  Márcia de Paiva

Rio de Janeiro, Marlin Sul – P38, 27 de janeiro de 2005

Código: Petro_CAB006_ UniRio

Transcrito por: Maria da Conceição Amaral da Silva

 Revisado por Igor Gabriel de Sousa Galindo

 

P – Boa tarde.

R – Boa tarde.

P – Eu gostaria de começar a entrevista pedindo que o senhor nos diga o seu nome completo, local e data de nascimento.

R – Sim, 16 de agosto de 1948. Nasci em Alegre, no Espírito Santo. 

P – Seu nome completo?

R – Luis Eni de Souza Curt. 

P – Seu Luis Eni, o senhor pode contar para a gente como é que foi o seu ingresso na Petrobras?

R – Sim. Em 1974 eu fui convidado por um primo meu que trabalhava na Reduc [ Refinaria Duque de Caxias], Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Aí no qual eu fui para a Reduc e iniciei as minhas atividades lá. Como almoxarife. E daí então eu passei em torno de 7 anos para 8 anos lá em outras funções também. Parte burocrática onde eu fui ingressei na vida do campo mesmo. Onde eu vim parar, aqui na Bacia de Campos em 1980, final de 1982. 

P – Mas o senhor fala lá na Reduc, ingressou na vida do campo aí o senhor foi trabalhar diretamente com a parte da produção?

R – Sim.

P – O senhor trabalhava antes com a parte administrativa?

R – Eu já trabalhava na produção. Era almoxarife. Parte burocrática. E eu pedia à chefia, no caso engenheiro para que eu fosse diretamente trabalhar no campo. Em obras diretas. Foi onde eu comecei então, me qualifiquei e vim para a Bacia de Campos. No qual...

P – E como é que era esse trabalho no campo?

R – É caldeiraria em si. Estruturas, tubulações, soldagem. É isso aí que é o trabalho realmente no campo. Naquela época por exemplo estava fazendo unidades novas.

P – Lá na Reduc?

R – Lá na Reduc. Foi onde eu fui convidado por esse primo meu, trabalhar em Macaé, que era a McLaren na época. Quando eu estou aqui até hoje desde essa época até a data de hoje. 

P – Aí quando o senhor veio para a Bacia de Campos o senhor foi trabalhar onde?

R – Antiga SS5. Foi o meu primeiro embarque.

P – SS5 era o nome da plataforma?

R – Sim, flutuante.

P – Já era semissubmersível?

R – Submersível. Aí fui para o navio Pepe de Moraes. Hoje é o P 34. Fiquei, fui para NA 1, fiquei 3 anos.

P – Perdão, como é que é o nome?

R – NA 1. Namorado 1.

P – NA 1, ah, Namorado 1.

R – Fiquei em torno de 3 anos. Andei por Cherne 1, Cherne 2, Garoupa, Enchova. Tive em Enchova antes de 1984. Antes daquele acidente que houve. Andei em outras unidades aí fazendo serviço pela Diren. Que era interligação de poços novos. A gente não ficava muito em uma plataforma. Fazia interligação de um poço, dois. Saía para outro. Após essa andada toda, eu fiquei em NA 2, 11 anos. Namorado 2. E rodei outras plataformas. P24, SS11. Namorado 3. No qual vim para aqui. Fiquei 2 anos e pouco. P21, um total de 22 plataformas.

P – Nossa.

R – E hoje iniciamos aqui pela UniRio [Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro]. O contrato aqui da [Iesa?], eu fiz o primeiro embarque e estamos aí.

P – O seu contrato é pela Iessa? 

R – Iesa. 

P – Iesa, perdão. 

R – Positivo.

P – E então o senhor é...

R - _______ de 5 anos, né?

P – E o senhor sempre trabalhou por essa mesma firma ou...

R – Não, não, outras empresas. É de acordo com o contrato. As empresas, elas ganham um contrato, ao término do contrato se não conseguir ganhar um outro a gente é obrigado caçar uma outra empresa para continuar. 

P – Se mantém através de outras empresas.

R – Outras empresas. Positivo. 

P – E, seu Luis Eni, como é que foi sair do trabalho em terra e vir para o trabalho em mar?

R – É um caso interessante. Porque em 1951 eu morava em Macaé, do qual eu vim do Espírito Santo. Eu tinha 3 anos de idade. Não havia Petrobras nem nada. Fui para o Rio, hoje voltei a trabalhar aqui. Quer dizer, hoje não, desde o final de 1982. Hoje minha família mora no Rio, um pouco mais afastado, e trabalho em Macaé. 

P – Mas assim, do trabalho lá, o senhor trabalhou também na Reduc. E depois quando veio trabalhar aqui nas plataformas, que diferença que o senhor sentiu? O que é o senhor achou? O que é que mudou para o senhor?

R – Por outro lado eu acho que para mim foi gratificante. Porque a gente pensa um pouquinho aquela folga tem mais um tempinho. Embora passa, é 14h lá e 14h aqui. Mas sei lá, eu acho que sobra mais tempo para a gente estar com a família, passear. Inventa um passeio. Eu sempre gostei de embarcar. Desde que embarquei pela primeira vez.

P – Qual foi a primeira sensação, a sensação da primeira vez?

R – Ah, foi, não foi muito boa não.

P – [risos] É? Conta.

R – Primeiro que embarquei em um catamarã, uma verdinha que tinha aqui na época, Norsul [Companhia de Navegação]. Eu quase morri. Eu entrei na cadeirinha da frente, falei: “Ôxa, aqui eu estou bem.” Mal saiu o catamarã e eu comecei a passar mal. E eu vi que eu ia morrer. Mas chegando na plataforma os colegas me informaram que eu teria que tomar um Dramin, viajar deitado que eu não ia me sentir mal. E aquele dia foi um dia que o mar estava batendo muito. E na volta, no nosso retorno já o mar estava...

P – Mais manso. 

R - ... mansinho. É, tomei o Dramin e deitei. Aí eu acho, pensei assim: “Não é aquela coisa que o pessoal falava.” Mas realmente não era muito bom não. Tinha que viajar deitado mesmo. Senão chegava molhadinho igual um pontinho [risos].

P – [risos].

R – Molhado. Na unidade. Mas...

P – Mas viajar deitado é melhor?

R – É melhor.

P – Enjoa menos?

R – Enjoa menos.

P – E aí vinha de catamarã?

R – Catamarã. 3 horas, volta de 3, 3 horas e meia de viagem. Era a nossa vida.

P – E hoje o senhor vem como?

R – Hoje é de aeronave. Mesmo naquela época já existia aeronave. Já, tranquilo. Mas só que nós, contratados, era de catamarã. Aí passou a variar. Mesmo a gente  contratado passou a ir de voo. Quando o mar estava muito bravo, batendo muito a gente viajava de aeronave. E era de acordo com as empresas que a gente trabalhava, umas eram por aeronave, outras de catamarã. Enfim, hoje em dia é só aeronave, para nós. Tanto é que não tem mais, não existe mais a catamarã na bacia. Foi extinta. Foi extinto.

P – A partir de quando, o senhor se lembra quando foi extinto, não? Sabe dizer quando?

R – Não, agora há pouco tempo. Eu não me lembro a data certa não. Foi melhorando com os anos, veio uma outra catamarã melhor. Veio uma outra, mais outra. E hoje a outra era bem melhor, mas mesmo assim ela meio que prejudicava o pessoal. Então me parece que por uma coisa e outra foi extinta.

P – Mas há pouco tempo?

R – Há pouco tempo.

P – E me conta um pouco então: o seu trabalho aqui na plataforma desde o início sempre foi ligado às caldeiras? Como é que foi também?

R – Sempre foi. A gente fala caldeira, mas não é bem caldeira.

P – Então me explica direito.

R – Caldeira mais é na Reduc. É unidade, é refinaria.

P – Então me explica o que é o seu trabalho mesmo?

R – Caldeiraria em si, por exemplo, eu sou supervisor de caldeiraria, tudo que é ferro, digamos assim, no português claro é tubulações, é estrutura. Tudo que se fala que é metal é ligado à caldeiraria. É uma soldagem seja ela qual for, é corte de maçarico, esmerilhamento. Enfim, tudo isso aí. Então onde passa o petróleo nas  tubulações, isso tudo é com a gente.

P – E isso é um trabalho constante. 

R – Constante.

P – Porque aqui no mar tem uma corrosão muito grande. 

R – Positivo.

P – Como é que é...

R – O índice de corrosão aqui é altíssimo. Então é quando vai deteriorando, fura uma linha. Ou é feita uma inspeção na espessura da tubulação a gente já solicita um projetista, um delineador para que faça, digamos assim, novas tubulações. Aí é feita em Macaé, feito um projeto, e coisa e tal. Feito um desenho, faz o delineamento. Vem a tubulação nova, os perfis. A gente chega aqui, substitui e damos continuidade. 

P – Então vocês têm que até prever o que é que pode já? 

R – Tem. E aí é um serviço planejado. É um serviço com projeto. Foi feito um delineamento, o que é necessário para fazer, executar aquela obra. E fora isso é aqueles imprevistos. A gente está aqui de repente, fura uma linha. Acontece uma coisa não prevista e a gente está aqui, o pessoal a bordo, o soldador, caldeireiro, ajudante, montador de andaime. Pessoal de pintura, de lava jato. Enfim, nós temos aqui um pessoal mínimo para uma emergência por exemplo. Desde o supervisor ao ajudante.

P – Senhor Luis Enir, o senhor está trabalhando então aqui ligado às plataformas há quantos? 20...

R – Mais de 20 anos.

P – Mais de 20 anos. 

R – Quase 22 anos. 

P – E o senhor acha que tem alguma diferença, qual é a diferença entre um funcionário mesmo da Petrobrás e um funcionário terceirizado como o senhor que já trabalha aqui há 20 anos?

R – Hoje á diferença é, acredito eu, que está mais ligada ao salário. Como se diz, a estabilidade. Que um funcionário Petrobras hoje além de ganhar um salário melhor tem assim estabilidade no emprego. E a gente contratado já não conta assim. Quer dizer, no meu modo de pensar, por exemplo, até hoje de 1989, se não me engano, o pessoal Petrobrss fizeram ganhar, fizeram aí, trabalham 14 e folga 21. Hoje, até hoje nós não conseguimos. Nós que somos contratados não conseguimos.

P – Ah, vocês ainda não conseguiram?

R – Não, só trabalhamos 14 por 14.

P – Então a folga, é um por um.

R – É um por um. Então isso aí é uma diferença e grande para nós. Mas eu não sei, depende do sindicato é diferente. E a gente até hoje não conseguiu isso.

P – Seu sindicato qual é? O senhor é sindicalizado?

R – É o Sintpicc [Sindicato dos Trabalhadores de Pintura Industrial e da Construção Civil de Macaé e Região].

P – Sintpicc?

R – O meu é Sintpicc.

P – Sintpicc quer dizer? Sindicato...

R – Olha, no momento não me lembro.

P – Tá, tudo bem.

R – Eu me esqueci, mas é o nosso sindicato aqui das contratadas é, a maioria, é Sintpicc.

P – Desses anos todos o senhor teria alguma história que pudesse contar para a gente? O que é que foi marcante nesse...

R – Eu tenho muita historinha conforme eu falo no meu DDS. Que todos os dias na parte da manhã a gente fala...

P – DDS é o quê?

R – É o Diálogo Diário de Segurança. Todo dia antes de iniciar os trabalhos a gente tem os 5 minutos de palestra. Às vezes ultrapassa um pouquinho, que hoje em dia tem o SMS [Política de segurança. meio ambiente e saúde], fala também sobre o SMS. Então meio ambiente. Então às vezes ultrapassa os 5 minutos já era, ficou só na escrita. Tudo isso é ligado à segurança. Hoje em dia a gente, a Petrobras e todas as empreiteiras estão gastando muito em prol da segurança. E antigamente não tinha essa segurança toda. Hoje realmente nós temos todo o apoio da Petrobras como das empresas que nós trabalhamos esse apoio todo. Nós temos todos os EPIs [Equipamento de proteção individual]. Só erra quem quiser, só não usa se o cara for teimoso, digamos assim. A gente está aqui colaborando nisso aí, incentivando, enfim. Nós, para que nós tenhamos um trabalho sem acidente. Então a nossa meta conforme diz a política de SMS é Risco Zero. Então a gente está trabalhando em prol disso. Contando com todos. Agora as historinhas é aquela. Cada dia a gente tem uma historinha para contar. É um  colega que acidentou no tempo lá atrás, é um outro que aconteceu. Então a gente vai contando aquela historinha.

P – Escolhe uma que tenha marcado o senhor especialmente.

R – Marcado eu?

P – É, você.

R – Eu acho que foi quando eu fiz uma prova na Petrobras há muitos anos, e eu não sei o por quê, até hoje eu não fui chamado. Quer dizer, eu hoje fiquei pensando assim...

P – Mas o senhor foi classificado?

R – Não, não. Eu nunca mais, eu nunca procurei o por quê, para quê. A senhora vê que eu trabalho aqui há, estou há 28 anos ligado só entre Reduc aqui e empresa Petrobras. Até hoje eu não iniciei um contrato que eu fui dispensado. Quer dizer, todos os contratos eu cumpri. Quer dizer, eu acho que eu não fui um mal funcionário até a data de hoje. A única coisa que eu sinto um pouquinho aqui é não ser funcionário da Petrobrás. Pelo aquilo que eu já fiz até hoje.

P – Pela empresa?

R – Pela empresa. Não só pela empresa como das empresas no qual eu vesti a camisa. Então isso é um sentimento que eu tenho assim. Porque na época eu olhei assim a minha prova, por exemplo, caiu uma pergunta que eu não esqueci até hoje: dê o antônimo de sol. Eu fiquei naquela: “Qual é o antônimo de sol? Isso não tem nada a ver na minha prova.” Enfim, eu não coloquei nada. Uma vez perguntando um professor em terra, eu perguntei: “Professor, qual é o antônimo de sol?” Ele falou assim: “Não existe.” Aí eu contei a historinha para ele. Ele falou: “Você tinha que colocar lá: não existe.” Eu não coloquei nada. Quer dizer, isso aí já passou, tem muitos anos. Deixa para lá. Já estou em fase, em ritmo de me aposentar. Não sei quando. Mas eu já estou em ritmo de aposentar. Mas ficou essa historinha comigo. Eu tanto fiz e faço até hoje com o maior orgulho. Que o meu pai me ensinou isso. É trabalhar com honestidade. Tenho recebido muitos elogios graças a Deus. Aqui em P17 mesmo eu, primeira plataforma a ser certificada no mundo, eu fui um dos escolhidos para representar as empreiteiras. Recebi a placa simbólica com muita honra. Isso é as coisas gratificantes que eu ganhei. Elogios eu ganhei muito. NA 2 por exemplo, eu fiquei 11 anos. Só saí de lá porque a empresa que ganhou o contrato, o salário era pequenininho demais. Eu fui, saí fora. Pela empresa, pela Petrobras eu acho que eu estaria lá até hoje. Mas não guardo rancor nem nada. Eu preciso trabalhar. Hoje eu tenho um filho, tenho uma netinha e são o amor da minha vida. Minha esposa, a gente toca a bola para a frente.

P – Como é que é o nome da sua esposa?

R – O que eu tenho aqui é uma segunda família, no qual hoje eu estou P38 desde que iniciei o contrato. Por volta já de 8 meses. Tenho um contrato de 5 anos. E eu espero continuar assim, sempre prestando serviço como sempre prestei. Com orgulho e com vontade de vencer na vida, a gente está vencendo. Isso aí, aqui é uma segunda família da gente. 

P – Então o senhor acha que também essa parte, o senhor sendo terceirizado não tem diferenciação entre os seus colegas também?

R – Não. Não.

P – O coleguismo é o mesmo.

R – São os mesmos. Sempre pode aparecer um que às vezes, é como se diz, às vezes não gostou da sua cara. Ou às vezes a gente não agrada todo mundo. Quer dizer, nem Jesus Cristo agradou todo mundo. Não sou eu que vou agradar. Mas eu acho que eu não tenho inimigo nem aqui nem em terra. Graças a Deus. Nunca briguei, nunca fui parar na delegacia. Até no SPC [Serviço de proteção ao crédito] nunca fui sujo. Ganho aquele pouquinho, mas só boto a mão onde eu alcanço.

P – [risos].

R – Graças a Deus, com a graça de Deus estamos aí.

P – Senhor Luis Eni, o senhor gostaria de deixar mais alguma coisa registrada?

R – Eu gostaria de deixar é que a gente como supervisor, principalmente os colegas que exerce as funções hoje, seja ela qual for, é que pensasse duas vezes. Se possível até três antes de iniciar um trabalho, verificar realmente se nós estamos fazendo a coisa certa. Se tiver dúvida não faça, e que faça com segurança. E conte com todos, vamos apoiar a todos porque como diz: “Uma andorinha só não faz verão.” Então se a pessoa se unir, com amor no coração, deixar o rancor do lado, eu acho que a gente só tem a ganhar. Isso é uma coisa que eu sigo do meu pai até hoje. Nunca deixei a desejar. Graças a Deus. Não tenho mais ele, mas isso aí eu trago com orgulho dele.

P – Está certo. Luis Enir, eu queria perguntar o que é que o ser achou da iniciativa do sindicato e da Petrobras estarem fazendo esse Projeto Memória e se o senhor gostou de participar?

R – Positivo. É a primeira vez assim, em todos os meus anos na atividade que eu tive a oportunidade de ser entrevistado. Eu acho que a gente é um pouco esquecido, eu não sei. Mas tranquilo. Satisfação. Eu gostei.

P – Eu gostaria de agradecer então a sua participação, o senhor ter vindo até aqui colaborar com a gente. Muito obrigada.

R – Muito obrigado a você. Valeu.


---FIM DA ENTREVISTA---

 

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+