Busca avançada



Criar

História

Uma andorinha só não faz verão

História de: Estella de Araújo Penna
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Estella Penna relembra sobre sua formação, vida acadêmica, seu primeiro estágio na empresa Esso, o seu ingresso no BNDES e todas as áreas que trabalhou no banco. Conta sobre as viagens que fez a trabalho, os projetos que participou dentro do banco, sobre o seu trabalho no BNDESPAR e sobre o trabalho em equipe, pois acredita que tudo que o banco conquistou e construiu foi fruto do trabalho em equipe.

Tags

História completa

P/1 - Bom dia, Estella, eu gostaria de começar o nosso depoimento pedindo que você dê o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R - Estella de Araújo Penna, eu nasci no Rio de Janeiro em 24 de setembro de 1953.

 

P/1 - E seus pais, o nome completo e a atividade profissional.

 

R - É Marcelo Fernandes de Araújo Penna, ele era empresário, já falecido, e Leila Parente de Araújo Penna, ainda é viva e é prendas do lar, não sei como se diz, ela nunca trabalhou. Foi a profissão mãe.

 

P/1 - E em termos de vida escolar e universidade? Qual foi a escola que você fez aqui no Rio, o bairro?

 

R - Eu fiz minha vida inteira foi Colégio Sion, depois faculdade eu fiz Fundação Getúlio Vargas, no Rio, em Administração, e Economia na Cândido Mendes.

 

P/1 - Por que dessa opção profissional, dessa área, Administração e Economia?

 

R - Olha, eu tinha duas vertentes completamente diferentes: uma vertente mais para o mundo de empresa e a outra era Biologia. Quer dizer, então a disparidade era enorme, e acabei que optei por... Administração e Economia, eu fiz o vestibular para Administração e Economia, e eu acho que com dezoito anos a gente não sabe muito bem, eu acho que é até uma idade, dezessete anos que você tem que fazer essa escolha, mas não sei muito bem por que eu fui mais para a área de Economia e Administração. Acho que ainda tem tempo para um dia eu voltar para a área de Biologia (risos).

 

P/1 - Em termos de pós-graduação e cursos de especialização, você realizou algum?

 

R - Fiz. Eu fiz vários cursos de especialização, todos na área de Economia, fiz MBA, todos aqui no Brasil. Fiz um curso fora, um curso de Fusões e Aquisições. E vários cursos na área de Finanças, Mercado de Capitais, enfim, Economia Brasileira, fiz um curso longo de Economia Brasileira, mais a nível de pós-graduação. Tudo isso (risos).

 

P/1 - Já estavam bem relacionados com a sua atividade profissional?

 

R - Totalmente relacionados. Acho que desde que eu entrei no BNDES todos os cursos foram muito... Todos, a exceção de um, que foi na área de pintura, na Belas Artes, eu fiz, mas isso foi há longo tempo atrás.

 

P/1 - Como se deu o seu ingresso no BNDES? Em que ano foi?

 

R - Eu entrei no banco em 1976. O concurso do banco, naquela época o banco fazia grandes concursos para estágio, e talvez era tido como um dos melhores empregos. E o concurso parecia um vestibular. Eu lembro que meu concurso foi na PUC e a sensação era que você estava fazendo um vestibular, eram milhares de pessoas realmente fazendo a prova. E eu fiz, porque todo mundo da faculdade fazia, mas eu estava estagiando já. Logo que eu entrei na faculdade, no primeiro ano eu já comecei a estagiar. E nessa época eu estava fazendo estágio na Esso, e estava adorando o estágio. Estava na área de projetos. Mas fiz, todo mundo fez. E passei. Aí fiquei numa dúvida muito grande se eu saía da Esso e vinha para cá ou não. E aí meu pai... Aí eu decidi não sair da Esso. Mas aí meu pai falou: "Olha, tem um primo seu que trabalha lá. Vamos conversar com ele antes de você tomar essa decisão". Aí eu vim conversar com ele, eu conhecia ele muito pouco, porque a família Araújo Pena é muito grande. É o José Pena, de Araújo Pena. E aí ele me convenceu, ele falou: "Você não vai se arrepender de vir trabalhar aqui". E fez toda.... Descreveu o que era o BNDES. Eu fiquei apaixonada ali. Naquela conversa eu já decidi que ia sair sem nenhum medo de estar errando. Eu fiquei muito segura da decisão, e vim. Pedi demissão lá do meu estágio na Esso e vim para cá.

 

P/1 - O que ele te descreveu como sendo o ambiente do BNDES naquela época?

 

R - Eu não me lembro muito bem o que ele descreveu, mas talvez eu possa reproduzir o que era o banco. Eu acho que a coisa principal que o banco foi um lugar em que - e ainda é - mas naquela época a descrição não foi essa descrição, mas foi a minha percepção ao longo de todos esses anos, eu acho que o banco é um local de trabalho onde você pode exercer ideal. Eu acho que não é simplesmente um trabalho, eu acho que a gente... Foi uma geração muito romântica, acho que hoje a geração está muito mais eletrônica, acho que a gente se sentia parte de formação de desenvolvimento econômico do país, e a gente via resultado. E o ambiente do banco era um ambiente muito diferente do ambiente, digamos, da Esso, que era uma coisa muito mais individualista, competitiva. Aqui não, a gente praticava ideal em grupo. Então eu acho que a coisa do desenvolvimento, de melhorar o país e de criar projetos e ter idéias para fazer com que o país melhorasse e se desenvolvesse, isso foi a tônica, eu acho que a descrição principal do que era o trabalho no banco. E isso estabelecia um elo de ligação entre as pessoas muito importante. Então eu acho que o companheirismo e a atividade em grupo, a falta de uma... Acho que nos outros lugares tinha muito... O trabalho muito individualizado, a competição, aqui você não via isso. E acaba que você criava uma fidelidade, tanto que as pessoas do banco são todas muito antigas. Eu me lembro que uma vez veio um pessoal do Citibank fazer uma... A gente estava montando um trabalho para se fazer classificação de risco no banco, então eles vieram fazer uma apresentação. E aí o cara que estava dando a palestra pediu para cada um se apresentar e dizer há quanto tempo estava no banco. Ele ficou tão impressionado com o tempo, acho que a pessoa que tinha menos tempo tinha quatorze anos de banco, sei lá. Então isso você não vê em outros lugares. Acho que essa fábrica de ideais, que é o BNDES, é onde você pode praticar isso, eu acho que faz com que as pessoas permaneçam aqui. Quer dizer, é algo a mais que um simples emprego. Acho que ele tentou me transmitir um pouco isso, e daí eu tomei a minha decisão, vim e não me arrependo.

 

P/2 - E nesse momento da sua entrada você se recorda dos temas mais polêmicos em torno do debate sobre o desenvolvimento?

 

R - Eu me lembro que a gente entrava em um curso que era um curso de ambientação, e cada área ia apresentar o que estava fazendo. E aí, pela colocação, você ia escolhendo a área que mais tinha te levantado interesse. Eu fui a segunda colocada no meu concurso, e eu tive a oportunidade de escolher o lugar. Me lembro que eu escolhi uma área, que era mais recente no banco, era uma área voltada para desenvolvimento regional, atuação através de repasse, e pequena e média empresa. Porque eu achei que pelas exposições que eu ouvi, era uma área em que eu ia poder não ficar circunscrita a só um setor, porque as áreas de projeto eram divididas por setor, as áreas operacionais do banco. Trabalhava-se com pequena empresa diretamente, com grande empresa indiretamente, através de repasse, e a questão de desenvolvimento regional, com bancos de desenvolvimento. Então eu achei uma área com um espectro de atuação muito abrangente, e escolhi essa área para trabalhar. A entrada foi uma experiência fantástica, eu viajava muito, então conheci o Brasil inteiro. E lidei muito com grandes empresas, mas principalmente com pequena empresa, lidei muito com a tônica do desenvolvimento estadual e regional também, aquilo para mim eu acho que foi um primeiro contato com a questão de desenvolvimento, com a tentativa de desenvolvimento, agência de desenvolvimento estadual. Essa época, respondendo à tua pergunta, foi uma época de desenvolvimento muito intenso no país. Então era época de... O banco financiou grandemente indústria. Eu lembro que a quantidade de projetos que se analisava e se fazia nessa época foi uma época de financiamentos com incentivo. Era a famosa 14/52, os empresários pagavam só um percentual da correção monetária, eu acho que era 20% da correção monetária. Então isso foi um boom, eu me lembro que a gente fazia projetos, fim de semana a gente levava projeto para casa para fazer, a quantidade de demanda era um negócio... Então foi uma época muito, vamos dizer, quente de investimento no país. E foi essa época que eu entrei. Eu lembro que eu fiz projeto em casa no fim de semana. E é um negócio do clima, da motivação, é um negócio que você fazia e achava ótimo.

 

P/1 - Algum desses projetos que mais lhe marcou, você lembra algum?

 

R - Eu me lembro de linhas que a gente criava. Eu me lembro de uma linha que eu já não me lembro que linha era essa direito, mas era uma linha para pequena e média empresa, a gente saiu viajando pelo Brasil inteiro. Isso foi uma coisa que me marcou, eu me lembro que as equipes se encontravam no aeroporto, porque a gente saiu pelo país inteiro explicando, vendendo aquela linha de financiamento.

 

P/1 - Nordeste?

 

R - Nordeste... Porque a idéia era principalmente, porque o Sudeste você não tinha que vender muito, porque o Sudeste eram os Estados que já tinham uma demanda espontânea muito maior. Então o esforço era justamente você vender isso para Estados e regiões menos desenvolvidas. Uma das tônicas do objetivo da área era diminuir as disparidades regionais, até hoje é uma coisa importante, um objetivo importante do banco. Me lembro também de um outro projeto que me marcou, de um grande grupo, a gente participou de uma reestruturação, então foi o primeiro projeto que eu participei de uma reestruturação de um grupo grande no Paraná que estava com problemas. Isso aí também foi uma experiência bastante rica para mim. E as experiências com todas as pequenas e médias empresas. A gente viajava e via coisas fantásticas, desde de fábrica de exportação de castanha de caju no Ceará, até no Rio Grande do Sul, calçados. Era o Brasil inteiro. Na Amazônia também, alguns projetos interessantes. A gente viajava o Brasil inteiro, e isso também era muito interessante nessa área, porque nas áreas setoriais você tinha mais uma concentração locacional de grandes projetos. Nessa área foi o Brasil inteiro que eu conheci.

 

P/1 - E um pouquinho da trajetória dentro do banco. Você entrou... Conta um pouquinho para a gente.

 

R - Bom, essa área eu entrei então em 76, fiquei até oitenta. Eu não sou muito boa de datas (risos), mas em oitenta... Então essa era a área operacional... Em oitenta eu fui para a área de planejamento. Recebi um convite e fui para a área de planejamento num departamento que era um departamento de planejamento do banco. Então uma área completamente diferente, para mim também foi uma experiência, foi uma época em que estava-se fazendo grandes estudos no banco, eu participei de alguns, enfim, e saí do operacional. Quer dizer, então foi um negócio de pensar em política, pensar em linhas. Fiquei na área de planejamento... Depois desse departamento de planejamento eu fui, comecei a trabalhar no departamento de estudos, esse convite veio... Quem me fez foi o Zé Mauro - hoje é vice-presidente do banco. Aí foi uma experiência muito interessante, porque aí já eram estudos, mas a gente tinha uma aderência desse departamento de estudos com algumas áreas. Eu fiz estudos, por exemplo, sobre a área de transporte, transporte no Brasil, me aprofundei muito nessa área. Depois fiz um imenso trabalho sobre energia também, foi fantástico esse trabalho. E eram trabalhos longos, a gente passava quase um ano. E aí se olhava não só o setor, como as empresas, enfim, se fazia um mapeamento. Estava começando a questão de Fim Social no banco. Aí trabalhei também com algumas coisas de social, também foi um aspecto novo para mim. Fiz algumas viagens muito interessantes, aí já com o pessoal do Fim Social. E aí coisas que a gente estava muito  acostumado no mundo empresarial e tal, e ter contato com pobreza. Nós fomos para o Nordeste. Essa viagem que foi uma viagem grande, vi coisas que a gente se choca, principalmente crianças. E isso daí dá mais vontade da gente trabalhar e tentar desenvolver esse país. Bom, depois fiquei na área de planejamento de oitenta a 86, se não me engano. Aí fui convidada para a área de Administração, é um negócio também... Uma pessoa que tinha trabalhado na área operacional, é essa coisa do banco, as pessoas acabam que rodam muito no banco. E acabei aceitando, era um cargo executivo. E foi uma experiência fantástica, porque primeiro fui para o departamento de recursos humanos, para montar um setor, um segmento de avaliação do desempenho, mas logo depois eu saí, porque foi a grande reforma do banco, e aí o superintendente da área na época me chamou para eu assumir uma gerência, é uma gerência de análise de sistemas, não era voltado para o processamento de dados não, mas era mais organização e métodos, mas mais para auxiliar em todo o programa de reestruturação do banco. Então foi uma experiência também, muito interessante, porque eu tive oportunidade de participar. Aí era um grupo liderado pelo Nildemar e superintendentes. Ele era diretor e alguns superintendentes que fizeram essa imensa reestruturação. E eu era a única pessoa ali que participava, porque eu fazia todo o back-office ali daquela reestruturação, então eu tive um profundo aprendizado das relações humanas, enfim, de um processo de reestruturação naquela experiência. Foi um trabalho bastante interessante. Depois recebi um convite da pessoa que estava no departamento pessoal, que me convidou, ele foi ser superintendente da área de crédito, era uma área nova na época, foi criada com a reestruturação para ajudá-lo como assessora. Ai aceitei, fui.

 

P/1 - O que significava profissionalmente para você isso?

 

R - Eu acho que era desafio, porque eu olhando meu histórico de banco, acho que eu ficava quatro, cinco anos em um lugar e aí mudava. Quer dizer, quando eu achava que já tinha dominado e aprendido e contribuído, eu começava a ficar instigada por novas coisas. E a minha trajetória... Tanto que eu rodei muito no banco, eu acho que no banco eu só não tive contato com a Finame, o resto todo eu tive contato no banco, quer dizer, todas as áreas, inclusive áreas meio e fim. Então essa experiência minha no banco eu acho que... Eu rodei tudo, ou diretamente trabalhando, ou na assessoria, que aliás foram trabalhos, assim, porque o trabalho de assessor, quando eu fui convidada eu sempre fui muito operacional, então eu tinha uma imagem de trabalho de assessoria, às vezes é isso mesmo, mas você começa a ficar revendo projetos, relendo coisas. E eu, quando aceitei esse convite pra ir para a área de créditos, eu falei: "Olha, eu aceito, desde que eu entre no operacional". E como era uma área que estava em formação, então eu participei de projetos, participei, sei lá, tinha a área, por exemplo, que estava montando análise de risco. Então eu participei imensamente da metodologia de avaliação de risco. A gente viajou para o exterior para visitar algumas agências de ratings também, a Moody's, a Standard Spurs. E eu participei muito dessa montagem, a parte de recuperação de crédito também foi uma experiência riquíssima de reestruturação das operações e de preocupação com risco dos projetos. Então essa experiência na área de crédito foi fantástica. Tinha a parte também de enquadramento do banco, também estava com essa área, então a reestruturação do comitê de crédito do banco, eu participava do comitê de crédito também. Não tive contato nessa área com muitas áreas. Passei por... Eu era assessora do Valfredo, depois saiu, veio o Lula, e eu continuei dentro dessa premissa de continuar no operacional. Aí continuei a trabalhar com o Lula, depois o Lula virou diretor. E aí com outras áreas. Com a área financeira, aí meu contato com a área financeira, que também foi bastante interessante, e era uma área que eu não tinha muito contato, e acho muito importante se entender também a mecânica das áreas corporativas, porque eu acho que a gente fica muito no operacional e perde um pouco a visão, e o entendimento do que seja uma área corporativa. Então eu tive a oportunidade de ter esse contato com a área financeira, e BNDESPAR. E aí eu vou entrar um pouco na questão de mercado de capitais, e vou fazer um primeiro parêntese para o histórico de mercado de capitais no banco. Na década de setenta eu acho que os dirigentes do BNDES tiveram a clarividência de enxergar que um ciclo de desenvolvimento podia ser sustentado por financiamento, mas ele tinha que começar a ter uma vertente de capitalização da empresa brasileira. E isso daí logicamente passa pela coisa do mercado de capitais. Eles criaram na década de setenta, três subsidiárias, que era a (Ebrasa?), Embramec e Febase, para fazer investimento de capital de risco, participação acionária nas empresas. Essa divisão é uma divisão macro-setorial basicamente. Isso foi em 74, a criação dessas três empresas. No início da década de oitenta essas três empresas foram fundidas e surgiu a BNDESPAR, que é o braço de mercado de capitais do BNDES. A BNDESPAR acho que passou por várias... Eu não era da BNDESPAR, quer dizer, eu sou do quadro do BNDES, aí também outro parêntese: as subsidiárias tinham quadros de pessoal separados, atividades corporativas também separadas. Eram subsidiárias integrais, mas empresas muito bem definidas no seu contorno de empresa. Na reestruturação que eu me referi quando eu fui para a área de Administração que eu participei, foi acho que em 86, aliás o apelido dessa reestruturação foi a Perestroika (risos), houve uma mudança em relação à subsidiária BNDESPAR no que diz respeito às atividades corporativas que passaram para o banco. A BNDESPAR continuou com a atividade operacional, mas todas as funções meio passaram para o banco. Então financeiro, pessoal, contabilidade, tudo passou para o BNDES. Isso foi em 76, uns dois, três anos depois de haver a fusão. Aí a BNDESPAR passou por uma... Começou a época da privatização. Então eu acho que o esforço da BNDESPAR foi se canalizando para a questão da privatização, que era uma tarefa muito grande. E eu acho que a atuação do mercado de capitais lato sensu ficou um pouco prejudicada, dado que eu acho que houve uma dedicação muito forte, uma concentração muito grande de esforços na montagem da privatização do país. Com isso, quando a época do Pérsio, o Lula recebeu a BNDESPAR quase com a função de acabar com a BNDESPAR na medida em que foi criada no banco uma área de privatização. Então a BNDESPAR, naquela época fazia basicamente a privatização, foi feita então a transferência das pessoas que estavam envolvidas com a privatização... Passada então a BNDESPAR para essa diretoria, e muito eu acho que com o objetivo de extinção da BNDESPAR, uma vez que, como eu falei, foi criada toda uma estrutura de privatização do BNDES. E aí eu comecei a trabalhar e participar muito disso. Eu me lembro que nós tivemos uma reunião nós dois e terminamos, olhamos a BNDESPAR e aí a gente resolveu fazer uma tentativa de reestruturar o que tinha restado da BNDESPAR, porque eu acho que se tinha claro a importância do mercado de bens de capitais, porque se você acabasse com a BNDESPAR ali, você acabaria com o braço do mercado de capitais do BNDES. E aí se fez uma reestruturação completa da BNDESPAR, se mudou, pois ela fazia... O nível de investimento era baixíssimo, estava completamente “desrediada”...

 

P/1 - O que é isso? Que termo é esse? (risos)

 

R - O balanço da BNDESPAR tinha dívidas e tinha participação acionária. E ela tinha que ter um fluxo de pagamento dessas dívidas que eram repasses do BNDES e tinha ações. Então nós começamos a indicar uma tônica de atuação via debentros também, para você... O red é você ter um ativo e um passivo que sejam equilibrados. Então se começou a fazer debentros conversíveis, em mais larga escala. E nessa época estava começando um núcleo de capital de risco para pequena e média empresa. Tinha sido criado a Contec, era empresa de base tecnológica. Estava ainda muito no começo, mas já tinha toda uma regulamentação sobre isso, e uma carteira com umas dez empresas mais ou menos. E aí, continuando a minha trajetória, foi feita essa reestruturação, e começando também a ser mais ativo na questão de criação de produtos de mercado de capitais, para ter uma agilidade maior da carteira do banco, criar liquidez. Enfim, passou-se da tônica de pura e simplesmente fazer capitalização da empresa brasileira para uma vertente mais ampla de desenvolvimento de mercado de capitais no país. Eu acho que essa foi a grande mudança da filosofia de atuação da BNDESPAR. E o desenvolvimento do mercado de capitais aí passava muito mais por uma atuação não só de apoio financeiro a empresa, mas um aspecto muito mais amplo de criação de novos produtos para o mercado de capitais. Eu acho que a BNDESPAR começou a assumir um papel muito interessante na criação de novos produtos, vários produtos foram criados dentro da BNDESPAR, que foram sucesso no mercado. Eu acho que o relacionamento institucional no sentido do desenvolvimento... Desenvolver regulamentações, desenvolver o mercado, começou também a ser uma tônica de atuação importante, e daí a proximidade com CVM, com Banco Central, com as bolsas de valores, isso começou a ser uma coisa muito intensa, e a questão do capital de risco para pequena e média empresa, porque eu acho que a dinâmica de um mercado de capitais desenvolvido não está simplesmente numa bolsa de valores com belas blue chips, quer dizer, aquelas ações com grande liquidez. Um mercado de capitais nos Estados Unidos, eu acho que todo o seu dinamismo está baseado em ter uma cadeia de diferentes investimentos e diferentes agentes de mercado, que inicia-se no chamado ventral capital, na empresa nascente. Essas empresas, com apoio adequado de capital de risco, é que vão ser as blue chips do futuro. Eu acho que o dinamismo do mercado de capitais americano está em ter essa cadeia. Eu acho que a gente percebeu isso e começou. A atuação da BNDESPAR na questão da pequena e média empresa, foi um negócio que teve um destaque muito grande. E aí criou-se vários programas e atuou-se muito, junto com CVM. Outro produto e outra vertente de atuação começou a ser formada também a partir daí, que foram os fundos de investimento fechado no país, que são os fundos de empresas emergentes, que no jargão de mercado são os fundos de ventral capital, voltado para pequenas empresas, e os fundos de private equity, que são os já voltados para empresas maiores. E essa tem sido uma vertente de atuação, e depois eu vou chegar numa nova estrutura do banco, que foi uma reforma que ocorreu no ano passado, que alterou a estrutura da BNDESPAR e o seu funcionamento. Mas só para terminar e depois eu volto para a questão do mercado de capital lato sensu, a questão de fundo de investimento acabou começando a crescer, e por que esse é um instrumento importante também de desenvolvimento de mercado de capitais? Porque são fundos administrados por terceiros, em que a gente começou a trabalhar e desenvolver, e a gente conseguiu desenvolver uma expertise muito particular em termos de como se monta um fundo desse, de regras e regulamentos. A gente entra, ajuda a montar o fundo, entra com uma parcela em média 20% desse fundo, e os outros 80% são captados no mercado. Então o poder de alavancagem que se tem através desse instrumento, alavancagem de recurso do BNDES em primeiro lugar, segundo de se multiplicar a atuação do banco é enorme. Você trazer recursos privados de investidores institucionais principalmente para investimento de longo prazo na economia brasileira. Isso daí é um instrumento que tem se mostrado... Está começando, acho que a indústria ainda no país é uma indústria que está sendo iniciada, mas eu acho que ela vai desempenhar um papel no desenvolvimento do país muito importante no que diz respeito ao mercado de capitais. E eu acho que a competitividade da empresa brasileira tem que ter como um forte apoio recursos de risco, porque a empresa brasileira não se desenvolve hoje, não pode se desenvolver somente baseada em financiamento, porque num contexto de economia globalizada, as empresas estão competindo com outras empresas de outros países, onde eles contam não só com recursos de financiamento em geral, com um custo mais baixo do que o nosso, mas também com recursos de capital de risco, que do ponto de vista da empresa é custo zero. Do ponto de vista do controlador não, mas da empresa você não tem uma despesa financeira quando você lança ações, por exemplo, no mercado. Então voltando para o histórico do BNDES e da BNDESPAR, e linkando com o meu histórico, que eu acabo...

 

P/1 - Eu queria que você se centrasse na sua trajetória.

 

R - Bom, eu, em 84, fui trabalhar na BNDESPAR, já nesse novo contexto dela, e fui trabalhar numa área para capital de risco de pequena e média empresa. Nessa época existia lá o Contec, e aí essa área já tinha, quando eu fui trabalhar lá ela já estava com atribuições para criar produtos para o mercado. Quer dizer, ela tinha também a atribuição de fazer pesquisa para o mercado, que era chamado no jargão também de research, e desenvolver novos produtos. Dentro disso é que começou a se desenvolver a questão dos fundos. Então hoje o banco já tem lançado dezesseis fundos, em vários programas, com uma alavancagem fantástica, o banco investiu cerca de... Aprovou o investimento da ordem de 180 milhões de dólares, para um investimento aprovado total desses fundos de mais de um bilhão de dólares. Então é uma capacidade. Quer dizer, o produto possibilita uma atração de recursos muito grande, mas a minha trajetória...

 

P/1 - Para a gente é importante saber qual é essa iniciativa, qual a importância dessa iniciativa dos fundos...

 

P/2 - No seguinte sentido, porque eu acho que você já colocou bastante coisa... Mas me parece que o mercado de capitais era muito fraquinho no Brasil, e o BNDES tem um papel fundamental na criação desse mercado. Como é isso?

 

R - Eu acho que o mercado de capitais até passou por um bom... Acho que na década de oitenta você tinha... Mas tinha uma febre de ações, acho que foi a época da BNDESPAR, que entrou em muitas operações, mas você não tinha um mercado de capitais internacionais tão sofisticado. Hoje em dia o papel de mercado de capitais nas economias é um papel muito relevante. E é um mercado de capitais lato sensu. E bolsas de valores, porque as pessoas, às vezes, acham que mercado de capitais é bolsa de valores. Mercado de capitais não é só bolsa de valores. Bolsa de valores é um locus de negociação de valores mobiliários, ações. Mercado de capitais é uma coisa muito mais ampla, como por exemplo fundos de investimentos fazem parte do contexto de mercado de capitais. Enfim, mercado de capitais é um mundo. Fundos, o que cada vez mais a gente vem afinando o nosso discurso em termos de missão e da onde a gente pretende chegar, eu acho que o objetivo maior é o desenvolvimento do mercado de capitais. Respondendo à sua pergunta, o banco tem contribuído sim, mas eu acho que passa-se por uma conjuntura, a nível de governo, de ótimas ações e de uma conjugação de várias constituições trabalhando para desenvolver mercado de capitais, como nunca se viu no país. Eu acho que mercado de capitais hoje é uma coisa que o presidente reconhece essa importância, o sindicato de trabalhadores está indo ao Bovespa e reconhecendo essa importância, que você tem recursos de FGTS investidos em ações. Quer dizer, isso são coisas que a gente ajudou a criar não sozinho, porque o BNDES não fez nada sozinho. O papel da CVM, o papel do Banco Central, o papel das próprias bolsas, enfim, tudo isso a gente... a importância que a gente está procurando sempre atuar junto com essas empresas. Quer dizer, uma andorinha só não faz verão. Então eu acho que até você ter essa consciência é extremamente importante, cada um trabalhando conjuntamente a gente consegue atingir. Agora é um projeto a longo prazo. Uma coisa que nós participamos muito intensamente é do chamado novo mercado e os níveis da Bovespa passa pela questão de governança corporativa. Eu vou ficar falando aqui cinco horas (risos) e eu tenho o tempo reduzido, mas é um tema que me fascina. Isso teve um jornalista que me perguntou: "Mas foi lançado a um ano o mercado. Mas está dando tudo errado, porque só tem uma empresa listada nesse novo mercado". Então é o negócio da visão imediatista. Não está dando errado, já está dando certo por ter sido criado, ter conseguido criar. Isso é uma mudança de cultura, então desenvolvimento do mercado de capitais passa por disseminação de uma cultura de capital de risco, é uma demonstração da importância desse conjunto de produtos e instrumentos para desenvolver o país. Eu acho que isso cada vez mais está disseminado, acho que a gente tem um papel aí de disseminação importante. Você não desenvolve se você não disseminar essa cultura, se não apoiar e promover a existência, criação e multiplicação de agentes de mercado. O banco, na questão de financiamento, teve uma papel muito grande na sua rede de agentes de financiamento, os bancos. Os bancos estaduais, os bancos de investimento, porque na época você tinha bancos comerciais, os bancos de investimento, esse conceito... Hoje você tem sistemas bancários, mas o papel do BNDES nessa rede de agentes foi extremamente importante. O que a gente está procurando replicar hoje é através dos fundos de investimentos fechados, criar essa rede de agentes de mercado de capitais, que vão disseminar uma cultura, que vão multiplicar a atuação de apoio financeiro através de capital de risco no país. E aí os fundos são os mais diversos, a gente tem fundos para empresas nascentes pequenininhas, a gente tem fundos para empresas, para governança e liquidez, aí é uma nova entrevista.

E aí para finalizar minha trajetória, eu fui para essa área e eu acho que a gente conseguiu. A equipe da BNDESPAR e do banco, são uma equipe muito… Eu acho que o que diferencia o banco são as pessoas, e eu acho que aqui se tem muito amor à camisa. E eu espero que essa nova garotada continue com esse amor. Porque a gente supera muitas dificuldades, e dificuldades existentes até por ser uma empresa estatal. E hoje em dia, num mercado tão dinâmico, tão eletrônico e tão rápido, eu acho que a gente, às vezes, a gente tem procedimentos e coisas que a gente tem que fazer como estatal que, para você se permanecer no mercado assim, a gente tem que dar cambalhota. Mas, enfim, na BNDESPAR eu acho que se fez muita coisa, acho que nesses últimos anos criou-se muita coisa, eu acho que ela ressurgiu das cinzas, era uma empresa que estava lá para ser extinta e realmente eu acho que deu uma volta por cima, inclusive era uma empresa que estava quase que dando prejuízo, hoje em dia é uma empresa extremamente lucrativa. Enfim, deu certo, eu acho que foi uma tentativa que deu certo. E eu acho que tem muita coisa ainda a ser feita em termos de desenvolvimento de capitais. Aí a pergunta, eu acho que: essa reestruturação, o mercado de capitais e a BNDESPAR? A última grande reforma do banco o ano passado, ela extinguiu as duas subsidiárias do ponto de vista operacional. As duas empresas permanecem, existem como empresas no papel, quer dizer, continuam com seus balanços, seu ativo, mas a atividade operacional dessas duas empresas hoje foi misturada no banco. Hoje a atividade de investimento da BNDESPAR está numa área em que eu sou responsável, a área de renda variável na diretoria de produtos estruturados. Então basicamente esse trabalho hoje a gente está procurando desenvolver nesta área de renda variável. A questão dos fundos, a questão do apoio à pequena e média empresa, e o investimento em grandes empresas, em reestruturações, enfim.

 

P/1 - Como é a relação com a pequena empresa nesse teu setor de fundos?

 

R - Olha, na pequena empresa a gente tem uma atuação direta, a gente faz investimentos diretamente com a carteira da BNDESPAR. E é fantástico, porque eu costumo dizer que... E aí foi um trabalho muito, muito interessante que a BNDESPAR desenvolveu ao longo desses últimos anos, de pioneirismo total, porque a gente tem uma característica de mercado brasileiro, mercado de capitais brasileiro, de bolsa de valores, em que você tem um mercado não líquido, como você tem nos países desenvolvidos, mais concentrados. Então a saída de investimento através de ações, a saída tradicional é a venda em bolsa. Isso daí, no Brasil, para empresas menores, você não consegue fazer isso. Nos Estados Unidos, por exemplo, talvez em mercado de capitais seja o país mais desenvolvido do mundo, você não necessariamente vende embolso numa empresa muito pequena, mas você tem uma cadeia de liquidez intermediária muito forte, que eu me referi, que são os investimentos de ventral capital, de acordo com a cadeia de crescimento das empresas você tem agentes investindo e desinvestindo, fazendo vendas entre essas cadeias e esses diversos agentes, muito forte. Então você tem essa liquidez ao longo desse processo. Investir capital de risco em pequena e média empresa no país, imagina que só louco vai fazer isso. Então acho que um dos grandes resultados da BNDESPAR ao longo desses últimos anos foi desenvolver produtos que fizessem com que fosse possível se investir em pequena e média empresa capital de risco, e sair desses investimentos. Essa área de pequena e média empresa acabou sendo um laboratório de produtos e procedimentos para todas as áreas, porque hoje em dia a gente pega modelos de... Porque as operações de pequena e média empresa acabaram sendo muito mais sofisticadas do que para uma grande empresa que você vai lá, analisa, precifica, entra e compra ação e acabou. Nas pequenas e médias empresas nós criamos instrumentos dos mais diversos para você ter possibilidades de saída do investimento. Isso daí acabou sendo um laboratório que serve hoje, quando a gente quer, por exemplo, um acordo de acionista mais duro, vamos pegar o modelo da pequena e média empresa. Você tem cláusulas lá, estatutos muito mais com direitos para os minoritários etc. Isso tudo começou, a gente começou a elaborar, no âmbito da BNDESPAR para pequena e média empresa no intuito de mitigar o risco que se tinha para investir. Com isso a gente vem conseguindo, eu acho que foi a única instituição no país que vem investindo capital de risco. Hoje em dia muita gente já está investindo nisso, mas no passado acho que só a BNDESPAR conseguiu investir e está conseguindo sair desses investimentos, mas com instrumentos que são instrumentos... A gente foi criando instrumentos para a realidade brasileira. Então investir capital de risco comprando ação comum, esqueça. A gente faz, são debentos, ações que a gente foi criando, sofisticadas, com direito de saída contra a própria empresa, com acionista controlador, enfim... E isso daí é um constante aperfeiçoamento, e hoje em dia eu acho que isso está se espalhando para outros instrumentos. Então no que diz respeito à BNDESPAR, ela hoje, na sua parte de investimento, está na área de renda variável. A parte de desinvestimento, que todo investimento na carteira da BNDESPAR, uma das características é que ele é transitório, a gente entra já imaginando como a gente vai sair para reciclar os recursos e investir em novos empreendimentos. Então a parte de desenvolvimento está numa outra área dentro da diretoria de produtos estruturados. Acho que as duas grandes funções da BNDESPAR estão dentro desta área de produtos estruturados. É dividido nessas duas áreas, e a parte de acompanhamento dos investimentos, hoje as chamadas áreas dos clientes, é que fazem esse acompanhamento, sempre em conjunto com a gente, quando tem que haver alguma precificação, alguma avaliação de risco a gente sempre é chamado. Assim como no desinvestimento, porque o desinvestimento envolve a área de clientes e a área de renda variável. Então quer dizer, essa estrutura. Agora a empresa permanece como uma empresa, todos esses investimentos e desinvestimentos são feitos contabilmente no balanço da BNDESPAR. E eu acho que essa reestruturação do ponto de vista de mercado de capitais tem ajudado a disseminar a cultura de capital de risco no próprio banco, porque eu acho que existia um afastamento. Quer dizer, mercado de capitais era com a BNDESPAR, o banco tratava de financiamento. Hoje essa reestruturação está fazendo com que a cultura de capital de risco seja disseminada no banco como um todo.

 

P/1 - Para finalizar, eu queria perguntar... Você falou de uma garotada nova entrando no banco, como é formada a sua equipe de trabalho, como é sua jornada de trabalho?

 

R - A minha jornada de trabalho é uma loucura (risos). Eu acho que não estou sendo muito original, hoje em dia está todo mundo trabalhando muito no banco. Eu acho que ao longo dos anos o banco foi acumulando novas funções, e passou muito tempo sem fazer concurso. Por exemplo, quando eu entrei, entravam uns cem, duzentos estagiários por ano, esses estagiários eram aproveitados no banco depois, a gente passava por um período e acabava entrando. Quer dizer, toda a minha geração entrou para o banco como estagiária nesses concursos. E aí o banco passou longos e invernosos períodos sem contratar novo pessoal, e isso acho que foi muito ruim no sentido de oxigenação, no sentido de transmissão de conhecimento, porque quando a gente entrava a gente tinha uma geração logo acima da gente com conhecimento, que era repassado. Recentemente o banco retomou o concurso, mas em doses homeopáticas, porque hoje você tem... Eu acho que é uma das restrições de ser uma empresa pública, quer dizer, a questão da flexibilidade de contratação. A gente tem recebido muitas funções novas, mas as pessoas estão se aposentando e a gente não teve essa renovação do quadro. Então, agora sim está entrando, mas o gap é muito grande, e a aceleração de aposentadorias está muito grande. Então os novos vão chegar, mas eu espero que haja tempo para eles absorverem a experiência e a cultura, eu acho que a cultura do banco é uma cultura muito legal, muito saudável. Minha jornada de trabalho é a minha vida, porque hoje eu não faço mais nada a não ser trabalhar. (risos) Eu não tenho hora para sair do banco, eu não tenho hora para almoçar, a gente... Eu acho que eu e todos os superintendentes estão... Acho que agora, inclusive com a reforma, a gente está trabalhando mais ainda, porque você tem todo uns novos procedimentos, zonas cinzentas, eu acho que estamos passando por um período de definição de muita coisa, porque a reestruturação foi feita, mas tem todo o “para frente” que tem que ser definido, tem atribuições e procedimentos etc, que estão agora meio on the job. Então eu acho que está se trabalhando muito. E eu acho que a questão da cultura do banco e do amor à camisa, as pessoas trabalham, trabalham. E hoje em dia eu falo da garotada assimilar toda essa cultura e esse amor à camisa, porque hoje em dia a competição é muito grande, a orientação por dinheiro faz parte da vida moderna. Então nós aqui, por exemplo, não temos um ganho variável. A empresa ter uma performance ótima ou baixa, o seu salário é aquele ali, não varia, coisa que no resto do mercado hoje em dia todo mundo tem um ganho variável. Então o medo da gente é primeiro reter esse pessoal novo, porque o salário inicial também não é dos melhores e você não tem um ganho variável. A tendência é esse pessoal entrar, é treinado e depois... Sistema financeiro (interal?). A gente tem vivido muito isso, os estagiários então pra chorar, porque eles ficam aqui, é uma garotada ótima, quando estão começando a ficar prontos não existe um aproveitamento desses estagiários. E aí vão todos para trabalhar nos bancos etc. E eu acho que essa questão do ganho variável é uma coisa importante. No passado não existia isso, hoje em dia eu acho que a remuneração no sistema financeiro está muito baseada nisso. Então acho que a gente tem que pensar bastante. A minha equipe é uma equipe reduzida, a área de renda variável hoje tem menos de quarenta pessoas. Então a BNDESPAR tinha um pouco mais de cem pessoas, embora o quadro da BNDESPAR seja um quadro de mais de trezentos, mas estão espalhadas pelo banco já há bastante tempo. A BNDESPAR, depois daquela reestruturação que eu me referi, ela ficou com em torno de cem a 120, era essa a faixa de variação do quadro da BNDESPAR. Hoje a área de renda variável não chega a quarenta pessoas. Então é bastante trabalho, é por isso que eu e quase todo mundo trabalha, a gente sai daqui oito horas, nove horas da noite, não tem hora para sair. E eu acho que não é só a minha área, acho que todas as áreas do banco estão trabalhando realmente muito.

 

P/1 - O BNDES está completando cinquenta anos. Como você definiria a atuação do banco no processo histórico brasileiro?

 

R - Acho que eu comecei falando que o banco foi o lugar que eu consegui trabalhar aplicando ideais, e eu acho que o banco é um banco de ideais. Não só de idéias, mas um banco de ideais. Eu acho que a gente tem conseguido ter um papel importante no desenvolvimento do país. Eu espero que a gente consiga continuar mantendo esse papel, ter fôlego para isso, mas eu acho que é um banco de ideais, mais do que tudo.

 

P/1 - O que representa o BNDES para você?

 

R - Olha, eu estou há 26 anos no BNDES. Eu acho que o BNDES representa muito mais do que um local de trabalho, um trabalho, o BNDES se tornou um ideal de vida para mim. Eu acho que ele se tornou uma parte extremamente importante da minha vida, quase que... Hoje cada vez mais, temporalmente falando (risos), a maior parte da minha vida. E também é um banco de amigos, então eu acho que hoje em dia os meus melhores amigos são todos do banco, acho que as coisas mais importantes da minha vida aconteceram durante a minha passagem pelo banco. Eu acho que as pessoas, meus melhores amigos estão aqui, acho que isso aí acontece com a grande maioria, porque as pessoas do banco são pessoas especiais. Acho que é um privilégio trabalhar aqui.

 

P/1 - Agradeço o depoimento. Muito obrigada.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+