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História

Um sonho incrível realizado

História de: Francisco Cazal Miniotis (Tachi)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/03/2016

Sinopse

Francisco Cazal Miniotis, mais conhecido como Tachi, nos conta como foi a infância em Assunção, com seu irmão. Seu pai, mesmo sem ter concludo os estudos, sempre incentivou à família às experiências internacionais, motivado pelas viagens e aprendizados que teve como técnico da seleção feminina de basquete nacional. Tachi conta como as experiências interculturais transformam lugares desconhecidos em rostos familiares e como essa aprendizagem entre as culturas aproximam pessoas e povos. Tachi conta como foi sua experiência de intercâmbio e o desenvolvimento de sua carreira como voluntário até entrar para a equipe do AFS Internacional, cargo que possibilitou a ele conhecer pessoas em diversos lugares do mundo, vínculos que ele faz questão de manter. Além disso, ele conta um pouco da relação entre o AFS Internacional e os países, e da estrutura da organização. Uma das histórias que ele conta, que partiu de sua experiência de intercambio, é o encontro de suas duas mães, a natural e a hospeira.

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História completa

Quando estava na escola eu não sabia nada do AFS, de una persona, os voluntários, apresentou o programa. E eu lembro justamente que depois me ajudou muito no meu trabalho mesmo com o AFS, como profissional, eles explicaram o programa, éramos 40 na aula, disseram: “Tem interessados?”, só quatro levantamos la mano. Isso indica que realmente estes programas de intercâmbio atraem um cierto mercado de personas, la persona que quer conhecer, que quer viajar, que quer aprender algo novo, que quer desfrutar, etc, etc, porque não é una experiência para todos, claro, tem que estar preparado. Pero ai foi el primeiro contacto, quando vi los voluntários e posteriormente fui a contar ao meu pai e à minha mamãe. Minha mãe começou a chorar: “Un año? Un año fora?”. E admiro e aprecio que meus pais me deram esta oportunidade. Eu lembro tios, amigos deles: “Mas está louco, vai enviar seu filho aos Estados Unidos, aí tem droga, tem assassinato, tem bababá”. Na época, estamos falando em 1973, quando me apresentei ao programa, era um processo de um ano de seleção. E meu pai dudó, por supuesto, quando todo mundo: “Você não sabe nada dessa organização”, o AFS tinha então dez anos de história no Paraguai, era muito conhecido e, na minha escola nunca foi ninguém, estava trabalhando nessa época muito mais em colégios privados, então daí que foi que surgiu essa oportunidade. Aí foi que me apresentei e meu pai sempre apoiou. Creo que minha mãe, dentro dela, esperava que eu não fosse selecionado, porque era una selección muito estrita, acredito que era ao menos 600 que nos apresentamos, de los cuales fuimos elegidos 24 pra ir no programa. E esse foi meu primeiro contato com essa organización, eu nunca, falando em inglês, in my wildest dreams (risos), em mis sonhos, wildest? Mais incríveis, selvagens, nunca pensei como esta experiência do AFS cambiaría mi vida. Nunca pensei.

Fomos à CW Post, em New York, e aí estivemos com três mil, um grupo incrível, pessoas de todo mundo. Eram cinco dias de orientacion. E depois tinha que viajar a Minnesota pra conhecer minha família. Eu lembro que nessa época não havia avião, era de ônibus, 36 horas no ônibus de Nova York a Minneapolis pra conhecer a família. E por supuesto era orientação mas também era fiesta, era amigos, bá bá bá, teníamos um talent show, a gente fazia bailes, os distintos países, então tinha meu traje típico, de sombrero, mia camisa, meu pui, cantamos, foi uma experiência muito linda. E muito triste também porque tenía que separar. E nos põem em um ônibus e tinha outra paraguaya, Estela e yo, e havia dois ou três brasileiros que estavam nesse grupo. E tivemos essa viagem. E lógico, cansados, com nervios pra conhecer essa família e nunca vou esquecer, sempre é una broma com meu pai americano, com dad, eu sempre falo que dad foi la persona que hizo que yo odio baseball. Eu não gosto de baseball. Por que razão? Fui no ônibus, chegamos a Minneapolis cansado, aí está minha família e estamos a quatro horas de minha cidade. Mas meu pai pediu pra mim, ficamos no hotel essa noite e falou: “Tachi, pega um baño y vamos a ver un partido de baseball”. La única coisa que eu queria era mia cama (risos), estava agotado, estava estressado. Fuimos ao partido de baseball, que agora é o Shopping das Américas, o shopping mais grande do mundo está neste prédio, Bloomington, e estava cansado, agotado, queria dormir. Meu inglês era ainda básico, havia estudado pero por instinto você vá. E é tudo, las duas horas, tratando de explicar-me o hobby do baseball. E sabe quê? Desde essa vez nunca gostei baseball. Esse foi o primeiro encontro. E foi una familia espetacular. Hasta agora, minha mãe e meu pai vai sempre a Nova York, a cada dois, três meses, eu vou a Minnesota com meus amigos. Imagina que minha família americana nunca havia viajado para fora e vieram três vezes ao Paraguai. Imagina? E como siempre falava, quando estava presidente, preguntava em minhas audiências, apresentações: “Alguién conoce em Estados Unidos Lucerne, Minnesota?”. E eles falavam: “ninguém”. E eu falava: “Luverne, Minnesota, vocês não sabem que é nos Estados Unidos, mas no Paraguai meus pais, minha abuela, mis primos, mis amigos, tudo conhecem esse puebliño pequeno. Porque identificam lo lugar com la persona. Isso que a AFS faz: converter lugares em pessoas, donde Luverne, ou Rio de Janeiro, ou Piracicaba (SP), ou Chapecó (SC) já não é mais um lugar frio no mapa, é o rosto de um amigo, una persona. Esse é o valor do AFS, pra mim. E pros meus amigos de Luverne, Minnesota, ninguém conhecia o Paraguai. Minha família quando encontrou que ia hospedar um estudiante do Paraguai nem sabia donde ficava o Paraguai. Foram à biblioteca e verían, por supuesto, fotos antigas. Eles me mostraram una mulher lavando roupa en las orillas do rio Paraguai, por exemplo. Eu falei que era coisa que não era realidade, havia parte que era realidade, não te dava, na realidade, o que estava passando. Isso que faz os programas do AFS, esse contato de conhecer. Outro dia aconteci de una persona muito querida, una ex-voluntária, estudante do AFS que está na comunidade Estados Unidos. E ela é una estudiante do Egito agora nos Estados Unidos pero ela não usa el velo, não parece muçulmana. Ela é muçulmana, de Egipto, e ela era feliz com sus companheiras, mas todo mundo assumiu que ela era cristiana porque, muitas vezes não solamente Estados Unidos, muitos lugares assumem o muçulmano com la roupa. E ela falava num artículo que escreveu de que um dia estava na escola, há tempo atrás, em dezembro, no meio do Paris e tudo isso e como sus companheiros estavam falando mal dos muçulmanos. E ela está muito dolida, ela falou, porque: “Yo soy musulmana”, os companheiros ficaram. E no cambió nada. E o que eu falava ela era que muitas vezes precisa conhecer, porque sabiam, queriam na realidade a ela  como persona, antes como muçulmana. Então é um pouco essa questão. Quando conheço una persona do lugar, o conhecimento do país, da cidade, tem outro significado, e é isso o que faz acontecer todo dia com estes intercâmbios ou qualquer experiência intercultural que você tem viajando e conhecendo o mundo.

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