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História

Um projeto maravilhoso

História de: Uilson Almeida de Campos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/02/2017

Sinopse

Nascido em Salvador, capital baiana, Uilson Almeida de Campos creseceu e viveu a maior parte de sua vida na cidade, saindo somente em 2012. Escolheu por seguir a carreira da engenharia elétrica, especializando-se em geração e uso indústrial de energia. Conseguiu ingressar no Programa de Trainee da Braskem em 2004 e desde então tem atuado na empresa. Atualmente é coordenador de produção de uma das plantas que integram o Projeto Aquapolo, projeto que reutiliza a água do esgoto doméstico para uso indústrial, otimizando os processos com consumo consiente do recurso natural.

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História completa

Eu sou o Uilson Almeida de Campos, nascido em quinze de julho de 78, na cidade de Salvador, na Bahia. Meus avós, tanto paternos quanto maternos, são do interior do estado. Meu pai era uma pessoa extremamente correta, um cara super trabalhador, inclusive, viajava bastante a trabalho, mas embora viajasse bastante, sempre foi muito presente na minha vida, principalmente com exemplos. Extremamente austero, correto e disciplinado, essa foi a grande marca que acho que ele deixou para os filhos. E minha mãe, aquela pessoa acolhedora e extremamente carinhosa e atenciosa, coração do tamanho do mundo. Então minha mãe, eu acho que foi para mim, o exemplo de carinho, mesmo, de atenção, de pele.

Morei em Salvador do nascimento até 2012, o bairro que eu morava era um bairro de classe média baixa, humilde, mas um bairro onde as pessoas não passavam necessidades. Eu sempre fui muito de ter amigos, e meu pai fazia questão que os meus amigos fossem para a minha casa, acho que essa foi uma característica, uma decisão deles que me marcou. Acho que muito para saber, ter certeza de onde é que eu tava, o que eu tava fazendo, quem eram as pessoas que estavam próximas a mim. E como a minha casa era grande e a minha mãe era aquela mãezona de todo mundo, então, meus amigos iam lá para casa, minha mãe fazia lanche para todo mundo e a gente brincava muito de futebol, de pingue-pongue, de futebol de botão, brincava de esconde-esconde, brincava de bolinha de gude, tudo isso na minha casa.

Eu me lembro muito do meu pai e de minha mãe aproveitando embalagens plásticas, por exemplo, para regar plantas. A gente viajava, passava um tempo fora, a gente tinha uma casa num lugar que na Bahia chama Ilha de Itaparica, é uma ilha próxima à cidade de Salvador e o meu pai... A gente tinha uma casinha lá, e aí, às vezes, a gente passava quinze, vinte dias e como é que ia fazer para regar as plantas da casa da minha mãe? A casa era cheia de planta e tal, então, minha mãe pegava garrafinha de material plástico, cortava a garrafinha e deixava com a tampa, furava a tampinha, deixava pendurado nos vasinhos de planta dela para aproveitar. Eu me lembro de participar de gincanas na escola, onde você tinha as tarefas sociais, que eram tarefas dentro de gincanas que você ajudava alguma instituição, eu me lembro de uma tarefa numa gincana especifica, quer você tinha que coletar materiais recicláveis para doar para o Hospital do Câncer. Porque o Hospital do Câncer, ele se beneficiava da venda desses materiais recicláveis para ajudar na operação do hospital, em si. Então assim, meu contato começou um pouco com a família, com os meus pais ensinando que você pode reutilizar algumas coisas que você deve reciclar e também um pouco na escola com essas pequenas iniciativas.

No último ano do ensino médio ainda estava meio em dúvida do que fazer, mas eu sempre fui um aluno muito bom em Matemática, Física, Química, enfim, então eu já tinha plena convicção do que eu não ia fazer. O que chamou muito a minha atenção próximo do período de fazer vestibular foi ter contato com computador, um pouco de tecnologia. E aí, como eu gostava muito de Matemática, gostava muito de Física e Química, me interessou eu me aproximar, entender um pouco mais o papel do engenheiro, né? Então eu comecei a entender, ler um pouco o que o engenheiro fazia, quais eram as entregas, quais eram as atividades do dia a dia, em que eu poderia me envolver. Lendo e estudando um pouquinho, eu acabei afunilando e escolhendo fazer Engenharia Elétrica, entendi que talvez ali fosse um filão interessante para poder atuar.

E quando entrei na universidade, eu entrei na Universidade Federal da Bahia, eu comecei a estagiar. Comecei a entender a relação de trabalho como profissional, mesmo, vivenciar uma grande empresa, um ambiente de uma grande empresa que era um dos objetivos que eu tinha na minha vida, trabalhar numa grande empresa e foi maravilhoso, foi uma escola fantástica, tive a sorte de conseguir estagiar numa empresa que depois ao terminar a faculdade, eu fui contratado, e foi a primeira empresa na qual eu trabalhei, tive pessoas que me ajudaram muito, pessoas com quem eu tenho contato até hoje. Era uma empresa de Engenharia que fazia manutenção em indústrias e fazia manutenção em equipamentos importantes de custos altos, algumas atividades com risco razoável. Foi bem legal, essa vivência foi uma escola maravilhosa para mim, essa primeira empresa em que trabalhei.

Aí eu comecei a buscar algumas oportunidades, inclusive de continuar os estudos, fazer mestrado. Passei em um mestrado e acabei optando por fazer com bolsa, então pedi demissão da empresa e fui fazer um ano de mestrado. Foi na área de Energia, em uma universidade lá da Bahia que se chama UNIFACS, fiz em Indústria da Energia. Eu era formado em Engenharia Elétrica, Eletricista e então, achei que seria uma coisa interessante poder viver um pouco esse mestrado de Energia, já tinha trabalhado um tempo em indústria, já tinha contato com coisas associadas à energia, e o mestrado veio complementar minha formação. Depois eu fiz uma pós-graduação, também em Geração de Energia. Boa parte da minha atuação foi toda na área de energia e utilidades, então, energia elétrica, vapor, água, ar comprimido, tratamento de afluentes, então tudo que a gente chama das utilidades dentro da indústria. Ao final do mestrado, eu tinha terminado as aulas e comecei a buscar outras oportunidades no mercado, fiz alguns processos seletivos e tal, fui aprovado em alguns e acabei optando por entrar na Braskem através do Programa de Trainee da Braskem. Na época, ele se chamava assim, Programa de Trainee, foi o primeiro ano de Programa de Trainee da Braskem, fiz parte da primeira turma, foram dezoito pessoas. Isso aí começou em 2004, já vai fazer quase treze anos.

A unidade que eu trabalho é dividida em quatro plantas, eu sou o coordenador de produção de uma dessas quatro plantas. Essa planta, que a gente chama de planta de utilidades, é responsável por produzir vapor, energia elétrica, água, ar comprimido e tratar os afluentes da planta. Afluentes são todos os resíduos líquidos que saem do processo produtivo da planta, então desde a entrada da água na planta para produzir vapor, do vapor gerar energia e da energia, gerar o ar comprimido e o resíduo da planta, o efluente da planta para uma área de tratamento de efluentes para disposição desse efluente para o rio, por exemplo. Ou seja, precisa ir para o rio uma água que a gente pegou em condições iguais ou melhores do que o que a gente captou.

O Aquapolo é um projeto maravilhoso, a ideia do Aquapolo é pegar o esgoto da região urbana, esgoto urbano e tratar esse esgoto e ao final desse tratamento, você ter uma água capaz de ser utilizada no processo produtivo. Então, ao invés da indústria pegar água do rio ou de uma represa a ideia do Aquapolo é pegar aquele esgoto que já é o rejeito do consumo humano, enfim, e tratar aquilo ali de maneira que a água se torne boa o suficiente para utilização na indústria.

A água que a gente captava a do rio era uma água com baixíssima qualidade, muito ruim. Nós a usávamos no processo produtivo e ela, vamos dizer assim, danificava muito os equipamentos. Então, além de danificar os equipamentos, você tinha muita falha na planta, perda de produção, em virtude de falha dos equipamentos por conta dessa água. Então, a mudança para a água do Aquapolo fez com que os equipamentos quebrassem menos, dessem menos defeitos, menos problema, a gente conseguisse melhores níveis de produção e tudo advindo disso. Então, água de melhor qualidade, o meu processo, eu preciso drenar menos para diluir, por exemplo, a concentração. Eu capto menos água e gero menos efluentes. Consequentemente, os equipamentos dão menos problemas, se eles dão menos problemas, o equipamento que dá problema é devido ao tempo de vida, eu tenho que substituir por outro e esse equipamento que sai, ele é resíduo, é algo que vai ter que entregar em algum lugar para dispor, então, algum aterro, alguma coisa, então diminui a quantidade de resíduo. As drenagens e as operações que eu tenho que fazer na planta com uma qualidade de água melhor, eu também economizo energia, porque eu pego correntes de água quente, por exemplo, que eu tenho que jogar fora e entrar com água fria para fazer reposição e eu não preciso fazer isso, eu faço isso em bem menos quantidade, então consome bem menos energia. Por tudo isso eu sou fã do projeto Aquapolo, porque eu entendo que foi uma iniciativa de tratar um esgoto, resíduo urbano, voltar isso para um processo industrial, dando uma qualidade, confiabilidade, redução de consumo de água, gerar menos efluentes, redução de consumo de energia com esse processo. Então assim, acho que é tudo que a gente precisa, são soluções desse tipo que a gente precisa para as coisas nossas do dia a dia.

Para a questão da escassez de água, acho que o primeiro passo não é você fazer reciclagem, nem a reutilização, a primeira coisa, é fazer a redução do consumo. Acho que a melhor maneira é atuar desde a educação das crianças e dos jovens, que ensinar isso na escola, ensinar isso para a geração futura, a importância disso, a importância e a gravidade que é a escassez desse recurso para os seres humanos, enfim, para a nossa vida, isso precisa ser ensinado nas escolas. Então primeiro, tem que ser tratada a redução do consumo, a redução de desperdício. Eu acho que a gente tem que partir muito para um processo de redução do consumo, ou um consumo consciente, esse é o primeiro passo que se tem que ter, e depois, acho que iniciativas como essas do Aquapolo, por exemplo. Vamos dizer assim, não é me preocupar, mas aquilo que eu mais penso a todo o momento quando eu vou tomar uma decisão, quando eu vou fazer alguma coisa, sem dúvida, é a minha família. Então, acho que esse é grande cerne da questão, mesmo, né? É a preocupação com o futuro, futuro do meu filho, por exemplo, que mundo eu quero deixar para ele, que exemplo eu estou dando para ele no dia a dia, o que eu vou ensinar a ele, cidadão. Não só o mundo que eu vou dar para o meu filho, mas que filho eu vou deixar também para o mundo.

Certa vez, eu aprendi que quando você verbaliza alguma coisa, pode ser pequeno, mas assim, quando você verbaliza você ressignifica. São conceitos que já estão aí hoje, mas que eu espero que daqui a vinte, trinta anos, quando meu filho estiver em plena atividade, já trabalhando, etc., ele tenha um mundo sob essa ótica muito mais desenvolvido do que o que a gente tem hoje. Essa é a minha expectativa.

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