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História

Um petroleiro de profissão e de coração

História de: Eduardo Salaberte Rosa
Autor: Ana Paula
Publicado em: 14/12/2021

Sinopse

Eduardo Salaberte Rosa conta sua história como petroleiro, dos desafios e importância da sua profissão no processo de extração do petróleo no mar. Recém chegado em Rio das Ostras, ele fala sobre seu olhar sobre a cidade e suas primeiras impressões no primeiro ano morando nela. Fala sobre patriotismo e como acredita que a extração do petróleo é um importante pilar econômico para o Brasil.

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Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Eduardo Salaberte Rosa Entrevistado por Sérgio Ricardo Retrós Macaé, 02 de Junho de 2008 Código: MBAC_CB009 Transcrito por Maria da Conceição Amaral da Silva Revisado por Michelle Barreto P/1 – Começa dizendo o seu nome completo, local e data de nascimento. R - Meu nome é Eduardo Salaberte Rosa. Eu nasci em Niterói, estado do Rio de Janeiro, em 28 de julho de 1961. P/1 – Você veio aqui morar em Macaé, atualmente? R – Eu moro em Rio das Ostras. P/1 – Ah, em Rio das Ostras. Desde quando? R – O ano passado. Desde o ano passado. Em abril do ano passado. P/1 – Mas aqui na Bacia você trabalha há mais tempo? R – Não, eu vim de uma outra unidade. P/1 – Da onde? R – Da Unseal [Unidade de Negócios Sergipe-Alagoas]. P/1 – Ali que você começou sua carreira na Petrobrás? R – Foi. Foi lá na Unseal P/1 – Em que ano? R – Em 2005. P/1 – E como foi a experiência lá? R – Era bacana. Porque lá é uma unidade diferente, porque é mais extração em terra. Aqui já é uma extração no mar, os equipamentos são um pouco diferenciados. Então é uma experiência diferente também. P/1 – Mas o que você faz, mesmo? R – Hoje eu trabalho na Plataforma de Namorado 1, em terra, dando apoio, na área de Manutenção. P/1 – Mas como é o cotidiano do seu trabalho, o que você faz? R – A gente faz a interface da plataforma, fornecedor, toda essa parte de manutenção que precisa de um apoio em terra, a gente que faz. P/1 – E o que é o apoio em terra? R – Esse apoio, vamos supor, existe uma demanda na, cria-se uma demanda na plataforma, e através dessa demanda cria-se um tipo de serviço e esse serviço é contratado pela gente aqui de terra. A gente faz a contratação, toda a logística de embarque desse pessoal que vai fazer também essa manutenção a bordo. Então todo esse trâmite aí é feito pela gente. A questão também do acompanhamento de equipamentos que saem da plataforma, que estão mantidos por terceiros, ou então por nós mesmos, a nossa oficina de manutenção, esse acompanhamento a gente faz também. A gente faz todo esse acompanhamento desses equipamentos. P/2 – Como é que eles comunicam a necessidade? Você coloca uma demanda, mas como é que eles comunicam isso para você? R – Essa comunicação é feita via e-mail, solicitação via e-mail, ou através de telefone também. É todo, existe essa linha. P/1 – E é muito movimento, muita gente embarcava? R – É, depende da, do mês, isso aí não tem assim uma, a gente não tem um parâmetro assim. Mas todo mês a gente tem uma nova demanda, novos equipamentos que são trazidos para nós. P/2 – Que é que quebra mais, Eduardo? R – Ah, tem muita coisa [risos]. Muitos equipamentos na plataforma. P/2 – Não tem um que quebra mais do que o outro? R – Ah, não tenho, assim, ainda essa visão. Mas assim, existem, são “n” equipamentos, entendeu? P/1 – Qual que você acha mais interessante dos equipamentos? R – O que eu peguei assim, que eu acho mais interessante, desse um ano que eu estou aqui, foi o permutador. P/1 – Permutador? O que faz esse aparelho? R – Esse aparelho, ele é para refrigeração da água. Que a água que... do equipamento que vai bombear o gás. Então ele faz toda essa refrigeração desse equipamento. P/1 – E ele é grande? R – Ele é grande. É mais ou menos, não é tão grande assim. P/1 – E o que mais te marcou no trabalho aqui? P/2 – Um fato bem marcante que tenha acontecido? P/1 – Um fato marcante que você lembre? P/2 – Seja aqui ou seja na Unseal? R - Um fato marcante? Olha, eu acho que o patriotismo, sabe? Aqui, quando eu vim aqui, essa questão da “hasteação” de bandeira é uma coisa que não tem nada a ver com o nosso trabalho do dia-a-dia, mas uma coisa que a gente, que eu vejo aqui na Petrobrás é o patriotismo das pessoas. Aquele, aquela questão de brasilidade. Quando. Você vê o pessoal hasteando a bandeira, né? Quando nós completamos dois milhões de barris, essa questão do Hino Nacional, a gente vê que, porra, você vê que existe uma brasilidade diferente de outras empresas. Acho que o que mais me marcou foi isso. Fora essa questão de trabalho. P/1 – Essa coisa dos barris, vocês comemoram quando chegam em um número? R – É, porque é uma meta a ser alcançada, né? Hoje é do, ontem foi 500 mil, antes de, né, 200 mil, e agora já estamos em dois milhões. E isso tudo é uma meta, foi uma meta que nós alcançamos através do nosso esforço. E tem que ser comemorada. Daqui a 10 anos vamos estar comemorando, sei lá, dez milhões, [risos] e assim. Tem que se comemorar, porque é fruto do trabalho de todo mundo. É para isso que a gente trabalha. Justamente para tirar esse ouro negro de lá e cada vez produzir mais, e desenvolver mais esse país. Que esse país precisa de desenvolvimento. P/1 – E nessas comemorações tem uma que foi diferente das outras, que você lembre? R – Não, não. P/1 – Como vocês fazem? R – Não. Houve uma palestra do nosso gerente geral. E onde teve a participação do pessoal da plataforma. Então tem toda aquela comemoração. P/1 – E Macaé, o que você acha da cidade aqui? R – Olha, eu estou aqui há um ano e pouco aqui ainda, né? Então a minha convivência mais é em Rio das Ostras. Então eu acho, eu gosto muito de morar em Rio das Ostras. É uma cidadezinha muito legal, muito pacata. É ruim na época de temporada, que a cidade fica muito cheia, para a gente que mora, né? Mas assim, fora isso, é uma cidade muito bacana de se morar. Agora, em relação a Macaé, eu não tenho nenhum parâmetro. Eu venho aqui mais para fazer uma compra, alguma coisa assim, mas não tenho nenhum parâmetro de como é morar em Macaé. P/1 – Você vem todo dia para Macaé? R - É, a Petrobras tem um ônibus fretado da Petrobrás, que trás a gente de Rio das Ostras até Macaé. P/1 – E você tem uma equipe com quem você trabalha? R – Tenho, tenho uma equipe que eu trabalho. P/1 – Vocês são em quantos? R – Lá nós somos em quatro. P/1 – São todos daqui da região? R – São todos da região. Todos moram, inclusive, todos moram em Rio das Ostras [risos]. P/1 – Ah. E como é o convívio de trabalho? R – Muito bom, muito bom. Muito excelente. P/1 – Tem algumas histórias que vocês viveram juntos, que você lembra? R – [risos] É muito difícil, uma história? É muito difícil a gente... Ah, cara, assim de supetão é muito difícil lembrar. P/1 – Mas, brincadeiras que às vezes vocês fazem? Às vezes tem uma brincadeira que fica, que começa a se repetir, sempre lembra, tem alguma coisa? R – Ah, cara, não lembro. No momento assim não lembro, não lembro, não lembro. P/1 – E o que é ser petroleiro para você? R – Então, é aquilo que eu estava te falando: ser petroleiro é um orgulho. Porque hoje com essa questão da energia no mundo, no Brasil, enquanto outros países essa energia está se esgotando, o Brasil a cada dia, descobre mais poços. E o Governo Lula vem investindo maciçamente nessa questão aí. Essa questão dos outros combustíveis também, né? Então para mim ser petroleiro é buscar essa riqueza do nosso país e demonstrar lá fora que nós temos capacidade, somos auto-suficientes, e gerar mais emprego, e gerar mais riqueza para esse país. Acabar com essa fome que nós temos. Acabar com esse analfabetismo. E é aquilo que eu falei, o orgulho de ser petroleiro, quando você vê ele hasteia a Bandeira Nacional, você vê aquela questão onde há muitos anos atrás, aquela "O Petróleo é Nosso", né, cara? Isso é uma riqueza nossa, e ninguém pode tirar não, entendeu? Então a gente está defendendo aquilo que o país, que é nosso. P/1 – O que você achou desse projeto, da gente sentar aqui para ouvir um pouco a sua história? R – É bacana, bacana, é muito legal. Você transformar isso aí depois num vídeo, eu acho bacana sim. Porque demonstra a história da Petrobrás. Eu acho que vai ter uma diversidade enorme de pessoas aqui falando muita coisa. E isso vai somar no resultado final, que é o perfil, o retrato que a Petrobrás é hoje. E que foi no passado. Tem outras pessoas que vão vir aqui. Acho que é até legal também, se pudesse convidar, o pessoal que aposentou já na empresa. Eles têm uma outra experiência, uma outra visão. Eu, particularmente, trabalhei nas grandes empresas do Brasil, como Vale do Rio Doce, montadoras, e outras. Cara, eu, se, quando eu cheguei aqui na Petrobrás eu falei assim, porque eu tenho esse parâmetro para falar. Porque eu consigo, eu, atualmente, através da minha experiência do trabalho que eu tive em outras grandes empresas, então eu sei o que uma tem de errado o que outra tem de bom. Mas, somando, eu acho que a Petrobrás, atualmente no Brasil, é imbatível. P/2 – Queria só, antes da gente encerrar, Eduardo, eu queria só voltar uma coisinha que você falou que trabalhou com manutenção em terra, na Unseal, a Unseal fica… R – Em Alagoas, Sergipe. P/2 – ...em Sergipe. R – Sergipe. P/2 – E agora você trabalha com manutenção no mar. Claro, diferente. Diferença no que? No desgaste no equipamento, nas necessidades? R – Não, é só, são equipamentos distintos. É um tipo de extração, né? Lá é um tipo de extração, extração em terra. E mar é outra coisa. É outra visão. P/2 – Outro tipo… R – Outro tipo. P/2 – ...então de equipamento, não tem nada a ver. R – São outros tipos geralmente, são dois tipos de extrações diferentes. P/2 – Você faz cursos para você, dos fabricantes? Como é que você se habilita nessa questão da manutenção? R – Olha, a Petrobras, ela tem a biblioteca dela, a parte técnica dela de normas, normalização, a gente... é muito grande. E a gente tem acesso a esse tipo de literatura. A qualquer hora na intranet, se você tem uma dúvida de um equipamento, você chama o desenho desse equipamento, você consegue analisar. E fora o curso que a empresa dá. P/2 – E você mudou de lá do Sergipe para cá? R - É, em função disso eu mudei porque eu fiz o concurso para lá. O meu sonho era entrar na Petrobrás, e eu, na UN-BC [Unidade de Negócios Bacia de Campos], quando eu fiz o concurso eu fiquei um pouco, né? A vida é um negócio que é estranho. Eu fiz o concurso das, os dois concursos na mesma época. Só que eu fiquei bem colocado lá e aqui eu fiquei mais longe. Passaram-se dois anos, aliás, um ano que eu tinha feito concurso. Aí o Unseal me chamou. Aí eu fui para lá, fiz todos os exames, tudo, fui aprovado. Passou uma semana, a UN-BC tinha me chamado [risos], olha que troço incrível. Me chamou, aí, pô, mas eu já tinha feito todo o processo lá, falei: "Não" agradeci aqui, fui para lá. Aí eu saí de, eu trabalhava em Belo Horizonte, fui para lá, e fiz tudo, fiquei lá. Aí consegui essa transferência, uma permuta, aqui. Vim para cá e a Petrobras arcou com tudo. Foi a parte de mudança toda ela que arcou. P/2 – Legal. Eu queria encerrar, mas com mais uma que me ocorreu: tanto lá, quanto aqui, onde tem mais diversidade do Brasil? Lá no Sergipe ou aqui na Bacia de Campos? R – Em que sentido diversidade? P/2 – De pessoas diferentes, de outros estados. R – Ah, lá, lá. P/2 – Em Sergipe tem mais gente diferente, é isso? R - Tem. Lá tem mais pessoas. Porque além do pessoal de lá, no meu caso específico, eu vinha de uma outra cultura. Eu nunca tinha conhecido o Nordeste até então. Eu fiquei. O nordestino, ele é um povo maravilhoso; só quem conhece e convive sabe que é. E aí, e lá tem outras pessoas de outros estados também, porque a Petrobrás já está fazendo concurso um atrás do outro. Então tem muita gente de outros estados lá. Então aqui já está mais, né, o pessoal mais aqui, e tal. Tem pouco, que eu conheço aqui, lá a diversidade é maior. Assim, no meu dia-a-dia que eu vivi até agora. Pode até ser que seja diferente, mas o que eu vivi mais lá, tem mais gente de outros estados lá. P/2 – Mas o relacionamento é sempre bom? R – Sempre bom. Aqui não tive nenhum atrito, nada. Eu acho que o pessoal trabalha feliz, né [risos]? Aqui o pessoal trabalha feliz, entendeu? A empresa oferece muita coisa. Lógico que, né, lógico que nem tudo é perfeito, mas a gente tenta na maioria do possível conviver bem. P/1 – Obrigado pela entrevista. ----------------------- Fim da entrevista ------------------------
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