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Um Papai Noel filatelista

História de: Luiz Alberto Menezes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/02/2013

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(depoimento de Luiz Alberto Menezes) Minha infância foi boa. A infância no Nordeste sempre é boa. Nasci na beira da praia e tinha muitas frutas, fazenda. Convivi com a seca também, mas como todo nordestino a gente aprende a ter alegria. Minha primeira lembrança dos Correios: a minha família por parte de mãe é no sertão, e eu tinha um tio que trabalhava nos Correios nessa cidade de Itabi. Depois eu fui filatelista, quase a infância toda e adolescência. Eu andava quase diariamente pelos Correios. Eu colecionava selo com defeito, e é difícil encontrar um com defeito. Os Correios sempre trataram muito bem os filatelistas. Me deixavam com um bloco de selo e uma lupa e eu ficava procurando meus selos pra achar um com defeito. Olha, mas depois essa coleção desapareceu numa exposição. Eu perdi a coleção e perdi a vontade de continuar colecionando. Os selos são pedaços da história. O selo conta a história dos países, das localidades, eles mostram as diversidades do país. Você pode ser um generalista ou um temático. Eu lembro de um selo de 1974 que tinha uma baleia de barriga amarela e eu tinha um selo em que a barriga dela estava com defeito, estava branca. Então colecionar selo é descobrir a história, é ir mais fundo na história das sociedades. Foi meu pai que me apresentou isso. Ele colecionava selos, moedas, relógios de paredes. Em todos os cantos tinha paredes. Ele colecionava pistolas. Meu pai me mostrava tudo, eu sempre fui muito parceiro dele. Em Aracaju tinha feiras de colecionadores que se reuniam e nós íamos lá tentando trocar coisas, adquirir novidades. Mas depois do falecimento do meu pai, eu não sei muito o que aconteceu com as coisas dele. Meu pai foi tudo, mas eu não gosto nem de falar muito disso, porque é difícil. Eu trabalhei em tudo o que você puder imaginar. Fiz vários cursos, até licenciatura em Física. E fiz um concurso pros Correios. Fui aprovado e me chamaram. Fui trabalhar nos Correios e fiquei. Eu tinha um espírito aventureiro e sempre achei que tinha que tentar e se arrepender, e nunca não tentar. Eu trabalhei nos Correios em todas as áreas, e trabalhei em várias cidades. Hoje, estou em Belo Horizonte, trabalho na área de responsabilidade sócio ambiental. A gente planta árvores, temos o despejo correto dos resíduos e temos a Central Braile, que me parece ser a única no mundo que faz a transcrição pro braile e o reverso também, que é muito procurada. E temos o Papai Noel dos Correios, que tem 23 anos. Há 23 anos os carteiros começaram a ler as cartas pro Papai Noel que as crianças mandavam e se emocionaram. Então começaram a fazer quotas e dar presentes e isso foi ampliado. Hoje é uma campanha que está no Brasil inteiro e atende crianças que estão em áreas de vulnerabilidade social. As pessoas têm certeza de que os Correios vão entregar os presentes para as crianças que pediram. Uma vez uma criança de oito anos disse na carta que estava trabalhando pra sustentar a família porque o pai estava ficando cego, e ela queria pedir pro Papai Noel curar o pai dela. Então alguns empregados se juntaram e foram atrás de médicos que atendiam pros Correios e conseguimos uma cirurgia que curou o pai.
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