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História

Um novo olhar para a vida

História de: Luciana Fleury Prado
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/12/2020

Sinopse

Nascimento em São Paulo. Irmãos homens. Cresceu no interior de São Paulo, na cidade de Mirassol. Fazenda. Brincadeiras de criança. Infância livre e segura. Escola. Colégio feminino. Mudança de cidade. Faculdade de Psicologia. Histórico de perdas familiares por câncer. Trabalho. Atendimento em clínica. Casamento. Projeto social. Dúvida em relação a ter filhos. Menopausa precoce. Busca por tratamentos alternativos. Autoconhecimento. Atendimento clínico para mulheres na menopausa. Cerâmica. Novos projetos digitais. Pandemia. Sonhos.

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História completa

Meu nome é Luciana Fleury Prado, eu nasci em São Paulo, no dia 23 do um de 1965, ainda sou do século passado (risos)!

Eu tive uma infância muito rica no sentido de experiências. Morava numa cidade do interior, embora tenha nascido aqui em São Paulo, e fui morar numa cidade chamada Mirassol, que fica perto de São José do Rio Preto. E naquela época tinha muita segurança. Nossas brincadeiras eram na rua, a gente vivia na rua com um monte de criança, e aí os amigos dos irmãos também, então assim, sempre foi muito rica de brincadeiras, de atividades, de pessoas, e com muita liberdade. Muito boas memórias de uma infância muito próxima da natureza, no meio do pomar, andando a cavalo, muito livre nesse sentido, muito gostoso.

 

Quando eu conheci o meu atual marido, ele tem dez anos a mais que eu, eu tive a certeza que era o homem da minha vida.

Logo que eu casei meu marido não queria ter filho, ele já falava: “não quero ter filho, já tenho dois filhos, então não quero ter mais filho”, eu falei: “e eu?”, aí ele: “não sei, olha, eu gosto muito de você, mas eu vou entender perfeitamente se você não quiser e...” Só que assim, eu acho que parte de mim acreditava que a gente pudesse mudar um pouco o curso dessa história, e parte não tinha também tanta certeza que eu quisesse ser mãe. Aí a gente casou, eu casei com 32, 33 anos, aí com uns 38 anos eu comecei a perceber que a minha menstruação começava a falhar.

Então assim, com 38 anos, você super jovem, eu e meu marido a gente tinha uma personal trainer, e eu falava pra essa professora: “nossa, eu sinto um calor tão estranho daqui pra cima que eu acho que é menopausa, não é possível”, ela falou “você ta louca? Com 38 anos, menopausa?”, eu falava: “acho que é menopausa sim”. E a minha menstruação vinha, uma ou duas vezes por ano, falhava, nunca tinha acontecido isso, os meus ciclos sempre foram muito regulares, eu falava: “nossa, tem alguma coisa estranha”. E aí começou de fato a falhar minha menstruação, e uns calores... Aí começou uma questão de não conseguir dormir direito a noite, de ter calores fortes, fogachos. Eu falei com meu médico, meu médico falava: “mas tá tudo certo com você, não tem nada”. Meu médico era um ginecologista, eu cheguei pro meu marido e falei: “olha, não estou satisfeita, quero uma ginecologista mulher, ela vai entender. Acho que homem nenhum sabe o que é passar por uma menopausa”. 

Aí eu fui na Dra. Sônia e falei: “olha, eu preciso saber se é uma questão só da minha cabeça ou se de fato eu to entrando numa menopausa, porque eu tenho calafrios, eu tenho isso, eu tenho aquilo”, “ah, mas como é que está sua menstruação, seu ciclo?”, eu falei: “olha, pelo menos uma vez por ano, duas vezes por ano, falha. Ela falou: “então vamos dar uma olhada nisso porque realmente você pode estar entrando no climatério”. E de fato... Aí fiz todos os exames, aí por vários achados, inclusive já começando a acumular um pouco mais de gordura na mama, aquela coisa toda, menos glândula e mais gordura. Enfim, aos quarenta anos eu já estava na menopausa. Cravou a menopausa nos quarenta anos, e desde muito cedo, porque aos 38 eu já tava... E nesse período foi interessante porque era muito forte, como eu justamente era muito nova pra entrar numa menopausa, eu falei: “meu Deus, o que eu tenho que fazer? Ginecologista nenhum... Eu não tenho ninguém que possa me ajudar nessa situação, então eu vou tentar tudo o que eu posso”. 

E assim, eu não posso fazer reposição hormonal, zero. E a questão do filho, “eu não vou ter filho? Não tem mais chance de ter filho. Eu não vou ter filho, meu Deus?”. Aí numa conversa de uma consulta muito interessante com a Dra. Sônia, ela falou: “Luciana, tem umas coisas interessantes que acontecem na vida. Sua mãe faleceu de câncer, seu pai faleceu de câncer, você está fazendo quarenta anos. Vamos pensar de outra maneira, essa chegada da menopausa pode ter vindo pra proteger você. Você tem um histórico difícil. Você tem um histórico na família, seu vô...” Tinha também minha vó materna, meu vô materno, eles tinham também falecido de câncer, meu avô de um tumor estranho, bem raro. Então ela falou assim: “vamos pensar no lado positivo: eu acho que essa menopausa precoce veio pra te proteger, porque você produzindo menos hormônio, com menos alteração hormonal você provavelmente vai ficar mais protegida. Não é certeza absoluta que você não vai ter nenhum câncer, que você esteja isenta, mas é uma maneira da natureza...”. 

Aí então começou esse meu outro processo de entendimento, de aceitação, que eu estava aos quarenta anos num processo de envelhecimento do ponto de vista físico feminino. Então isso pra mim foi bem chocante. E no final das contas eu acabei entendendo que talvez filho não coubesse na minha vida. 

Aí eu acabei realmente... “Bom, não vamos ter filhos, então eu preciso cuidar de mim”. Eu não podia fazer reposição hormonal, eu acordava três, quatro vezes por noite, ensopada de suor, que era uma coisa insuportável, eu tinha vontade de morder a orelha do primeiro que passasse na minha frente a hora que eu acordasse, e eu não sou uma pessoa mal-humorada. Aí altos e baixos de humor, muito difícil. E assim, meu marido super parceiro, ele foi fundamental no meu processo. E na minha cabeça, essa história toda: “meu Deus, eu aos quarenta anos num processo de envelhecimento. O que eu tenho pra fazer?” Fiz acupuntura, fui procurar tratamento Antroposófico, tratamento homeopático, medicina chinesa. Nesse período eu já praticava yoga, que tava me ajudando muito, muito, muito. 

Aí eu fui fazer a formação de yoga, eu acho que agregou demais no meu repertório, no meu conhecimento, na minha bagagem e na minha trajetória. E me ajudou muito, profundamente, depois que eu conheci o Ayurveda. E nessa época eu tive que tomar antidepressivo, porque como eu não podia tomar hormônio, eu não dormia. Depois eu vim entender isso com a Ayurveda, como eu não dormia, eu tinha um escape energético muito, muito forte, então eu ficava desvitalizada, então a única forma que eu tinha era ou eu tomava o hormônio - que eu justamente não podia, tendo perdido tanta gente próxima de mim com câncer -, ou se não era tomar antidepressivo, o que me ajudou muito. Então foi um conjunto de coisas, eu fazia acupuntura, o antidepressivo, a yoga, e eu tomava uma coisa pros calores. Comecei a me tratar, comecei a me conhecer melhor, houve, de fato, uma transformação na minha vida, de auto-observação, isso faz uma diferença enorme na sua rotina, então você passa a introduzir determinados hábitos na sua rotina que te levam a se conhecer melhor, a se olhar mais. Nesse momento eu falei: “poxa vida, essa menopausa precoce, essa mudança toda que veio pra me mostrar um universo que eu não tinha sido nem apresentada até então”. E muito rico também. E aí eu falei: “meu Deus do céu, o que eu vou fazer, Jesus amado? Eu quero voltar a atender, e aí eu preciso juntar tudo isso, todo esse meu percurso, de uma forma diferente, e ajudar pessoas que hoje estão passando por um processo semelhante ao que eu passei há um tempo”. 

É interessante porque a menopausa representa muita coisa importante pra mulher, ela não é só um momento de calores, fogachos, dormir mal, estados mais depressivos e tudo mais, alteração de humor, não são só esses sintomas físicos. Tem questões muito sérias pra você lidar nesse momento, que tem a ver com a finitude de uma vida reprodutiva feminina, então dali pra frente não existe mais reprodução. É uma finitude, é um momento que também - ninguém fala disso - que existe uma espécie de luto, que é uma passagem pra um novo momento. E se você ta passando por outro momento, você tem que trabalhar questões desse novo momento que é a maturidade. 

Em 2018 eu falei: “É isso, eu vou atender mulheres que estão nessa fase da menopausa”. E qual é o fundamento? É um atendimento um pouco diferente, porque existe um acolhimento, existe toda uma ressignificação das experiências dela como mulher, das experiências de casamento, como filha, como mãe, enfim, tem uma ressignificação de todas essas experiências, porém também tem um momento que ela enxerga que ela ainda tem muita energia criativa pra continuar a vida dela de outra forma, ela não está mais cuidando do filho, do marido, da casa, mas ela pode cuidar dela. Ela pode retomar uma vida plena de outra forma, talvez não tenha uma vida sexual tão ativa como você tinha antes – algumas sim, outras não, outras nunca tiveram – mas você pode sim lidar com essa feminilidade, com essa energia feminina de outra maneira. E isso fez um sentido muito grande. Então o objetivo maior dessa metodologia é justamente fazer todo esse trabalho de ressignificação, usar um pouco da minha experiência de Ayurveda, da alteração da alimentação, da alteração na rotina, da introdução de alguns tratamentos naturais ayurvédicos que ajudam no equilíbrio desse novo organismo, que tem que se reequilibrar, encontrar o equilíbrio de outra forma. E tem também outra parte, que muitas mulheres não sabem o que fazer a partir dali, tem umas que já tão seguindo, que já têm, que continuam na própria carreira, tem outras que não sabem...

Então hoje o meu trabalho, depois de ter passado por tudo isso, é voltado pra mulheres na menopausa, ou mulheres maduras, que estão no climatério, que estão nesse processo de menopausa – ou que já passaram dele – e que querem reencontrar, querem se reconectar com essa energia criativa, essa energia feminina que dá pra ser explorada de várias maneiras e vivendo uma vida com muita vitalidade e plenitude. Então foi esse o caminho que eu acabei traçando até aqui. 

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