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História

Um modelo para o Brasil

História de: Francisco Afonso Bezerra de Albuquerque
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Infância em Natal. Muda-se com a família para São Paulo aos sete anos. Cursa Engenharia Civil na Escola Politécnica. Primeiro emprego na Prefeitura de Atibaia. Após dois anos, torna-se prefeito de Atibaia. Ingresso na Companhia Brasileira de Alumínio. Crescimento do Grupo Votorantim. Crescimento da indústria do Alumínio. É casado. 

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História completa

P/1 – O senhor poderia me dizer o seu nome, local e data de nascimento?

 

R – Pois não. O meu nome é Francisco Afonso Bezerra de Albuquerque. Nasci em Natal, estado do Rio Grande do Norte, em 26 do seis de 1926.

 

P/1 – Seu Francisco, qual é o nome do pai do senhor?

 

R – Manoel Bezerra de Albuquerque. 

 

P/1 – E o nome da mãe do senhor?

 

R – Maria Genuína Bezerra de Albuquerque.

 

P/1 – O que eles faziam?

 

R – Bom, o meu pai era funcionário público do Imposto de Renda e a minha mãe, prendas domésticas.

 

P/1 – O senhor poderia falar um pouco da sua infância, como foi?

 

R – Bom, menino normal, um pouco tímido. Vim para São Paulo aos sete anos, fiz o curso Primário, o Ginásio - um Ginásio não muito legal, que não se estudava muito. Mas, depois, reagi, fiz o curso secundário, uma parte no Anglo Latino e outra no Colégio Presidente Roosevelt, que eu acho até não funciona mais. Mas era um colégio estadual. 

 

P/1 – A família do senhor saiu do Rio Grande do Norte, veio para São Paulo?

 

R – Não, ela primeiro esteve em Fortaleza. Meu pai era de Fortaleza, esteve em Fortaleza. Um ano depois, mais ou menos, veio para São Paulo. 

 

P/1 – Certo. Como é que foi o início da vida escolar para o senhor?

 

R – Normal, não teve grandes novidades. Aluno normal, nunca foi o primeiro aluno, vamos dizer, mas também não era dos últimos. Estava na média. 

 

P/1 – E como foi o desenvolvimento dos estudos do senhor?

 

R – Bom, o Primário, eu fiz uma parte num grupo escolar, depois fui para uma escola particular. Terminado o Primário, eu entrei num colégio ali na Avenida Paulista, que era o Ginásio Carlos Gomes. Mas o estudo lá não era muito puxado. Então você se adaptou ao regime e formei-me no Ginásio, fiquei dois anos sem estudar. Pretendia trabalhar, mas eu vi que o negócio era duro aí fora. Então resolvi estudar Engenharia, mas tive que rever toda matéria porque o Ginásio foi muito pouco puxado. Então, aí levei o negócio a sério, fui para o Anglo Latino, que já era um colégio naquela época bom, muito bom. E depois fui para Roosevelt, que era um colégio estadual muito mais puxado. Prestei vestibular na Escola Politécnica, acabei me formando. 

 

P/1 – E o que levou o senhor escolher Engenharia?

 

R – Porque eu não tinha... Naquele tempo, praticamente cursos superiores eram três: era Engenharia, era Direito e Medicina. Medicina, eu queria ver de longe, Direito também não gostava muito. Aí resolvi fazer Engenharia, gostava de mexer com as coisas, consertar. Então, achei que tinha condições de seguir o curso de Engenharia.

 

P/1 – Como que era a expectativa do senhor, enquanto estudante, em relação à carreira que o senhor tinha escolhido? Havia mercado de trabalho nessa época, Engenharia?

 

R – Não, naquela época não havia mercado de trabalho. Então, o curso que eu achei melhor para seguir foi de Engenharia, porque a Engenharia tem a vantagem de você estudar... Não se especializar em muita coisa. Então, tinha opções diferentes ou opções naquela época, que é Engenheiro Ferroviário, Engenheiro de Estradas, Engenheiro Construtor, Projetista. Então naquela época era um curso que oferecia várias opções na vida profissional. 

 

P/1 – E na geração do senhor, o sonho dos engenheiros era qual? Era trabalhar em que área?

 

R – Bom, eu queria estudar Engenharia Mecânica, mas eu vi que os engenheiros mecânicos normalmente voltavam para fazer Engenharia Civil e os químicos, então, era a classe toda. E aí eu achei que seria interessante fazer o Civil porque você podia exercer várias atividades diferentes do ramo da Engenharia.

 

P/1 – E com quantos anos foi o primeiro trabalho do senhor?

 

R – Bom, do tempo de estudante, sempre dava aula, fazia alguma coisa porque não era rico. Ia para a escola de bonde naquela época. Então, eu achei que seria interessante... Recebi uma oferta lá da Prefeitura de Atibaia e como tinha bastante coisa para fazer numa prefeitura, que é pequena, mas tinha serviço. Então eu achei interessante, aceitei entrar na prefeitura como engenheiro de obras da prefeitura. Mas lá tinha muita coisa para fazer, fora as obras.

 

P/1 – E o senhor lembra desse primeiro dia de trabalho como foi?

 

R – Foi interessante. Foi muito bem acolhido lá na prefeitura e era um ambiente simpático.

 

P/2 – O senhor já havia terminado o curso de engenharia quando começou?

 

R – Já.

 

P/2 – Aí o senhor se desloca para Atibaia?

 

R – É, aí fui para Atibaia. 

 

P/2 – E lá o senhor ficou por quanto tempo?

 

R – Olha, eu entrei em Atibaia foi em 1953 e fiquei três anos. Saí em 1956. Entrei como engenheiro lá na prefeitura de Atibaia e era uma cidade pequena. Então era uma cidade pequena... Eu nunca tinha morado em cidade pequena. Eu achei aquilo completamente diferente do que senti em São Paulo. Lá sabia a hora que você ia almoçar, a hora que você ia dormir, falavam mal do padre. (risos) Então aquilo para mim me chocou um pouco porque São Paulo tinha uma vantagem: você só cumprimentava o vizinho e olhe lá. (risos) Então, aquilo choca. Quem mora em São Paulo, choca.

 

P/1 – E como que era São Paulo nessa época?

 

R – Ah, era bom. (risos) O trânsito era bom. São Paulo veio a conhecer filas em plena guerra, porque antigamente não tinha fila, não tinha nada. Aí começou a guerra, aí começou a mudança que a gente sentiu em São Paulo. 

 

P/1 – Em qual bairro o senhor morava aqui em São Paulo?

 

R – Eu morava, naquele tempo, se não me engano, chamava Vila América. Era ali na Alameda Lorena. É um bairro de classe média, classe média, média mesmo. 

 

P/1 – E como é que eram as brincadeiras nessa época?

 

R – Era brincadeira de menino, de jovem. Era futebol, a maior parte era futebol.

 

P/1 – E como que o senhor conheceu a sua esposa?

 

R – Foi em Atibaia. Eu, naquele tempo, eu já estava... Tinha sido nomeado prefeito da cidade porque Atibaia naquele tempo era uma estância sanitária. Então os prefeitos eram nomeados pelo governador. 

 

P/1 – E como é que foi essa nomeação do senhor?

 

R – Bom, acharam que o outro prefeito, que era engenheiro também, pediu demissão e acharam que o único que podia dirigir a cidade, não sei se certo ou errado, era eu. Aí os partidos políticos me indicaram para o governador e eu fui eleito. Eleito, não. Fui nomeado.

 

P/1 – E quem nomeou o senhor?

 

R – Olha, primeiro foi o Garcez, o professor Garcez, que naquele tempo era o governador. Depois veio o Jânio Quadros e confirmou a nomeação.

 

P/1 – Isso era que ano?

 

R – Foi em 1955.

 

P/1 – E como é que foi essa experiência para o senhor?

 

R – Foi muito boa, foi uma boa experiência de vida porque, como eu disse, você tem vários problemas na cidade. Você tem estradas municipais, lá tem... A usina hidroelétrica era de propriedade da prefeitura. Então tinha vários problemas de energia elétrica. Naquela época, por exemplo, a cidade tinha dois geradores... Dois grupos de turbina de gerador que forneciam. Naquela época, fizemos um contrato com a Siemens para a colocação de mais um grupo de turbina gerador. Para mim foi uma satisfação aumentar, praticamente, o dobro da energia disponível na cidade. 

 

P/1 – Em algum momento na vida do senhor, o senhor imaginou que o senhor ia ter uma carreira política?

 

R – Não, não, nunca pretendi ser político. Apesar de que sempre há uma correlação, prefeito e política. Mas eu nunca me senti atraído pela política. 

 

P/1 – E nessa administração que o senhor fez em Atibaia, qual seria para o senhor, assim, um marco, algo que o senhor acredita que foi importante naquele momento para a cidade?

 

R – Olha, eu fui contratado para aquela época dirigir os serviços de águas e esgotos e toda parte, vamos dizer, de saneamento. E realizamos várias obras, como... Comecei com o serviço de cloração da cidade, porque a cidade não tinha água clorada. Então, adquirimos um equipamento para clorar água distribuída à população. Depois fizemos... Terminei um reservatório, construí um reservatório elevado para distribuição de água na cidade, na parte alta e fizemos o estudo do projeto de adução da água do rio para o tratamento e posteriormente distribuir à cidade. Naquela época, havia um tabu: ninguém queria saber da água do rio porque ninguém conhecia tratamento de água e as pessoas, a população em geral, só queria saber da água da serra. Mas água da serra era muito pouca. Era uma adutora de quatro polegadas, que mal dava para atender o pessoal. E na época da seca então era aquela calamidade. Então, cheguei a conclusão que a única solução de abastecer a cidade de Atibaia seria tratar a água do rio, clorar e distribuir para a população. Mas foi uma luta, viu? (risos)

 

P/2 – E o senhor permanece quanto tempo mesmo em Atibaia?

 

R – Três anos.

 

P/2 – Três anos.

 

R – Três anos.

 

P/2 – Em seguida, o senhor já vai entrar na Votorantim?

 

R – Não, depois eu fui convidado por uns colegas ao projeto da rede de água de esgoto de Santo André. Então eu executei esse projeto - não sei se está funcionando. (risos) Mas executei o projeto e aí acabei... E resolvi, já tinha casado. Então resolvi aceitar um anúncio que saiu no Estado de São Paulo, de engenheiro para a Companhia Brasileira de Alumínio. Aí fui entrevistado e aceitaram. E eu fui nomeado promotor de venda naquela época.

 

P/1 – E o senhor já tinha ouvido falar do Grupo Votorantim?

 

R – Bom, sempre a gente ouve. Mesmo daquela época se falava e a CBA tinha, estava começando a operar naquela época. Então precisava de engenheiros.

 

P/1 – E como é que foi a impressão do primeiro dia de trabalho?

 

R – Não, gostei muito. Trabalhava muito. A CBA naquela época tinha dois produtos de venda básico, que era o sulfato de alumínio para tratamento de água, tanto da indústria de papel e para empresas públicas para tratamento de água. E tínhamos também as telhas de alumínio, que eram praticamente desconhecidas dos engenheiros daquela época, das construtoras. Então eu saía... Primeiro tinha que fazer propaganda do produto. Ninguém acreditava, mas aos poucos nós fomos introduzindo. Tinha vários colegas que tinham firmas de engenharia, fomos vendendo aos poucos. Quando foi, mais ou menos, em 1960 - eu entrei na CBA em 1957 - em 1960, o IBC, que era um antigo órgão que dirigia a política do café no Brasil, resolveu implantar uma série de armazéns, mas armazéns enormes, de 30, 40 mil metros quadrados. E a maioria deles no Paraná, que naquele tempo, o Paraná era o maior estado produtor de café do Brasil. Então, nós conseguimos convencer o pessoal do IBC, especificamente, a Comissão de Armazéns e Silos, que era o que fazia, que projetava e especificava o material. Então, nós chegamos lá: “Vocês têm que usar alumínio...”. E realmente fomos felizes, que eles, então, aceitaram os nossos argumentos. Só que exigiram que a CBA fizesse a cobertura, inclusive a calha também era de alumínio, e colocasse todo o material no telhado. Vamos dizer, fizesse o telhado e as calhas. Aí era... CBA nunca tinha feito esse serviço. Então, fomos obrigados praticamente a formar uma companhia de engenharia para dirigir os trabalhos. Isso foi muito gratificante. Voei o estado do Paraná inteiro. (risos) Conheci naquela época de ponta a ponta, desde Londrina até Cianorte.

 

P/1 – Essa tecnologia em relação ao alumínio já existia no Brasil ou foi a CBA que introduziu?

 

R – Olha, praticamente foi a CBA porque... Vou lhe dizer por quê. Há uns anos atrás, o estado do Rio Grande do Sul comprou umas telhas do Japão, telha de alumínio do Japão, com alto teor de cobre. Agora, cobre e alumínio não se combinam. Então, começou a furar o alumínio... Cobriram a igreja e chegou um dia de missa, estava chovendo, aí deu uma chuvarada dentro da igreja. (risos) Aí o alumínio era o criminoso. Ficou aquela idéia do... Principalmente no Rio Grande do Sul: “O alumínio não presta, aquilo fura e não sei o quê...”. Mas nós conseguimos virar... E até hoje tem armazéns cobertos lá em perfeito estado. Realmente o alumínio... E lá tem pouca poluição, então o alumínio se deu muito bem lá, as telhas de alumínio.

 

P/1 – A trajetória do senhor dentro da Votorantim, o senhor poderia contar um pouquinho para gente? Sobre a trajetória do senhor na Votorantim?

 

R – Ah, sim, pois não. Bom, entrei como promotor de vendas. Tempos depois à gerente de vendas. Em 1965, fui nomeado diretor de vendas.

 

P/1 – E como ocorreu essa nomeação?

 

R – Lá não tem muita burocracia. Um dia, numa reunião, doutor Antônio, eu ia saindo depois da reunião, ele falou: “Olha, você foi nomeado diretor, viu?” “Obrigado”. (risos) Foi muito simples.

 

P/1 – Para o senhor, qual seria, assim, um momento mais difícil para o Grupo Votorantim, no que se refere à constituição da CBA?

 

R – Olha, nós tínhamos uma concorrência muito forte. Então, sofremos muito: “Produto da CBA não presta, não usa na parte de perfis...”. Mas nós fomos melhorando mais com a garra porque naquela época a CBA tinha um problema financeiro. Estava começando na época, então o dinheiro era difícil. A gente não tinha... Hoje está uma beleza, mas você não tinha marketing, não fazíamos anúncio, era tudo na base da conversa. Mas depois foi melhorando, a CBA foi crescendo. Só para você ter uma idéia: quando eu entrei na CBA, ela tinha uma produção de alumínio, uma capacidade de produção de alumínio primário da ordem de 10 mil toneladas por ano. Posteriormente, ela foi ampliando, adquirindo novas tecnologias, ampliando os Smelters, que são as fábricas de produção de metal. E hoje, várias etapas, e hoje ela está com uma capacidade de produção de aproximadamente 240 mil toneladas e estamos entrando com novos fornos para atingir em torno de 340. E o doutor Antônio já está com idéia de planejar a produção de 500 mil toneladas/ ano. Quer dizer, isso é uma produção, em escala mundial, bastante avançada.

 

P/1 – Onde foram encontradas as primeiras jazidas da CBA?

 

R – Foram em Poços de Caldas.

 

P/1 – E como que é esse processo, como se constitui uma fábrica de alumínios, por exemplo?

 

R – A primeira fase é mineração. Você minera o alumínio. No nosso caso, nós temos duas fontes de mineração de alumínio: uma é em Poços de Caldas e outro em Cataguazes - que é, mais ou menos, perto de Poços de Caldas. Agora, a primeira mineração é que foi a pioneira, naquele tempo, não, até hoje o minério é transportado de Poços de Caldas até a fábrica em São Paulo. Hoje, que hoje é a cidade de Alumínio. Esse minério é tratado basicamente com soda cáustica, forma-se o aluminato de sódio. Esse aluminato tratado, transforma-se esse aluminato, a grosso modo, em óxido de alumínio, que é chamada alumina. Essa alumina vai para os fornos eletrolíticos e há a separação do oxigênio com o metal e o metal se deposita no fundo.

 

P/1 – E nesses anos de CBA, qual foi a mudança tecnológica que o senhor acredita que foi fundamental para a consolidação da exploração de alumínio no país?

 

R – Bom, a produção de alumínio foi a aquisição da tecnologia da Pechiney, que usando fornos, trabalhando com corrente contínua. Quer dizer, o alumínio é sempre obtido em forno de corrente contínua, eletrólise. E nós compramos a tecnologia da Pechiney porque antigamente... A tecnologia de alumínio era tabu. Cada fábrica guardava o seu segredo a sete chaves. Mas depois evoluiu e nós adquirimos a tecnologia da Pechiney e conseguimos uma produção ótima de um metal de ótima qualidade. Fora isso, você tem a parte que nós chamamos de transformação plástica, que você faz os perfis de alumínio que é usado nas janelas... Naquele tempo começou em 1960, por aí, o Brasil começou a desenvolver o seu programa elétrico. Então, começaram as grandes usinas: CEMIG, Furnas, depois Itaipu. Então nós fornecemos bastante cabo de alumínio para transmissão de energia elétrica. Fora a parte de cabos, a CBA também fazia a parte de chapas lisas, telhas que já fornecia há bastante tempo. Chapas lisas, telhas, cabos, enfim. E cada uma funcionava como se fosse uma fábrica. Então a CBA hoje, na parte de transformação plástica, tem cinco fábricas operando em cada tipo de produto. 

 

P/1 – Bom, a Companhia Brasileira de Alumínio utilizava energia elétrica.

 

R – Certo.

 

P/1 – Para todo seu processo. Da onde vinha toda essa...?

 

R – Bom, ali foi o seguinte: quando a CBA estava com a usina, a fábrica de alumínio pronta e estava já montando as partes de transformação, os equipamentos para transformação plástica, quando foi ligar os primeiros fornos, o Brasil estava numa crise de energia elétrica tremenda. Naquela época, a Light, que era a fornecedora de energia, até se negou a fornecer energia elétrica. Então veio uma ordem - naquele tempo, seria Ministério das... Não tinha Ministério das Minas e Energia, mas tinha o Ministério e veio uma ordem para ligar, pelo menos, alguma parte. Então, nós... Os fornos foram ligados, aí a CBA percebeu a amplitude do problema e partiu para a construção de uma primeira usina hidroelétrica, que foi a Usina do França. Dizem que há males que vêm para bem. Aí a CBA percebeu que ela tinha que produzir energia elétrica, senão não iria para diante a empresa. Então começou a fabricar uma série de usinas progressivamente no Rio Juquiá. Depois usamos o Rio Assungui e está projetada uma usina para o Rio Ribeira de Iguape - que ela ainda pretende construir. Então toda essa energia é usada para fabricação do metal. Mais ou menos da ordem de 50%, a grosso modo. 

 

P/2 – No decorrer dessa trajetória, o senhor continua trabalhando como promotor de vendas sempre?

 

R – Promotor de vendas, depois como diretor. Mas como a minha formação, eu sempre acompanhava com uma certa curiosidade a parte de energia elétrica.

 

P/1 – Bom, o senhor poderia explicar para gente como são feitas as medições para ver como são os impactos ambientais dessa extração de alumínio? Como que a Votorantim trabalha com esse campo?

 

R – Temos, temos. Nós, parte de impactos ambientais, a parte mais importante, ao meu ver, é a parte de mineração, que você, vamos dizer, usando uma palavra, “cava”. Cava para obter... O minério de alumínio é praticamente um... Tem um aspecto de terra, terra vermelha. Então você é obrigado a cavar áreas grandes para obtenção do minério. Aí a CBA, então, fez um programa de reabilitação do meio ambiente com plantação de plantas nativas, tratando os resíduos, tanto os resíduos sólidos como os resíduos líquidos e se obtém resultados muito interessantes na parte de recuperação do solo. 

 

P/2 – Isso como ocorre? Escava...

 

R – Você cava, extrai minério. A parte estéril é usada para recompor o solo e você tem... As usinas, parte de mineração, têm mudas para plantar, depois de restabelecido o solo, como era. Planta-se as mudas para restabelecer a flora.

 

P/1 – Senhor Francisco, como é que o senhor acompanhou essa formação da atual Votorantim Metais?

 

R – Não entendi bem a pergunta.

 

P/1 – Existia a CBA, aí essas empresas se unem em torno da Votorantim Metais, como que o senhor vê... O que o senhor achou dessa união...?

 

R – Ah, sim. O Grupo Votorantim antigamente... Hoje está mais, mas as empresas eram estanques. Então a gente só acompanhava de longe o desenvolvimento, vamos dizer, da Mineira de Metais, que fabrica zinco, Níquel Tocantins que fabrica celulose. Aí a gente acompanhava de longe. Sempre auxiliando no que fosse preciso. 

 

P/1 – Como que é a relação comercial dessas empresas entre elas? Existe ou cada uma atua numa área e...?

 

R – Cada uma atua numa área.

 

P/1 – Mas elas chegam a se comunicar?

 

R – Chegam. A CBA, uma ocasião, ela comprou umas concessões de fluorita para não depender de importações. Fluorita é um minério que usa em... Transformado em fluoreto de alumínio e criolita. As quantidades que são colocadas nos fornos são relativamente pequenas. Elas são utilizadas praticamente como fundentes. Você põe as quantidades necessárias de cloreto de alumínio e criolita para abaixar o ponto de fusão da alumina porque senão ela ia fundir a 2000 graus. Não seria econômico e a criolita e fluorita de alumínio abaixa para 1000 graus. Então a economia é muito grande. E realmente a 2000 graus ela chega a evaporar antes de produzir o metal.

 

P/2 – Houve algum momento de crise de alguma empresa, de alguma empresa que o grupo tivesse...?

 

R – Houve. Logo após a guerra, nós tivemos uma crise muito grande no Brasil. Então, naquela época, doutor Antônio resolveu partir para exportação. Senão... Porque o mercado caiu brutalmente. Então ou a gente exportava uma parte, grande parte do metal produzido, ou então fechava os fornos, desligava os fornos. Desligar o forno numa indústria de alumínio é uma catástrofe. Perde o forno. Então, nós estivemos em Buenos Aires primeiro para estudar o mercado argentino. Naquela época a Argentina só importava alumínio. Então, conseguimos exportar naquela época, em 1966, perto de duas mil toneladas - que hoje isso para a CBA não é nada, mas naquela época ajudou a resolver o problema da CBA. Porque logo depois houve uma reação e o mercado reagiu e voltou o consumo normal. 

 

P/1 – Senhor Francisco, já que a gente está nessa questão das exportações, quais seriam os maiores consumidores da CBA?

 

R – Dos estrangeiros?

 

P/1 – Isso. 

 

R - Seriam os japoneses, os americanos também consomem bastante, o Mercado Comum Europeu, são os principais.

 

P/1 – E no Brasil?

 

R – No Brasil? Bom, várias indústrias que utilizam o alumínio. 

 

P/1 – Eu tinha uma outra pergunta que é nessa linha, mas eu não estou conseguindo me lembrar dela. Você gostaria de fazer alguma pergunta, Juliano, enquanto eu tento...?

 

P/2 – Eu gostaria de saber mais como era a sua atuação, porque além da crise, o senhor tinha se referido a uma concorrência dentro do Brasil, quando no início da...

 

R – Ah, todos sofreram.

 

P/2 – E como que era a sua atuação nesse sentido? Era mais em incentivo à pesquisa, em sentido ao marketing?

 

R – Mais o mercado, porque precisava salvar a Companhia. (risos) 

 

P/2 – E isso logo após... Quanto tempo o senhor acha que...?

 

R – Ah, isso foi, mais ou menos... Vamos dizer, a revolução foi em 1964. 1965, 1966, o negócio piorou sensivelmente e a partir de 1967, eu diria, a situação começou a reverter. Evidentemente não foi do dia para a noite, mas gradualmente. 

 

P/1 – Como que a Votorantim, a CBA, particularmente, enfrentou as crises energéticas que tiveram no país ao longo desses anos?

 

R – Bom, a principal crise de energia elétrica foi aquela de, no ano 2001, 2002... 2001. Bom, a salvação nossa é que nós tínhamos a represas, que tínhamos usinas hidroelétricas e as represas não sofreram muito a crise. Mas assim mesmo, houve, mais ou menos, uma queda de... Mais ou menos, vamos dizer, 10%, a grosso modo, na produção do metal. 

 

P/1 – E como é que são os estudos da Votorantim, da CBA, para ela conseguir fazer as prospecções sobre a quantidade de energia que ela vai utilizar, sobre a quantidade de minério?

 

R – Bom, ela tem... Minério não tem problema. Mas na parte de energia, ela tem um objetivo de sempre produzir 50, 60% do seu consumo de energia elétrica. Há poucos anos atrás, ela fez um acordo com a CESP, Governo do Estado de São Paulo, e arrendou por 35 anos a produção de uma usina grande aí, no estado de São Paulo. Até tem um nome interessante, Canoa I, Canoa II, alguma coisa assim. E ela tem ainda, ela continua a se associar à novas usinas em construção, como hoje os outros concorrentes também estão entrando. 

 

P/1 – E o Grupo Votorantim chega a vender essa energia ou ela é só utilizada nas empresas? Ela é repassada para outras...?

 

R – Praticamente, o objetivo é passar as empresas. Mas hoje a CBA está associada a duas empresas grandes, que é Companhia Paulista de Força e Luz, que tem fornecido... Tem atuado na venda de energia para terceiros.

 

P/1 – Senhor Francisco, o senhor poderia falar um pouquinho para gente sobre a questão de responsabilidade social da CBA, como o senhor acompanhou essa história?

 

R – Bom, eu gostaria de falar primeiro na implantação da ISO. A CBA se viu obrigada a implantar a ISO porque as concessionárias de energia elétrica começaram a exigir certificados de qualidade. Então, nós resolvemos implantar o sistema ISO para as cinco fábricas que nós temos: que foi a fundição; o cabo, que era o mais necessário; a produção de folhas de alumínio; chapas; e extrudados, que são os perfis de alumínio. Então, isso foi, ao meu ver, foi uma grande mola para a CBA, porque com a ISO, nós fomos obrigados a ter uma fábrica limpa, ter uma fábrica organizada. Para nós foi muito interessante e até hoje nós estamos com o programa implantando a ISO na CBA, sabe? Principalmente na parte de transformação plástica. E com isso vieram os programas de segurança do trabalho, a parte do bem estar dos funcionários e a educação. Alumínio hoje é uma cidade que, praticamente, não tem analfabetos. Na parte de educação, com o programa que está sendo estabelecido, possivelmente nenhum operário, nenhum funcionário entrará na CBA sem ter o curso de segundo grau. E a Companhia tem programas sociais, mantém uma orquestra de aluno, de jovens, de vez em quando dá concertos por aí. Então, se procura que o operário, que o funcionário se sinta bem na Companhia.

 

P/1 – Senhor Francisco, nestes anos de CBA que o senhor tem, o senhor se lembra de empresas que foram sendo vinculadas a CBA, que foram sendo vinculadas ao Grupo Votorantim, com a expansão da...?

 

R – Empresas?

 

P/1 – Isso, isso.

 

R – Bom, nós temos hoje uma grande empresa, que antigamente a CBA não produzia papel. E hoje tem uma das maiores fábricas de papel do Brasil e com pleno êxito e exportando grande parte de sua produção. Porque, antigamente, a Nitro Química exportava celulose, mas em escala menor. Mas hoje a VCP é uma grande produtora de... É uma das maiores produtoras de papel do Brasil. Vamos ver, porque são tantas. (risos) Outra seria a fábrica... Uma das primeiras até a expansão foi a fábrica de zinco. Hoje a CBA produz bastante zinco e exporta zinco também. Outra seria a produção de níquel. Também o níquel, grande parte da produção de níquel é exportada. 

 

P/1 – Como o senhor vê essa dinamização que o Grupo Votorantim faz, em termos de investimento? Ele está sempre dinamizando os investimentos, como que o senhor vê isso? 

 

R – Dinamizando. E há tempos atrás ela tinha uma regra de não se endividar acima de 30%. Quer dizer, isso foi um grande passo da Votorantim porque permitiu controlar muito as finanças e expandir para outros campos. 

 

P/2 – E houve mesmo desenvolvimento da produção da empresa, da CBA... Desenvolvimento da tecnologia dos produtos que eram feitos e que eram exportados, eles foram aprimorados, isso foi desenvolvido?

 

R – Foram. Foi desenvolvido com equipamentos modernos. Houve um grande passo da CBA na sua expansão, tanto do metal como do produto transformado.

 

P/2 – O incentivo à pesquisa é uma constante?

 

R – É uma constante. Exatamente. E agora ela está pesquisando produtos de alta tecnologia, que é o caso, por exemplo, cito aí do gálio, que é um metal que hoje é utilizado no mercado de computadores. Principalmente hoje, há um grande futuro, que eu cito como curiosidade, que é a produção de leds. Antes... O led é um ET. Segundo os futurólogos vai substituir a luz incandescente, porque é um produto que consome menos energia. O led é uma coisa simples, é o que existe nessas luzinhas de automóvel do painel. Tem a luzinha verde, uma luzinha azul. Tudo isso é o led e a utilização está sendo cada vez maior. Então a CBA quer produzir... Já conseguimos produzir o metal primário, o gálio primário. É um produto de alta pureza. O gálio metálico é de concentração de 99,99. Mas a sua utilização vai até 8N, quer dizer, 99,999999... (risos) Nós já conseguimos fazer a tecnologia do gálio primário, que é 99,99 e agora você tem que purificar esse produto para fazer os 6N, 7N, 8N. E nós já conseguimos. Mandamos umas amostras para Hungria. A Hungria mandou uma parte para o Canadá e no Canadá se conseguiu até 8N. Agora a idéia é conseguir fazer uma fábrica aqui e purificar o metal. Vamos ver se conseguimos. 

 

P/1 – Senhor Albuquerque, o governo brasileiro, o estado brasileiro, ele chega a ser parceiro da Votorantim nestes projetos pioneiros ou...?

 

R – É, ele foi parceiro no Projeto Gálio porque é um projeto de alta tecnologia. Então, na produção nós fizemos em parceria com a FAPESP até, a produção do gálio metálico, do 99,99. Esse já é passível. Isso aí você já pode exportar e o preço é alto. O preço é, mais ou menos, da ordem de 350, 400 dólares por quilo. Então é um produto que se pode pensar em exportar.

 

P/1 – O Brasil é um produtor de gálio?

 

R – Não é produtor porque a escala é muito pequena, eu não diria. Mas nós estamos cogitando uma usina para produzir em escala pequena. Porque a produção de gálio, em termos materiais, é relativa muito pequena. O mundo produz, mais ou menos, a ordem de 100 toneladas, os países todos, quem tem a tecnologia. Então, a idéia nossa é fazer uma usina piloto, semi-industrial, para produção de gálio metálico e purificar esse metal, o gálio, porque quanto mais puro, mais caro. Então, é uma vantagem purificar. Agora, ele depois é recuperado também. A utilização dele não é gálio puro. Ele é utilizado com liga de arsênio, forma-se o arseneto de gálio. Esse arseneto de gálio é que é usado no chip. O chip é para produção de computadores. Agora, a questão é que o silício é muito mais utilizado por causa do preço e a quantidade. Mas o gálio tem vantagens em computadores de alto desempenho. Então a idéia de produzir gálio com uma alta pureza é compensadora financeiramente.

 

P/1 – O alumínio é considerado praticamente um dos materiais mais importantes desses últimos anos...

 

R – Depois do ferro, é o alumínio.

 

P/1 – Como é que o senhor acompanhou essa transformação desse metal nessa grande vedete de vendas que é hoje. Como que o senhor vê isso? Como que o senhor foi percebendo essa mudança?

 

R – É que o alumínio tem uma grande vantagem: ele substitui muitos metais. Por exemplo, no caso dos cabos para linhas de transmissão, hoje quase não se utiliza cobre. É só alumínio. Então é um metal que vai substituindo vários metais. Agora, ele está um pouco ameaçado pelo plástico. O plástico está entrando, inclusive em perfis de esquadrias, substituindo o alumínio em algumas coisas. 

 

P/1 – E houve muitos investimentos por parte da CBA, em termos de propaganda para o consumo de alumínio?

 

R – Hoje a CBA é muito mais conhecida do que nos meus inícios de CBA. Eu me lembro uma ocasião que nós estávamos numa reunião do antigo conselho de política aduaneira e estava se falando sobre coisa, então uma das secretárias, eu estava esperando na sala para fazer a reunião, uma das secretárias me chamou: “Ah, o senhor que é da Companhia Brasileira de Adubos?” (risos) Quer dizer, demonstrava uma ignorância completa do alumínio. Companhia Brasileira de Adubos era mais conhecida do que a CBA naquela época. 

 

P/1 – Senhor Francisco, qual a importância da CBA para o Brasil?

 

R – A CBA exporta bastante, tem um faturamento, eu diria, muito bom e ela é a terceira produtora de alumínio no Brasil. 

 

P/2 – Qual seria a relação da CBA com empresas internacionais? Por exemplo, no caso dessa pesquisa do gálio, o senhor disse que estaria sendo mandado para a Hungria, Canadá, como que...?

 

R – Não, veja bem: aqui no Brasil, essa empresa não funciona, não trabalha. E os nossos concorrentes estão interessados, não sei por quê.

 

P/1 – O senhor acha que a CBA... Por que a CBA se tornou uma referência na indústria brasileira?

 

R – Bom, primeiro pela sua dimensão. A CBA é uma empresa que tem cinco empresas no complexo. É diferente da maioria das empresas produtoras de alumínio porque as empresas produtoras de alumínio não são integradas como a CBA. Por exemplo, a empresa... Uma grande empresa, ela só produz alumínio ou então só produz alumina, o óxido de alumínio, e fornece para produção do metal. E a parte, vamos dizer, da transformação plástica é produzida em outras unidades. A CBA, vamos dizer, é plenamente integrada. Tem uma integração vertical. Quer dizer, se diz que a CBA hoje parte do minério e vai até o papel de chocolate. Então, poucas empresas do mundo têm esse tipo de administração.

 

P/1 – Qual é a importância da CBA para o Grupo Votorantim?

 

R – Eu diria que hoje é a segunda em importância após Votorantim Cimento. E a Cimentos foi... É a primeira do grupo. 

 

P/1 – O senhor poderia indicar quais seriam os valores familiares que estariam presentes na CBA? Partindo dessa idéia da família Ermírio de Moraes, de serem grandes investidores, no sentido de desenvolver toda uma indústria de base no país, como que essa vivência familiar se apresenta na CBA? Como o senhor percebeu isso ao longo dos anos?

 

R – Bom, a Votorantim começou praticamente com o doutor... O senador José Ermírio de Moraes, que era casado com a filha do Comendador Pereira Ignácio. Com aquela capacidade imensa de trabalho que tinha e a coragem que tinha o doutor José, senador José, transmitiu aos filhos essa vontade de crescer. O grupo se desenvolveu cada vez mais. Por exemplo, naquela época não produzia papel. Hoje produz papel, porque o papel é um produto muito importante na economia de um país. Então eu acho que poderia dizer que foi a garra que eles conseguiram transmitir aos seus descendentes todos. Todos eles, grande parte dos filhos do doutor Antônio, quase a maioria, estudaram nos Estados Unidos e adquiriram aquela, o hábito paterno, no caso particular, da CBA. Eu acho que a educação que eles deram foi excepcional. Não deu nenhum playboy. Todos eles são perfeitamente integrados e dedicados ao Grupo.

 

P/2 – O senhor tem alguma lembrança especial, algum momento especial do senador José Ermírio?

 

R – Doutor Moraes? Tenho. Primeiro que ele era muito bravo, mas muito bondoso de coração também. Doutor Moraes... Doutor Antônio herdou a grande capacidade de trabalho do doutor Moraes e é aliado a um grande respeito pelos seus funcionários e de dedicação aos seus funcionários. 

 

P/1 – Em relação ao doutor Antônio Ermírio, existe alguma memória que o senhor gostaria de falar? Alguma história que tenha sido significativa para o senhor?

 

R – Para mim foi, é um caso pessoal. Eu, há uns anos atrás, fiz a operação do coração de safena. E quando fui para a UTI, evidentemente, e quando abri os olhos estava lá o doutor Antônio. (risos) “Como que é? Está melhor?” Isso para mim significou muita coisa, pela dedicação que ele teve, tudo. 

 

P/1 – Bom, senhor Francisco, a gente pode dizer que no Grupo Votorantim existe uma cultura de valores?

 

R – Existe.

 

P/1 – E como esses valores se manifestariam e quais seriam esses valores?

 

R – Esses valores seria dedicação ao trabalho. Há uma recompensa e um tratamento diferenciado, um pouquinho diferenciado. 

 

P/1 – Como o senhor compreende a atuação da Votorantim na área social? Como o senhor vê?

 

R – Olha, a Votorantim está se destacando muito na área social, em doações aos hospitais, a dedicação principalmente aos hospitais. Doutor Antônio é presidente da Beneficência Portuguesa há vários anos.

 

P/1 – E o senhor acompanhou esse trabalho dele na...?

 

R – Acompanhei por fora. Não colaborei porque também não me foi solicitado.

 

P/1 – Certo. Como que o senhor avalia a importância do Grupo Votorantim para o crescimento do país?

 

R – Eu acho muito importante. Eu acho que... Sem demagogia, o Grupo Votorantim é um modelo para o Brasil. Se as indústrias tivessem seguido, vamos dizer, aquele padrão Votorantim, o Brasil hoje seria um grande país. 

 

P/1 – Na trajetória do senhor dentro do Grupo Votorantim, existe alguma coisa que o senhor faria diferente?

 

R – Eu nunca fui empresário na minha vida. Então não sei se eu faria ou não faria. Talvez fizesse. (risos) 

 

P/1 – A gente está chegando no final desse depoimento, então eu queria saber qual a importância do projeto Votorantim 85 anos, que é “Nossa gente faz história”. O que o senhor acha desse projeto?

 

R – Eu acho muito bom, muito bom. É uma satisfação que o Grupo está dando para o Brasil.

 

P/1 – E o que o senhor achou de ter participado dessa entrevista, da trajetória?

 

R – Eu acho que me saí bem. (risos) Mas acho muito interessante essa divulgação do programa.

 

P/1 – Juliano, você quer fazer alguma pergunta?

 

P/2 – Mais algum momento da sua vida especial que o senhor gostaria de deixar registrado?

 

R – Eu acho que eu devo muitos favores ao Grupo Votorantim e não tenho queixas. Me considero premiado em ter trabalhado no Grupo Votorantim porque eu acredito que se eu trabalhasse em outro Grupo não teria esses favores que eu recebi.

 

P/2 – Hoje o senhor continua trabalhando?

 

R – Continuo, mas um dia a gente vai ter que se aposentar. Já acho que tenho muito tempo de Votorantim, de CBA.

 

P/1 – Senhor Francisco, existe alguma pergunta que o senhor acha que a gente deveria ter feito e nós não fizemos? Existe alguma coisa que o senhor gostaria de falar e que não foi contemplado?

 

R – Aí eu acho que nós ficaríamos o dia inteiro aqui falando. (risos) Eu acho que os fatos que eu julguei mais importante.

 

P/1 – Senhor Francisco, o Museu da Pessoa e a Votorantim agradecem muito pela sua presença aqui e pelo seu depoimento.

 

R – Eu é que agradeço.

 

P/1 e P/2 – Muito obrigado.

 

R – Obrigado.

 

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