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História

Um médico de quebrar barreiras

História de: Martti Antila
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/02/2019

Sinopse

Até a adolescência, Martti Antila sonhava em ser engenheiro. Inspirado no pai e no irmão, fantasia como seria os dias na futura profissão que tinha como certa. Mas aos 49 do segundo tempo, como gosta de dizer, mudou de ideia: decidiu ser médico. Queria fixar raízes - e enxergava na medicina o melhor jeito para isso. Mas não foi isso o que aconteceu: pouco tempo depois, iria morar na Finlândia para estudar. Também se encantaria pelo tratamento de alergias e um contato mais humano com os pacientes. E é isso que leva para seus pacientes de dermatite atópica: humor, atenção e o desejo de que eles também possam carregar com orgulho suas raízes e sonhos.

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História completa

Sempre quis ser engenheiro. Minha fantasia era ser engenheiro. Sempre tive aquela imagem do meu pai engenheiro, meu irmão engenheiro. Ia prestar engenharia até o meio do terceiro colegial. Estava pronto para prestar, mas aos 49 minutos do segundo tempo eu mudei de ideia. Acho que precisava de uma profissão que fixasse raiz. Como engenheiro, tinha uma grande chance de seguir a vida do meu pai, de viajar de um lado para o outro. E, nessa vida, você acaba perdendo a raiz. Acho que, naquela época, estava precisando de alguma coisa que me fixasse em algum ponto, acho que medicina ainda fixa. Tem especialidades que podem fazer você mudar, mas ainda assim fixa raiz.

 

No começo do século passado, ser médico na Finlândia, assim como no Brasil, era um status muito grande; hoje, com certeza, o menino Martti está muito mais feliz médico do que estaria sendo engenheiro.

 

O menino Martti está feliz hoje, e feliz tendo uma mistura: essa característica do médico da Finlândia, a característica do brasileiro, faz com que hoje seja uma coisa importante na minha relação médico-paciente.

 

Por exemplo, quando voltei da Finlândia para ser médico em São Paulo, coloquei uma mesa redonda na sala do consultório para sentar na mesma altura do meu cliente. Hoje, a minha mesa é triangular porque eu gosto de bater papo.

 

Tenho uma sala de bate papo. É uma forma de entender a doença e mudar a relação médica com o paciente, de aprender a escutar aquilo que não é dito.

 

E acho que esse escutar aquilo que não é dito é muito mais importante do que ouvir aquilo que está sendo exteriorizado. Tenho que saber moldar o humor para trazer isso e, com certeza, eu consigo quebrar muito mais barreiras, em especial com as crianças. Com as crianças, eu não deixo os pais falarem: deixo as crianças falarem. A criança que fala, eu converso com os pais muito depois. Não deixo os pais se intrometerem. Mas quando se intrometem, começo a entender como é a dinâmica da família. A satisfação está nisso, acho que a resposta é que essa forma diferente de atender, independente da gravidade da doença, é atender todos como se fosse graves.

 

Eu brinco sempre com o paciente: “qual unha encravada dói mais, a minha ou a sua?”. A gente tem que valorizar todas as doenças do paciente. Eu tenho de entender a mãe que está com febre, porque é mãe. Não sou eu que estou tendo febre. Todas as doenças geram um impacto emocional na pessoa e na família. Acho que aprendi que, independente da gravidade da doença, você tem um impacto.

 

Uma rinite grave tem um impacto muito grave na qualidade de vida. É uma das doenças que com maior perda de qualidade de vida. Asma grave é incapacitante: leva muitas vezes a desejo de morte e de ação suicida, porque é muito difícil viver com falta de ar o tempo todo. Assim com quem tem dermatite atópica: é muito difícil viver com coceira e se descamando o tempo todo, independente se essa coceira é localizada ou é generalizada. Essas doenças acabam moldando você como pessoa, por isso na Finlândia eu aprendi uma coisa que o médico não tem a mesa entre o paciente, o paciente senta como nós estamos aqui agora, pois ela quebra a barreira, é simples assim, quebra barreiras.

 

Por isso coloco também humor no atendimento. O humor vai desde brincar com a criança – de no Halloween atender fantasiado de bruxo – a questionar sobre as dificuldade do paciente de uma forma não agressiva, o humor é perguntar, você se interessar pela pessoa como um todo, e não só pelo que motivo que faz ela estar aqui. E é com humor, com brincadeira, com piadas não agressivas, que você consegue ver a reação do cliente, para saber onde eu posso quebrar barreira. Eu posso falar de alguma coisa de uma forma mais enfática, mas tentando ver como ele reage. É muito mais essa forma alta de falar, de brincar.


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