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História

Um lugar pra chamar de seu

História de: Jaqueline Cristina Ramos Tiago
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

O bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, na época da infância de Jaqueline, era um lugar perigoso, ainda dominado pelo tráfico. Essa dificuldade na sua vida se somou a um problemas de alcoolismo do pai e um AVC que sua mãe sofreu. Jaqueline, porém, manteve um sonho de pequena, que era cursar Gastronomia. Cuidou da família, mas não deixou de correr atrás do que quis. Gostava de cozinhar, fazia bons pratos, e por meio de um projeto social, abriu um empreendimento com outras mulheres, chamado Saborearte. Para ir além desse primeiro passo, ainda planeja cursar Gastronomia e expandir seu empreendimento.

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História completa

“Meu sonho sempre foi o mesmo, foi terminar meus estudos pra fazer minha faculdade de Gastronomia. O sonho de fazer uma faculdade de Gastronomia vem muito antes do Saborearte*, que é o meu restaurante com outras duas sócias, sonhar em existir. Em casa sempre fazia mocotó, que meu pai gosta muito, lasanha. Meu pai sempre trabalhou como ajudante de obras e minha mãe foi do lar. Nasci e fui criada no Realengo. Era complicado. Dominado pelo tráfico. Como meu pai saía às quatro da manhã, já saiu debaixo de tiro. Falar da minha infância é complicado. Minha mãe e meu pai tiveram muitas brigas, acabaram se separando quando eu tinha doze anos. Tive que ajudar a criar meus irmãos, um que tinha oito, outra que tinha quatro. Meu pai bebia, então todo final de semana tinha briga e meus irmãos então presenciavam tudo aquilo. Chegou certa época meu irmão ficou esquizofrênico. Foi isso. É difícil falar. Minha mãe não estava presente, acabou ficando com problema de saúde, ficou internada durante dois meses e nove dias, acabou amputando dois dedos do pé. Eu estudava, cuidava dos meus irmãos, da casa. Aos 16 anos fui trabalhar na Ilha Grande, comecei lá lavando louça e passei pra ajudante de cozinha, depois de um tempo uma das cozinheiras foi ganhar neném e eu acabei ficando no lugar dela como uma das cozinheiras. E o problema do meu irmão foi se agravando e minha mãe tinha tido um princípio de AVC (acidente vascular cerebral). Eu fiquei lá durante três anos e meio, quase quatro, tive que parar pra ajudar minha família a cuidar dele e fiquei durante um bom tempo. Tive que parar de estudar, não consegui terminar meu ensino médio e fiquei um bom tempo desempregada, e minha nova oportunidade foi esse projeto, que hoje é o Saborearte, que é minha razão de viver, depois da minha família. Mas meus pais até hoje tem dificuldade de entender meu sonho, que esse é um projeto próprio, que tem que ter muito trabalho. Até incentivam, mas quando o Saborearte passa pelas turbulência, eles não acreditam, acham que é mentira, que eu não quero ajudar. Mas é minha fonte de vida. É daqui que eu tiro o dinheiro de pagar meu aluguel, minhas contas, é aqui que eu desabafo com as minhas amigas, que eu choro, que eu brinco, que eu esqueço os problemas de lá de fora. É aqui que me deixa estressada quando tem que me deixar e me desestressa quando eu estou estressada. Aqui é um pouquinho de cada coisa.

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