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História

Um imigrante italiano

História de: João Ivo Caleffi
Autor: João Ivo Caleffi
Publicado em: 09/08/2021

Sinopse

Teodoro Caleffi - Um imigrante italiano.

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Teodoro Caleffi nasceu no dia 22 de junho de 1863 em Bondanello, depois mudou-se junto com seus pais para a Comuna de San Giácomo, que ficava próximo a Comuna de Quistello, na Província de Mantova, Região da Lombardia, Norte da Itália. Filho de Luigi Caleffi e Luigia Bulgarelli Caleffi. Em San Giácomo viveu intensamente sua juventude. Era um jovem muito ativo, moreno, alto, bonito, destemido, inteligente, líder, sonhador, feliz. Vivia plenamente sua juventude, toda a beleza da juventude, livre. Estava integrado a sua comunidade e a família. Foi ali, em San Giácomo, que conheceu Vincenza Bastasini. Nascida na Comuna de Quistello, no ano de 1869. Vincenza era uma jovem linda, na flor de seus 18 anos. Foi paixão a primeira vista. Ela era loira, vivaz, brincalhona, sorridente, carismática, feliz, de olhos muito vivos, uma verdadeira luz, cheios de vida. Como não se apaixonar?! Vincenza vivia ali em San Giácomo com sua família, com seus pais Ângelo Bastasini e sua mãe Teodora Poppi Bastasini, além de seus irmãos e irmãs. Era muito feliz. Teodoro e Vincenza começaram a namorar. Teve o consentimento quase imediato de seus pais, pois as famílias eram amigas e se respeitavam muito. Resolveram casar-se. Casaram-se no dia 10 de junho de 1888. Foi uma bela festa. Depois de casados mudaram-se para a Comuna de Poggio Rusco. Foram morar numa casa simples, mas bem aconchegante, na Via Carnevalle, número seis. Ali o amor floresceu. Tiveram três filhos: Credo nasceu em 14/02/1889, Lino no dia 17/12/1890(faleceu com menos de dois anos de idade, no ano de 1892, dia dez de junho deste ano) e Sante nasceu em 14/04/1892, meu avô. Depois do nascimento de Sante, em 14 de abril de 1892, mudaram-se para a Via Dragoncello, numero cinquenta, na verdade uma pequena aldeia, pertencente a Comuna de Poggio Rusco, a sete quilômetros de Poggio Rusco. Ali tiveram mais três filhos, Lino em 04/03/1894(nome em homenagem ao filho que morreu), Ida 24//07/1896 e Pasquina 12/04/1898, ano que eles emigraram para o Brasil. Iniciaram a saga no final do mês de setembro de 1898. Com a crise que a Itália vivia, política, econômica e social, eles sem nenhum apoio, não tiveram outra saída, a não ser emigrar, para poder ter condições de criar os filhos com dignidade. Não queriam fazer isso, pois a pátria deles era a querida Itália, onde foram criados, tinham amigos, parentes, família, história. Mas não tiveram outra saída. Era emigrar ou viver na miséria. Isso eles não queriam de jeito nenhum para seus filhos e para si. Não tiveram dúvidas, buscaram coragem e tomaram a decisão difícil de ter que deixar sua própria terra, sua pátria, sua Itália. Teodoro tinha uma irmã, Regina Caleffi, que já morava no Brasil. O marido de Regina tinha falecido num acidente no Brasil. Regina não teve dúvida, sabendo que seu irmão Teodoro estava passando por uma situação difícil lá na Itália, falou com o fazendeiro, dono da fazenda em que morava, o fazendeiro Major Vicente Ferreira Cavalhaes(1836-1912) e escreveu uma carta a seu irmão Teodoro e a Vincenza, convidando-os para vir morar no Brasil, junto com ela, na fazenda do Major Vicente, que ficava no município de Monte Santo, no Estado de Minas Gerais. Foi o que Regina Caleffi fez. Teodoro com 35 anos de idade, Vincenza com 29 anos e seus cinco filhos: Credo com nove anos, Sante(meu avô) com seis anos, Lino com quatro anos, Ida com dois anos e Pasquina com apenas seis meses de idade, bebê ainda, saíram da Comuna de Poggio Rusco, da Via Dragoncello, número cinquenta, rumo ao Porto de Gênova. Despediram-se de todos e tomaram o rumo da cidade de Gênova, para eles, uma cidade, até então, totalmente desconhecida. Foram vários dias de viagem até o Porto de Gênova e muito sofrimento para todos, mas principalmente para as crianças, que eram ainda muito pequenas. Chegando no Porto de Gênova, tiveram que ficar uma semana a espera do embarque no Vapor Sempione, um navio enorme, cheio de italianos e espanhóis, emigrantes iguais a eles. A família ficou esperando o embarque no Sempione, numa pensão pobre e mal asseada, que Teodoro conseguiu alugar, sofrendo todo tipo de assédio dos aventureiros e picaretas, que ficavam no entorno do porto de Gênova, oferecendo de tudo, querendo tirar o pouco que ainda tinham. Não foi fácil. Sofreram muita humilhação e insegurança. Haja coragem, ousadia e determinação. O emigrante é antes de tudo um forte. Finalmente embarcaram no Vapor Sempione. Foi no dia histórico de 30 de setembro de 1898, era uma sexta-feira. A viagem durou 20 dias. Era um navio enorme, superlotado, sem a minima estrutura. Quanto sofrimento! Todos ali, expulsos de sua pátria, pela fome e pela miséria, estavam em busca de um sonho, criar seus filhos com dignidade. Teodoro chegou no Porto de Santos, no Brasil, no dia 19 de outubro de 1898, era uma quarta-feira. Começava ali uma nova história. Desembarcou e junto com a família, assim como todos os outros imigrantes, foi levado para um grande armazém, barração, galpão, muito simples, que ficava no Porto de Santos, onde foram examinados, conferidos e cada um recebeu um pequeno lanche para alimentação. Ficaram pouco tempo ali. Foram colocados em um vagão de trem, que fazia a linha férrea no trecho entre o Porto de Santos e a Capital Paulista. Subiram a serra do mar e desembarcaram em São Paulo, na estação que ficava ao lado da Hospedaria do Imigrante, no bairro do Brás. Ali foram acomodados. Teodoro e família ficaram ali um semana. Tomaram vacina e foram fichados. Depois seguiram rumo a fazenda do Major Vicente, no município de Monte Santo, no Estado de Minas Gerais, a onde sua irmã Regina Caleffi estava lhes esperando ansiosa. Foi trabalhar na lavoura de café. Ali teve mais dois filhos, Luís e Amabelle. Sua companheira Vincenza, morreu pouco tempo depois do nascimento de sua última filha Amabelle. Criou seus filhos com dignidade, com muito trabalho. Nunca mais Teodoro casou-se. Morou nesta fazenda por cinquenta anos, até morrer, no ano de 1953, com 90 anos de idade. Ali, em Monte Santo, estão enterrados os imigrantes italianos Teodoro Caleffi e Vincenza Bastasini Caleffi. Símbolo de muita luta e dignidade. Um exemplo. Assim como tantos outros corajosos imigrantes. No dia 19 de outubro de 1898, o italiano, Teodoro Caleffi e Vincenza Bastasini Caleffi, assim como muitos outros imigrantes de todas as nações, começaram uma nova história no Brasil. É preciso contar para não esquecer. Teodoro Caleffi, um imigrante italiano. Meu bisavô. Que honra!

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