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História

Um homem do mar

História de: Entrevista de Irmar Haitz Freire
Autor: Thalyta Pedreira de Oliveira
Publicado em: 28/07/2021

Sinopse

O nordestino Irmar conta sobre sua trajetória na prestação de serviços em refinarias e, inclusive, embarcado em navio. Além disso, relata sua convivência com os colegas, que constituem uma grande família, e o que fazem para se distraírem enquanto estão no descanso. O teatro improvisado foi uma das atividades encontradas para se divertirem. Com tantos anos trabalhando em navio, Irmar diz ser um homem do mar.

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História completa

Projeto Memória Petrobrás Realização Museu da Pessoa Entrevista de Irmar Haitz Freire Entrevistado por Miriam Colares Marlin Sul – P38, 27 de janeiro de 2005 Código ______ Transcrito por Maria da Conceição Amaral da Silva Revisado por Izadora Telles P – Boa tarde, Irmar. R – Boa tarde. P – Você fala para a gente o teu nome completo, local e data de nascimento? R – Pois não. O meu nome é Irmar Haitz Freire. Nasci em Prado, uma cidade da Bahia, no dia 6 de abril de 1964. P – Como se deu o teu ingresso na Petrobrás e quando foi? R – Tá. Foi em 1992, na Refinaria de Paulínia, a Replan. Em uma parada de manutenção em uma das unidades. Fui pego como prestador de serviço na Petrobras. P – Você é prestador de serviço? R – Sim, positivo. P – Desde 1992 você presta serviço à... R – Positivo. Iniciei na Replan em 1992. Eu fiz algum trabalho como técnico de inspeção e de lá para cá eu vim, fiz uma série de trabalhos como prestador de serviço atuando na área de inspeção de equipamentos. P – De inspeção de equipamentos? R – Isso. P – Conta um pouquinho. Por onde você foi? Você começou na Replan e depois... R – Tá. Na verdade, nessa área específica de inspeção, eu comecei na Bahia, lá no Pólo Petroquímico de Camaçari, em uma empresa conceituada a nível nacional, quer dizer, a Copene. E me especializei na área. Tive a oportunidade de sair e atuar como autônomo em outras empresas até chegar à Petrobrás pela Replan. De lá para cá, atuei em algumas outras refinarias, tipo na Repar [Refinaria Presidente Getúlio Vargas] também. Sempre em paradas de manutenção. Tive a oportunidade de retornar algumas vezes na Replan, outras paradas. Na Recap [Refinaria Capuava] também. Bom, enfim, até estar aqui, iniciei há 2 anos atrás na P38 e estou ficando aqui já há algum tempo. [riso] Já estou envelhecendo por aqui. P – Tem 2 anos que você está aqui na P38? R – É. Há 2 anos e 4 meses aproximadamente. P – Fala um pouco do teu trabalho. O que é o teu trabalho? R – Tá. Aqui na unidade, eu iniciei na área de inspeção, até que surgiu uma oportunidade para a área de Construção e Montagens. É onde eu atuo hoje como fiscal, fiscalizando a empresa contratada na parte de construção e montagens. Basicamente na área de caldeiraria, tubulações, pintura industrial e montagem de andaime. Tudo que envolve a parte estática, de equipamentos estáticos da unidade. P – Como é a vida de embarcado? R – Olha, eu estou há 2 anos e meio e já digo que estou acostumado, né? [risos] A gente se acostuma. No início, nos primeiros dias, você sente um pouco... aqui, por ser uma unidade, um navio, um FCO [Navio de carga a vapor], a gente sofre um pouco com o balanço. Mas a tendência é você ir se acostumando. Eu diria que já estou um homem do mar, como a galera fala aí. P – [risos] E o que é que vocês fazem aqui na hora de lazer? Na hora que não estão no trabalho? R – Tá. Aí a gente tenta otimizar o tempo. Esse espaço de descanso, interagindo com o grupo. Tem a academia, tem cinema, jogos, na parte externa, tem a piscina. Nesse momento de descanso, a gente tenta aproveitar um pouco essas áreas que a plataforma oferece para a gente. P – E o relacionamento é bom? R – Sim, positivo. É como se fosse uma família, na verdade. Eu lidero uma equipe formada por aproximadamente 22 pessoas. E nas nossas conversas diárias eu sempre coloco para eles que a gente passa a maior parte do tempo aqui. Então é uma família. Não tem como fugir disso. Existem muitas, algumas vezes, discórdias normais do dia a dia que a gente consegue resolver desse lado mesmo, de amigo, de amizade, companheirismo. Eu acho que isso é muito importante para a convivência aqui no mar. P – E você lembra de algum fato marcante, alguma história interessante ou até engraçada que você queira contar para a gente? R – Bom, aqui tem várias. Algumas peças de teatro que rolam e que a gente esporadicamente participa, então a gente foge um pouco da nossa, digamos, tenta mostrar uma parte nossa vida de não trabalho. É bastante interessante. A gente se diverte bastante com isso. Os eventos de finais de ano, Natal. É mais ou menos isso aí. [risos] P – Vocês montaram um grupo de teatro? R – Não, na verdade a gente improvisa algumas situações e contracena com o pessoal de fora que vem, nos ajudam nessa parte aí. E, bom, no final, a coisa sai um pouco improvisada, mas sai bem divertida. P – Mas tem um pessoal que ajuda vocês? Que vem para cá para... R – É, tem. P - ...tipo uma aula. Vocês têm aula de interpretação então? R – Isso. Exatamente. É interessante. P – E o que é que significa para você trabalhar na Petrobrás? R – Na Petrobrás? Bom, a Petrobrás para mim foi que abriu as portas do lado profissional. Trabalhei em outras empresas antes, mas a Petrobrás, pelo próprio know-how da parte técnica, a gente termina adquirindo experiências que nos ajuda bastante profissionalmente. Para mim é tudo. Eu me considero, apesar de não vestir o uniforme Petrobrás, mas me considero Petrobrás no sangue. Você termina se dedicando bastante que você vê o tempo passar e diz: “Pô, quanta coisa boa está acontecendo na minha vida.” Em função de você estar trabalhando em uma empresa que reconhece o trabalho que você executa. É mais ou menos isso. Eu me sinto orgulhoso, estou bastante otimista para o futuro. Bom, enfim, essa segurança que a empresa passa para a gente é muito salutar. P – Tem alguma coisa que você queira falar mais? R – Acrescentar? P – É. R – Não, é agradecer essa oportunidade que vocês estão dando. É importante expressar algumas coisas para as pessoas que vão poder nos ouvir. Enfim, agradecer a essa oportunidade, agradecer a própria empresa e estar de braços abertos para outras oportunidades que possam surgir. P – É, isso. Eu queria, só para finalizar, complementar isso. O que é que você acha dessa iniciativa desse Projeto Memória e de ter participado, ter contribuído para ele? R – Pô, acho bastante importante. Tem muitas coisas que ficam muitas vezes ocultas. Só no cenário interno da empresa. E essa oportunidade abre um leque de informações para pessoas de fora, imagino eu, que têm bastante curiosidade. Nós que trabalhamos aqui, quando temos a oportunidade de estarmos com outras pessoas, somos bastante questionados: “Pô, como é que é aquela vida lá? Como é que vocês, como é isso?” São inúmeros questionamentos que você tenta passar para elas, mas na parte verbal. Eles imaginam. E com essa entrevista, com esse projeto que surge aí, eu acho que você vai mostrar de várias pessoas, vários ângulos, várias ideias, vai ter um leque de informações bastante importante para pessoas que têm certa curiosidade em saber como é a vida nossa por aqui. P – Tá bom, Irmar. Então a gente agradece aí a contribuição. R – Ok e obrigado mais uma vez.
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