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História

Um executivo de informática meio pé vermelho

História de: Alberto Neves da Silva Filho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/07/2020

Sinopse

Infância e adolescência em Vila Campesina. Inicia carreira aos 14, sonho de 9 entre 10 amigos. Integra, na Fundação Bradesco, primeira turma de informática reconhecida pelo MEC. Princípios dali levados a outras empresas e à vida. Visão da informática para análise do todo, une dados e pessoas. Diferencial. Valoriza trabalho e formação. Falta do espiritual. Pesca. Sítio. Família. Motocicleta. Surfe.

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História completa

P1 – Alberto, nós vamos começar pedindo pra você nos falar o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

 

R – O meu nome é Alberto Neves da Silva Filho. Eu nasci em São Paulo, 7 de junho de 1952.

 

P1 – E o nome dos seus pais?

 

R – Alberto Neves da Silva, Rosa Padilha Neves da Silva. 

 

P1 – Onde eles nasceram?

 

R – O meu pai, no interior da Bahia, e minha mãe na Espanha. 

 

P1 – E a atividade deles?

 

R – Meu pai foi funcionário público, minha mãe do lar, e nós vivíamos aqui ao lado da Cidade de Deus, na Vila Campesina. 

 

P1 – Você lembra dos seus avós paternos e maternos?

 

R – Não, muito pouco. A minha avó materna, sim. Ela, só a título de curiosidade, morreu com 104 anos, ia todos os dias à missa e não aprendeu a falar o português, ela falava sempre no castelhano, que era __________, no sul da Espanha. Bom, esqueci o nome, deu um branco, eu volto a falar daqui a pouco. 

 

P1 – E irmãos, você tem irmãos?

 

R – Dois irmãos, Gilberto e Celso. Os dois também fizeram o Colégio Bradesco, ginásio lá. 

 

P1 – E a sua infância, o que você lembra, assim? A casa onde você morava, você lembra?

 

R – Sim. Nós mudamos pra cá em 1953, na Vila Campesina aqui ao lado da Cidade de Deus. E as pessoas que viviam aqui em Osasco, na Vila Campesina, na Vila Iara, nessa região, todos eles, adolescentes ou jovens, tinham como objetivo trabalhar no banco, que era um objetivo de todos. Então os jovens se perguntavam: “Quando eu fizer 14 anos eu vou trabalhar no banco, vou ver se consigo um emprego lá”, e tal. E Deus foi grande conosco e deu a oportunidade de vir trabalhar no banco quando eu tinha 14 anos, fiz o curso de datilografia no prédio azul e comecei a trabalhar como contínuo no banco. 

 

P1 – E um pouco antes, assim? Na sua infância, o que é que você lembra?

 

R – Na minha infância, eu lembro de jogar futebol. Eu lembro, a gente chamava jogo contra, entre a Vila Campesina e aqui o pessoal da Cidade de Deus. Nós pulávamos o muro da Vila Campesina pra cá pra jogar naquela quadra, uma quadra antiga que tinha ali onde tem a estátua ali de Jesus Cristo, não sei se existe ainda, com os braços abertos. Então essa estátua ali, ali tinha uma quadra e nós pulávamos o muro e jogávamos futebol contra. Isso era a nossa infância, jogava bolinha de gude, rodava pião, e nós brigávamos também com o pessoal da Cidade de Deus. Então, aquelas ruas lá não eram asfaltadas, tá certo? Em compensação nós éramos mais hábeis em jogar bolinha de gude, porque a gente fazia bolinha de gude, jogava não no asfalto, jogava na terra, tá certo? Jogava cajado, taco, não sei se vocês recordam disso. O pessoal da Cidade de Deus era mais fraco nesse aspecto, porque era muito, tinha asfalto, aqui era muito bem jardinado tal e nós éramos mais tranqüilos nesse ponto que a gente tinha habilidade melhor. E no futebol a gente mais ou menos empatava, eles tinham aqui um campo de futebol aqui embaixo. Não tinha esse prédio novo e tal, e tinha a quadra lá em cima. Então a gente se encontrava e jogava futebol. De maneira geral foi isso. Vivi praticamente a minha adolescência, a minha  infância, ali na Vila Campesina. Eu estudava num colégio...

 

P1 – Você lembra da casa?

 

R – Lembro perfeitamente. 

 

P1 – Como era? Conta pra gente.

 

R – Eu tenho a fotografia da casa, eu vou mandar pra você, que saiu numa entrevista que eu dei, e foi até uma surpresa que eu não sabia dessas fotos. E o pessoal foi na casa da minha mãe aqui, que a minha mãe era a moradora mais antiga da Vila Campesina, mora sozinha na Rua João Teixeira Machado, 86. E a casa, a característica dela, ela não mudou muito. 

 

P1 – É a mesma casa da tua infância?

 

R – É a mesma casa da minha infância. Basicamente só as cores mudaram, mas o telhado continua o mesmo, tudo continuou o mesmo. E o meu pai comprou essa casa financiado pela Companhia City naquela época. Eu, quando posso, venho visitar a minha mãe. Ela mora sozinha, e eu, às vezes eu mato saudades andando mesmo, fazendo o mesmo trajeto a pé que eu fazia pra ir pra escola. E me lembro muito bem que tinha um riozinho aqui embaixo, tem até hoje aqui esse rio que passa ali pela prefeitura aqui de Osasco. Mas um pouco antes tinha uma escola de madeira que chamava Grupo Escolar Rodrigues Alves, e meu pai, com uma outra pessoa que morava bem ao lado do muro da Cidade de Deus, Sr. Benedito, um negro que trabalhava no Frigorífico Wilson lá em cima na Vila Iara, uma pessoa maravilhosa, fez com o meu pai uma ponte pra que nós passássemos o riozinho. A gente economizava pelo menos uns 30 minutos, porque nós íamos a pé. Então nós descíamos do lado do muro da Cidade de Deus, passava aqui atrás, aqui embaixo. E nós descíamos, atravessava o riozinho e ia pra Cidade de Deus, ia pro colégio, esse grupo escolar. Depois o grupo escolar, o estado fez ali ao lado mesmo, na Vila Campesina, um grupo escolar de alvenaria, e lá eu terminei o meu primário. 

 

P1 – E aí você comentou que as ruas eram de terra?

 

R – É. 

 

P1 – E a cidade Osasco, o que você lembra dessa primeira fase da sua infância? Como era?

 

R – Bom, daí o que eu fiz? Daí eu terminei o primário e fui estudar em Osasco. Então eu me lembro dos papa-filas, que eram os ônibus grandes que transportavam as pessoas pra Osasco e pra São Paulo, e normalmente nós pegávamos esse ônibus e nós íamos estudar em Osasco, no centro de Osasco. No centro de Osasco, eu comecei, fiz admissão no Duque de Caxias, que era um colégio, e depois fui estudar num colégio estadual chamado Cenearte. E nessa época, uma coisa que me impressionou muito foi a Revolução de 64 [Golpe de Estado no Brasil em 1964]. Nesse período eu comecei a trabalhar no Bradesco e comecei a estudar à noite, já no colegial. Então, esse movimento, de certa forma todos os adolescentes daquela época tiveram uma certa absorção de alguns conceitos por causa da revolução, por que diretas, por que democracia, por que todas essas coisas. Mas eu acho que confundiu demais as nossas cabeças também, que a gente não tinha muito claro, que de certa forma também os meios de comunicação não eram muito claros, uma porque não era permitido, outra porque era orientado. Então, a gente não tinha mais ou menos uma ideia formada sobre o porquê da Revolução de 64. E uma outra coisa que impressionou também, trabalhando no banco, uma das vezes eu assisti uma pessoa que possivelmente era o Capitão Carlos Lamarca, que foi um revolucionário, dando aula aos caixas do Bradesco, aula de tiro, porque naquela época tinha muitos assaltos de banco. E qual foi a minha surpresa, que depois de alguns anos ele se tornou revolucionário e parece que desviou um caminhão de armas, de armamento, aqui nos quartéis aqui da região de Osasco. Isso impressionou bastante também todos nós, os adolescentes daquela época, porque aqui tinha vários quartéis, ________ Infantaria, Artilharia e tal. Então era uma cidade também que a gente poderia chamar cidade de militares também, Quitaúna. E daí surgiu a Jovem Guarda. E nós tínhamos um ponto de encontro que chamava Galeria Fuad Auada, que passava da Primitiva Vianco à Rua Antônio Agú, lá no centro de Osasco, que era o ponto das pessoas se encontrarem ali. E a gente circulava ali, aquela época do Roberto Carlos e dos Beatles, dos  Rolling Stones, e a gente tinha vontade de usar cabelo comprido. Alguns amigos, colegas, eles tinham cabelos compridos, mas eu não podia porque eu trabalhava no Bradesco e o Bradesco não permitia que nós usássemos cabelo comprido, tampouco costeleta ou um bigode que descia assim tipo mexicano pra baixo, não podia. E naquela ocasião tinha um guarda aqui que era muito famoso, chamava Bandeira. Inclusive os filhos dele, eu matei saudades também conversando com eles, falando sobre o pai deles e tal. E ele ficava aqui na porta desse prédio, e ele era o sujeito que media o cabelo das pessoas, e se você tivesse cabelo comprido você voltava pra casa e você perdia o dia. 

O Bradesco é o seguinte, era permitido entrar até seis minutos após o horário. Eu digo o seguinte, nós trabalhávamos das sete da manhã, um período, se nós chegássemos lá às 7:06, tudo bem. 7:07 voltava pra casa. Não era nem necessário o chefe falar: “Olha, volte pra casa”, todos nós sabíamos que tinha que voltar pra casa. Então isso veio acontecendo, e a gente trabalhou na Cidade de Deus. E sem dúvida nenhuma eu devo ao Bradesco, a algumas pessoas do Bradesco, ao Sr. Aguiar, ao pessoal da Fundação Bradesco, principalmente à Fundação Bradesco, aos professores da Fundação Bradesco. Porque naquela época nós éramos adolescentes, de certa forma, não vou dizer rebeldes, mas estava brotando dentro da gente algumas ideias em função do que a gente aprendeu nessa situação de Jovem Guarda, da Revolução de 64, essa liberdade, aquela psicodélica, um evento que aconteceu, Woodstock, que era um evento de rock, essas coisas todas. E o Bradesco era muito, vou usar o vocabulário, muito conservador, e isso chocava muito a gente. Então a gente buscava alternativas pra também ter o mesmo valor, entre aspas, pras garotas que nós queríamos namorar, com aqueles rapazes que usavam cabelos compridos. Então o que é que nós fazíamos? Nós tínhamos o nosso dinheiro também, e eles, alguns trabalhavam, outros não. Então nós tínhamos um poder diferencial. Qual que era? Era a oportunidade de trabalhar aqui, ganhar o seu próprio dinheiro, aprender, isso foi extremamente importante, estudar aqui no Colégio Bradesco. E com isso você também se vestia melhor. Então eu estou pensando, porque é o seguinte. Tem uma pessoa que trabalha comigo, fala: “Homem de gravata eu respeito”. Quer dizer, eu acho que, sem dúvida nenhuma, a aparência é uma coisa extremamente importante. Mas vai de encontro ao que o meu pai sempre me disse: “O tempo nos mostra quem somos”, sem dúvida nenhuma. Mas, naquela época, nós comprávamos roupa aqui na Cidade de Deus. Nós tínhamos uma cooperativa de consumo, nós tínhamos um dinheiro circulante, nós chamávamos de dinheiro baiano. Então a gente poderia comprar sapatos bons, tá certo?

 

P1 – Por que baiano?

 

R – Era uma expressão. Então era cédula, era um dinheiro. E tinha os trocos, tinha cooperativa de consumo também. Inclusive, na cooperativa de consumo o Mauro Mariano, que é o tio da Isabel, que é Isabel a minha esposa, que também fez Fundação Bradesco, que também fez Colégio Bradesco, que sentou comigo, ao meu lado. Se não fosse ela também, não fosse os professores, eu tinha desistido, que a minha cabeça estava a milhão, porque eu queria sair, eu queria desafios, eu queria sair pro mundo, entendeu? E daí eu acho que esse balanço me fez com que eu fosse mais parcimonioso e ficasse. E, por ter ficado, eu acho que eu atingi o sucesso. Se me perguntarem hoje: “O que é que você quer mais?”, eu quero me preocupar mais com o meu lado espiritual, é isso que eu quero. 

 

P1 – Alberto, vamos voltar um pouquinho. 

 

R – Tá bom. 

 

P1 – Então, você tinha contado da infância, quando você começou a estudar. Você tem, assim, alguma lembrança marcante do teu período de infância?

 

R – Bom, coisa marcante. Eu lembrei agora uma coisa marcante, carrinho de rolimã. A gente fazia competição de carrinhos de rolimã, e sempre nós nos machucávamos com esse tipo de atividade. A infância foi basicamente muito simples. Eu posso dizer o seguinte, que foi uma infância extremamente simples, mas nunca nos faltou nada, e a educação foi primordial pra isso, e a influência do banco foi extremamente importante também, da fundação, do banco e tal. 

 

P1 – Então você estudou naquele primeiro colégio, que foi aquele que o seu pai fez a ponte, não é?

 

R – É, exato. Depois eu fui pra Osasco.

 

P1 – Ali você estudou até...

 

R – Eu fiz o primário. 

 

P1 – Fez o primário?

 

R – É. 

 

P1 – E aí, desse colégio você tem, assim, algum professor que te marcou, alguma lembrança mais marcante?

 

R – Não, no ginásio já me marcou mais. 

 

P1 – Você lembra assim de alguma coisa desse primário, como era, a dinâmica?

 

R – Uma coisa que me marcou, me veio agora na cabeça, foi a primeira comunhão eu fiz no próprio colégio, porque existiam os capuchinhos, que se vestem como São Francisco, e eles fizeram a primeira comunhão, eles andavam muito nessa região aqui. E então aquilo me marcou porque eu fiz a minha primeira comunhão lá, e era um pouquinho pecador, pecador naquele sentido de matar passarinho, de brigar, de jogar futebol, todas essas coisas assim, que eu acho que hoje o mundo mudou, mudou mesmo, eu tenho certeza disso. Mas aí o ginásio me marcou mais porque eu gostava de jogar futebol, e nós gostávamos muito de esporte. Tinha um professor de Educação Física, professor Wilson, era uma pessoa muito interessante, que me marcou bastante.

 

P1 – E depois do ginásio então que você veio pra Fundação Bradesco?

 

R – É, exatamente. Eu fiz o Colégio Técnico em Processamento de Dados, foi a primeira turma que nós fizemos. Primeiro nós fizemos um teste, pode chamar um teste vocacional. Eu achava que não tinha vocação, não. 

 

P1 – Pra informática?

 

R – É. 

 

P1 – Você tinha quantos anos nessa época?

 

R – Eu tinha 17. 

 

P1 – Aí você passou no exame?

 

R – É.

 

P1 – Como é que foi? Você lembra como é que foi o exame?

 

R – Foi um teste… É o seguinte, eu sempre fui um dos últimos da classe. Nunca era o ultimão, mas eu sempre ficava na rabeira. Tem um fato interessante que aconteceu, e a minha esposa estudava comigo também, ela me ajudava a fazer uns trabalhos de casa, entendeu? Você sabe, tinha namorada e tal, então a namorada fazia uma parte substancial, né? E eu casei muito jovem também, casei com 21 anos, estou casado até hoje, não quero trocar de mulher, não. Estou satisfeito e acho que ela também está satisfeita comigo, bola pra frente. Mas o Colégio Bradesco, o que me marcou no ginásio foram as músicas, era você querer cabelo comprido e não podia. Daí, aqui no Colégio Bradesco era uma, não um regime, mas existiam algumas regras pra serem cumpridas, e a gente cumpria na medida do possível. Daí eu comecei a usar cabelo comprido e tinha uma peruca curta por cima. Fiquei um certo tempo, porque daí eu comecei na área de informática, fui aproveitado na área de informática, que naquela época era cérebro eletrônico, não era a área de tecnologia. E depois fomos descobertos, tal, e daí todo mundo tirou as perucas, teve que cortar os cabelos e tal, papapá. Era uma peruca curta em cima do cabelo comprido. 

 

P1 – Como é que foi essa descoberta?

 

R – Essa descoberta é o seguinte. Os caras de informática trabalhavam, tinha ar condicionado, e as outras áreas não tinham ar condicionado. O problema é que isso se expandiu underground no banco e o pessoal da contabilidade do banco começou a usar também. Pô, aquele puta calor, um verão pesado, com peruca, imagina aquela peruca de plástico, de nylon, descobriram, que o sujeito suava feito não sei o quê. Então daí veio aquela ordem forte, que todo mundo ficou com medo de perder o emprego. Então o gostoso era sexta-feira, que eu ficava um pouco estressado, que a área de informática era extremamente estressada. Eu me lembro que sexta-feira tinha Pianos ao cair da tarde na Rádio Eldorado. Então você entrava, eu entrava no meu fusquinha, ligava e tirava a peruca. Isso era um prazer substancial, um negócio incrível, então, puta, de liberdade, de ir pra casa ouvindo uma música e tal. E sexta-feira é o grande dia. Bom...

 

P1 – Roberto, deixa eu só fazer aqui um aparte. Então você começou primeiro a trabalhar no Bradesco antes de estudar?

 

R – Sim, claro.

 

P1 – Então você já tinha uma ideia da fundação? O que é que você achava da fundação antes de começar?

 

R – A fundação, o meu pai, quem arrumou emprego pra mim aqui no banco foi o Sr. Antônio Brandão, era irmão do Lázaro Brandão. Diziam, naquela época, o irmão pobre. E essas pessoa morava do lado da associação ali, numa casinha, nuns sobradinhos lá da Associação Bradesco, não sei qual que é o nome agora, tinha uma piscina e o Cristo ali do lado. Eles moravam ali. E foi ele que me arrumou emprego. Inclusive eu lembro da mulher dele, acho que é Dona Telma, me parece. Bom, mas muitos anos, quantos anos faz que eu não encontro com eles. E foi ele que me arrumou o emprego. E daí a Fundação Bradesco, ele olhava a fundação. O meu pai sempre falava da Fundação Bradesco. O meu pai lia, eu me lembro que o meu pai lia o Diário da Noite. O meu pai sempre gostou de ler, lia o Diário da Noite e o Diário de São Paulo, me parece, e que tinha uma pessoa que escrevia alguns artigos. O meu pai era fã de Assis Chateaubriand, e tinha uma certa relação da Fundação Bradesco, e tem, com Assis Chateaubriand. O meu pai dizia: “Puxa, uma oportunidade, se puder. Pô, você podia estudar na Fundação Bradesco ou trabalhar na Fundação Bradesco”. O meu pai queria que eu fosse pro lado acadêmico. E isso eu olhava a Fundação Bradesco como uma coisa muito interessante, e também eu percebia o lado que hoje a gente chama de Terceiro Setor, da própria Fundação Bradesco. Mas como nós éramos jovens, a gente não dava muito valor pra isso, então isso passava despercebido. E a Fundação Bradesco foi exatamente um marco pra gente. Todas as pessoas que trabalhavam no Bradesco e depois perceberam que a Fundação Bradesco fazia a diferença em função que você pudesse trabalhar aqui e estudar lá, e nós não pagávamos, e nós poderíamos ser aproveitados na área de informática, que era uma coisa que todo mundo queria. Pô, você era Analista de Sistemas, você não queira saber o orgulho que dava em falar: “Oh, trabalho com computador”. Hoje não, porque está pulverizado tudo isso. Sempre trabalhei com informática, tal. Mas era uma coisa muito interessante, e o Bradesco foi um dos precursores em tecnologia. E hoje eu me sinto bastante realizado nesse ponto, porque eu digo a algumas pessoas e tal, falo: “Puxa, eu fiz Fundação Bradesco, comecei no Bradesco. Foi a primeira turma a ser reconhecida pelo MEC como Programadores de Computadores”. E, depois de reconhecido, me parece que houve uma mudança na lei e só nós, só essa primeira turma tem esse reconhecimento. Então tudo isso foi importante na Fundação Bradesco. 

 

P1 – O que mais você lembra do dia a dia da escola?

 

R – Eu me lembro de uma coisa interessante. O meu apelido é Rato. Por que Rato? Um dia eu estava meio com fome, e a Fundação Bradesco dava lanches, lanchinhos. E naquela noite tinha sanduíche de queijo, e eu gosto muito de queijo. Eu pegava o queijo, peguei o queijo, e jogava o pãozinho fora. Então eu comi seis sanduíches e joguei todos os pãezinhos fora. Seis sanduíches vezes dois pedaços, seis pedaços, seis sanduíches são 12 pedaços. E a nossa lixeira lá na Fundação Bradesco era uma lixeira vazada, de arame. E naquele momento cruzou o pátio a Dona Cleide, que era a diretora do colégio, e olhou e viu os sanduíches lá, os pães sem o queijo, eu tinha comido os queijos. Puta. “Quem foi o rato que comeu e jogou os pãezinhos fora?”. Pô. E a gente ficou ali, tudo bem, não deu nada. Tocou o sinal, voltamos pra sala de aula. Daqui a pouco ela vai na sala de aula. Ah, nós éramos uma única turma à noite, que eu estudava à noite. Tinha uma única turma à noite, e uma turma de manhã com seis pessoas, e à noite eram 15 pessoas. No segundo ano a turma da manhã, mais ou menos seis a dez pessoas, se juntou com a turma dos 15 à noite, daí se tornou uma sala de aula maior. Então nós tínhamos uma única turma naquela ocasião. E daí ela disse o seguinte: “Olha, quem não se apresentar, o rato que não se apresentar, aí nós vamos suspender acho que três dias ou uma semana, uma semana, sei lá, toda a classe”. Cada um olhou pro outro, e o pessoal sabia que eu era chegadinho num queijo. E daí eu falei: “Bom, o pior é que...”. Levantei, né? Aí a Dona Cleide falou: “Então o senhor é o Sr. Rato”. Então, a partir dali, todo mundo começou a me chamar de Rato. Mas em compensação também levei três dias de suspensão. Isso foi uma coisa muito interessante. As pessoas também que me marcaram no Colégio Bradesco foi Geraldo Carielo, que foi sobrinho de um dos diretores da Fundação Bradesco. Mas naquela época o Geraldo foi amigo mesmo, de nós irmos em bailinho juntos. Eu namorava a Isabel, que é a minha atual esposa, que é minha atual sempre esposa, e ele namorava uma outra pessoa. E ele veio a falecer, teve um problema de leucemia. Isso marcou muito o nosso grupo. 

 

P1 – Ele era seu colega _____

 

R – Meu colega e amigo. O nome dele era Geraldo Carielo. Uma outra pessoa também que me deixou assim muito triste, nós perdemos também, foi Silas. Não sei o sobrenome dele. Bom, ele morreu num acidente de automóvel também. Naquela época nós estávamos já todos nós querendo tirar Carta de automóvel. Então isso, de certa forma, nos deixou muito chateados. Então tudo isso veio acontecendo, marcando as pessoas e marcando a comunidade, essa faixa etária. E tinha algumas coisas que aconteciam também aqui na Cidade de Deus que era importante também, que eram os bailinhos, as domingueiras dançantes que tinham ali na associação. Estava saindo de uma fase de Ray Conniff para Jovem Guarda, e era no domingo à tarde que nós dançávamos. Daí começou California Dreamin’ com The Mamas and The Papas, não sei se é da época de vocês, Monday, Monday. E tinha os bailes do Havaí que era feito aqui na piscina do Bradesco, aqui embaixo, essa piscinona. E essa piscina as pessoas frequentavam, não era enfeite. Hoje me parece que é um pouco enfeite, mas naquela época não era. Nós freqüentávamos a piscina, tínhamos os bailes do Havaí com o Super Som T.A. Tinha um cara que chamava Nilo, que era o crooner. Todo mundo esperava. Inclusive eu tenho fotos, depois eu vou mandar pra vocês, camisa florida, calça branca. Puxa vida, foi uma época maravilhosa. Jogos de futebol não era enfeite também. Nós tínhamos jogos de futebol durante o decorrer do ano entre seções, departamentos uniformizados, todos eles com Juiz. Evidentemente sempre saia algumas coisinhas aí, algumas briguinhas, que futebol é futebol. E isso dava, de certa forma, uma integração com as pessoas, Nova Central, Central. Então, pessoas do interior tinham os seus times e tal. Então gerava uma certa integração. Dias de Ação de Graça, que era um dia que marcava muito a gente, era feito aqui no campão, aqui nesse campo de futebol. 

 

P1 – E você chegou a participar como aluno da Fundação no dia da Ação de Graça?

 

R – Não, não, não cheguei, mas como funcionário eu sempre procurei participar. 

 

P1 – Então, e do tempo lá da Fundação, você tinha uma turma? Como era, vocês chegaram a formar uma turma unida, que saía?

 

R – Sim. Bom, naquela ocasião nós tínhamos uma pessoa que chama-se Severino Honório (Taora?). Severino é uma pessoa muito humilde, origem semelhante à minha, é um pernambucano de Garanhuns, cidade do Lula. E ele trabalha comigo há 35 anos, sempre é o meu braço. Aonde que eu vou ele está sempre ao meu lado, porque é o seguinte, eu acho que quando um dorme o outro tem que ficar acordado, ninguém é bom em tudo. E ele trabalhava na Administração do banco. A Administração era frota de automóveis. Ah, outra coisa. O banco também servia gasolina pras pessoas que trabalhavam aqui, e a gente faturava no nosso pagamento, subtraía. Era um débito automático na folha de pagamento. Imagine só, você com um dinheirinho baiano aqui, com gasolina, que era um negócio extremamente enrolado.

 

P1 – Tinha um posto aqui dentro?

 

R – Tinha um posto. Você abastecia ali atrás. Ah, outra coisa. A minha filha, Fernanda, que hoje tem 30 anos e é casada, ela nasceu aqui no hospital. Ela foi a quinta criança a nascer aqui. Então...

 

P1 – Na Gastroclínica?

 

R – Não, no hospitalzinho aqui dentro mesmo. 

 

P1 – Aqui dentro da Cidade de Deus?

 

R – Aqui dentro da Cidade de Deus. Então, veja só. Então as pessoas, os amigos, o colégio, o trabalho, essa facilidade, a integração que era extremamente importante naquela ocasião. Eu acho que o grupo era até maior, porque houve uma época que o banco, eu acho que o banco ficou com 70 mil funcionários, não sei. Mas, naquela época, nós éramos menos, e hoje possivelmente é a mesma quantidade de funcionários, com essa tecnologia, modernização e automação. Eu acho que naquela época nós éramos bastante unidos. Nós nos conhecíamos. Então a informação era cheiada (?), era compartilhada. E isso é extremamente importante, nós sabíamos o que estava acontecendo. Nós vimos o Sr. Aguiar entrar, sair. Na época do Sr. Mário Aguiar, eles tinham uns carros maravilhosos, que eram Galaxy. E eu tive a oportunidade de ver algumas coisas do Sr. Aguiar que também me marcou bastante. E, sei lá, a retórica está meio fugida, estou indo mais pro lado do banco. Mas voltando pro lado da Fundação, a Fundação era lá naquele canto, ali perto da Viária (?). E nós nos encontrávamos, tínhamos todo um grupo, nós nos vemos até hoje, algumas pessoas. 

 

P1 – Ainda têm contato?

 

R – Contato. Na primeira turma, a primeira turma é a primeira turma, tá certo? E isso é uma coisa que a gente guarda como lembrança, como uma coisa muito boa. 

 

P1 – E a formatura? Vocês fizeram uma festa de formatura?

 

R – A formatura foi o seguinte. Nós tivemos um problema na formatura. Eu lembrei de uma coisa agora, vou falar de formatura, mas tem uma pessoa que pra nós, pra todos os formandos da primeira turma, eu tenho certeza que foi uma pessoa que marcou demais a gente. O nome do professor chama-se Claude (?), ele era professor de inglês. E ele trazia aquelas músicas naquele toca-fita antigão, que naquela época era um pacotão assim, e tocava as músicas do Beatles, Imagine e papapá. E nós tínhamos que ouvir a música, escrever e depois procurar traduzir. Então, música é uma coisa que emociona, é uma coisa que leva as pessoas pra um ponto, por um único ponto, que é sentimento, que é emoção. E isso, nessa turma do Bradesco, o Claude (?) foi uma pessoa muito importante, muito importante pra nós naquela época. E a minha cunhada, Tereza Cristina, ela também, naquele negócio nosso de já irmos aos 18 anos tirar “carta de motorista”, ela comprou um carro, e ela sofreu um acidente gravíssimo. Pra você ter uma ideia, ela ficou praticamente um ano na Gastroclínica, na cama. Ela se salvou por milagre. E foi a época da formatura.

 

P1 – Ela estudava com vocês?

 

R – Na mesma classe. Estudava a Isabel minha esposa e a Tereza, a minha cunhada, na mesma classe. Ah, outra coisa, as duas irmãs, a Isabel e a Tereza, trabalhavam na digitação do banco, perfurava cartão e fazia _____ aqui. E naquela época o chefe era o Milton Charaba, que era o responsável por tudo isso. Então, veja só, essas pessoas, com a música, os professores eram, não eram professores, eram nossos amigos. O relacionamento era franco, transparente. A diretora era uma pessoa extremamente enérgica, mas humilde. Eu me lembro quando a Dona Cleide chegou. Ela veio de uma cidade do interior, ela e uma outra pessoa, que é uma outra professora, eu não me lembro o nome, mas poderia me lembrar. Ela veio com uma mala, sabe aquelas malas marrom, do tipo do interior de São Paulo? Eu, naquela tarde, no início da noite, eu cheguei mais cedo na Fundação, já estava estudando lá, e ela chegou, ela chegou com essa mala. Eu percebi, naquele momento, que era uma pessoa de origem humilde e vinha vindo do interior de São Paulo, eu não sei se era Santa Rita do Passa Quatro naquela ocasião. Então, diante disso, diante de um ambiente transparente e claro, de regras rígidas, essa juventude toda, imagine como é que nós nos comportávamos. Era uma coisa complicada, complicada mesmo. Possivelmente não é a mesma coisa que aconteceu com as turmas posteriores, porque quando brotou isso, brotou exatamente nessa primeira turma, e na segunda turma possivelmente, do Colégio Bradesco. Então você pensava: “Como é que eu vou sair do banco? Pra onde que eu vou? O que é que eu vou fazer?”. E nós, eu principalmente, sempre fui um sujeito que gostei de desafios. Então foi por aí também que eu saí do banco, em 1976 possivelmente, foi em 1976. 

 

P1 – Você esqueceu de voltar pra formatura.

 

R – A formatura nós não participamos. Por quê? Porque a Tereza sofreu um acidente e ela estava hospitalizada. Então eu e a Isabel, nós não fomos à formatura. Eu tenho inclusive o convite da formatura onde o paraninfo foi o Sr. Aguiar. O Sr. Aguiar foi um dia na fundação e eu fui, inclusive, cumprimentá-lo e agradecer a ele pelo apoio que ele deu pra gente, porque, poxa vida, naquela ocasião todo mundo queria fazer curso de Processamento de Dados, de Computação, de Programação de Computadores, e o Bradesco estava dando isso pra gente, a gente não poderia perder essa oportunidade. E a gente conseguiu se formar, isso foi muito bom. 

 

P1 – Você já falou que começou a trabalhar no Bradesco, foi teu primeiro emprego, não é isso? Mas você lembra assim quando você começou a trabalhar, do primeiro dia? O que aconteceu? Qual foi tua sensação?

 

R – O primeiro dia foi difícil. Por quê? Porque eu não tinha roupa. O que é que eu usava? Shorts ou tênis Sete Vidas ou Bamba, não sei se é da época de vocês. E imagine só, a minha mãe teve que comprar uma calça de tergal nas Casas Pernambucanas pra eu vir trabalhar, e era calça comprida porque, com 14 anos... Naquela época, hoje todo mundo usa calça comprida, mas naquela época nós usávamos uma coisa um pouco diferente. E naquela época também mulher não usava calça comprida, e naquela época não era permitido trabalhar de calça comprida no banco, sabia? Aí minha camisa estampada. Então o que eu me lembro? Eu me lembro que eu tive que colocar uma calça um pouco larga, e que eu colocava a mão no bolso pra calça não cair. 

 

P1 – Você andava com a mão no bolso?

 

R – Claro, com uma mão pelo menos. Se eu colocasse as duas pra fora, vinha no joelho a calça. Eu era magrinho e tal. Mas depois fui engordando fácil, fácil. A idade foi passando e agora eu estou engordando dos lados, estou crescendo dos lados.

 

P1 – Por que a calça mais larga?

 

R – Naquela época não tinha medida, era nos olhos assim. A minha mãe foi comprar, tal. Meu primeiro salário, comprei o quê? Comprei uma calça tremendão. Você sabe o que é que é um tremendão? Erasmo Carlos. E uma botinha de salto carrapeta. O que é que... Pô, você tinha o seu dinheiro. Isso era importante pra gente. Pra pessoa que olhava do lado de lá e via um prédio azul, praticamente. Depois vinha ao domingo dançar aqui. E a coisa era meio complicada, porque os meninos que moravam aqui, a gente tirava as meninas pra dançar, eles não gostavam. Putz, era um negócio de comportamento de grupos diferentes. E a gente agora aqui dentro já ficava mais fácil. E foi isso aí, a coisa foi caminhando, caminhando. 

 

P1 – E você fez esse curso de informática, já estava trabalhando aqui, fez o curso de informática. Você tinha ideia antes de trabalhar com informática ou foi por causa do curso, foi isso que te influenciou pra seguir essa carreira? Como foi isso?

 

R – Eu olhava, todos nós olhávamos a informática, a tecnologia como um negócio do futuro, e a informática foi um negócio do futuro, hoje não é mais. Hoje ela faz parte do nosso dia a dia, mas naquela ocasião: “Puxa vida, é um desafio, eu vou ganhar mais, eu vou trabalhar mais, eu vou conhecer mais coisas”. E o que é que eu pensava da informática, sempre pensei? “A informática vai me permitir que eu conheça o negócio e não especificamente a área que eu trabalho”. Essa foi a grande diferença pro sucesso, é você ter usado a informática como um generalista. Quer dizer, eu não queria saber da informática voltada a fazer folha de pagamento, ou ___ mensalista. Eu queria informática olhando o banco ou a empresa que eu trabalhava, como um todo. Eu queria olhar a relação de uma pessoa com a instituição, a instituição com a pessoa. Essa foi a grande diferença da informática. E por isso, e também pelo mesmo estilo de não ser o primeiro da classe. Eu não era o primeiro nem o segundo nem o terceiro nem o quarto, eu era lá o “vintemão”, entendeu? E sempre olhei de uma forma muito mais generalista ao invés de ser um cara... Tinha uma pessoa que trabalhava conosco, estudava conosco, o nome dele era Djalma Milan, não sei se já foi entrevistado por vocês, o apelido dele era CPU. Por que CPU? Porque é a memória do computador, central processing unit. Extremamente inteligente. O cara, não dá pra acreditar. Eu trabalhava já fora do Bradesco, eu trabalhava no Sudameris. Naquela ocasião eu já era vice-presidente, me encontrei na Rua Quinze de Novembro com o Djalma Milan. Estava ao meu lado o Silva, que é o Severino que trabalha comigo há muitos anos. E o Djalma Milan, o Djalma: “Oi, tudo bem? Quanto tempo. Saudades da Fundação Bradesco, que legal. E daí, Rato, tudo bem?”. “Tudo bem” e tal. Daí eu falei: “Djalma, o que é que você faz, Djalma?”, “Uh, eu sou Analista de Sistemas de uma empresa aqui perto, aqui na Rua Direita”, não sei o quê. “Puxa vida, parabéns. Que beleza.”, “E Alberto, o que é que você está fazendo?”. Eu fiquei, eu não quis falar pra ele quem eu era, o que eu fazia, eu falei: “Eu trabalho num banco”. Ele disse pra mim: “É, Alberto, eu sabia. Você não ia dar pra esse negócio mesmo”. Então isso me marcou. Não foi indelicado não, ele foi correto, ele estava correto. Só que eu estava mais correto que ele, porque eu pensei em você usar a informática. Essa visão de usar a informática, essa é a grande jogada, essa foi a grande diferença. Isso me permitiu que eu fosse pra outras companhias e me elevasse rapidamente num patamar de relação com os tomadores de decisão, porque a informática te permite que você tome decisão baseado numa situação de números, porque a informática concilia tudo, ela tem repositório de informações, ela tem... Então eu percebi que esse era o grande diferencial na informática. 

 

P1 – E a faculdade, que faculdade que você fez?

 

R – Eu fiz Amador Aguiar, a faculdade. 

 

P1 – Amador Aguiar, e qual era o curso?

 

R – Curso de Administração de Empresas. E onde que era?

 

P1 – Onde?

 

R – Era a primeira turma na Amador Aguiar era, só tinha uma sala em cima do Correio em Osasco, ali na Avenida Autonomista. 

 

P1 – E você fez assim na sequência?

 

R – Quase na sequência, foi em 1973. Só que tem um detalhe, eu comecei a dar aula à noite também, porque eu me casei com 21 anos e eu precisava ganhar mais dinheiro. E uma outra coisa, o banco, quando eu estava no banco, o banco deu também uma outra oportunidade, que eu esqueci de falar pra vocês, que isso foi extraordinário, que dava a oportunidade de comprar a sua casa pelos empréstimos dessa carteira hipotecária, e eu comprei um apartamentinho, e já não fui pagar aluguel. Eu fui pagar, pagava o meu fusquinha que eu adquiri depois de 25 anos, re-adquiri, e pagava prestação. Eu e Isabel trabalhávamos. Só que as garotas da digitação, quando casavam, o banco mandava embora. Então isso era um procedimento. E um procedimento que me mudou muito aqui no ______, só pra falar pra vocês, um conceito de work and family onde, se você tem um problema com o seu trabalho, é um problema seu. Agora, se você tem um problema com o seu filho ou com o Sr. seu pai, é um problema meu, vamos resolver. Então você trabalha em casa, esse tal de Soho, Small Office Home Office, ou então você trabalha, de certa forma, por objetivos. Então você consegue tratar do seu pai, do seu filho e tal, e continua trabalhando com alta performance, ao invés de chegar lá e ficar lá na empresa com baixa produtividade. Então, e a mulher grávida. E dentro do Royal Bank tinha berçários dentro do prédio. Então você conseguia descer pra tomar um café e ver o seu filho. Então imagine o nível de produtividade que gerava isso. Então, diante de um pequeno problema que o banco gerava eu também procurei vislumbrar outra situação. E tudo isso que eu aprendi aqui dentro também, eu vi o Sr. Aguiar abaixar e pegar um clips. Pô, o cara abaixou pra pegar um clips. Mas naquela época eu critiquei, hoje não. Eu sei porque ele abaixou, porque _____. Então, só pra dar um upside down na situação, deixar de ponta cabeça. Pô, você vê 1964, a revolução, você vê um certo posicionamento da Fundação Bradesco, da formação de grupo de amigos que se reuniam, que ia pros bailinhos, que trabalhava aqui, que era uma situação de sociedade, da vontade de vir trabalhar aqui quando adolescente, e depois sair pro mercado e ir trabalhar num banco que se preocupa com a família, apesar que o Bradesco também se preocupava, que o Bradesco dava hospital, tudo. Isso fez com que eu fizesse e tivesse uma formação que hoje me permite ir pra frente, como eu disse pra vocês aí, em off, aquele assunto que vai acontecer, está acontecendo. Então essa é mais ou menos a situação da minha vida, trabalhar fora praticamente quase dez anos e vir de uma origem simples. E uma coisa, que isso me emocionou bastante, foi no nosso grupo, no grupo que chama-se _____ Empresariais, que eu sou um dos fundadores e que o Omar (?) Cipriano  participa, onde que a gente tem lá, que naquela ocasião era 47% do PIB brasileiro, eu poder agradecer ao Márcio e à Fundação Bradesco pela oportunidade de eu ter feito a Fundação Bradesco, e divulgar isso pra todos que estavam lá. Porque, como a gente estava comentando, eu acho que é bastante importante a Instituição Bradesco dizer um pouco daquilo que ele faz relativo ao Terceiro Setor. A Fundação Bradesco já era, há muito tempo atrás, antes mesmo de iniciar isso nas companhias, o Sr. Aguiar possivelmente já tinha essa ideia, só que ele não usava esse termo Terceiro Setor, mas já existia esse lado. Olhem só, na minha vida campesina, no bico do banco, ali daquele terreno do banco, o que é que o Sr. Aguiar fez? Ele fez isso pra nós moradores ali, pro meu pai, pra minha mãe, pra todos que moravam ali. O banco doou aquele bico pra nós fazermos uma Igreja Católica. Então, pô, imagine só. Então ele ajudava a comunidade também ali. Então ele preservava, ele respeitava as opiniões das pessoas, o lado religioso, mas ele também determinava alguns padrões que ele achava como correto aqui, e nós tínhamos que obedecer. E a Fundação Bradesco foi aquilo que nos levou a um patamar muito mais abrangente. 

 

P1 – Então, dentro dessa linha aí que você falou, que ele tinha algumas regras, você estava contando que quando a mulher casava ela era demitida. A sua esposa foi demitida?

 

R – Foi demitida. 

 

P2 – Era digitadora, né?

 

R – Era digitadora, no DAD?

 

P1 – Só digitadora que era demitida?

 

R – Porque naquela época não tinha on-line, naquela época você tinha que digitar tudo, fazer, era um chamado Beth _____. Fazia fitas ou cartuchos, o cartão perfurado, e depois mandava pra área de informática. Então tinha uma quantidade enorme de digitadoras aqui, no segundo andar, não sei _____, mas imenso, uma quantidade enorme de pessoas digitando. E sem dúvida eu acho que, em função da, precisava ter uma certa rotatividade. E uma outra coisa, você percebe que digitar e fazer as coisas, as pessoas mais jovens são mais hábeis. E a pessoa, depois que casa e tem os seus filhos, ela vai ficando, sem dúvida nenhuma, isso é a lei da natureza, ficando menos hábil, porém mais hábil, habilidade, em outros segmentos. Então é um processo normal, eu entendo isso como normal. E ela saiu, foi mandada embora. 

 

P1 – E aí você foi dar aula?

 

R – Aí eu fui dar aula, tive que me virar. 

 

P2 – Eu queria fazer uma pergunta. Por que você criticou no Sr. Amador Aguiar quando ele pegou um clipe do chão?

 

R – Não critiquei. 

 

P2 – Não?

 

R – Não. Eu vi ele abaixando pra pegar um clipe no chão. Isso aí eu sempre falo, inclusive no Grupo Lídima eu já disse esse tipo de coisa, em algumas entrevistas, na Forbes também tem isso, que eu falo: “Foi um dos maiores exemplos da minha vida”. Duas coisas foram os maiores exemplos da minha vida. Primeiro foi o meu pai. É o seguinte, possivelmente foi da época de vocês, ótimo, na época dele possivelmente não. Naquela época colocava-se meia sola no sapato. Meu pai comprou um sapato e trouxe pra casa um sapato, nas Lojas Clark, e eu cobiçava a lingueta do sapato dele, do velho. Pra quê? Pra fazer um estilingue, que é onde colocava a pedra, sabe? Eu fui e cortei a lingueta do sapato. Pô, eu não sabia que ele ia colocar meia sola no sapato. Não é porque ele tinha um novo que ele tinha descartado aquele sapato. Quando o meu pai, no sábado, pegou pra levar ao sapateiro, aqui na entrada da Cidade de Deus, ali em cima, viu o sapato sem a lingueta, uma lingueta, ele ficou puto: “Puta, cortaram o meu sapato”. Direto: “Robertinho, vem aqui”. Daí eu fui, falei: “Agora eu vou apanhar”. Ele falou: “Pô, não é assim, cara. Pô, a gente precisa economizar. O pai comprou esse sapato, mas imagine só dia de chuva. Eu não posso usar o mesmo sapato se eu tomo chuva”. O meu pai não tinha carro, naquela época era difícil, tinha que andar da Vila Campesina até a avenida lá em cima pra pegar o ônibus _____. E quando chovia o bicho era feio porque não tinha asfalto. Então esse sapato era um backup dele, e eu cortei o sapato tudo do meu pai. Não tinha mais jeito, né? E era difícil comprar um sapato. Eu não apanhei, mas ele me fez pensar isso. E o segundo foi exatamente o Sr. Aguiar, que foi uma relação muito próximo de economia, de ser austero, parcimonioso nas suas despesas. E o que eu procuro passar pros meus filhos até hoje, porque se você deixar os caras querem Nike isso, Nike aquilo, Nike aquilo. Bom, daí eu vi o Sr. Aguiar abaixar e pegar um clipe. Ele abaixou e pegou esse clipe, colocou na mão. Quantas pessoas passaram ali e não pegaram o clipe? Eu mesmo possivelmente devo ter passado. Mas ele abaixou e pegou. Eu não esqueço isso. Então eu falo isso pras pessoas: “Olha meu, tem que economizar, tem que fazer isso, porque só assim você chega. Mesmo na sua vida, tá certo, na sua vida mesmo e no seu day-by-day, você precisa tomar conta, a sua família é uma empresa, cheque especial, empréstimos, evolução de vida, padrão de vida, uma empresa”. Então não foi uma crítica, foi, eu identifiquei isso como uma coisa... A princípio, quando eu vi: “Putz, abaixou e pegou o clipe aí”. Mas depois eu comecei a pensar, aquilo lá me marcou. 

 

(Pausa)

 

P1 – Alberto, vamos voltar você nos contando mais um pouquinho do seu tempo na faculdade, como foi a faculdade. Você falou que estava dando aula também nesse período, era isso?

 

R – É, eu dava aula no Colégio Fernão Dias em Osasco e num outro colégio também, dois colégios.

 

P1 – Dava aula de que matéria?

 

R – De informática. Quando eu comecei eu dava aula de Mecanografia, porque eu já estava casado, e a Isabel tinha saído aqui do Bradesco e eu tinha que trabalhar mais porque estava querendo ter filhos também. Porque hoje a cabeça é diferente daquela época. E na faculdade o que é que eu fazia? Eu ia, pra não perder as provas, a gente sabe, algumas pessoas que na faculdade me alertavam quando que ia acontecer alguma coisa, e eu passava na faculdade rapidamente, depois ia dar aula. Então algumas coisas aí fez com que eu fizesse uma manobra, que eu conseguisse estar em dois lugares ao mesmo tempo. 

 

P1 – Em quanto tempo você concluiu a faculdade?

 

R – Essa é uma boa pergunta mesmo, eu acho que foi de oito a dez anos.

 

P2 – E nessa época você dava aula e trabalhava no Bradesco?

 

R – Não, eu já tinha saído daqui. 

 

P2 – Já tinha saído?

 

R – Já tinha saído. 

 

P2 – Então à noite, você dividia as noites entre dar aula e a faculdade?

 

R – E a faculdade, é.

 

P2 – E você saiu daqui e foi trabalhar...

 

R – Na Abril Cultural. 

 

P2 – Na Abril Cultural. Como é que foi essa passagem? Que a Abril é bem diferente, é mais liberal. 

 

R – Então é isso aí, exatamente. A palavra de diferença é essa, é um lugar extremamente liberal onde que, completamente diferente, pessoas de paz e amor do tipo naquela época, sabe? E você trazendo os conceitos do Bradesco e da Fundação, como re-usar o formulário contínuo do computador no verso, que o caso foi até parar na presidência, que o presidente falou: “Não, nós temos que usar”, e depois começaram a fazer uns bloquinhos também pra rascunho e tal. Então, de certa forma eu fui plantando algumas sementes nas empresas que eu fui trabalhar, que eu aprendi na Fundação e no Bradesco. Então foi muito bom. Se a gente começar a falar que a gente, que a minha área de informática ficava próximo de uma área de contratações de freelancer e que naquela época a Rose de Trino (?), não sei se é da época de vocês. Normalmente naquela época se você ia nos borracheiros tinha algumas fotos dessa senhora, hoje senhora, naquela época era garota. Então era uma beleza trabalhar na informática também, e era uma coisa diferente, completamente diferente. Completamente diferente trabalhar aqui, lá era completamente aberto, era cabelo comprido, era calça jeans, era, sabe? Foi mais um aprendizado, e a gente levando sempre aquilo que a gente aprendeu aqui, que são os princípios, os conceitos, e a coisa foi caminhando. 

 

P1 – E lá qual que era a sua função?

 

R – Lá eu fui programador sênior e fui chefe de equipe. E depois saí como gerente, aí fui trabalhar no Sudameris. No Sudameris eu tive uma experiência muito interessante também, que lá eu fui um dos procuradores mais jovens do mundo, também sempre relembrando algumas coisas da Fundação e do banco. A minha carreira eu posso dizer que foi uma carreira de sucesso, sem dúvida nenhuma, mas também eu tive problemas. Eu fui mandado embora do Sudameris, e eu era amigo do rei. Eu tinha uma sala imensa, eu tinha um Diplomata preto com motorista, pensava que tinha o poder, porque nunca nenhum executivo pode achar que é o rei da cocada preta. Lidar com esse lado espiritual, é isso que a gente tem que fazer. Hoje, aos 50, eu penso isso. Então você se sentir importante na companhia. Era o homem da informática, era o cara que conhecia os números, era o cara que conhecia contas a pagar, contas a receber, cliente, carteiras, papapá, conta corrente. Só que não basta isso. Não basta somente isso, você tem que saber, porque as companhias também, a faculdade da vida é muito importante. Porque existem correntes dentro das companhias também, posicionamentos, opiniões. E algumas a gente tem que tolerar, outras você tem que se posicionar como: “Não, eu não aceito isso, eu acho que não está correto”. Então, por causa disso eu deixei o meu emprego, e o meu chefe, que era o presidente naquela ocasião, falou: “Olha, Alberto, infelizmente não vai dar. Você tem uma posição, o outro grupo tem outra posição e eu acho que a gente vai ter que sair, dar opinião pro outro lado”. Mas isso não me abalou. Por que não me abalou? Porque em função de eu ter trabalhado com informática, eu consigo identificar o que é angústia e o que é problema, porque eu sempre lidei com zero e um. Angústia: “Puta, eu não sei o que o meu marido pensa de mim, não sei o que o meu chefe vai fazer comigo”. Problema: “Ah, estourei meu cartão de crédito”. Claro, você gastou demais. Então, você sabe a causa. Angústia mata o homem, mata o homem, mata a mulher, porque você não sabe a lógica, você não sabe qual que é o remédio pro problema, pra angústia. Você não consegue identificar, não tem lógica. Mas eu sabia que naquele momento ali eu estava passando uma situação difícil, e eu teria que ir ao mercado e me recolocar no mercado. Só que você tem isso quando você olha pra trás, você fala: “Meu, eu comecei lá na Cidade de Deus, eu comecei lá embaixo na Fundação Bradesco. Eu vim pá, pá, pá, pá”. Então você com isso é alimento seu que dá um certo posicionamento, uma base pra que você fique tranquilo e saia pra procurar emprego. Então isso também é uma coisa importante, isso também é uma coisa que eu aprendi na Fundação Bradesco e aprendi aqui, situações que me levaram, porque o mundo não é só de sucesso não, nós temos sérios problemas também. Num board de diretoria... Ah, outra coisa, atualmente eu faço parte de um board, além de presidente da Latino América, vice-presidente sênior, presidente da Latino América, eu faço parte do board. Eu sou o único cabecinha chata lá, que só discuto, com calminha e tal, papapá, papapá. Lá aqueles americanos fortes, rosados, loiros, olhos azuis.

 

P1 – Um metro e oitenta. 

 

R – Um metro e oitenta. Nossa, que coisa linda, né? E daí, será que eles estão preocupados em fazer economia, será? Ah, outra coisa. Formulário contínuo não existe mais, mas clipes existem, existem até hoje o clipes. E quem sabe eles não estão re-usando o clipes. Ou quem sabe, eu quase tenho certeza disso, eles não abaixam e pegam um clipe, ou então, se tem um clipe incomodando em cima da mesa, eles não vão colocar junto com os outros clipes. Eles, puf, jogam no trash, no lixo. Qual que é a diferença? Aí é que é a diferença. Se sentar naquela mesa imensa de 20, 30 pessoas do mundo inteiro, falar: “Pô, eu nasci em São Paulo e vivi lá em Osasco, fiz Fundação Bradesco e o Bradesco, comecei lá, e estou aqui sentado”. Agora, eu acho que a situação não para aí, isso não vai parar aos 50. Eu vou pra frente, vou fazer outras coisas, mas hoje eu tenho sempre o equilíbrio entre ser e ter, é isso que eu quero buscar. O executivo é formado, ele se forma, ele vai em frente. O executivo tem depressão também, eu nunca tive. Acreditar em Deus é uma outra coisa que te dá energia, força, espírito, fé. Onde que eu tive oportunidade de conhecer isso? Na Fundação e no banco. Olho os meus colegas, amigos, competidores, não é crítica. Vamos buscar a origem deles. Possivelmente FEI, Mauá, cursos no exterior. Eu não. Eu, Fundação Bradesco, Amador Aguiar. Outra coisa, na minha época, quando eu saí pra procurar emprego, você sabe pra quem eram os empregos? Eram pra pessoas, engenheiros formados em Tecnologia na FEI, na FATEC, na Mauá. Nós, de Osasco, não tínhamos oportunidade, sabia disso? Hoje o mercado reconhece que é errado, que não está correto isso, porque aqueles caras que são chamados de geninhos, eles não fazem nada, eles são meio da informática. A informática é um meio somente. Eu sempre fui um generalista, eu prefiro usar a informática pra entender o todo, onde eu posso ser mais produtivo, onde a informática pode gerar mais benefício. A informática tinha que fazer um _______ no negócio do banco ou de qualquer outra empresa. Essa situação de negócios, esse lado espiritual que é exatamente o Catolicismo, o lado espiritual, espiritismo,  me levou num patamar que eu agradeço. Agradeço também uma outra coisa que eu gostaria de falar pra vocês. Possivelmente até que vocês não vão usar isso, mas eu não poderia deixar de falar sobre a maçonaria, onde eu aprendi muito, muito. É uma coisa maravilhosa, baseado em igualdade, liberdade, fraternidade, mais nada. Então, qualquer executivo que chega hoje aos 50, um executivo que se formou na Fundação Bradesco e trabalhou no Bradesco, vai se sentir bem mais confortável. O mercado hoje está extremamente agressivo. E meu pai estava com a razão, o tempo nos mostra quem somos. Nada cai do céu, e o tempo vai mostrar quem você é durante esses anos. 

 

P1 – Então, aí você estava no Sudameris, saiu. 

 

R – Do Sudameris, aí fui pro Royal Bank of Canada

 

P2 – Como é que foi, eu queria entender como é que foi essa passagem na Abril. Você trabalhou na Abril.

 

R – Sim.

 

P2 – Na área de informática. 

 

R – Sim. 

 

P2 – Lá você chegou até a gerente de informática. Como é que foi essa passagem pro Sul América, pra você chegar à vice-presidente?

 

R – Onde no...

 

P1 – No Sudameris. 

 

R – No Sudameris? Eu não fui a vice-presidente lá no Sudameris, eu fui a Gerente de alguma coisa, mas eu fui procurador lá no Sudameris. O procurador era um cargo de confiança do banco que assinava coisas importantes, era um adviser do presidente. Eu já começava a enxergar a informática como um todo. Existia um negócio importante que chama-se risco e reciprocidade. O banco, a coisa mais importante hoje é crédito. Eu preciso saber quem é você, mas eu preciso saber onde é que você tem conta, com quem você tem conta, se os seus filhos têm conta no banco, como é que é, tal, pra te enxergar como uma pessoa. E foi isso que eu fiz, que eu fui para o banco, para esse banco, com esse desafio, e com esse speech, e com esse discurso, fui contratado por isso, porque o banco precisava se modernizar. E começou o evento do on-line, tudo virou on-line, real time. Foi aí que eu, enxergando a informática como um todo, com esses princípios básicos aí que... E foi, naturalmente foi indo. Mas perdi o emprego aí, numa sexta-feira ensolarada. O chefe chegou e falou: “Alberto, eu tenho uma má notícia pra te dar”. Eu falei: “Pô, já estou sabendo. Estou fora. Tranquilo, beleza”. 

 

P2 – E depois, como é que foi essa sua passagem?

 

R – Eu fiquei duas semanas desempregado porque os headhunters souberam que eu havia saído do Sudameris e eu fui participar de uma seleção pro Royal Bank no Canadá, onde que o banco estava querendo montar a área de informática do zero. Daí eu fui lá trabalhar, na Quinze de Novembro, no centro de São Paulo, e daí eu montei informática. Foi lá que eu ganhei o prêmio Smithsonian, que é indicado pelo Smithsonian Computerworld Awards em Chicago. Eu fui lá no museu ver lá o trabalho que a gente tinha feito, está arquivado lá. E foi esse mesmo negócio que eu vi lá na sala acho que do... Na sala? Não foi na sala? Onde é que eu vi aquilo. Do Márcio ou no pessoal da informática? Que o Bill Gates indicou o Bradesco pra ganhar esse prêmio. 

 

P1 – E esse prêmio que você ganhou era sobre o trabalho ____

 

R – Sobre o trabalho, sobre o trabalho que eu fiz no Royal Bank do Canadá, que era a informática olhando a empresa como um todo, a informática gerando, uma coisa importante isso aí, gerando receita e gerando corte de despesa. A informática leva a esses... Porque não adianta só ganhar, tem que reduzir também o que gasta, se não você vai, quanto mais você ____ informática, mais você começa a gastar também. Então isso foi, eu posso dizer que isso foi em função dos princípios também.  

 

P1 – Lá você chegou a vice-presidente, né?

 

R – É, a vice-presidente. Outra coisa, você sabe os lápis que a gente usava aqui no Bradesco, e na Fundação também? Nós usávamos extensor de lápis, sabe extensor?

 

P1 – Pra poder chegar a ponta _________________

 

R – Exato, exato. Outra coisa, o banco nos pagava num envelope de papel celofane com dinheiro dentro naquela época, não era depósito em conta corrente. 

 

P1 – Todo o dinheiro vinha pra cá?

 

R – Não, todo o dinheiro você recebia num envelopinho com a graninha dentro. Eh, que beleza.

 

P2 – Funcionário não tinha como ir depositar no banco?

 

R – Não era uma coisa assim normal. Se você quisesse você ia depositar. Então esse dia que chegava a cooperativa, o hospital, o Colégio Bradesco, o próprio banco, os empréstimos, tudo isso era, os bailes, time de futebol. Não podia andar de cabelo comprido? Tudo bem. 

 

P2 – Encontrou alguma alternativa?

 

R – Ah, claro. 

 

P1 – Bom, nós estávamos na sua trajetória, falando do Royal. Tem mais alguma coisa que você queira falar de lá?

 

R – Ah, o Royal Bank foi um negócio interessante que eu aprendi lá, o work and family, também fazendo uma correlação com a minha origem, Fundação Bradesco, com o Bradesco, e onde também eu me  lembro uma reunião lá em Toronto. Passava um trem de dois andares do lado do nosso prédio, e dava 5:31 o sujeito se levantava, pegava o paletó, o carnê (?), sei lá, que caía, pum. É isso aí mesmo. Daí ele saía, pum. Ia no corredor, pegava o elevador, pum. 5:36 ele pegava o trem. 8:30 ele chegava. O cara não trabalhava nem um minuto após o horário. Eu falei: “Porra, meu, você não trabalha”, pensei assim: “Esse gringo não trabalha nem um minuto depois do horário”. Daí eu me lembrei de uma frase: “Só o trabalho pode produzir riquezas”. Mas não é só o trabalho de você trabalhar. O trabalho que você tem em educar os seus filhos, de se dedicar ao seu filho, se dedicar aos seus funcionários, se dedicar a ouvir as pessoas. Esse é trabalho. E o que é que vai produzir? Ler um livro é um trabalho de ler. Vai produzir o quê? Uma riqueza. 

 

P1 – Outros tipos de riqueza necessárias.

 

R – Riqueza, que não era aquela que nós imaginávamos quando nós éramos, nós saímos da Fundação Bradesco ou ia pra fundação e via essa placa. Tem essa placa ainda, imensa: “Só o trabalho pode produzir riquezas”. Eu, naquela ocasião, falava: “Porra, meu”, desculpa o vocabulário, “Porra, esse cara sai, vai embora, não está nem aí”. Então vestir a camisa, usar a t-shirt, ok? Isso aprendi aqui, aprendi na Fundação Bradesco. Então isso é uma coisa importante. Então esse negócio aí, putz, eu... Essa oportunidade de trabalhar fora parece, tem muito a ver com essas coisas, muito a ver. Graças a Deus eu fiz Fundação, fiz Faculdade Amador Aguiar, convivi aqui, convivo até hoje com algumas pessoas. E essa é a grande diferença. 

 

P1 – Como é que é essa convivência com essas pessoas daqui hoje?

 

R – Alguns até se aposentaram. O que eu fiz? Outros saíram do banco, outros foram abrir restaurante, lava-rápido. Porque é natural. Isso, sem demagogia, eu fui buscar todos eles. Eu mapeei 55 pessoas, eu fui buscar todos eles no interior de São Paulo. E outra coisa, o banco tinha aqui conjunto de solteiro e de solteiras, que por sinal a Dona Cleide foi morar num conjunto de solteira, que o Severino trabalhava com o Sr. Chico Veneroso (?) e arrumou um quarto pra ela, porque era dificílimo arrumar quarto. E as pessoas vinham do interior e moravam nos conjuntinhos de solteiro que tinha aqui na Cidade de Deus, não sei se você sabia disso. Bom, e essas pessoas também reconhecem que era um negócio muito interessante, e essas pessoas eram do interior. Alguns trabalhavam na área de informática. E houve um advento que chamou-se downsizing, que diminuiu também o número de pessoas na área de informática, que era um dinossauro para a microinformática, e começou a distribuir o processamento que era feito na área de informática para o end-user, para o usuário final. Hoje você tem um laptop em cima da sua mesa, um microcomputador, e você tem processamento local. Naquela época não, naquela época o processamento era só na informática. E algumas pessoas perderam os seus empregos, e isso no mundo inteiro, porque esse evento aconteceu no mundo inteiro. O que é que eu fiz? Eu fui buscar essas pessoas. Pra trabalhar onde? Na empresa que eu trabalho. Porque eu sabia que essas pessoas eram competentes e tinha aprendido os princípios que eu aprendi. Porque que a minha empresa é uma vencedora? A nossa empresa tem 13 anos no Brasil, isso eu falo com muito orgulho, 13 anos. Nós conseguimos todos os números, todos os clubes 100%, e nós nos reunimos, os funcionários, numa parte do mundo. Nós levamos as nossas esposas e nos juntamos com outras pessoas do mundo inteiro também. Se eles atingiram os números, eles têm esse direito. Hoje a nossa empresa é a empresa mais lucrativa em todo o mundo. Eu levei os mesmos conceitos que eu aprendi aqui nessa casa pro México, pro Panamá, pra Bolívia, pra Argentina, pra Guatemala, pra Honduras. Como? Economizando, falando a verdade, transparência total, sem medo de ser feliz. Esse é o negócio. Então a gente percebe que isso daí é um ganho. Você vai ganhar isso onde, numa faculdade? Possivelmente, não. Você pode até ganhar, mas no day-by-day, no dia a dia, sentando, comendo os queijos e deixando os pães de fora, tá certo?

 

P2 – Colocando uma peruquinha.

 

R – Colocando uma peruquinha, tendo horário pra chegar, horário pra sair. Ah, horário pra chegar e não horário pra sair. Quantas vezes eu passei a noite lá no Colégio Bradesco. Nós tínhamos um computador no Colégio Bradesco, e programávamos em RPG, e o bicho não ia, e não ia. Persistência, tem que persistir. “Puta, vamos desligar tudo, precisamos ir embora. É, moçada, precisa ir embora”, o administrador lá, “Está gastando muita energia”, mas o computador ligado. A gente precisava aprender a fazer as coisas, precisava rodar o programa. Quantas vezes eu trabalhei aqui nesse prédio, isso época do carnaval, “Mamãe eu quero, bumbum”, você escutava o negócio rolar por aí, e você trabalhando no dia do carnaval aqui. Então tudo isso não é nenhum sacrifício, essa coisa se tornou natural. E isso eu levei nas outras empresas que eu passei, e que vou ainda, eu não parei ainda não. 

 

P1 – E os 55 que você foi buscar, conta um pouco aí. 

 

R – Bom, esses caras o que acontece? Alguns estudaram comigo na Fundação, muito poucos, um ou dois, os outros trabalharam comigo por aqui. São 55 pessoas que uns não trabalharam, outros trabalharam por aqui, outros trabalharam em outros lugares, mas nós tínhamos uma lista de 55. Nós fizemos contato com todos. 50% desses 55 vieram trabalhar conosco. Em alguns casos a gente contratou pessoas que tinham dependência química, outras alcoolismo, outras depressão, outras espirituais, outras tiveram que ir ao dentista, porque não tratavam dos dentes, perderam dinheiro, perderam as esposas, os filhos tiveram que ir pra faculdade, eles não tinham dinheiro. Então, desmoronaram financeiramente. A gente teve que tratar essas pessoas. Algumas delas continuam conosco até hoje, outras já estão melhores e saíram também pra voar. Você sabe que a águia troca o bico, as penas e as unhas, sabiam disso? E fica pelo menos um ano parado, sem fazer nada. Essas pessoas fizeram isso, são águias que tiveram que parar, tiveram problemas seríssimos, e a gente ajudou pra que elas voltassem a voar. Esse era o objetivo nosso, o meu objetivo, porque isso me deixa feliz. Então, taí. Uma outra coisa interessante, só pra falar pra vocês. O meu escritório ficava na Berrini, e na Berrini, na Avenida Morumbi... Ah, o Bradesco fica na frente. O meu escritório ficava em cima do Bradesco, na Ponte do Morumbi, não do Shopping ali, mas na Ponte do Morumbi ali, Avenida Morumbi ali, e tem um McDonald’s na esquina. Muito bem. Eu fui lá um dia, e eu não gosto de McDonald’s, meus filhos naquela época adoravam. Mas, por correria, eu fui lá comer um sanduíche, fui eu e o diretor de marketing, o Valdir Santos, que trabalha comigo há 25 anos. Então eu falei: “Ô, Valdir, olha só aquelas meninas ali, como trabalham. Olha aquela moreninha gordinha”. Lembrava um pouco a minha filha. Dois Mc, papapá, corria lá. “Valdir, será que a gente pode contratar essas garotas. Eu não estou dizendo elas, especificamente, mas garotas simples. Vamos criar um negócio que chama-se Meu Primeiro Emprego”. “Você está louco, Alberto? Vai dar uma mão de obra do caramba. Não, não, não faz isso”. Daí ele pagou a conta. Eu fui até na beirada do Drive-thru e falei: “Vocês têm telefone?”. Eu de gravata, a menina falou: “O que esse tiozinho está querendo?”, “Me dá o telefone”. Me deu o telefone. A menina que me deu o telefone chama Letícia _____. E o Valdir ligou pra ela e o Recursos Humanos convidou quatro garotas do McDonald's. Nós estamos com as três garotas desse McDonald’s lá conosco, trabalhando conosco há mais de oito anos, e uma delas trabalha na área de marketing e sabe falar inglês, sabe falar espanhol. Todas elas falam inglês e estão lá. Por quê? Porque a gente precisa dar oportunidade pras pessoas também. Eu não tenho uma Fundação Bradesco, mas gostaria de ter uma Fundação Bradesco. Eu penso assim. No Pantanal eu tenho, isso pra falar pra vocês, eu tenho uma pequena área muito simples, baratíssima. Eu não sei quanto tenho de terra. Quando chove inunda, acho que não fica um palmo de terra. E eu vou fazer uma escola lá. Evidentemente eu vou ajudar as pessoas de lá da região. Quem? Cinco, seis, dez pessoas. E vou dar comida pra elas lá. Que tipo de comida? Farinha que eles comem, peixe que eles comem, coisas simples. Lá nesse lugar onde eu tenho uma casa, que eu costumo ir pra lá quatro vezes por ano, eu vou pescar e vou... Lá é o lugar onde eu encontro o que eu fiz, o que eu estou fazendo, o que eu vou fazer. Quem que é meu vizinho lá? Eu falei com ele duas vezes, Reverendo Moon. Da minha casa eu vejo a casa do Reverendo, que por sinal é revestida com um material especial. Ele me perguntou: “Sr. Alberto,  por que que o senhor comprou aqui?” Eu falei: “E o senhor, por que que o senhor comprou? Possivelmente pelo mesmo motivo que o senhor comprou. Acho que sim, acho que foi pelo mesmo motivo que o senhor comprou”. Ali é um lugar extremamente espiritual, é um lugar no meio do Pantanal. Eu quero fazer alguma coisa ali, ali é meu sonho fazer alguma coisa. Não vou fazer uma Fundação Bradesco mas eu vou levar pra aquela região princípios. Não todos, mas alguns deles eu vou levar. Esse é um sonho que eu tenho. Se você perguntar pra mim: “O que você pensa em fazer no futuro?”, eu quero fazer lá, pra ajudar meia dúzia de pessoas locais. 

 

P2 – Eu queria voltar um pouco nessa tua história. Você buscou 35...

 

R – Era 55 na lista. 50% a gente conseguiu pegar. 

 

P2 – _______ pra trabalhar com vocês?

 

R – Não só pra trabalhar, pra saber como é que eles estavam. 

 

P2 – Pra saber como eles estavam?

 

R – É, pra saber como é que eles estavam. 

 

P1 – Eram, assim, os seus amigos mais íntimos?

 

R – Não, eram pessoas que a gente admirava. Alguns eram mais trabalhadores, outros não. Eu tenho uma pessoa que chama José Jacinto Capuano, que trabalha comigo. O José Jacinto Capuano era programador, eu também era, trabalhamos aqui juntos. A gente ia pros bailinhos, e quando era o Domingueira Dançante no Círculo Militar a gente chegava tarde, porque era muito longe, era lá no Ibirapuera, até pra voltar pra cá demorava muito. E nós éramos programador, e tinha o formulário contínuo. Nós tirávamos a ponta da caneta Bic, enfiava naquele buraquinho do formulário contínuo e colocava a carga dentro da caneta. O difícil era você dormir e segurar a caneta. A caneta ficava fixa, você ficava com a mão assim. Então o Capuano sentava do meu lado. Então a gente puxava uma palhinha, mais ou menos no bom sentido, porque, pô, né? Situações como essa. E ele gostava muito de desenhar, ele fazia desenhos, era um artista, caricaturas. Hoje o Capuano trabalha pra uma empresa, que é uma empresa do nosso grupo, e faz a parte de add, advertisement, e propagandas no rádio, na Bandeirantes, na CDN, e fala da nossa companhia. Por quê? Porque ele tinha primeiro os princípios. Outro, era um artista. Então eu precisava dele dentro do meu grupo, e nada melhor do que você olhar pro passado e identificar algumas pessoas que podiam estar com você. Então eu começo a rever os caras, os caras com o cabelo branquinho, outros carecas, outros mais gordinho, outros mais magrinho. Mas uma coisa importante, o que é que eu procurei fazer? O negócio chama-se teamwork. A Fundação Bradesco me deu essa ideia. Por que é que eu terminei a Fundação? Por minha causa? Não, por causa das pessoas que nos cercavam. Nós tínhamos um teamwork, nós estávamos juntos, nós trabalhávamos juntos, nós tínhamos princípios que eram comuns, objetivos até possivelmente um pouco diferentes. Mas isso foi a grande diferença, foi resgatar algumas pessoas que, diante da sua necessidade de você crescer, de você ir pra frente, você precisava desses soldados. E foi isso que eles vieram fazer, eles vieram compor um grupo, naquilo que o cara era melhor. E o Capuano, exemplo típico, o cara desenhava, tinha umas ideias maravilhosas. 

 

P1 – E você comentou que algumas dessas pessoas estavam com algum tipo de problema, e você as ajudou como?

 

R – A gente fez inscrição, levou esse pessoal pros Alcoólatras Anônimos, até tratamentos particulares em clínicas, tratamentos espirituais, pessoas especializadas em conversar com pessoas que têm problema. Porque você pode ter, dentro da sua companhia, pessoas que são extremamente produtivas mas têm problemas, mas elas serão mais produtivas e mais felizes se elas conseguirem resolver esses problemas. E isso não tem cargo, não tem posição, não tem raça e não tem cor. Pega todo mundo. Então é isso aí. 

 

P1 – Você cuidou então delas e elas ficaram trabalhando com você?

 

R – Algumas trabalharam, estão conosco até hoje, outras foram buscar outras oportunidades. Porque a grande diferença não é ter essas pessoas no nosso lado. A grande diferença pra mim, uma coisa legal, foi ver que essas pessoas tinham bases sólidas pra irem em frente, pessoas que hoje têm 55, 60 anos. Elas estão no mercado de trabalho. Sentadas com quem? Com as garotas e com os meninos que nós contratamos também, que trabalhavam no McDonald’s, e não fizeram feio nada, não fizeram _____, pessoas simples. Então, eu olho até do elevador e vejo um rapaz jovem, cabelo com Gumex, na nossa época era Gumex, cabelinho arrumadinho, até tem o cabelo comprido, meio metido. E saíram pra almoçar com quem? Com um sujeito de 60 anos, velho, usando um vocabulário que, né, porque senhor de 60 anos tem filho também, então ele se entende rapidamente com esse menino que está lá estagiando na _____, está lá conosco. Então a experiência. Então, esse negócio de mix que o Sr. Aguiar fez aqui, que é o sujeito de cabelos brancos e os jovens, isso dá uma força imensa. 

 

P1 – O Sr. Amador fazia como isso?

 

R – Como é que... As oportunidades que ele dava pro pessoal da Fundação, pros filhos dos funcionários, pros jovens que vinham como contínuo, step by step, que vinham galgando a posição, plano de carreira, é isso que dá a diferença. Uma equipe como essa, teamwork, princípios, você se torna um time imbatível. Você tem que substituir os seus jogadores? Sim, isso é natural. A idade vem chegando, você não tem mais habilidade, como eu disse. Então ou você vai pro banco de reservas, depois você volta a jogar, ou então você vai pra um outro time ou então você para de jogar e vai fazer outra coisa, ou vai ser um conselheiro. Então essa é a grande diferença, é isso que faz as empresas chegarem. Então, por isso que eu acho que a Fundação, o banco, a Fundação podia, ela tem os seus valores, e o banco também tem. Mas esse conjunto, essa conjugação entre Fundação e banco é formidável. 

 

P1 – Alberto, a Comp (?) tem associação com a Fundação nessa parte de informática?

 

R – Não, não tem.

 

P1 – Não estão juntos nessa área?

 

R – Não. Mas olha, as empresas mudam também, essas empresas. Porque uma empresa grande, imensa, ela tem ciclos também de reorganização, elas crescem, elas procuram novos nichos, e elas são muito mais estáveis. As empresas menores diminuem os seus recursos de mão de obra, os seus objetivos, são adquiridas. Então as coisas são mais mutantes nesse mercado, principalmente as empresas de software, elas são mais mutantes. Eu tenho ainda, um dos meus sonhos é buscar mão de obra, e a minha mão de obra não é na Índia, a minha mão de obra é no Brasil. Eu imagino uma empresa como a CPM, que é uma empresa que presta serviços pro Bradesco ou pro mercado, a quantidade de pessoas que  poderia, uma fábrica de software, buscar na Fundação Bradesco. A Fundação Bradesco é uma mina de ouro, só que pouca gente percebe isso. Mas, e pouco mais pessoas percebem, pouco menos pessoas percebem porque não são tomadores de decisão e não têm o poder de decidir e dizer: “Não, vamos à Fundação Bradesco fazer um acordo pra buscar essas pessoas e dar oportunidade”. Ou dá oportunidade no próprio banco ou da oportunidade pra fora do banco. Então a Fundação Bradesco não é por si só a Fundação, são os princípios, esse contágio que tem no próprio banco, que é uma semente plantada pela família Aguiar, pelo Sr. Aguiar há décadas atrás. O Sr. Aguiar foi um visionário, na minha opinião. O Sr. Aguiar foi uma semente, isso ninguém apaga. Ninguém vai substituir essa semente, não existe, e eu sou um propagador dessa semente. Eu sou um propagador da Fundação Bradesco, um propagador do Banco Bradesco, e já disso ao Omar Cipriano algumas vezes, como executivo: “Eu me orgulho e digo ao banco, à Fundação Bradesco, tudo aquilo que eu tenho e que eu fiz, o que eu penso”. E concordo plenamente, a riqueza que eu tenho não é a riqueza material, não só material. Mas eu tenho certeza absoluta que só o trabalho pode produzir riquezas, essa é a grande diferença, esse é que é o papel que foi a Fundação pra mim, a Fundação Bradesco, o Bradesco, as pessoas. É isso que me levou. 

 

P1 – Alberto, você já falou da sua esposa, você a conheceu na Fundação, você casou muito jovem com ela. Você conta um pouquinho pra gente como é que foi o casamento? O nome dela...

 

R – Isabel Cristina. Bom, ela trabalhava aqui, trabalhava já há vários anos, possivelmente... Ela começou também a trabalhar com 14 anos aqui. Morava aqui no Jardim D’abril, num bairro aqui próximo. Os tios dela já trabalhavam aqui, e inclusive era gerente da cooperativa, eles moravam aqui dentro da Cidade de Deus. E fez Colégio Bradesco. A Fernanda, minha mais velha, nasceu aqui dentro. 

 

P1 – Então, o dia do teu casamento o senhor lembra?

 

R – Ah, lembro. Eu casei onde? Aqui na Sagrada Família, aqui na Vila Iara, em 1973, 15 de setembro de 1973.

 

P1 – Quantos filhos?

 

R – Três. 

 

P1 – O nome deles?

 

R – Eduardo com 28, Guilherme com 20 e Fernanda com 30. 

 

P1 – Então, você contou que a Fernanda nasceu aqui. 

 

R – Nasceu. Foi a quinta criança...

 

P1 – Como foi isso?

 

R – Foi uma loucura, né, porque primeiro aquele hospitalzinho, não sei se existe ainda, tinha acabado de ser inaugurado. E o pré-nupcial, pré-natal, a gente fez tudo aqui. E isso também nos dava um conforto tremendo, não o conforto pela distância, de ir na Gastroclínica, mas pelo conforto, e que a gente percebia que os médicos que estavam aqui eram competentes. E isso foi ótimo pra gente, os amigos, as famílias, as pessoas que nós tínhamos relacionamento. Foi até permitido que a gente assistisse o parto, porque naquela época não tinha esse negócio de assistir parto. Hoje todo mundo até filma, mas naquela época não, era muito mais, era diferente. E foi ótimo. 

 

P1 – O que você gosta mais de fazer nas suas horas de lazer? Você já falou que gosta de pescar lá no Pantanal. 

 

R – É. 

 

P1 – Fora isso, mais alguma outra coisa assim?

 

P2 – Quando não dá pra ir até o Pantanal.

 

R – Eu gosto, por exemplo, eu gosto de motocicleta, mas ando muito pouco. Tenho uma motocicleta, uma Harley-Davidson, e também já fiz a Rota 66 americana de motocicleta. Eu gosto de automóvel, gosto de futebol. 

 

P1 – Pra jogar ou pra assistir?

 

R – Pra jogar. 

 

P1 – E joga?

 

R – Jogo, jogamos ainda. Jogo com os meus filhos, eu jogo muito com eles. Sempre procurar alguma coisa, uma argamassa pra trazê-los mais próximo de você. E depois de velho, não que eu aprendi, eu não aprendi até hoje, mas eu vou com eles, eles surfam, e eu tenho uma prancha também, estou sempre com eles. Eu fui conhecer o mar muito tarde, muito tarde mesmo. Os meus amigos conheceram o mar muito jovens, eu conheci o mar muito tarde, porque eu morava aqui, mas nas minhas férias eu ia pro interior. Eu sou muito mais pé vermelho. Sabe o que é pé vermelho? Pessoa que mora no sítio, do que menino de praia. A gente não tinha condição de ir pra praia. Hoje a coisa está um pouco ao contrário, os meus filhos vão mais pra praia e tal, e estou próximo deles. 

 

P2 – De vez em quando surfa?

 

R – Tento, aos 53. 

 

P1 – Sempre é tempo. 

 

R – It’s never too late.

 

P1 – Você já falou bastante sobre o Sr. Amador Aguiar mas, não sei, tem mais alguma coisa assim que você gostaria de falar sobre o Sr. Amador Aguiar ou sobre alguma outra figura do tempo lá da Fundação, dos fundadores, dos administradores mais antigos?

 

R – É, eu acho que uma pessoa que eu tenho, assim, uma grande estima, não porque ele é o presidente atual, é o Márcio. Não só eu, mas as pessoas também do nosso grupo têm uma admiração muito grande pela humildade em conduzir uma empresa de muita significância no mercado financeiro. Então eu acho que também esse negócio de não andar de salto alto, é uma expressão que a gente usa. É uma pessoa extremamente simples. Eu acho que a gente deve isso também, a simplicidade, no ambiente que o banco tem. Isso é uma coisa simples, uma coisa boa. A gente não tem no banco uma pessoa que fique no pedestal. Isso é ótimo. 

 

P1 – E, na sua opinião, qual a importância da Fundação Bradesco pra história da educação brasileira, no contexto global?

 

R – Eu participo de um grupo com a Viviane Senna, e a Viviane tem o Instituto Ayrton Senna que também, de certa forma, ajuda criança e educação. Eu tenho certeza absoluta que educação é a única coisa que muda um país. Educação, não existe outra coisa, não existe. É uma coisa incrível, muita gente sabe disso. Então o programa da Viviane Senna, pra depois a gente chegar na Fundação Bradesco, o programa é o seguinte. Normalmente a instituição Governo, o pouco de escola que ela dá, ela dá, mas não educa, não ensina, não gera princípios. E a pessoa que poderia repetir, o aluno que poderia repetir, não repete, por fatores econômicos, outros fatores que não cabe aqui a gente discutir, mas de certa forma empurra um contingente de alunos pra um outro patamar, sem base. E eu posso dizer que empurram pessoas que até mesmo alguns não sabem ler nem escrever. E terminam o primário, por exemplo, vão pro ginásio ou fazem esses cursos agora, via Internet. Muito bem, então a gente fez um acordo, foi feito um acordo com o Governo do Estado de Pernambuco onde as pessoas estão sendo recicladas a aprender aquilo que eles não aprenderam, e dar mais conteúdo. Isso eu não tenho os números agora, mas são números absurdos, absurdos, uma coisa de louco. _____ você vai na escola, possivelmente no bairro que você vive, quantos dias letivos os alunos têm? Qual que é o conteúdo? Fraco demais. Imagine hoje as universidades, a fraqueza do conteúdo. A cada dia é pior. Hoje a Fundação Bradesco tem um papel mais significativo do que tinha. Já era importante, imagine agora, imagine amanhã. Vai ser mais importante ainda. Por quê? Porque a Fundação Bradesco tem princípios básicos de como educar, de como formar pessoas e como formar cidadãos pro futuro. Um mau estudante pode ser um professor de amanhã ou um médico de amanhã, um dentista, um presidente, e está acontecendo. Então eu acho que a Fundação tem o seu papel, e os frutos eu posso dizer que são pessoas como eu e como outros colegas da Fundação mais jovens. E os frutos virão ainda, virão e virão mais fortes ainda porque, diante do que está acontecendo e que vai acontecer, sem dúvida nenhuma eu acho que a Fundação é extremamente importante. Eu gostaria que tivesse outras do mesmo, outras Fundações Bradesco em mais locais por esse Brasil afora, e outras empresas também se preocupassem com esse tipo de situação que é exatamente a educação. O Terceiro Setor é muito bom, nós temos bons trabalhos contra Aids, campanhas contra o câncer, mas a educação é básica, é primordial. Então eu acho que é só nós imaginarmos o que a Fundação faz hoje e o papel dela perante a sociedade, e o que é que ela vai, e qual que é a representatividade dela a curto prazo. Vai ser maior, vai ter mais responsabilidade ainda e formar cidadãos pro futuro, e pessoas com princípios, e competentes. 

 

P1 – Você falou que participa de um grupo com a Viviane Senna. Qual é o seu papel nesse grupo, ou a sua função nesse grupo?

 

R – Eu sou um soldado lá. 

 

P1 – Mas você participa então da Fundação Ayrton Senna?

 

R – Eu participo como colaborador. 

 

P1 – Certo, da Fundação Ayrton Senna.

 

R – É. 

 

P2 – Eu queria te perguntar o seguinte. Você como um profissional da informática, o que é que você acha da educação a distância, se utilizando da informática?

 

R – A educação a distância é uma beleza. O problema é o quick track, o problema é você acompanhar, o problema é você identificar onde é que está ocorrendo os problemas, mais ou menos isso mesmo. Como é que você mede a performance? Esse, educação a distância, a educação a distância gera capilaridade. Ela não gera varejo, ela gera atacado, gera estatística, e estatística, pra algumas pessoas, é excelente. Mas eu pergunto, gera qualidade? Possivelmente, não. Hoje possivelmente nós não ficaríamos sem Internet. Entro no Google, eu vejo a sua casa, você sabe disso? Eu entro numa série de coisas, sei a vida de algumas pessoas. Taí, a Internet tá aí. Então, é informação. Só que existe uma grande diferença entre informação e formação. Como é que você vai dar a formação? Possivelmente só através de fundações, ou maior eficiência onde? Na escola. É aí. Porque informática, não diz que a informática é generalista? Que eu percebi isso durante os anos. A informática está aí, ela está acontecendo. Ela tem informação aqui, acolá. Como é que você junta isso? Como é que você coloca numa sala de aula pessoas? Eu estive na África, num lugar onde 33% da população tem Aids, na África do Sul, e uma pessoa veio falar pra mim: “Pô, eu sei que no Brasil vocês estão desenvolvendo um trabalho de educação a distância, de treinamento a distância”. Tudo bem, mas: “É uma boa? Gera?” “Gera, gera estatística”. Disse: “Olha, conseguimos promover tantos milhares de pessoas pro segundo grau”. Você vê aí, as pessoas estão, em qualquer lugar você vai e faz. Antigamente era a Madureza, que era meio pejorativo. Hoje é fraqueza, né, porque...

 

P1 – Mas a Fundação tem um trabalho com educação a distância, só que nas telessalas, como eles chamam, eles têm uma pessoa que acompanha, têm um monitor. Eu acho que isso já gera um...

 

R – Isso já faz a diferença. 

 

P1 – Faz a diferença. 

 

R – Faz a diferença, mas aí você tem... É o seguinte, então é uma educação a distância controlada, é uma educação a distância com gestão. Com gestão não é congestão. Com gestão, com administração. Má digestão, aí é diferente. Aí é onde eu vejo...

 

P1 – Aí o que você acha?

 

R – Aí eu acho excelente, é por aí. Mas eu acho também que a educação a distância, eu acho que ela tem que sair de uma base muito voltada à informática e levar isso via ondas de televisão. Então, cada televisor na casa de cada família, pode ter lá um keyboard, que isso é muito fácil, a gente tem isso aqui. Algumas empresas de hardware possivelmente não querem, porque eles preferem vender o quê? Um laptop, um microcomputador ou uma placa Intel. Então olha só como é que as coisas estão. Se você faz uma educação a distância via televisão e com teclado, e a situação começa a ser conversacional, excelente. Mas nós temos dificuldade nesse sentido. Lembrei uma coisa, na Fundação Bradesco eu li um livro, foi dado pelo, não sei se foi dado pelo Professor Claude. Não, dois livros. 1984, George Orwell, e Revolução dos Bichos. Eu li esses dois livros na Fundação Bradesco. Se eu estivesse na Fundação Bradesco, eu pergunto a vocês duas, eu possivelmente leria ou não esses dois livros? Dá pra você perceber porque que a Fundação Bradesco fez e faz a diferença. Taí. Quer coisa mais... Eu li esses livros há mais de 15 anos, eu achei lá 20, 30, não sei quantos anos atrás. Esse livro é o que está acontecendo agora. 

 

P1 – Então, Alberto, o que você acha desse projeto de 50 anos de Fundação Bradesco, que está contando a história da Fundação a partir da história de quem participou da Fundação, quem viveu, quem foi aluno, quem trabalhou? O que é que você acha desse projeto?

 

R – Você sabe que, na minha opinião, na minha visão, no meu ponto de vista, eu acho que a Fundação Bradesco, quando se fala em Bradesco e se fala em Fundação, você vê por detrás, por baixo, suportando, uma empresa, que é a Organização Bradesco. Eu acho que a Fundação, além dela ter esse caráter de educar, eu acho que ela tem outras coisas que a gente chama de subsede, que são camadas que estão dentro da fundação, e algumas vezes nós não identificamos. E eu acho que a grande oportunidade da própria Fundação e do próprio banco, e nas entrevistas que estão ocorrendo com essas pessoas que se envolveram com a Fundação, em perceber que a Fundação é mais do que aquilo que ela pensa que foi, mais do que aquilo que ela pensa que é, eu tenho certeza absoluta. Então eu deixo aqui uma mensagem pro pessoal da Fundação perceber que eles são mais do que eles pensam que são. Sem dúvida, é só ouvir os depoimentos, só isso. E eu acho que a gente precisa mais da Fundação, a Fundação precisa ser maior. Pra quê? Pra ter mais estabilidade, ter mais penetração. Quando a gente fala no Terceiro Setor, eu falo, o Governo faz esse papel? Faz, faz de forma medíocre. Como é que a Fundação pode, de certa forma, influenciar outras empresas pra que essas outras empresas também tenham suas fundações? Mais ou menos por semelhança. Como é que a gente pode construir um Brasil melhor, um cidadão mais correto, mais honesto, onde as pessoas não querem levar vantagem? 

 

(Pausa)

 

P1 – Alberto, então retomando, a gente estava falando sobre a importância desse projeto de memória de 50 anos da Fundação Bradesco. 

 

R – Bom, o que eu disse? Eu disse que eu estou aqui muito mais pra agradecer à Fundação com esse depoimento do que propriamente vir aqui dar uma entrevista. Eu vim aqui dar um depoimento mesmo, verdade. E eu acho, como eu disse, que as pessoas da Fundação, que são aderentes à Fundação, que estão na Fundação, eu tenho a certeza de que eles, depois dessas entrevistas, eles vão pensar que a Fundação é bem mais do que aquilo que eles pensam que é, sem dúvida nenhuma. Eu gostaria que tivesse outras fundações. Eu queria que a Fundação Bradesco influenciasse, porque influenciar é bom, outras empresas, pra que nós tivéssemos mais fundação. Como influenciar? Eu acho que a gente precisa, eu penso, é minha opinião que a gente poderia fazer com que houvesse um trabalho de divulgação pras pessoas, o que a Fundação vem fazendo, quais são os objetivos da Fundação. Por que que um banco tão grande como este... Sabe por quê? É o seguinte. Como cidadão eu leio um artigo no jornal, o Bradesco deu um lucro de tantos milhões, o Itaú deu e tal. Mas, pessoal, o que é que o Bradesco está fazendo a nível de Terceiro Setor? Ou a Fundação, o que é que a Fundação ________? Se não tivesse o banco, realmente a Fundação seria muito mais, muito menor, muito pequena. Mas como é que percebe esse tipo de coisas, como é que nós, nós eu estou usando, faço parte da Fundação, sem dúvida. Como é que a gente poderia levar isso, fazer uma multiplicação de pães? Como é que a gente poderia dividir pra multiplicar? Como é que os meios de comunicação poderiam, de uma forma muito ética, muito... Porque a intenção não é dizer: “Olha, a gente tem uma fundação e tal”. Não é isso, mas, qual o papel dessa fundação? De uma forma muito organizada, colocar isso no mercado pras pessoas. Um banco tão forte como esse, tão grande como esse, tem o seu papel. Ele forma cidadãos. Como fazer isso aí? Então eu acho que se me pedissem: “Você tem alguma ideia?”, eu gostaria que isso fosse mais divulgado. Eu acho que seria muito bom. 

 

P1 – E o que você achou de participar dessa entrevista, desse projeto?

 

R – Bom, primeiro a participação não está só aqui falando pra vocês. Existe alguma coisa que antecede a isso, é ser convidado e depois chegar na portaria e dizer: “Eu estou indo na área tal falar com a pessoa tal”. E aí você entra na Cidade de Deus, aí você começa a pensar aquilo que você fez aqui há tantos anos atrás. Você entra no elevador, você pensa. Então isso te traz, te leva pro passado. E isso é muito bom, é bom você vir aqui. Às vezes você vem a negócio, tal. Mas hoje eu estou aqui numa situação muito confortável. Eu acho que eu estou muito curioso, curioso no sentido assim de como eu queria ver o final desse trabalho, não só essas informações que eu vim trazer pra vocês, mas como é que isso vai ocorrer. Então eu estou torcendo por vocês, estou torcendo pra Fundação, e eu quero que vocês atinjam o que vocês estão pensando, os objetivos aí. Mas eu queria que vocês pensassem mais alto pra poder levar isso mais pra fora, pra multiplicar os pães, pra levar isso. 

 

P – Então, Alberto, em nome da Fundação Bradesco e do Museu da Pessoa a gente agradece a sua entrevista.

 

R – Muito obrigado, e vamos em frente.




--- FIM DA ENTREVISTA ---

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