Busca avançada



Criar

História

Um dia eu saí e agora recebo os que chegam.

História de: Heloisa Helena Machado de Bustamante
Autor: Raquel
Publicado em: 10/06/2021

Sinopse

Heloisa Bustamante, que começou a trabalhar fora de sua área de formação na Petrobras, conta sua história até a chegada ao seu campo jurídico da empresa. Com currículo Sindical, de recursos humanos e mediação, passou pelas mudanças estruturais, econômicas e políticas, em uma das maiores Estatais do Brasil, espelhadas e espelhando mudanças e evoluções pessoas. Passou pelo processo que ela mesma conduz: readaptação profissional.

Tags

História completa

Projeto Memória Petrobras Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Heloisa Helena Machado de Bustamante Entrevistada por Inês Gouveia Rio de Janeiro, Duque de Caxias, 8 de julho de 2009 Código: MPET_REDUC_TM012 Transcrito por Guilherme Pereira de Carvalho Revisado por Paula S. A. Nunes P/1 – Bom Heloisa, pra começar, vou pedir pra que você diga o seu nome completo, seu local de nascimento e sua data de nascimento. R – Ok. Meu nome é Heloisa Helena Machado de Bustamante, nasci no Rio de Janeiro e... P/1 – A data... R – A data… 17 de novembro de 1952. P/1 – Qual é a sua formação, Heloisa? R – Eu sou bacharel em Direito. P/1 – E em que momento a Petrobras apareceu pra você como uma opção de trabalho? R – A Petrobras apareceu na minha vida em dezembro de 1983, quando eu entrei numa subsidiária, Interbrás e trabalhei até 1989 na Interbrás e de lá eu fui pro Serviço Jurídico da Petrobras, no Edise. Ficamos… eu fiquei trabalhando lá até 1990 e houve a… aí houve a extinção da Interbrás. Todos nós fomos demitidos. Aquela fase, aquela época, todo mundo sabe bem como foi, e ficamos na luta do retorno até 2005, quando eu retornei. Fomos anistiados, houve um decreto. Alguns entraram na justiça outros vieram por força de decreto e, aí, eu retornei em 2005 e continuo aqui na Reduc [Refinaria Duque de Caxias] até hoje. P/1 – Vou explorar um pouquinho cada parte dessa história... R – Ok. P/1 – Como que você conheceu a Interbrás? R – É, a Interbrás, ela tava selecionando pessoas, né? Eu fui informada que tinha uma seleção, fui lá, me inscrevi e fizemos uma prova, e eu fui aceita. Eu iniciei na Gerência de Produtos Siderúrgicos que se chamava na época GESIDER/PLACON, que é Gerência de Produtos Siderúrgico/Planejamento e Controle. Lá, eu comecei como secretária e fui, dentro da gerência, fui mudando minha posição. No final, eu saí, eu já tava fazendo análise de documentos de embarque e, aí, surgiu a oportunidade: um amigo meu sugeriu: “Você não tem interesse em trabalhar – já que você é advogada – em trabalhar no Serviço Jurídico da Petrobras?”, eu falei: “Ótimo! Quero ir sim!”, aí fui, fiquei lá dois anos até a extinção da Interbrás e posso te dizer que foram os melhores anos da minha vida, esses dois anos lá no Serviço Jurídico. Não que hoje não seja, mas aquela época foi muito boa. P/1 – E nesse momento, trabalhando no Serviço Jurídico, qual que era efetivamente o seu papel? R – O meu papel era...hoje existe a função de assistente jurídico, uma coisa assim, mas na época, não. Então, lá, nós fazíamos todo o apoio aos advogados. Vinham os processos e eu, no caso, Ministério do Trabalho, que eu era da parte de tributo, tributação, todo aquele controle dos processos, isso tudo eu fazia. Hoje, eu acredito que esse cargo lá já esteja mais formal, mas na época, não. Éramos… P/1 – Heloisa, você que viveu esse momento, enfim, de perto. Como é que foi esse processo da extinção da Interbrás? R – Foi muito triste. Muito triste. Junto com a Interbrás também foram outras empresas e nesse meio tempo muita gente morreu de desgosto. Tivemos colegas que chegaram a ser é...até esqueci o nome, meu Deus, trabalha na rua, é... P/1 – Camelô? R – Camelô. Chegamos a ter colegas que viraram camelôs por força de trabalho. Pessoas competentes, pessoas totalmente capacitadas pro que faziam, técnicos de exportação e importação, acabaram camelôs. Outros nesse meio, nesse caminho faleceram e outros ainda faleceram depois que nós fomos anistiados e que estávamos com a data de retorno. Não aguentaram. Foi tanta alegria, eu acho, que eles faleceram – um colega meu que faleceu uma semana antes de voltar. Então, foi muito triste, muitas famílias passaram muitas dificuldades porque a Interbrás era um trabalho muito específico de importação e exportação e na época não tinha muita opção de trabalho. Então eu, por exemplo, me candidatava… eu me candidatei a um determinado emprego e a pessoa não ia me contratar, mas me chamou pra me conhecer. Porque que eu tava me candidatando ao trabalho que ela tava oferecendo? Necessidade de trabalhar, né, claro. Mas, aí, olhava o currículo, via a nossa passagem pela Interbrás e começava a questionar em relação a salário etc e tal. E como nós tínhamos saído da Interbrás com aquela propaganda toda que nós éramos marajás, nós ficamos, mais ou menos, marcados, vamos dizer assim. Então, foi muito difícil, muito complicado, por isso que muita gente chegou a ser camelô. P/1 – Não havia naquele momento a possibilidade de ser absorvido pelo departamento de comercialização ou departamento comercial na Petrobras? R – Não, não havia essa possibilidade. Não que a Petrobras não quisesse, mas era um problema mais de governo, né? Era um problema político. Então, a Petrobras, nesse momento, também ficou um pouco sem saber o que fazer. Vamos dizer assim, porque era o Presidente da República que acabou com a empresa e dizendo que lá era cabide de emprego, que eram marajás. Então, não havia muito o que ser feito naquele momento. P/1 – E quanto tempo antes vocês tiveram a noção de que a Interbrás ia ser extinta? R – Nós tivemos a noção...quer dizer, eu tive a impressão dois anos antes. Não quer dizer que fosse uma impressão correta, mas eu tive a impressão. Foi aí, até, que eu aceitei ir pro Serviço Jurídico, porque eu sentia que a Interbrás não tava muito bem. Agora, a extinção da Interbrás foi um dos primeiros atos que o novo presidente decretou, então foi um susto, ninguém acreditava. Ficou todo mundo parado, olhando aquilo, sem entender. Nós, na verdade, nem entendemos muito bem o motivo que ele fez, né, dizendo que a empresa dava prejuízo. Mas a empresa não dava prejuízo. Depois, houve aquele boato que era por interesse da Cotia, em São Paulo. Então, nós não sabemos exatamente a real história, né? P/1 – Você passou por alguma situação delicada por conta dessa questão dos marajás? R – Bastante delicada, porque eu não consegui emprego. Nessa mesma fase, o meu marido também perdeu o emprego. Ficamos numa fase muito complicada, a família ajudando, né? Eu tinha outra pessoa também que era da Interbrás, mas, graças a Deus, essa pessoa conseguiu se aposentar a tempo pela Petro. Já tinha tempo, ficou pagando mais um período e conseguiu se aposentar. Depois de um tempo, quando nós chegamos à conclusão de que aqui tava muito difícil, nós fomos embora pros Estados Unidos. Em 2001, eu fui pro Estados Unidos e ficamos lá até eu ser chamada de volta para a Petrobras. Então, eu sai dos Estados Unidos direto pra cá, pra Reduc. Eu fiquei… foi o tempo de eu voltar pra eu me apresentar. Recebi o telegrama, vim correndo. Foi até a época do Katrina, que tava até sem vôo pra vir, uma confusão tremenda. Mas, graças a Deus, consegui chegar a tempo. Mas foi uma situação muito complicada, muito complicada. Não só pra mim, como pra muitas famílias. P/1 – Heloisa, você participa do sindicato, correto? R – É, o meu trabalho tem uma interface muito grande com o sindicato, né? Eu fazia um outro trabalho, até um tempo atrás, e agora eu tô ligada diretamente com o sindicato. Fazia a intermediação RH Reduc com o sindicato, né? Fazia aquele trabalho de estrutura de... P/1 – Mas nesse momento, enfim, você passou por circunstâncias ligadas à vida do trabalhador, muito delicadas. Naquele momento você tinha alguma... R – Nós… o sindicato nos apoiou todo o tempo, todo o tempo. Tudo que nós conseguimos teve a participação do sindicato bem próxima. Sem eles, talvez nós não conseguíssemos achar o caminho. P/1 – Conta pra gente como é que foi esse processo pra conseguir essa anistia, esse retorno. R – Olha, foram vários processos. Primeiro houve um processo de reintegração que nós perdemos. E nós fomos entrando com vários processos até que teve um último processo de um advogado de Brasília, Doutor Marcelo, que ele disse que tinha um remédio jurídico muito eficiente. E ele entrou e ganhou. É o que chamam de 7200. Mandado de segurança 7200. Alguns não entraram, eu não entrei porque eu fui pros Estados Unidos. Então, eu já tava… quando eu resolvi fazer as minhas malas, levar minha família toda embora pros Estados Unidos, eu já tinha perdido todas as esperanças, né? Não entramos, alguns não entraram. Mas aí, houve o Decreto 8843 que era o da anistia, que nos dava a possibilidade de retorno. Então, esse grupo está dividido em dois: pessoas que entraram pelo 7200 e pessoas que entraram pelo decreto. Eu sou a que entrei pelo decreto. E a luta, aí, continua, né? Existe a luta. Se nós temos direito a algum tipo de ressarcimento ou não. O grupo 7200 continua com a luta e tem algumas vantagens, mas nós acreditamos que o que eles receberem, nós vamos acabar recebendo também. Não sei se temos direito, não sei se a Petrobras é quem tem que nos pagar. Isso nós não sabemos. Mas continuamos lutando. Pelo menos pra minimizar os 15 anos de sofrimento. Porque, às vezes, eu sentia que ter trabalhado na Interbrás tinha sido um castigo pro resto da vida, porque não só na época dos 15 anos nós ficamos como marajás etc, que estavam roubando o país, que estavam isso e aquilo. Como depois nós fomos os anistiados da Interbrás. Então, vamos ser rotulados durante um bom tempo. As pessoas não fazem isso porque querem, mas é que acaba levando “os anistiados da Interbrás”, “os anistiados da Petromisa”. Não foi só a Interbrás. Teve a Petromisa também. Tem uma outra subsidiária que continua lutando até hoje e não conseguiu voltar, mas… P/1 – Conta um pouco pra gente: como é que foi esse retorno? Porque, aí, você já veio direto pra Reduc, né? R – Aí, eu já vim direto pra Reduc. Na verdade, eu tinha...eu gostaria de ter voltado – até solicitei – pra o Serviço Jurídico que é onde eu estava quando eu saí, mas, aí, alguns colegas meus vieram pra cá, né, pra Reduc, eu achei uma proposta boa, que eu nunca tinha trabalhado numa refinaria. Aí vim. E tentei ficar aqui, consegui ficar aqui, né? Conversei com o gerente de RH na época, e ele acabou me absorvendo e eu fiquei no RH. E hoje tô aqui no RH muito feliz. P/1 – Conta pra gente como é que é o seu trabalho? Como é que é o cotidiano do seu trabalho? R – É, o nosso trabalho aqui na refinaria é um trabalho bastante movimentado, né? Todo dia é um dia, nunca é igual. Não sei se vocês viram, eu tava ali, já me ligaram pra tomar algumas atitudes quando eu chegasse, algumas ações. Então, eu chego, tem toda aquelas pendências. Eu tenho que ver as atas das reuniões do sindicato, conversar com a gerente pra ver o que nós podemos resolver ou não, entrar em contato com os outros gerentes pra ver algumas pendências, algumas solicitações que o sindicato faça. P/1 – É um papel de mediação? R – É um papel de mediação, é. Eu tenho… eu falo pra minha gerente que o meu trabalho é uma construção. Eles estão construindo um muro. O sindicato está de um lado e a Petrobras está de outro, no caso a Reduc, e eu fico no meio. Não sei se eu fico em cima, mas eu fico, assim, no meio. Então, tem horas que o lado de cá dá algum problema, joga a colher de pedreiro em cima deles, eles de cá revidam e eu fico ali, tentando minimizar as consequências, né? Porque, na minha opinião, por tudo que eu passei, o ideal é um entendimento sempre, em qualquer situação. O meio do caminho é o caminho correto. É calma, para, pensa, vamos entrar sempre em acordo. E eu faço parte agora do grupo de readaptação profissional, que é um trabalho que temos aqui na Reduc, é um procedimento corporativo. Nós, aqui na Reduc, nós estamos fazendo acontecer exatamente, né? E é um trabalho muito interessante, porque são pessoas que encontram-se com restrições. Eles não podem continuar fazendo o que eles se propuseram a fazer quando eles foram admitidos e essas pessoas têm que encontrar um caminho dentro da empresa. P/1 – Restrições de que tipo? R – Restrições de saúde, ou outros tipos. Mas o mais é saúde. Algum problema de doença que a pessoa não possa mais fazer… e, aí, o que nós fazemos? Nós reconduzimos essas pessoas pra dentro da Petrobras de alguma forma, né? E o que eu achei muito interessante nesse meu retorno, é que antes de eu estar desenvolvendo esse trabalho, eu fiquei recebendo os novos empregados. Então, eu achei que foi muito interessante isso, né? Eu, com essa história toda, passei a receber os novos. Quer dizer, um dia eu saí e agora eu recebo os que chegam, né? E eu sempre procuro dar muito gás pra esse pessoal novo que tá chegando, porque esse pessoal é que vai fazer a história da Petrobras daqui a um tempo, né? Nós vamos sair, as pessoas mais velhas vão sair, e esses novos que estão entrando é que vão fazer a Petrobras mais forte ainda. Então eu brinco muito com eles: “Vou tratar vocês muito bem, porque amanhã eu posso ser secretária de vocês!” [risos]. E é um trabalho muito bom, esse trabalho de receber os novos eu adoro. Adoro. Mas gosto muito desse trabalho com o sindicato, também. Gosto muito dessa readaptação, desse trabalho de readaptação, eu gosto muito. Porque você...quando eles chegam pra você, eles não estão vendo luz no final do túnel. E, aí, você começa a mostrar que existem outras possibilidades na empresa, não é só aquela. E já tivemos casos de muito sucesso, pessoas que hoje estão em outros locais, não estão mais na Reduc, estão muito felizes e reconstruíram a vida. Não só a vida emocional como a vida profissional, né, porque uma coisa tá ligada à outra. P/1 – Pensando na questão do sindicato, Heloísa, quais são as questões mais cotidianas que você tem que mediar? R – As questões cotidianas, na verdade, são as solicitações que o sindicato… que eles fazem, e conseguir colocar em prática aquilo, porque na verdade todos lutam pela mesma coisa, só que a fala de um e de outro, são diferentes. Só que todos nós queremos o melhor pra Petrobras. Então, o que na verdade se torna mais difícil é tornar as reivindicações deles possíveis de serem feitas. Mas são diversos tipos de solicitações. P/1 – Nesse sentido, aqui dentro você articula com diversos setores? R – Diversos setores. Diversos setores P/1 – E você já vivenciou algum momento de uma greve mais longa? R – Sim, nós vivenciamos essa última greve. Não foi tão longa, foi de uma semana, mas foi complicada, né? Greve é muito complicado. Não é o ideal pra uma empresa, nem pro empregado, pra ninguém. P/1 – E nessa greve, como foi a sua atuação? R – Minha atuação era vai-e-vem, ajuda aqui, ajuda ali. Eu até emagreci 900 gramas. Quer dizer, [risos] pra mim foi até um pouco agradável nesse sentido. Mas não no sentido de greve, porque isso não é bom, nem pro empregado, nem pra empresa. E não é esse o meu papel. O meu papel não é incentivar nem um lado, nem o outro. O meu papel é sempre tentar ajustar. P/1 – Conta um pouco pra gente como é que essa semana foi vivida aqui na Reduc? O que aconteceu? Qual foi a alteração em virtude dessa paralisação? R – É, a alteração é que há o medo sempre de que aqui dentro aconteça alguma coisa de mais grave e eu...haja confrontos, né, esse é o grande medo na verdade. O resto vai normalmente. Nós não podemos parar a nossa produção porque nós temos responsabilidades. Então, tem que haver cuidado de não haver confronto, para que os empregados não parem, pra que não haja nada mais grave. Pra que a greve ocorra de forma transparente, calma, né, pra que não tenha consequências pra nenhuma das duas partes. Nem pro empregado, nem pro empregador. P/1 – E em relação às pessoas que chegam, os novos funcionários, quais são as ansiedades? R – Ah, eles chegam muito ansiosos, cheios de perguntas...porque a Petrobras é um… eles vem do mercado de trabalho, eles entram na Petrobras, isso aqui é um orgulho. Trabalhar na Petrobras é um orgulho. Então, eles chegam todos cheios de gás querendo fazer muita coisa e eu acho que o nosso papel, das pessoas mais velhas, é exatamente incentivar, oxigenar a empresa, que é muito importante. Então, incentivar esse pessoal a fazer o melhor deles, né, que pra empresa é sempre o mais indicado. Mas eles chegam muito felizes. Agora mesmo nós temos 40 novos empregados que estão em fase de ambientação, então eles são muito curiosos, querem saber tudo, porque eles ficam ouvindo do lado de fora, né? Aí quando eles chegam, eles querem saber se tudo aquilo que eles estão ouvindo é real, é isso mesmo. Então, é uma beleza… P/1 – Você tem a oportunidade de contar a sua experiência, essa trajetória de vida dentro da Petrobras pra eles? R – Às vezes sim, às vezes não, porque às vezes eu também tenho… eu fico preocupada de mostrar pra eles um lado que… eu não gostaria de tirar o incentivo deles, de desanimá-los. Então, eu evito um pouco contar, mas quando tenho oportunidade, eu conto pra eles. Mas só que eu sempre digo uma coisa: “Tudo que eu tive na minha vida, eu devo à Petrobras.”. Tudo, absolutamente tudo. Eu não tive herança, eu não tenho padrinho, não tenho ninguém. Tudo, tudo que eu tive, eu tenho graças à Petrobras. Meu filho mais novo nasceu dentro aqui da Petrobras, na época Interbrás. Poxa, foi maravilhoso! Então, tudo, tudo, minhas boas lembranças, todas elas foram daqui de dentro. P/1 – Já que você tá falando disso, se você tivesse que contar uma história emblemática desses anos, mesmo dos anos que você ficou fora, que história seria essa? O que representa essa história com a Petrobras? R – Olha, a minha história com a Petrobras, pra mim, representa uma história de amor. Sempre, sempre desde muito cedo, quando eu passava no prédio do Edise, eu sempre quis trabalhar na Petrobras. Não sei por que… a coisa foi andando, então, é uma história de amor. E uma coisa que eu digo pra todos: “Nunca desacreditar, sempre confiar.”, porque nesses 15 anos, eu sempre acreditei que eu ia voltar. Em nenhum dia eu desanimei. Muitas vezes, a gente perde o interesse, está focada em outra coisa e esquece um pouco, mas eu nunca desacreditei. E sempre, eu sempre… quando eu… nesses 15 anos, eu dizia… eu dizia assim: “Quando eu voltar pra Petrobras eu vou fazer isso, aquilo, aquilo...”. Então, pra mim, é uma história de amor, né? A Petrobras é um… não sei nem explicar pra você, mas é uma coisa que não sai mais do sangue, né? Quando você fala Petrobras, você sente: “Não, essa aí é Petrobras”, como se fosse sua parenta ou um parceiro seu, não sei o nome já… Então, é uma história de amor, é. Eu gosto muito da minha empresa, tenho muito orgulho. P/1 – E, Heloisa, quais são as principais diferenças entre – você que trabalhou dois anos no Edise – trabalhar no Edise e trabalhar dentro de uma refinaria? R – Ah, o trabalho do Edise é um trabalho mais tranquilo no sentido: lá tudo tá mais próximo. Aqui, você vê: aqui a nossa refinaria é grande, então, você tem que circular bastante. Eu sempre digo que as pessoas não devam ficar em seus lugares sem se levantar. Você tem que ir atrás da notícia, você não pode… lá é mais fácil nesse sentido. Você tá ali, você tem tudo ali, o prédio todo tá ali junto a você. É um outro tipo de trabalho. Aqui não, aqui é um trabalho, como eles chamam, de chão-de-fábrica, né? Que você tem que fazer tudo que for necessário, não pode ficar com muita… eu gosto porque eu ando bastante. Então, eu adoro isso, eu gosto da parte física daqui, da minha necessidade de integração com as outras gerências. Então, eu tenho que ir, tenho que vir, nada é tão perto, aqui, né? Então, essa parte eu gosto muito. P/1 – Quais são as gerências com as quais você se relaciona mais frequentemente? R – Ah, eu tenho um maior relacionamento com SMS [Segurança, Meio-Ambiente e Saúde], porque é a parte da minha readaptação profissional, né? Eu tenho muita interação com SMS/SO, com o SOP... P/1 – O que é SOP? R – SOP é Suporte Operacional. Nós temos bastante, por questão da admissão, quando eu fazia, né, das necessidades deles. Então, eu tenho bastante interação, mas, assim, eu tenho com todas, não posso… o SMS/SO eu cito só porque… por questão da minha comissão, que eu faço parte de readaptação profissional. Mas, mais ou menos de todos... P/1 – Heloisa, houve alguma alteração em virtude da crise econômica? Houve alguma alteração do cotidiano do seu trabalho aqui dentro da Reduc? R – Não, do meu trabalho não. Mas nós estamos com esse projeto agora: Otimizar Reduc, que nós temos que otimizar os custos, então, tudo que nós pudemos fazer pra melhorarmos o custo da Reduc, nós estamos fazendo. Então, no cotidiano nós estamos buscando formas de economizar, né? Nisso, sim. P/1 – E por outro lado, como que as notícias do pré-sal vêm sendo sentidas aqui dentro da Reduc, hoje? R – Ah, as pessoas comentam. Ainda é… pra nós ainda é um assunto muito… não temos, assim, muita… não falamos muito sobre isso. Ficamos sabendo pela mídia, e tal, algumas pessoas comentam, mas ainda não… eu, pelo menos, não tô muito ligada a isso ainda não. P/1 – Heloisa, a gente tá encaminhando para o fim, tem algo que eu não tenha perguntado que você queira deixar registrado? R – Não, você perguntou bastante coisa, sobre várias fases da minha passagem pela Petrobras e o que eu queria deixar registrado é isso, é que a Petrobras deve lutar pra continuar sendo o que ela é. Que os novos cheguem e consigam botar a empresa pra frente porque ela é um… lá fora quando você – você conhece o Brasil lá de fora, né? Quem tá aqui dentro não conhece – quando você fala Petrobras, você fala e as pessoas te ouvem com muita atenção. Porque é uma empresa mundialmente conhecida. Então só isso: eu acho que a empresa deve se perpetuar por aí, os novos devem fazer um trabalho bem árduo em cima dela o melhor possível, pra ela ir pra frente como tem ido. P/1 – O que é ser petroleiro? R – Ah, é muito orgulho. É muito orgulho. É difícil até de dizer. P/1 – Pra concluir: o que você achou de participar do programa Memória Petrobras e de vir aqui dar o seu depoimento. R – Ah, eu fiquei muito orgulhosa, também. Eu nunca tinha participado, assim, de… nem achei que seria indicada, porque a minha história tem uma lacuna de 15 anos, mas fiquei muito orgulhosa. P/1 – Agradeço! R – Obrigada!
Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+