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“Um dia eu quero trabalhar na Itaipu”

História de: Luiz Stecanella
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/11/2005

Sinopse

Luiz Stecanella nasceu na cidade de Turvo, no estado de Santa Catarina, no ano de 1955, mas foi criado na cidade de Francisco Beltrão, no estado do Paraná. Luiz conta sua trajetória a partir do Ingresso na Itaipu Binacional, passando pelos momentos marcantes dentro da empresa.

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História completa

P1 – Bom, pedir de novo pra você falar o seu nome completo local e a data de nascimento.
R – Meu nome completo? Luiz Stecanella, data de nascimento 9 de abril de 55, nasci em Turvo, Santa Catarina, sou barriga verde, me criei no estado do Paraná com muito orgulho.
P1 – O que é barriga verde?
R – Barriga verde é quem nasce em Santa Catarina, é aquela rincha que eles tinham entre gaúchos e catarinenses, então surgiu aquela briguinha entre catarinense e gaúcho, então os gaúchos o apelido deles era farrapos devido aquela guerra dos Farrapos e daí os catarina ficaram com apelido de barriga verde.
P1 – E vem até hoje esse apelido?
R – Até hoje, mas é bom.
P1 – E o nome de seus pais?
R – O meu pai é Antônio Stecanella e minha mãe é Alzira de Souza Stecanella.
P1 – O Luiz e como era assim morar no Turvo?
R – Bom, eu não posso te falar como era morar no Turvo que eu sai de lá com 3 anos de idade, eu me criei em Francisco Deltrão.
P1 – E como é que era Francisco Deltrão?
R – Muito bom, era e é muito bom até hoje eu gosto muito de lá cada 3, 4 meses eu tenho saudades de ir pra lá porque é uma cidade do interior que por exemplo ali é mais uma cidade do interior ela gera a sua renda ali por exemplo é mais da agricultura e pequenas industrias, né, então não tem tanta aquela euforia de tanta misturas de raças igual nós temos aqui em Foz do Iguaçu, então é uma cidade mais tranqüila não tem violência, não tem nada é muito bom lá, excelente.
P1 – O Luiz, como é que você veio parar no setor de montagem de Hidroelétrica, de Usina Termoelétrica, como é que...
R – Deu isso na cabeça? Que é o seguinte mais ou menos na década de 70, 71, 72 quando se falava na montagem de Itaipú, é o maior complexo na época do mundo, então meu na época assinava um jornal regional que se chamava A Tribuna do Sul Leste, então eu gostava sempre de acompanhar isso, né, então aquilo me chamava atenção então eu pus isso na minha cabeça “Um dia eu quero trabalhar na Itaipú”.
P1 – O que você imaginava que era Itaipú?
R – Eu não imaginava como que seria, eu imaginava assim pela quantidade de pessoas na época falavam que iam abranger na montagem, então eu imaginava 45, 50 mil pessoas o que é isso, na época era mais ou menos a população de toda cidade que eu morava, então aquilo me chamou atenção, né, curiosidade minha “Um dia eu quero trabalhar em Itaipú” e deu certo.
P1 – E como você fez pra chegar até Itaipú?
R – É uma história bem complicada não vai dá pra contar tudo. É que eu trabalhava numa fabrica de implementos agrícolas como eu te falei, né, e aí quando chegou um determinado tempo eu resolvi vir pra cá aí eu peguei e vim a torto e a direito, peguei minha mala e vim pra cá, mas eu tive sorte que quando eu cheguei aqui em 86 eu não entrei na Itaipú diretamente eu cheguei na rodoviária de Foz de Iguaçu não conhecia ninguém tinha uma plana num escritórinho ao lado da rodoviária “Precisa-se de torneiro mecânica pra trabalhar no Paraguai” mas era um empresa brasileira a Taliteneng Técnica Nacional de Engenharia, aí dali mesmo eu me dirigi ao escritório deu tudo certo, fui fazer a entrevista na época lá no Paraguai mas a empresa era brasileira e comecei a trabalhar em 76 lá e aí ao termino do Acaraí aí que eu vim pra Itaipú em 77 pela essa mesma empresa.
P1 – Acaraí era outra Usina?
R – Usina aqui do Paraguai, próxima aqui, é a primeira Usina deles eu acho que foi a primeira Usina Geradora Hidroelétrica deles, próxima daqui dá uns 4, 5 quilômetros mais ou menos.
P1 – E aí você já veio pra Itaipú?
R – Já vim pra Itaipú.
P1 – E quando você chegou aqui qual foi a sua reação?
R – Eu me assustei, né, me assustei pelo movimento na época, porque na época eles tavam fazendo a escavação do canal de desvio então o movimento naquela época de maquinas era muito grande, maquinas monstruosas, muita gente, correria, gente de todos os tipos, um vocabulário diferente então era muito barulho, muito acidente morria muita gente, então se assustava, mas depois acaba se acostumando eu acho que me acostumei porque eu to aqui até hoje.
P1 – O Luiz, quando você chegou aqui você foi fazer o que em Itaipú?
R – Quando eu cheguei em Itaipú na época eu já trabalhava no Icaraí, eu trabalhava na parte de tornearia também que era a minha função, ai eu vim pra Itaipú pela mesma empresa que na época essa empresa estava montando a central de concreto pra montagem, entendeu, as centrais aliás então aí eu trabalhava na oficina de apoio da montadora então todas aquelas peças de pequeno porte, médio porte que as vezes por uma falha de projeto ou algo assim tinha que ser fabricado no local então essas peças eu fabricava.
P1 – E aí você depois passou pra voltagem da unidade geradora?
R – Não, aí após essa época foi que a empresa me transferiu pra Eletrosul, aí quando ela terminou os complexos dela que era a parte de centrais de concreto, né, e ela estava tocando a montagem dessa Usina da Eletro Sul na qual depois ela me transferiu pra lá, aí quando foi pra outubro de 78 eu fui pra Eletro Sul lá eu comecei a trabalhar em outra atividade porque aqui eu trabalhava na parte de tornearia e lá eu comecei a trabalhar na parte de montagem de turbinas termo elétricas, lá que eu comecei a trabalhar com termo elétricas. Aí terminou a montagem por volta de outubro de 80, né, aí eu voltei novamente pra Itaipú aí naquela época já havia começado a montagem mas eu na época eu entrei pela Unicon que trabalhava na parte civil, eu era fichado pela Unicon mas eu prestava serviço pra Esdney, era um firma francesa que ela trabalhava no canal de desvio fazendo a usinagem das guias de comporta aonde ia ser feita a vedação dos canais de desvio, né, então eu trabalhei durante 1 ano e após 1 ano que daí eu entrei na Itamon que era uma empresa que fazia parte da, era dona do consorcio das montagens das maquinas, que daí eu entrei na Itamon na montagem de turbina que eu trabalhei na montagem de turbina até 86, né, aí depois de 86 eu comecei a trabalhar com operação e estou até hoje.
P1 – Na operação?
R – Na operação.
P1 – Me fala uma coisa, quais são assim nesse tempo que você passou aqui trabalhando, qual o seu momento marcante, emocionante pra você?
R – Teve muitos, difícil falar agora um momento marcante.
P1 – Um pra você assim, significativo pra você.
R – Bom, pra mim marcante foi porque na época eu era solteiro na época, né, então eu fazia, sempre trabalhei com movimentos de jovens então na época nós tínhamos um grupo de jovens, né, e eu acabei conhecendo a minha esposa no grupo de jovens e acabei casando foi um momento muito marcante, casamos somos muito felizes, graças a Deus bem casado e com muito orgulho, então isso foi uma parte bem marcante pra mim e quando foi em 85, eu casei em 82, e quando foi em 85 o nascimento da minha filha, né, isso é uma parte marcante.
P1 – Como elas chamam, a esposa e a filha?
R – A minha esposa chama Maria de Lourdes e a minha filha chama Mayara.
P1 – E me fala uma coisa você tem alguns causos engraçados pra contar, que aconteceram, que você pode tá revelando aqui pra gente?
R – Tem uns engraçados, talvez alguns pode revelar, mas outros não sei.
P1 – Pensa um que você pode contar pra gente assim engraçado.
R – Engraçado foi o seguinte, quando foi em 81 nós estávamos fazendo a centralização do aro do anel de desgaste e na época a gente tinha que fixar uma viga na parte superior, né, e centralizar uma linha de aço, um arame de aço e bem no centro as medidas eram tomadas através de micrômetro interno, é com fone de ouvido, né, então as medidas você capta pra audição, pelo ruído o contato da linha de aço e a superfície aonde você chama as medidas, então na época nós estávamos fazendo as medidas e dois senhores chegaram e se aproximaram e subiram nessa viga, né, e aí ela começou a balançar e nós estávamos em baixo fazendo a medida e nós não dávamos conta do que estava acontecendo, mas fugia rapidamente a medida, né, mas nós não sabíamos o que estava acontecendo e de repente o meu colega olhou pra cima e viu aqueles dois senhores em cima da viga aí pegou e falou assim: “O seus dois Zé, dá pra vocês tirar o pé ali de cima, porque vocês não tão vendo que tão atrapalhando o nosso serviço aqui”, aí balançou a cabeça, aí esses dois senhores pediram desculpa, né, “Não tudo bem” e saíram a passo e aí tinha um estagiário que na época tava trabalhando com a gente aí começou a rir e abaixou a cabeça assim e debruçou, aí o Darti esse colega meu que havia falado isso, perguntou pra ele: “O Dante porque você tá rindo”, ele falou: “Você sabe quem é esse cara aí”, ele falou: “Não”, “Pois esse é o diretor de obras”, que na época era o Rubens Viana, era o diretor de obras e ele não sabia com quem tava falando e ele xingou a pessoa sem saber quem ele tava xingando, aí ele ficou todo sem jeito e não sabia “O que vai acontecer agora comigo” e ficou desesperado, então esse é um dos fatos engraçados, tem alguns outros mas não pode ser revelado.
P1 – E me fala, você almoçava no refeitório como era isso assim, tinha muita gente que almoçava junto, como era isso?
R – O refeitório ele era dividido na época que ele tem quatro classes, o refeitório é aqui próximo, tinha o refeitório a sala D, a sala D era pra aqueles funcionários que trabalhavam mais na parte mais braçal servente, aquelas coisas, esse tipo de mão de obra. Depois tinha o C que era pra aquelas pessoas que trabalhavam na construção civil, mas trabalhava na parte de carpintaria algo assim e depois tinha o refeitório B, aí o B era pra um nível de funcionário por exemplo pra funcionário mais qualificado, aí o A que era pra parte de engenharia e algo assim pra esse nível de pessoas então eram quatro níveis que tinha o refeitório.
P1 – E serviam comidas diferentes, tudo.
R – Olha, eu não sei, mas parece que não tinha muita diferença não. Parece que os dois primeiro era cozido em panelas diferentes, feito de uma forma diferente agora os outros parece que era feito tudo junto.
P1 – Qual era o seu horário de trabalho aqui, mudava, tinha turno da noite.
R – Mudava, quando eu trabalhava com exime tinha troca de turno eu trabalhava 1 semana pelo dia e 1 semana pela noite, depois que eu comecei a trabalhar com montagem não. Então quando eu comecei a trabalhar com montagem aí mudou o sistema, nós não trabalhávamos aos domingos, mas tinha dia que até às 20 horas, 22 horas e as vezes dobrava também dependia muito da necessidade.
P1- E qual que era essa necessidade?
R – A necessidade era o seguinte, a parte de montagem ela tem que seguir um cronograma, então as vezes esse cronograma não satisfazia as exigências da Itaipú que num determinado prazo ela queria que essas peças tivessem montada. Então quando a montadora ela observava que estaria tudo pronto no dia já demarcado no cronograma deles então eles aceleravam a montagem.
P1 – Aí vocês viravam.
R – Aí viramos.
P1 – Nossa Senhora, infelizmente tá acabando o nosso tempo e eu queria saber de você uma ultima pergunta, o que você achou de ter vindo aqui de ter falado um pouco da sua vida, da sua experiência aqui em Itaipú e de ter dado essa entrevista pro Memorial do Trabalhador.
R – Muito gratificante, emocionante porque por exemplo em 45, 50, 60 mil pessoas que passaram por aqui e 35 pessoas que foram escolhidas eu fui um deles então é a mesma coisa que eu tivesse acertado na Mega Sena, excelente, muito bom.
P1 – Obrigada Luiz.
R – Eu que agradeço. 

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