Busca avançada



Criar

História

Um cinema protagonista e autoral

Sinopse

Viviane através da sua história nos mostra o mundo do Candomblé onde sua vó era Mãe de Santo, conta da infância vivida na Bahia, de quando acompanhou sua mãe como manicure, seus primeiros envolvimentos com audiovisual, conta das manobras pra conseguir bolsa no cursinho e uma transferência para São Paulo. Em São Paulo mostra uma vida onde encaixou um estudo de cinema, direito e trabalho, tudo ao mesmo tempo além de revelar tramas amorosas e nessa história complexa e rica em simplicidade, magia e cinema.

Tags

História completa

Sou Viviane Ferreira, eu nasci na cidade de Lauro de Freitas no dia 15 de março de 1985, na real, no dia 16 de março de 1985. Minha mãe deu entrada na maternidade no dia 15 e demorou um tempo num processo de trabalho de parto e quando minha vó foi me registrar, saiu com a data do dia 15, mas eu nasci no raiar do sol do dia 16, então minha vó nunca deixou eu comemorar o aniversário no dia 15 como no documento, comemoro sempre no dia 16 que foi onde eu nasci e todas às vezes que eu assino uma ficha eu tenho que lembrar que é para colocar dia 15, senão, eu não existo.

Em 1940, a minha bisavó por parte de pai chega na comunidade, ela compra as terras do outro lado da estrada, que tinha ficado com a família do finado Ambrósio, mas assim, era uma faixa de terra e de mata atlântica muito fechada, não era produtiva pra além das árvores frutíferas, s mas então ela compra as terras em 1940 para fundar o terreiro, então o terreiro começa a fornecer água para a comunidade toda porque não tinha água encanada, os lugares de acesso pra pegar água era muito difícil, a fonte mais próxima era a do terreiro, tem muitas histórias do mutirão que foi pra abrir a fonte de Oxum. e era quitandeira também, então vendia frutas e muita gente ia na quitanda não para comprar as coisas, mas porque precisava que ela jogasse ou porque tinha alguma demanda espiritual. Isso até a irritava. Com a minha vó aprendi a fazer laço nos processos preparatórios para as festas, para Festa de Oxum, a gente ficava tirando no palitinho ou no zerinho ou um, quem era que ia fazer a talha de cada Orixá. E a gente ficava tentando fazer a talha de acordo com o Orixá da gente, só que a gente não sabia quais eram os nossos Orixás. Então a gente perguntava sempre pra minha vó que dizia: “Todo mundo é filho de Oxalá”, como é que pode Oxalá ter tanto filho? Com tanta gente aqui e tanto Orixá, todo mundo é filho de Oxalá? Mas só tinha uma talha de Oxalá, não dava pra todo mundo fazer, aí a gente ia escolhendo pelas cores prediletas, gostava muito desse momento de mais silêncio

Aos 12 anos minha mãe me colocou para fazer o curso de manicure, era bem aquela coisa: “Se você não der para nada que preste nessa vida, pelo menos, vai ter a minha profissão" Fiz o curso de manicure e nas minhas férias daquele ano e em todos os anos até eu completar 18 eu ia no salão com minha mãe.. Um dia eu estava assistindo "Sessão Da Tarde" e passou “A Lagoa Azul”, e naquela semana, a gente tinha lavado o tanque da casa de tia Nenga com anil, depois que lava o tanque, botava o anil que deixava água muito azul. Tava lá de boa assistindo “A Lagoa Azul” e aquela lagoa era tão azul quanto o tanque de tia Nenga, eu fiquei pensando: será que no cinema eles usam anil? Porque a cor do mar da “A Lagoa Azul” não era igual a cor do mar de Salvador, aí falei pra minha mãe: “Quero fazer filme” ‘Pra quê?” “Pra aprender como que se faz mar com anil.

Eu consegui um cursinho com 85% de bolsa e teria que pagar os 15. Mas esses 15 % eu e minha mãe não tínhamos condições de pagar, então eu convenci eles de que eu trocaria esses 15 por fazer a divulgação do lugar, eles toparam, mas depois que começou, falaram pra esquecer e me concentrar apenas no estudo. Decidiram fechar as turmas e remanejar, mas aí meu acordo ia por água baixo e eu também então tomei providências e chamei um advogado amigo que disse que eu tinha razão e fui conversar com a instituição, eles não quiseram ir pra um caminho jurídico e conversa vai, conversa vem, consegui um apoio pra ir pra São Paulo. Inventei uma história de uma bolsa pra minha mãe, convence-la foi difícil, mas deu certo e fui me mudar pra São Paulo. Quando eu cheguei, uma coisa que me marcou foi o taxímetro, aquele númerinho ia crescendo rápido demais, e aí eu estava lá olhando para ele fixamente e rezando para que o dinheiro de bolso desse pra pagar aquele táxi.

Eu tentei o vestibular pra ECA e não entrei. Estava arrasada e me perguntaram: Você quer estudar cinema ou quer entrar na ECA? Porque se for o Cinema o seu desejo tem outros caminhos, e foi o que fiz, consegui uma grande bolsa na escola do Stanislaviski, comecei a estudar lá, de alguma forma ainda fiquei preocupada, porque durante o curso tinha cenas onde precisava de 3 limusines por exemplo, e eu pensava nossa como vamos arrumar uma limusines, mas logo eles falavam podemos pedir pro meu padrinho, pro meu tio... E eu pensando gente que mundo que estou? Além disso essas pessoas que já tinham muitos contatos no meio, eram relacionadas, eu via eles tomando nãos, e fiquei refletindo de que deveria ter uma outra opção, então entrei em Direito, que aliás já tinha pensado lá atrás em estudar isso, até minha mãe tinha gostado da ideia e arrumei um emprego no Datafolha. Eu estudava Direito de dia, trabalhava de tar e estudava cinema de noite. 

Quando a gente estava terminando a escola, eu estava juntando grana naquele último ano que era para comprar a minha primeira ilha de edição, porque eu tinha entendido que uma possibilidade era começar a ganhar dinheiro montando coisas, porque era a ilha, eu no meu quarto, tudo resolvido. Eu estava paquerando uma garota e a gente conversando, eu falei pra ela irmos economizando nos programas porque eu iria comprar uma ilha. e vai ser isso, porque eu não posso gastar muito dinheiro não, porque eu tenho que comprar uma ilha, ela pensou: Nossa a menina diz que não tem dinheiro e vai comprar uma ilha? Quando de fato eu comprei a ilha, eu falei que ia ser hoje, eu ia na Santa Ifigênia, consegui juntar toda a grana, eu tô indo lá na Santa Ifigênia, e etc...: Então ela me interrogou : “Viviane, você não falou que ia comprar uma ilha, mas na Santa Ifigênia, porque a ilha que eu conheço é um monte de terra cercada de água por todos os lados.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+