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Um cara pra confiar

História de: Renato Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/01/2018

Sinopse

Renato é um cara apaixonado. Pela família, pela arte, pela escrita, pelo trabalho. Pela vida. É um sentimento tão forte que seus olhos são cúmplices e transbordam o amor que não cabe nele: logo se enchem d’água. Também, pudera! Sua história tem início com a ida dos pais da Bahia a São Paulo, em busca de trabalho. Na falta de mistura em casa, aprende a riqueza da presença diária do feijão com arroz. Na adolescência, sem precisar de um empurrão, percebe que já pode contribuir em casa. Sem titubear, pega sua caixa e vai engraxar sapato. Diz não para a faculdade que sonhara cursar e se entrega ao trabalho. Mas a vida há de ser justa e oferece uma oportunidade de emprego na Allergan, indústria farmacêutica. E lá Renato trilha um caminho de muita verdade e, pra variar, paixão.

História completa

Falar de pai e mãe é sempre emocionante. Se hoje eu estou aqui é porque eles me ensinaram o certo e o errado. Antigamente uma palavra tinha mais valor do que um papel escrito. Então eu adquiri esse conhecimento e ensinei meus filhos: “Bênção, pai”; “Benção, mãe”. É o respeito com o próximo. Uma vez, meu pai chegou em casa, sentamos à mesa e ele falou para mim e para meu irmão: “Sentem os dois aqui. Antes de jantar, eu preciso conversar com vocês. Aqui em casa não tem mistura, mas arroz e feijão não faltam. Eu trabalho, ganho pouco, mas dignidade, honestidade, vocês têm que ter. Se vocês quiserem seguir o caminho errado, é só levantar e ir embora. Vamos ter consciência e fazer o bem para o próximo”. Família é tudo. Por mais que você brigue com o seu irmão, é ele quem vai estar quando você precisa. No dia a dia, é a família quem está presente. E uma família unida vai ser sempre unida!

 

Eu sempre gostei de ler muito, gostava de ler poesias, poemas, e associava televisão com o que tava acontecendo no dia a dia. E escrevia! Na época do colégio, eu gostaria de fazer faculdade de Educação Física; eram duas coisas que eu gostava: criança e Educação Física. Só que não deu pelas circunstâncias: eu preferi trabalhar e ajudar meus pais. Mas hoje voltei aos estudos! Estou fazendo Logística e minha mulher se formou em 2016. Combinamos assim: enquanto ela ia estudar, eu ficava com as crianças, nossos filhos. “Quando você terminar o seu curso, eu vou e começo o meu”. Eu sei que a idade atrapalha. Vou sofrer um pouquinho? Vou. Mas vou conseguir.

 

Mas, antes disso, por volta dos 16 anos, eu já tinha consciência de ajudar meus pais. Então peguei a caixinha de sapato e batia na porta do pessoal: “Dá pra engraxar o sapato?”. As pessoas entravam, davam almoço e ainda: “Passa aqui no sábado que vem que tem um monte de sapato pra você engraxar”. Passei por umas empresas um tempo depois e surgiu uma oportunidade de trabalhar na Allergan. Eu estava fazendo um bico num shopping das quatro da manhã até as 10h30 – e eles precisavam de mim. Sempre falava: “Pode confiar!” O responsável me pegava de manhã e a gente ia trabalhar. No mesmo dia da entrevista na Allergan, me chamaram para um serviço. E eu sabia que com esse dinheiro, eu ajudaria meus pais. E ele confiava em mim, né? Cheguei quatro horas depois do horário combinado na entrevista.

 

Mesmo assim eu fui, preenchi a ficha e conversei com eles, que queriam saber o motivo do meu atraso. Eu falei: “Já tinha feito um compromisso com as pessoas que estavam me ajudando naquele momento e eu não podia deixá-los na mão, porque eu não seria correto comigo e nem com eles”. Fui sincero e honesto. Eu sabia que aquela vaga não seria minha naquele momento. Eu poderia mentir, poderia dizer qualquer coisa, mas meu pai me ensinou: “Fale a verdade. Independente se você está errado ou certo: fale a verdade”. Eu sei que muitas vezes as pessoas não são corretas com você, mas independente de tudo, você tem que ser correto com as pessoas e ter comprometimento naquilo que você faz. Chegando à casa, minha mãe falou assim: “O pessoal falou pra você começar segunda-feira na Allergan”.

 

O que mais me empolgava era crescer e mostrar o meu melhor. Às vezes você pensa: “Pô, mas ficar carregando caixas!”. Mas você trabalha de um jeito diferente, com amor, com paixão. Fazer o serviço que vem daqui de dentro, não chegar e ficar assinando documento e falar “Ganhei meus cem reais, vou embora”. E amanhã e mais tarde? Eu entrei na área de almoxarifado e hoje sou operador de logística.

 

O que me deixa feliz é saber que o frasco de remédio vai chegar ao cliente que precisa.  Só quem está desse meu lado sabe como nós trabalhamos para que o produto chegue até o cliente. Tem falhas? Tem. Mas as falhas, nós vamos suprindo conforme as necessidades. Minha satisfação é poder ajudar.


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