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História

Um bancário apaixonado pela educação e pelo São Paulo Futebol Clube

História de: Laudo Natel
Autor: Ana Paula
Publicado em: 05/06/2021

Sinopse

Nascido no interior de São Paulo, Laudo Natel iniciou a carreira de bancário em 1937. No Banco Bradesco, atuou em diversos segmentos. Teve também carreira política como vice-governador do estado.

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História completa

Projeto Fundação Bradesco Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Laudo Natel Entrevistado por Marlon Chaves e Judith Ferreira Osasco, 18 de janeiro de 2006. Código: FB_HV030 Transcrito por Luani Guarnieri Bueno Revisado por Claudia Guarnieri P/1- Bom dia. Eu queria que o senhor falasse primeiro o seu nome completo, local e data de nascimento. R- Meu nome é Laudo Natel. Eu sou nascido em 14 de setembro de 1920, na cidade de São Manuel, aqui no interior do estado. P/1- E seus pais quem eram? R- Bento Natel, Albertina Natel, falecidos. P/1- E qual era a profissão deles? R- O meu pai era administrador de fazenda, e a minha mãe de prendas domésticas. P/1- E o senhor teve quantos irmãos? Irmãos, quantos? R- Eu tive dois irmãos, também já falecidos, Dácio Natel e Washington Natel. P/1- E o senhor tem lembranças dos seus avós? R- Avós? P/1- Isso. R- Sim, o meu... Eu conheci os meus avós paternos que residiam na cidade de Avaré, também no interior de São Paulo. E os maternos também aqui em São Paulo, também todos já falecidos. P/1- E o senhor tem lembranças da infância do senhor no interior? Como era a vida naquela época? R- Bom, eu fui criado em fazenda, meu pai era administrador de fazenda. Nasci em São Manuel, saí de São Manuel aos dois anos de idade quando meu pai foi administrar uma fazenda na cidade de Mirassol, aqui também no interior de São Paulo. De modo que eu fui criado em fazenda e durante o curso primário, eu ia a cavalo da cidade para a fazenda. Eu fiz o curso primário, tinha uma distância mais ou menos de oito quilômetros da fazenda até a escola. Quando chegou na fase de término do curso primário, naquele tempo não havia muita facilidade de ginásio no interior de São Paulo. Então, meu pai, a despeito do sacrifício dele, porque, afinal de contas, tinha uma profissão modesta, mas ele me mandou para Araraquara onde havia o ginásio do Estado. Eu fiquei um ano estudando em Araraquara e nesse intervalo foi criado o ginásio na cidade de Mirassol. Então eu completei o curso fundamental e também o ginásio na cidade de Mirassol. Posteriormente, com o falecimento do meu pai, aí eu tive que enfrentar a vida, e, é aí o início da minha carreira bancária. Eu sou bancário desde 1937, era funcionário do Banco Noroeste, que hoje já não existe, onde também era funcionário o Amador Aguiar. Eu era funcionário da agência de Pirajuí e ele já era gerente da agência de Birigui. E aconteceu que nós fomos transferidos, eu para Lins e ele também para Lins. Então ele foi o meu gerente no Banco Noroeste em Lins... E isto no ano de 1940, de modo que a minha convivência com Amador Aguiar vem desde 1940. Posteriormente, quando foi criado o Banco Brasileiro de Descontos, cuja origem era uma casa bancária em Marília - Casa Bancária Almeida e cia. O organizador da transferência de casa bancária para banco, que de nome Negreiros, que era um antigo funcionário do Banco Comercial, faleceu praticamente às vésperas da inauguração. Então, até os dirigentes da casa bancária, José Alfredo de Almeida, Dr José da Penha Junior, foram buscar o Amador Aguiar no banco Noroeste para que ele fosse o dirigente do Banco, isso na cidade de Marília. E o Amador, quando foi para Marília, ele naturalmente... Ele procurou se cercar de alguns companheiros que ele tinha no banco Noroeste, então eu fui convidado por eles. Nessa altura, eu já tinha a assinatura do Banco Noroeste, já era pró-contador e fui então para Marília. De Marília nós trabalhamos, ficamos... Em Lins, com ele eu convivi de 1940 a 1943. 1943, na Fundação do Bradesco, eu fui para Marília, e fiquei em Marília até 1946 quando a matriz do, do antigo Banco Brasileiro de Desconto, hoje Bradesco, foi transferido para São Paulo. Aqui um detalhe interessante... A Casa Bancária Almeida tinha um endereço telegráfico chamado Bancal - Banco Almeida - quando foi transferido para Banco Brasileiro de Desconto, o banco continuou com esse endereço telegráfico Bancal, até que um dia, numa reunião aqui no banco, nós resolvemos: “Nós precisamos mudar o nosso endereço telegráfico, afinal de contas, hoje não é mais Casa Bancária Almeida.” Então eu me lembro que, com um dos nossos companheiros, Donato Francisco Sacci, no dia seguinte trouxe uma série de sugestões e nós escolhemos Bradesco - Banco Brasileiro de Descontos Bradesco - que veio se tornar depois o nome oficial do Banco, de modo que a minha convivência com Amador Aguiar data desde 1940 até o momento do falecimento dele. Eu, talvez, seja hoje o mais antigo elemento porque hoje, talvez aqui, é, do tempo de 1943, acho que é eu e o Lázaro Belo Brandão, que é o presidente do Conselho, que também entrou menino. Eu conheci o Lázaro quando ele tinha praticamente 15 anos de idade, 15, 16 anos de idade, e com Amador convivi. Eu fui secretário quando vim transferido de Marília para São Paulo. Depois, naquele tempo, abaixo da diretoria, foram criados três cargos gerais: era o inspetor geral, o gerente geral e o secretário geral. Estes cargos eram ocupados pelo Donato Francisco Sacci, pelo Luís Silveira e por mim. E nós fomos os primeiros a sair do quadro de funcionários para o quadro de diretoria. E a partir de nós todos, porque isso ficou depois uma norma do Banco que sempre o diretor é recrutado no quadro de funcionários. Mas o Amador Aguiar era uma figura interessante, é um homem de origem muito humilde, um homem que não teve escolaridade. O Amador Aguiar, eu acho que teve o curso primário, mas ele era tão obstinado que ele chegou a ter uma cultura apreciável como autodidata, e dava um valor imenso à educação. Eu me lembro que ele sempre dizia: “Olha, a pessoa que sabe ler e que sabe escrever pode chegar até onde quiser, depende só dela. Se sabe, se tem o acesso ao livro, ele pode chegar até onde quiser.” E acho que a vida dele foi uma afirmação disso que ele dizia que, afinal de contas, ele tinha um tino extraordinário como dirigente de banco. Eu considero hoje, com a minha experiência, que o moderno sistema bancário brasileiro tem duas fases: antes e depois do Amador Aguiar. Ele desbravou, ele criou… o banco como prestador de serviço foi praticamente uma ideia do Amador Aguiar. Eu me lembro que o Bradesco teve distribuição de correio, o Bradesco foi o que ofereceu ao Governo para arrecadar o imposto de renda, então há uma série de serviços. Quando o banco veio do interior para São Paulo, ele prestava serviços para o cliente do interior. O homem do interior tinha um filho estudando em São Paulo, o Bradesco que pagava. Então, o Bradesco, o banco prestador de serviços, foi uma das coisas que o Amador fez. E por isso mesmo ele dava um grande valor à educação. Então, a origem dessa Fundação Bradesco, que inicialmente era a Fundação São Paulo de Piratininga, e foi exatamente isso o valor que ele dava a educação. E com o tempo houve essa expansão natural, e hoje o Bradesco está em todos os lugares. Eu particularmente tenho uma experiência interessante com a Fundação Bradesco. Quando fui governador do Estado, eu olhei com muita atenção uma das regiões mais pobres de São Paulo, que é o Vale do Ribeira. E fiz um programa específico do Governo do Estado no sentido de __________ dessa região do Vale do Ribeira. E a Fundação Bradesco, em apoio ao meu programa, fez aquela escola hoje de Registro. Esta escola presta, prestou e está prestando serviços inestimáveis à região. Ela vem formando gente desde 1974, época da Fundação, e era também __________, e assim ele fez a ocasião uma em Bagé, no Rio Grande do Sul, para apoiar um programa do presidente Médici; fez uma lá no Pará para aprovar um programa do Jarbas Passarinho, que aquele tempo era Ministro da Educação. E hoje, para felicidade nossa, ela está em todos os recantos, não só em quantidade como oferecendo qualidade de ensino. No caso específico aqui do Vale do Ribeira, ela está formando cidadão, mais do que instruindo, dando instrução, ela está formando cidadão. Daí o valor inestimável que tem essa fundação que hoje eu acho que é um patrimônio do país, a Fundação Bradesco, pelos serviços que ela presta à nossa coletividade. P/1- O senhor, é... voltando assim, quais as lembranças que o senhor tem do senhor Amador Aguiar, lá ainda em Lins? Como é que foi que o senhor o conheceu? O senhor tem lembranças dessa primeira época quando foi formada essa amizade? R- Bom, eu fui transferido de Pirajuí para Lins e já encontrei ele, que já tinha vindo da Agência de Birigui. Ele já era um funcionário antigo do Banco Noroeste. Eu me lembro que o Amador foi... Na ocasião, ele gostava muito de trabalhar internamente, e eu executei muitas fases externas do Bradesco, daí a razão que o Bradesco, que não gostava muito que o funcionário fizesse política, eu acabei governador, porque eu fazia coisas externas. Para ter uma idéia de vocês, eu fui, por exemplo, diretor da associação comercial representando o Bradesco; eu fui diretor do Sindicato dos Bancos, representando o Bradesco; eu fazia os contatos com a Sumoc [Superintendência da Moeda e do Crédito], que foi a precursora do Banco Central, representando o Bradesco. Então, eu fiz esse relacionamento externo, porque o Amador em si ___________ mas eu me lembro que, inclusive, eu era inaugurador de agências, das primeiras Agências do Bradesco, e ele não gostava muito de ir nas inaugurações. Eu me lembro que em algumas ele foi comigo. Foi na cidade de Presidente Alves, que curiosamente nós instalamos a Agência do Bradesco no lugar onde ele havia sido gerente do Banco Noroeste no ano de 1928. Foi comigo numa outra inauguração que foi na cidade de Bebedouro onde ele tinha sido tipógrafo. Aí tem uma outra história interessante para contar pra vocês, o Amador foi tipógrafo e perdeu um dedo numa tipografia. Não era nenhuma máquina de cortar, era aquela impressora, daquele tempo, com pedal, não é? E em uma ocasião, e eu já fazendo política, visitava muito o interior de São Paulo, visitava os jornais. Um dia eu estava na cidade de Sertãozinho, conversando com uns amigos sobre esta história do Amador Aguiar, e alguém me disse que esta máquina que cortou o dedo do Amador Aguiar estava num ferro velho na cidade de Sertãozinho. Eu adquiri a máquina e mandei pra ele. Ele reconheceu a máquina, recondicionou a máquina e ela fazia parte aqui da tipografia do Bradesco até pouco tempo. Essa era a história do Amador Aguiar. Ele era um homem fora de série, era um homem que vai ter o nome ainda muito lembrado por muitas gerações. P/1- E como foi essa ideia dele? O senhor participou desse primeiro momento da criação da São Paulo de Piratininga, da Fundação? R- Sim, como auxiliar dele, né. P/1- E como ele teve essa inspiração? R- Porque você sabe que, com tantos anos trabalhando juntos, a gente vai adquirindo o modo de pensar das pessoas. Eu me lembro que quando eu era secretário, o Amador Aguiar, já como diretor do Bradesco, ele me autorizava a abrir a correspondência dele, né. Então, teve um tempo que eu abria a correspondência dele, e evidente que o banco não tinha o tamanho que tem hoje, era pequeno, mas eu abria a correspondência dele e me dava o luxo de responder. Então eu levava a carta e a resposta, raramente eu errava. Acho que em cada dez eu podia... ele fazia observação em uma, tal modo que eu entendia a maneira como ele administrava as coisas. Amador era um homem profundamente trabalhador, e um homem estudioso, e um homem com ideias, ideias simples, mas que frutificaram. Então fizeram de um pequeno Banco que veio caipira, aqui para capital, hoje essa potência que vocês conhecem. É o principal banco particular do Brasil e, olhe lá, talvez o maior banco particular da América Latina. P/2- E aí ele teve essa ideia da Fundação. Foi a partir dos sucessos que aconteceram no Banco? R- É, a ideia da Fundação era exatamente, inicialmente também, proporcionar uma educação para o filho do funcionário. Depois a coisa, a ideia foi se expandindo, mas partindo sempre dessa ideia dele, que sem educação não poderia haver desenvolvimento. Uma ideia que é válida até hoje, né, desenvolvimento, basicamente tem um nome, e esse nome se chama Educação. E o Amadeu entendia isso. P/1- Pelo que a gente viu na pesquisa o senhor foi uma das pessoas que foi com ele assinar a Fundação... R- Ah, sim. P/1- E o senhor tem lembrança desse dia, de como foi esse evento, como foi estar instituindo a São Paulo de Piratininga? R- Olha, a coisa fica muito diluída no tempo, porque àquela altura a gente nem podia sonhar com essa posição que tem hoje a Fundação. Era coisa muito restrita, muito pequena, não é? E eu tenho ideia da coisa, mas não é precisamente nesse dia, não tenho essa lembrança não. Tenho a lembrança do significado, e dessa ideia que ele tinha de que precisava educar, e através da educação que a gente ia chegar no desenvolvimento. P/1- E a escola que o senhor tem lembranças, como foi formado o grupo escolar? A atenção que ele dava à escola, como ele assumiu quando o Estado deixou de lado e ele assumiu? O senhor tem lembranças dessa época que ele começou mesmo a ampliar a apaixo? R- Ah sim, ele tinha um carinho muito especial, né, promovia reuniões com a Fundação, tinha um carinho muito especial com as crianças, isso eu me lembro bem. Ele tinha aquilo como uma coisa, um ponto alto da vida dele. Como no mesmo tempo que ele pensava no banco grande, mas também na educação, principalmente nos filhos dos funcionários. E que depois a coisa foi se estendendo pro Brasil inteiro. P/1- E o senhor se lembra das inaugurações das primeiras escolas? O senhor estava junto lá em Conceição do Araguaia? P/2- Registro? R- Não, não… P/1- Isso. R- Não, eu infelizmente, além das escolas aqui do Estado, né, aqui, Marília, Registro, praticamente eu não conheço as outras. Ele conhecia todas, mas eu não cheguei a conhecer todas as escolas. E no meu tempo também, durante o tempo que eu fui diretor do Bradesco, eu também não tinha essa disseminação por todo o Brasil, era uma coisa muito localizada. P/1- E aí, a Fundação, ela atuava também na assistência a todo o filho do funcionário, não era só educação. O que basicamente eles faziam para as famílias? R- Não, inicialmente era a educação. Inicialmente. E depois é que foi ampliando assistência médica, odontológica, a coisa foi progredindo. Mas inicialmente o sentido era proporcionar facilidades para a educação do filho do funcionário. P/1- Que surgiu também, basicamente, com a Cidade de Deus… R- A Cidade de Deus… P/1- E o senhor tem histórias da Cidade de Deus para a gente? R- Eu tenho histórias pelo seguinte… Esse terreno onde está a Cidade de Deus era uma chácara de eucalipto, e eu já era... eu já estava aqui em São Paulo e isto aqui foi comprado pelo José Alfredo de Almeida, que na ocasião ele era o diretor superintendente. Quando nós viemos para São Paulo, o presidente do Bradesco era o doutor José da Cunha Júnior, que era cunhado de José Alfredo de Almeida, que eram os dois dirigentes da casa bancária que se transformou depois em Banco. E o seu José Alfredo de Almeida veio comprar essa área e eu vim com ele, e eu me lembro, era uma chácara de eucalipto. Tanto que isso aqui era um pouco afastado porque Osasco era praticamente uma Vila. A gente lembrava de Osasco do quartel Quitaúna, quem falava em Osasco o que vinha à mente era o quartel do Exército que tem aí que é o Quitaúna. E com o tempo a cidade foi crescendo, tanto que a Cidade de Deus, hoje ela está rodeada da cidade de Osasco, ficou uma área fechada. Eu me lembro que, quando eu estava no Governo, eu tive que dar até uma colaboração do Governo como modo de oficializar uma área fechada, dentro de uma cidade, que não é o comum isso, não é verdade? P/1- Uhumm. R- Mas eu me lembro que foi exatamente. E o nome Cidade de Deus foi dado por Assis Chateaubriand. O Assis Chateaubriand entendia que o que o Bradesco estava fazendo aqui era um modo de combater o comunismo, que naquele tempo estava aceso naquele negócio de comunismo e anticomunismo, né, era um modo de combater o comunismo. E eu me lembro que ele escreveu um artigo uma vez, no Diário de São Paulo, até o nome do artigo era “O pau de matar cobra”, que ele dizia que era pra matar o comunismo, e citava a Cidade de Deus, que era o livro de Santo Agostinho. E daí que o Amador ligou à Cidade de Deus, e oficializou o nome Cidade de Deus. De modo que eu fui, talvez dos atuais aqui, o primeiro a conhecer esta área, que eu conheci como uma chácara coberta de eucaliptos. P/1- E o senhor tem lembrança da construção em si mesmo dessa obra toda como foi… R- Tenho, tenho… P/1- O empreendimento, o que foi… R- É, inicialmente era um centro de serviços e residência de funcionários. Durante muito tempo muitos funcionários residiam aqui. Depois, com o tempo, com a evolução, aí não foi mais possível acomodar todos os funcionários do Bradesco, então foi transformado apenas numa área de serviço. E também a vinda pra cá era uma coisa pioneira, que um banco tivesse uma matriz fora do centro, um centro de serviço fora do centro, não é? Tanto que, no início, a transferência da matriz pra cá, ela veio aos poucos. No meu tempo de diretor nós vínhamos todas as manhãs aqui, todos os diretores, não eram muitos não, na ocasião eram sete diretores. E à tarde dois ou três iam para a cidade, e eu era um dos que iam para a cidade, já nesse tempo, já na Avenida Ipiranga. Porque a matriz quando veio do interior ela veio para a rua Álvares Penteado, não no prédio que estamos hoje, era um prédio vizinho. E depois o Bradesco comprou o atual prédio na Álvares Penteado. Com o tempo construiu na Rua 15 de Novembro, emendando a rua Álvares Penteado com a 15 de Novembro. Depois a matriz veio para a Avenida Ipiranga e só depois que veio pra cá, oficialmente pra cá. De modo que essa transformação foi paulatina e naquele tempo não havia essa facilidade de comunicação que tem hoje, não havia computador, a coisa era precária, não é? Então, a matriz foi feita em muito tempo. E muita gente não acreditava, eu inclusive não acreditava muito que pudesse funcionar isso aqui, mas o Amador era obstinado, tão obstinado que isso virou hoje uma tendência, quase todo grande banco hoje tem um centro de serviço fora da área propriamente urbana da atuação do banco, né? P/1- E nessa fase, a Fundação foi essencial para também suprir todo um lado mais social da Cidade de Deus ou ela trabalhava meio à parte? R- Não, no início ela trabalhava mais no setor educacional, só, né? P/1- Porque tinham as cooperativas, ela era bem organizada nesse lado, né? R- É, depois é, exato. É, depois foi cooperativa, foram ideias que foram surgindo, não? E o Amador também era um inovador, estava sempre inovando coisas, ele não deixava a coisa permanecer na rotina, estava sempre pensando num lance para frente. P/1- É, o Top Clube foi um desses lances. O senhor tem lembranças de como foi a ideia dele? A gente vê até que ele esboçou no papel tudo como ele ia resolver a parte financeira... R- Não não, ele ia fazendo, ele pensava de noite e queria executar no outro dia de manhã, compreende? Ele ia fazendo, ele não tinha propriamente um planejamento, era coisa que ia surgindo na cabeça dele, né? P/1- E o senhor tem lembrança do lançamento do Top Clube? Se teve uma festa, como é que ele lançou esse produto no mercado? O senhor lembra? R- Não, eu me lembro só que o banco, quando veio para São Paulo, era um banco pequeno. Curiosamente, os grandes bancos da ocasião desapareceram todos. Uma coisa que eu sempre comento aqui com o Brandão, dizem que banco é um grande negócio. Todo negócio é bom e nenhum negócio presta, depende como a gente faz o negócio. Os grandes bancos de quando o Bradesco veio para São Paulo, todos já desapareceram, todos, não tem nenhum, só ficou o Bradesco. E custou um pouco para o Bradesco ser aceito como banco que vinha crescendo, como banco grande, compreende? O Bradesco teve lutas homéricas para poder se firmar como banco. Então a coisa foi paulatinamente se desenvolvendo, e eu me lembro que foi uma fase muito difícil, até que o banco pudesse se credenciar. Então fazia grandes campanhas, eu me lembro, campanha de depósito. Quando o banco atingiu 3 milhões de depósito eu dava, eu gratificava, inclusive, com gratificações extraordinárias no quadro de funcionários, estimulava, compreende? E assim, de campanha em campanha, ele foi crescendo, até chegar hoje ao ponto onde está. Hoje é uma coisa extraordinária. E outra coisa, a transformação, também agora, quem trabalhou no banco de ontem não pode avaliar o que é o banco de hoje. O computador está na infância, o computador em matéria de eletrônica, de desenvolvimento, hoje a coisa é superada ano a ano, dia a dia, são inovações, né? Eu me lembro aqui na época de balanço, nós nos reuníamos aqui, ficávamos até tarde da noite gritando nos telefones para obter resultados nas agências, hoje eu estive aqui no dia 31, aperta o botão do computador pra fazer o balanço, não é? Então, houve uma mudança extraordinária, mas eu peguei essa fase romântica, que é a de ser obrigado a trabalhar no dia a dia, é, quase tudo feito a mão. Houve uma transformação extraordinária. E um dos setores talvez da economia que mais se adaptaram a essa fase foi o banco, porque o banco tem um fator a mesmo, porque a matéria prima dele já é o dinheiro, então já tinha um fator a mesmo para computação, e acho que é um setor que se beneficiou muito dessa transformação dessa época da eletrônica. P/2- Seu Laudo, por que a mudança de nome da Fundação São Paulo Piratininga para Fundação Bradesco? O senhor acompanhou essa mudança? Como foi decidido isso? R- Olha, eu me lembro. Nós tínhamos aqui um advogado que colaborou muito conosco nessa ocasião, que era o Dr. Luis Cássio dos Santos Werneck, já falecido, faleceu há pouco tempo. E o Werneck tinha esse negócio de paulistanidade, de Anhanguera, de Piratininga, e como ele colaborou muito, ele que andou sugerindo esse nome Fundação São Paulo de Piratininga. Depois que uma coisa era tão Bradesco, tão ligada ao Bradesco, que veio a ideia da transfor... de mudar o nome para Fundação Bradesco. P/2- No entanto, o banco participava da Fundação. R- É, exato. P/2- Tá. R- E Bradesco que, curiosamente como eu disse pra vocês, foi o nome que inicialmente nem existia porque era Banco Brasileiro de Desconto. Foi essa transformação que eu contei até há pouco aqui, que inicialmente nós adotávamos como endereço telegráfico ainda o endereço da Casa Bancária Almeida, que era Bancal, né? P/1- E aí, o senhor lembra também de Registro. Como era a região de Registro quando o Bradesco chegou lá? O senhor tem lembrança dessa época? Como é que estava a região? R- Era uma região muito pobre do Estado, eu nunca me conformei dessa região do Litoral... Bem, veja bem, a civilização brasileira é uma civilização de litoral, então ela veio lá de cima, ela veio da Bahia, do Rio ________, do litoral. E São Paulo é de planalto. Então, como São Paulo basicamente foi um produto do café, talvez essa região do Vale do Ribeira não servia pro café, então ela ficou praticamente aleijada do desenvolvimento de São Paulo. Coisa que nunca me conformei, porque houve um tempo que São Paulo era a monocultura do café, mas depois outras atividades, inclusive agrícolas foram se desenvolvendo. Então, se o Vale do Ribeira não servia para o café, mas servia para pesca, servia para o turismo, servia para mineração. E eu, como governador, inventei de fazer um programa de soerguimento da região. E até uma coisa curiosa, eu costumava, como governador, ir todo dia de sexta feira, eu dedicava, eu ia pro interior, a tal ponto que hoje eu conheço todos os municípios de São Paulo. E aconteceu que, quando eu inventei de fazer esse programa para o Vale do Ribeira, para dar ênfase ao programa, num determinado dia eu transferi a sede do governo, simbolicamente, pra cidade de Registro. E era uma sexta-feira, num 13 de agosto, por coincidência. P/1- [Riso]. R- Essa data ficou marcada em Registro. Registro tem hoje uma praça 13 de Agosto, a escola do Bradesco é do 13 de Agosto, tem uma escola do Estado que é 13 de Agosto, e vou todo ano a Registro no dia 13 de Agosto. Porque essa escola foi feita para apoiar o meu programa, não é verdade? No dia 13 de Agosto. E até hoje não deixei de ir em um 13 de Agosto à cidade de Registro. E a escola transformou a cidade de Registro, foi uma coisa extraordinária. Porque no início eu estava tão obcecado com aquele programa, achava até que o pessoal de lá precisava sentir um pouco que estava fazendo aqui no planalto, que eu trazia a criançada que terminava o curso primário lá pra vir aqui em Santo André, São Bernardo, para conhecer o que estava se fazendo por aqui, compreende? E esse 13 de agosto ficou marcado, e a escola até hoje tem, hoje você encontra profissionais de todas as áreas naquela região do Vale do Ribeira que saíram da escola do Bradesco. Foi um serviço extraordinário que prestaram à região. Então o Bradesco hoje, nesse desenvolvimento que já se nota na região do Vale do Ribeira, o Bradesco tem uma grande parte através da Fundação Bradesco. P/1- Então, na realidade acabou virando uma região importante pro resto da vida do senhor a escola lá? R- Ah sim, é. P/1- O senhor tem lembranças, porque assim, o senhor Alécio Janine a gente entrevistou também, e ele fala que o senhor era uma figura sempre esperada no 13 de agosto. O senhor tem alguma lembrança de algum 13 de agosto que foi mais especial, uma homenagem que fizeram ao senhor… R- Não não... P/1- Nas escolas, aniversários? R- Todo ano eu vou lá, eu vou sem aviso porque eles já sabem que eu vou, né, mas vou lá, encontro o prefeito, encontro o presidente da Câmara e tal, ficou tradicional isso lá. E a escola foi reformada, agora asfaltaram a rua lá e tal, e também a cidade cresceu, era um pouco distante do centro e hoje ela ficou praticamente dentro da cidade de Registro, né? E a cidade de Registro hoje é a “capitalzinha” ali da região. Então a escola tem uma importância fundamental lá. P/1- E o senhor também, o senhor não lembra de nenhuma homenagem que fizeram ao senhor, que o senhor ficou mais emocionado, um momento mais marcante? R- Mas todo ano! Lá tem um livro de visita que você vai encontrar, desde 1974, todo ano tem a minha assinatura lá, todo ano. E a escola já fez o que... desde 1974, são uns 30 e poucos anos, né? É. P/1- Então teve crianças que o senhor viu crescer ali. R- Ah, sem dúvida alguma. P/2- Não tem algum aluno que o senhor acompanhou a história, que o senhor ficou sabendo de mudanças mesmo na vida dele? R- Não. De vez em quando eu vou lá e me apresento a alguém, que é um profissional já em destaque em certas áreas lá, que já saiu da escola. Interessante, foi uma contribuição poderosa. P/1- Alunos que foram alunos, hoje estão trabalhando na escola, o senhor poderia citar alguém assim? R- É, exatamente. É, exatamente. P/2- Alguém em especial? R- Não, de um modo especial, não. O que eu sou é muito procurado para obter o ingresso na escola do Bradesco, que a procura é tão grande, a escola ficou como é, com tamanha fama de ter uma qualidade de ensino que, apesar de Registro ter hoje muita escola, mas eu sou muito procurado. Toda vez que eu vou lá tem alguém pedindo a minha interferência para matricular o filho na escola do Bradesco, até hoje. Aliás, isso em toda parte, não é só lá, né? Ainda há pouco tempo, a pedido de um ministro do tribunal aqui, eu consegui uma escola e matricular uma criança lá em Mato Grosso na região do Pantanal, né? P/1- E também é uma grande festa, a inauguração foi na escola de Marília. Parece que foi um presente da Fundação em homenagem à cidade, que foi a base do banco. O senhor tem lembranças dessa época, dessa festividade? R- Eu me lembro de ter ido lá, inclusive a última vez juntamente até com o Brandão. O Brandão, ele é o remanescente da casa bancária, ele foi funcionário da casa bancária, então ele já veio para o Bradesco na transformação. E eu vim um pouquinho depois, no ano da fundação, que foi exatamente com o Amador Aguiar. Mas quando eu ainda era funcionário do Banco Noroeste em Lins, já havia era uma agência do Bradesco lá, da antiga Banco Brasileiro de Descontos, no início, é de lá que conheço o Brandão. Eu era funcionário do banco Noroeste, e eu me lembro que ele ia... A compensação era trocar cheque manualmente nas caixas, eu me lembro que ele vinha, eu era caixa do banco, e ele vinha trocar os cheques na caixa, daí que eu conheço o Brandão. E com o tempo fizemos uma carreira juntos, né, ele até meu afilhado de casamento, né? É dessa razão dessa minha vinculação, você veja que eu não perco o contato com o Bradesco, estou aqui toda semana e continuo como se fosse funcionário dando a minha colaboração aí, viu, enquanto eu tiver saúde para isso. P/2- Com quantos anos o senhor chegou na Casa Bancária Almeida? R- É? P/2- Com quantos anos o senhor chegou em Marília? R- Bom, eu, em Marília, eu fui em 1943, no ano da fundação. Portanto, eu tinha 23 anos. P/2- E o senhor Amador? R- Ele, alguns dias antes. Ele assumiu e me convidou. Até uma história interessante, conversa puxa conversa, né? [Risos]. Quando o Amador saiu de Marília, nós fizemos uma homenagem, não só o pessoal do Banco Noroeste, todos os bancários de Lins. Nós fizemos uma manifestação para ele, um banquete e tal. E eu me lembro até que, em nome dos colegas, eu fiz uma saudação desejando sucesso pra ele, né? E quando ele tava em Marília, um dia, eu recebi em Lins uma carta, que dizia, uma carta de nomeação, dizia assim: “Confirmando nossos entendimentos verbais, fica a vossa senhoria nomeado e tal tal”. Mas nunca, assim, entendimento verbal não tinha havido. Então, eu tinha que optar, né? Eu já tinha assinatura do Banco Noroeste, eu já tinha uma situação e era uma aventura, mas eu acreditava no Amador, e eu falei: “Eu vou, eu vou embarcar na aventura”. E aí eu fui pra Marília, isso em 1943. P/2- Ele resolveu então, né? R- É, como eu tinha... eu sou de 20, quer dizer, eu tinha 20 anos, eu era solteiro ainda. Tem um aspecto até interessante, quando eu casei eu mandei um convite, como a gente faz, pra todos os companheiros do Bradesco. Fui botar o convite lá. Eu lamento não ter encontrado, não sei onde foi parar esse convite. Então, os companheiros assinaram o convite e, naquele tempo, tinha um carimbo “solucionado”. Bateram o carimbo “solucionado” e me devolveram o convite. Mas a curiosidade é que eram 23 assinaturas, uma única mulher, eram 22 rapazes e uma moça, lembro até o nome dela, chamava-se Dalva Sentini, porque era a única [riso]. P/2- [Risos] Era a única? R- Exato, é. Isso em 1943. P/2- E como é o nome da esposa do senhor? R- E outra curiosidade, quando a matriz veio de Marília para São Paulo, o Amador me consultou se eu queria vir ou se eu queria ficar no interior. E eu pensei bem, naquele tempo já podia ser gerente, então eu optei por ficar no interior. Então ele me mandou uma carta me transferindo para São Paulo, né? E essa é a minha história P/1- Conforme decidido em conversa, né? [riso] P2: Conforme decidido previamente. R- Depois, como o Bradesco não admitia política, que está certo, mas chegou um tempo que o Amador chegou a __________. Eu era, é, mais ou menos popular porque eu representava o Bradesco nessas coisas que eu falei, na associação comercial, sindicato de banco, etc. Mas depois me fizeram presidente do São Paulo Futebol Clube, eu dirigi o São Paulo Futebol Clube 20 anos, e também isso populariza. E uma ocasião, um partido político que era o Partido Republicano, inventou me lançar candidato a senador que eu não quis, eu falei: “Eu não quero e nem o banco permite.” Então eles não desistiram e falaram: “E vice-governador?" Eu falei: “Eu também não quero.” Mas depois de tanta insistência, eu sabia que o banco não ia concordar. Eu falei: “Olha, eu sou o diretor do Bradesco e sou presidente do São Paulo, quem sabe se o São Paulo concordar, se o Bradesco concordar, quem sabe se eu posso pensar nisso, né?” E para surpresa minha, o Amador achou que talvez fosse interessante para o Bradesco ter alguém na política, então saí candidato a vice-governador. É uma coisa interessante porque antigamente o vice-governador não era atrelado ao governador, prefeito de chapa. Ele tinha que conquistar os próprios votos. E eu fui vice-governador em chapa própria, não tinha governador. Disputava Ademar de Barros, Jânio Quadros, José Bonifácio Coutinho Nogueira, cada um com seu vice, e eu era avulso. Praticamente eu fiz a campanha com meia dúzia de funcionários que o banco me deu, para me ajudar, com o aviãozinho do banco, com empréstimo do banco, meu partido político foi o banco. E tive uma votação extraordinária, eu era uma novidade. Eu tive 1 milhão e 200 mil votos quando o eleitorado era de 3 milhões, então foi um negócio. Aí fui eleito governador no... Era governador o Ademar de Barros, que se tornou muito meu amigo, mas não era um correligionário, eu não tive nem gabinete como vice-governador nem nada. Aí ele, que tinha sido um dos líderes políticos da revolução, acabou cassado pela revolução e terminei o governo dele. Naquele tempo não havia reeleição, mas eu saí tão bem da opinião pública do primeiro governo que ficou fácil pra mim disputar quatro anos depois. Depois que eu estava no auge pra disputar, houve uma transformação, não era mais eleição direta. Então, praticamente eu tinha perdido o meu latim, né? Mas aí, o presidente Médici, que eu também não conhecia, indicou para Arena o meu nome. E quando me indicou, eu me lembro que ele me deu um telefonema dizendo: “Olha, eu estou indicando seu nome e peço para que não me agradeça porque eu cheguei ao seu nome, quer dizer, eu estou convidando o senhor para ser o candidato do partido e para repartir comigo uma responsabilidade.” Veja bem, aí eu voltei ao governo. Foram as urnas e ocasiões que eu fiquei fora praticamente da minha função aqui no Bradesco. Aí, quando terminou o governo, nessa ocasião já estava muito envolvido em política, eu cheguei a vir trabalhar aqui, mas o telefone tocava toda hora, era o prefeito, era o deputado, era o tal, não estava casando com a coisa do Bradesco. Então eu comecei a sentir que eu estava atrapalhando o Bradesco e o Bradesco atrapalhando outras atividades, né? Aí o Amador falou assim: “Olha, eu tenho uma solução para isso.” Antigamente havia um conselho consultivo, coisa que não existe mais, me passou para o conselho consultivo e eu fui ser diretor da SulAmérica, que era associada ao Bradesco. E lá fiquei muitos anos. Quando resolvi sair da SulAmérica, aí eu achei que já não tinha mais nem idade e nem muita vivência mais. Eu fiquei muito tempo afastado e aqui a coisa é muito dinâmica. Então eu achei que devia não parar de trabalhar, mas pelo menos amenizar um pouco a minha vida, né? Mas aí entra o Brandão falando: “Não, mas você não pode sair daqui do Bradesco.” e eu fiquei dando uma assessoria ao Bradesco, o que eu faço até hoje. Quer dizer, continuei grudado na organização onde eu espero morrer. P/1- A SulAmérica, ela tinha alguma relação com o Top Clube? R- Hein? P/1- A SulAmérica, ela tinha alguma relação com o Top Clube nessa época? R- Tinha, tinha. P/1- E qual? Como era a relação SulAmérica e Top Clube? R- Porque, no tempo da SulAmérica o Bradesco tinha... fez uma associação com a SulAmérica e posteriormente com a Atlântica Boa Vista. Então tinha a Atlântica Boa Vista, a Sul América, então a Atual Bradesco Seguro era a antiga Atlântica, por isso que a matriz é lá no Rio. As instalações estão até hoje lá no Rio, compreende? Mas eu fui diretor da SulAmérica, foi durante muitos anos. Coisa que, com a separação, mas o Bradesco esteve junto com a SulAmérica durante muitos anos. E o Top Clube era uma organização comum da Sul América, da Atlântica Boa Vista e posteriormente da Bradesco Seguros. P/1- E o Top Clube atuava em que área especificamente? Porque ela gerava renda para a Fundação, né? R- É, gerava renda para a Fundação. P/1- Então, o que ela oferecia? R- Era uma espécie de corretora, né, de uma corretora. E os benefícios vinham para a Fundação. E a Fundação hoje é poderosa, a Fundação hoje é, eu acho que a maior acionista do Bradesco. Numa ocasião me prestaram uma homenagem aqui no dia do meu aniversário, me levaram aí pra essa escola do Bradesco e eu tive a oportunidade de dizer que no meu tempo o Bradesco tinha uma escola, e hoje a escola tem um banco [risos]. P/2- Inverteu, né? R- É, hoje a escola é que tem um banco [risos]. P/1- Mas isso não foi já, o seu Amador já não tinha pensado nisso no futuro como ele era um empreendedor? Ele já não tinha pensado em amarrar, assim a Fundação teria essa possibilidade? Chegou a comentar com o senhor? R- Sim, ele tinha essa ideia. O Amador achava que o Bradesco era a família dele, a Fundação era parte dessa família. Então, ele foi procurando injetar sempre recursos na Fundação até tornar o poderio que ela tem hoje. E hoje ela é grande acionista, o Bradesco ainda contribui para a Fundação, mas ela tem uma receita própria muito grande porque ela é grande acionista do Bradesco. E o Bradesco é o que é, né? Ser acionista do Bradesco hoje é… P/1- E o seu Amador falava alguma coisa das viagens, quando ele ia, por exemplo, lá pro Pará? Como é que... Ele falava pro senhor do que ele via, da miséria que ele presenciava e da alegria dele em transformar isso? Ele comentava? R- Ele não era grande viajante não, mas ele viajava muito. Mas ele era uma figura interessante porque, quando eu era secretário, muitas vezes ele me batia o telefone altas horas da noite. Batia uma ideia qualquer, ele batia o telefone como se fosse pleno dia [risos]. P/2- Ligava e falava. R- É. E como ele era muito dinâmico, a vida particular enseja você a botar uma ideia em execução, pensa de noite e faz durante o dia, né? É diferente da vida pública que você está sujeito a leis e regulamentos, né? Mas ele me apoiava muito, inclusive no governo. Eu tenho histórias interessantes do Amador Aguiar. Uma ocasião eu morava nos Campos Elíseos, e uma ocasião me bateu o telefone alta horas da noite, dez horas da noite, era o Amador Aguiar falando: “Eu to telefonando pra você ir dormir, vai dormir!” [riso]. É uma coisa curiosa. Em outra ocasião, ele foi me visitar no Palácio e eu estava numa reunião lá, negociando um helicóptero, e aí estava lá o pessoal, e tal. E o ajudante de ordem avisou: “Aí está o seu Amador Aguiar”, e eu falei: “Manda ele entrar”. Então ele ficou lá, ouvindo a minha conversa e tal, né? Depois que o pessoal saiu, perguntei pra ele assim: “O que o senhor acha disso aí?” Porque eu não estava querendo comprar porque estava achando muito caro. Aí ele pensou um pouco e disse: “Olha, se você acha que o seu tempo não vale nada, não compre”. [risos] Isso era o Amador Aguiar. P/2- Algum caso mais pitoresco que o senhor lembre? P1: De seu Amador Aguiar. P/2- De seu Amador. Um caso pitoresco assim. R- É, eu lembro. Quando eu me casei, e eu me casei em Pirajuí, na cidade onde eu comecei a trabalhar, nesse tempo eu já estava em Marília e ele foi o meu padrinho de casamento. E nesse tempo ele gostava muito de aviação, ele estava pilotando já, aprendendo a pilotar. E foi ele com outro companheiro dele com um aviãozinho do aeroclube de... Eu num sei que barbeiragem que eles fizeram lá no aeroporto que desceram do avião e o avião saiu sozinho. O avião deu um pulo e caiu num cafezal lá [risos]. Sorte não tinha ninguém dentro e nem aconteceu nada [risos]. Mas o avião saiu sozinho. É o Amador Aguiar… P/2- E o senhor se casou? R- Hã? P/2- O senhor se casou em Marília? R- Eu me casei em Pirajuí. P/2- Como é o nome da esposa do senhor? R- Falecida já há três anos, Maria Zilda. P/1- Então, é, vamos sair um pouco da história da Fundação pro senhor contar um pouco como o senhor construiu a sua família, os filhos. R- As filhas do senhor Amador Aguiar, a mãe da Denise, por exemplo, eu assisti o primeiro aniversário dela. Que quando eu fui pra Lins...naquele tempo eu era solteiro, então era um sobrado, o banco embaixo, em cima era a residência do gerente, que era onde morava o seu Amador, e no fundo do banco tinha uns quartos, e os solteiros moravam nos quartos, e eu era solteiro. Então eu conheço essa menina desde a infância. P/1- E o senhor, se casou, quantos filhos teve, como foi... R- Eu tive, eu tenho dois filhos, dois engenheiros, e hoje tenho quatro netas, e no momento cinco bisnetos [risos]. Vê que eu estou ficando velho, já fiz 85, né? P/2- E, agora só uma partezinha assim, e qual a história do São Paulo? Como foi ser presidente deste grande clube, o Morumbi... O senhor pode só dar um… R- Bom, são paulino eu sempre fui, desde que existe o São Paulo, porque eu sou mais velho do que o São Paulo, eu sou 1920 e o São Paulo é de 1935, de modo que eu sou mais velho, mas sempre fui. Então quando eu vim de Marília para São Paulo, as primeiras coisas que eu fiz foi ser sócio do São Paulo. Mas o São Paulo vivia uma situação muito difícil, o São Paulo tinha nascido em 1931 e em 1935 acabou por não ter condição de continuar por falta de recurso. Voltou no mesmo ano, no final do ano, e quando eu, nessa ocasião, que foi em 1952, vivia numa situação muito difícil. E eu tinha uns amigos que eram muito vinculados ao São Paulo, então era presidente o Cícero Pompeu de Toledo, nós acabamos botando o nome dele no Estádio. E me levaram pro São Paulo, primeiro porque eu era são paulino, mas mais do que isso, porque eu era diretor de banco, porque eles achavam que talvez sendo do mundo das finanças eu podia ter alguma ideia, então eu fui pra lá com o intuito de ficar um ano. Fiquei um ano lá, batalhando com as dívidas lá do São Paulo, situação muito difícil, depois de ficar um ano, o presidente, que era o Cícero Pompeu de Toledo, já começou a ficar doente, acabou morrendo em 1958. Daí a razão para darmos o nome dele. Então, apesar de todas as dívidas do São Paulo, o São Paulo tinha o Canindé, onde hoje é da Portuguesa, eu tive que vender o Canindé para pagar a dívida do São Paulo. O Morumbi não tem um cruzeiro de dinheiro do Canindé, nem um cruzeiro. Então, foi um estádio construído apenas vendendo ideias: cadeira cativa, título patrimonial, campanha de cimento, foi uma obra de igreja. Nós começamos em 1952 e terminamos em 1970, 18 anos depois. Mas conseguimos um milagre, ter e terminar o Morumbi sem um cruzeiro de dívida, sem um cruzeiro de dívida. Foi a epopéia do São Paulo. Agora, eu tive ajuda retaguarda do Bradesco, que eu tinha a credibilidade Bradesco, né, eu era presidente do São Paulo e fazia um contrato lá com uma construtora. Não adiantava assinar o contrato, precisava que eu dissesse à construtora: “Pode fazer.” Compreende? E a primeira comissão que eu fiz pro estádio, eu botei o Amador Aguiar e o Luis Silveira, que era companheiro no __________ aqui também, que era são paulino, que era pra dar gabarito. E o estádio do São Paulo foi lançado na minha sala, na rua 15 de Novembro. P/1- E o seu Amador Aguiar era são paulino também? R- Ele... Se ele não era, ele se tornou [risos]. Não sei se era porque ele nunca falou em futebol, mas me deu uma mão preciosa, entendeu? E naquele tempo, de vez em quando, eu precisava de um dinheirinho pra pagar coisas do São Paulo. Debitava, às vezes, na conta dele, na conta do Luis Silveira, eu debitava! [risos] E ele me deu uma mão muito grande nisso e o Bradesco esse apoio moral. Para poder fazer o primeiro movimento de terra pra vender a imagem de que nós estávamos fazendo o estádio, aquele tempo a Antártica era a nossa... A Antártica fez comigo um comprando o direito de vender bebida pro futuro estádio. Eu descontei esse contrato no Bradesco, que eu era diretor do Bradesco, pra poder fazer o movimento de terra pra ir vendendo a imagem que nós estávamos fazendo do estádio. Veja bem, era a maior loucura que deu certo [risos]. P/1- E hoje está aí, né? R- Né? P/2- Está aí, né? Ficou, né? R- É. P/2- Ficou, né? R- É. P/2- E… R- Acho que já falei demais, né? P/2- Não, é, o senhor está enriquecendo muito, é a história do seu Amador Aguiar. R- Certo. P/1- E, como foi, assim, ele construiu a família dele, as filhas… O senhor estava presente nesse momento… R- Ah sim, sim. É, ele, é... ele é de Marília, né, alias, de Lins. De Lins. Eu convivi muito com a família dele, não é porque eu disse pra você que eu era solteiro e morava no mesmo prédio, né? Eu me lembro até de um rapaz que foi secretário aqui do Bradesco, foi secretário aqui. Que entrou no banco quando era menino e tomava conta das meninas, tomava conta das meninas, dos bebês do Amador Aguiar lá. E acabou secretário aqui. P/1- E aí assim, o senhor tem lembrança dos últimos dias, dos últimos tempos do senhor Amador Aguiar? Como é? R- Ah, tenho. P/1- Se ele se sentia realizado com toda a obra que ele já tinha deixado. O que ele falava pro senhor dessa, desse sentimento dele de ver uma obra erguida já? R- Ele tinha um amor extraordinário pelo Bradesco, né? Ele sempre dizia: “O Bradesco é a minha família.” E ele... Convivi muito com ele nos últimos anos que, inclusive, foi nessa fase final da vida dele, que ele ficou muito doente. Amador sofria muito de asma, e ele sofreu muito antes de falecer. Inclusive, ainda nesse hospital que hoje é do Bradesco, Hospital Edmundo Vasconcelos, que tem o nome de Edmundo de Vasconcelos porque foi feito pelo professor Edmundo Vasconcelos e depois comprado pelo Bradesco. P/1- Que era a antiga Gastro? R- É, Gastroquímica. Quem deu o nome de Edmundo Vasconcelos já foi o Bradesco, depois que o bra... depois que ele morreu, depois que o Edmundo Vasconcelos morreu. P/1- O senhor tem alguma lembrança de algumas palavras que o senhor Amador falou a respeito da Fundação nessa época final? R- Não, palavras não, mas do amor dele pela fundação, viu. Eu vim muitas vezes aqui em cerimônias da Fundação, né? É... inclusive, quando ele fazia aquela solenidade de Dia de Ação de Graças, que era uma coisa exponencial aqui. Curiosamente todos já morreram, né? Era um culto ecumênico que o Amador patrocinava. Era o padre Gregório, que já faleceu, era aquele Herculano Pires, que era um espírita que nós conhecemos desde Marília, e era o reverendo Borges que era um presbiteriano protestante. Então fazia essa cerimônia ecumênica, que na ocasião as televisões irradiavam daqui. Era um espetáculo conhecido no Dia de Ação de Graças, com o tempo desapareceu. P/1- Mas foi ideia do seu Amador. O senhor tem lembranças de como surgiu o Dia de Ação de Graças? Foi uma iniciativa dele, o senhor lembra de… R- Ah sim! P/1- Como ele teve essa ideia, o senhor lembra? R- A ideia propriamente eu não me lembro não, viu, mas como ele era muito ligado a essas pessoas que eu falei, ele tinha tendências presbi... ele dizia que era presbiteriano mas não era assim frequentador de igreja, tem essa mentalidade, né? A dona Lili, que era a senhora dele, era muito católica inclusive, mas era muito ligado ao padre Gregório, ao Herculano Pires, esse espírita, e esse Reverendo Borges que frequentava muito o Bradesco. Então surgiu essa ideia de fazer uma coisa ecumênica, e havia o apoio das emissoras que transmitiam isso aqui. Era um espetáculo bonito que era feito aqui na Cidade de Deus, pena que desapareceu. Também os tempos são outros, né, hoje as preocupações são outras, as próprias televisões de hoje já tem outros programas já, a coisa já se profissionalizou muito, né? Antigamente era meio amadorístico.A primeira televisão de São Paulo, a primeira televisão que era o canal da Tupi, eu me lembro mas... Houve no lançamento, houve um... O Assis Chateaubriand deu um jantar e convidou um grupo de amigos dele de São Paulo e outros do Rio de Janeiro, e nós fomos convidados, eu e o seu Amador no lançamento da primeira televisão. Naquele tempo a coisa era mais ou menos amadorística, hoje a coisa se profissionalizou. P/2- E durante quanto tempo? Foram muitos anos desse evento de Ação de Graças. O senhor acompanhou todos? R- Ah, muito tempo. P/2- Muito tempo… R- Desde que praticamente... Logo que a Cidade de Deus se estabilizou, aqui faziam sempre, todo ano faziam isso aqui. Não me lembro quantos anos foram feitos, mas eram muitos anos. Era uma coisa exasperada no dia de Ação de Graças, certo. P/2- E o senhor gostaria de falar um pouco sobre esse fundador da Fundação Bradesco, o senhor Amador? Ele deixou algumas ideias registradas com os diretores, o senhor João _________, o senhor Carlos de Oliveira? Como… R- Olha... P/2- O senhor vê essa informação que ele deixou? R- Olha, o Amador, eu acho que ele não deve ter deixado nada escrito, mas é uma figura que um dia, eu falo sempre isso ao Brandão: “Alguém tem que escrever uma biografia do Amador Aguiar, um grande biógrafo”, porque eram extraordinárias as idéias que esse homem tinha, e tudo coisa simples, ele não inventava coisa complicada. Do dia pra noite: “Vamos fazer isso”, e acabava dando certo isso. Agora, perseverava, né, e trabalhava, o Amador trabalhava. Não sei se vocês se lembram que durante muito tempo os prédios aqui tinham uma inscrição: “Só o trabalho pode produzir a riqueza.” Era o lema dele, só o trabalho pode produzir a riqueza. E esse da educação, é o que eu falo sempre, isso ele dizia sempre. Pessoa que sabe ler e escrever chega aonde quiser, depende dela. Esse era o Amador Aguiar. Ele começou transformando tudo. Banco antigamente era um negócio pessoal, engravatado atrás de um vidro e tal. Ele acabou com esse negócio. Gerente tem que ser visto, tem que estar lá na frente. O gerente tem que ser visto e tem que ver, não é? P/1- Que aquela coisa do gerente ficar na porta do banco foi uma ideia dele também? R- É, eram coisas simples, mas que não eram usuais, o Bradesco é que foi transformando. Por isso que eu digo isso sempre, falo isso com convicção: o sistema bancário moderno tem duas fases: antes e depois de Amador Aguiar. E não vejo até hoje, talvez é porque ainda é relativamente recente o desaparecimento dele, mas é uma memória que tem que ser cultivada. Eu falo sempre isso pro Brandão, nós temos que ter uma biografia do Brandão enquanto tem tanta gente aí pra testemunhar o que ele foi, não é não? Foi uma coisa extraordinária. E ele era um patriota, Amador Aguiar era um patriota, ele vibrava com as coisas do país. Então ele entendia que o país tinha que se desenvolver, e daí a preocupação com a educação. P/1- E já partindo para uma avaliação, o senhor acha que, assim, qual a importância da Fundação Bradesco para a educação no Brasil? Desde aquele primeiro momento até hoje, o senhor tem uma avaliação sobre isso? R- Ah, não, mas olha, com a experiência que eu tive no Vale do Ribeira, eu avalio o que esteja acontecendo no Brasil inteiro, inclusive nessas regiões mais pobres. Que hoje a Fundação educa, veste, né? Alimenta, não, é? E às vezes profissionaliza. Então eu não acho que ela está apenas dando educação, ela está formando cidadão. A Fundação Bradesco está formando cidadão. Talvez seja uma das coisas mais importantes desse país, eu acho. P/1- E o senhor vê na atuação da Fundação lá em Registro, mesmo depois da ausência do seu Amador, que a mensagem dele ainda continua viva. R- Ah, sim. P/1- Que a Fundação, ela se introjetou bastante, o ideal dele continua reproduzindo esse ideal? R- Sem dúvida alguma. O espírito dele está presente na Fundação. Ainda mais agora com a neta dele lá na Fundação. Tem, inclusive, mais esse elo de ligação. É um negócio muito sentimental e de uma utilidade prática extraordinária. Eu acho que o que a Fundação está fazendo no Brasil é algo muito sério, muito sério. E estimo que vocês façam um grande... Vocês estão colhendo muito, né? E que não tem muita gente desse tempo não, né? P/1- E o senhor poderia nos indicar que ainda... P/1- Brandão é, eu acho que o (Borni?)é. P/2- (Borni?) É quem… R- Porque o pessoal é relativamente moço, né? P/1- Que eram os caçulas na época, né? R- Hein? P/1- Que eles eram os caçulas na época, os mais novinhos. R- É. Eu sou remanescente de uma diretoria anterior dessa. Aquele tempo em que a diretoria que eu fazia parte tinha um presidente, um vice-presidente, dois diretores gerentes e dois adjuntos. Quando a Matriz veio pra cá, era o Dr. Cunha, o seu José Alfredo de Almeida, o Amador Aguiar, depois o Sacci, o Luís Silveira e eu. Nós éramos dois diretores gerentes. Hoje nem sei quantos diretores tem, né? P/2- Hoje tem bastante, né? R- É porque hoje tem os departamentais, os regionais... P/2- Essa departamentação ajudou bastante, né? R- Os executivos, os vices. No meu tempo não tinha isso, né? P/2- Qual a importância que o senhor vê? Esse é um projeto de memória de 50 anos da Fundação Bradesco. R- Ham… P/2- Qual a importância, na sua opinião, desse Projeto Memória que a Fundação Bradesco está fazendo com o Museu da Pessoa? R- Eu acho fundamental porque, muito embora o marketing do Bradesco ultimamente tenha explorado bem a função que a Fundação está exercendo no Brasil inteiro, ainda pro grande público é desconhecido. E a maior propaganda que se possa fazer do banco é, acho que é a Fundação, não é? Porque o banco é sempre visto na opinião pública “banqueiro” você vê falar “banqueiro” dá a impressão de que? De um homem, um banqueiro à moda antiga, que ganha dinheiro, botando dinheiro no bolso, né? O Bradesco é um banco que não tem dono. Quem é dono do Bradesco? Quem é o dono? Ninguém. É um banco de bancário. Outra filosofia do Amador: não tem ninguém aqui que não seja bancário. E ninguém está aqui porque é diretor, porque é parente do diretor, nada! Você está pinçado na carreira, não é? Esse é o sucesso também do Bradesco. Você veja bem, é gente com 40, 50 anos de idade, mas com 20 e 30 de atividade. Tempo integral, dedicação exclusiva. E outra, não está aí por acaso, você poderia ser diretor, como eu vejo em muitos bancos aí: “Eu sou diretor, eu sou filho do presidente e tal.” Aqui não! Está aqui tempo integral e cuidando disso, e o Bradesco está sempre na linha do vento. Você vê tantas transformações econômicas que o país passa e o Bradesco está sempre ali, está sempre acompanhando. E o que é, é um banco profissional. E outra você veste a camisa, né. Esse negócio de não admitir que vem do Amador, não admitir bancário. Bradesco só tem bancário quando ele compra um banco e conserva. Mas ele não admite o bancário, não readmite o funcionário que sair, por bom que seja. Porque quer formar, então a principal condição para que seja um funcionário do Bradesco hoje é vestir a camisa do Bradesco. P/1- E essa iniciativa de fazer a história, o que o senhor acha dela estar partindo da memória das pessoas que viveram essa história? R- Como assim? P/1- Essa iniciativa do livro, da gente, ao invés de estar buscando através dos registros, a gente está buscando através da memória das pessoas. O que o senhor achou dessa iniciativa? R- Eu acho uma iniciativa formidável, viu. Eu acho que vocês têm que fazer uma coisa sucinta, possivelmente didática. E o Bradesco tem que dar divulgação a isso. Tem que dar divulgação, o Bradesco tem muito amigo! Tem milhões de clientes, não é? Mas precisa ir preservando essa memória, senão ela vai desaparecendo. Cada geração vem com uma mentalidade diferente, e a gente quem que cultivar as raízes. As raízes do passado, não? Por isso eu acho uma coisa muito importante. É o que eu disse pra vocês, que alguém tem que escrever um dia a biografia do Amador antes que ela se perca, não é? E a Fundação, quando você fala na Fundação vocês estão falando no Amadeu. P/2- E o que o senhor achou de participar dessa história oral que vai pra produção de um livro especial da Fundação Bradesco nos seus 50 anos? O que o senhor achou da sua participação na construção dessa história? R- A minha humilde participação é a de um homem que viveu desde o início aí, e que compõe o Bradesco desde que o Bradesco nasceu. Como eu disse há pouco, que quando casou, a Matriz tinha vindo com 23 funcionários, 22 marmanjos e uma moça [risos]. P/2- Só uma moça. P/1- [Risos]. R- É. P/1- Tem alguma coisa que… R- Ah, tem outra coisa interessante pra falar de uma moça. Não sei se vocês sabem que a pri... hoje o quadro feminino é meio a meio aqui. E antigamente não havia. A primeira gerente de banco do Brasil foi do Bradesco, sabia disso? P/2- Não. R- Agência de Piranema, isso é do meu tempo. Ivone Santana Nicolose. A pouco tempo ela foi homenageada lá em Piranema, uma cidadezinha de Assis, né? Exatamente por ter sido a primeira mulher gerente de banco no Brasil. Veja que coisa! Também é pioneirismo do Amador Aguiar. P2: Pioneiro mesmo, pioneiro. R- [Risos] É… P/1- E tem alguma coisa que a gente deixou de perguntar que o senhor acha importante estar falando… R- Se eu lembrar, eu converso com vocês, viu? Porque eu fui me lembrando aqui, as coisas que eu fui lembrando. Não tenho nada anotado não, viu? P/2- Está certo… P/1- Então, em nome da Fundação Bradesco e em nome do Museu da Pessoa, a gente gostaria de agradecer a sua entrevista. Muito obrigado. R- Nada. P/2- Muito obrigada. R- Nada. Eu que agradeço. --------- Fim da entrevista ---------
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