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Um ajudante e tanto

História de: Oswaldo Bonavigo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/08/2005

Sinopse

Oswaldo conta sobre a influência da cidade em que nasceu, São Paulo, por ter um grande berço da colônia italiana, por isso foi muito influenciado pelo meio em que vive. Relembra sobre momentos com sua família no clube do Palestra Itália, sua família aproveitava muito as atividades de lá. Conta que nunca gostou muito de estudar, por isso optou por trabalhar cedo. Contou também sobre seus cargos no Senac e sua participação nas atividades extracurriculares que aconteciam pelo Senac, como ajudar na organização das Olimpíadas escolares.

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História completa

P/1 - Bom, eu queria começar a entrevista com o senhor falando o nome completo do senhor, o local e a data de nascimento.

 

R - Oswaldo Bonavigo, nascido em oito de setembro de 1930, na cidade de São Paulo.

 

P/1 - Como se chamavam os pais do senhor, e o que eles faziam?

 

R - O meu pai chama-se Eduardo Bonavigo e a minha mãe chamava-se Olga Bonavigo. Ele trabalhou por conta própria quase que toda a vida até que cansou, ele aposentou, aposentou não, nem chegou a se aposentar porque parou de pagar, houve uma, na época da Grande Guerra que terminou em 45, houve uns problemas porque ele trabalhava com fornecimento de material, a situação econômica naquela época ficou muito difícil, principalmente para estrangeiros, e ele era italiano porque a Itália fazia parte do Eixo, chamado Eixo que juntava com a Alemanha e o Japão. E a indústria que soubesse, São Paulo e Brasil inteiro, passou por uma fase difícil e houve muita quebra de firma, quer dizer, houve muito calote e ele sofreu também com as consequências desse tipo de coisa. Aí trabalhou mais uns tempos assim, fazendo bico pra cá, pra lá, até que resolveu parar, parou. E hoje mora comigo, está bem, graças a Deus.

 

P/1 -. Em que cidade ele nasceu? O ano que ele nasceu?

 

R - Ele nasceu na cidade de Mirandola, é próxima de Milão, em 24 de dezembro de 1904, está, portanto, com noventa anos.

 

P/1 - E o senhor sabe como que ele veio para o Brasil, quando que ele veio?

 

R - Ele veio com o pai que veio como imigrante. Ele mais um, na época em três ou quatro irmãos, depois nasceram uns aqui, eles tornaram a voltar pra Itália, ficaram uns tempos lá e retornaram novamente pro Brasil e acabaram ficando por aqui mesmo. Eles ficaram numa cidade perto de Campinas, parece Sousa que chama a cidade. E depois vieram pra São Paulo e se estabeleceram por aqui mesmo, faz tempo.

 

P/1 - O que a origem italiana do pai do senhor influenciou pro senhor?

 

R - Influenciou em que termos, por exemplo?

 

P/1 - Na vida pessoal, na educação, no modo de ser.


R - Eu acho que é uma influência do que São Paulo em parte se traduz porque a colônia italiana aqui em São Paulo é muito grande, então se eu tive algum reflexo da criação dele, tive também em relação à cidade em que eu vivi, que vivo até hoje. Então não foi muito influência dele, mas influência até do meio, da cidade, porque eram a maioria italianos. Então eu digo que eu venho de uma cultura italiana, mas não originando do meu pai, mais dele e mais do círculo de amizades que ele tinha.

 

P/1 - O senhor comentou com a gente que o senhor era sócio do Palestra Itália.

 

R - Ah, fui sócio do Palmeiras desde 1944 porque o meu pai me deu de presente, como eu gostava de futebol, como todo garoto gosta, gostava também e entrei como associado lá. E permaneci até 1990, mais ou menos, então uns quarenta e poucos anos fiquei como associado. Desisti até porque a minha filha já não ia, não frequentava muito, a minha mulher também não, meu filho também estudava muito, não sobrava muito tempo pra se dedicar mais precisamente à piscina, ele gostava muito. Então nós ficamos pagando em usufruir do que o clube oferecia. Aí chegou o bilhete, o resultado: pedi demissão, sai, desliguei, mas ainda sou palestrino.

 

P/1 - Senhor Oswaldo, como é que era o seu dia-a-dia quando o senhor era criança? As brincadeiras, a escola?

 

R - Bom, brincadeira de criança na escola se resumia assim, brinca de, não, era, você não pode pensar em videogame, trenzinho elétrico, autorama. Era tudo carrinho de madeira, uma bolinha às vezes de, feita com meia, meia de mulher, você enchia de papel e dava três enroladas nela e saía bola pela rua. Campo de futebol tinha bastante porque existia muito terreno vago e em cada terreno se fazia um campo de futebol. Então brinquedo de garoto era mais futebol, era pega-pega, esse tipo de coisa assim, sem sofisticações de entretenimento. Hoje tem muito mais, é lógico, muito mais recursos, muito mais novidade, coisas boas. Antigamente era coisa mais natural, roubar fruta do vizinho, quebrar janela do outro com a bola (risos). Era mais ou menos isso.

 

P/1 - Em qual bairro o senhor morava quando era criança?

 

R - Eu sempre morei na Zona Leste, na Lapa.

 

P/1 - E como era a Lapa naquela época?

 

R - A rua, por exemplo, que eu era garoto, brincava, não existia calçamento, como a maioria das ruas, uma ou outra é que existia esse calçamento de paralelepípedo, mas a maioria não havia, não. Então a molecada jogava bola na rua até à noite, às vezes. Iluminação, tinha ruas que não tinha e quando surgiu que instalaram luz elétrica nas ruas foi uma festa na rua, não existia calçamento também. Foram novidades que com a própria evolução do tempo se tornou possível realizar.

 

P/1 - E o senhor comentou que o senhor fez ginásio comercial?

 

R - É, foi.

 

P/1 - Onde o senhor fez?

 

R - Foi na Escola Comercial Campos Salles, na Lapa.

 

P/1 - O que se aprendia na escola, nessa escola?

 

R - Bom, aprendia o básico, era Português, Matemática, Geografia, História, mais esses.

 

P/1 - Mas já era voltado para uma profissão?

 

R - A profissão você ia procurar depois através dos cursos científico ou clássico que eram um estágio acima e depois a faculdade.

 

P/1 - Mas o senhor terminou o ginásio e…?

 

R - Terminei o ginásio e aí eu comecei a trabalhar, eu nunca gostei muito de estudar, pra mim era um sacrifício, então preferi partir pro trabalho mesmo.

 

P/1 - E o senhor foi trabalhar em quê?

 

R - Eu fui trabalhar numa empresa de telégrafos, chamava All America Cable, naquele tempo lá, e depois fui pra uma outra, Vivax Produtos Químicos, num grande período.

 

P/1 - O que o senhor fazia?

 

R - Eu era boy. Depois fui pra Light, fiquei três anos lá e depois vim para o Senac. De modos que eu tive na realidade na minha vida, quatro empregos. No Senac eu fui admitido em 52, estamos em 95, quer dizer, faz um tempinho.

 

P/1 - Quando o senhor entrou pro Senac, o senhor já tinha ouvido falar do Senac?

 

R - É, a gente ouvia, Senac, Senai, um era voltado pra indústria, outro voltado para o comércio, então tinha até uma curiosidade de saber. Fiz uma inscrição, me chamaram, fiz o teste, fui admitido e estou aqui até hoje. Até ser demitido. (risos)

 

P/1 - Mas senhor Oswaldo, o senhor viu algum anúncio pra exercer algum cargo?

 

R - Não, não, porque eu não sei se já disse pra você anteriormente, eu já tinha um primo que trabalhava aqui e a gente convivia muito. "Ah, porque você não vai lá e se inscreve, tal", por aí.

 

P/1 - E o seu primo trabalhava em que setor, que unidade do Senac?

 

R - Ele entrou como fiscal, existia um departamento que cuidava de cobrança da obrigatoriedade escolar, uma lei que existia que cada empresa que possuía mais de dez funcionários, obrigatoriamente devia matricular no Senac. Então ele estudava meio-dia e trabalhava na empresa meio-dia e tinha um salariozinho, uma ajudazinha de custo. Então foi isso. Daí ele passou, ele ficou não sei quanto tempo nessa função, depois ele passou a caixa no Senac, passou depois a tesoureiro, depois ele foi diretor da Gerência de Material, uma coisa assim.

 

P/1 - Como ele chama?

 

R - Ermelindo Bonavigo. Depois saiu, aposentou, cansou, tomou outro rumo.

 

P/1 - E o senhor foi admitido no Senac fazendo o quê?

 

R - Fui admitido como escriturário datilógrafo, fiquei nesse cargo certo tempo, depois, você vai aprendendo logo as coisas, vai desenvolvendo, esforço, tal, você vai fazendo uma carreira, então vai indo, com uma promoção passei a ser, de escriturário passei a auxiliar administrativo, que era um cargo acima. Fiquei um tempo também nesse cargo, fui promovido outra vez pra oficial administrativo, mais um cargo acima, depois Assistente Administrativo e Assessor, que sou até hoje.

 

P/1 - Mas dentro desses cargos o senhor falou que exerce funções diferentes, um monte de...

 

R - É porque, por exemplo, eu exerci esse cargo mas na função, eu fui, por exemplo, encarregado da parte administrativa da divisão gráfica.

 

P/1 - O que o senhor fazia exatamente nessa época?

 

R - Tudo o que uma administração exige, é controle, lá até mais um pouco específico porque existia cálculo de ordem de serviço, ordem de serviço que você abre marcando tempo de composição de um impresso, a impressão, o acabamento, então você soma cada uma das fases e tinha o custo operacional. Então você tinha que somar os vários tempos de cada fase pra chegar num custo, estabelecer pra aquele tipo de impresso que era feito lá.

 

P/1 - Esses impressos, eles serviam ao SENAC de São Paulo ou de todo o Estado?

 

R - SENAC de São Paulo, SESC de São Paulo, Federação do Comércio e Centro de Comércio também.

 

P/1 - E que tipo de impressos que a gráfica produzia?

 

R - Impresso de ordem administrativa, e também de determinados cursos, dizia que fizesse qualquer coisa também se fazia. Era uma gráfica como outra qualquer, bem equipada, com todos os recursos materiais e técnicos, gente especializada na parte operacional. Então era isso.

 

P/1 - E onde que a gráfica ficava?

R - A gráfica ficou montada nesse prédio aqui hoje a título, quando ela foi criada, no seu início, sem exercer a atividade, mas criada aqui, pra funcionar aqui, tinha uma máquina ou outra lá, mas não podia ser aqui. Então foi alugado um prédio aqui na Duque de Caxias, então lá que foi realmente montada a Divisão Gráfica, e onde eu trabalhei. Posteriormente ela mudou para um prédio que hoje funciona a antiga UNIFORT, na Barra Funda. Aquele prédio foi construído pra instalação da gráfica e lá ela ficou, não lembro quanto tempo, até ser desativada, por razões diversas se achou que não devia mais dar continuidade a esse trabalho na gráfica. Então ela foi desativada, acabou a Divisão Gráfica. Mas nessa altura eu já estava na Secretaria Geral porque a Chefe, naquela altura, Maria Corvelo, ela foi designada pra trabalhar no Grande Hotel São Pedro, também estava em fase de instalação e ela gostava do tipo de trabalho e foi transferida pra lá. E nesse tempo eu fui transferido da gráfica, Divisão Gráfica pra Secretaria Geral e fiquei um tempo lá e passei à chefia da Secretaria Geral onde a Maria Corvelo foi pra Águas de São Pedro.

 

P/1 - E dentro da Secretaria Geral que é o que o senhor fazia?

 

R - Bom, a Secretaria Geral era que cuidava de protocolo, de toda a correspondência, do arquivo geral da entidade, da parte de datilografia do Senac e posteriormente se criou a microfilmagem, também ficou sob a responsabilidade da Secretaria Geral. Então, quer dizer, eu era o Chefe de seção.

 

P/1 - E como é que era o dia-a-dia do trabalho do senhor? O senhor tinha contato com os funcionários, com os alunos?

 

R - Não, era só a parte administrativa, não tinha a parte de alunos, não tinha contato nenhum, a parte corresponde à administração, em geral a atividade da secretaria em função da administração do Senac. Não tinha nenhuma ligação com aluno.

 

P/1 - E aí o senhor ficou...

 

R - Aí quando criou a microfilmagem, houve uma necessidade de admissão de um maior número de pessoas, o trabalho também cresceu porque o Senac foi crescendo sempre, os trabalhos se avolumando. Aí houve uma reforma do organograma do Senac, nessa reforma a Secretaria Geral, até em virtudes das novas atribuições e do número de funcionários ser maior, ela deixou de ser uma seção que era subordinada diretamente ao Diretor Regional e passou a ser uma divisão, como existia a Divisão Administrativa, Divisão Contábil, Divisão Técnica, então a secretaria passou também a ser divisão e nessa altura eu fui nomeado diretor dessa divisão.

 

P/1 - Isso foi na época de qual Diretor Regional, o senhor lembra?

 

R - Foi na época do Amin Aur, que foi diretor aqui por uns dez anos, dez, doze anos.

 

P/1 - Nessa época teve uma grande mudança no Senac como um todo?

 

R - Sempre existiram mudanças, então nessa época houve, anteriormente também tinha acontecido e posteriormente também aconteceu. Extinguir departamentos ou criar novos departamentos à medida da circunstância, quer dizer, há necessidade de se fazer, então havia uma reforma administrativa, mudava o organograma, criava-se novos departamentos em função das próprias atividades do Senac que cresciam sempre, então girava em torno disso, se mudava quando era a época própria de se alterar.

 

P/1 - Quando virou divisão, a Secretaria Geral passou a ser uma divisão, ampliou o trabalho dela?

 

R - Essa ampliação foi natural, o Senac cresceu, o Senac tinha, por exemplo, quando eu entrei aqui eu não me lembro quantas unidades tinha, mas vamos dizer que tivesse oito ou dez escolas que eram denominadas naquela altura e logo depois passaram a quinze, a vinte, a 25 e assim por diante, então, em função desse crescimento houve uma carga maior de trabalho pra todas unidades. Então essas unidades foram obrigadas a se equiparem também, pra poder acompanhar a necessidade de trabalho.

 

P/1 - E como aconteceu de começarem a ocorrer os cursos de formação acelerada, de maior número de funcionários em consequência disso?

 

R - Não. Aí mais uma parte voltada à área técnica, então não influenciou muito na parte administrativa, o que aumentava era o número de correspondência, por exemplo, as escolas com novos cursos tinham uma necessidade de mandar novos documentos, cartas e assim por diante. Como aqui o Senac tinha, os certificados eram preenchidos aqui, os certificados de participação de curso, preenchidos aqui e expedidos pela sede para as várias unidades, então tudo se transformou em aumento de carga de trabalho. Nessa altura, quer dizer, é preciso mais gente, é preciso aparelhar melhor novos recursos, além de humanos até recursos de equipamentos e assim por diante.

 

P/1 -Todos os certificados eram preenchidos aqui?

 

R - Inicialmente sim.

 

P/1 - E como é que ficou o trabalho do senhor quando começou aquela meta dos trezentos mil alunos?

 

R - Aquilo foi uma loucura, foi uma loucura porque uma que esse objetivo era difícil de ser atingido porque a gente não achava... isso vai ser difícil, mas como foi um desafio houve um empenho geral, quer dizer, mas um empenho meio desordenado, como é que nós vamos chegar nisso e tal. Mas felizmente conseguiu, a gente superou todos os obstáculos que se apresentaram, objetivo cumprido, todo mundo de sorriso largo.

 

P/1 - O senhor lembra do que o senhor pensou, que o senhor sentiu do que isso ia redundar pro senhor, essa meta pra divisão do senhor, que o senhor estava trabalhando naquela época?

 

R - Não, porque você não avalia, você só avalia em termos de número, na época eu não sei quanto tinha, por exemplo, dez mil querer passar pra cem, você fala: "Tem uma diferença muito grande." Mas você não avalia o tempo de trabalho que isso correspondia. Depois com o tempo que a gente foi vendo: "Olha, isso aqui está difícil”. Depois esse tipo de trabalho do certificado passaram a ser preenchidos nas próprias unidades, quer dizer, foi-se procurando soluções pra evitar o acúmulo de trabalho pra um e o outro mais ou menos só jogando alunos (risos). Pra ele eu dou os dados o outro que se vire lá. Então foi mais ou menos isso.

 

P/1 - E o senhor permaneceu na divisão até quando mais ou menos?

 

R - Aí fiquei na divisão até 82, não lembro bem, foi por aí, 82, 83. Depois houve uma mudança, uma nova reestruturação e eu passei a ser Assistente da Coordenadoria, a Coordenadoria que tomava conta da nossa era COAD, e a COAD englobava a Secretaria Geral, a Contabilidade onde era GR, a mesma coisa, Divisão Contábil que era naquele tempo, e o Pessoal. Então a Coordenadoria que, o coordenador foi depois o Salgado, Diretor Regional e eu passei a ser Assistente do Salgado. Deixei a Secretaria e passei a ser Assistente dele. Aí fiquei por uns tempos também como Assistente, eu não lembro muito bem e depois houve uma nova mudança no organograma. Aí acabaram com o cargo de Assistente, porque unificaram algumas unidades, uma nova mudança, e aí eu passei a ser Assessor.

 

P/1 - Mas como Assistente do Salgado nessa divisão, o que é que o senhor fazia? Qual era a função?

 

R - Tudo isso se resumia em função administrativa, controle, acompanhamento, tipo coisa assim, tudo controle administrativo.

 

P/1 - E agora como Assessor, o senhor...

 

R - Hoje como Assessor eu estou cuidando da parte que cuida do seguro, todo o seguro do Senac, seja aqui de São Paulo, como também das unidades do interior. Esses seguros são especificamente contra roubo, incêndio, riscos de diversos valores, automóvel, então tudo é comigo essa parte, vamos dizer.

 

P/1 - No que diz respeito aos imóveis, as escolas e aos funcionários também?

 

R - Não, a parte dos funcionários é com o Pessoal - GEP.

 

P/1 - Mas é rede toda do Estado?

 

R - Toda.

 

P/1 - Eu queria que o senhor falasse, senhor Oswaldo, como ocorreu, como se deu a transformação das unidades em operacionais, especializadas.

 

R - Bom, eu como sempre fui da parte administrativa eu nunca tive um grande acompanhamento desse tipo de mudança. Porque se você me falar quantas mudanças aconteceram no Senac hoje, eu não me lembro, porque foram tantas e tudo em função de necessidade do momento. Eu não sei dizer, esse tipo de pergunta eu não sei responder.

 

P/1 - E falando mais da vida pessoal do senhor. O senhor casou, quando é que o senhor casou, como o senhor conheceu a sua esposa?

 

R - A minha esposa era do bairro, a gente se conhecia assim, não tinha amizade, mas conhecia de vista e tal, e via lá e aconteceu (risos). Bateu um papo e tal, namoramos um bom tempo e acabamos casando.

 

P/1 - E onde que foi o casamento do senhor?

 

R - Foi nessa igreja do Largo do Padre Péricles, São Geraldo. Vocês conhecem? Perto do Senac lá da Francisco Matarazzo.

 

P/1 - Ah tá.

 

R - Naquele largo ali.

 

P/1 - E o senhor tem filhos?

 

R - Tenho um casal de filhos. Telma com 29 e Eduardo com 26.

 

P/1 - E o que é que eles fazem?

 

R - A Telma é hoje diretora de duas escolas e é também franqueada, ela faz parte de um grupo, é franqueada do Yázigi e ela é diretora dessas duas escolas. E o meu filho depois de uma longa correria atrás de emprego e remessa de currículos pro Brasil inteiro conseguimos uma colocação aí a questão de uns três meses, está encaminhado pra enfrentar a barra, não sei se vai continuar aí, mas ele tem perspectiva porque não é bem o ramo que ele, para o qual ele se formou, mas como ele não aguentava mais ficar parado correndo atrás de emprego, ele pegou esse aí que apareceu. Não está realizado profissionalmente, mas pelo menos está trabalhando, que é o que ele queria. Está em parte realizado.

 

P/1 - Bom, eu queria voltar um pouquinho à época em que o senhor começou a trabalhar no Senac. O senhor comentou com a gente lá fora que trabalhou aqui na Doutor Vila Nova, mas era o prédio antigo.

 

R - Foi.

 

P/1 - Eu queria que o senhor descrevesse esse prédio pra gente, como ele era?

 

R - Olha, esse prédio antigo era um prédio de quatro andares, pequeno, embora tivesse um pátio bastante grande lá atrás com algumas saletas que serviam como seção, além dos quatro andares tinha esse pátio cercado por uma espécie de ferradura e também lá fazia parte da administração do Senac. E aí ocorreu que houve um problema de fundação, o prédio ameaçou, trincou e tal. Então nós tivemos que mudar rapidamente e fomos lá pra Rua 24 de Maio, onde hoje... Como é que chama aquela unidade lá?

 

P/1 - Recursos Humanos?

 

R - Administração. Centro de Administração. E aí ficamos lá um bom tempo. E aquele prédio foi demolido e construído esse daqui e demorou nesse período de tempo eu acredito que uns cinco ou seis anos, por aí, e depois voltamos pra cá. Aqui em frente onde é o Carlão hoje era o Rio Branco, que hoje é aqui na Avenida Higienópolis, o Instituto Rio Branco funcionava aqui.

 

P/1 - Como é que era o bairro naquela época?

 

R - Era até bastante residencial o bairro, gostoso, hoje está um inferno, mas naquele tempo era bem gostoso, calmo, um ambiente bom, bem gostoso. Hoje está meio difícil.

 

P/1 - E quando foi inaugurado o prédio aqui funcionava o Senac, o Sesc e a Federação e o Ministério do Trabalho também.

 

R - Não, o Ministério veio depois.

 

P/1 - Veio depois?

 

R - Porque eles fizeram uma solicitação, o Presidente parece que era o Papa Júnior, naquela época, e eles precisavam de um local e o Senac por coincidência tinha o local e era pequeno o espaço que eles ocupavam. E foi cedido a título meio precário, e eles ficaram aí. Mas foi bem depois da inauguração, isso foi há uns quinze anos atrás, bem depois de inaugurado. Até o ministro era...

 

P/1 - Era o Murilo Macedo?

 

R - Murilo Macedo.

P/1 - E isso daí alterava de alguma forma o dia-a-dia da instituição aqui?

 

R - Não, não porque ele tinha esse gabinete aí que era mais pra receber porque o tempo dele era Brasília, porque ele vinha à São Paulo, um despacho ou outro fazia aqui, mas não era muito comum a presença dele aqui, era esporádico. Ele não tinha assim, por exemplo, uma programação de segunda ou terça estou lá, na medida do necessário ele pintava aí, não era um negócio que seguia uma ordem programada, ele vinha aí a hora que precisava, viajava pra São Paulo e parava aqui, como se fosse pro Rio, tinha um outro local lá e assim por diante.

 

P/1 - Era um prédio administrativo do Senac, e aí começaram a acontecer cursos aqui?

 

R - Ah, esses cursos foram bem depois, quer dizer, são outras fases, o Sesc saiu, pro Senac o prédio ficou mais espaçoso e tinha que ocupar de alguma forma. Tinha unidades que não estavam, não me lembro quais agora, tinha unidades que estavam meio apertadas, então criaram alguma coisa pra funcionar aqui e aí seguiu dessa forma.

 

P/1 - Mas assim, a vinda de alunos pra cá alterou alguma coisa na movimentação do prédio, como alterou a movimentação do prédio pros funcionários essas coisas?

 

R - Bom, alterou de certa forma porque antigamente o serviço, o elevador, por exemplo, elevador era a hora de entrada e da saída, certo? Todo mundo entrava às nove horas, saía às cinco e meia por aí, saía meio-dia e meia pra almoçar, agora o elevador você pega está lotado porque é curso que termina, é curso que inicia e assim por diante. Quer dizer, de certa forma aumentou o trânsito de pessoas aqui no prédio.

 

P/2 - E nessa época de emissão dos certificados, quais os cursos, ou o curso que tinha maior procura?

 

R - Ah, é como eu disse, é mais voltado pra parte técnica, eles é que tinham o controle, inclusive do próprio, se você pegar o regulamento do Senac de cada ano, lá consta o número de alunos formados no curso A, B, C e até curso X, Y. Tinha todo o número dos alunos formados no ano, até por curso realizado. Mas esses dados muito variáveis. A demanda por um curso hoje é uma, amanhã pode não ser, o pessoal pode cair pra uma área mais voltada a computação, por exemplo, línguas, então esses cursos que o Senac fazia antes eu acho que... Naquela época que você diz pode ser que hoje não teria a mesma validade, porque embora o Senac pudesse oferecer, não existia uma demanda pra dar esses cursos. Por isso que, principalmente no interior, era comum até montar uma instalação pra um determinado curso, cabeleireiro, por exemplo, então montou lá, instalou e um belo de um trabalho foi executado, e de repente não tinha demanda lá, quer dizer, se numa cidade existia, na outra podia não interessar. Então, quer dizer, isso aí variava de local pra local, um curso A era mais solicitado, na cidade vizinha podia ser o curso B, não necessariamente o mesmo curso tinha a mesma procura em todas as cidades, isso era muito de acordo com as características de cada unidade. Deu pra entender?

 

P/2 - Certo. O senhor disse que participou das olimpíadas escolares?

 

R - Ah, sim. O Senac acho que por uns quinze anos, mais ou menos por aí, manteve esse evento. Isso aí era um, os alunos do Senac, por exemplo, que gostavam de esportes passaram a participar dessa Olimpíada, a cada ano ia numa cidade diferente. Então você via, além do aluno participar daquilo, porque ele gostava de jogar futebol, basquete, vôlei, seja lá o que for, proporcionava também a ele conhecer uma determinada cidade que talvez por recursos próprios nunca chegaria a ver. Fazendo um parêntesis, eu lembro a cidade de Santos. Quando teve essa Olimpíada em Santos era de cortar o coração. Foi isso, quer dizer, proporcionava às crianças conhecer novas regiões, e a alegria deles em poder participar. Então nessa Olimpíada tinha diversas modalidades de esportes e inclusive tinha o Torneio Cultural que era a parte voltada ao ensino na realidade, porque você não podia levar só os jogadores de futebol, os garotos que jogavam futebol, vôlei, ou basquete, precisava também incentivar a parte cultural. Existia esse Torneio Cultural que cada escola selecionava seus dois ou três melhores alunos que participavam, e aí tinha prêmios, o Senac oferecia alguns prêmios e tal. Então eu achava muito gostoso e isso era realizado anualmente, cada vez numa cidade, e isso durou bastante tempo e depois com o tempo também perdeu, não sei se o significado ou o interesse e acabou sendo desativado. Isso também foi uma boa experiência do Senac.

 

P/1 - O senhor fazia parte da comissão de organização?

 

R - Fazia, eu era encarregado da secretaria da Olimpíada. Tinha encarregado de alojamento, outro transporte, outro... Pedro Barros era a parte de esportes, ele fazia, organizava os jogos, as tabelas e tal. E eu fazia parte da secretaria, quer dizer, controlava todas as inscrições, publicava os resultados dos jogos, as tabelas para os jogos do dia seguinte e assim por diante. Então era comum de madrugada, os jogos terminavam meia-noite e aí o Pedro Barros fazia pela chave que havia sido derrotada, quem ganhou e tal e pela chave formavam os jogos do dia seguinte. Aquilo era datilografado, era impresso e distribuído aos hotéis de madrugada porque saía de lá às três horas da manhã e no dia seguinte oito horas tinha jogo, então tinha que estar de pé outra vez, mas era gostoso, mas durava praticamente uma semana essa Olimpíada. O encerramento era com esse Torneio Cultural e um jantar de confraternização que reunia todas as escolas com todos os seus alunos, e então encerrava e começava já a se pensar no ano seguinte onde seria, porque seria, geralmente quando ocorria uma inauguração. Então: "Vai inaugurar, sei lá, Rio Preto. Então essa boa oportunidade pra se realizar a Olimpíada em Rio Preto." A repercussão seria maior, dava uma outra motivação pra essa realização ser feita lá.

 

P/1 - O senhor lembra de alguns alunos que participaram das Olimpíadas? O senhor tinha contato com esses alunos?

 

R - Não, era uma correria tão grande que você não tinha nem tempo de assistir jogo, porque, por exemplo, a minha parte, a secretaria, era ficar ali pra atender um chamado que alguém se machucou, precisa chamar ambulância, houve algum problema aqui, um problema lá, cuidar do material, por exemplo, o material tinha alguém que acompanhava, ia buscar a bola, levava a bola debaixo do braço, tudo isso meio correria. Então não havia muito contato com os alunos, o contato que a gente tinha era na confraternização quando existia esse jantar que as pessoas iam, mas não tinha contato com os alunos. Você quer dizer se alguém se destacou como jogador de futebol, não houve que eu conheça, que é jogador de futebol, basquete e tal.

 

P/1 - E tinha uma abertura sempre com desfiles, né?

 

R - Sim.

 

P/1 - E o senhor participava dessa abertura desses desfiles?

 

R - Não. Participava da organização. Os alunos, o professor de educação física participavam, agora a comissão nessa altura ficava fora. Se organizava, o que precisava você participava. Mas era comum até você levantar a bandeira lá, porque às vezes enroscava, o aluno estava atrapalhado, alguém corria lá pra ajudar. Mas era gostoso, uma atividade muito salutar, pena que acabou.

 

P/1 - O senhor lembra de alguma cidade que o senhor foi e que o senhor não conhecia?

 

R - Fui acho que, onde o Senac manteve escola, naquela época, eu fui em todas elas.

 

P/2 - E havia uma participação dessas cidades? Qual era a receptibilidade dessas Olimpíadas?

 

R - Bom, era feito um trabalho junto à imprensa, por exemplo, nas rádios locais anunciar a programação que dentro de certo período ia ter aqueles jogos e a imprensa local também. Até na imprensa de São Paulo houve publicação que seria na cidade X, embora o conhecimento maior que as pessoas tomavam era através da imprensa da localidade. Então você ia em Rio Preto ou Ribeirão, você ia procurar os jornais da cidade, do local. Aí você promovia, dizia a razão da existência disso, o objetivo e os prêmios que seriam dados, a participação de quantos alunos de tantas cidades e assim por diante. Então a maior divulgação era feita lá. Aqui saía uma notícia muito pequena porque não adiantava nada você publicar aqui porque a notícia nem ia chegar lá, ou chegava lá muito reduzida. Então a campanha tinha que ser feita lá mesmo.

 

P/2 - E quais eram os prêmios?

 

R - Eram troféus, quer dizer, embora de significado não tão caro, era um valor estimativo que a criançada recebia aquela taça e ia correndo brincando, que aquilo não valia, tinha um valor estimativo, não era um valor da taça nem nada. O Torneio Cultural também tinha medalhas, melhor nota de matemática, não sei o quê, assim por diante, português, redação. Quer dizer, o menino saía com a medalha, aí saía feliz da vida e a escola também, porque aí desafiava o outro: "Essa escola não é de nada." E assim por diante, fazia parte da brincadeira. Mas é isso.

 

P/1 - Tinha uma grande rivalidade entre algumas escolas?

 

R - Existia sim, porque... Uma rivalidade até um pouco de malandragem, porque houve casos, não foi apurado nada, mas de suspensão de que um determinado Senac de não sei da onde, levou alguém que não era seu aluno, mas foi matriculado pra jogar. Então já existia alguma malandragem ou uma suspeita de malandragem, mas nada foi apurado. Pra você ver que a rivalidade era tanto que chegava a levantar suspeita, porque aquele aluno que era bom de futebol ele foi porque ele era bom de futebol, não porque ele estudava no Senac, arrumaram lá uma inscrição fajuta, matrícula fria pra levá-lo. Eu disse isso por causa de mostrar que já existia uma rivalidade, é normal que exista, porque qualquer disputa há uma rivalidade, não se admite brigas, esse tipo de coisa, mas rivalidade é até salutar, eu acho.

 

P/1 - Deixa eu perguntar uma coisa pra senhor. Só ia pra cidade onde estava tendo a Olimpíada, os alunos que iam participar das Olimpíadas, ou iam também alunos pra torcer?

 

R - Não, porque lamentavelmente o aluno do Senac não tinha esse poder aquisitivo, pode ser que até um ou outro tivesse ido, mas na realidade iam aqueles que iam participar, jogar e tal, porque o recurso financeiro... O nível de aluno do Senac era muito baixo, o nível financeiro, então não existia praticamente essa possibilidade de tirar do bolsinho dele e ir pra lá ou a família financiar. Não tinha.

 

P/1 - Quem ia assistir os jogos, os colegas?

 

R - Todos os alunos do Senac, por exemplo, iam assistir, do Senac local, porque de fora dificilmente, mas de lá ia, e fora a população, porque não existia no interior, nessa época, grandes oportunidades de lazer, por exemplo, então o barato, de graça era ver os campeonatos; aí ia lá assistir, torcia no ginásio coberto, campo de futebol aberto com chuva, ia, mais no ginásio que era fechado, aquela farra da molecada. Era muito gostoso, era a população da própria cidade que prestigiava.

 

P/1 - Quais eram os principais esportes que a Olimpíada cobria?

 

R - Tinha futebol, tinha vôlei, masculino, feminino, basquete também masculino e feminino. Tinha partida até que terminava três a dois no basquete porque ninguém entendia nada, nível baixo assim. Que mais? Torneio Cultural, eu acho que era só. Eu não lembro outra modalidade, não.

 

P/1 - O senhor sempre entrava em contato com os prefeitos, com as autoridades locais da cidade?

 

R - Ah, bom. Uma das fontes que a gente tinha até pra procurar recursos porque você precisava de campo de futebol, porque oferecia uma certa garantia, sei lá, pra ninguém provocar uma briga precisava da polícia, dois guardas, um ficava aqui o outro ficava lá. O prefeito se encarregava de contatos juntos aos clubes para que cedessem os campos, as quadras de basquete. Então tinha contato com o prefeito, o Lions Clube, Rotary também, às vezes, entrava no circuito, era uma forma de se procurar; o sindicato do comércio dava qualidade também. A gente procurava apoio em tudo, uma porque precisava, tinha que socorrer, até pra não pagar aluguel de campo, por que pagar se conseguia de graça?

 

P/1 - E o primo do senhor também fazia parte dessa comissão?

 

R - Fazia. Ele era da parte de transportes, hotéis e alojamentos. Ele cuidava de, por exemplo, de Araraquara, pessoal de Araraquara vai à Ribeirão, por exemplo, ele que se encarregava de alugar os ônibus e alojar as pessoas, já tinha hotel reservado, aqui vem tantas pessoas de Araraquara, outros de Marília e tal. Chegava lá cada um já tinha o seu hotel reservado com vagas suficientes. E ele era encarregado dessa parte aí.

 

P/1 - Senhor Oswaldo, o senhor pegou a época da Universidade do Ar?

 

R - Peguei.

 

P/1 - O que o senhor lembra da universidade?

 

R - Em curso por correspondência, não existe hoje, mas nessa época valia, tinha validade, porque existiam vários núcleos de cidades até que nunca você tinha ouvido falar. Então chegava uma cidade: "Pô, chegou uma carta aqui, não sei de qual cidade. Onde é que é isso aqui?" Tanto é que uma vez mandaram uma carta pra Indiana, não sei o quê Indiana, foi parar nos Estados Unidos, aí voltou por falta de não achar o destinatário. Mas era um negócio também que eu achava interessante, porque na época era, não era bem novidade, mas era uma coisa útil, porque o aluno, coitadinho, lá que não tinha condições de pagar uma escola nem nada criava-se núcleos, e esses núcleos era o professor que se encarregava de receber na sua própria casa os alunos interessados. O Senac remetia apostila pra esse núcleo, esse professor e ele se encarregava de transmitir, passar a apostila de português, matemática, história e tal. Então, quer dizer, era também uma chance de ajudar as pessoas a ter um pouquinho mais de conhecimento e, o que é pior, de graça, não é isso? E conviver mais com outras pessoas porque se não tivesse gratuidade talvez estivesse em casa chouriçando lá. E depois essa Universidade do Ar, ela promovia também um Torneio Cultural, nesse torneio o próprio professor selecionava os seus, não sei se dois ou três alunos do seu núcleo pra participar desse torneio que era feito aqui em São Paulo, já foi feito também em Campinas, numa oportunidade que eu também fui trabalhar lá, colaborando, e aí também dava uns prêmios, bolsas de estudos, tipo coisa assim, prêmios, digo de grande significado, mais importante. Então a Universidade do Ar era isso, então tinha esse, mandava as lições e os alunos recebiam, aí preenchiam, devolviam e aqui então fazia-se um, a administração dessa Universidade do Ar corrigia aquelas lições e tal. E os alunos muito aprenderam lá, basicamente a ler através daquilo lá, desenvolver um pouquinho mais a sua leitura. E tinha também esse Torneio Cultural na Universidade do Ar, também era feito uma vez cada ano, dois anos por aí, também funcionava bonitinho, modestamente, mas na época muito útil, eu acho, hoje não teria validade.

 

P/1 - E o senhor fazia parte efetivamente na organização do Torneio Cultural da Universidade do Ar?

 

R - Não, eu não sei se conversei com você anteriormente, não é porque você exercia um determinado cargo, uma função, você estava, deixava de ser solicitado a participar de uma outra atividade. Então era muito comum esse torneio, por exemplo, era de sábado e domingo, e às vezes até nesse prédio aqui. Então o professor Breno convidava: "Você não quer colaborar com a gente aqui, nesse torneio?" "Pode contar comigo." Então eu e outras pessoas também vínhamos aqui sábado e domingo pra ajudar, porque eu gostava, participava, funcionava direitinho. Aí você recebia aquela molecadinha muito simplória, muito espantada com o tamanho da cidade, mas era muito gostoso. E era o Breno Di Grado esse que foi... Ele era o que cuidava dessa Universidade do Ar, e com o tempo depois foi desativada e acabou fechando.

 

P/1 - Os alunos que vinham dos outros núcleos receptores, eles ficavam alojados onde?

 

R - Então existia uma estrutura como essa da Olimpíada que eu te falei. Tinha o encarregado dos transportes que é pra receber essa criançada, encarregado do alojamento, já reservava, vem tantos de quantos: de Campinas vêm dois, de Bauru vêm dois, esse hotel tem tantas vagas, então põe três de Campinas, três não sei da onde e alojava aquele pessoal. Outra cidade que vinha aqui ficava em outro hotel, reservava tantas vagas necessárias. E depois perua do Senac, de táxi, sempre resolvia. E esse trabalho era sempre em forma de mutirão, porque além de ser convidado pra trabalhar, por exemplo, eu no torneio eu trabalhei várias vezes na recepção, quer dizer, receber os alunos, conferir as fichas, professor, está tudo em ordem, alojamento acertou, está tudo bem, mas se me chamassem eu e qualquer um dos que participava pra fazer qualquer outro tipo de atividade também se eu puder eu faço, fazia com gosto, e era até gostoso.

 

P/1 - Os professores acompanhavam os alunos?

 

R - Sempre vinham acompanhantes. Não sei se eram três de cada grupo, dois, mas sempre com um responsável, também porque de determinadas cidades se caíssem aqui se perdiam, isso era verdade. É isso mesmo.

 

P/1 - Os prêmios do Torneio Cultural da Universidade do Ar o senhor lembra quais eram?

 

R - Eram também troféus e parece que em determinada época se deu bolsas de estudo, eu não lembro bem, parece que foi dado bolsa de estudo pra alguém e prêmios também, pro professor, pro professor se sentir incentivado, continuar com o seu núcleo no ano seguinte e assim por diante. Então eu achava que para a época valeu (risos). Valeu sim.

 

P/1 - O senhor lembra mais alguma coisa que o senhor tenha participado, ajudado, mesmo que informalmente?

 

R - Não. Eu acho que não tem mais nada. Não tem mais nada, não.

 

P/1 - Senhor Oswaldo, e hoje, como é que é o seu dia-a-dia?

 

R - O dia-a-dia, eu chego aqui no Senac, porque sou obrigado a vir todo dia (risos). Mas como eu falei pra você eu cuido dessa parte de seguro, se bem que é um negócio assim, é um negócio de responsabilidade, mas não é um caso que tenha tantos problemas que ocupe o seu dia totalmente, é controle, são consultas, como é que eu faço, preciso fazer isso e tal. Mas não é um trabalho que chega a causar grandes preocupações, é um trabalho que você tem que ficar atento, porque a qualquer momento pode surgir um sinistro, o Senac é tão grande, então é muito comum, olha, houve um roubo aqui, o Senac daqui bateu o carro, roubaram o carro do Senac e assim por diante. Então o dia-a-dia é um negócio meio monótono, mas eu acho de bastante responsabilidade.

 

P/1 - E falando mais da vida pessoal do senhor. O que o senhor faz nas horas vagas, de lazer, que o senhor estava comentando com a gente lá fora.

 

R - É, eu comentei que eu fui sócio do Palmeiras um tempão e frequentava muito a piscina, eu e a minha família, de repente, até porque mudei, morava ali perto do Palmeiras mesmo, acabei mudando pra outro lugar e não ficou tão pertinho assim, embora não fosse longe também onde eu moro hoje. Mas vão surgindo novas coisas, meus filhos frequentavam muito lá, então a gente ia desde criança, quer dizer, eram pequenos, levava, tal, de repente foram criando outras necessidades, criaram outras, pegaram outros caminhos, estudam bastante, a minha filha trabalha bastante, não vai sobrando um tempo: "Hoje não posso, amanhã não vai dar." O dia que você quer ir choveu, chuva com piscina, então não vai, assim perdeu o interesse; E eu paguei tanto tempo, falei, não adianta, besteira ficar pagando porque ninguém usufrui, eu era sócio-família, tinha direito a levar os filhos, que eram dependentes. Então perdi um pouco do interesse e acabei não fazendo nada. Então você pergunta agora o que eu faço além... De vez em quando uma caminhada porque a minha mulher pega no pé: "Tem que andar um pouco." Ando lá no bairro, um bairro com uns jardins gostosos lá. Ela faz muito isso aí, mas eu não sou muito chegado não, prefiro pegar o meu jornal, ler tranquilamente, o meu dia-a-dia é esse aí. E aqui o trabalho.

 

P/1 - Com quem o senhor mora atualmente?

 

R - Eu, minha esposa, os dois filhos e o meu pai.

 

P/1 - Você quer fazer mais alguma pergunta? A gente está encaminhando pro final da entrevista, senhor Oswaldo, eu queria perguntar pro senhor o seguinte: qual é o maior sonho que o senhor tem que o senhor gostaria de realizar?

 

R - Bom, eu sempre lutei pra deixar a minha família bem e espero que chegue lá, bem formados, educados, só.

 

P/1 - E pra finalizar eu gostaria que o senhor falasse o que o senhor achou de passar essa hora com a gente, contando a sua vida.

 

R - Eu achei gostoso, porque você começa a lembrar de algumas coisas e até fica emocionado. Achei gostoso, muito bom, bastante válido. Estou satisfeito, desculpa a nossa falha, tá?

 

P/1 - Imagina, a gente é que agradece a colaboração do senhor.

 

R - Às ordens.

 

P/2 - Obrigado.

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