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História

Trilhas rumo à sustentabilidade

História de: Luiz Eduardo Rielli
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/10/2017

Sinopse

Luiz Eduardo Rielli, filho de médicos, descreve a infância dividida entre a escola período integral e as aventuras no sítio de Atibaia. Pondera sobre a diferença entre os colégios que estudou e como isso refletiu no seu modo de ver o mundo. Fala sobre a escolha da faculdade e como a opção de fazer duas faculdades ao mesmo tempo forjou sua objetividade e foco nos estudos e trabalho. Relata as experiências profissionais que encaminharam seu atual interesse pela área de sustentabilidade e sua dedicação a projetos sociais. Por fim, fala sobre o desejo que no futuro todas as áreas de qualquer empresa sejam comprometidas com a questão de sustentabilidade.

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História completa

Meu nome é Luiz Eduardo Rocha Correa Rielli. Nasci no dia 12 de julho de 1983. Meus pais ingressaram na carreira médica em São Paulo e quando nasci, morava em uma casa no Brooklin, um bairro de muitos imigrantes. Brincava muito no sítio da família em Atibaia com meu irmão, meus primos e vizinhos. Com 12 anos de idade, saía de manhã e voltava à noite, andava 70, 80 quilômetros de bicicleta. Estudei no Colégio Santo Américo, que fica no Morumbi, em período integral, onde fazia muitas atividades extracurriculares, como futebol e basquete. No ensino médio, fui para o Colégio Bandeirantes, que fica no Paraíso. O Santo Américo era um colégio mais de classe média alta, já o Bandeirantes tinha de tudo: filhos de imigrantes e pessoas que vieram da região norte do país, por isso acabei tendo contato com uma diversidade muito maior de pessoas e a oportunidade de vivenciar a cidade.


Prestei vestibular pra Engenharia quando acabei o colégio. Não passei: Deus escreve certo por linhas tortas! Em seguida, prestei Administração na FGV (Fundação Getúlio Vargas). Administração acabou sendo um curso meio coringa. Naquela época surgiu um curso novo, Relações Internacionais na USP (Universidade de São Paulo). Eu gostava muito de História, queria ser arqueólogo. Quando criança, ficava em Atibaia escavando com martelinho, com pincelzinho e fantasiava pinturas na pedra. Eu já gostava de História, Política e Economia, mesmo com 16 anos. O curso de Relações Internacionais juntava um pouco de tudo isso. Fiz as duas faculdade. FGV de manhã e USP à noite.

 

Fiz estágio em uma empresa de comércio exterior, uma trading, que fazia o processo para exportação de café. Era um processo ligado à Administração, mas que também tinha muito a ver com Relações Internacionais porque eu recebia a missão de clientes que vinham de fora comprar café no Brasil. Em seguida, fiquei um ano fazendo estágio com análise de cenários políticos e econômicos, ajudando as empresas que queriam atuar fora do Brasil a entender o outro país.



Por causa de uma parceria que a FGV tem com a universidade de Manitoba, no Canadá, pude fazer um semestre do curso de Administração lá. Foram muitas descobertas, tinha gente do mundo inteiro.

 

Como não tive recursos para pagar a FGV na época, acabei pegando um empréstimo da própria faculdade. Quando me formei, precisava ter renda pra pagar esse compromisso e acabei entrando rapidamente em uma vaga de emprego. Eu fiquei por três meses na Flores Online, um dos primeiros negócios da onda da internet. Saí porque entrei num programa de trainee do Grupo Camargo Corrêa, em 2005. Era uma vaga na holding do grupo, com foco em inteligência estratégica. Tinha muito a ver com o estágio que eu tinha feito, cenários econômicos e políticos. Eu fiquei por dois anos nessa área. A gente avaliava se valia a pena a empresa investir bilhões de reais naquele país e depois fazia a avaliação do negócio em si.

 

Acabei tendo chance de visitar alguns países, visitar alguns projetos. Muitos dos meus chefes, gerentes e diretores tinham vindo do exterior, acabado o MBA (Master in Business Administration) no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e na Universidade de Harvard, o que foi muito bom para o meu começo de carreira. Durante esse período, acabei fazendo um trabalho sobre mudanças climáticas. Na faculdade de Relações Internacionais, eu fiz estudos em relação ao Protocolo de Quioto, negociações internacionais do clima e assim por diante. Quando ingressei nessa área, comecei a fazer estudos sobre qual seria o impacto das mudanças climáticas nos negócios da Camargo Correa. Eu era um dos caras que mais entendia desse assunto e me chamaram pra formar essa área que servia pra apoiar as outras áreas, pra olhar pra temática socioambiental com um olhar mais pragmático. Em quatro anos a gente fez essa primeira etapa, tanto no Brasil, quanto fora.

 

Nesse período, fiz um mestrado na Escócia, na Universidade de Edimburgo, na área de Economia Ecológica, ligando aspectos de meio ambiente e de ecologia com o viés econômico. Esse curso tem uma abordagem teórica, mas muito prática também,  visando a “tangibilização” da questão ambiental. Fiquei um ano. Quando eu voltei, fui direto pra área de sustentabilidade da CPFL, empresa de energia. Foi o primeiro momento da minha carreira que eu tive que lidar com equipe e orçamento maiores, com uma responsabilidade muito maior. Fiquei um ano.

 

Depois, o pessoal da Camargo comprou uma empresa portuguesa de cimento. Eu ajudei a montar a estratégia de atuação social da empresa nos dez países em que a empresa atuava. Eu tive a felicidade de visitar todas as 40 fábricas da empresa nos dez países. Depois desse período, que foi muito rico pessoalmente, acabei voltando pra área de energia, agora na região de São Paulo, no Grupo AES. Recebi o convite da AES no ano passado, 2016, e hoje eu lidero a área de sustentabilidade com o desafio de tornar esse tema tangível, prático e relevante para o dia a dia. No setor de energia, como o que estou hoje, o insumo é o recurso natural. Sem água, não tem a usina hidrelétrica gerando energia. Também lidero o Instituto AES que trata da temática social comunitária. Enquanto a sustentabilidade olha pra públicos diversos, o instituto olha pra questão social comunitária tradicional. São áreas que se conversam, mas que têm enfoques um pouco diferentes.

 

O que desejo para a área de sustentabilidade é que a gente consiga mensurar aquilo que não é mensurado e considerar aquilo que não é considerado hoje, pensando em aspectos socioambientais. Quando vejo grandes projetos sendo avaliados pela presidência, costumo perguntar: “O que não está sendo perguntado? Quais são as contas que não foram feitas?” Aquelas coisas que a gente sabe que têm impacto, que vão gerar passivos, que vão onerar, mas que não estão sendo consideradas. Eu gostaria de chegar a um momento em que a minha área não precisasse forçar essas perguntas.

 

Eu sempre quis fazer bem as coisas e me dedicar às coisas que eu estava fazendo. Acho que aprendi a correr atrás das coisas e me virar. Acho que essa questão de me dedicar, de querer fazer bem as coisas, de correr atrás, sempre foram constantes na minha vida.

 

Editado por Raquel de Lima


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